Seguidores

sábado, 11 de julho de 2020

A Vós hoje recorremos

"Pela Santa Marinha visita a tua vinha, tal a acharás, tal a farás".
E todos os anos assim é...depois das visitas às vinhas entramos em contagem decrescente, a vindima de 2020 está quase à porta. 
Vivem-se os tempos possíveis a pensar que os Amanhãs virão com outra normalidade, mas será possível a presença de grupos de gente nas vindimas no ano do corona?
Até agora, felizmente a nossa freguesia tem sido poupada, quem sabe por Santa Marinha ter por companhia no seu altar-mor o patrono das pestes medievais - o Mártir São Sebastião - e lhe ter pedido auxilio para o povo de Forninhos?
Eu pessoalmente creio em algo superior...
Creio mesmo que Forninhos também tem sido poupado dos incêndios devido à intercessão de Nossa Senhora dos Verdes!!


foto do ano 2012
Mas São Sebastião podia não atender o seu pedido, já que no ano passado devido à sua nudez o pároco proibiu-o de ir na procissão do 15 de Agosto, mas  por causa de um, não devem pagar todos (pensa o mártele para as suas flechas).
Então, acho que desta vez não devem deixar que um padre - que já deu provas suficientes que tem uma mente conspurcada -  decida ou proibia os mordomos, por exemplo, de transportar numa viatura engalanada o andor de Santa Marinha enfeitado de flores (e de São Sebastião se acharem bem) e assim percorrerem ao som do hino de Santa Marinha, as ruas de Forninhos no próximo Sábado: dia 18 de Julho. 
Já que não pode haver procissão, as pessoas com fé e devoção esperavam junto das suas casas com flores e colchas coloridas nas janelas e sacadas como manda a tradição.
Por não ser feriado religioso, o padre não rezou missa em honra do Espírito Santo, no Santuário de Nossa Senhora dos Verdes, portanto o mais certo é fazer-nos o mesmo no dia 18 de Julho, pois também não é feriado.
Só se rezar a missa de Domingo (19/7) no Sábado (18/7).
O seu lema é "posso, quero e mando": um domingo missa às 09h00, outro domingo missa à tarde e a missa do domingo seguinte ao Sábado à tarde e assim sucessivamente!
É tão previsivel que pelas minhas contas na próxima semana a missa de Domingo pode ser Sábado, dia 18-07-2020.
Se isso vier acontecer, e acho que é isso que vai anunciar, devia rezar a missa perante os andores de Santa Marinha e São Sebastião desnudo!
"Eu quero, eu posso, eu consigo" deve ser sempre o lema do nosso povo.
Seria algo bonito, diferente... 
Pode ler AQUI a história e o hino de Santa Marinha.
Sobre São Sebastião AQUI

sábado, 4 de julho de 2020

António Coelho

O aforismo "As pessoas não morrem, quando nos lembramos delas" diz-nos que, quando nos lembramos das pessoas, estas não morrem. É baseando-me no sentido deste aforismo que presto aqui homenagem ao grande carpinteiro António Coelho de Albuquerque, meu bisavô paterno.
Nasceu na Matela, freguesia das Antas, a 14 de Maio de 1874
Terá aprendido cedo a arte de carpinteiro, profissão que tinha quando com 33 anos de idade pediu passaporte com destino ao Rio de Janeiro - Brasil.
Sinal de que a profissão de carpinteiro não dava para sustentar a família (digo eu).
Aos  31 de Outubro de 1907, na Secretaria do Governo Civil de Vizeu "disse que desejando ausentar-se para o Rio de Janeiro por Lisboa pretendia se lhe lavrasse o termo da sua identidade de pessoa".
Ofereceu como testemunhas abonatórias Pedro Bernardino d'Almeida, negociante de Castendo e José Cabral Pinto, comerciante de Vizeu, 


os quais declararam que reconhecem perfeitamente o impetrante e d'isso tomam inteira responsabilidade".
O Ex.mº Governador Civil, vendo que o impetrante apresentou todos os documentos legaes e que ofereceu testemunhas abonatorias que merecem todo o credito, ordenou que o passaporte fosse concedido.
Era obrigatório haver alguém que "abonasse" a viagem (uma espécie de fiadores).
Os sinais do impetrante são os seguintes: Altura, um metro e 57 centimetros. Rosto regular. Cabelos castanhos. Olhos castanhos. Nariz regular. Boca ???. Côr natural.
Signaes prticulares 2 cicatrizes uma na testa (??) e outra pequena na sua face esquerda(??).

