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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Novo Ano, 2025 a chegar...

Desde tempos imemoriais se faz em Forninhos o Cepo de Natal e no último dia do ano o da Passagem do Ano ou do Ano Novo.
Bravo aos esforçados da tradição👏





Agora espera-se que se faça luz e que o calor ancestral desta nossa tradição, aqueça em amizade, Forninhos na atualidade...
Que 2025 seja de muita paz, alegria e união entre os povos de toda a Terra...
Que os 365 dias do calendário nos sejam favoráveis...

FELIZ ANO NOVO 2025

domingo, 10 de dezembro de 2023

E o Natal começava

Começava nos lugares mais simples da aldeia, quando íamos apanhar musgos para o presépio e trazer o pinheiro para a árvore de Natal da nossa escola. Então para reviver trago à memória mais umas páginas de um livro de leitura da primária, com histórias simples e com as belas ilustrações da Maria Keil e do Luís Filipe Abreu:



O Carlitos trouxe um ramo de pinheiro para a árvore de Natal.
A Rita e o Pedro ajudaram a enfeitá-la com velinhas, bolas de cores e brinquedos.
Estava linda a árvore de Natal.
(...)


Na consoada de Natal o prato principal é o bacalhau cozido com batatas e couves, que nesta altura do ano são muito boas, temperadas com o azeite novo. 
Na mesa também não podem faltar as guloseimas de Natal, certamente comuns a outras mesas espalhadas pelo país.


A mãe passou o dia na cozinha, com os preparativos para a consoada.
Fez arroz-doce, filhós e outros bolinhos.
A Rita e a prima enfeitaram a mesa para a ceia.
(...)


À volta da mesa (ampliada nesta altura) a família reúne-se para a celebração desta importante tradição e data de convívio familiar, num espírito fraterno de paz e partilha.
Ao serão a avó conta(va) uma história! 


Os três Reis Magos (clique na imagem para ler).

sábado, 31 de dezembro de 2022

Fim de ano, começo de novo ano

Por Laura Costa lembramos ainda as Janeirinhas, uma tradição seguida por grandes e pequenos no começo do novo ano e que o nosso próprio imaginário ainda mantém bem viva, do Forninhos de outros tempos.


Cantando as Janeiras

Ao fim de cada quadra as crianças (nós) cantava-mos:

Pastores, Pastores
Vinde todos a Belém
Adorar o Deus Menino
Que a Nossa Senhora tem



Adoração dos Pastores

Bom 2023

Agradeço, de coração, aos proprietários dos blogues a presença em mais esse ano. Tivemos ainda 38 postagens!!
Desejamos que todos passem um Fim de Ano sem sobressaltos e muito feliz. 
Que o Ano Novo que aí vem, ao contrário das expectativas, seja uma agradável surpresa para todos.
Para quem nos visita e lê, Boas Entradas e Felicidades para o ano inteiro.
Desejamos ainda para Forninhos um Próspero Ano Novo e que cada forninhense faça/realize aquilo que sonha.

2023 um Novo Ano que se anuncia...

sábado, 24 de dezembro de 2022

Feliz e Santo Natal 2022

A acompanhar os votos de um Santo e Feliz Natal 2022 deixo-vos mais uns belos postais da artista Laura Costa, com as nossas tradições de Natal do século passado.


Consoada infantil 

A véspera de Natal era o dia das filhós, muitas filhós. Na tarde desse dia já o cheirinho se espalhava pelas ruas de Forninhos. Sabia mesmo bem comer uma acabada de fritar, quentinha, polvilhada com açúcar...e no fim lamber os dedos.
De seguida a preparação da ceia: bacalhau, batatas, couves e azeite. 


Ida para a Missa do Galo

Esta missa era celebrada à meia-noite em ponto, hora que se diz que Jesus terá nascido e porque há a teoria ou lenda que conta que o galo foi o primeiro animal a presenciar o nascimento Deste, por isso ficou com a missão de anunciar ao mundo o nascimento de Cristo através do seu canto.


