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sábado, 24 de setembro de 2022

Até ao lavar dos cestos é vindima

Embora com bastantes lacunas, inverdades e omissões, por ignorância ou por outra qualquer razão (será que somos contra a nossa história?), tenho de reconhecer que, sobre este tema, as fotos publicadas na monografia "Forninhos, a terra dos nossos avós" representam muito bem o nosso passado.


Antoninho "Matela" - meu avô materno

Na minha meninice ia sempre à vindima do meu avô e ele contava sempre aos netos que uma velha no Douro só com os bagos fez cem pipas de vinho!! Acho que a velha do Douro fazia parte das vindimas do Dão da altura.
Até parece que estou a ouvir o meu avô:
- Vamos lá meninos, toca a apanhar também os bagos do chão. Olhem que uma velha no Douro fez cem pipas de vinho só com os bagos...sabiam?
Coitada da velha, pensávamos! Longe de nós pensarmos que todo o vinho é feito com os bagos das uvas.

Fotos copiadas da referida monografia.

domingo, 18 de setembro de 2022

Amora-Silvestre

"Minha amora negra/minha flor silvestre/toda a gente soube/ que um beijo me deste..." e lá continua a cantiga...


Amora-silvestre (Rubus Fruticosus), é um fruto de arbustro vulgarmente designado por silvas, que velhos e novos bem conhecem, porque as silvas abundam por todo o lado.
As flores brancas ou rosadas, diz a Wikipédia que florescem de Maio a Agosto (no hemisfério norte), dando após a frutificação as amoras de uma cor vermelha e depois negra que são usadas para composição de sobremesas, compotas e, por vezes, vinho.


Mas comidas simples também são ótimas!
- Gostas de  amoras? Então vou dizer ao teu pai que já namoras.
Esta era das frases que mais se ouvia no tempo das amoras.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Entre Cruzeiros e Alminhas

Não tenho fotos de todos, mas ficam aqui inventariados alguns pequenos monumentos tradicionais de grande religiosidade e culto dos mortos da nossa terra.

Cruzeiros

- Cruzeiro da Sapa no limite entre Forninhos e Dornelas
- Cruzeiro junto à Senhora dos Verdes em honra da Irmandade de Penaverde
- Cruzeiros de Nossa Senhora dos Verdes

Cruzeiros de N.S. dos Verdes

- Entre a Senhora dos Verdes e o Bairro do Porto há +2 Cruzeiros
- Cruzeiro do Porto onde se recitava o responso final aos defuntos dos Valagotes
- Cruzeiro junto à Casa de Turismo Rural Fonte da Lameira
- Cruzeiro dos Centenários junto à Sede da Junta de Freguesia
- Outro Cruzeiro na Rua das Alminhas ao chegar à Igreja
- Cruzeiro Paroquial no adro da Igreja

Cruzeiro Paroquial

- Cruzeiro de Nossa S. de Fátima em honra dos povos de Sezures e Esmolfe pela sua fidelidade ao voto a Nossa Senhora dos Verdes

Cruzeiro de N.S.de Fátima

- Cruzeiro do Carvalho da Cruz em direção à Quinta da Ponte
- Cruzeiro em memória do Lúcio e Leonel, junto ao Carvalho da Cruz. Foi no dia 05 de Setembro de 1974 que um infeliz acidente de tractor ceifou a vida a dois jovens de Forninhos. 
- Leonel Bernardo Freitas dos Santos - 15 anos 
- Lúcio Marques de Almeida - 34 anos 

Que descansem em Paz!

Já agora:

Estávamos no início da década de oitenta - 24 de Agosto de 1981 - quando no regresso a França, após umas desejadas e merecidas e felizes férias, um casal de emigrantes morre num trágico acidente de viação.
Lembramos neste dia:
- Aurora de Jesus Albuquerque Diogo - 46 anos (N. 30-01-1935 F. 24-08-1981) 
- Antonio de Almeida Lopes - 50 anos (N. 13-03-1931 F. 24-08-1981)

Que descansem também em Paz!

