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segunda-feira, 25 de março de 2019

O leilão

Ei-lo!
Carne, pão e vinho, chouriças e farinheiras...e amigos!
A verdade é que a receita dura há uns quantos anos, com resultados muito positivos.
Venha! E como dizemos sempre...traga uns amigos também!


O convívio terá início por volta das 15 horas e prolongar-se-à até ao final do dia (não se esqueça que o último dia de Março é dilatado pela hora legal).
A sua organização cabe à Irmandade desta paróquia - Santa Marinha. 

domingo, 17 de março de 2019

A dança dos concelhos

A dança dos concelhos, poderia ser um nome para uma "opereta", já que é curioso sabermos por onde terá andado no plano administrativo...Forninhos.
Não sei se haverá muitas localidades que tenham balouçado tanto...e em tão pouco tempo.
Senão vejamos:
Em 1758, conquanto Forninhos ainda não fosse freguesia, estava englobado no termo da Villa de Penaverde.
Por força do Decreto de 6 de Novembro de 1836, na época do governo setembrista de Passos Manuel, o concelho de Penaverde foi extinto e Forninhos passou para o concelho de Algodres.
Em 12 de Junho de 1837, a Cabeça (sede) do concelho de Algodres passou para a Villa de Fornos de Algodres e Forninhos foi transferido para o concelho de Aguiar da Beira (da Comarca de Trancoso).
Mas a "dança" não terminou aqui...houve uma tentativa para Forninhos voltar a Fornos de Algodres, foi quando em 31 de Janeiro de 1867, Mártens Ferrão, Ministro do Reino, apresentou na Câmara dos Deputados a sua proposta de reforma da administração civil. 
No projecto, o  concelho de Fornos de Algodres estava na calha para ser suprimido, então a Câmara de Fornos dirigiu uma representação (isto é, um protesto) ao Rei pedindo que o seu concelho permanecesse, para tal chegaram a propôr a anexação de freguesias pertencentes a concelhos limítrofes e com isso foram buscar a freguesia de Forninhos ao concelho de Aguiar da Beira. Isto aconteceu em 10 de Dezembro de 1867, aquando da aprovação e materialização do novo mapa administrativo, só que nem deu tempo de tratar da mudança... 
Em 14 de Janeiro do ano seguinte, com a chamada "janeirinha" voltou tudo ao mesmo, como quem diz "tudo como dantes quartel-general em Abrantes".
Claro que há muitas razões de ordem política-administrativa em toda esta "dança", mas algo no entanto ressalta.
Forninhos era uma terra cobiçada, só assim percebemos tanto interesse em tê-lo.
Pudera! Forninhos tem ao longo da sua história interesses mil, pelas características da sua população, pelo clima ameno, pela riqueza agrícola e pela riqueza arqueológica (voltarei um dia a este tema).

Decreto de 26 de Junho de 1896

Em 26 de Junho de 1896, por extinção do concelho da Aguiar da Beira, é anexada à sede do concelho da comarca a que pertence -Trancoso.
Em 22 de Junho de 1898, regressa ao restaurado concelho da Aguiar e lá ficamos até hoje!



Agora...
Para os que têm aí à mão a maravilhosa obra "Forninhos a terra dos nossos avós" leiam -se faz favor-a reforma dos concelhos (páginas 73 e 74) e analisem os mapas da página 75. Eu espero...sentada.
Já leram com certeza que em 1867 a edilidade de Aguiar da Beira é extinta e a freguesia de Forninhos entre outras passaram a pertencer a Fornos de Algodres. E de seguida... o que leram?
"Anos mais tarde em 1878, o concelho de Aguiar da Beira é restaurado e Forninhos volta à sua circunscrição."
Então, alguém de Forninhos sabe dizer-me onde ficamos englobados após a "Janeirinha" - cerca de 10 anos depois- até 1878? 😕
Havia muitas razões para gostarmos de Fornos, mas a divisão administrativa concebida por Mártens Ferrão durou apenas 34 dias.
Com rigor é assim!
A pressa pode ser inimiga do rigor...

sábado, 9 de março de 2019

Do baú das memórias "As Sementeiras"

Porque estamos na altura de preparar as terras para as sementeiras (para colhermos, temos de semear), deixo-vos estas fotos tiradas no século passado nos campos da nossa terra e que mostram um pouco do que foi a vida dos nossos progenitores:


Não se usavam copos, bebia-se pelo garrafão, assim era também nas tabernas, a rodada era um copo de quartilho por onde bebiam todos os da roda.

sábado, 2 de março de 2019

6.ª Festa do Pastor e do Queijo

Divulgamos o evento que vai acontecer amanhã, 3 de Março, no Mosteiro.

