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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Os Expostos

O recurso à Roda dos Expostos, pelas famílias carenciadas, para obtenção de subsídios para sustento dos filhos, mostra-nos a miséria em que viveram os nossos antepassados.


Portaria de 14 de Março de 1838, que autorisa a derrama para
a sustentação dos expostos do Municipio da Villa de 
Aguiar da Beira

A Portaria consultada permite-me afirmar com segurança que no Município da Vila de Aguiar da Beira também houve Expostos, meninos de ninguém, desespero, vergonha, pobreza, incapacidade parental....
Então porquê o silêncio?
"Os expostos não eram anónimos, ou desprovidos de reconhecimento por aqueles com quem conviviam. É gente que cresce, casa, usa e toma apelidos de diversa origem: da família que o criou, dum padrinho ou duma madrinha, duma profissão que entretanto aprende..." (wikipedia).
No Arquivo Militar, por acaso (só por acaso) encontrei o registo dum soldado de Forninhos, filho de pai incógnito e de Maria Ferreira Coelho, com o apelido "Exposto", nascido em 1846.
Quando li este nome "António Exposto" lembrei-me logo dos meninos expostos, mas só o acesso ao registo de baptismo possibiliaria saber se foi mesmo uma criança exposta.
Neste momento não me é possível.
Tenho esperança que isso venha a acontecer...seria muuuuiiito interessante saber se existiu uma roda ou casa de Expostos na Vila de Aguiar da Beira, locais de origem das crianças, o número de progenitores que recorriam aos subsídios, etc...


Antóno Exposto; ocupação: alfaiate

Quando encontrei este nome ainda me preocupei em questionar algumas pessoas sobre o apelido "Exposto" e pessoa da família (como de Maria Ferreira Coelho). Ninguém foi capaz de fornecer-me qualquer informação útil, ou seja, nada sabem em Forninhos!
Mas este artigo não deve ser visto como um produto final, mas sim como uma etapa que deverá despoletar novas fontes...

12 comentários:

  1. Boa Noite

    Simplesmente fantástico...
    Sempre em busca de detalhes e de HISTÓRIA....

    Notável
    Parabéns
    MG

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    1. Obrigada MG.

      Talvez eu nem seja a pessoa mais indicada para fazer este trabalho, mas é um desafio para mim.

      Boa noite.

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    2. Paula


      Felizes os que fazem da vida um Deasfio de Desafios.
      Que honram os seus antepassados olhando a sua Histôria
      Com estórias sem fim.
      Gente existe parada há anos ,vazia ,caminhando á espera
      de nada. Porque nada fazem , quando tanto podiam fazer.
      Gente espreitando a maldade pela fechadura , atrás de portas de angústia e drama.

      Você , Paula , não . Você desafia o seu saber , partilha
      informa e divulga .
      Acho que FORNINHOS lhe deve um bem haja...

      Sabe, de modo diferente também sou assim.
      Desafios.Desafios.Desafios.Paro quando morrer.
      Mas garanto Morrerei de consciência tranquila.
      Nunca me escondi de nada nem ninguém...
      De Ponta do Pargo a Freixo de Espada A Cinta...
      Trancoso ou Aguiar....onde dormi algumas vezes..

      Talvez e também ,por isso " viciei-me" em ler o seu Blog.
      Um desafio....
      Forninhos o " Lugar " que outrora me recebeu...
      O seu Blog um recanto para dizer obrigado a quem
      Um dia lá me acolheu....

      Quatro anos depois aqui estou ....
      Qual " Cabaça" me quis calar....