Alminhas

- Alminha na casa que foi do tio Eduardo Craveiro 
- Alminha da Lameira, no interior dum pátio, em frente à casa que foi do tio Luís Moreira
- Alminha perto do bairro do Porto no início do caminho que vai para o Fontelheiro

Nicho do Parque das Merendas, Valagotes

- Nicho do Parque de Merendas de Nossa S. de Fátima, juntamente com o marco de passagem da imagem de Nossa Senhora pela nossa terra, em 13-08-1951
- Não esquecendo o nicho com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes, nos Valagotes

Nicho de N.S. de Lourdes, Valagotes

E deve haver mais...

domingo, 7 de agosto de 2022

Cartaz da Festa de Agosto 2022

Nas palavras de Aquilino Ribeiro que eu modifiquei "o mês de Agosto c' os seus santos ao pescoço não tinha melhor que a Senhora da Lapa dos Verdes. Seria este santuário que mais peregrinos concentrava no dia das sua festa, a maior parte das povoações à roda, mas muitos vindos de longe".


Desejando uma boa festa, este ano o destaque vai para o Jogo de Futebol no dia 14, que é uma tradição que acontece desde que o Covid não se impõe e também a presença imperdível da Fanfarra Original Bandalheira, no dia 13. 
Depois dos Grandes Arraiais ...vem o Grande Dia 15, o dia de Nossa Senhora dos Verdes, que milagrosamente nos tem protegido dos incêndios florestais. Vamos agradecer participando na procissão que é às 14hoo, seguida de missa campal.

VENHAM ATÉ À FESTA DE FORNINHOS!!

Obrigada a todos os que comentaram o cartaz. A normalidade voltou e a festa foi um sucesso. Comissão e voluntários estão de parabéns! Os andores foram armados com bom gosto e bonitas cores. Ora vejam o principal,  o de N.S.dos Verdes:


Continuação de bons dias de Agosto.
Até dia 24.

(Adicionado a 22-08-2022)

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Até à praia

Como Agosto é sinónimo de praias cheias, viajamos nas nossas memórias até à praia. Até à praia molhar os pés. Até à praia apanhar conchas do mar para trazer para casa como recordação. Até à praia ver as traineiras e os pescadores a puxar as redes e ver a sardinha a saltar.
Servia este dia certamente de bálsamo para os homens e mulheres que trabalhavam as terras durante todo o ano.


Bom mês de Agosto🏖️

domingo, 17 de julho de 2022

Pergaminhos da Fé

Santa Margarida de Antioquia ou Nossa Senhora da Conceição?

imagem da Igreja de Forninhos

Santa Margarida é celebrada a 20 de Julho e na Igreja Ortodoxa é venerada como Marina de Antioquia, três dias antes, a 17 de Julho. 
O seu nome e lenda confundem-se com Santa Marinha, festejada a 18 de Julho e patrona de uma grande quantidade de paróquias da Arquidiocese de Braga e também de Forninhos como padroeira desde sempre. 
Já Nossa Senhora da Conceição é comemorada a 8 de Dezembro e a imagem tem elementos representativos que em nada se assemelham à imagem da igreja paroquial de Forninhos.
O povo diz que a imagem é de Nossa Senhora da Conceição e os autores da monografia de Forninhos observaram ser da santa mártir Margarida de Antioquia. Na minha meninice, não me lembro ver esta imagem em qualquer altar, mas as mãos são talvez a chave para este enigma, pois as mártires habitualmente seguram um livro numa mão e na outra mão a palma do martírio.

imagem retirada da net

Santa Margarida na arte litúrgica da igreja pisa o dragão que a engoliu e também costuma carregar a cruz que irritou o estômago do dragão que a expeliu ainda viva...

imagem retirada da net

Será que o povo não tem um pouco de razão? 
Estamos na presença de uma imagem de Nossa Senhora e não duma virgem-mártir?!
A imagem pode não ser a da Senhora da Conceição, mas pode ser a da pequena Nossa Senhora do Rosário, que o arrolamento de 1911 refere ficar no altar dedicado à mesma Senhora e apenas lhe falta o terço nas mãos; mais tarde, se calhar depois do fenómeno "Fátima", como mudaram o nome e imagens dos altares, as novas gerações confundindo a sua identidade, chamaram-lhe Senhora da Conceição.
Com documentação ou sem ela, gosto de acreditar nas coisas que fazem sentido. 

