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quarta-feira, 16 de março de 2011

Mulheres de Antigamente

(a tia Raquel no carreiro da Perdamêda)

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Em Forninhos, as mulheres apesar da viuvez de muitos anos, não voltavam a casar e muitas criaram e educaram 4, 5, 6 e mais filhos, sozinhas. Mas estas mulheres, sem nunca baixarem os braços, conseguiram retirar da terra o sustento para elas e para os seus filhos. A tia Raquel é um desses exemplos, ficou viúva muito nova, o seu marido que era Pedreiro de profissão, morreu numa pedreira. Eu sempre me lembro da tia Raquel viúva. Dos seus quatro filhos, um morreu na Guerra do Ultramar, Ilídio Castanheira Coelho.

Estas mulheres foram, são e serão sempre um exemplo de grande coragem, pela força demonstrada por elas, sempre que se levantavam de manhã cedo, para mais um dia de trabalho. Lavravam as terras, colhiam mato para estrumar as camas dos animais, semeavam, plantavam, regavam, tratavam dos animais, da lida da casa, dos filhos...

A Natália Cavaca foi quem cedeu as 2 fotografias.

11 comentários:

  1. A minha avó foi sempre uma mulher de força e coragem como diz a Paula. Criou quatro filhos sozinhas. Naquela altura não havia abonos nem subsídios, como há hoje, nunca precisou de relógio, ela sabia as horas pelo cantar do galo e pela sombra.Foi uma mulher de gerra.

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  2. Ser amigos dos avós
    Não se faz nada de mais
    Porque eles são para nós
    Os nossos segundos pais

    Os avós são nossos amigos
    Que jamais esqueceremos
    Porque amor igual ao deles
    Nunca mais teremos

    Tomaste conta de mim
    Deste-me a melhor educação
    Obrigada avozinha
    Do fundo do coração

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  3. A tia Raquel! ainda a conenheci, mulher de garra sim.
    Trabalhou e muito fez para a criação dos seus filhos.
    - Bem me lembro deste caminho, deste e de outros do mesmo genero, não sei porquê, mas estes carreiros fazem-me sentir como nos tempos em que ali vivia.
    Boa Noite.

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  4. Conheci tambem mulheres assim, de fibra, de garra, mulheres fortes e sofredoras, mas não amargas, eram amorosas e doces, e criaram seus filhos com honradez.
    bjs
    Tina (MEU CANTINHO NA ROÇA)

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  5. Quem não se lembra da boa disposição da tia Raquel, eu lembro-me dela sempre assim. Era muito amiga da minha avó Coelha, bem como a tia Augusta do Adriano, que também ficou viúva muito nova e criou sozinha os seus muitos filhos.Os filhos mais velhos ajudavam a criar os mais novinhos. Era assim esta geração de mulheres “de armas”, que apesar das poucas posses que tinham, criaram 4, 5, 6 e mais filhos. Muitos dos filhos dessas mulheres quando chegaram à idade adulta, saíram de Forninhos à procura de melhores condições de vida. França, Brasil, América, Lisboa e outras localidades do país, e hoje já vão regressando com a sua reforma. Mas também alguns filhos destas mulheres de antigamente nunca saíram da aldeia.
    Gosto muito do 1.º comentário. Mulheres como a tia Raquel não usavam relógio, orientavam-se pelo canto do galo e pelo sol/sombra. O seu vestuário era saia, blusa, avental e lenço na cabeça. Quando o frio apertava usavam um xaile grosso. Nos pés calçavam tamancas ou chinelas. Algumas andavam mesmo descalças. Aos Domingos ou dias de festa é que havia diferença, por vezes usavam sapatos, tiravam o avental e algumas o lenço, exibindo um bonito carrapito com uma travessa. Era com esta travessa que se penteavam.

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  6. Quando vi estas fotos vieram as lembranças de quando passava neste carreiro da Perdamêda com a minha avó Coelha; da tia Raquel com as suas cabras; do tio Casimiro Guerra no seu terreno, a ralar milho ou apanhar chícharos. Nestes anos todos nunca mais por ali passei. Fi-lo em Agosto de 2010, aquando da Caminhada de Forninhos. Diferente a paisagem. Nem consigo imaginar este carreiro antes de ser limpo no ano passado. Na minha memória é assim que me lembro dele, bem batido, com o cheiro das ervas, rosmaninhos e flores selvagens à beira. Havia também umas mimosas do lado onde hoje está a casa do Henrique Lopes. Apareciam no caminho lagartixas e às vezes lagartos grandes. A minha avó contava-me uma história sobre estes bichos, a história do “Sr. da casaca verde”.
    Este carreiro é um dos mais pitorescos da nossa aldeia. Dentro da povoação, sentido Moncões-Olivais também há um pitoresco. Era um carreiro também bem batido que acho que se prolongava até à Laginha.

