Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta Párocos de Forninhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Párocos de Forninhos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Recordando o Pe. Horácio

"Naquele Entrudo, como era de lei, a rapaziada andou a casar as donzelas pelas portas das quintãs e dos serões e encruzilhadas das ruas"A descrição que Aquilino Ribeiro faz dos "casamentos" do Entrudo, também aconteciam em Forninhos. 
Já contei aqui uma história, passada nos anos 70, mas hoje recuo ao ano de 1941, por altura do "ciclone", 15 de Fevereiro, quando uma rapaziada atrevida, Luís Matela, Zé da Helena e o José dos Santos (pai da Sabina), na paródia foram para a porta da casa paroquial fazer o "casamento" das irmãs do Sr. Pe. Horácio que com ele viviam. Não aceitando a bem a graçola e de pistola em punho, aos tiros, foi até à Lameira à procura dos "salafrários". 
Tudo não passava de uma brincadeira, mas "amor com amor se paga" e a rapaziada não quis deixar passar o episódio em vão, assim, ainda nessa noite colocaram um rolo de pinheiro em frente à porta principal da residência esperando que, ao sair pela manhã, o Padre Horácio tropeçasse e caísse. 
Teve sorte porque uma das suas irmãs saiu pela porta da cozinha e viu o tronco encostado à porta.
Depois disso, o Padre Horácio Martins de Sousa foi paroquiar a freguesia da Matança e foi notícia que durante a noite vinha a pé até Forninhos para dormir com a Senhora Dona Olimpia. 
Da Matança foi para a freguesia de Midões "mas lá endireitaram-no!".

Pe. Horácio Martins de Sousa

Veio para Forninhos o seu irmão, o Senhor Padre Albano Martins de Sousa, que viveu à maneira e ao jeito de Jesus Cristo.
Diz o povo que era o oposto do irmão. O Padre Horácio era muito mau, o Padre Albano era um homem muito bom, um santo.

Fonte: Augusta Guerra.

sábado, 26 de junho de 2021

Séc. XIX: Memórias dum Padre

Desde que nascemos, fomos ouvindo da voz de quem ouviu de quem, que a luta pela posse de S. Pedro com os das paróquia de Penaverde, teve registos sangrentos. E eis que hoje, por gentileza do meu amigo João Nunes, é possível saber e tornar público uns documentos, num português que todos compreenderão, acerca das quezílias em S. Pedro, votos da freguesia, etc..:

Do Livro de Óbitos AII-A 1.2 Cx. 8 (fls. 42v)

"No dia seis de maio de 1875 5.ª feira de Ascenção ouve um grande barulho em S. Pedro entre os de Dornelas e os de Penaverde donde resultou muitos ferimentos e eram tantos os tiros as pedradas e os gritos que parecia que acabava o mundo; ficaram culpados 12 rapazes de Dornelas e tres de Penaverde de que foram absolvidos em audiência geral. Desta freguesia ninguém ficou culpado...do barulho não ouve mortes mas um rapaz de Dornelas esta há mais de um mês sem falar. 
Padre Francisco de Almeida Coelho, de Dornelas natural" (fls. 42 verso).
Documento disponível online:

De Forninhos ninguém ficou culpado, mas na folha 42, o Pároco de Dornelas natural tinha registado que veio para a freguesia de Forninhos em 1858 para "encontrar um povo rude e estupido (e mau)...."

Fl. 42 do Livro de Óbitos AII-A 1.2 Cx. 8

"...tem os parochos desta freguesia de avisar os freguezes para os dias em que ouverem de ser cumpridos porque nos devemos respeitar as crenças dos nossos antepassados apesar de que esta época ser a do indesentismou a do vandalismo por isso procurando em muito os senhores párocos que me sucederam que cumpram e façam cumprir não so por respeito a religião de quem somos ministros, mas também para exaltarmos a fe no povo de que somos pastores; tambem ha que dizer que vim para esta freguesia em 1858 para encontrar um povo rude e estupido (e mau) hoje com ajuda de Deus tem milhorado muito, e espero com a ajuda de Deus por aqui me conserve por mais alguns anos, encontrei muita rapaziada de perto de 20 anos sem saber quem era Deus e poucas pessoas avia que soubessem o que era preciso ao Christao para se salvar e ora felizmente já se sabe alguma cousa.
Forninhos 8 de Junho de 1872."