sábado, 9 de julho de 2022

Aquilino Ribeiro (a malha)

"Manhã cedo, mal o sol, bravio que nem enxame de abelhas alvoriçado, pulava detrás dos montes, goela forte bradava do alto pináculo da meda: à eira-aaa-aa-a!
Aquilo ouvia-se em grande raio pelo povo e suas abas, como sinos de Toledo.
E logo de cada canto rompiam os malhadores, lépidos e pontuais como quem acode a um toque de guerra.
Calça branca de estopa, para gargantilha um lenço de mulher, esfraldado sobre os ombros por mor de paraganas, sol e moscas, irmãos danados a ferrar, a grenha das pomas a espirrar dos bofes da camisa, uns após outros, enchiam os caminhos dormentes que levam às eiras.
Todos descalços - que nem carne de Ferrabrás aturava pés descalços de sol a sol, na trabuzana - apenas se ouviam suas vozes marulhar àsperas na corrente remansosa da madrugada.
(...)
De chapelão de grande sombra, saiote vermelho e colete de atacadores, mulheres ajeitavam as cuanhas e estendiam mantas a toda a roda para caçar o grão respingueiro.
Outras preparavam a eirada com desatar os molhos e espalhar em carreiras, tendo o cuidado de deixar as espigas bem ao léu, para que se embebedassem de sol - o sol que as criara e agora ajudava os manguais a enxotar o grão para fora dos seus casulos.
E tão breve a palha aquecia, se punham em fila os malhadores.
Era um buzinado de guerra.
À porfia, de olhos no chão moventes em que o sol, já alto, se espojava num delíquio de luz e de fogo, apertavam uns com os outros.
Com luzinhas presas a cada aresta de palha, a eira breve se tornava um caldeirão de cobre a ferver.
Por isso mesmo a manobra requeria olho fino e mão lesta.
Já os olhos, em sua fixidez para a mobilidade, desvairavam.
Mas os braços obedeciam pela ordenança mesmo do vaivém.
E sempre avante!...
O grão lá ia largando, era ver as zagalotadas que acompanhavam o erguer dos pirtigos na palha delida.
Conho, tinha que saltar, para ir ao crivo das cirandeiras, às arcas, à azenha, e volver do forno o pãozinho que, com tanto apego, se pede ao Senhor no padre-nosso."





O que vemos nestas fotografias antigas de Forninhos, já são sinais de mudança, porque numa época anterior, as malhas eram feitas tal qual Aquilino Ribeiro descreve in Terras do Demo, 1.ª parte, II.

P.S. - As fotos postadas, como da grande maioria, são originais!



E antes que Julho finde toca a malhar "quem malha em Agosto, malha com desgosto".

quarta-feira, 29 de junho de 2022

São Pedro e São Paulo

São João já se acabou e hoje é o dia de São Pedro...que na verdade é dia de S. Pedro e S. Paulo. Santos que já tiveram lugar na Igreja de Forninhos, o que é desconhecido da maioria das pessoas.
O São Pedro, fosse o de Verona ou o Apóstolo, era sempre lembrado, mas São Paulo não. Ainda hoje ninguém fala deste santo que ficava no altar da Senhora do Rosário "naquele tempo".
Foi levado para a Capela de Nossa Senhora dos Verdes? (ver a imagem abaixo)
É que nunca se ouviu que foi roubado.

Altar de N.S. dos Verdes, Forninhos

Dizem que o santo ao pé da imagem pequena da Senhora dos Verdes era o São Matias e que ao lado da Santa Rita bem poderia ser o S. Pedro Apóstolo.
Agora como sabemos do arrolamento de 1911, o "Santo Mistério" poderá ser São Paulo Apóstolo ou não.
Insisto neste assunto, porque a pouco e pouco ninguém se lembra como eram compostos os altares da Igreja e Capela, pelo menos, ao lerem estes artigos, todos tomam conhecimento do que existia.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

São João em azulejo

Como estamos em pleno São João, vou falar um pouco deste santo.
Em Forninhos não havia a imagem de S. João Baptista, a imagem só existiu mais tarde, em painel, no lugar do batistério, com os símbolos da água e da descida do fogo do Espírito Santo no momento do baptismo do seu primo, Jesus.