Sapatinho

E lembrava às crianças que antes de dormir era necessário colocar o sapatinho, pois o Menino Jesus iria chegar e deixar pequenos chocolates e aquelas meias que iríamos calçar no Natal.
A noite terminava cantando e beijando o Deus Menino que se fez homem para nos salvar.


Menino Jesus distribuindo prendas

Na manhã de Natal, aos saltos pela casa, descalços ou em chinelas, procuram as suas prendas, tão belas...

Meninos felizes


Confraternização



Cântico de Natal

Para todos aqueles que nos têm visitado, desejo uma boa época natalícia, que as tradições se cumpram com alegria, solidariedade e paz e que todos os sonhos se realizem com sucesso e saúde.

Feliz e Santo Natal 2022

domingo, 4 de dezembro de 2022

Natal Em Portugal (1977)

Laura Costa também ilustrou a capa de um disco de Natal, de Shegundo Galarza, um músico de origem espanhola e que em Portugal teve uma longa carreira de 54 anos. 


É uma casa portuguesa com certeza!!


De entre os doze temas do disco escolhi "Natal em Portugal", uma vez que aborda memórias muito queridas e saudosas.



Carreguem no play e ouçam a música e o coro



Sugestão: Depois vão ao Youtube e ouçam as outras...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Advento

Já por diversas ocasiões aqui publiquei os postais de Natal da ilustradora Laura Costa, porque a sua arte remete-me para circunstâncias próprias da infância na minha aldeia.
Deixo mais uns relacionados com o Advento, do tempo em que pelos vistos havia muito azevinho (1948).


Amor

Na minha meninice, por acaso, quando se pensava em Natal, pensava-se em musgo e não em azevinho, mas o sentido é o mesmo. 
E pensar que hoje, tanto o azevinho como o musgo, são espécies protegidas, devido à excessiva procura para fins ornamentais na época natalícia!!


Iluminações ao Alto

A iluminação foi ligada. Os tempos podem ser de crise, mas o Natal é luz! 


Preparação do Presépio

Todos já estão no seu lugar. Está tudo a postos para a vinda do Menino.
Continua...
Dezembro é o mês do Natal e sempre que se proporcionar irei publicar mais algumas ilustrações da artista Laura Costa...espero que apreciem.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Olhares de Natal

Hoje, somente olhares que nos falam de Natal:


O Cepo de Natal, que é a mais bela instalação e tradição que ilumina a noite de 24/25 de Dezembro. 


O musgo, que gosta muito do Natal.



Boas entradas são os nossos votos!


Azevinho, uma planta natalícia e símbolo de proteção...


E...do nascimento para a adolescência. 
Ainda é Natal.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Não se deve apanhar musgo?

"Não há legislação própria e apesar de ser uma espécie protegida, o musgo é colhido às centenas de quilos na época natalícia" (é uma maneira de algumas pessoas fazerem algum dinheiro com a sua venda, tem sido vendida cada caixa com 3 "placas" de bom musgo entre € 6,00 a € 7,50). 
Conclusão: O musgo não deve ser apanhado. O ciclo agradece, o solo, os insetos e outros organismos. Há vários países que têm campanhas nesta altura para protegê-los.


Aqui fica uma informação importante acerca da apanha desenfreada do musgo, que está a pôr em perigo grande percentagem das cerca de 715 espécies que existem em Portugal e consequentemente o futuro da nossa terra, como diz o "lema".
Mas eu fico um pouco intrigada com isto, porque na minha meninice, quando se pensava em Natal, pensava-se logo no musgo. É verdade que na Galileia não devia haver muito musgo, devia ser mais areia, mas o nosso presépio sempre foi muito verde. 
O Espírito de Natal começava nos lugares mais simples, nas matas, quando íamos apanhar o musgo para o presépio da escola. Embora haja muito e em muitos lugares, havia sempre quem sabia onde havia o musgo mais fofo e verde para o presépio. 
Agora, não se deve apanhar mais o musgo?
Mas há tanto musgo em Forninhos!
Dizem os entendidos que a colheita de uns pequenos pedaços de musgo é mínimo, mas as enormes "rapadelas" para comercializar têm fortes consequências.
"O musgo pode ser substituído por pequenas searas de cevada, trigo ou centeio. As sementes demoram, uma, duas semanas a germinar e depois duram muito tempo, podendo ser transplantadas..."
Bem me lembro das searinhas de trigo, uma tradição que resultava muito bem como decoração do presépio da nossa Igreja. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Cêpo de Natal do meu avô


