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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

AMAR UMA VIDA INTEIRA

Comecei a namorar, tinha catorze anos...


Assim começa o relato desta minha amiga, que casou  neste dia do ido ano de 1961.
Por detrás ficam quase dois anos de luta, para ela, Joana e o Alfredo.
Andava na altura a aprender a costurar com a Bragança, filha do tio Carlos e mais conhecida por professora Mariana, mas as bocas do povo, tal como ainda hoje que continuam sem telhas de vidro (casa honrada tinha pelo menos uma...), teve que partir, neste caso para Lisboa.
Ficou em casada da tia Rosária juntamente com o seu irmao João e cujo tio tinha uma boa colocação.
"Aguentei cerca de mês e meio no ir aprendendo costura, mas voltei, tinha de voltar; estava farta de escrever todos os dia uma carta, tal como ele, não fazia sentido e fosse o que Deus quisesse."
As cartas na terra, não tinham selo, eram levadas pelo Júlio Grilo a cada um de nós e as minhas escondia por detrás de um quadro dependurado na sala, até que mais de um ano depois a minha mãe descobriu e ordenou: "Vão casar!"
E graças a Deus, casamos numa quinta-feira, coisa incomum neste dia de semana, mas a razão tinha a ver com a ida do irmão do noivo, o Adriano de partir no outro dia para a tropa.
Houve boda, sim senhor e como mandavam as regras, vinho a cântaros, ovelhas, arroz doce e pão-leve, fora os galos e galinhas...pela noite adentro.
E mais, perguntei, a lua de mel?
Madrugadora, às seis da matina o meu pai grita: "Vamos, temos os chícharros do tio Luís Rebelo para apanhar!
Mas, sabem, somos um casal e uma família feliz!!!
Eu sei que sim Joana e ficamos extremamente gratos por nos honrrares aqui com o teu testemunho.
Um beijo!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Escanar o milho

Era um rancho de gentes, num céu aberto por aí fora... 


Setembro o milho amadurece, primeiro o temporão das terras secas, o branco, nas terras de centeeiro, que alternava ano a ano com o semear do centeio para quem tal queria ou não tivesse outro remédio.
Para lá das misturas de farinha do pão, tinha por si só o milagre das papas do ralão e as papas doces de leite e açúcar.
Chegando meados de Setembro, era o forte da colheita do milho de regadio, forte e majestoso com várias espigas, como que dizendo que crutas cortadas para o gado e junto à última espiga, os haviam tornado mais valentes.
Na véspera e entre amigos, o dono combinava com eles irem cortar o seu milho na Ribeira e claro ao amanhecer, sem cerimónias, afinal eram os mais chegados e por tal no desdejum, uns figos secos e aguardente, o resto ficaria para a piqueta lá por volta das dez da matina.
No caso do meu pai, o tio Armando Coelho, Carlos Bragança e tio Zé Cavaca. Gentes chegadas...
Outros houveram, mas eram pagos ao dia, bebidos e não comidos...
Chiava o carro das vacas, carregadinho até ao Carvalho da Cruz, depois seria a direito, mas havia volta não volta que encostar nas sombras para o descanso e beber.
Enfim chegados, na outrora lage agora coberta de alcatrão (bem haja a ignorância), era descarregada a carga e outras que viriam a seguir pelo mesmo caminho.
Ao anoitecer ja se adivinhava a azáfama como sendo dia festivo, desciam a ladeira em direção ao ribeiro dos moncões, com acomódos pelos ombros que a noite prometia alguma frescura, coisa natural.
A promessa não seria vã. Quem vinha para trabalhar, ansiava pelas brincadeiras que depois viriam, os caretos com mantas pela cabeça, cobiçavam as raparigas, a coberto daquela capuchinha e por vezes, muitas, o toque do realejo e mais forte o da concertina. No fim uma pequena arrelia, a maçaroca de milho preto, foi uma aldrabice, foi roubada tal como ele vencedor queria um beijo.
Mas as escanadas não ficavam por aqui, iam pelos campos abaixo para quem não tinha eiras.
Pela Gândara e Romeiros e eram feitas nos campos à luz de candeeiros a petróleo cantando pela noite dentro, cantando de todo o lado.
Uma paródia!  

