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sábado, 13 de abril de 2024

50 anos de 25 de Abril

O Município de Aguiar da Beira vai celebrar os 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974, conforme programação:


25 de Abril - quinta-feira:

09h30 - Deposição de coroas de flores no Monumento em memória aos jovens Combatentes do concelho que tombaram na Guerra de Ultramar. 
Destaco, mais uma vez, os 4 (quatro) forninhenses: Daniel, Carlos, Viriato e ilídio.
10h00 - Missa na Igreja Matriz da Vila de Aguiar da Beira
11h15 - Entrega de lembrança aos antigos Combatentes no Ultramar
12h30 - Almoço - Confraternização
15h00 - Baile com o conjunto musical "DJD"
18h30 - Peça de Teatro "25 de Abril, Sempre"

Desejo um dia de liberdade feliz, com numerosa assistência e tenho de dizer que num concelho com tão pouco Abril dentro, é de louvar esta oportunidade da Câmara Municipal de AGB!!
Viva Abril
Viva a Democracia

sábado, 18 de abril de 2020

Recordando DANIEL ESTEVES

No dia 4 de Fevereiro de 1961, teve início a Guerra Colonial com o ataque em Luanda (Angola) a uma esquadra da PSP e a duas prisões. (Fonte :Wikipédia)
A Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, determinou o seu fim, mas até lá tantos jovens soldados pereceram e de que é necessário ir falando, para que não fiquem cobertos pela pátina do esquecimento. Forninhos, por exemplo, teve a infelicidade de perder 4 (quatro) jovens nessa Guerra.
O 1.º forninhense a falecer, foi o  DANIEL ALMEIDA ESTEVES, com 22 anos de idade.
Apesar de eu também ter nascido em Forninhos, nem sempre consigo saber o suficiente sobre todos para Lhes prestar uma simples homenagem. Mais uma vez, resolvi pedir ajuda.
O Daniel nasceu em Forninhos no dia 4 de Janeiro de 1939, hoje teria 81 anos, sendo o quarto filho da tia Maria "Mineira". 
A tia Mineira (como popularmente era conhecida) casou em segundas núpcias com o tio Adelino "Palaio" depois do 1.º marido, que foi mineiro, ter morrido; do 1.º casamento teve 3 filhos: o João, o Ramiro e a Albertina; do 2.º casamento nasceu o Daniel, que foi tropa e partiu para a Guerra, quando já era casado e pai duma menina com 3 (três) meses.
Sua mãe, no dia da sua partida, rogou virada para Nossa Senhora dos Verdes, de joelhos e mãos postas, que  o seu querido filho voltasse com vida. (Fonte: Augusta Guerra).
Que tamanha dor a desta mãe, ao ver partir o seu filho para a Guerra, sem ter certeza de nada: nem da vida que o seu filho teria por lá, nem se voltaria a vê-lo ou abraçar, já que a morte podia espreitar no meio das matas de Angola. 
E infelizmente não voltou com vida. O Daniel faleceu no dia 22 de Agosto de 1961. 
Imagino (só imagino) a dor. A dor de um era a dor da comunidade.
No dia 17 de Julho de 2011, Forninhos homenageou todos os naturais que participaram na Guerra Colonial (espreite aqui) . Mas deviam recordá-Los ao longo do ano, pelo menos, em dias especiais da nação: 25 de Abril, 10 de Junho, 5 de Outubro, 1 de Dezembro.
Adiante...
Nesse dia, eu estava lá e tive o prazer de conhecer e ouvir a viúva do Daniel, natural da vizinha aldeia da Matela, que me ralatou com lágrimas nos olhos que o marido só teve tempo de lhe escrever uma única carta e falou-me um pouco daquilo que sofreu, com uma menina de 3 meses, sozinha a trabalhar na resina.
Mas o seu jovem marido, que eu não conheci, também foi louvado, a título póstumo, por Despacho do General Comandante da Região Militar de Angola, de 03 de Janeiro de 1962,"porque tendo sido atacado por elementos inimigos, no itinerário Quimbumbe-Zala, a 12 quilómetros desta última localidade, em 22 de Agosto de 1961, pelas 17h00, bateu-se com a maior bravura e coragem, e mesmo despois de ferido mortalmente, continuou a encorajar e animar os seus camaradas na luta contra o inimigo".
Clique no Doc. para ler:


25 de Abril Sempre!
As portas que Abril abriu há 46 anos, foram a esperança, para todos, num mundo melhor. Temos de continuar a acreditar...🌈Tudo Vai Ficar Bem.

domingo, 19 de abril de 2015

Num «blog» perto de si...

