Andavam endiabrados
Por ser este aquele dia,
Tão felizes e contentes
Recuando no passado
Carregados de alegria,
Eles e as nossas gentes
Os tantos que assistia,
Voltavam a ser crianças
E podiam fazer tudo,
Felizes nestas andanças
Não fora dia de Entrudo!
Trago desta forma singela o Entrudo de Forninhos, como tributo aos que teimaram manter o espírito deste evento, à nossa maneira.
Uns partiram tal como a tia Céu (a Rainha) e o meu tio António a tocar o bombo, quem diria, mas afinal tinha sido bombeiro toda a vida.
- Este ano, vais-te ensaiar de quê?
E moita carrasco...seja surdo e mudo se vou dizer, e por aqui se quedava a coisa, que afinal nada tinha de segredo, as calças do pai, o avental da mãe, as meias da irmã enfiadas cara abaixo, mais o chapéu velho do avô.
E falando, eles contavam eufóricos as traquinices matreiras dos seus tempos de juventude, de como pensavam enganar primeiro os vizinhos e depois o povo todo, quase sempre com a ajuda das mães mais festivaleiras e cúmplices, como foi comigo.
Quanto aos mascarados, aí, alto e pára o baile...
Medo metia a carranca do tio Zé Carau, medonha!
Era um corropio de gente a fugir do largo da Lameira afora, aquela coisa ia connosco para a cama e durante dias não deixava dormir. Era o momento de terror que quase todos temiam, mas não queriam perder e pelo meio tantas coisas...
Diabruras do tio Abel peleira, a burra do tio Carlos melias, os alacraus do Luis mudo e o espalha brasas do Zé Coelho que com a pá limpava a Lameira com terra para quem apanhava pela frente, antes de estar calcetada.
Mas e deixem que diga, a tradição não está perdida pois o saudoso tio Zé Carau deixou muitos netos teimosos nestas coisas...