João Baptista passou uma grande parte da sua vida no deserto, alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre, era um asceta. Certo dia resolveu aparecer na Judeia e Galileia, na época de Herodes e começou a pregar, tinha muitos seguidores e baptizava no rio Jordão. Usava o batismo como símbolo de purificação.
Um dia, quando baptizava, ao longe avista uma pessoa, era Jesus.
Quando se aproximou disse-lhe: João baptiza-me...Senhor, eu não sou digno de desatar as tuas sandálias.
- Baptiza-me.
- Eu te baptizo...
O rei Herodes mais tarde mandou-o degolar.
A Igreja fixou o seu dia em pleno solstício de Verão, a 24 de Junho. Os cultos pagãos já faziam a festa do fogo, mas a história de João Baptista, trouxe um culto novo, associando a água e o fogo. 
Acho que é por isso que pelo São João havia o costume dos rapazes à meia-noite tomarem banho, ou nadar, no poço dos Caniços (rio Dão), porque a água entre a meia-noite e a madrugada, mas antes da aurora, era abençoada. 
A par das fogueiras purificadoras, havia o banho purificatório.

domingo, 12 de junho de 2022

Capela de Santo António

Em véspera do dia que se celebra o Santo António de Lisboa, lembrei-me que nunca publiquei a Capela do Santo António, nos Valagotes (anexa de Forninhos). Mea-Culpa.
É uma pequena capela situada no centro do povoado, mas não sei dizer-vos de que século é, apenas que em 1758, in Memorias Paroquiais, o Cura que respondeu por Forninhos já se lhe referiu.


Parece de construção bastante antiga, pois a porta tem um arco que aparenta ser românico 


e  tem marcas que representam as cruzes da via-sacra (?)


Possuiu ainda um pequeno campanário sobre a parede lateral direita



No interior, como se vê nas imagens supra, tem um retábulo de tons beges e castanhos com pilares encimados por bolas, que aparenta ser de construção recente (século XX?)


Resiste por lá um missal romano 
e uma coluna romana


Desconhece-se a proveniência deste legado, na verdade, pouco se conhece da história e património desta povoação em acentuada desertificação. 

As fotos foram retiradas daqui e daqui

domingo, 5 de junho de 2022

Selecção de Festas

Amanhã Forninhos viverá um dia Santo, um dia de  culto. Então, aqui fica uma página que encontrei na Enciclopédia das Festas Populares e Religiosas de Portugal -Volume 2, referente às festas de Forninhos:

Clicar para ver melhor

Fico contente por a nossa terra estar presente na Enciclopédia das Festas Populares e Religiosas de Portugal, pois são mencionadas mais de 14 mil feiras, festas, romarias, círios, procissões e outras manifestações populares e religiosas que ocorrem regularmente em Portugal, do Minho ao Algarve, do litoral ao interior, do continente às ilhas e das grandes cidades aos mais pequenos recantos.
Mas é pena a Região de Turismo Dão Lafões, em 2003, deixar de fora a festa pelo Espírito Santo, um dia tão importante para a nossa Irmandade sob a proteção da Nossa Santa Marinha e para todos os forninhenses presentes e ausentes que, pelo mundo fora amanhã estarão em  pensamento na sua terra mátria.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Sargaços

Fotografados já no dia 27 de Abril de 2019, no caminho que me levou até São Pedro, hoje vou dar-vos a conhecer melhor duas espécies de sargaços abundantes na nossa serra. A distinção entre as duas espécies faz-se pelas folhas e mais  fácilmente, quando floridos, pela cor das flores.