Fonte: Arquivo Distrital de Viseu.

Do que consegui perceber, qualquer pessoa que pretendesse viajar para fora tinha que requerer passaporte na Secretaria do Governo Civil. No documento constava o lugar de destino da viagem, a identificação do requerente, o estado civil, a idade, a profissão, a residência e várias características particulares como a altura, a cor dos olhos, do cabelo, nariz, barba e sinais particulares (muitos destes sinais eram cicatrizes e vestígios de bexigas).


No início do século XX, em cada semana ou mês, eram mais umas casas fechadas no povo. A toda a hora se ouvia: "Abalaram para o Brasil. Já abalaram. Foram todos". Havia um sentimento de perda, de vazio...
Mas é possível que António Coelho, meu bisavô paterno,  não tivesse emigrado...
A minha família diz que depois de casado viveu em Forninhos, onde trabalhou sempre como carpinteiro. Também trabalhou na agricultura, como era habitual naquele tempo, cultivando alguns pedaços de terra que herdou ou foi comprando. 
Também atendendo ao ano do nascimento dos filhos acho que não abalou para o Brasil.
Família:
Era casado com Emília de Andrade e tiveram 6 filhos:
- José, nasceu em Forninhos a 15 de Novembro de 1903.
Netos: António, Aida, Arminda, Emilia, Agostinho
- Maria, nasceu em Forninhos a 22 de Março de 1907  
Netos: Júlia, Margarida, António, Samuel, Natalia
- Arminda, nasceu em Forninhos a 26 de Dezembro de 1909
Netos: Darcilia, Antonio, Álvaro
- Armando, nasceu em Forninhos a 20 de Março de 1913
Netos: João, Augusta
- Álvaro
Netos: José, Rosa, Celeste, Antonio, Juvelina
- Abel
Netos:  Odete, José, Conceição,  Arminda, Manuel (Nel), Simão, Samuel

http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.com/2018/10/origens-da-familia-coelho-de-forninhos.html



O pedido do registo criminal é de 9 de Outubro de 1907.
A Comarca de Fornos d' Algodres atesta que dos boletins arquivados no registo criminal desta Comarca, nada consta contra António Coelho d' Albuquerque, casado, filho de José Coelho d' Albuquerque e de Carolina d' Andrade, natural do lugar da Matela, freguesia das Antas, concelho de Penalva do Castelo, d'esta comarca e morador no lugar e freguesia de Forninhos, concelho d' Aguiar da Beira.
Todos os documentos eram acompanhados do registo criminal passado pela Comarca e pelo registo de batismo do impetrante.


No seu registo de Baptismo, de 4 de Junho de 1874, ainda constam as seguintes informações:
Era neto paterno de Maria de Albuquerque e avô incógnito e materno de António Ferreira e Isabel d' Andrade.
- Foram padrinhos José Ferreira e sua mulher Guilhermina da Costa.



