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sábado, 21 de dezembro de 2019

Imagem de Natal

Chegamos ao Natal.
Cumpre-nos deixar aqui expressos os votos de✫¸.•°”˜˜”°•.✫ ❤(⁀FESTAS FELIZES⁀)❤✫¸.•°”˜˜”°

presépio da capela de N.S.dos Verdes

Naquele tempo, Maria, esposa de José, deu à luz um Menino que quis ser como nós, tinha trinta e três anos quando morreu numa cruz para nos redimir depois de andar a espalhar a Palavra da Paz, do Amor. 
São Francisco de Assis deixou-nos a tradição do presépio, mas alguém nos deixou esta belíssima pintura setecentista do tecto da nossa capela, emoldurada por um caixotão de talha dourada decorado com elementos florais.

***2009 - Bom Natal -2019 ***

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Pinheiro manso - Uma raridade em Forninhos

Ainda me lembro de nos idos anos 70, haver um imponente pinheiro manso em Forninhos,  no lugar da Portela; coisa rara na zona, pois pouco eram vistos cá para o interior. Um pinheiro frondoso e diferente, bonito, que recordo "de passagem" apanhar pinhas e comer aqueles frutinhos saborosos, hoje tão caros que até dói  a alma só de pensar no preço! 
Chamam-lhe o ouro branco da floresta.
Chegou a haver uma razoável extensão de pinhal manso no Boco, pertença de uma só família, mas em Forninhos, que me lembre,  só havia este, o pinheiro manso do Sr. Amaral.
Coisa de ricos.


a copa do pinheiro manso é redonda,
assemelhando-se a um cogumelo

A informação que existe é que após o seu corte, foi utilizado para madeira. O banco de carpinteiro do meu saudoso tio António Carau, tinha duas pranchas de pinho manso (cortesia do Manel "do rancho").
Mas não julguem que naqueles idos anos 70,  íamos lá buscar pinhão à vontade!
Não, de passagem, lá se apanhavam umas pinhas que restavam perdidas ou ao abandono, tipo rebusco. 
Os ricos são regra geral avarentos e pinhão rima com milhão....

domingo, 8 de dezembro de 2019

Hoje era "Dia da Mãe"

Há alguns anos atrás, o Dia da Mãe era comemorado no dia de hoje, 8 de Dezembro.  Os menos jovens, durante muitos anos fizeram deste dia um dia muito especial, mas alguém tomou a decisão de passar a comemoração, no nosso país, para o 1.º domingo de Maio e "não havia necessidade" como dizia o diácono Remédios. Hoje sequer se mencionou na comunicação social esta bonita data (pelo menos eu não vi/ouvi) então os meus votos de feliz Dia da Mãe deste ano, são dados pelas mãos de Laura Costa que foi ilustradora de livros infantis e desenhou uma série de postais de Natal que foram publicados pelos CTT durante vários anos, na década de 1940.


Neste desenho (que foi capa do disco "Natal em Portugal" de Shegundo Galarza "), editado no final dos anos 70, entre 1977 e 1979, está representada a comunhão, a divisão de trabalho, a colaboração e a intimidade e traz ainda a saudade dos tempos de infância em que sobre o lume da lareira as mães faziam as tradicionais filhóses. Era um ritual muito desejado pelos filhos. Depois de fritas as filhóses eram colocadas num grande prato e polvilhadas com açúcar.


Tão boas que eram quentinhas!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Protestar, um Direito

Repousam em caixas do Arquivo Histórico da Assembleia da República, as muitas representações (protestos) das então Câmaras dos concelhos extintos e das respectivas populações do século XIX.
Trago aqui um Parecer que confirma que os habitantes da extinta Villa de Fornos de Algodres e das extintas Villas de Figueiró da Granja e Infias, não estavam contentes por incorporados no concelho de "Algodres".
Ninguém gosta de perder nem a feijões!