As comemorações do 25 de Abril estão à porta e é por isso que quero voltar a falar de um dos acontecimentos mais marcantes da História Portuguesa - a Guerra Colonial. Vou deixar aqui uma síntese daquilo que passou o autor do blog Guerra Colonial, do Zaire ao Cunene passando pelos Dembos, o texto é longo, mas cada um lê o que quiser e se quiser...
Hesitei no título a dar à peça. Hesito sempre na escolha do título. Pensei: "Das Rãs-Sátão ao Cunene passando pelos Dembos". "Guerra Colonial: As pedras que me atiraram" foi outro título que ocorreu, mas não...seria demasiado violento para os leitores como me disse o Sr. António S. Leitão.
Começo então por um episódio marcante, o dia da partida: 

a bordo do Vera Cruz: 10 de Janeiro de 1972
Era um domingo como os outros. Mais frio e cinzento, normal para o Inverno. Depois de introduzir numa pequena mala os meus parcos haveres, saio pela porta do lado Norte porque era esta que dava para a estrada nacional. Depois de atravessar o pátio que daquele lado era mais pequeno, encosto-me à ombreira do portão e aí aguardo a chegada de um autocarro da União de Sátão, mais pequeno que os outros, porque só fazia a ligação Sátão/Aguiar da Beira. Chamavam-lhe a carreira das três. Instantes mais tarde, uma apitadela na última curva, avisar-me-ia que tinha chegado a hora.
Atravesso a estrada em oblíqua, o que tem o condão de me levar à esquina da taberna frente à qual ele parava.
Abro e acto contínuo fecho a porta traseira. Quando pus o pé no estribo ainda "consegui" dizer "Adeus pessoal" às pessoas que então vieram à porta. Quando o autocarro arrancou, vi que o meu irmão Fernando chorava.
A guerra entrou pelo corpo dentro de toda a gente: dos que foram e dos que ficaram. (palavras minhas).
Primeira etapa Sátão; segunda etapa Viseu; comboios diversos levar-me-iam até um ponto situado no meio de «nulle part» chamado Santa Margarida. Desta vez era a sério, não havia margem para dúvidas: brevemente receberíamos os camuflados e embarcaríamos rumo a Angola.
Chegou o dia «D» e a hora «H» fomos introduzidos nas entranhas do majestoso transatlântico que dava pelo nome de Vera Cruz. Depois de uma travessia de nove dias, pudemos de novo dizer: terra, terra, mas tínhamos mudado de continente: estávamos na África dos elefantes e das girafas. 
Após o desembarque, esperava-nos um comboio que geralmente tem bancos, mas as fabulosas riquezas angolanas pelas quais nós estávamos prontos a dar a vida, não chegavam para pôr bancos no "nosso" comboio", e como gado, "embarcamos" em vagões que nos levariam até um loteamento de barracões de cimento situado no meio de um grande areal. Não vão pensar que era uma praia, tal como o comboio, também as "casernas" davam a impressão terem sido concebidas para acolher animais. À entrada de cada barracão havia de cada lado uma placa de cimento e em cima destas um fila de colchões asquerosos repletos de um pó amarelado que talvez dez anos antes tivesse sido palha.
Ficamos por lá alguns dias; vinham seguidamente grandes camiões equipados de altas cancelas (cuidado não fosse a mercadoria suicidar-se), e então como dizia o poeta, lá íamos nós, de Luanda para o Norte.
Quando chegávamos à Guerra, recebíamos como é natural uma espingarda e com ela uma centena de cartuchos que conservávamos em permanência quase sempre (a menos que houvesse um armeiro) dependurados ao fundo da cama. Quando íamos para o exterior, que por vezes se confundia com o interior, podíamos completar o nosso "arsenal" com duas granadas que devíamos solicitar na arrecadação.
Convém recordar que para as munições necessitávamos de cartucheiras, também para as granadas havia uma espécie de bolsas de lona, a que se chamava porta-granadas. Tudo corria na maior das normalidade até que um dia...(Pode ler o resto aqui).
Cansado de criticar o menu que nos era servido durante a guerra em Angola, decidi um dia desbloquear cinco escudos do meu magro orçamento, para comprar um ananás. Estando numa zona pacífica, entravam diariamente no quartel dois miúdos de cor que por vezes eram "utilizados" como moços de recados.
Chamei um deles, dei-lhe dez escudos para que fosse à cidade comprar-me o tal fruto açucarado. Sabendo de antemão que o ananás custava cinco escudos esperava logicamente receber outro tanto de troco, mas qual não é a minha surpresa quando o "nosso" pretinho estende uma mão com o ananás, outra com uma laranja servindo de troco.
Tive vontade de o acusar de ter gasto o troco em laranjas e de ter reservado uma para mim, mas pareceu-me tão sincero que me comoveu e disse-lhe come tu a laranja.

