Hoje trago até vós, um pouco do que sei sobre os moínhos da nossa região. Não fui moleiro, mas sei como funcionavam, não porque mo dissessem, mas porque despejei alguns grãos (milho e centeio) na moega e apanhei a farinha para a taleiga. Nestes engenhos movidos a água, havia dois tipos de moínhos, os que tinham um proprietário (o moleiro) e a sua vida era percorrer as aldeias vizinhas com o burro, recolhia as taleigas, tirava a maquia, moía e levava a farinha ao seu cliente. No regresso trazia mais grão (coitado do burro, não tinha descanso). Havia os outros, de partilhas, como era, creio eu, o da Carvalheira, que tal como as águas era repartido o tempo pelos herdeiros para moerem o seu grão.
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| moínho da Carvalheira, para além dos restos de um rodízio, pouco mais resta do que as paredes |
As sucessivas partilhas pelos herdeiros dos titulares deste espaço de tempo para moagem, ía diminuindo com o tempo em cada partilha. Hoje ainda há pessoas que dizem ser donas de uma parte deste moínho, mas o certo é que, e talvez por isso, a sua recuperação para memória futura, se torne mais difícil.
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| rodízio do moínho ainda com as suas penas |
Este engenho, tinha como rolamento, um seixo (quartzo) reboludo no fundo e a lubrificação era a própria água.
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| rodízio em movimento, movido pela força da água ejectada pela caleira |
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| mó de cima, mó de baixo, moeja, calha e trambelo |
O movimento da de cima fazia vibrar o trambelo, esta a calha, e o grão caía conforme o regulamento que se lhe dava, e como se vê pela disposição das mós, a farinha vinha cair na frente.
Nota: algumas imagens são de um moínho da freguesia de Dornelas.