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sexta-feira, 20 de março de 2020

Primavera Virulenta

Chegou a primavera! As cerejeiras já estão floridas e os malmequeres bravos, já estão em flor há mais de um mês (Fevereiro foi quente e luminoso).
Há por todo o lado flores: flores azuis, liláses ou rosadas, flores que deslumbram pelo seu cromatismo lumínico...os pássaros chilreiam sem descanso de manhã à noite...
Tudo tão bom, mas o raio do covi-19 não condiz com a época do Abraço do Homem à Natureza (ou Mãe). 
Esta situação afecta-nos a todos, nesta estação primaveril não podemos ver e sentir as cores e os cheiros da nossa primavera, não podemos viajar, nem saborear o bolo de azeite ainda morninho.
É tempo de clausura.
Flor da Oliveira

Então, com uma imagem de Longenvidade, de Luz e da Maciez da Vida, como é a da Oliveira, desejo-vos uma boa estação.

Tenhamos esperança...
Nada de medos, somente é preciso sermos cuidadosos, a fim de evitar o contágio, e isso só é possível com a quarentena por uns tempos. O vírus é mais contagioso do que virulento, a sua virulência é muito inferior a outros, mas não deixa de ser um problema.
Que cada um faça o seu melhor.
Enfim, Tudo de Bom.
Boa primavera, que ela afaste o maldito vírus.
Para os do outro lado do Atlântico, em especial do Brasil, bom outono.

domingo, 15 de março de 2020

1720- 2020- 3.º Centenário "do Milagre"

300 Anos

300 é um número bonito. É redondo. Cheio. Imponente. Grande. Importante.
Em anos representa muita vida. Muito nascimento, muita morte, muito casamento, muito trabalho. 
Muita decisão, muita indecisão. Muita lei, muita disputa, muito consenso, muita união e muito afastamento.
Representa muito, muito de bom, muito de mau, de assim-assim, de nem-por-isso.
Este 300 guarda nele muita coisa. Guarda nele muita vida. A vida da nossa região. A nossa vida.

clique na legenda para ler

Esta é uma fotografia do ex-voto que se encontra no interior da capela de Nossa Senhora dos Verdes de Forninhos, invocativo do Milagre ocorrido nas searas da nossa região, destruídas pelos bichos. Era de 1720. Uma data que deve ser um marco, por isso a destacamos, para que cada um de nós faça jus, quando chegar o momento, a este acontecimento comemorativo de valor que, nesse tempo, deram à nossa aldeia.
Se não puder ser a 3 de Maio (dia de Santa Cruz) ou 1 de Junho (dia do Espirito Santo) face ao surto de Covid-19 que seja a 15 de Agosto (Dia da Assunção de Nossa Senhora). 
A calendarização definitiva deverá sempre ser feita tendo em conta as orientações da DGS -Direcção-Geral de Saúde.

Agora algumas curiosidades (que encontrei com a ajuda do Google, num forum de genealogia) sobre pessoas do passado, que se calhar estiveram presentes a cumprir o Voto a Nossa Senhora dos Verdes. Nestes campos...no meio de gentes, de vontades:
22-09- 1718 foi dia de festa na aldeia. O pároco, Manuel Ribeiro celebrava o casamento de Manuel Pais e Maria da Ascensão. Com uma particularidade: o noivo era filho do Revº Padre Francisco Pais Velho, falecido à data e de Maria João, também já falecida.
É interessante esta informação porque parece que, na altura, a paternidade dos padres era encarada e assumida com alguma naturalidade!
A noiva era filha de Manuel Vaz, falecido e Maria Afonso, falecida.
Testemunhas: Geraldo de Aguiar, Manuel Fernandes, Jerónimo e João Aguiar.
Do Livro de registos mistos (1699/1761).
PT-ADLSB-PRQ-PAGB07-004-M2_m0076.tif
Em "dia e mês" de 1736 foi um dia triste na aldeia. Falecia uma filha da terra Bernarda Fernandes (nascida em Forninhos com o apelido Luís), filha de Manuel Luís (nascido na vila de Pena Verde) e Maria Luís (nascida em Forninhos com o apelido Nunes).
Tinha uma irmã, Maria Dias (nascida com o apelido Luís) e um outro irmão...
Bernarda casou-se com António Fernandes.

Dessa época, quem conhecer outros nomes, outras pessoas, por favor, deixo-nos aqui em comentário esse contributo. Agradecemos todos.

Nota final: Estamos  a caminho do 1.º centenário da fundação da Irmandade de Santa Marinha, 2026 é já ali... 1 de Outubro de 1926.....1 de Outubro de 2026.
No passado existiram confrarias, mas devido ao seu progressivo declínio, tem-se por certa essa data. Vamos continuar a destacar esta data também, pois valorizamos o património legado pelos nossos egrégios avós.

domingo, 8 de março de 2020

Homenagem a todas as Mulheres


Eis uma imagem, de algumas mulheres de Forninhos, nos anos 60. 
Para elas e para todas as outras neste Dia 08.Março.2020 vai o nosso Obrigada, por tudo, o que com grandes sacrifícios fizeram por Forninhos, enquanto Mulheres, Mães, Companheiras, Amigas, Pessoas importantes no desenvolvimento e progresso da sociedade actual, quer como catequistas ou noutras actividadades ligadas à igreja ou à comunidade.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!

sábado, 29 de fevereiro de 2020

O milho está na moda

Felizmente, há modas que vêm por bem e a das receitas com farinha de milho é um bom exemplo. Este vegetal é dos alimentos mais ricos e nutritivos, parece. Para homens e para animais. Mas presentemente, ainda é pouco usado na alimentação humana, embora não se diga que não a um pão de milho e a umas papas doces de ralão (se é que há alguém que ainda coma um prato de papas depois duma refeição)!