pobres cuanhamas pequeninos

Naoatu?! - Disseram os miúdos quanto eu passava.
Hêêê! Respondi eu, e trouxe esta imagem.

Corria o ano de 1974; estávamos no mês de Maio. Depois de termos passado os últimos nove meses em Pereira d'Eça, eis-nos enfim em Luanda aguardando embarque para a Metrópole. De regresso a Portugal emigrei para França.
E chega. Algum leitor que seja mais curioso poderá aceder a muitos outros textos sobre o que se sente tantos anos depois aqui:

S. António Leitão: bem-haja por autorizar os seus textos e fotografias "n' O Forninhenses". Um  abraço cá do fundo.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Os Aerogramas


Não sei se alguém se lembra ou ouviu falar dos aerogramas militares editados pelo MNF (Movimento Nacional Feminino) e com o apoio da TAP (Transportadora Aérea Nacional) enviados aos e pelos soldados portugueses no Ultramar, mas neste pedaço de papel fino e desdobrável se escreveu os horrores da guerra colonial e foram, talvez, o meio de comunicação mais importante entre os militares e suas famílias, através deles se aquietavam ou desassossegavam corações. Era uma carta de saudade, de desabafos, de esperança, de despedida. Era uma carta de amor. O aerograma foi escrito e lido à mesa do rico e do pobre. Eram oferecidos aos soldados portugueses que estavam na Guerra, para comunicarem com os seus entes queridos, sem custos (Portaria 18545, de 23 de Junho de 1961). Na aldeia de Forninhos eram comprados na Venda dos Sr. José Bernardo. O seu custo avulso era de $30 (três tostões). Aos civis era distribuído na cor azul e aos militares na cor amarela. 
Para além das letras, muitas vezes esborratadas pelas inevitáveis lágrimas, neles eram inscritos poemas e desenhos.
Leiam uma mensagem curta, mas expressiva dum soldado, que veio a ser meu pai, para a sua mana Taia:


Estima-se que em 13 anos de guerra colonial 200 milhões de aerogramas tenham sido recebidos e enviados.
Outra forma de comunicação foram as céleres mensagens de Natal e Ano Novo que eram transmitidas pela televisão. Como naquele tempo a maior parte das famílias ainda não tinha televisor, era no Café e Vendas da aldeia ou na Casa do Padre que as pessoas iam ver ou ouvir os soldados. Aqueles momentos eram como um oásis no meio do drama! 
Contam que de Forninhos ainda apareceu na TV o meu primo Tónio 'Xispas'.

Um aerograma alusivo ao Natal
Lembro que sem os aerogramas a comunicação com as namoradas e familiares teria sido muito mais difícil! 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Homenagem aos Combatentes

Que terra de Portugal não chora os seus filhos, que na guerra do Ultramar por lá perderam a vida, Forninhos não ficou imune a esta “praga” que foi e é ainda hoje a GUERRA, por isso nunca é demais prestar uma sentida homenagem aos filhos de Forninhos que perderam a vida, e dar vivas aos que foram e voltaram.
Não foi só em Forninhos que essa homenagem foi realizada, também Portugal prestou essa homenagem aos seus filhos, aqui fica o registo em fotos, esse sentimento.

