Quando aqui publicamos os mestres pedreiros de Forninhos que construiram esta ermida, ficou o propósito de tal visitarmos. Valeu a pena o "cumprir" da promessa.
Linda, encaixada no seu mundo e estilo barroco nos lugares de Fonte Fria, quase colada com a faustosa Santa Eufémia, carregada de natureza com o cheiro a resina e giestas...e flores.
E mais longe, a serra da Estrela...
A gente assenta no remanso das mesas de granito que ali foram colocadas, vazias, mas cheias de um bocadinho de orgulho dos nossos mestres depois da obra terminada. Quase parece que conversamos com eles nessa mesa antiga, em volta da Capela de S. Miguel que foi obra de gentes nossas e por tal um sentimento diferente. Faz parte!
No curto passeio, searas de centeio que ondulavam por debaixo de uma algazarra de andorinhas que o vento levava. Pensava que tal havia acabado, mas não.
Um homem com uma gadanha!
Ganhei o dia, gritei!
Quem vem da Matança para a Matela, tem uma curva apertada chamada das feitiçeiras, pela simples razão de os acidentes de outrora serem provocados pelas bebedeiras de quem vinha da feira de Fornos e o grito foi o vislumbrar alguém de no modo antigo, andar a ceifar.
Ficaram apavorados quando desci a ravina ao seu encontro e convenhamos que eu também no reluzir da gadanha afiada com que cortava as ervas, arma de ataque para mim, defesa para o Senhor José.
Nestas coisas, nada como nos apresentarmos. Boa tarde, sou dali e filho de tal...depois deixar correr o rosário, se conheci o seu pai, bom homem e bla, bla, mas com sentimento e sinceridade.
E ceifava no mesmo ritmo que recordo em garoto. A mesma mestria ancestral que a gente e os doutores não conseguem explicar. Eu, leigo, chamo apenas um dom.
O Ruben, o único nome autorizado. A mãe pensava ser jornalista e teve receio de aparecer tal como a outra senhora que fazia as bonecas, ou seja, com a própria erva, faziam como que uma cabeça de boneca, mas para guardar as sementes.

