Uns partiram à busca de melhores vida por cá e lá para fora, outros ja haviam partido e mandavam cartas de chamada para as Américas; damos por nós na volta dos anos sessenta agarrados à rabiça do arado e à enxada, as armas dos que iam restando pois os braços mais rebustos iam pegar nas armas da guerra no ultramar, para defender o sonho de um louco.
Ficaram muitas mulheres (mais tarde viúvas), crianças (mais tarde orfâs), e uns quantos homens e mancebos na agonia da miséria e ansiedade pela sorte dos seus, vulneráveis a tudo o que lhes podia acudir. Queriam esperança para o dia seguinte, queriam notícias da carteira que esperavam à porta do pátio, sonhando com tudo menos o aerograma, pronúncio de morte.
A "mão divina", vem em auxílio desta gente desesperada, semeia nas sua homilias a mensagem de oração e reflexão, incentiva e fortalece associações sob a tutela do arciprestado, tal como a Juventude da Associação Católica que tantos teatros montou, pois crianças não faltavam e havia que as catequizar, mas e isto desconhecia, os homens tiveram direito à Formação da Liga Eucarística dos Homens. O Salazar não era "burro" e pelo braço dos esbirros, entendeu que a vantagem das mulheres de nada valiam.
No meio de tantos interesses, era premente a aparição da "mão divina", os padres e o seu séquito que num instante e fruto da maldição dos pecados perdoados na confissão, mas não esquecidos, convencem esta gente nobre mas analfabeta a fazer um retiro espiritual, para acreditarem na Providência e no sentido do sacrifício.
Aqueles que foram de Forninhos, foram na maioria durante três dias para o antigo seminário de Viseu (foto) e nem quero imaginar o modo com oali entraram e saíram, longe dos seus e hábitos diários.
Um dia na Casa do Retiro, começava ao levantar, oração, pregações e meditação, leituras, almoço, mais leituras, lanche depois do terço e outra vez a capela para a oração da noite e deitar.
Não perguntei se isto era pago ou por quem, afinal insondáveis são os mistérios do Senhor, mas no meio desta pesquisa ouvi alguns desabafos acerca das senhoras do JAC, eram o clube das solteironas e beatas.
Acerca dos homens fiquei a saber que muitos davam catequese e que tinham uma Liga com o privilégio de uma vez por mês cantarem na missa dominical, no intitulado Dia da Liga:
"Homens alerta
À frente unidos
Com Cristo-Rei
Todos a marchar
Sejamos bravos
Lutar a vida
Nós faremos
Cristo-Rei reinar"
Se era para aprenderem isto nos retiros, mais valia terem ficado em casa e não ficavam "agarrados".