Na casa dos meus avós maternos, o meu avô Antoninho todos os anos na véspera de Natal fazia um cêpo na sua lareira. Não ficava a arder até ao Dia de Reis, mas deveria ficar incandescente durante a noite...e ele, explicava pacientemente e de modo ternurento que tal era um costume antigo para aquecer o Menino que nascera no frio.
Este ano lembrei-me do cêpo que o meu avô zelava com tanto carinho e trouxe o calor das brasas e a luz e cores do lume para que a beleza das tradições e conhecimentos dos antigos seja preservada e nos sirva para nos tornarmos melhores pessoas.
E, como no ano anterior e no outro antes desse...Desejo-vos um BOM NATAL!!!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Postal de Natal

"Até ao noitecer era um dia igual aos outros, vinha a gente enregelada da apanha da azeitona durante o dia e pela frente havia que ordenhar as vacas, acomodar o porco e só depois de tudo isto, começar a preparar a ceia - especial pois claro - era o dia antes do Natal e havia que cumprir com a tradição: couves, batatas e bacalhau, mas este para quem o tinha...!".

Contado de viva voz  de quem ainda era criança ao tempo 
(por volta dos anos quarenta)


Quem me fez tal narrativa, que agradeço, tem ainda a memória da escassez do bacalhau no pós guerra e do tempo da candonga em que houve por parentesco e amizade ir à estação de Fornos buscar as peixotas de bacalhau e o mais que podia compor uma boa consoada. Tinha um bom cargo no depósito de fardamento da Boa Hora em Lisboa e que não esquecia os seus, correndo os riscos inerentes. 
Louvo esse senhor cujo nome fica comigo.
Mas havia quem bem se aviasse no racionamento da guerra, não fossem eles orientados em parte pela igreja, especialmente um padre de má memória para a terra, através de senhas, de manhã para os pobres e da parte da tarde para os ricos e seus familiares...comer, fechar os olhos e calar!
Voltando à ceia...
"A gente tinha guardado um pouco de leite de ovelha (que valia dinheiro, mas dias não eram dias) e fazíamos as fritas e arroz doce e claro, as filhoses de pão e depois quem quisesse ia pela meia noite à missa do galo. Das coisas mais bonitas o cantar ao Menino".
E à minha pergunta: os sinos tocavam? 
"Pouco, um bocadito, pois os padres viviam ao lado e não queriam ser incomodados...".
Dia a seguir, o Natal!
Borrego temperado de véspera, tudo o que a matança do porco havia dado, frutos secos do que a terra dava e se partilhavam por quem não tinha, tal como o que quase parece um conto real que me fizeram chegar por no dia anterior lhe faltar a pequenez da abundância. 
"Na noite de consoada fui ver como estava aquela senhora idosa cujo nome já te disse. Estava em volta à fogueira com uma panela de ferro a ferver batatas e couves, mas bacalhau, nem vê-lo. Arranjei três rações de bacalhau e consoei com ela, trazendo na volta uma malga de figos secos, foi um belo Natal".
Assim o espero para todos vós!  

sábado, 2 de dezembro de 2017

Cantar o Natal

O Advento é o tempo de  "gestação", em que se prepara a vinda de Jesus, por isso, se diz nesse tempo na Igreja: "Maranatha!" Vem, Senhor Jesus! E, tendo em conta que o Natal é celebrado sempre no dia 25 de Dezembro, começa exactamente quatro domingos antes do Natal. 
É no início deste tempo que tradicionalmente se montam os presépios e as árvores de natal e porque não escolher e preparar também os cânticos próprios para a missa natalina, inspirados nos textos bíblicos que falam da vinda do Salvador? 

