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sábado, 27 de julho de 2019

Salpor (thymus mastichina)


Os tomilhos, como o dos temperos, são plantas perenes de folhas muito aromáticas, o que ajuda a reconhecê-los até quando cozinhados, não é porém, o tomilho da culinária que hoje está na montra, mas o Thymus mastichina, popularmente conhecido por sal-puro. 
Em Forninhos chamam "salpor" ou "salpório". Nos modos de falar e nas palavras o nosso povo é muito desenrascado e sal-puro deu salpor/salpório.
Noutras terras, bem perto, chamam-no de "Bela-Luz" e na vossa terra como é chamado?
Na altura da floração produz abundantemente pequenas flores que parecem bolas de algodão espetadas em palitos e é nessa altura que é apanhado para ser queimado junto com o rosmaninho e, às vezes, com um ramalhete de S. João (erva-do-caril) nas fogueiras dos três Santos Populares.
Quando vivia em Forninhos havia muito salpor e hoje pouco se vê, o que me leva a pensar que esta planta aromática corre o risco de desaparecer.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O DIA DA LUZ

Domingo - 19 de Julho de 1959
Faz hoje precisamente 60 anos que foi inaugurada a rede elétrica em Forninhos.
Dia festivo, celebrado com pompa e circunsntância por alguns, aqueles que eram convidados para o repasto do lauto banquete e os outros sempre habituados aos candeeiros e candeias,  dançavam no terreiro em frente à casa do Sr. Zé Bernardo, não descalços por ser dia de festa, mas com as melhores sandálias, ao som da banda de Vila Cova à Coelheira; e, à noitinha ficaram assustados aquando ligaram a "cabine" e viram luz nos poucos postes eléctricos.
A partir daí, tudo jamais seria como dantes, até o habituar a estas modernices. 
Poucos que iam tendo a rádio em que ouviam as rádios-novelas tal como a "Simplesmente Maria", eis que, apareciam as primeiras televisões. O tempo havia mudado graças à electricidade,  isto que nos aproximou dos tempos modernos.
Faz hoje, neste dia, 60 anos.
Também no mesmo ano foi inaugurado o edifício das escolas primárias.
A sra. professora deve lembrar-se... 
Pergunto: qual a razão por estes tempos históricos terem caído no esquecimento, melhor, não serem lembrados ao ponto de serem perpetuados na dignidade que merecem? 
E eis que tantos anos depois, começaram a brincar com as nossas memórias, nem era necessário tanto alarvismo, bastava o respeito pelo passado e tal dignificar. Bastava a humildade de não vestirmos os nossos antepassados de heróis à nossa imagem e semelhança, mas não, sereis recordados no dia em que for ditado e aí, surge o dia da freguesia, inócua, comercial que até agora não compreendo a Santa Marinha ser tão cordata e engolir ter sido eleita e jamais lhe calhar esse dia...

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Lápide de assassinato

Datada de 1927, contém nela o mistério da morte de António Almeida, jovem de cerca de 33 anos, natural de Forninhos. Vivia em Taunton, Condado de Bristol, Massachusetts, EUA e  morreu no Condado de Providence, Rhode Island, EUA.


A história de António Almeida, como é conhecida a partir de relatos contemporânos, é a de um jovem da família dos "Ferreiros" que havia emigrado para os Estados Unidos da América, ter sido assassinado numa festa, a tiros de pistola.
A notícia atravessou o oceano e deixou perplexo e incrédulo, o povo  de Forninhos. 
Segundo o maior número de informações, ele era filho do José Augusto de Almeida e de Rosa Fernandes e gabava-se de andar com a esposa de um outro forninhense, David Ribeiro; outros que queria apenas dançar com ela...
Mas pelo site Memorial, que todos podem consultar aqui e traduzir para português, António Almeida, era solteiro e filho de Joaquim Almeida, o que pode indicar ser outra pessoa, mas não cremos, possivelmente houve um erro no levantamento feito pela Senhora Deanne Orabona que espera informações complementares de colaboradores, uma vez que existe um botão "SUGGEST EDITS".
A não informação exacta da sua idade (aged 32-33) faz-nos acreditar noutra informação não exacta. De facto o António nasceu em 1893 (24-09-1893) e não em 1894.
O registo de casamento de uma outra filha do Augusto "ferreiro" (Adelina) que residia também em Taunton (vide registo), igualmente nos leva a acreditar que se trata do António Almeida assassinado pelo David Ribeiro, filho de António Ribeiro, de Forninhos e Maria Quitéria,de Esmolfe (nascido em 1889).
De qualquer forma é um Almeida de Forninhos, que morreu jovem, com feridas de pistola e esta lápide relembra essa morte violenta que chocou a comunidade local.