O ralão, para quem não souber, é a farinha de milho moída grosseiramente de modo artesanal, é indicado para papas e é sem glúten.
De certeza que já ouviu alguém referir que é intolerante ao glúten, um conjunto de proteínas insolúveis que encontramos frequentemente em cereais como a aveia, trigo, centeio e cevada.
Então, apreciadora de milho, lembrei-me que no Forninhos antigo, já confecionavam receitas sem glúten, mesmo para quem não era celíaco. Além das papas-laberças feitas com farinha de milho e couve galega, também se faziam umas papas de ralão com carne e com chouriça dos boches (a palavra correcta é bofes), enchido feito à base de bofe e cebola, que lhe dava um sabor especial, não é das receitas mais apetitosas, mas sabendo que é isenta de glúten, talvez tente experimentá-la.

Ingredientes:
ralão
água q.b.
carne de porco da salgadeira
chouriça dos bofes

Modo de Preparação:
- Lave bem o ralão e deixe-o de molho 1/2 horas e retire as cascas mais grossas;
- Coza previamente as carnes de porco e chouriça com água e sal (se necessário);
- Coza o ralão, em lume médio, para ficar tenro, na água da cozedura da carne até ganhar a consistência desejada (estará bem cozido quando a colher de pau ficar segura no meio da panela sem cair),
-Acompanhe o preparado (as papas) com a carne e a chouriça cortada aos pedaços.

No entanto, pode adaptar a receita:
-Pique uma cebola, um dente de alho e um tomate com peles e tudo, sem chorar!
- Deixe refogar em azeite e junte o ralão e água quente, mexendo sempre, para não se colar ao fundo, acrescentando aos poucos a água necessária e sal e retire do lume quando achar que está cozido.
-Acompanhe com febras de porco grelhadas, peito de frango ou peixe frito e uma salada.

Bom apetite!

Nota: No Algarve fazem o xarém ou xerém, papas de milho com o molho do guisado de bacalhau, guisado de lulas, etc...na Ilha da Madeira não há prato mais madeirense que milho cozido (ou frito), a polenta é um alimento típico da cozinha italiana.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Arrematação 2020

A mordomia de Santa Marinha marcou para dia 23 de Fevereiro (domingo gordo), a tradicional arrematação a favor da Irmandade, que acontecerá no Largo da Lameira, pelas 14h30.
Divulgamos o cartaz do evento para abrir o apetite:



É bom reviver as nossas tradições, mesmo que adaptadas às realidades de hoje e, sobretudo, é bom juntarmo-nos e convivermos.
Obrigada a todos os envolvidos na organização.
Veja AQUI a tradição das arrematações/leilão.

QUE SEJA UM BOM EVENTO E...UM BOM ENTRUDO.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

A História é de todos

No verão ou outono de 2013, na Tipografia da Beira Alta, Ldª. imprimiram-se 500 exemplares da primeira edição da monografia "Forninhos: a Terra dos nossos avós", da autoria de Carlos Alves e co-autoria de  Filipa Loureiro.
No capítulo "invasões e liberalismo", escreveu-se que no dia 2 de Abril de 1850 o jornal Ilustração Brasileira, na sua edição de sábado, na secção História da Actualidade, referia que "Na freguesia de Forninhos grassa actualmente uma febre de carácter maligno", não dando mais explicações sobre esta epidemia, página 72 (agora com o "Coronavírus", vem bem a propósito recordar esta notícia).
Posteriormente, sobre Forninhos foi editado um artigo com muito interesse, na Revista de História da Sociedade e da Cultura n.º 18, da autoria do João Nunes, e podemos ler (página 115): "Em 1859, uma notícia do Jornal dava conta de que em "Forninhos grassa actualmente uma febre de carácter maligno" (A Ilustração 1859:97).
Afinal a notícia é de 1850 ou 1859?
Existe um documento que pode confirmar essa notícia:




Não querendo ser desmancha-prazeres, o ano inserido na monografia de Forninhos está errado e tal em nada beneficia o leitor comum ou de quem inicia novas investigações, ao contrário da Revista da História da Sociedade e da Cultura n.º 18 que acrescenta informações de inegável utilidade.
A notícia, portanto, é do ano de 1859 e talvez desta vez o leitor forninhense entenda que na sociedade forninhense predomina mais o consumo do que a cultura e o consumo traz lucro e prestigio social, não importa se a história é deturpada, se com isso alguém tira dividendos económicos e políticos.
Voltando à notícia, será que alguém de Forninhos trabalhava na Ilustração Luso-Brazileira?
Todos adoramos a nossa terra, para cada um a sua é a melhor e a mais bonita, mas eu acho que minha terra não ía ser notícia no século XIX, num jornal universal, se não houvesse uma pessoa nascida e criada na região.
Se alguém descobrir diga-nos.