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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Irmandade de Santa Marinha

A fila da Irmandade de Santa Marinha é um ícone imponente e simbólico da celebração de actos religiosos: festejos em honra de Santos, ladaínhas, procissão de domingo de Páscoa e do Corpo de Deus, funerais, etc. É bem plausível que a Irmandade tenha cerca de 100 anos, mas não existindo documentos que o comprovem, os testemunhos fotográficos são, contudo, uma mais valia para o enriquecimento da história da nossa terra. Sendo assim, hoje voltamos a publicar uma imagem reveladora do grande número de "irmãos" que incorporava a mística procissão de Santa Marinha:


Aproveito esta oportunidade, para prestar, aqui neste blog, a minha homenagem a estes homens que vestiram a capa. Eram homens que sabiam ser humildes e generosos, agiam em conformidade com toda a simbologia imbuída, na pertença à Irmandade de Santa Marinha.


Quase 50 anos separam estas fotografias, mas é curioso que tudo ainda nos pareça demasiado familiar. Porque será? A Igreja Matriz lá está; a oliveirinha e as "coitadas" também; e o casario histórico do Lugar vê a procissão passar.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A evolução das Habitações

Forninhos tem na sua história diferentes exemplos de construções de todas as épocas, desde as cavernas na Serra de São Pedro


às construções tipo dolménico, que foram destruídas, dizem, pelas crianças que pastoreavam os rebanhos e que por ali se entretinham a estragar estas habitações...


....é certo que não se trata de uma Comímbriga, mas nem só nas vilas viviam os romanos e outros povos e é de lamentar (digo eu) a perda de um património tão importante...

aos abrigos de caçadores ou pastores ou simples abrigo para o homem quando a agricultura começa a transformar a sua existência,


às casas rasteiras de pequenas dimensões, tanto no comprimento como na largura, que normalmente têm só uma porta, sem janelas,


tinham, quando muito, um janêlo na cozinha, para deixar sair o fumo


às casas de baixos e altos, em cantaria, listadas,


com as escadas e patim ou balcão e seus resguardos em pedra


Na época, no período de grandes trabalhos no campo, era frequente dividir a existência entre as casas da aldeia e as casas rurais simples e isoladas, que serviam também de armazenamento de produtos e incluíam currais para gado,


Com o evoluir dos tempos e a necessidade de mais construções, começou-se a utilizar outro tipo de habitação, de matéria já industrializada, como o tijolo, cimento, betão armado, ferro, alumínio, etc.


Para terminar, tenho uma pergunta: vale ou não a pena salvaguardar este tipo de património, arqueológico, arquitectónico, paisagístico, cultural?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Ancinho

A Cila exibe o ancinho e o David exibe o mangual

Nos trabalhos agrícolas, um dos instrumentos mais usados ao longo dos tempos são os ancinhos. O ancinho é um instrumento agrícola em forma de T, dentado (com dentes de madeira ou ferro), composto por um cabo comprido e quem conhece as lides da lavoura sabe que o ancinho serve para juntar palha, erva, mato, destorrar torrões, etc...e é aqui que começa "a história do ancinho", julgo que generalizada por toda a beira:
- Ó filho dá-me cá o ancinho - pediu a mãe, reparando que o mesmo estava aos pés do filho, que veio à terra pela 1.ª vez, depois de ter-se acomodado à vida da cidade.
O filho, emproado, e com cara de quem já não sabe o que é, pergunta:
- O que é um ancinho?
E no mesmo instante e antes da mãe lhe responder, põe o pé num dos dentes e o cabo comprido bate-lhe com toda a força na testa.
- Porra do ancinho - disse enquanto esfregava a testa.
- Ora vês como t´alembraste!
A história do ancinho era, no fundo, uma espécie de alerta ou aviso, para que os jovens que um dia saíssem da aldeia nunca deixassem de ser o que eram e que não renegassem as suas origens.

Foto: ancinho e mangual, Cortesia da Cila.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Andores

Vamos recordar os tempos em que os andores da procissão de Nossa Senhora dos Verdes tinham crianças vestidas de anjos, de bombeiros, Jesus Cristo, os 3 pastorinhos de Fátima e outros elementos que os decoravam. Então cá ficam estas recordações para verem como cresceram os mais novos e por onde andarão:
Sagrado Coração de Jesus, uma presença em todas as procissões
crianças vestidas de Cristo e Pastorinha

No andor do Menino Jesus os bombeiros serviam de guarda de honra
Recordam-se do andor de Santa Rita e destes anjinhos?

terça-feira, 28 de junho de 2011

São Pedro

fotografia já com quase vinte anos

Façamos uma viagem no tempo, altura em que para execução da bula em que João XXII concedia a D. Diniz por três anos a décima de todas as rendas eclesiásticas de Portugal, para subsídio da guerra contra os mouros, foi preciso organizar um catálogo de todas as igrejas e mosteiros, por dioceses, arciprestados e regiões, e averiguar o respectivo rendimento anual. Como resultado dessa diligência terá aparecido o "Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia no reino de Portugal e Algarves pelos anos de 1320-21, com lotação de cada uma delas.".

O falecido padre Luís Lemos, gostava de história e interessou-se pela história destas terras e dizia que no roteiro das igrejas de 1320, todas as igrejas que têm S. Pedro por padroeiro estavam sob o patrocínio do Pescador e que tanto quanto conseguiu apurar era patrono de todas as igrejas da Terra Aquém do Monte. Segundo esse documento de 1320, transcrito por Fortunato de Almeida na sua História da Igreja em Portugal, na relação das igrejas da Terra Aquém do Monte aparece a igreja de São Pedro de Penaverde; a de São Pedro de Penalva do Castelo; a de São Pedro de Infias; também aparece a de Santa Maria (Maria Madalena?) da Matança; a de Santa Maria de Algôdres; a igreja de Fornos de Algodrez, entre outras...
Decorre desta lista que a Igreja de São Pedro de Penaverde foi taxada em 150 libras, sendo que a mais taxada do bispado, foi a de São Pedro de Penalva, em 350 libras, ficando outras igrejas abaixo destes valores.
"Aquém do Monte" que monte seria?
A informação não abunda e o que se conhece deve-se ao livro do Pe. Luís, de que transcrevo partes:
"1) Na raíz etimológica de Penaverde está "Penn" que significa "monte fortificado" ou simplesmente "monte", "elevação" (...) Ao enumerarem as igrejas da "Terra Aquém do Monte", os inventariadores começaram por aqui.
2) "Montes", e "Casal do Monte" são aldeias situadas no monte Almançor, a Serra do Pisco. Repetimos: foi por lá que começaram os inventariadores.
3) (...) para "além" era Trancoso - na divisão eclesiástica."
Vem tudo isto a propósito da festa de S. Pedro, que a igreja católica celebra amanhã, dia 29 de Junho, que pelos vistos foi o primitivo padroeiro destas terras.
Como desapareceu o Pescador e terá vindo o mártir de Verona?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

As Cantigas Populares

Iniciamos hoje um novo espaço neste blogue dedicado às nossas cantigas populares. E para primeiro destaque escolhemos uma que antigamente se cantava assim:

Já te dei meu coração
ai coisa que eu dar não podia
Já te dei a melhor prenda
ai que no meu peito havia

Refrão:
Toma lá dá cá
Dá cá toma lá
O meu coração
Arrecada-o lá

Em 1992 existia em Forninhos um grupo de música popular, mas que rapidamente se extinguiu. Quem agora vai cantar as nossas cantigas?