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  7. Boa tarde a todos.
    Esta mulher, (não digo senhora, porque este titulo só se aplicava a quem tinha uma vida mais folgada) que ainda está na memória de quase todos os forninhenses, era realmente, de rija têmpera, como outras desta aldeia e outras tantas como a nossa.
    Algumas tinham umas velguitas onde semeavam uns feijões e plantavam umas couves, outras nem isso, tinham de trabalhar as terras arrendadas e pagar a renda aos senhorios e, sabe deus com que sacrifícios.
    Quando ficavam viúvas prematuramente, lá tinam de criar os filhos sem qualquer apoio.
    Fotos como esta, onde se vê a tia Raquel com um molho, creio, de hastes de grão de bico, assim como outras que já por aqui passaram, podiam e deviam estar já acauteladas para futuro museu ou historia da aldeia, se é que os nossos autarcas já pensaram nisso.
    Tias Raqueles, ainda há algumas na freguesia, mas não tarda que desapareçam e com estas, o testemunho vivido da transição radical do nosso modo de vida.

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  8. Se calhar já pensaram, mas para isso têm de pôr o orgulho de lado, não acha ed santos?
    Estas fotos têm para aí 30 anos e desde então houve uma transformação radical, o velho mundo rústico extinguiu-se, e as “Raqueles” de Forninhos, essas, estão mesmo em vias de extinção, contam-se pelos dedos de uma mão.

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  9. Neste Post fazemos menção especial às mulheres de antigamente, que foram grandes mulheres e que devem ser sempre lembradas. Também houve grandes homens.
    Há mais ou menos cerca de um ano, lembrámos aqui os naturais do nosso concelho que “pagaram” com a vida a sua participação na Guerra do Ultramar, entre eles o filho da tia Raquel, Ilídio Castanheira Coelho.
    Na campanha eleitoral foi prometido um MONUMENTO em homenagem aos Ex-Combatentes. Num ano, em que se comemoram os 50 anos do início desta ofensiva militar, espero que Junta de Freguesia não o esqueça e que este ano seja feita uma homenagem (com ou sem Monumento) a todos os que tomaram parte nesta ofensiva, mesmo os que regressaram com vida.
    Sobre este assunto, podia fazer um Post e não um comentário, mas para já fica esta anotação que é para se lembrarem de assinalar esta data. Que não digam que ninguém avisou ou que avisaram em cima da hora!

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  10. Conheci muito bem a tia Raquel ,era minha visinha , boa mulher , ficou viuva bastante nova mas criou os filhos com educacao.Ainda andei com a Julieta na escola fomos sempre amigas .
    Estou a ver as fotos e recordei muito bem a maneira dela , quando vinha de santa maria com o molho a cabeca e as cabras atras . Naquele tempo os terrenos eram todos cultivados , como os carreiros eram estreitos as cabras iam comendo aonde chegavam , os donos diziam que as cabras da tia Raquel comiam tudo por onde passavam, ela tinha uma maneira muito engracada de falar dizia entao que facam os caminhos mas largos , as cabras precisam de comer para darem o leite para fazer o queijo .
    Que descanse em paz. N. C.

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  11. Merece aqui referir que a tia Raquel nunca teve dificuldade em vender o seu queijo. Era muito limpa e tinha umas mãos abençoadas sem dúvida.
    Os campos que ontem eram férteis, que foram o sustento de tantas famílias, hoje muitos estão abandonados. Onde outrora cresceu o milho, o feijão, o centeio, a batata, o vinho e o azeite, hoje cresce mato e silvas, nalguns, o plantio de eucaliptos (um erro histórico do presente). Dos caminhos estreitos que tão bem conhecemos, imagens de mulheres com molhos à cabeça, homens com molhos às costas. Já não ouvimos nos caminhos a chiadeira dos carros de bois, nem as campainhas e chocalhos das cabras e ovelhas, também já não se ouvem os cânticos ao desafio dos lavradores ou as cantigas das ceifeiras. Apenas aqui ou ali o chilrear de um passarinho, às vezes, o cuco.
    Esta antiquíssima terra beirã tem problemas que são comuns a muitas outras terras da nossa região, mas não pode, nem deve considerar-se uma terra "moribunda", bem pelo contrário. Apenas precisa que os autarcas sobre ela se debrucem e atentem no seu progresso!

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