Monumento em Lisboa (Belém) aos combatentes mortos em serviço:


Na parede que ladeia o monumento, figuram milhares de nomes
Dos militares que tombaram no cumprimento do dever

Um filho de Forninhos: VIRIATO BATISTA



    e ainda outro: DANIEL ALMEIDA ESTEVES
outro ainda: ILIDIO CASTANHEIRA COELHO
E ainda outro: CARLOS VAZ MATOS
SEUS LUGARES EM FORNINHOS:




Aqui fica mais uma homenagem a estes bravos, são já muitas fotos postadas neste blog, mas nunca são demais.


J SEGURO.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Guerra do Ultramar: 50 anos depois

Em Abril de 2010 lembrámos os naturais do nosso concelho que "pagaram" com a vida a sua participação na "Guerra do Ultramar" aquiPorque em 2011 se comemora os 50 anos do início desta ofensiva militar e sempre achamos ser facilmente exequível, voltamos a lembrar o assunto aqui apelando aos membros do executivo e deliberativo da JF de Forninhos que considerassem este assunto, ainda este ano, de forma a honrar a memória daqueles que morreram na Guerra e dos que de lá vieram e assim o fizeram no passado Domingo, dia 17 de Julho de 2011. A história deste dia nas imagens que eu e o Colaborador serip413 recolhemos, aqui ficam, para todos os filhos desta terra que não puderam estar e todos os ex-Combatentes que não foram convidados, sentirem este momento como Vosso:


Painel que recorda aqueles que foram obrigados a ir
para uma guerra que não era a deles


Missa Solene













Homenagem da Junta de Freguesia de Forninhos


Em memória dos que em combate tombaram.
Aos pais, irmãos, esposas e filhos que os choraram.
E aqueles que pela pátria lutaram e regressaram.


Gravação do nome dos 4 forninhenses que derramaram o sangue por Portugal


Paz à alma de todos os jovens que morreram
numa Guerra que só a ganância explica!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lembrar todos os que pereceram na Guerra do Ultramar

As comemorações dos 36 anos do 25 de Abril estão à porta e, por isso, resolvi lembrar aqui hoje um dos acontecimentos mais marcantes da História Portuguesa – a Guerra do Ultramar e todos os que pereceram nela.

Para melhor ilustrar, deixo-vos algumas fotos recolhidas do albúm do meu pai, Samuel Albuquerque, ex-combatente:


Tónio "Xispas"

tio Agostinho "51"

aqui e nas sgts, o meu pai: Samuel "Cavaca"


Segundo os dados, nos 13 anos de guerra colonial registou-se um total de 8.290 mortos nas três frentes de combate: Angola (3.250 mortos), Moçambique (2.962) e Guiné (2.070). E, para quem não sabe, destes mais de oito mil mortos, 14 eram naturais do concelho de Aguiar da Beira, homens que tiveram de deixar as suas coisas, que partiram do seu concelho para defender a pátria, para ir para uma Guerra que só a ganância explica e que não mais voltaram. São esses 14 que gostaria hoje aqui de lembrar:

Forninhos:
● Carlos Vaz de Matos – 13.07.1970
● Daniel de Almeida Esteves – 22.08.1961
● Ilídio Castanheira Coelho – 26.05.1974
● Viriato Baptista – 18.09.1972

Dornelas (Lage Grande):

● José António Lopes Gonçalves – 07.09.1968

Prado/Penaverde:
● Frederico da Fonseca Pinto – 19.08.1971 (Prado)
● Luís dos Santos Marques – 16.03.1969 (Penaverde)

Souto de AGB:
● Ilídio Fernandes Lemos Ferreira – 26.07.1962

Carregais/Eirado:
● Silvestre dos Santos – 16.05.1974

Sequeiros:

● João Lopes Ferreira – 03.12.1963
● José da Costa – 24.12.1967

Coruche:
● Manuel da Costa – 01.05.1970

Aguiar da Beira:

● César Augusto de Campos Ferreira – 29.04.1972
● Manuel de Sousa Lencastre – 24.06.1975