Forninhos - 8/1/2017 -7.ª edição do "Cantar ao Menino"


Podia escolher o "Gloria in Excelsis Deo", mas começo com uma que é antiga e sempre nova, "Cristãos, Alegria!"

Cristãos, alegria que nasceu Jesus;
A Virgem Maria no-lo deu a luz.
Jesus! Jesus! Saudemos Jesus.
Jesus! Jesus! Saudemos Jesus.

1. Que meiga alegria/Nos traz este dia/De Jesus Natal!
Não há neste mundo/Prazer tão jocundo/que lhe seja igual.

2. Os Anjos nos ares/em ledos cantares/Anunciam paz!
Oh, que dom divino!/E um Deus Menino/É quem no-la traz.

3. De todo o rebanho/O mais lindo anho/Lhe leva o pastor
A mais rica prenda/Que Jesus pretenda/É o nosso amor!

4. Lá nos altos Céus/Honra e glória a Deus/Que nos deu Jesus!
Paz na terra à alma/Que serena e calma/Vive unida à cruz!

Para ouvir é só clicar no link: https://www.youtube.com/watch?v=GWZwlIOycY0

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Num dia de Reis, meio século passado...


"...E prostrando-se, adoraram-No; e abrindo os seus cofres ofereceram-lhe oiro, incenso e mirra" (Mateus 2,11).

"Quando tinha 19/20 anos, houve na nossa Terra, um dia de Reis Famoso.
À volta de uma viola e guitarra, junta-mo-nos uns sete ou oito: o Sr Pe Matos, eu, o infelizmente já falecido coronel Fernando, e, entre outros, penso que o Luis Carvalho e, numa noite fantástica de gelo e céu estrelado, iniciamos o nosso cantar dos Reis. Começamos na Matela, terra do Pe Matos. Percorremos a rua principal e toda a gente assomou a portas e janelas com uma satisfação e alegria só vistas na época natalícia daquele tempo. E deram-nos pão, queijo, chouriças, etc. Tinham gosto e prazer em ver, ouvir, participar e dar. Era ainda natal. 
Descendo Ademonte abaixo, por aquela estrada de terra e buracos, chegamos à Pontinha, onde preparamos instrumentos e gargantas para a entrada de surpresa em Forninhos.
Quando chegamos ao meio da rua principal, ao pé da famosa oliveirinha, iniciamos o toque e cantar dos Reis. Na velhinha e saudosa árvore dos editais e outros escritos populares, juntou-se-nos a rapaziada da nossa Terra: lembro-me do António Carau, do António Cavaca, do Adriano e do Alfredo, do Samuel e tantos outros que não consigo recordar. Que todos me desculpem se nesta escrita não sou capaz de os lembrar. 
Na Lameira, mais gente entra na trupe. Com aquela melodia suave e única de Boas Festas e letra adaptada a cada pessoa, tão própria deste dia de Reis, entramos em todas as tabernas e casas que, espontaneamente, se abriam naquela franqueza de dar e bem receber, tão tipicamente nossa, da nossa Beira Alta. 
Passava da meia noite, quando atravessamos o terreiro da Fonte e paramos no velhinho balcão de granito da nossa saudosa escola para ganhar fôlego e reafinar a viola e guitarra. A vara de chouriças e morcelas estava carregada... 
Entramos no Lugar, na taberna do Antoninho Bernardo. Grande cantoria cheia de calor e alegria. E copos...muitos copos...Mas com ordem e respeito, próprios de gente de bem e daquela época tão familiar e intimista, carregada do espírito de Natal. 
No auge da festa, entra, porta dentro, a GNR...apreendeu parte das chouriças, identificou vários de nós, intimidando-nos a comparecer no posto de Aguiar da Beira no dia seguinte...O dia seguinte era o início das aulas para alguns de nós... 
Bem como acabou a festa? 
Os enchidos que escaparam foram comidos noite dentro até às tantas da manhã e sempre com a alegria de festa bem regada. Os estudantes que faltaram à apresentação no posto da GNR, por não poderem faltar às aulas no seminário, pagaram a multa devida, e todos os que foram identificados, entre os quais eu, fomos julgados (mas absolvidos) no tribunal de Trancoso, acusados de desacato e perturbação da ordem pública!!...Até o sr Juiz achou graça e um exagero desapropriado na intervenção policial.!!
Quem teria chamado a GNR?...
Será que ainda há alguém que se lembre deste memorável dia de Reis?

