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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Amigos de outros tempos!


Penso que para os forninhenses não é difícil reconhecer os homens desta fotografia. Sobre ela apenas sabemos que retrata um grupo de amigos da aldeia de Forninhos. Eu, se não tivesse reparado na garrafa, à primeira olhadela, diria que foi tirada à porta da nossa Igreja
Mas digam lá quem são...e em que época e local acham que foi tirada esta foto? 
Esta memória também serve para nos lembrar como a vida é curta.

«Estes senhores de Forninhos estão tão fotogénicos e aperaltados que nenhum merece ficar no anonimato.
Vamos lá então identificá-los por ordem, da esquerda para a direita:
Tio Joaquim Melo, Tio Maximiano do Afonso, Tio Porfírio (Fôrra), Tio Armando, Tio Zé Maria (Índio) e Tio Abel Peleira.

...»
XicoAlmeida, a 10.05.2013.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Hortas

Nas hortas e quintais de Forninhos já temos:

batatas crescidas,
favas,
alhos,
ervilhas e alfaces,
morangueiros,
as macieiras em flor
e videiras a brotar.
Somente para elucidação de alguns leitores que porventura desconheçam: Forninhos é terra fértil. Produz milho, feijão, batata, vinho, azeite etc... nos terrenos vulgarmente designados por 'Olivais', 'Gândara', 'Cabreira', 'Picão', 'Santa Maria', 'Estracada', 'Cerca', 'Androas', etc etc. onde o agricultor ainda hoje levanta muros, pesquisa águas, planta videiras e árvores...procurando assim valorizar as propriedades.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pesos e Medidas

Como se media a bebida, os líquidos? Para a compra e venda do vinho, tanto quanto sei, era medido em almudes (cântaros). Por exemplo, no concelho de Aguiar da Beira: um almude (30 litros) e um cântaro metade disso (15 litros); e depois, havia as medidas de 1 litro, 1/2 litro, 1/4 litro e 1/8 litro. Mas nas tabernas e feiras falava-se de um quartilho ou meio quartilho de vinho. Estas medidas eram regulamentadas e uma vez por ano eram presentes às autoridades municipais para serem aferidas e seladas com um selo próprio (de estanho), como as da fotografia:

panóplia de medidas pequeninas

O funil e a cantarinha também levavam o mesmo selo.
E os sólidos como se pesavam? 
As medidas usadas para medir o centeio - o nosso pão -, milho, batata, castanha, queijo, e de que me lembro melhor, são:
- um alqueire de pão (13 quilos aproximadamente).
- uma arroba de batata: 15 quilos, que ainda hoje se fala.
Outra medida, o quarteirão (25 sardinhas ou chicharros).

Alqueire

Hoje, toda a gente para comprar ou vender já usa o quilo e o litro, mas vocês leitores terão decerto lembrança de outros indicadores de peso e de medida que hoje já não usamos e, por tal, espero contar com a vossa recolha, que sendo pessoal melhor ainda.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Forninhos- Divino Espírito Santo (2013)

Será dia 20 de Maio, quando as flores já alindam os nossos campos. O dia começa com a saída das procissões às 10h45 rumo à Capela e com missa campal, ao meio-dia. 
A tarde será animada com boas comidinhas, bons petiscos, com serviço de bar, música ao vivo, bailarico e cantorias...sem hora de fecho, claro!


E, até lá, quem puder vá ensaiando o pezinho para a dança. O Arraial começa pelas 21h30 de Domingo, dia 19, com o Grupo Musical: INNEM. Segunda-Feira, dia 20, Depois da oração do terço (rosário): TaskaVelha. 
Contamos com todos!

Nota muito importante:
No dia 3 de Maio, é "Dia de Santa Cruz". O Voto, Procissão de Ladaínhas à N.S. dos Verdes é, de manhã, pelas 9h00. De seguida, colocam uma cruz de pau nos campos já semeados, para que durante o ano, a peste, a praga, a trovoada, não entre nos nossos campos e a fome na nossa casa. 
Você já pensou o porquê desta antiquíssima tradição?