Este padre ainda nos deixou uns apontamentos muito interessantes a respeito dos votos da freguesia (Fl. 43):

Fl. 43 do Livro de Óbitos AII-A 1.2 Cx. 8

"Tinha esta freguesia de tempos imemoriais um voto a Senhora da Lapa todos os anos em dia de S. Barnabé por motivos que expos o reitor de Penaverde que era quem então figurava nesse voto como capelão da câmara do concelho então de Penaverde e como arcipreste requereu e obteve a transferência dela para a capela da S.ª do S. João da sua freguesia e assim um outro que se fazia a S. Clemente na capela do Furtado freguesia de Algodres, ora esta freguesia não gostou da transferência e por isso pouca gente lá ia e passado algum tempo já ninguém o cumpria razão porque eu requeri e obtive de S. Exma transferência do de S. Clemente e do da Senhora da Lapa para a capela da Senhora dos Verdes desta freguesia onde se deveria cumprir o de S. Clemente na 2ª feira ou 3ª do Espirito Santo como era costume e da Senhora da Lapa dia de S. Barnabé ou em outro que melhor parecer ao pároco segundo as cirunstâncias porque assim lhe requeri.

Cópia do requerimento

Exmo Senhor
Diz o pároco da freguesia de Forninhos que havendo na sua freguesia alguns votos como são um a Senhora da Lapa que dista vinte e quatro quilometros da sua freguesia e já em tempo foi transferido para uma capela da freguesia de Penaverde assim como outro a S. Clemente onde o povo os não quer ir cumprirnem ele suplicante insta porque os não cumprira sem a reverencia que lhe é devida muitas vezes fazem desordens pelo caminho e por isso pede a graça de comutar para a capela da Senhora dos Verdes sita nesta freguesia onde podem ser cumpridos."

Fl. 33 do Livro de Óbitos AII-A 1.2 Cx. 8

No dia 4 de Janeiro de 1898 veio paroquiar Forninhos o Pe. José de Almeida Coelho, por ser já paroco da freguesia de Dornelas. E, voltando atrás no Livo, fls. 33, disse ter recebido do seu antecessôr os livros existentes no cartório,"entre os quaes apareceu este no estado que se vê, com cinco folhas cortadas; e com as que não de página 33 a 41 em branco e no fim de tudo uma notícia a respeito de votos a que estavam obrigados as mesmas freguezias. Para que nao julguem que ele foi mutilado em meu poder, aqui lavro esta nota, que assigno.
Parochia de Forninhos, 4 de Janeiro de 1898 oito
Pe. Jose de Almeida Coelho."
(Sublinhado nosso)

Fonte: Livro de Óbitos de Forninhos.

O que estava escrito nas cinco folhas cortadas nunca o vamos saber. Quem as cortou também dificilmente o saberemos. O que sabemos é que passados mais de 150 anos ficamos a saber aspetos importantes da realidade da nossa freguesia no século XIX.

sábado, 14 de novembro de 2020

Um Padre "Miguelista"

O reinado de D. Miguel foi curto e conturbado, mas em torno dele gerou-se um fenómeno de idolatria que se traduzia num exagerado culto ao seu retrato - a "real efigie". Mesmo antes de se tornar rei, já circulavam milhares de imagens suas aplicadas em broches, caixas de rapé, alfinetes ou medalhas.
Rapidamente entendido como uma arma política, o que começou como uma moda extemporânea, tornou-se uma obrigação após a subidade de D.Miguel ao trono.
Os cidadãos deveriam pedir ao soberano a mercê de usar a sua efigie e este tinha a prerrogativa de o autorizar...e mandar publicar na Gazeta de Lisboa!
El-Rei D. Miguel distribuia medalhas de ouro à sua base social de apoio e o símbolo de fidelidade ao monarca que ficou conhecido pelos cognomes "O Usurpador" e "O Absolutista"também chegou a Forninhos, pasme-se!!
Foi a 20 de Novembro de 1830 que o monarca concedeu o uso da sua real efigie, em ouro, ao Cura Lourenço Homem de Albuquerque, pároco de Santa Marinha de Forninhos
Fonte: Artigo/Comunicado da Gazeta de Lisboa, 26-11-1830.
Este padre, claro, foi apoiante do partido de D.Miguel, o que, em tempo de perseguições como aquele foi, nunca seria um bom sinal para Forninhos, já que o símbolo de fidelidade ao monarca, durante as Guerras Liberais, ameaçava a segurança e a vida das pessoas. Um abade da Matança, de nome Garcia ou Barros, foi assasinado no momento em que celebrava missa, em dia de S. Bartolomeu. Podem ver o acontecimento horroroso aqui
Sobre a Guerra Civil Portuguesa, de 1832-1834, também conhecida como Lutas Liberais, Guerra Miguelista ou Guerra dos Dois Irmãos, vidé:

