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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Verdes são os campos

Neste "DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS", espalhadas pelo mundo, eis um belo poema de Luiz Vaz de Camões, sobre os nossos campos verdes e as ovelhas que nelas pastam.


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

No meu imaginário, Camões bem podia estar a referir-se aos nossos campos e nossas ovelhas, que terá visto pastar aquando de alguma viagem pelas nossas serranias.

Viva Portugal ❤️ Ontem, hoje e sempre!

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Trovoadas de verão

"A oito de Setembro de 1938, formidável trovoada, de como nunca houve memória, fez abater aqui uma verdadeira tromba de águas que transformou as ruas em ribeiros caudalosos, afogando animais nos cortelhos e poleiros. Os rios cresceram assustadoramente. Na ribeira, dois moleiros estiveram em perigo de vida, agarrados à cumieira do moinho ameaçado de desmoronamento pela força da corrente; colhidos lá dentro de surpresa, só no tecto encontraram refúgio.
Esbarrocou terras, arrancou árvores, derrubou muros, levou e enterrou centenas de alqueires de milho e toneladas de batata, sem falar nos prejuízos que deu, inutilizando terras de cultivo. Felizmente, catástrofes assim são raras".
Este texto, retirado do livro "PENAVERDE SUA VILA E TERMO, do Pe. Luís Ferreira de Lemos, fala numa trovoada na nossa região, no ano de 1938, "Foi uma trovoada que desabou sobre o concelho de Aguiar da Beira, as terras altas do concelho de Sátão e as do Alto Paiva. Este, em Reris (Castro Daire), inundou a loja de um comerciante, inutilizando sacas de arroz e açúcar". Com ligeiras diferenças, podia também referir-se ao que aconteceu esta semana em quase todo o território português.


Na aldeia de Forninhos a forte trovoada de 1938 também fez estragos, derrubou muros de lameiros, lenteiros e hortas, tudo levando à sua frente. Desmoronou um moinho nas Caldeirinhas e dois na Eira e também desmoronou o lagar de azeite do Senhor José Baptista, já desactivado para aí 2 ou 3 anos antes da enxurrada, devido a um incêndio, segundo a informante Maria Augusta Guerra.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Na mourama

Creio que uma grande parte dos leitores sabe que habitualmente, é no dia de São João que se acredita que as mouras encantadas aparecem com os tesouros e se pode quebrar o seu encantamento e então ocorreu-me publicar um escrito (que achei) do XicoAlmeida: 

Ó linda moira encantada
Encantada de magia
Tanto o coração esperou
De te poder ver neste dia

De te poder ver neste dia
O dia de São João
A pentear teus cabelos
Sentada na penedia

Sentada na penedia 
Nas Lojas da Barroqueira
Ó linda moira encantada
Quero estar à tua beira

Quero estar à tua beira
E pentear teu cabelo
Enquanto rodas o fuso
Segurar no teu novelo

Ó linda moura encantada
Encantada de magia...


Consta que na nossa Serra vive uma moura escondida entre enormes penedias e uma só vez em cada ano - na manhã de São João, antes do nascer do sol - aparece numa fonte (ficou conhecida por fonte da moura) e estende as suas finas roupas e espalha o seu ouro, que só entregará a quem naquela noite a apanhar...não sei se alguma vez nesta noite de verão e de São João alguém passou à ação, mas a moura nunca se deixou ver, pois ao pressentir a aproximação de alguém, magicamente se recolhe até ao ano seguinte e, por isso, lá entre as enormes penedias, continua encantada, linda, a guardar pelos séculos dos séculos, um grande tesouro.

Bom São João🎈

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Reminiscências

Imagina-te na tua terra e sobe em pensamento ao alto do Castelo, contemplando o espetáculo maravilhoso lá do alto:


Ver os Cubos e Cabrancinhos
A Mata e a Barroqueira
Onde os corvos fazem ninhos,
A selvagem Farrangeira
O Castelo dos Mouros,
Onde se escondem tesouros!

A Dubinha e o Castinçal,
Os Moncões e Chão-do-Vale,
A Ribeira e a Meada, 
Mais acima, dois galopes,
Ficam os Valagotes,
Onde Forninhos acaba!

Na Pardamaia as vinhas,
No Porto as oliveiras
Lembram-me as andorinhas,
Sempre alegres e fagueiras!