Foto de Maria Fernanda Sousa.

sábado, 1 de setembro de 2018

Pátios

Hoje dedico estas poucas linhas aos pátios, uma zona descoberta situada no exterior das  casas de habitação.
Porquê e para quê os pátios nas nossas casas?
Coloco assim a questão porque os pátios são muito diferentes de terra para terra. 
Os pátios da minha terra são extensões das casas, por norma murados e pertencentes a uma só casa, às vezes a duas, não são pátios de rua como são os da toponímia de Lisboa; os pátios lisboetas são "um conjunto de habitações modestas dispostas à volta de um recinto descoberto comum". 




A casa do lavrador era norma ter defronte um logradouro, que em certos lugares se chama quintã, mas que usualmente dá pelo nome de pátio.
Hoje há poucos, dantes eram às dezenas!
Nos pátios que tinham uma latada, sós ou acompanhadas, debaixo da sua sombra arrepenava-se o grão, os chícharos e os feijões, ao sol secavam os figos, a seguir às vindimas nalguns faziam aguardente, no inverno era lá que se matava e limpava o porco, no pátio as galinhas e os seus pintainhos deambulavam o dia inteiro...ali as crianças aprendiam a dar os primeiros passos e a total liberdade nas brincadeiras.
No pátio ainda podia existir um coberto, onde se guardava a lenha e se resguardava o carro das vacas.
Hoje já não é assim, em poucas décadas tudo mudou, nas construções modernas já não querem pátio algum e com as reconstruções - há excepções (poucas) - também fizeram questão de acabar com os pátios e é assim que vai desaparecendo tudo o que outrora tão útil foi. Ganhou-se muito na comodidade interior, mas perdeu-se no aspecto exterior da habitação aldeã, nas ajudas mútuas, nos convívios...

sábado, 25 de agosto de 2018

Novas Culturas


Para além das árvores de frutos tradicionais (maçãs, abrunhos, cerejas, figos, castanhas, etc...) alguém descobriu que é possível cultivar em Forninhos frutos exóticos, como se documenta na foto.
Pelo aspecto parecem não se dar mal com o clima.
Nos últimos anos tem-se assistido por lá a um aumento de cultivo de alguns frutos exóticos (kiwis, mirtilos, physalis, maracujás, groselhas, limas...).
Se cá viessem hoje, o que diriam os nossos antepassados serranos?
 Diriam com toda a certeza:
- Forninhos está uma terra diferente!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Festa de Agosto à noite

Todos os anos publicamos fotos da festa religiosa, mas este ano será excepção, resolvemos mostrar a noite da festa. 
Se fechar os olhos vai ver que consegue ouvir os cumprimentos habituais: "olá, então!", "Já não nos vemos há quantos anos?" e outras frases tão familiares nestas ocasiões...




os  "colecionadores" puderam, adquirir a coleccionável T-Shirt alusiva deste ano, 
junto da Comissão de festas "Forninhos -eu estive lá!!!"


O algodão-doce não podia faltar na festa!

Nem a cerveja a metro!

O jogo do prego, todos os anos ganha adeptos nestas noites festivas!

Nem o espanto de tanta alegria, 

Numa noite ternurenta,

Atacada ao ritmo de Zumba!


Gostaríamos de ter trazido mais cedo este "relato" diferente, mas também merecíamos férias! 
Resta agradecer mais uma vez a todos os que tornaram possível mais uma animada festa de Agosto, a da Sra. dos Verdes.
Para o ano que vem, haverá mais...!

Fotos: XicoAlmeida.

domingo, 12 de agosto de 2018

Festa de Agosto 2018 - Cartaz

Divulgamos o cartaz da Festa de Forninhos,




um convite aos descententes e amigos a uma visita que já se sabe cheia de muita animação!

Venha daí!