O sargaço-amarelo possui folhas de um cinzento esverdeado e prateado e dos botões de cor vermelho desabrocham lindas flores amarelo ouro, que aparecem entre Abril e Maio.


Noutras regiões de Portugal chamam mato-branco a esta planta. O nome parece absurdo para um arbusto que dá flores amarelas, mas parece que o adjectivo "branco" refere-se ao tom prateado da folhagem.


Já as folhas verdes dos sargaços-brancos são ovadas, um tanto espessas, rugosas e com pêlos estrelados. Floresce de Abril a Junho e as flores são bem semelhantes à flor das estevas sem pintas.


Na internet dão-lhe o nome de sargaço-manso, sargaço-mouro, estevinhas e tem o nome científico de cistus salvifolius, mas podem ver melhor a espécie nesta página.

sábado, 7 de maio de 2022

Espírito Santo

O Espírito Santo está a aproximar-se...
É bom voltarmos à normalidade na nossa pequena aldeia e dela fazem parte as festas e romarias.
Podem consultar o cartaz oficial:



Do programa destaco as 5 procissões: Forninhos, Esmolfe e Sezures, Dornelas e Penaverde que fazem da Segunda-Feira do Espírito Santo um verdadeiro dia de Romaria e uma real tradição. No século XVIII o Cura Baltazar Dias já se lhe referia: "São obrigados à Capela de Nossa Senhora dos Verdes várias procissões em alguns dias do ano principamente no dias Santos do Espírito Santo".

Bem-Hajam!
Forninhos merece!
Boa festa para todos.

domingo, 1 de maio de 2022

Cão da Serra da Estrela

Há várias raças de cães genuinamente portuguesas: o rafeiro do Alentejo, o cão do Barrocal Algarvio, o cão de Água, o podengo, o perdigueiro, o cão Castro Laboreiro, o cão de fila de São Miguel, o barbado da Terceira,  o cão de gado Transmontano, o cão da Serra de Aires e o ligado à nossa zona: o  cão da Serra da Estrela


foto retirada daqui

O nosso cão é um cão de protecção de rebanhos, sobretudo no passado, responsabilizando-se mais pela sua protecção do que pela sua condução. Era nos lugares mais altos da serra onde,  por um lado, o pasto abundava e, por outro lado, havia muitos predadores, especialmente lobos, que o papel destes cães mais se destacava. Se bem me lembro, em Forninhos existiram alguns exemplares, que usavam uma carranca, uma coleira de ferro com bicos, para protecção contra os lobos, ainda assim, não seria tarefa fácil para os cães terem de defender os rebanhos dos ataques desses carnívoros.
À medida que os lobos foram diminuindo e a desertificação foi aumentado, sobretudo nos anos 70 e 80 do século passado, o número de rebanhos na nossa aldeia foi-se reduzindo e, consequentemente, o número de cães da Serra também. Creio que ainda há um cão nos Valagotes (anexa de Forninhos). Quando vou para a nossa terra, costumo vê-lo junto à Associação. Dócil, calmo, atento...a guardar o "seu" território, pois para além de proteger rebanhos, apresenta a mesma aptidão para a guarda de propriedades. 
É uma das raças mais antigas da Península Ibérica e para melhor descrição, deixo-vos a feita por Brás Garcia de Mascarenhas no seu poema épico "Virirato Trágico", do cão de Viriato, que muitos sustentam ser a do nosso Serra. Um poema dirigido a D. João IV a implorar clemência, já que estava preso por desobediência.

Largo de espáduas, de olhos carrancudo,
Rasgada a boca, orelhas derrubadas,
Ventas negras, focinho cabeludo,
Beiços caídos, garras encrespadas,
Fornidos pés e mãos, corpo membrudo,
Seco de ancas, gordo de queixadas,
Curvas e dentes, rabo grosso,
Grosso e curto nos lombos e pescoço.