 

Houve mais medalhados e medalhas que "O Rei Absoluto" era um mão-largas...
O Reverendo da Villa de Figueiró da Granja, Abbade da Igreja de Nossa Senhora da Graça, por exemplo, também foi medalhado.
Mas quem foi Lourenço Homem de Albuquerque?


Assinatura do Cura "Miguelista"

Nos registos paroquiais, por vezes, encontramos diversos párocos quase em simultâneo, pelo que não é fácil assinalar a data em que um termina e outro começa. Mas...Lourenço Homem de Albuquerque paroquiou a freguesia de Forninhos de 1820 a 1832, doze anos, portanto. Em 1833 veio paroquiar esta freguesia o Cura Belchior Luiz do Amaral (1833-1837), seguido do Cura Pe. Manoel de Barros (1838-1840)...

Já agora as medalhas de "filiação política":



Alfinete Miguelino

Na monografia de Forninhos no capítulo "Invasões e Liberalismo" há uma informação que dizem datar de 27 de Novembro de 1830 que diz isto:
"Neste dia a Gazeta de Lisboa noticiava que o Rei D. Miguel tinha concedido no dia 20 desse mês(...), o uso da Sua Real esfinge, medalha em ouro, ao reverendo Lourenço Homem de Albuquerque, pároco de Santa Marinha de Forninhos, pertencente ao Bispado de Viseu. A notícia é parca em informações pelo que não nos foi possível apurar qual o motivo de tal honra."(sublinhados nossos).

Primeiro- a informação data de 26 de Novembro de 1830 e não 27 de Novembro, conforme se prova com  folha numerada com o nº 1142:


Segundo- O motivo de tal honra!!!  Não se trata de sinal de honra, mas sinal de pertença, como elemento ativo numa guerra. O Padre de Forninhos, foi um dos muitos que se permitiu pedir ao usurpador do trono, a mercê de usar o penduricalho de propaganda da causa miguelista, digo, a sua efigie (e não esfinge como se lê). 
Segundo o dicionário Priberam Esfinge é um monstro fabuloso com a cabeça humana e corpo de leão. Já Efígie é um retrato, imagem, figura de um indivíduo. 
Algumas vezes, as pessoas pronunciam "esfinge" ou "efinge", mas Historiadores de "alto gabarito" confundirem o termo...é Obra!!
Mas isso é outra história...

Fontes: 
Gazeta de Lisboa

domingo, 19 de janeiro de 2020

Pe. Virgílio, um padre de má memória

Sendo o sexto de oito filhos, Virgílio Lopes nasceu em 1931, em Colherinhas, freguesia de Dornelas, concelho de Aguiar da Beira. Era filho de Joaquim Lopes e de Antónia Gomes.
Depois de concluir a Primária na escola local, ingressa ainda adolescente no Seminário de Fornos de Algodres. Em 1949 frequenta o Curso Preparatório e de seguida o Curso Teológico no Seminário Maior de Viseu.
Pela mão do Bispo D. José da Cruz Moreira Pinto, é ordenado Padre num Domingo de Ramos, 25 de Março de 1956, na Sé de Viseu e inicia o exercício sacerdotal.
Veio para Forninhos no ano de 1957, depois da saída do Sr. Padre Valdemiro e era conhecido por Padre Grilo.