Ao longe, na imensidão
Oh tanta recordação
De um inesquecível verão:
É o nosso rio Dão!
Afoga nas tuas águas,
Ó rio, as minhas mágoas!

E ali tão perto
Rodeado de penedos
Um segredo!
Está São Pedro!

Venero nestas montanhas,
Duras, agrestes e sós,
Vidas pobres e estranhas,
A memória dos meus avós!

Lembro com carinho
Este meu berço: Forninhos!
Castelos de oiro em criança!
Os meus tempos de menino,
Em que toda a minha infância
Era sonhos e esperança!

À tardinha, ao sol pôr,
Volto com mais amor,
De novo à minha terra.
Pelo toque das Trindades,
É maior a saudade,
Desce a noite lá da Serra.

Ó feliz recordação,
Que o meu coração encerra!!!
Mas o que é afinal?
A saudade?
Sim, é verdade!
Mais: um amor sem igual
Por Forninhos, minha Terra!

Estás longe, estás perto?
Não interessa.
Há alegria ou festa?
Não importa.
Tua alma chora?
Talvez, como morta
Mas uma coisa é certa:
Vai em pensamento,
Por esses montes, vales fora,
Pergunta ao sol e ao vento,
SE HÁ LÁ TERRA COMO ESTA?!!?


Poema escrito por Ilídio Guerra Marques, em Julho de 1967, Forninhos.
A foto é de João Albuquerque, tirada no Castelo, no dia 11 de Setembro de 1961.
Bem-Hajam por mais esta partilha que nos restitui uma memória colectiva.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

O Dia da Criança está a chegar...

Nasci nos montes,
Outeiros,
Sem pontes,
Nos ribeiros,
Em Forninhos.



Usei burel
E cotim
Fiz moinhos
De papel
Comi mel
De alecrim
e rosmaninhos

Era uma alegria
A gente crescia
Tão feliz
E não sabia...

Fui um petiz
E um muito feliz
Menino...

Ilídio Guerra Marques

Não sei se é um poema, se um texto poético, só sei que contém uma mensagem tão clara, que oxalá que a criança que há em cada adulto, ao longo do seu caminho, seja um petiz e um muito feliz menino.
Gostei imenso.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

No campo...

O 1.º de Maio é o dia do trabalhador, e  para o comemorar escolhi um "textosito" dum Livro que aprecio muito, em homenagem aos trabalhadores do campo, que dele(s) tira os miminhos que todos apreciamos:
"Romperam há semanas as batatas na leira estrumada e pedem monda e logo rega, murchas ao primeiro aperto da canícula, enquanto ao lado, as fêveras do milho grosso, já saído, vão crescendo com as lufadas do suão...E é o tempo das sachas. Andam ranchos, em tapadas e cerrados, vergados para a terra a mondar os milhos entre cantigas em côro ou à desgarrada (...)



enquanto as cerejas coram, às meiguices do sol de Junho.
E, num ai, as ceifas à porta. Não há mãos a medir. Ao domingo se combina o serviço entre todos, para todos se ajudarem, porque todos se devem favores: - tal dia para fulano, tal dia para cicrano, outro para beltrano, e fica a semana encarrilhada. Mal se dorme, que as noites são pequenas e o trabalho não dá sesta."

"Penaverde Sua Vila e Termo, Pe. Luís Ferreira de Lemos

Que todo o trabalhador seja recompensado pelo esforço continuado de manter o mundo alimentado e farto.
Que viva pois,  o Dia do Trabalhador.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Tragédias em poesia

À festa em honra do S. Pedro de Verona, em Carapito, ia gente das povoações das redondezas. Esta festa, bem como outras, são férteis em histórias por quase sempre terminarem em porrada ou tragédia.
Nos dias seguintes, o assunto dominava as conversas nas ruas e tabernas e ainda se inventavam uns versos sobre tais desgraças que os povos relevavam nas suas cantorias.
Chegaram até hoje os versos que recordam a tragédia da morte duma rapariga de Moreira chamada Zulmira, faz hoje 70 anos, num acidente de automóvel:

A 29 de Abril de 1950
Foi um dia de amargura
Foi um dia de tormenta!

II
Joaquim Franco alfaiate
resolveu dar um passeio
Com a família e os amigos
Levava o carro cheio

III
Na freguesia de Carapito
Onde se festejava o S. Pedro
A filha do Sr. Frederico
Encontrou a morte cedo

IV
Chora o pai, chora a mãe
Chora a família inteira
Chora quem não lhe pertence
Na povoação de Moreira!

