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segunda-feira, 21 de junho de 2021

O tom do Verão

No meu livro de leitura da 2.ª Classe o verão era representado por uma seara loira. Esta ilustração anunciava o tempo de muito calor e as férias grandes no campo ou na praia. 
Eram tardes de jogos e brincadeiras, mas também de trabalho, ajudando os nossos pais nas lides do campo.
Costumava ter 3 meses e as histórias destes dariam para 3 livros, pelo menos.

Ilustração Maria Keil e Luis Filipe de Abreu

No Google hoje, a ilustração mostra um ouriço-cacheiro a caminhar num cenário solar, com óculos de sol e rodeado de folhas verdes, frutas sol e conchas. 


Sinais de novos tempos!

sábado, 12 de junho de 2021

Casamentos, Sec. XVII

A obrigação da igreja manter registos de casamento, nascimento e óbito, surgiu no Concílio de Trento em 1563, mas a data de início dessa prática não foi igual para todas as paróquias, registe-se que de Forninhos, o primeiro assento de baptismo de que há conhecimento é de 1634, em Penaverde 1626, em Aguiar da Beira 1609, em Carapito 1604, nas Antas 1589.
Assim, começo hoje a publicar uns registos de casamento do séc.XVII.

É fácil ler os registos

Acima temos o registo de casamentos nos anos de 1650, 1651 e 1652 


A segunda imagem é um pormenor da primeira, na qual está ampliado o nome do casal Manuel Fernandes e Maria Antunes que casaram faz exactamente hoje 370 anos. O pároco João Baptista registou assim esse facto:
"Aos doze de Junho de mil seiscentos e cinquenta e hum annos feitas as denunciações conforme o Sagrado Concílio e Constituições deste Bispado e testemunha o povo recebi em face da Igreja Manuel Fernandes e Maria Antunes deste Lugar e por ser verdade fiz este termo e assinei  dia, mês e era ut supra."
Não são referidos padrinhos "testemunha o povo". Era segunda-feira e na aldeia, pelo menos alguns habitantes devem ter interrompido os trabalhos do campo.


Em 1645 e 1646 parece ter havido apenas um ou dois casamentos por ano:
1- João Domingues e Antónia João (15-01-1645)- Domingo
2- Diogo João e Maria João (10-09-1645) -Domingo
3- Silvestre João e Maria Dias (15-08-1646) - Quarta-Feira (Dia Santo)


Destacamos o de Silvestre João e Maria Dias, no dia 15 de Agosto de 1646, "forão padrinhos Balthazar da Fonsequa, Pedro Vaz eh mais povo, por ser dia Santo...".  
O Pe. Cura faz referência ao dia Santo, mas não à festa da aldeia, por nessa altura não haver, mas  certamente houve boda na casa da noiva.

Outros casamentos do séc. XVII: 
No ano de 1647 contamos meia dezena e assim crescia a aldeia, mas entre 1648 e 1649 o número é novamente reduzido a um casamento anual:
1- Bartolomeu Almeida e Isabel Pires (14-05-1647) -Terça-Feira
2- Francisco Lopez e Isabel Domingues (01-09-1647) - Domingo
3- António Gomes e Maria Nunes (26-10-1647) -Sábado
4- Mateus Nunes e Isabel Antunes (05-11-1647) -Terça-Feira
5 - Francisco Vaz e Maria João (30-11-1647) -Sábado
6- António Fernandes e Catarina João (19-01-1648) - Domingo
7- António Belchior e Catarina Fernandes (03-02-1649) - Quarta-Feira


Onde estão e quem são os descentes destas famílias?

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Dona Escolástica

Chamava-se Escolástica Moreira Mendes de Faria e nasceu na freguesia do Eirado, onde viveu até casar. O matrimónio foi anterior a 1860, com José Fernandes de Figueiredo, residente na Rua da Lameira, Forninhos. Teria mais de 40 anos quando casou e veio morar para Forninhos (os mais de 40 anos são apenas uma hipótese). Mas aqui viveu certamente mais outros 40 anos, sendo considerada de Forninhos, pelo cura António Augusto Almeida Coelho, que registou o seu óbito. Dona Escolástica faleceu no dia 4 de Julho de 1902, tinha 89 anos. 
Sua única filha, Maria dos Prazeres, nascia no dia 04 de Março de 1860 e foi batizada em Forninhos no dia 28 de Março do mesmo ano.

Registo Bapt.Dona Prazeres

Dona Escolástica enviuva a 26 de Maio de 1870, o seu marido José Fernandes de Figueiredo morre com 39 anos de idade. 
Sua filha, Maria dos Prazeres casa no dia 18 de Maio de 1874 com José Maria Alvares Moreira, em Forninhos. Tinham 14 e 20 anos de idade, respectivamente. Eram segundos primos.
Foram testemunhas do casamento sua mãe, Dona Escolástica Moreira de Faria e Luís Augusto Varela, de Dornelas.
A partir do casamento a documentação já refere Dona Maria dos Prazeres Fernandes Alvares Moreira.