Se calhar o cão de Viriato ainda pôs os pés na nossa serra!! Não existe qualquer prova que "o pastor dos Montes Hermínios" (o nome dado em tempos remotos à Serra da Estrela) possa ter nascido em Viseu, no entanto, existe uma ligação muito forte à cidade e à nossa região, que na altura se denominava Lusitânia. 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

"Cantarei"

"Cantarei, cantarei à chuva, ao sol, ao vento, ao mar, seara em movimento ondulante sem parar."
Felizes os Povos que têm data para CANTAR a LIBERDADE com um dia feriado pela importância que o Povo lhe reconhece. 
25 de Abril, 48 anos depois ainda respira e enche avenidas pintadas com o vermelho dos cravos. Se, infelizmente, as coisas não mudaram o suficiente para o bem de todos, temos a liberdade de contribuir para que  melhore.


Obrigada Pedro Barroso e todos que se bateram pela Liberdade!
25 de Abril Sempre!

terça-feira, 19 de abril de 2022

Flores de Abril, em Forninhos

Com dias tão feios lá fora, é quase uma bênção fruir dos tons que, em Abril, embelezam Forninhos.


Giestas brancas pintam a nossa paisagem 


Quando florescem até parece quererem rivalizar com a neve!!


As ervilhas silvestres florescem em qualquer palmo de terra...


Cerejeira florida...a seguir vêm as saborosas cerejas


E sabiam que a flor do marmeleiro em algumas terras é muito boa de comer ?
Por exemplo Tás-os-Montes.


Estas encontrei-as numa parede sem herbicidas


FELIZ PÁSCOA  2022 
Pois diz a tradição que se prolonga até à Pascoela!

sábado, 9 de abril de 2022

Retrato de Familia

As fotografias em família eram uma prática comum e recomendada para o álbum de recordações desde o século XIX. Começa aqui a valorização do homem (antropocentrismo), pois até então aos artistas só lhes eram permitido pintar, esculpir ou entalhar imagens sacras. E, claro, os nobres e pessoas mais endinheiradas passaram a encomendar retratos aos artistas e surgem as fotos de família, na melhor pose e com a melhor roupa para mostrar toda a sua nobreza e poder económico.
E eis o retrato dos meus antepassados (hexavô e pentavós), feito pelo pintor visiense José de Almeida Furtado, conhecido por "o Gata" que existe desde 25 de Fevereiro de 1949, no Museu Grão Vasco, em Viseu. De acordo com a documentação existente no museu, este retrato de família pertencia ao Pe. Manuel de Moura Marinho.


Executado em 1826 d.C., a pintura representa o Retrato da Família Assis de Moura Marinho num cenário interior, com amplo cortinado do lado esquerdo do quadro, de cor encarnada e junto a este encontra-se a figura mais velha, sentada de lado, com o braço e mão direita apoiada em cima de uma mesa ou secretária de madeira com tampo verde, segurando uma pena, a escrever numa folha branca. Este homem de tez branca e cabelo  grisalho, é o meu hexavô (6.º avô), Manuel de Moura Marinho. Enverga casaco e calça cinzentos, colete desapertado (vê-se 2 botões) e camisa branca com uma abertura por onde se pode ver a pele. Calça meias brancas e botas pretas. 
À direita do quadro, está de pé o seu filho, meu pentavô (5.º avô), Francisco de Assis Marinho e Moura, de cabelo preto e curto, com a perna ligeiramente flexionada, apoia a mão esquerda no espaldar de uma cadeira e a mão direita segura um papel branco. Veste casaca encarnada com botões em dupla fileira (vê-se 8 botões), calça cinzenta. Da cintura, por baixo da casaca, pende um objeto dourado. Calça meias brancas e sapatos pretos com detalhe retangular em dourado.
Ao centro do quadro está a sua esposa, minha pentavó (5.ª avó), Dona Teresa de Sá Costa (Marinho e Moura). Senhora, de tez alva e cabelos pretos apanhados e rematados por uma tiara dourada. Brincos dourados de argola com uma pérola. Traja um vestido longo acinzentado, aparentando cetim, com a manga curta e o decote quadrado debruados. A saia apresenta duas faixas rendadas de cor preta. Uma encharpe dourada cobre-lhe o ombro esquerdo e vem rematar na cintura. 

pormenor


Clicar para ler melhor

Fontes: 