Continua...
Clique para ler o resto

Em Maio não se sabe já de que ano... outro acidente mais antigo aconteceu, um acidente de cavalo. O transporte de tração animal é o mais antigo meio de transporte usado pelo ser humano (existem provas de cavalos domesticados há cerca de 5600 anos).
Então foi assim: noite escura saíu de Forninhos a cavalo o "Pousadas" depois duma  forte discussão como ti Gonçalves na venda do Sr. Zé Bernardo. Pela manhã, foi encontrado morto no Lugar do Longo Velho.
Quando a filha do "Pousadas" soube, acusou o ti Gonçalves de ter morto o seu pai, mas António Gonçalves (filho) para defesa do seu, deixou-nos uns versos bem antigos sobre a trágica morte desse homem das Pousadas, aldeia para os lados de Vila Cova/Castelo de Penalva. 
Alguns já se perderam, mas ainda dá para perceber que este acidente meteu justiça, autópsia e tudo!

I
No dia ...de Maio algo aconteceu
No Lugar do Longo Velho
Um homem muito velho
Caiu do cavalo e morreu

II
A gente da Quinta da Ponte
Veio toda em fileira
A que lá chegou primeiro
Foi a Augusta Fogueteira

II
Também chegou o Cu-Queimado
A apertar o coração
Quem matou este coitado
Tem 100 anos de prisão

IV
Mandaram vir a justiça
Por uma carta fechada
A justiça já não vem
A justiça está comprada

V
Assim que veio a justiça
Para o juíz foi falar
Veja bem Sr. juíz
Onde o vieram deitar

VI
Cale-se minha senhora
Senão mando-a já calar
Eu tenho aqui aparelhos
para isso examinar.

Quem conhecer outros versos, fruto da inspiração popular, partilhe connosco. Agradecemos todos. Há quem diga que em vez do cavalo seria uma égua e finalize:

Adeus António Pousadas
Tua égua companhia
A égua foi encontrada
Nos lameiros da Moradia

Agora também há tragédias, crimes e injustiças várias quase iguais, mas sem poesia.

Contributo do meu pai "Samuel Cavaca". 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O dia do ciclone

No dia 15 de Fevereiro de 1941, Portugal foi assolado por um ciclone que deixou um rasto de destruição por todo o pais. Além de um elevado número de mortos, feridos e desaparecidos. 
Em Forninhos não houve vítimas mortais, mas ali ao lado e nesse dia, no pequeno lugar da Moradia havia um casamento, em que no regresso da boda, dois convidados morreram apanhados pelo ciclone.
O Sr. José Cardoso da Quinta da Ponte, recorda em verso a tragédia da morte desses dois homens da freguesia de Valverde, assim:

Idos da Moradia
Talvez até já sem sede
Morreram na estrada
Já próximo do seu Valverde.

O ciclone os levantou
Como se fosse pergaminho
Deixando-os caídos mortos
Onde hoje está um cruzeirinho.


queda da árvore do terreiro da N.S.dos Verdes, para recordar

O escritor e poeta, deixou-nos mais estes versos inéditos:

Trágica noite de sábado
Fevereiro 15, 1941
Houve um grande ciclone
Nunca assim visto algum.

Depois da noite trágica
Veio Domingo de bonança
Com árvores e pinhais derrotados
E por muitos anos sem esperança.

Parecia que uma enorme foice
Tinha os pinhais ceifado
Pois a força da natureza
Tombou tudo p´ró mesmo lado.

Passaram muitos anos
Mais d' uma geração
Para que se notasse
Parcial recuperação.

in memórias do meu querido torrão natal "Quinta da Ponte".

