Este espaço nasceu para dar a conhecer a História, estórias e memórias duma aldeia chamada Forninhos (antigamente Fornos). Vem-lhe o nome certamente por lá ter havido fornos/fábrica de cozedura...assim rezam os livros de História, Lendas e Tradições de outros lugares.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Natal 2018
Ontem foi dia de Natal. Para a maioria das pessoas o dia terá sido feliz, mas outras houveram com razões para estarem tristes, perderam alguém de família ou descobriram que sofrem de uma doença grave, motivos que só cada um sabe e mais magoam, ainda por cima nesta altura... nem sempre o dia e Natal é um momento de partilha de alegrias.
Com esta imagem, quero desejar-vos Boas Festas!!! Próspero 2019!!! e quero ao mesmo tempo prestar a minha homenagem ao meu querido tio Zé (natural da aldeia da Matela), aquele homem de sorrisos puros e alegres e que no passado sábado, 21 de Dezembro, partiu para a vida eterna, levando a sua alegria, para Lá partilhar.
Já sabem o motivo porque não vim antes desejar-vos Votos de Boas Festas do ano de 2018, nem fui aos vossos blogs.
Espero que tenham tido umas prendinhas e o mais importante que tenham conseguido estar com os que mais amam.
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| O céu este ano ganhou mais uma estrela |
Com esta imagem, quero desejar-vos Boas Festas!!! Próspero 2019!!! e quero ao mesmo tempo prestar a minha homenagem ao meu querido tio Zé (natural da aldeia da Matela), aquele homem de sorrisos puros e alegres e que no passado sábado, 21 de Dezembro, partiu para a vida eterna, levando a sua alegria, para Lá partilhar.
Já sabem o motivo porque não vim antes desejar-vos Votos de Boas Festas do ano de 2018, nem fui aos vossos blogs.
Espero que tenham tido umas prendinhas e o mais importante que tenham conseguido estar com os que mais amam.
domingo, 9 de dezembro de 2018
Não se deve apanhar musgo?
"Não há legislação própria e apesar de ser uma espécie protegida, o musgo é colhido às centenas de quilos na época natalícia" (é uma maneira de algumas pessoas fazerem algum dinheiro com a sua venda, tem sido vendida cada caixa com 3 "placas" de bom musgo entre € 6,00 a € 7,50).
Conclusão: O musgo não deve ser apanhado. O ciclo agradece, o solo, os insetos e outros organismos. Há vários países que têm campanhas nesta altura para protegê-los.
Aqui fica uma informação importante acerca da apanha desenfreada do musgo, que está a pôr em perigo grande percentagem das cerca de 715 espécies que existem em Portugal e consequentemente o futuro da nossa terra, como diz o "lema".
Mas eu fico um pouco intrigada com isto, porque na minha meninice, quando se pensava em Natal, pensava-se logo no musgo. É verdade que na Galileia não devia haver muito musgo, devia ser mais areia, mas o nosso presépio sempre foi muito verde.
Mas eu fico um pouco intrigada com isto, porque na minha meninice, quando se pensava em Natal, pensava-se logo no musgo. É verdade que na Galileia não devia haver muito musgo, devia ser mais areia, mas o nosso presépio sempre foi muito verde.
O Espírito de Natal começava nos lugares mais simples, nas matas, quando íamos apanhar o musgo para o presépio da escola. Embora haja muito e em muitos lugares, havia sempre quem sabia onde havia o musgo mais fofo e verde para o presépio.
Agora, não se deve apanhar mais o musgo?
Mas há tanto musgo em Forninhos!
Dizem os entendidos que a colheita de uns pequenos pedaços de musgo é mínimo, mas as enormes "rapadelas" para comercializar têm fortes consequências.
"O musgo pode ser substituído por pequenas searas de cevada, trigo ou centeio. As sementes demoram, uma, duas semanas a germinar e depois duram muito tempo, podendo ser transplantadas..."
Bem me lembro das searinhas de trigo, uma tradição que resultava muito bem como decoração do presépio da nossa Igreja.
domingo, 2 de dezembro de 2018
Bolinhos de cevada
Agora mais guarnecidos, dão pelo nome de sonhos, mas para quem não teve o prazer de provar os bolinhos de cevada, sem ovos, apenas sal, água, bom azeite de Forninhos e açúcar (último ingrediente a acrescentar), passo a apresentá-los:
Feitos a olho, os bolécos (maneira como também são conhecidos os ditos) eram fritos em azeite bem quente (eu já apanhei o óleo) e polvilhados com açúcar. A massa do pão de cevada é repartida em bolinhas, com a ajuda de uma colher, antes de ser frita. Se a massa estiver mais firme, com mais farinha, acabam por ficar redondidos, se a massa estiver mais mole, ficam com alguns "fios".
À merenda eram uma delícia. E ainda são!!
À merenda eram uma delícia. E ainda são!!
A minha mãe ainda os faz, mas agora com ovos e um pouco de leite. Nada enjoativos, pouco doces...fofos q.b...divinais!
Era assim...naqueles tempos difíceis havia imaginação para criar doçaria.