Um Ano de 2016 muito bom para todos, com saúde e paz.
Ilidio Guerra Marques"

Tivemos, assim, o privilegio de receber do conterraneo amigo Dr. Ilidio as janeiras neste dia de Reis. Um belo texto sobre um dia de Reis famoso...

domingo, 20 de dezembro de 2015

Boas Festas, Feliz Natal

Para complementar os meus posts sobre as 'tradições de natal' e 'tradições em extinção' trago uma foto de um grupo de cantadores de janeiras que foi cortesia do Sr. João Albuquerque, pois não estou a imaginar hoje um grupo de homens juntar-se e percorrer a aldeia de porta em porta a cantar as janeiras. 


Cantavam durante 4 ou 5 minutos e acabada a cantoria, lá vinha um copo, uma chouriça e às vezes umas fritas (ninguém falava de 'rabanadas' como agora querem impôr-nos), mas claro o principal objectivo da 'troupe' de cantadores de janeiras era desejar às pessoas da casa muito Boas Festas através dos seus cantares. Se tiver interesse pode aceder aqui e ler as cantigas desse post.
Se em Forninhos ainda cantam as janeiras? Só se fôr por conveniência da Junta de Freguesia e isso a acontecer é com espírito partidário, infelizmente as Janeiras com o tempo transformaram-se em adereço político. Só um milagre conseguia instalar novamente a tradição com o espírito de antigamente!

******BOAS FESTAS ******FELIZ NATAL ******

FELICIDADE para todos os bloguistas, pois não pode haver sentimento mais abrangente que este...Se estivermos felizes é porque tudo o resto está bem. 

Voltamos a postar em Janeiro de 2016.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Searinhas de trigo do presépio

No dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, em Forninhos, à semelhança de outras aldeias do país, era dia de semear os canteirinhos de trigo para o presépio. Era um belo trabalho feito com dedicação pelas mulheres solteiras que se dedicavam às práticas da Igreja e da Religião Católica.

presépio da igreja - ano 2011

Do séc. XX, merece aqui especial menção a tia Augusta Saraiva e a tia Augusta 'velha', a tia Cecília e a tia Anunciação e a sua irmã Luz, que durante muitos anos os colocaram no presépio da igreja.
Porque em Forninhos não se dá continuidade a este costume ou tradição? 
Durante o ano enquanto comungam até cantam tantas vezes O "meu pão sagrado". Depois existe tanto terreno no adro da igreja para receber esta sementeira que chegado o dia de Reis (6 de Janeiro) até podiam transplantar as searinhas para a terra, pois parece que nem palhinhas suficientes há para adornar a cabana onde nascera o Menino Jesus.

Meu pão sagrado

Procurei-te todo o dia
Mas não Te encontrei
Busquei-Te no irmão,
Mas não te amei.

Meu pão sagrado
Corpo de Cristo
Jesus está em mim.

Convidas teus filhos
Banquete Divino
Na mesa Teu Pão 
Na mesa Teu Vinho.

Refrão

Espiga de trigo
Unidos no amor
Seara madura
És vida, És sol.
(...)

