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sábado, 31 de agosto de 2019

A latada

As uvas na latada parecem querer lembrar-nos aquela história da "raposa e das uvas" que por estarem altas dizia estarem verdes.
Mas não tarda vai ser outra a história...


pois os cachos estão a amadurar e prometem uma boa sobremesa 🍇 🍇 🍇 


É tão bom reparar nestes pormenores e por tal, esperamos que vos desperte o prazer de recordar a alegria das vindimas. Sabemos que hoje tudo se faz ao ritmo da hora (tempo é dinheiro), mas as uvas ainda são o que eram.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Festa da N. S. dos Verdes, os andores

Aconteceu, como acontece sempre desde que há memória, a 15 de Agosto, em Forninhos a Festa em Honra da Nossa Senhora dos Verdes. Este ano destacamos os andores da procissão, santos e santas que merece(ra)m neste dia acompanhar a advogada dos frutos e sementeiras.

Altar de N.S.dos Verdes




Andor de N. S. dos Verdes

Aos mordomos fica o reconhecimento pelo trabalho feito nos festejos religiosos no terreiro de Nossa Senhora e também pagãos, na Lameira.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Nossa Senhora dos Verdes

Mais uma vez se vai realizar no dia 15 de Agosto a tradicional e centenária festa em honra de Nossa Senhora dos Verdes. Há que treinar as cantigas:


I
Nossa Senhora dos Verdes
Vossa capela cheira
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira a flor de laranjeira
II
Nossa Senhora dos Verdes
Que tendes na mão que cheira
Camisinhas do Menino
Que vão para a Lavadeira
III
Nossa Senhora dos Verdes
Quem vos varreu a capela
Foram as moças de Forninhos
com um raminho de marcela
IV
Nossa Senhora dos Verdes
Quem vos varreu o terreiro
Foram os moços de Forninhos
Com um raminho de loureiro

Do Cancioneiro popular português (José Leite de Vasconcelos), páginas 322 e 323:

I
Nossa Senhora dos Verdes
Tem um tear à janela
Dá-lhe o vento e dá-lhe a chuva
Toda a teia lhe quebra
II
Nossa Senhora dos Verdes
Dizei-me onde morais
Moro em Santa Maria
No meio dos pinheirais
III
Nossa Senhora dos Verdes
Eu no seu caminho vou
Tantos anjos me acompanhem
Como de passadas dou
IV
Nossa Senhora dos Verdes
O seu caminho tem giestas
Bem podeis Vós Senhora
Vê-las de rosas abertas
V
Nossa Senhora dos Verdes
Bem me podeis perdoar
Eu venho por ver as moças
Não venho por Vos rezar
VI
Nossa Senhora dos Verdes
Pequenina e airosa
Eu venho de cá tão longe
Para ver tão linda rosa
VII
Nossa Senhora dos Verdes
Tem um filho serrador
Que lhe serrou a madeira
Para o altar do Senhor
VIII
Nossa Senhora dos Verdes
Tem uma cerdeirinha à porta
Corte-me cá um raminho
Para pôr na minha horta
IX
Nossa Senhora dos Verdes
Para o ano lá hei-de ir
Ou casada, ou solteira
Ou criada de servir


Sem os patrocinios que se associam à festa, a mordomia já divulgou o cartaz 2019.
Atenção que a festa civil começa já dia 13.
Façam a leitura do cartaz e apareçam, pois com Todos é maior a festa.

sábado, 27 de julho de 2019

Salpor (thymus mastichina)


Os tomilhos, como o dos temperos, são plantas perenes de folhas muito aromáticas, o que ajuda a reconhecê-los até quando cozinhados, não é porém, o tomilho da culinária que hoje está na montra, mas o Thymus mastichina, popularmente conhecido por sal-puro. 
Em Forninhos chamam "salpor" ou "salpório". Nos modos de falar e nas palavras o nosso povo é muito desenrascado e sal-puro deu salpor/salpório.
Noutras terras, bem perto, chamam-no de "Bela-Luz" e na vossa terra como é chamado?
Na altura da floração produz abundantemente pequenas flores que parecem bolas de algodão espetadas em palitos e é nessa altura que é apanhado para ser queimado junto com o rosmaninho e, às vezes, com um ramalhete de S. João (erva-do-caril) nas fogueiras dos três Santos Populares.
Quando vivia em Forninhos havia muito salpor e hoje pouco se vê, o que me leva a pensar que esta planta aromática corre o risco de desaparecer.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O DIA DA LUZ

