Tamanqueiro foi uma das profissões manuais que houve também na aldeia de Forninhos. Os mais novos já não se lembram, mas numa altura em que os sapatos não eram para todos, havia pessoas em Forninhos que encoiravam calçado de pau: os tamancos e tamancas. Os tamancos eram um tipo de botas, feitos de couro ao natural e que depois eram encebados e nalguns casos pintados de preto; as tamancas ou socas eram um tipo de chinelas femininas, feitas também em couro natural, havendo-as também pintadas de preto. A base de ambos era feita de pau, normalmente de amieiro (matéria prima em abundância nas zonas ribeirinhas da nossa região) por ser um tipo de madeira leve e moldável e também por ser um material quente e seco principalmente para os meses de inverno, muito severo nesses tempos de antanho. Com brochas (pregos curtos com cabeça larga e achatada dos lados) pregados por baixo, para se não romper as solas, faziam um barulho muito característico quando se caminhava nas calçadas. Mais tarde, em vez de brochas, já se usava tiras de pneu para aligeirar o passo.
De Forninhos nomearam-me o o tio Aníbal (pai do tio Antoninho do Aníbal), tio António sapateiro (marido da tia Ilda), o tio Carlos Bragança, o tio Joaquim da Isabel, o tio Abílio Moca e o tio Funfas, um pedinte que Forninhos adoptou, que além de encoirarem as solas dos tamancos e tamancas, também reparavam alguns sapatos e botas que entretanto se tinham rompido.
Da mesma maneira que o fiz com os "pedreiros", "carpinteiros" e outros...quero neste 'post' prestar a minha homenagem aos "sapateiros" que protegeram os pés deste povo descalço, pois até à primeira metade do século XX era usual ver circular descalço, devido à ausência de meios económicos e também por hábito, já que muitos não conheciam outras solas que não as dos seus pés calejados. Esta realidade até é referenciada na "monografia de Forninhos":
"Os sapatos não se deitavam fora, arranjavam-se e duravam um vida. Aliás muitos dos testemunhos recolhidos em Forninhos apontam mesmo, para o uso de sapatos apenas em ocasiões especiais, sendo normal crianças e graúdos andarem de tamancos ou descalços nas suas atividades diárias." (pág. 173).
Mas no que respeita aos sapateiros de Forninhos, o que transcrevo a seguir já não é bem verdade:
De Forninhos nomearam-me o o tio Aníbal (pai do tio Antoninho do Aníbal), tio António sapateiro (marido da tia Ilda), o tio Carlos Bragança, o tio Joaquim da Isabel, o tio Abílio Moca e o tio Funfas, um pedinte que Forninhos adoptou, que além de encoirarem as solas dos tamancos e tamancas, também reparavam alguns sapatos e botas que entretanto se tinham rompido.
Da mesma maneira que o fiz com os "pedreiros", "carpinteiros" e outros...quero neste 'post' prestar a minha homenagem aos "sapateiros" que protegeram os pés deste povo descalço, pois até à primeira metade do século XX era usual ver circular descalço, devido à ausência de meios económicos e também por hábito, já que muitos não conheciam outras solas que não as dos seus pés calejados. Esta realidade até é referenciada na "monografia de Forninhos":
"Os sapatos não se deitavam fora, arranjavam-se e duravam um vida. Aliás muitos dos testemunhos recolhidos em Forninhos apontam mesmo, para o uso de sapatos apenas em ocasiões especiais, sendo normal crianças e graúdos andarem de tamancos ou descalços nas suas atividades diárias." (pág. 173).
Mas no que respeita aos sapateiros de Forninhos, o que transcrevo a seguir já não é bem verdade:
"...o sapateiro trabalhava por encomendas. Vinha o cliente, escolhia e encomendava o modelo. Depois pegava-se nos moldes com o número correspondente e riscava-se a pele. Peça por peça, delimitava-se a matéria-prima que depois de cortada, era molhada e esfregada para se tornar mais dura.
De seguida, juntava-se as diversas partes com a máquina de costura ou à mão, ganhando assim forma. Colocava-se o contraforte, as palminhas e cortava-se a sola, faziam-se os saltos ou tacões. Montava-se tudo, colava-se, cosia-se e faziam-se os acabamentos.
Um mestre experiente fazia um par de sapatos por dia. Era um trabalho árduo, sem higiene, sem horário, que exigia muita habilidade e capacidade para manusear os diferentes materiais.".
Estará o historiador/investigador a referir-se a um mestre sapateiro da aldeia vizinha da Matela - tio Valentim - que trabalhava por encomenda e em dias específicos (domingos) se deslocava a Forninhos para entregar as encomendas?
É possível.
Estará o historiador/investigador a referir-se a um mestre sapateiro da aldeia vizinha da Matela - tio Valentim - que trabalhava por encomenda e em dias específicos (domingos) se deslocava a Forninhos para entregar as encomendas?
É possível.
As imagens são meramente simbólicas, embora parecidas com as da época.