Ainda vão a tempo de semear, nos pequenos pires ou num vaso o trigo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Filhóses de pão

Faziam-nas com a massa do pão (centeio) e do qual sempre sobrava um bocadito para meter na sertã com azeite, pouco, pois a vida era de carestia e afinal a massa já vinha levedada e havia que aproveitar. 

a imagem tirei-a da net, agradeço à autora do blog 'sonhos da su'

Pequenas bolas, mal amanhadas, mas que a canalha devorava derretida pela gulosa prenda que as levava a lamber os restos de açúcar. Por altura do Natal era um pouco diferente, quase toda a gente moía um pouco de trigo, mais não fosse para as morcelas da matação e as filhoses natalícias. Era afinal a celebração de tudo a que foram ensinados pelos seus ao longo de vidas. Dar, receber e agradecer as divindades que a terra lhes atrouxera e por tal pagavam mais cara a moagem do trigo nesta altura por tal ter de ser feito na mó alveira que produzia a farinha mais fina, a mesma que os fidalgos utilizavam todo o ano, até para o centeio e cujas filhoses já levavam ovos, coisas sagradas para os seus rendeiros que os guardavam para a doença ou troco de sardinha na sardinheira ou coturnos para aquecer os pés.
Curiosamente e para que conste, até a cevada semeada para o gado depois de moída servia para fazer bolos deliciosos com o mesmo método: os bolégos, a que agora mais guarnecidos, chamam de sonhos. 
Provem as filhoses de massa de pão...e imaginem a ansiedade das crianças inquietas, agarradas aos aventais das mães, pois a massa do pão nunca mais estava finta.
Eram o seu bolo rei!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O 1.º de Janeiro

Entre os romanos, Jano era celebrado como o Deus dos portões e dos começos, do céu luminoso e das origens e, por conseguinte, o princípio de toda a existência, razão pela qual o seu nome era inicialmente invocado mesmo antes do próprio nome de Júpiter, que é o Deus máximo dos romanos. Em virtude disso, foi o seu nome atribuído ao mês que passou a designar-se por Janeiro.


Então chegou Janeiro e com ele as Janeiras. Assim era na nossa terra, de porta em porta íamos cantar/pedir as janeiras e os reis também. Após escutarem os versos que lhe dedicava-mos, os donos da casa presenteavam-nos com algumas iguarias, tal como o menino o foi pelos reis magos com ouro, incenso e mirra.
Pelo que fica dito, é evidente que o costume de cantar os reis ou as janeiras, prende-se com a tradição cristã do nascimento do menino Jesus e das  oferendas feitas pelos reis magos quando estes se dirigiam à lapinha de Belém. Mas, à semelhança do que sucede com as demais festividades de índole cristã, também esta possui raízes bem mais profundas que remontam ao paganismo primitivo e que se relacionam com as festividades solsticiais que ocorriam precisamente na mesma altura a que foi atribuído o nascimento de Jesus. É, com efeito, o começo do ano solar, ou seja, os primeiros dias que se seguem ao "nascimento do sol" e os raios solares crescem de novo, passando o seu tempo de duração a aumentar de dia para dia, reiniciando-se o percurso que leva invariavelmente aos nascimento da natureza e dos vegetais com o entrudus da Primavera. A nossa civilização cristã mais não faz do que assimilar tais costumes antiquíssimos, conferindo-lhes uma nova interpretação mais consentânea com os seus ensinamentos bíblicos.
Em breve chegará o entrudo e com ele a entrada da Primavera. Até lá que se cantem as janeiras e os reis, que agora a Igreja Católica comemora no próximo domingo.

Encontrei a foto aqui.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Feliz Natal 2014

Ande o frio por onde andar, pelo Natal cá vem parar


Os interesses comerciais, estão a sobrepor-se ao verdadeiro espírito natalício. E nós sabemos que é verdade. Nas aldeias beirãs, felizmente as tradições ainda se vão mantendo. Por exemplo, as filhoses ainda são um doce com presença obrigatória na mesa do natal. Têm uma cor de sol, dada pela fritura, com um toque areado dado pelo açúcar que se polvilha sobre elas. 
Feitas em cada casa, a base deste doce é a farinha de trigo e fermento de padeiro, a que se acrescentam os ovos caseiros e algum azeite e aguardente q.b.. Depois de levedada a massa é separada em pequenas porções que se trabalha com as mãos de forma a ficar esticada/espalmada, de seguida é levada a fritar em azeite (ou óleo) bem quente e é ficar a vê-las crescer e...salivar. 
Quando estão no ponto de fritura, que é quando atinge uma cor dourada, retiram-se e num prato grande são polvilhadas só com açúcar (ou com uma mistura de açúcar e canela). É neste momento que sabe bem saborear a primeira. 
Entretanto, é meu dever informar que a panela de ferro de três pernas, não faz parte do contexto das filhoses, mas ela é um adereço indispensável para evitar o calor excessivo a quem as está a "esticar" ou a "virar". Quem já participou nesta tarefa, facilmente compreenderá a presença da dita cuja. 
É um belo "serão" passado em família a fazer as filhoses.