Domingo - 19 de Julho de 1959
Faz hoje precisamente 60 anos que foi inaugurada a rede elétrica em Forninhos.
Dia festivo, celebrado com pompa e circunsntância por alguns, aqueles que eram convidados para o repasto do lauto banquete e os outros sempre habituados aos candeeiros e candeias,  dançavam no terreiro em frente à casa do Sr. Zé Bernardo, não descalços por ser dia de festa, mas com as melhores sandálias, ao som da banda de Vila Cova à Coelheira; e, à noitinha ficaram assustados aquando ligaram a "cabine" e viram luz nos poucos postes eléctricos.
A partir daí, tudo jamais seria como dantes, até o habituar a estas modernices. 
Poucos que iam tendo a rádio em que ouviam as rádios-novelas tal como a "Simplesmente Maria", eis que, apareciam as primeiras televisões. O tempo havia mudado graças à electricidade,  isto que nos aproximou dos tempos modernos.
Faz hoje, neste dia, 60 anos.
Também no mesmo ano foi inaugurado o edifício das escolas primárias.
A sra. professora deve lembrar-se... 
Pergunto: qual a razão por estes tempos históricos terem caído no esquecimento, melhor, não serem lembrados ao ponto de serem perpetuados na dignidade que merecem? 
E eis que tantos anos depois, começaram a brincar com as nossas memórias, nem era necessário tanto alarvismo, bastava o respeito pelo passado e tal dignificar. Bastava a humildade de não vestirmos os nossos antepassados de heróis à nossa imagem e semelhança, mas não, sereis recordados no dia em que for ditado e aí, surge o dia da freguesia, inócua, comercial que até agora não compreendo a Santa Marinha ser tão cordata e engolir ter sido eleita e jamais lhe calhar esse dia...

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Lápide de assassinato

Datada de 1927, contém nela o mistério da morte de António Almeida, jovem de cerca de 33 anos, natural de Forninhos. Vivia em Taunton, Condado de Bristol, Massachusetts, EUA e  morreu no Condado de Providence, Rhode Island, EUA.


A história de António Almeida, como é conhecida a partir de relatos contemporânos, é a de um jovem da família dos "Ferreiros" que havia emigrado para os Estados Unidos da América, ter sido assassinado numa festa, a tiros de pistola.
A notícia atravessou o oceano e deixou perplexo e incrédulo, o povo  de Forninhos. 
Segundo o maior número de informações, ele era filho do José Augusto de Almeida e de Rosa Fernandes e gabava-se de andar com a esposa de um outro forninhense, David Ribeiro; outros que queria apenas dançar com ela...
Mas pelo site Memorial, que todos podem consultar aqui e traduzir para português, António Almeida, era solteiro e filho de Joaquim Almeida, o que pode indicar ser outra pessoa, mas não cremos, possivelmente houve um erro no levantamento feito pela Senhora Deanne Orabona que espera informações complementares de colaboradores, uma vez que existe um botão "SUGGEST EDITS".
A não informação exacta da sua idade (aged 32-33) faz-nos acreditar noutra informação não exacta. De facto o António nasceu em 1893 (24-09-1893) e não em 1894.
O registo de casamento de uma outra filha do Augusto "ferreiro" (Adelina) que residia também em Taunton (vide registo), igualmente nos leva a acreditar que se trata do António Almeida assassinado pelo David Ribeiro, filho de António Ribeiro, de Forninhos e Maria Quitéria,de Esmolfe (nascido em 1889).
De qualquer forma é um Almeida de Forninhos, que morreu jovem, com feridas de pistola e esta lápide relembra essa morte violenta que chocou a comunidade local.

Contributo de Aurélio Fernandes, bisneto de Augusto Almeida.