Em 1959, decide fazer obras na Igreja Matriz (teto) e na Capela de Nossa Senhora dos Verdes (retábulo e teto). Um seu irmão que era marceneiro e carpinteiro foi quem fez as obras, mas  durante as mesmas sumiram dois valiosos castiçais, que a nossa gente apelidou de "Serafinzinhos". Ainda hoje muitas pessoas do tempo dizem que foi o Padre Grilo que os levou para Espanha. E este "roubo" nunca lho perdoaram os seus paroquianos.
Mais, aquando da sua passagem por Forninhos, ainda consta que gostava de espreitar as pernas das raparigas quando estas subiam aos altares para os limpar e enfeitar, isto para registarmos que constou na sua terra natal que, mais tarde, teve um filho ou filha (será verdade?).
Em paralelo à ação sacerdotal prossegue com a sua formação académica na Universidade de Navarra, em Pamplona, Espanha, na década de 1960, através do "Opus Dei"!
Volta a Viseu, após a Licenciatura e o Doutoramento em Direito Canónico. Através da "Opus Dei" dirige uma residencial de estudantes que acolhia rapazes e quando sai do "Opus" mete-se nas Misericórdias Portuguesas (UMP) e preside ao Secretariado Nacional; diz-se que fez um excelente trabalho. No entanto, há quem diga que "se o Doutor Virgílio Lopes foi o fundador das Misericórdias o Padre Vítor Melícias foi o salvador".
Na sua qualidade de Presidente da UMP ainda promoveu e acompanhou a construção do Centro de Deficientes João Paulo II.
Faleceu em 1991 - em Fátima - tinha 60 anos - mas o seu percurso por Forninhos, as tristes cenas nunca vieram a público.
A missa exequial pela sua alma foi celebrada a 5 de Outubro na basílica do Santuário, tendo daí seguido o séquito para o cemitério de Fátima, onde, por sua vontade, foi sepultado em jazigo oferecido pelas Misericórdias.
Ele que depois de sair de Forninhos ajudou todas as suas sobrinhas a se formarem (quando ainda pertencia à "Opus Dei"), ele que "só queria para ele e sua família", estranhamente não quis ser sepultado na sua terra e ficar junto dos seus. Mistérios!
Há quem diga que viveu e morreu atormentado.
Mas Padres Grilos, em Forninhos, nunca mais!

sábado, 3 de novembro de 2018

Padre Pina - A Homenagem

Quem foi?
O Pe. José António Tavares de Pina paroquiou as freguesias de Forninhos e Dornelas. Foi quem em 10 de Dezembro de 1916 escreveu que a Capela dos Valagotes é de invocação a Santo António ou a Santo Amaro (?) e que a de Nossa Senhora dos Verdes estava em bom estado e com paramentos regulares.


assinatura do Pe.Pina

A propósito das comemorações dos 100 anos do Armistício.
Ofereceu-se como capelão militar voluntário da Grande Guerra em 29/01/1917 e meses depois, em Junho de 1917, seguiu para França para substituir o capelão Martim Pinto da Rocha por não apresentar saúde que lhe permitisse aguentar o esforço físico do serviço nas trincheiras, ficou, assim, o nosso padre Pina na linha da frente.
Por decisão do Comandante do quartel general do C.E.P., este pároco ficou adido à tripulação de navios que evacuavam doentes. Acaba por voltar a Portugal sofrendo de bronquite crónica. 
Foi condecorado com a Cruz de Guerra "pelo modo distinto como soube conciliar as suas funções religiosas com as de bom português, catequizando cívica ou patrioticamente os soldados, socorrendo-os debaixo dos maiores perigos e não tendo descanso a proporcionar-lhes distracções".
Em Merville, a 6 de Fevereiro de 1918, um grupo de párocos deixa uma fotografia para a posteridade:

Corpo de Capelães Voluntários

De pé da esquerda para a direita, os Padres: António Rebelo dos Anjos, Jacinto de Almeida Motta, Luís Lopes de Melo, Ângelo Pereira Ramalheira, Cónego Álvaro Augusto Santos e finalmente o Pe. José António Tavares de Pina (Forninhos).
Sentados, da esquerda para a direita: o Pe. José Manuel Souza, o Cónego da Sé da Guarda, José Patrocínio Dias (chefe do corpo de Capelões Voluntários do C.E.P.) e Pe. Avelino Simões de Figueiredo.
Fotógrafo: Desconhecido



Aqui António Tavares de Pina, é designado como de Paiva. 
Fonte: Ilustração Católica, N. 199, Ano IV, 21 de Abril de 1917, p. 553.