Este Parecer de 10 de Maio de 1837, arquivado no Arquivo Parlamentar, sobre a então Villa de Algodres é claro: é uma insignificante Villa, que não apresenta a menor comodidade aos povos do concelho, que ali foram obrigados a ir tratar do seus negócios; 




acrescentado mais que nenhuma espécie de comércio e contacto existe entre os povos do concelho com a referida Villa; quando pelo contrário a extincta Villa de Fornos é a maior em população, tem excelentes edificios, póprios para o serviço de audiências gerais e ordinárias, uma magnífica casa de Camara, diferentes lojas, em que se vendem os generos necessários à vida e aonde vão prover-se todos os habitantes do concelho; um correio assistente, um mercado mensal, estando além disto sobre a estrada real, que serve de trânsito às tropas das províncias da Beira Alta, e Baixa, além de muitas outras razões não referidas por a comissão  d' estatística julgar suficientes para o deferimento. 
O parecer ainda refere que sejam desanexadas e reunidas ao de Aguiar da Beira as quatro freguesias, de Dornelas, Forninhos, Penaverde e Queiriz, que formavam o antigo concelho de Penaverde.
Um exemplo de como os serviços podem ser preciosos em tempo de reformas administrativas.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Um pombal tradicional

"Os pombais correspondem a construções especialmente preparadas para albergar pombos e destinam-se a cumprir uma ou várias das seguintes funções: produção de carne (borrachos e pombos); produção de estrume de pombo denominado por "pombinho"; simbolizar ou ostentar poder, riqueza, melhoramento estético de uma propriedade e entretimento (columbofilia)".

Pombal com Gargula

À semelhança de outras regiões do país, bem perto dos Valagotes-Forninhos, em território do concelho de Penalva do Castelo, podemos encontrar rebocado de argamassa de cal, com uma pequena porta (para entrada e saída do dono) um pombal tradicional de planta circular. No telhado uma plataforma de entrada e saída dos pombos.
Está numa propriedade privada, que foi do Senhor Adelininho, que apenas serviu, disseram-me,  para ostentar poder, riqueza; não funcionava como fonte alimentar (tanto melhor que fosse assim).
Há ainda muitas pessoas que se lembram ver o pombal e bandos de pombos "quando eu era rapazote passei lá muitas vezes a caminho da Matança. E no Mosteiro também havia um da familia dos Coelhos, que ainda se pode ver, fui lá uma vez com o Ilídio Marques buscar pombos para entretimento. Foram-se os pombos e os pombais, vieram os frangos e os aviários".

Ano 1892

Por parte do município de Aguiar da Beira e municípios vizinhos, com afinidades comuns, não seria possível a recuperação dos pombais da nossa região, sei lá...para postos de vigia de fogos...para algo últil e bonito por esses campos fora?
Afinal são património da região, um património arquitectónico, cultural e é uma pena o seu abandono.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Era uma vez um cemitério...

Durante séculos os enterros foram feitos na igreja. Sabemos que em Forninhos "dentro da igreja de fronte da porta travessa debaixo do caixam da confraria do Senhor" foi sepultado António Fernandes (ANTT, Paróquia de Forninhos, Registos Mistos -1634/1761)- lv. 1, cx 6,fl.126). 
No século XVIII, certamente devido à sobrelotação da Velha Capela-Mor e/ou construção da actual Igreja Matriz, os enterramentos passaram a realizar-se no adro da mesma e só os ricos tinham direito a uma pedra tumular.
Recorde-se que no dia de "Todos os Santos", acabadas as cerimónias, a criançada corria para as campas dos familiares da Dona Olímpia e da Dona Laura para apanhar as velas, pois eram as únicas que as tinham. 
Nos anos 40 do séc. XX é feito um cemitério novo e o cemitério velho ficou ao abandono (na minha meninice, já nada havia que identificasse as sepulturas).
Há uns bons 9 a 10 anos, escrevi umas linhas sobre...
http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.com/2010/01/cemiterio-antigo.html




Na minha última visita ao cemitério de Forninhos quando vi a legenda "À memória de todos os falecidos naturais desta freguesia que não se encontran sepultados neste cemitério Homenagem da J. Freguesia 01.11.94" fotografei a mesma para mostrar que mesmo sem todos os corpos trasladados ao menos ficámos com um Memorial da Nossa Gente naquele novo cemitério.
Há quem diga que estas iniciativas servem para os autarcas se autopromoverem, mas eu não acredito que em 1994 fosse essa a intenção do Presidente da Junta.
Então, apetece-me dizer Bem-haja...muito bem-haja por dignificar a memória dos que ali não foram sepultados.
Já o cemitério antigo continua abandonado e...nem acreditei no que vi no "Dia de Finados"...caibros antigos aos  montes:



Uma imagem vale mais que as mil palavras que aqui poderia registar, para falar do enormíssimo desmazelo...