Votos de um Feliz Natal 2014 para os forninhenses e para todos os nossos visitantes, amigos bloguistas com filhoses e tudo a que o Natal tem direito.


***BOAS FESTAS***

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

6 de Janeiro, Dia de Reis e de Bolo Rei


Já é dia 6 de Janeiro. Este ano ainda é novo, mas já tem meia-dúzia de dias!
Segundo a história/lenda cristã foi na noite de 5 para 6 de Janeiro que os três Reis Magos provenientes do Oriente e guiados por o brilho duma estrela (dizem que era o planeta Vénus, com a sua luz vespertina) visitaram Jesus recém-nascido, em Belém, ao qual ofereceram como prendas: Ouro, Incenso e Mirra.
Em Portugal, em tempos idos, o "Dia de Reis" era uma festa que os católicos celebravam com muita alegria e embora a Igreja Católica ainda comemore "Os Reis", no primeiro domingo do ano, que foi o passado, a verdade é que com o passar dos tempos este lindo dia tem vindo a decair. Mas como aqui onde resido, hoje as Pastelarias promovem o Bolo-Rei e é costume comprar e comer Bolo-Rei, lembrei-me de assinalar e lembrar o Dia. Sei que nem é um bolo típico da nossa terra, mas desde que me lembro lá em casa sempre houve este bolo frutista cristalizado.
Agora a Lenda:
Quando os Reis Magos foram visitar Jesus para lhe oferecerem presentes, a alguns quilómetros do presépio tiveram uma discussão: qual deles seria o primeiro a oferecer os presentes?
Alguém estava a escutar a conversa e propôs uma solução. Ele faria um bolo em cuja massa incorporaria uma fava. Repartiria pelos três. Aquele a quem calhasse a fava, seria o primeiro a oferecer os presentes ao Menino. 
Daí a inclusão da fava no Bolo-Rei e o costume daquele(a) a quem calhar a fava ter de dar um presente.
Posto isso, para todos Vós, porque hoje é dia 6 de Janeiro, desejo um bom "Dia de Reis" e que o espírito de Natal se prolongue por 2014.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Recordar é Viver

O Cepo de Natal é uma enorme fogueira que os rapazes da terra constroem normalmente no Largo da Lameira e que é acesa depois da Ceia de Natal. Diz a tradição que esta fogueira é para aquecer o Menino. Cabe, depois, a todos nós, contribuir com a presença, confraternizando, entre conhecidos, amigos e familiares.


Em Forninhos o Cepo só é cortado durante a tarde do dia 24 de Dezembro, é carregado por tractores e, por vezes, é composto no local por máquinas, mas nem sempre foi assim, dantes iam buscar a lenha aos pinhais com o carro das vacas e quando não se arranjava vacas, levava-se o carro e à força de muitos braços o carro vinha carregado na mesma, pois a lenha para o Cepo não podia faltar, já que este era o símbolo mais marcante dos jovens da época e, diga-se, o Cepo continua a ser um dos mais belos momentos da Noite de Natal nas nossas aldeias da Beira. 