Pelos serviços prestados, todos estes capelães foram condecorados, todavia o que me impeliu a escrever este post foi o contributo valioso para a história de Portugal e dos portugueses na Primeira Grande Guerra dum Senhor que paroquiou a freguesia de Forninhos.
Nem só os capelães da Guerra do Ultramar merecem homenagens!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

SANTO PADRE VALDEMIRO

Dizem, quem dele se recorda, um homem alto e bem aparentado. Dócil, puro e recto e que partilhava o pouco que tinha, mesmo no fim da vida.
Um Padre Santo!


Afinal quem foi este homem,  nascido em Ribeiradio, concelho de Oliveira de Frades, última freguesia de Viseu e de seu nome Valdemiro Pereira Coelho?
Ordenado padre em 15 de Agosto de 1944, nomeado prefeito do seminário de Viseu, por ali andou cerca de 2 anos, sendo que depois foi nomeado pároco de Forninhos.
Sei que era sobrinho de um cônego (cargo que antecedia o ser bispo) e lhe daria naquele tempo importância.
Apareceu de bicicleta de roda alta numa terra de nenhures e com a qual ia aviar receitas para quem estava doente. Mais tarde teve uma mota para dar alerta aos médicos por estradas lamacentas e no dia que se seguia e depois da missa dita, ia visitar os doentes.
Por Forninhos que o não esquece, partidos quase vão seis anos, ajudou no restaurar da igreja e de mota foi para os lados de Arganil arranjar telha para o novo telhado da igreja, trazida pelo tio Zé Teodósio.
Passados cerca de 12 nos, abalou de Forninhos e foi para Oliveira do Conde, seguindo-se a Bodiosa aonde celebrou as suas bodas de 50 anos de um caminho duro e bonito da causa que abraçou.
Sei que de Forninhos, apenas faltou quem de todo não podia, na festa mais que meritória, tal como das paróquias vizinhas.
Morreu pobre por querer os pobres menos pobres,  não foi professor em Carregal do Sal, por haver casais sem emprego e declinou os convites.
A sua casa tinha o nome da igualdade e se cobrava, já velhinho uma missa, o resto ia para o monte, como ele dizia: dividam!  O dom da partilha.
Sempre dele ouvi falar, mas nunca o vi, porventura não o procurei por receios de quando nasci pois, fui baptizado por ele (como amizade à família) já corria a madrugada e no outro dia iria a enterrar e sugeriu que partisse com o nome dos meus avós...Francisco e António...
Quem diria que hoje ainda escrevo acerca dele, com carinho e reconhecimento, Santo Padre Valdemiro!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O Sr. Padre Albano


Certamente todos os párocos tiveram influência na vida religiosa da nossa paróquia - Santa Marinha de Forninhos, mas o Senhor Padre Albano Martins de Sousa, natural da Ranhadinhos, S. Pedro do Sul, pela sua inteligência ou santidade, terá deixado mais vincada a sua passagem pela nossa terra. 
A título de curiosidade foi quem, com o auxílio do povo, nos anos 40 do séc. 20, mandou construir um novo cemitério, dando assim cumprimento à lei que exigia acabar com os enterramentos no adro da igreja, mas sem o povo saber (segundo consta) mandou aumentá-lo. Assim que se soube, toda a gente ficou "contra" o Sr. Padre e à despedida viu bem que não o desculparam por ter tomado a decisão sem ouvir o povo.
Também foi ele que em homenagem aos povos da freguesia de Sezures e Esmolfe, pela sua presença no dia do Espírito Santo, na Senhora dos Verdes, mandou construir o cruzeiro de Nossa Senhora de Fátima e o dos Centenários com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.
Podemos dizer que foi este sacerdote o que até ao seu tempo mais obras fez.
Tentou, no seu tempo, unir a Quinta da Ponte a Forninhos, uma vez que os seus habitantes estiverem sempre mais ligados a Forninhos (onde iam todos os domingos à missa) do que a Sezures, ficou tudo em "águas de bacalhau", mas que era um visionário, era!
Mas também teve, mais dissabores, já que no seu tempo não permitiu durante anos bailes em qualquer dia ou lugar da freguesia, ainda assim todos aqueles que com ele privaram, afirmam que o Padre Albano era um bom e santo padre, um exemplo de bondade e dedicação ao próximo.
Muito mais haveria a dizer sobre o Pe. Albano Martins de Sousa, mas por agora fica o essencial - o resto da descoberta ficará a cargo dos forninhenses.
Bem-haja Senhor Padre Albano!
Forninhos devia-lhe esta homenagem.