Contributo de Aurélio Fernandes, bisneto de Augusto Almeida.

domingo, 30 de junho de 2019

XXXV Jogos Tradicionais

Tal como foi anunciado, aconteceram os 35.ºs Jogos Tradicionais no campo de futebol de Forninhos, 


participados pelas freguesias do concelho, como sempre acontece


Na luta da tração com corda, gosto da envolvente, 
nem sol, nem chuva, apenas a névoa ao fundo...

 é linda a nossa paisagem...

corrida de cântaros

corrida do saco

jogo da raiola

o jogo do porco ensebado, tanto quanto sei não é/era
um jogo praticável em Forninhos

Jogo da malha

Parabéns aos vencedores. Parabéns aos participantes e um obrigada aos dinamizadores. Venham os próximos. 

Fotos disponibilizados pelo Município de Aguiar da Beira. Obrigada.

domingo, 23 de junho de 2019

Tempos de "ócio"

Como é que as mulheres de antigamente ocupavam os seus tempos de "ócio"?
Antes de mais, falar de "ócios" para uma mulher casada nos anos 40, 50, 60...na aldeia só pode ser uma piada de mau gosto, já que essas mulheres tinham sempre que fazer: lavar roupa, varrer a casa; preparar a comida para o vivo (os animais), pois na maior parte dos casos estava a cargo das mulheres; acartar lenha, preparar as cinco ou mesmo seis refeições do dia, amassar e cozer o pão. Depois disto tudo, que tempo havia de restar às mulheres da aldeia que se possam mesmo dizer "tempos de ócio"?
Os poucos momentos que tinham ainda assim eram passados a trabalhar: sentadas ao soalheiro passavam o tempo a remendar meias, a bordar, a fazer meia com cinco agulhas (anos 40 e 50), a fazer malha com duas agulhas, a fazer renda (mais tarde nos anos 60)...
Ou seja: mesmo nesses momentos, o tempo livre era para uso da casa e família.
Era o tempo de criar sete, oito, nove, dez, onze, doze filhos. Era um amanhecer cedo e deitar tarde, desde as sementeiras às colheitas. 
E, à noite, sob a luz do candeeiro, de azeite, de petróleo, era quando se podiam sentar na máquina de costura para deitar uns fundilhos nas calças dos maridos e dos mais pequenos ou transformar a roupa dos mais velhos para os mais novos. Até que um dia...
Correu no povo que não era bom coser à noite pois aparecia "a costureirinha", uma personagem de outro mundo, uma alma penada que faltara ao cumprimento de uma promessa.
Segundo testemunhos, à noitinha ouvia-se o tic-tic-tic de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar da linha e até, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. O som podia vir de qualquer casa vizinha onde houvesse uma máquina de costura a trabalhar, mas, certo é, que estes inexplicáveis sons deram origem à "lenda-da-costureirinha" (no Google há várias lendas associadas) foi assim que se deixou a costura nocturna e era nas tardes livres - quase sempre ao domingo - que as mulheres se sentavam a costurar na máquina.
Era o tempo de uma sociedade que tinha os seus medos, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.
A minha avó materna, lembro que tinha a sua máquina no quarto de dormir junto à janela virada para a rua e era onde as suas filhas nas horas vagas se sentavam a costurar. Foi na máquina da minha avó que a minha mãe aprendeu a coser roupas e a minha avó disse várias vezes em vida que quando morresse a máquina ficava para a minha mãe, mas na partilha dos herdeiros não lhe coube a máquina.
Entretanto, a minha mãe comprou uma máquina manual que colocava sobre a mesa e enquanto cozia rodava a manivela com a mão. Eu pedia-lhe que me deixasse coser (parecia fácil), mas ela não me deixava, não fosse a agulha partir-se ou eu picar-me nela!
Depois vim para a Grande Lisboa e o tempo foi passando e acabei por não aprender a alinhavar e a coser.

foto retirada da wikipédia

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Jogos Tradicionais

Este ano realiza-se em Forninhos a trigésima quinta edição dos jogos tradicionais do concelho de Aguiar da Beira.
Malha, raiola, cantarinha, salto a pés juntos, corrida do saco, luta de tração com corda, corrida de cântaros, subida ao pau ensebado e muitos outros que passam de geração em geração são os jogos anunciados no site da Câmara Municipal de Aguiar da Beira.
"TRADICIONAIS" quer dizer iguais a si mesmo ao longo do tempo. O ser sempre igual é que confere a tal tradição a um acto, a um evento, a um jogo.



Estes jogos são um bom momento de disputa, perícia e convívio, estão abertos a todos os que gostem de participar e se queiram inscrever.
No final, são premiados os melhores em cada categoria e reconhecidos todos os participantes.
Que os jogos se cumpram e ganhem os mais aptos na pontaria e perseverança para ser o primeiro.