Não me recordo de ver as mulheres lavar a roupa no rio do Salto (também conhecido por Poço dos Caniços), mas sei que há algumas décadas era um cenário habitual ver mulheres lavarem roupa nos diversos afluentes do rio Dão, dando um colorido engraçado às margens com as peças que ali coravam.
Nos lavadouros dos ribeiros, aí sim, recordo ver mulheres, com experiência adquirida na prática diária, a lavar a roupa à mão, de joelhos num farrapo velho ou numa tacoila para não se molharem.
Água fria da ribeira/água fria que o sol aqueceu.
Velha aldeia/traga a ideia, roupa branca que a gente estendeu.
Três corpetes/um avental/sete fronhas/um lençol/três camisas do enxoval que a freguesa deu ao rol.
Ó rio não te queixes/Ai o sabão não mata/Ai até lava os peixes/Ai põe-nos cor de prata.
Também ainda há lembrança das barrelas.
- Bem ensaboada a roupa era posta, em camadas, num canastro de vime, e tapada com panos de estopa com cinza; por cima era regada com água a ferver.
- No dia seguinte era então lavada de novo e, se por acaso alguma nódoa não saiu, lavavam-na novamente e ficava a corar nas lenteiras dos ribeiros.
Hoje esta tradicional tarefa não passa de uma memória.Fotos: lavadouro do ribeiro dos Moncões, Forninhos, 2011.