terça-feira, 25 de abril de 2017

1974-2017 - 43 Anos de Liberdade

«Um abraço para todos neste dia ESPECIAL.
Sobretudo para todos os que usam a Liberdade com Saber e muita Coragem, com inteligência e Respeito.
Um abraço para todos os que nos últimos 43 anos perceberam que a Liberdade é um bem adquirido e que tem regras, limites e fronteiras. A Liberdade não foi criada para roubar, para ultrajar o outro.O vizinho, o familiar ou o amigo.
O empregado ou a empregada, o assalariado.
O pai, a mãe, o avô ou o filho.
A Liberdade chegou há 43 anos e que para tal acontecesse muitos sofreram nas mãos do Absolutismo e da Ditadura.
Muitos morreram e nem o corpo(s) foi encontrado(s)...
Um abraço Especial para este Espaço que permite que uma Terra e um Povo sejam recordados na sua História e Raízes.
Onde também se contam estórias de arrepiar de pobreza e miséria, muita resistência!!
Pena que o 25 de Abril de HOJE não honre muitas vezes os nossos antepassados e muitos prefiram mandar pedras e esconder as mãos. Daí os muros que todos os dias nascem.
Dai as ameaças bélicas e os navios de guerra a cruzarem os Oceanos.
Para quem não sabe usar a Liberdade o sono de logo à noite vai ser muito pesado.
Para quem respeitou e quis a Liberdade sem sofrimento eis um sono leve que se aproxima.»



O blog dos forninhenses escolheu esta música do Pedro Abrunhosa para acompanhar esta passagem do amigo António Gouveia que dá assim este belo contributo para a nossa etiqueta de "Escritos".

quinta-feira, 16 de março de 2017

Ali por Março ou Abril...

Nos últimos dias estive a reler umas páginas do livro Penaverde, sua Vila e Termo, do Pe. Luís Ferreira de Lemos e encontrei um trecho que sublinhei 'há muito'...e que hoje trago aqui. Espero que apreciem:
"Ali por Março ou Abril, consoante, começa a faina agrícola. Pouco a pouco, o manto verde que a terra foi cobrindo depois dos 'codos do inverno', agora marchetado de boinas, malmequeres e miríades de flores sem nome, começa a virar-se do avesso, para albergar, no seio criador, as primeiras sementes das batatas temporãs".


Foto de Forninhos, do albúm de memórias de Luís Pires, filho da ti Ilda e ti Zé Cardoso.

sábado, 10 de dezembro de 2016

À minha Beira vou...

É tremenda a solidão do Natal
para um beirão nesta cidade capital
sem alma, sem nada, quase indiferente...
Inventam-se uns presépios por obrigação,
sem a ternura do musgo e devoção
da minha aldeia e da minha gente...


À minha Beira vou
em cada esquina, em pensamento,
subo a serra e lhe dou
estes versos-sentimento.

Atravesso mataguedos.
Salto fragas e penedais.
Tenho saudades dos medos,
e da casa dos meus pais.

À minha Beira vou,
ao berço, à terra-mãe
subo a serra e lhe dou
hossanas por Jerusalém!

À minha Beira vou
deste barulho e confusão
subo a serra e lhe dou
a alma e o coração!

mas:

À minha Beira não fui, p'raqui fiquei
P'ra lhe dizer, p´ra lhe contar
que o meu poema
é nostalgia, pena
por cá ficar...

Guardo num berço pequenino
nostalgia desse tempo e dos meus,
memórias, presépios de menino...
Que saudades, meu Deus!!!

E, sem querer, subo à serra, à minha Beira...
e sinto-me menino de novo,
no meio da gente do meu povo,
na festa de Natal verdadeira...

O Natal de Lisboa (25-12-1984)
Uns versos, de Ilídio Guerra Marques, com saudade dos verdadeiros Natais em Forninhos, da festa de Natal verdadeira.

sábado, 5 de março de 2016

Raízes...

Anos 60 do Século XX, anos complicados! O início da Guerra do Ultramar condicionou a vida da nossa gente, nos anos da Guerra Ultramarina a freguesia de Forninhos chorou pelos seus rapazes, choro de morte, de aflição...Mas o pulsar das populações não parou. Durante este período mantinham-se as tradições e as crianças iam à escola e à catequese; os casamentos e nascimentos aconteciam e até houve Missa Nova na Terra.
«Sim, Forninhos vive num ambiente festivo de nobreza e engrandecimento.», como escreveu Ilídio Guerra Marques no convite feito a todos os Forninhenses disseminados pelas mais distantes partes do mundo.
«Há um murmúrio alegre que desce pelas quebradas dos montes! Há um balbuciar de preces nos lábios puros e inocentes das crianças! Há lágrimas que sulcam rostos encarquilhados de velhinhas! Há um ressoar de cânticos que se eleva sublime no Céu! Algo, enfim, de supremo e grandioso enche todos os corações e os une numa amizade santa e verdadeira.».
Desta época aqui ficam umas fotos e a seguir um poema recordação dedicado à nossa Terra para ajudar-vos a recordar com mais saudade e maior devoção essa Aldeia que trazeis no coração e que foi e continua a ser Berço de todos nós.
Leia que vale a pena.