Para a minha família paterna (parte da avó Dulce): 

Quem foi Manuel Marinho?
Foi um comerciante, mercantil de sardinha, rico proprietário que em Aveiro tinha uma mansão que mais tarde (1842) pertence aos "Rebochos" e era do dono na Costa Nova do palheiro vendido (em 1840) ao José Estêvão, um notável jornalista, político e orador parlamentar que tinha uma predilecção muito especial por esta praia para onde vinha descansar da sua tumultuosa actividade parlamentar.
Primeiramente este e outros palheiros construídos na Costa Nova serviam para salgar o peixe. "O negócio da venda e distribuição deste pertencia a gentes de Aveiro e de Águeda (interior), mercantis que "geriam" os grupos de "almocreves", verdadeiras companhias de transporte e distribuição, a quem era remetida a tarefa de fazer chegar o peixe, lá para o interior do país, para as beiras profundas".

Fontes: 

E Francisco de Assis Marinho de Moura, quem foi?
Ainda não consegui perceber se seguiu "as pisadas do pai", mas o seu nome aparece na exposição agrícola de Lisboa, em 1884. 
Expôs pelo concelho de Viseu o seu vinho tinto com a cor "cravo carregado". E podemos ver as quantidades referidas a 100 centímetros cubicos de vinho:

Ano da Colheita:
1882
Densidade do peso por litro: 
991,0
Alcool em Volume - centímetros cúbicos:
11,500
Extracto secco(Gr):
1,920
Tanino (Gr):
0,095
Assucar reductor (Gr):
0,083
Acidos (Gr):
0,476
Grandeabrimento da côr:
--
Coloração:
Cravo carregado

Ainda sobre o nomes de família

Até 1911, no batismo, apenas se registava o nome próprio. Registava-se "Maria", filha de ...e de...Só depois, no casamento, é que seriam acrescentados os apelidos familiares. Se ficasse solteira, ficaria simplesmente Maria para toda a vida. Com sorte, acrescentava-se-lhe um apelido ou alcunha que a distinguia das outras marias.
Muitas pessoas, sobretudo mulheres, por serem menos importantes, eram registadas com o nome próprio, mas depois já não lhes eram acrescentados os apelidos, na altura do casamento, e por isso a avó Dulce, que nasceu em 1855, ficou até morrer (1948) com o nome abreviado "Dulce do Carmo". 

Batismo avó Dulce, em Sernancelhe

A sua mãe, Dona Maria Leopoldina, era da cidade de Viseu e era filha de Francisco de Assis Marinho e Moura e de Dona Teresa de Sá Costa. O pai era de Sernancelhe e chamava-se Constantino António de Sobral e era filho de António Caetano e Maria Santana. Constantino António de Sobral foi escrivão na Vila de Aguiar da Beira.
Como podemos perceber, não recebeu os apelidos da parte paterna, nem da materna. E quando casou com o avô José Dias de Andrade não lhe foi acrescentado os apelidos do casamento.
Se algum neto ou alguém de Forninhos quiser acrescentar algo que ouviu sobre a avó Dulce ou porque ainda a conheceu, acrescente...
É para isto que este Blog serve: descobrir...descobrir...descobrir...
Dizia a minha tia Margarida (bisneta da avó Dulce), que o seu filho homem - o tio Abel - e seus descendentes receberam o sobrenome "Sobral" ou "Dias Sobral", por influência do professor Coelho de Dornelas. Já a filha Emília (minha bisavó), que era a segunda filha do casal, já só tinha o apelido "Andrade" e a filha Maria ficou "Maria da Conceição", mas só era conhecida por Maria.
Recordemos as origens da família aqui
E pronto...
Fica o retrato dos nossos avós mais longínquos e os nomes que são bem lindos!
Nem todas as famílias têm um retrato dos 5.ºs e 6.º avós.

sábado, 2 de abril de 2022

Os Rebelos

Até ao séc. 19 não tinhamos em Forninhos o apelido Rebelo. Para melhor perceberem fiz o levantamento da genealogia desta família:
António Rebelo, nasceu em Espadanal, Fragosela, concelho de Viseu. Era filho de António Rebelo e Filipa Lopes. Almocreve de profissão, casou em Forninhos a 06-05-1822 com Ana de Andrade, filha de José de Andrade Janela, de Forninhos e de Ana Soares, do Souto de Golfar.