Faleceu no dia 01 de Novembro de 1955. Tinha 81 anos de idade. Está sepultado no cemitério de Forninhos.
Nasceu no mesmo dia o seu bisneto Zé 'pincho' que Deus já levou para junto dele.
Quem ainda o conheceu diz que quando estava doente foi visitado pelo pároco da aldeia, o Senhor Padre Valdimiro; e tendo manifestado a vontade de viver mais um ano o Senhor Padre respondeu-lhe: -"Deus faz-lhe a vontade porque pede pouco" e assim aconteceu.
Na sua época foi um carpinteiro de mão-cheia, muito competo, tinha habilidade para tudo, desde uma simples gamela e uma colher de pau, um baú para guardar a roupa, uma arca para armazenar os cereais à masseira de amassar o pão e à salgadeira onde se salagava e guardavam as carnes de porco enterradas em sal para todo o ano: assoalhava e forrava casas, assim como fazia as portas e janelas, armações para o telhado, carros para carga puxados por bovinos, assim como arados e outros utensílios para a agricultura; desde fazer camas, berços e caixões para meter os falecidos, às simples cruzes de madeira para sinalização das sepulturas, sabia e fazia tudo com muita classe.
Deixou como seguidores da sua arte o filho José Carau e neto António Carau, filho de José Carau, que tal como o seu progenitor davam saída a tudo de carpintaria. Depois da morte destes ninguém mais aprendeu esta arte.

* Carau é alcunha.

sábado, 27 de junho de 2020

Familia Pina

Encontrei por acaso na net a geneologia ligada à família "Pina" de Forninhos, originária de Dornelas, tendo raízes em Figueiró da Granja.
Alberto dos Santos Pina, conhecido por Alberto Figueiró, nasceu a 9 de Março de 1892, na Laje Grande, Dornelas. Era filho de Luiz dos Santos Pina e de Amélia de Jesus Coelho.
Proprietário e agricultor abastado, por herança e compra de propriedades rurais em Forninhos e Dornelas, onde seu pai com posses adquiriu três quintas quando ali se fixou vindo de Fornos (de Figueiró da Granja).
Casou no Posto Civil de Dornelas no dia 21-08-1917, com Maria da Anunciaçao d' Andrade, nascida em Colherinhas-Dornelas,  filha de José Pedro, de Forninhos e Elisa Augusta de Andrade, de Colherinhas, Dornelas.
Tiveram 7 filhos.
Os filhos deram origem a famílias....

Alberto Pina e Maria da Anunciação

Bónus para o ramo dos Pina de Fornos e dos "Pinas" cruzados com os "Coelhos" de Dornelas.
Isto são só umas pontas, mas já dá para os descendentes montar uma pequena genealogia para as gerações futuras.
Eu, por exemplo, que ainda os conheci, desconhecia que ambos nasceram em terras vizinhas de Forninhos.

domingo, 21 de junho de 2020

Tempos do Padre António Vieira

A propósito da estátua do Padre António Vieira,  situada em Lisboa, junto da Igreja de São Roque (onde ele pronunciou alguns dos seus mais brilhantes sermões), que foi recentemente vandalizada, fazemos saber que a nossa pequena aldeia esteve presente no mundo dos meados do século XVII, quando Portugal se estendia pelo mundo cosmopolito que o Padre António Vieira tinha criado e onde era actor...
Era do mesmo tempo o nosso jovem soldado Manuel Nunes, vítima da Inquisição por simpatizar com hereges.
Um homem livre que poderia ter ficado na Holanda a receber o seu soldo e onde haveria mais possibilidade de riqueza, mas que arriscou voltar a Portugal e voluntariamente apresentou-se na Inquisição de Lisboa.
Mais informações:
É pena não termos mais dados  sobre os descendentes deste soldado forninhense embarcado nas guerras luso-holandesas que se seguiram à Restauração da nossa Nação em 1640, ainda assim é um orgulho saber que a nossa pequena aldeia esteve presente no mundo nos meados do século XVII.
O nome "Nunes" existe em Forninhos e o "Gonçalves" de seu pai também, mas não sabemos se existe alguma ligação familiar.
Certamente Manuel Nunes teve contactos com espanhois, holandeses, protestantes, cristãos-novos e judeus.