A foto acima mostra a saída da procissão da sua casa, na Lameira, para a nossa igreja, onde iria ser celebrada a primeira missa.
Reconhece-se gente boa e estimada da nossa terra: meu avô J.Cavaca, ti Daniel, ti Alfredo Saraiva (pai do XicoAlmeida) e ti António pêgo. Dos mais novinhos, um, Ezequiel "Rito", o outro parece ser o Adelino Moreira.

Convivas, 13 de Agosto de 1967

M/avô Cavaca, Zé ferreiro, ti Joaquim branco, Adriano Moreira, m/pai: Samuel e o primo Álvaro.

o formato do bolo é um missal

Clique para ampliar/ler

Recordações de Gente nossa, alegrias e tragédias...

domingo, 4 de outubro de 2015

Aquele Outono


Aquele Outono de outrora
Ai... vai perecendo.
É o celebrar das colheitas
Cantadas por tantas eiras
De receitas para maleitas
Alívio da pequenada
Aquelas mezinhas caseiras
De ervas do quase de nada
Enfim... coisas que só vendo
 Que mais quero e não entendo.

Calmo o frenesim do verão
Folguedos e romarias
Entre coisas para regar
Beldades para catar
Depois da escanada
Que um dia dariam vidas
Não houvera um senão
Pois outras dariam nada.

E já lavados os cestos
Aguardente para fazer
Pouco havia para ir
Nem ajudar o vizinho
Panelas tinham os testos,
Já limpos e areados
Para aquilo que provir
Arrumado estava o vinho
Pendurados os arados
E maus olhados.

O malandro do Outono
Tinha duas meias cores
Uma  com restos de vida
Outra que não tinha dono
Para os mais velhos com dores
Tinha a morte apetecida
Era falsa esta medida
E as duas tão tamanhas
Vendiam a alma ao diabo
Por meia dúzia de castanhas.

Inédito, Outono de 2015, XicoAlmeida.

quinta-feira, 19 de março de 2015

19 de Março, dia do pai

O dia do pai, aliado à celebração da festa litúrgica de S. José, comemora-se hoje, dia 19 de Março.


Ausente, mas tão presente...

Partia cedo, noite escura
Que a noite também dormia, 
Mais um pouco.
Tal como nós, pequeninos
Como algo que procura
P' ra cima puxava a manta
Com brio,
Não fosse a pequenada ter frio
E olhava com enlevo
E sorria
Sussurrando aos seus anjinhos
Dormi bem, não tenhais medo.
Mas quase noite, quando voltava
Pelo trabalho quebrado
Dava tudo o que podia 
Naquele regaço suado.
Num colo cheio de amor
Que depois dele partir
La para "cima", distante,
Continuamos a sentir
O tanto que ele nos ama,
Uma estrela cintilante.

(Inédito Xicoalmeida)

Dedico este meu poema, a todos os pais, com consideração e estima.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Lameira, Lugar e Errata

O povo de Forninhos divide-se em dois lugares: a Lameira e o Lugar e hoje vamos apresentar a visão de alguém que nasceu e viveu no Largo da Lameira, pois é importante saber que na nossa freguesia existiu um lugar que já foi a fronteira, o centro e a ponte, mas também a sala de toda a gente. Com a devida autorização do nosso conterrâneo Ilídio Marques, publico um texto poético da sua autoria:



O Largo da Fonte 
era do povo a fronteira,
o centro e a ponte
entre o Lugar e a Lameira

No Largo da Fonte ou do Cruzeiro
ficava a nossa escola,
ali se bailava antigamente
e também se jogava à bola.

Era o nosso maior terreiro
e a sala de toda a gente.


1970, Ilídio Marques

Sem dúvida, o Largo da Fonte da Lameira foi um importante espaço de convívio e custa a aceitar que os autores da monografia de Forninhos, tenham feito "tábua rasa" a esta e todas as fontes da aldeia e sobre os lugares de convivência ainda tenham usado termos que nada têm a ver com a nossa terra.