O casal teve duas filhas:

1) Maria de Andrade Janela que faleceu em Forninhos no dia 21-11-1870, tinha 52 anos e deixou uma filha, Maria do Patrocínio, filha de pai desconhecido, que casou com Luís de Almeida, ambos de Forninhos.

Nota Pessoal: Há um registo dum filho chamado Marcos, também filho de pai desconhecido, mas diziam ser filho de Manuel, filho de Francisco da Costa e de Maria Moreira, mas creio devia ser falecido à data da morte da mãe, pois o registo de óbito de Maria Andrade Janela, diz apenas que deixou uma filha.

Geração de netos (filhos de Maria do Patrocínio e Luís de Almeida):

- Manuel, nasc: 24-08-1967
- Maria, nasc: 12-02-1869
- Maria do Carmo, segunda do nome nasc: 03-02-1873, casou com José Maria Chantre, no dia 26-11-1908
- Manuel, segundo do nome, nasc: 22-12-1874
- Albano, nasc: 23-10-1878, faleceu em Março de 1949. Casou com Antónia Lemos. Este casal eram os pais de Luísa de Almeida, a esposa de Jose Maria Saraiva, que foram os pais da Lucília, Antonio, José e Augusta Saraiva.
- António, nasc: 16-03-1881, faleceu com 15 meses, a 06-09-1882
- Alberto, nasc: 11-03-1883, casou com Felismina Fernandes Chantre, natural de Forninhos no dia 07-02-1925. Esta faleceu em 27-07-1941, em Forninhos.
- Abel, nasc: 14-06-1886, faleceu com 3 meses, a 12-09-1886

2) Josefa Rebelo, que foi a primeira a utilizar o nome Rebelo, mas também era conhecida por Josefa Janela, casou com Francisco Alves de Albuquerque (Luzio), de Forninhos, a 26-04-1852. 


Tiveram geração de filhos, que deram origem aos Rebelos, de Forninhos:

1) 2 meses após o casamento, 30-06-1852, nasceu o António.
2) José, nasceu a 28-12-1854 e casou com Ana de Andrade, da Moradia, Antas, no dia 21-11-1891
3) Luis, nasceu a 30-04-1857
4) Luís, segundo do nome, nasceu a 11-12-1859 
5) Maria, nasceu a 16-11-1861 e faleceu em 17-08-1935
6) Ana, nasceu a 08-04-1864
7) Ana Rebelo, segunda do nome, nasceu a 03-12-1865, casou com Adelino Moreira, no dia 05-02-1899, faleceu em 16-09-1953
9) Antónia, nasceu a 10-03-1868 e em 1908 residia na Quinta da Ponte, Sezures
10) António, segundo do nome, nasceu a 13-07-1871

→ Josefa Rebelo faleceu em Forninhos no dia 23-08-1910, tinha 80 anos e já era viúva. 
→ Francisco faleceu em Forninhos no dia 05-05-1910, tinha 75 anos. 

Geração de netos (filhos de Ana Rebelo e Adelino Moreira):

- Glória Rebelo, nasceu a 07-01-1900, foi batizada em perigo de vida no dia 28-01-1900 (casou com o tio Carlos Guerra)
- José Rebelo, nasceu a 05-10-1901 
- Luís Rebelo, nasceu a 27-10-1903 
- António Rebelo, nasceu a 15-03-1906 
- Maria dos Santos Rebelo, nasceu a 14-06-1910 

Gente bem parecida "os Rebelos"

Pelo nome dos netos já dá para ver as gerações de bisnetos e trisnetos e as ligações de parentesco com várias famílias de Forninhos. Se alguém da grande família forninhense os quiser acrescentar, acrescente.

Foto: Cortesia do Rui Miguel Moreira, neto do António Rebelo. Obrigada Miguel.