Casamento Dona Prazeres (filha)

Em Forninhos nasceram os seus filhos:
Olímpia nasceu em 1876 (03 de Abril)

Registo Dona Olimpia


Em 1879 (14 de Fevereiro) nasce o segundo filho:
Albano

Registo do filho Albano

Em 1887 (21 de Julho) nasce a Maria José 
Mas a felicidade da Dona Escolástica não durou muito. No dia 23 de Maio de 1888 morre a sua única filha Dona Maria dos Prazeres Fernandes Alvares Moreira. Tinha 28 anos de idade. 
Qual o percurso dos netos da Dona Escolástica?
Dona Olímpia faleceu na freguesia de Samuel, concelho de Soure, em 04-11-1957, era solteira.
Albano ???? ninguém de Forninhos foi capaz de me fornecer informação útil e no seu registo de baptismo nada consta. Mas como no registo de óbito da Dona Prazeres é referido que fez testamento e deixou duas filhas, presumo que à data era falecido.
Dona Maria José casa com Pompeu de Mendonça e Pinho, de Açores, Celorico da Beira, no dia 25 de Agosto de 1910, na freguesia de Porto da Carne, Diocese da Guarda e assina Maria José Alvares Moreira. 
Aqui são donos de uma grande fortuna.
O casal tem uma filha a que deram também o nome da avó, Maria dos Prazeres
Dona Maria José faleceu no dia 13-11-1949.

Registo Dona Maria José

Maria dos Prazeres (bisneta da Dona Escolástica) vem a casar com Octalicio Amaral o qual deu origem ao apelido de família "Amaral". Perdeu-se o "Fernandes de Figueiredo" e o "Alvares Moreira".
O casal Amaral teve dois filhos que também faleceram jovens:
 - Luis Manuel Alvares Amaral (Luisinho) - está sepultado no cemitério de Forninhos.
- José Maria Alvares Amaral (Zezinho)
Nos anos 80 do século passado ainda vivia em Forninhos a Senhora Dona Prazeres e os seus netos (uma filha do Luisinho e dois filhos do Zezinho) ainda a visitavam. 

Casa da Família, em Forninhos

Uma das coisas que me despertou alguma curiosidade foi a genealogia dos "Fernandes de Figueiredo".
Luis Fernandes de Figueiredo e Maria Antónia tiveram três filhos:
- O José Fernandes de Figueiredo, marido da Dona Escolástica, faleceu com 39 anos no dia 25-05-1870
Maria Antónia Figueiredo, solteira, faleceu com 52 anos dia 16-11-1870 e fez testamento fechado em nome do irmão Manuel.
Fazer testamento dos bens que se possuíam era uma prática comum, mas é interessante esta informação porque parece que as últimas vontades do testador era a cunhada, a Dona Escolástica, não ser herdeira, fora também a intenção de continuar a exercer algum poder e controlo social para além da morte.
- Manuel Fernandes Figueiredo, solteiro, faleceu em 25-02-1872 e fez testamento. Tinha 37 anos.
Acerca desta família os mais antigos documentos conhecidos (de 1696) referem um António Fernandes sepultado "dentro da Igreja de fronte da porta travessa debaixo do caixam da confaria do Senhor". Fez testamento.

Óbito de Antonio Fernandes

E Ana de Figueiredo enterrada dentro da Igreja de frente da porta. Não fez testamento. O cura de então era o Padre António Lopes de Andrade.

Óbito de Ana Figueiredo

Forninhos tem uma grande história humana, mas é preciso recuar na pesquisa de séculos atrás para se compreender a nossa génese.

sábado, 29 de maio de 2021

O Ciclo do Milho

Depois do centeio, do linho e do vinho, é hoje a vez do milho.
A sementeira do milho acontece na Primavera e a partir daí há sempre que fazer até ao fim do Verão: sachar, abelgar, regar e regar... etc...
Quando era pequena, quase toda a gente em Forninhos cultivava milho houvesse água para regar ou não. Lembro-me que nas margens do Rio Dão, Ribeira e Salto, havia muito milho. Não era basicamente para a alimentação humana, mas sim para a alimentação dos animais. Mas sei que num tempo mais antigo cozeu-se por lá muito pão de milho.


A 1.ª sacha. Por mais cuidada que a terra esteja, crescem sempre ao mesmo tempo que o milho, as ervas daninhas e a 1.ª sacha serve para arrancar essas ervas.
Para este trabalho iam ranchos de pessoas com os sachos ao ombro, que durante horas sachavam o milho ainda pequeno (com duas, três folhas).
Mas a primeira tarefa da sacha do milho era arralar, um trabalho mais ou menos leve, pois o mais difícil era arrancar o pé de milho certo ou a caneira certa, depois era pegar no sacho e juntar-se ao rancho.
Mas ainda vinha a 2.ª sacha, esta mais aligeirada, chamavam aterrar o milho.
E o milho vai crescendo até ao dia em que, como todas as coisas, precisa de água. Então, lá se ia "avelgar" (fazer regos na terra) e de seguida a 1.ª rega (assentar o milho).
Como se regava naquele tempo? 
Com o motor de rega, mas antes a rega era feita através dum engenho ainda muito usado no Séc. XX, o Picanço. Este modo de regar, como facilmente perceberão, tinha de ser realizada por mais que uma pessoa.