Veja aqui a lenda, história e explicação.

sábado, 27 de abril de 2013

"Gatos Pingados" (ou não)



Na minha terra, Forninhos, todas as casas tinham um gato. Ou dois...a sua função era caçarem bicharocos como lagartixas, osgas e, principalmente, ratos, pois em tempos mais antigos não havia raticidas e, por isso, todas tinham gatos para os caçar. Um provérbio inspirado nesta situação é: "casa que não tem gato, tem ratos".
Baptizados de: Malhado. Farrusco. Pintado. Tareco. E até Platini! Penso que havia mais nomes que, neste momento, não recordo. Mas, para nós, crianças, era perfeitamente natural chamar os gatos daquela maneira inconfundível: "Biiichiiinhooo, bsbsbsbsbsbs..." e o bicho vinha e aguardava pela comidinha ou pela "festinha" - pela mão que lhe acariciava o pêlo. Agora, com as casas cada vez mais vazias (também de ratos lololo) serão menos frequentes os gatos. Quando se sai da terra...e depois se volta é que uma pessoa dá por ela... 
E, quem não se lembra do buraco na porta da casa ou da adega para que o gato pudesse passar? 
Por falar do tal buraco, não deixem de visitar este "Post": Os Cravelhos.
Já agora, apresento-vos o gato dos meus pais, o "Max":



Bom Fim de Semana.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Minérios, uma história antiga

Não sei se os leitores forninhenses sabem que no tempo da Guerra de 1939-45, foi descoberto um filão de volfrâmio (minério na nossa terra), na linha de água à volta do sítio do Picão, em Forninhos. O local ficou conhecido como o "Poço do Minério". Sem que se possa ser confirmado, o poço tinha 10/12 (?) metros de profundidade e têm referido que existe, por baixo, ainda um 2.º poço, maior.
Imaginam como se desenvolvia o processo de recolha? A cavar, escavacar e limpar. Como na mina havia água a correr, os “mineiros”, deixavam escorrer a terra, retendo num crivo as pedras, das quais só guardavam as que tinham metal agarrado e, ao final da semana, era vendido a intermediários que o transaccionavam para terceiros, de modo a que no final o minério fosse parar às mãos de ingleses e de italianos (o metal comprado pelos italianos era encaminhado para as grandes fábricas de armamento existentes na Alemanha, visto que estes eram aliados dos alemães nessa guerra). 
Também apareceu na nossa zona outros metais de importância naquele tempo: estanho e berílio, mas que hoje não têm qualquer valor…
E será que ainda existe minério no poço? Acho eu que sim, que ainda deve haver a grandes profundidades, só que se tentarem encontrar por lá minério, hoje, não fiquem frustrados se não lhe virem nem a cor.
Talvez também não saibam que muitas pessoas de Forninhos (algumas ainda vivas), do poço do minério tiraram contos e contos de réis que, como vieram assim se foram, deixando rastos de vícios e de bebedeiras. Mas, outros livraram as suas famílias de apertos e até de dívidas, algumas pessoas jovens puderam inclusive dar dinheiro do minério aos seus pais e estes puderam comprar coisas importantes como uma junta de vacas. Para os preços da época o minério era muito bem pago. Os homens ganhavam 10 a 12 escudos por dia (um euro de hoje, são 200 escudos de 2002).
Comparo o fenómeno “minério” com o que se passou mais tarde com a emigração que, apesar de muitos traumas e problemas, do ponto de vista do rendimento familiar foi vantajosa para muitas famílias.
O fenómeno "Minério" passou-se há 70 anos na nossa terra, somente o apresento aos leitores do blog, pertencendo à Geologia uma análise mais profunda. Mas sempre acrescento que o tungsténio (volfrâmio é o nome popular para o tungsténio) é raro no mundo e que Portugal é dos países onde ele existe.


O volfrâmio é castanho, mais para o escuro e por vezes acompanhado de um pó também castanho. É muito duro e era usado no fabrico de balas e de canhões.

O estanho é cinza claro, às vezes com uns veios quase brancos; O estanho, além de anti-corrosivo é usado no fabrico do bronze – que recobre armas expostas às intempéries (as da Marinha, por exemplo).