Histórias contadas no passado:

Aqui há vários anos, a tradição mandava que a coberto da noite, roubássemos lenha para o Cepo. Lá íamos nós, malta unida na aventura, sorrateiramente “vandalizar” os pátios, de preferência os que não tivessem cães a guardar.
Vou recordar aqui uma história que aconteceu com o meu falecido pai e na qual colaborei e ajudei a orquestrar:
Combinamos ir ao tio Alfredo (meu pai), pedir um cântaro de vinho para animar a malta do Cepo, já que gramávamos a noite inteira, mesmo que nevasse.
Dito e feito!
O meu pai pôs o vinho à disposição da trupe e ainda pediu à minha mãe para fritar uma chouriça e trazê-la para a adega, pró pessoal beber uns canecos a ver se aqueciam.
Copo atrás de copo, uns iam entrando na adega, outros saindo, mas…outros com ele entretido na adega, carregaram uns valentes troncos de pinheiro para o Largo da Lameira.
Não se chateou, era Natal e ele era assim!

Ai CEPO, tinha tanto para contar, participei várias vezes nesses cortes de pinheiros e a carregar os cepos.
Era assim, no dia anterior, no café do Sr. Virgílio é que se combinava, mas aquilo era rápido, bebendo umas cervejolas, eram sempre os mesmos, e ao outro dia, dia 24, fim do almoço, a maltinha começava a aparecer. Lá ia o Zé Cuco meter o tractor do Sr. Virgílio a trabalhar e lá iam eles só com uma ideia na cabeça, carregar o reboque o mais rápido possível, porque não era só com uma carrada que se fazia o Cepo, mas sim com três ou quatro e claro o garrafão ía sempre connosco. Também cheguei a levar o tractor do meu pai, o Sr. Freitas também e era assim neste ambiente de festa e união que se fazia o Cepo de Natal.
Depois de se consoar com a família, era no Cepo que a malta se reunia novamente, alguns lá ficavam até de manhã, dos quais eu ainda fiz parte, mas para aguentar toda a noite tínhamos que comer e beber, então dois ou três mangas iam dar uma voltinha aos galinheiros da freguesia e a verdade é que nunca vinham com as mãos a abanar. Estou a lembrar-me que quando foi a minha vez não correu lá muito bem, éramos dois, não se via nada no galinheiro, então foi o que veio à mão, só que não era uma galinha, mas sim o que galava. A missa do galo essa não é do meu tempo, mas este foi e estava bem bom!!!

Nesta quadra e naquela altura em que a ASAE não existia, praticamente não era crime ou pecado “roubar” uma galinhita ao tio Luís Catrino que Deus tenha, ou qualquer outro (salvo muito raras excepções), como acontecia com a madeira para o Cepo.
Tenho um grande, mas grande amigo em Forninhos, o tio António Carau, e também ficou sem a burra de serrar a madeira!
Foi direitinha para o Cepo e continuamos amigos.
O que mais gostava mesmo, era já quase madrugada, juntamente com o meu primo Graciano, meu primo Zé Pego e outros, assarmos um coelhito, em casa da minha tia Laura.
Coelho roubado, claro, senão não tinha piada, mas roubado com alto nível!

Que saudades tenho de estar presente neste dia, contribuir para arranjar essa lenha que o Cepo necessita, onde tudo é divertido.
Nos tempos em que vivi em Forninhos, sempre me lembro do Cepo, na Lameira, junto ao Café do Sr. Virgílio (mesmo em frente à casa do Sr. Paredes) ou mais ao lado, em frente à casa dos avós do Agostinho "branco".

A minha infância foi passada numa aldeia vizinha (Dornelas) onde os usos e costumes sempre foram idênticos, nem outra coisa podia ser, devido à proximidade. Aqui, havia rivalidade entre o povo e a lage grande, mas qualquer dos Cepos eram bons, quer dizer, a fogueira era grande e ía desde o dia 24 ao dia de Reis.
Eu lembro o tempo em que se acendia o Cepo na véspera de Natal e mantinha-se até aos Reis, mesmo que tivéssemos de ir roubar os pinheiros para manter a fogueira acesa. O mais difícil era acendê-la porque era tudo verde, colocávamos uns troncos resinados por baixo e a frança por cima para esquentar, por vezes tínhamos de recorrer ao petróleo porque lenha seca era difícil de arranjar.

Recordar é Viver!