Forninhenses: temos que deixar história, ou que será que no futuro vão contar sobre os nossos lugares de convivência? 
Que em Forninhos havia feiras?
Que os jovens, numa altura em que os namoros começavam com um simples piscar de olhos, procuravam cruzar-se com as suas pretendentes nas cerimónias religiosas? 
Fácil tal concluir, afinal de contas todos iam à igreja para particpar na Eucaristia, mas não namoravam no adro, tendo em conta a época até seria pecado!
No Natal, o madeiro abrasado reunia os homens da comunidade que também se juntava nas desfolhadas?

Errata:
Em Forninhos não havia feiras e uma boa parte dos namoros entre rapazes e raparigas da terra começavam na fonte. Os rapazes esperavam as raparigas quando estas iam à fonte para abastecerem a casa com a água necessária e acompanhavam-nas até casa. 
No Natal o Cêpo reunia os homens da comunidade que também se juntava nas escanadas.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Escritos da nossa terra

Divulgamos, nesta tarde invernosa, um escrito que fala de Forninhos, num poema recebido por email, do nosso conterrâneo Ilídio Marques e que aqui se estreia, o que só enriquece ainda mais este espaço que é nosso. Juntamos à palavra uma imagem do tempo de antanho, mas onde estão gravadas as gentes, caminhos, serras e pedras da nossa terra.


"Sou filho dum povo antigo
De gente boa e honrada
Na minha já longa estrada
Na alma e de mão dada
Anda sempre comigo.

Mudei-me p´ra perto do mar,
outro ar e horizontes,
mas as saudades dos montes
ninguém as pode abafar.

Ficou deles a saudade
Da minha aldeia,
Da minha terra,
Da gente cheia
Do sol da serra
Onde eu vivi meia idade."

A Natália Cavaca foi quem cedeu a foto ao blog dos forninhenses.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Outono


"Vai tomando a terra novas cambiantes: - despidos os agros da flora dos meses quentes, vinhedos e pomares, de seus frutos, sobre eles a entornar-se um sol mortiço de outono, reveste o ar de mãe que deu luz e a quem roubaram a cria. É o verão que foge e se desfaz com o despir das árvores, a caírem uma a uma as folhas amarelentas.
Também as aves já se foram. "Pelo S. Mateus, deixa os pássaros que não são teus". Além dos pardais, fiéis amigos de todo o ano, quer chova quer neve, só se vê um ou outro taralhão esquecido e sorumbático, ou um bando de estorninhos a fazer as malas. Se ainda cá andam, é a picar a bolota ou à espera da castanha que não tarda aí com os ouriços arreganhados, alguns já derrubados, pelo garotio, à taganhada.
Por esse tempo, já os porcos - "com sua licença" - estão na ceva. As batatas miúdas que não se comem, as abóboras, os figos - passante dos Finados já ninguém os quer, "porque foram lambidos pelos defuntos" - e nas casas ricas, "arregaçadas" de centeio cozido, viandas bem enfarinhadas, tudo serve para engordar o bacorinho".

Do livro "Penaverde Sua Vila e Termo" do Padre Luís Ferreira de Lemos - escrito há vários anos. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Poesia, na Primavera

Divulgamos no Dia da Poesia um escrito que fala da Primavera e da 'nossa' serra, num poema recebido por email, do nosso amigo Eduardo Santos:

"JÁ CHEGOU A PRIMAVERA

Já chegou a Primavera,
o Inverno já passou,
quero ir à nossa Serra,
onde o S. Pedro morou.

Já se vêem os malmequeres,
prontinhos a desfolhar,
mal me queres bem me queres,
e nesta pétala vou parar.

A poupa já diz: poupa poupa,
e insiste sem parar,
coitada, da vida sabe pouco,
porque já não há nada p´ra poupar.

O gaio amarelo lá vai dizendo:
viste lá o clero?
lá o vi lá o vi lá o vi,
queria-me apanhar,
mas eu fugi fugi fugi.

SERRA ACIMA

Em cada canto um botão,
uma rosa prestes a brotar,
parecem jóias pelo chão,
que nos convidam apanhar.

Mais acima a cotovia,
concentra a sua melodia,
num saber que é só seu,
neste ambiente de beleza em flor,
natureza, paz e amor, 
sinto-me mais perto do céu."



Juntamos à palavra/poema uma bela imagem do campo, esperemos como promessa de uma boa estação para todos nós.