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sábado, 4 de janeiro de 2020

Luar de Janeiro...

Luar de Janeiro não tem parceiro...


Neste abrir do Ano Novo trago-vos um pedacinho da noite da Beira Alta (há 100 anos):

"Seria obra de dez horas e caía uma geada muito forte que sobradava os agros e metia pela terra dentro suas agulhas de gelo. No céu, adiante de cirros, ia de jornada uma lua bochechuda. E tão estanhada, que os barrocais luziam até muito para riba do povo, donde as águas manavam, glau! glau!
Os longes esfarelavam-se num luaceiro grisalho, como de moinha ao vento; mas, a todo o largo da mirada, a terra descobria-se com os mouchões das leiras a reluzir prateados ao luar e os regos coalhados de tinta negra. Nas leiras onduladas de morro para morro, o centeal dormia debaixo do codo, a meio as pedras intonsas e impressionantes, como cabeças mortas saindo de baixo dum lençol. As giestas projectavam uma sombra muito escura, o que levou a notar que a sombra que o seu vulto também projectava era tão retinta e desengonçada como se levasse um fantasma à mão direita. Não se enxergava vivalma, nem de homem, nem de bicho, nem de ser nado que fosse.
Mas pela lua que caminhava sempre, o sete-estrelo muito rútilo, a rija imobilidade da planície, sentia-se a terra presa a amarras que não quebram nem se rendem".

-Terras do Demo, obra de AQUILINO RIBEIRO editada em 1919.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Truz Truz! Que entre 2020

Noite de Natal. A tradição do Cêpo na Lameira

Mais uma vez, não resisto a partilhar convosco o Cêpo de Natal, que é de tradição arder também na passagem d' ano. Parabéns à malta que o fez.

BOA PASSAGEM D' ANO!

Um Bom 2020, repleto de saúde, alegria, paz e amor! Que seja um Ano Bom Para Todos desde o princípio...

sábado, 21 de dezembro de 2019

Imagem de Natal

Chegamos ao Natal.
Cumpre-nos deixar aqui expressos os votos de✫¸.•°”˜˜”°•.✫ ❤(⁀FESTAS FELIZES⁀)❤✫¸.•°”˜˜”°

presépio da capela de N.S.dos Verdes

Naquele tempo, Maria, esposa de José, deu à luz um Menino que quis ser como nós, tinha trinta e três anos quando morreu numa cruz para nos redimir depois de andar a espalhar a Palavra da Paz, do Amor. 
São Francisco de Assis deixou-nos a tradição do presépio, mas alguém nos deixou esta belíssima pintura setecentista do tecto da nossa capela, emoldurada por um caixotão de talha dourada decorado com elementos florais.

***2009 - Bom Natal -2019 ***

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Pinheiro manso - Uma raridade em Forninhos

Ainda me lembro de nos idos anos 70, haver um imponente pinheiro manso em Forninhos,  no lugar da Portela; coisa rara na zona, pois pouco eram vistos cá para o interior. Um pinheiro frondoso e diferente, bonito, que recordo "de passagem" apanhar pinhas e comer aqueles frutinhos saborosos, hoje tão caros que até dói  a alma só de pensar no preço! 
Chamam-lhe o ouro branco da floresta.
Chegou a haver uma razoável extensão de pinhal manso no Boco, pertença de uma só família, mas em Forninhos, que me lembre,  só havia este, o pinheiro manso do Sr. Amaral.
Coisa de ricos.


a copa do pinheiro manso é redonda,
assemelhando-se a um cogumelo

A informação que existe é que após o seu corte, foi utilizado para madeira. O banco de carpinteiro do meu saudoso tio António Carau, tinha duas pranchas de pinho manso (cortesia do Manel "do rancho").
Mas não julguem que naqueles idos anos 70,  íamos lá buscar pinhão à vontade!
Não, de passagem, lá se apanhavam umas pinhas que restavam perdidas ou ao abandono, tipo rebusco. 
Os ricos são regra geral avarentos e pinhão rima com milhão....

domingo, 8 de dezembro de 2019

Hoje era "Dia da Mãe"

Há alguns anos atrás, o Dia da Mãe era comemorado no dia de hoje, 8 de Dezembro.  Os menos jovens, durante muitos anos fizeram deste dia um dia muito especial, mas alguém tomou a decisão de passar a comemoração, no nosso país, para o 1.º domingo de Maio e "não havia necessidade" como dizia o diácono Remédios. Hoje sequer se mencionou na comunicação social esta bonita data (pelo menos eu não vi/ouvi) então os meus votos de feliz Dia da Mãe deste ano, são dados pelas mãos de Laura Costa que foi ilustradora de livros infantis e desenhou uma série de postais de Natal que foram publicados pelos CTT durante vários anos, na década de 1940.


Neste desenho (que foi capa do disco "Natal em Portugal" de Shegundo Galarza "), editado no final dos anos 70, entre 1977 e 1979, está representada a comunhão, a divisão de trabalho, a colaboração e a intimidade e traz ainda a saudade dos tempos de infância em que sobre o lume da lareira as mães faziam as tradicionais filhóses. Era um ritual muito desejado pelos filhos. Depois de fritas as filhóses eram colocadas num grande prato e polvilhadas com açúcar.


Tão boas que eram quentinhas!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Protestar, um Direito

Repousam em caixas do Arquivo Histórico da Assembleia da República, as muitas representações (protestos) das então Câmaras dos concelhos extintos e das respectivas populações do século XIX.
Trago aqui um Parecer que confirma que os habitantes da extinta Villa de Fornos de Algodres e das extintas Villas de Figueiró da Granja e Infias, não estavam contentes por incorporados no concelho de "Algodres".
Ninguém gosta de perder nem a feijões!


Este Parecer de 10 de Maio de 1837, arquivado no Arquivo Parlamentar, sobre a então Villa de Algodres é claro: é uma insignificante Villa, que não apresenta a menor comodidade aos povos do concelho, que ali foram obrigados a ir tratar do seus negócios; 




acrescentado mais que nenhuma espécie de comércio e contacto existe entre os povos do concelho com a referida Villa; quando pelo contrário a extincta Villa de Fornos é a maior em população, tem excelentes edificios, póprios para o serviço de audiências gerais e ordinárias, uma magnífica casa de Camara, diferentes lojas, em que se vendem os generos necessários à vida e aonde vão prover-se todos os habitantes do concelho; um correio assistente, um mercado mensal, estando além disto sobre a estrada real, que serve de trânsito às tropas das províncias da Beira Alta, e Baixa, além de muitas outras razões não referidas por a comissão  d' estatística julgar suficientes para o deferimento. 
O parecer ainda refere que sejam desanexadas e reunidas ao de Aguiar da Beira as quatro freguesias, de Dornelas, Forninhos, Penaverde e Queiriz, que formavam o antigo concelho de Penaverde.
Um exemplo de como os serviços podem ser preciosos em tempo de reformas administrativas.