Estátua do Padre António Vieira
pintada de vermelho

Para relembrar quem foi o Padre António Vieira escrevemos algumas palavras:
António Vieira foi um dos mais rigorosos artistas da palavra em língua portuguesa, foi "um imperador da língua portuguesa", como o chamou Fernando Pessoa; uma figura paradigmática da mentalidade seiscentista, missionário jesuíta, orador que atraía multidões, político e diplomata da Restauração, profeta do Quinto Império e vítima da Inquisição.
Nasceu em Lisboa, em 1608, sendo a sua avó paterna negra ou mulata, mas a origem étnica em nada afectaria a afirmação de Vieira na sociedade portuguesa do século XVII.
O Padre António Vieira projectou o que havia de mais universal na Nação Portuguesa, sendo percursor e humanista moderno reconhecido por toda da Europa de então nesses tempos agitados onde Portugal quase podia ter desaparecido se não fosse a sua habilidade e o seu patriotismo.
Foi um exemplo de homem lúcido e corajoso, capaz de lutar com denodo por aquilo em que acreditava e depois um Padre que baseou o seu viver e o seu pregar em concordância com os verdadeiros valores evangélicos.
Os seus sermões, proferidos a partir do púlpito da Igreja jesuíta de São Roque, atraíam tanta gente  que os nobres e burgueses mandavam os seus criados ao alvorecer para lhes guardarem o lugar.
Entre os seus sermões, alguns dos mais célebres são: "Sermão da Quinta Dominga da Quaresma", o "Sermão da Sexagésima", o "Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as da Holanda", o  "Sermão do Bom Ladrão", "Sermão de Santo António aos Peixes" entre outros.
António Vieira defendeu os judeus, a abolição da distinção entre cristão-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (aqueles cujas famílias eram católicas a gerações) e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes e a própria Inquisição.
Mais informações:

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Mentrastos


Conheço desde sempre os mentrastos, mas só hoje soube que desta variedade de menta (que eu apenas usava para aliviar a dor e comichão causada pela urtiga) podemos fazer infusões muito agradaveis ao olfato, pois espalham pela casa um aroma muito bom.
Crescem nas zonas húmidas, por isso abundam nos nossos ribeiros e convivem com silvas e juncos. Este fim-de-semana colhi apenas umas fotos de menta suaveloens no Ribeiro dos Moncões, em Forninhos, antes da floração no final da Primavera (as flores são cor-de-rosa, dispostas em espiga), mas para o ano vou experimentar a infusão, até porque são criados, sujeitos aos caprichos da natureza e não em estufas que é tudo sempre igual.
Ver mais dados e fotos aqui:
Em Forninhos, abundam muitas variedades de plantas que podiam muito bem ser aproveitadas para infusões ou chás, seria uma boa maneira de se fazer alguns ganhos extra numa altura de dificuldades.

domingo, 7 de junho de 2020

Catequistas, uma missão

Tal como na escola, a catequese começa(va) aos 6 anos. E, tal como na escola, em Junho começa(va)m as férias e havia a excursão.
De uma maneira geral, a catequese prepara(va) as crianças do 1.º ao 9.º ano (os anos na catequese correspondem aos anos escolares) para os sacramentos da primeira comunhão e do crisma.
Então aqui deixo uma foto de quando eu fui catequista do 1.º ano em Forninhos. No 1.º ano, as crianças já frequentavam a missa e tinham noção de como comportar-se durante a celebração. 
"Ide, fazei discipulos de todas as nações..." era a nossa missão.
Mateus 28:19-20
fotografia tirada pelo Sr. Pe.Flor

Já me é dificil reconhecer todas as crianças, hoje mulheres e homens adultos, mas
no sentido dos ponteiros do relógio, a seguir à Sra. Anunciação está a Cristina Vaz, depois a Leonor, a Sra. Mariana Carreira, depois o Victor Vaz, a Isabel, a Sra. Mariana Vaz (professora), a Dilénia e a Augustinha (estes nomes não são um espanto, mas são cá da terra, têm mais encanto, como diria o António Variações), a Lurdes e a Fernanda.
Eu também estou lá (sentada) e sei que meu lado está o meu primo Daniel e à minha frente o Zé (gémeos).

Excursão a Fátima e Batalha, Junho ou Julho de 1989.