6.ª Festa do Pastor e do Queijo da freguesia de Penaverde (é mais antiga do que nos querem fazer crer: este dia de festa acontece no Mosteiro desde 1983 e não desde 2014, mas manda quem pode, obedece...)


Que seja um dia grande de convívio para os participantes que vão fazendo a história destes encontros.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Do sino ao relógio

Para atrair os fiéis informando-os que a missa ia começar, as igrejas passaram a utilizar os sinos, logo, os sinos passaram a informar o horário à comunidade, utilizando o sistema latino de contar as horas a partir do nascer do sol. Em Forninhos, durante muitos anos, a única forma de orientação para lá da inclinação do sol, era mesmo o sino da igreja, não o da foto, mas o original que desde não sei quando até meados dos anos oitenta do séc. 20 marcou o tempo na minha aldeia. Esse depois de muito tocar e com muitas fissuras, foi substituído por este:

Sino de bronze da minha aldeia - 1986 

Um dia veio o relógio público. Mas a transição da marcação da hora do sino para o relógio como nós o conhecemos actualmente, não foi tão simples e imediata como podemos supôr. O hábito de colocar relógios públicos nas torres das igrejas é recente. Foi uma ambição das povoações do século 19 e princípio do 20. Em Forninhos, foi só depois da construção do cemitério, anos 40, que a torre da igreja foi aumentado em altura e o campanário recebeu o relógio mecânico. Este novo melhoramento aconteceu ali por volta de 1949-1950, do séc. 20. Aliás, acho que o campanário podia não existir até 1950. Até essa altura, no topo da Igreja Matriz, o que existia era um campanariozinho(?). Uma construção muito mais simples e mais baixinha(?).

Agora, como é sabido, o relógio da igreja é eléctrico e o som e toque das Ave-Marias são gravados, mas dantes havia um relógio mecânico ligado a uma corda de aço, com os seus martelos exteriores a bater no sino que dava as horas.
Dlam, Dlam, Dlam..., dolente, sem pressa, ia batendo e dizendo a cada um em que ponto do dia se encontrava. 
Com os ouvidos sempre atentos, as cabeças erguiam-se e contavam:
Uma.
Duas.
Três...
Se por acaso parava (às vezes esqueciam-sede lhe dar corda), era logo notada a sua falta: "Hoje o sino não dá horas". "Que horas serão?".






B - Badalo do sino
M - Martelo colocado na sineira junto ao sino.

Nessa altura, além dos sinais horários vindos do sistema de relogoaria, ainda havia o toque  do Anjo, ao meio-dia e às 7 da tarde o toque das Trindades; de miúda lembro-me da tia Esperancinha (perdoem-me aquelas de quem não me lembro) ir tocar às Trindades, mas depois deixou o cargo, com certeza devolvendo a responsabilidade à aldeia, que acabou com esse ritual que se cumpriu por muitos anos.
Outros toques do sino, tinham as mesmas funções de hoje, quase sempre relacionadas com actos religiosos.
E com isto, dou comigo a recordar um célebre poema de Fernando Pessoa,  com este título sempre nostálgico "Ó sino da minha aldeia" que até parece ter sido escrito em Forninhos:


Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


Fernando Pessoa


Um agradecimento a todas as pessoas que me ajudaram a esclarecer algumas dúvidas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

14 de Fevereiro - Dia de S. Valentim


No dia mais romântico do ano o Blog dos Forninhenses "pediu" a Mariza uma rosa branca, espero que apreciem.