Tirada manualmente do poço, por uma pessoa, a água era despejada balde a balde no rego previamente feito. Conduzida pelo pé, por outra pessoa, com o sacho a guiar o líquido através dos talhadoiros, era assim que se matava a sede ao milho até este ganhar espiga e as suas "barbas" ficarem secas.
Depois lá vinha mais uma tarefa para toda a família: cortar a cruta do milho ou "as bandeiras" e espalhá-las para secarem; quando secas eram enfaixadas e guardadas para no Inverno alimentar os animais. Mas lembro-me que as vacas tanto comiam as crutas em verde, como em seco.


Está a chegar o fim do Verão, os milhos estão maduros e só esperam as escanadas (não dizemos desfolhadas ou descamisadas). 
Geralmente a escanada era feita por um grande número de pessoas à tardinha ou à noite. 


À volta dum grande monte de milho cortado rente, retirava-se a espiga para um balde ou cesto e quando cheios despejavam-se nos canastros ou sacas de serapilheira, entre cantorias, milho-rei, abraços, risos, ceiote e bailarico ao som dum realejo...


Quantas vezes o milho-rei, essa espiga de cor diferente, ia escondida no bolso dos rapazes para poderem distribuir abraços a todos os trabalhadores. Esta era uma oportunidade única para se aproximarem fisicamente das raparigas.
E eis que chega a malha do milho.
Soltos dos carolos, noutro tempo através do mangual, os grãos de milho ficam a secar nas lages/eiras comunitárias, aproveitando o sol descorado de fim de estação.


Dia após dia, estende-se o milho pela manhã com a ajuda do rodo ou até com o ancinho virado ao contrário e junta-se à tardinha com a ajuda das vassouras de giesta, para evitar a orvalhada noturna que se começa a fazer sentir. 


A última varredela já é para o ensacar e guardar nas arcas de madeira para consumo ou vender. Em 1917, o correspondente de A Folha de Trancoso indicou que a nossa freguesia exportava milho!!
Mas do milho, até as crutas secas e os trambolhos (canas do milho) se vendiam! Tudo era aproveitado, até as folhas fininhas da maçaroca do milho e a moinha serviam para encher almofadas e os carolos serviam para acender o lume e fazer brasas!!
Das barbas do milho ainda faziam chá para tratar problemas do sistema renal e urinário.

sábado, 22 de maio de 2021

Vem aí o Espírito Santo

No dia 24 de Maio já haverá missa na capela, mas ficam a falar os "Votos" do Espírito Santo, os pic-nics e os bailes. No entanto, como temos em arquivo desde que há Blog, muitas imagens da festa podemos recordar e rever o nosso/vosso passar pelo tempo e ver como crescemos todos, mas nos mais novos nota-se mais como esta 1ª que foi da festa de 2010:


Apesar de haver que comer e beber com fartura no recinto da festa, algumas famílias levavam "almoço", quase sempre convidavam amigos e familiares de longe ou de outras terras ali à roda e comiam ao redor da capela e por ali ficavam até à hora de merendar. Outras já iam comer a merenda em casa. 
Na véspera era uma azáfama a fazer a merenda: tudo do melhor que era dia de festa!! 
Se há tempo revejam mais umas imagens que valem mais que mil palavras e abraçam a saudade. 


E muitas mais há para rever, basta procurar no índice que está organizado por temas ou por ano civil.
Tantos já nos deixaram...

Com cuidado, façam a festa possível e para o ano que volte a tradição.
Bom Espírito Santo 🕊️

domingo, 16 de maio de 2021

1955 - Arrolamento Geral do Gado

Efectuado em 15 de Dezembro, os dados dum Forninhos eminentemente rural indicam:


Cavalares 1
Muares 0
Asininos 3
Bovinos 122
Ovinos 383


Caprinos 91
Suínos 126
Galinaceos (genero gallus) 610
Patos 14
Gansos 0
Perus 13
Pombos 3
Coelhos 153



O cavalo - dizem - era do Sr. Luiz Fernandes Abrantes falecido a 04-06-1966.
3 pessoas manifestaram ter burros, no total de 3. O meu bisavô Coelho, embora tenha falecido no mês anterior ao arrolamento, faleceu no dia 01-11-1955, tinha um burro.
Havia patos e perus e 1 pessoa manifestou que tinha 3 pombos
57 pessoas manifestaram ter bovinos 
30 pessoas manifestaram ter ovinos
68 pessoas manifestaram ter caprinos
74 pessoas manifestaram ter suínos
33 pessoas tinham coelhos

No total foram contabilizadas 1. 519 cabeças na nossa aldeia
Já lá vão uns anitos....

Fonte: INE -Instituto Nacional de Estatistica.