      Grande Abraço Paula
      Continue
      Boa noite

      MG

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    3. Quem informa tem a obrigação de estar um passo adiante dos leitores, pois para isso se prepara e investiga...e, como a partilha, no meu entender, não pode ser uma palavra vã, tenho informado o pouco que sei e posso, depois cabe aos leitores que frequentam esta página apreciar como lhe aprouver o que se disponibiliza.
      Pelo excelente trabalho que acho tenho feito em prol de Forninhos já tive bastantes agradecimentos de forninhenses a viver fora (até materiais); de Forninhos que me lembre não, parece-me que mais por fuga à reprovação de alguns do que por vontade própria. Mas isso não me aborrece, pois não vejo que façam melhor.
      Bom fim de semana.
      Obrigada pelo incentivo.
      Continue por aqui que ainda temos mais algumas surpresas.

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  2. Respostas
    1. A miséria, os pedidos de subsídio, o abandono de crianças, são coisas muito mais antigas do que nós pensamos!
      Bj

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  3. Respeito e agradecimento, é o mínimo que posso dizer do teu trabalho abnegado, na forma em que pesquisas a nossa história, vais colando pontas soltas e embora eu saiba o gosto com que tal fazes, sou testemunho de tantas horas de entrega. São Coisas por demais importantes que depois de as descobrires e tornares públicas, só e apenas as entidades competentes manifestam incapacidade ou má vontade em lhes dar o devido valor. Este tema é demasiado importante, à semelhança de tantos, mas que parece que o poder instituído o quer ignorar por mostrar ao povo que todos os males nos passaram ao lado.
    Hà muitos anos, ia a Forninhos a biblioteca ambulante da Gulbenkian que me trouxe o gosto da leitura, infantil para mim e a minha paixão era ler e reler o livro "Pequenu, no país dos pequenos", acho que era assim e uma das personagens questionou: " se temos mais mar que terra, porque não somos o planeta mar?".
    Apetecia responder que gostamos de morrer afogados, mas somos mais de avestruz, enterrar a cabeça na areia.
    Parabéns Paula e força!
    Beijo.

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    1. Tal como seria bom que toda a criança pudesse nascer e crescer com os pais biológicos, também era bom as autarquias investirem um pouco mais na História das terras que representam, no caso, seria uma forma de relembrar centenas de desconhecidos que durante séculos tiveram também um papel importante no concelho. Prestar um pequeno tributo aos nossos antepassados nao deve custar assim tanto!
      E digo "nossos antepassados" porque ciente que todos podemos ter um antepassado exposto!
      Quem foi António Exposto?
      Quem serão os descendentes da família do António Exposto?

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  4. Muito interessante e espero pelo resultado da sua investigação sobre este assunto, aproveito para desejar a continuação de uma boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

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    Respostas
    1. Vamos ver o que Forninhos irá fazer, só com apoios da autarquia será possível levar esta ou outra investigação até às últimas consequências.
      Um abraço e um bom fim de semana.

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  5. Boa tarde Paula,
    Desconhecia a existência destes factos!
    Pelo que me apercebo (e li na net) as crianças eram enjeitadas por falta de recursos e entregues através da roda a outras pessoas que delas tomariam conta, sem que se visse o rosto de quem entregava a criança e o de quem a recebia.
    Não sei se entendi bem, mas vou aguardar os desenvolvimentos para quando a Paula conseguir obter mais elementos.
    Um beijinho e continuação de bom domingo.
    Ailime

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    1. Pelo que li (na net também) não era só por falta de recursos (pobre era quase toda a gente), o abandono de crianças seria mais por fuga à reprovação social (relações fora do casamento) do que por necessidades materiais. Muitos dos expostos eram deixados na roda com algum enxoval: jaqués, peças de linho, carapuços, xailes, etc. Algumas traziam mesmo alguns alimentos (principalmente açúcar), portanto, os "enjeitados" não seriam apenas crianças de famílias pobres e nas famílias pobres, além da mão de obra, os filhos eram o único amparo dos pais, se estes chegassem à velhice. Algumas famílias pobres até acolhiam crianças enjeitadas porque não tinham filhos ou os seus lhes tinham morrido todos ou quase todos.
      Beijinhos.

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