Diz a minha fonte que o trigo, era fidalginho, só ia às bodas e altar sagrado e o pão (o centeio) não dava para todo o ano, então como a cevada amadurecia e era colhida primeiro, era da farinha de cevada que se fazia algum pão e em vez das filhóses de pão (centeio), faziam com a massa levedada os bolinhos fritos de cevada.
E com isto ainda se recorda a lenga-lenga dos cereais:
Dizia o trigo:
- Eu sou o pão alvo e ando pelas festas, comigo não queiram meças.
Aqui a exibição deste cereal para afirmar que era superior a qualquer outro, só estava na mesa dos ricos e em locais sagrados.
Intervinha a cevada:
- Eu sou a preganuda que acudo às pressas.
Referia-se ela à fomes de Maio, quando esgotadas as arcas do cereal velho.
Mas rematava o centeio:
- Eu cá não me gabo, nem deixo de me gabar, mas quem não me comer pouco forte há-de-andar.
Sim, porque o pão era o principal sustento de todas as pessoas.
Fiquei fascinada com esta lenga-lenga.
Dantes tudo falava, para além dos animais, falavam os sinos, falava o pão, falava o trigo e falava a cevada.
(A foto foi roubada, como podem ver pela fonte, porque vergonhosamente não tenho uma minha!)
Era assim...naqueles tempos difíceis havia imaginação para criar doçaria.
Diz a minha fonte que o trigo, era fidalginho, só ia às bodas e altar sagrado e o pão (o centeio) não dava para todo o ano, então como a cevada amadurecia e era colhida primeiro, era da farinha de cevada que se fazia algum pão e em vez das filhóses de pão (centeio), faziam com a massa levedada os bolinhos fritos de cevada.
E com isto ainda se recorda a lenga-lenga dos cereais:
Dizia o trigo:
- Eu sou o pão alvo e ando pelas festas, comigo não queiram meças.
Aqui a exibição deste cereal para afirmar que era superior a qualquer outro, só estava na mesa dos ricos e em locais sagrados.
Intervinha a cevada:
- Eu sou a preganuda que acudo às pressas.
Referia-se ela à fomes de Maio, quando esgotadas as arcas do cereal velho.
Mas rematava o centeio:
- Eu cá não me gabo, nem deixo de me gabar, mas quem não me comer pouco forte há-de-andar.
Sim, porque o pão era o principal sustento de todas as pessoas.
Fiquei fascinada com esta lenga-lenga.
Dantes tudo falava, para além dos animais, falavam os sinos, falava o pão, falava o trigo e falava a cevada.
(A foto foi roubada, como podem ver pela fonte, porque vergonhosamente não tenho uma minha!)
sábado, 24 de novembro de 2018
A noite dos lobos
Naqueles invernos rigorosos, a aldeia era medonha. Não havia luz (electricidade) e toda a região ficava mergulhada em profundo silêncio e total escuridão, provocando medos e cuidados.
Foi numa dessas noites de breu que se passou aquela história em que o ti' Miguel se viu cercado por dois lobos.
"Uma noite", contava a minha avó Maria Lameira à minha mãe, "ainda tu não tinhas nascido, o meu ti' Miguel ia morrendo de medo".
Ela contava que o ti' Miguel era carpinteiro e a sua profissão fazia-o calcorrear as aldeias vizinhas. "Naquele dia tinha andado a trabalhar em Vila Cova e já noitinha meteu a pé pelas matas da Sabugem em direcção à Moradia. Mas antes de aí chegar, apareceram-lhe dois lobos; como o ti' Miguel não era homem de se ficar sacou duma navalha que trazia no bolso das calças e que ao abrir deu um estalido o que assustou os dois bichos que recuaram uns passos, ficando um de cada lado dele.
À entrada da Moradia colocaram-se à sua frente, ao que ele exclamou, fazendo estalar novamente a navalha:
- Adiante camaradas que ainda temos muito para andar!
E, como eles saíram do caminho o ti' Miguel pensou que ao entrar no povo da Moradia estava safo e por isso não se meteu dentro do forno que ainda tinha gente. Continuou...
Ao chegar à Portela, qual raio, saltam-lhe à frente, especados e a espumar, como que dizendo-lhe que dali não passava.
Entre o estalar da navalha, caixa das ferramentas abanada, nada, apenas recuaram um pouco quando voltou a gritar e aqui já mais temeroso:
- Adiante camaradas que ainda temos muito para andar!
Mas mais abaixo, ao chegar ao ribeiro (Pontinha) já o chicoteavam com o rabo nas pernas, tendo-se especado à sua frente, ali junto à agora casa do David e do Constantino e...mais uma vez apenas desandaram ao grito de:
- Adiante camaradas que ainda temos muito para andar!
Meteram pelo Cerrado em direcção ao Picão.
O carpinteiro entrou assim em Forninhos. Na altura tinha na sua entrada um barracão de madeira que era venda e taberna do ti' Penaverde, pai do ti ' Eduardo Craveiro. Tinha o candeeiro a petróleo acesso e alguns rapazes ainda jogavam às cartas.
Quando o homem viu o candeiro aceso, até ganhou uma alma nova e entrou de rompante.
Olham para ele espantados, pois o ti' Miguel estava sobocado, sem fala, meio em transe.
- Ó homem, o que é que há?
Mas o ti' Miguel nada conseguia relatar, só passado algum tempo lá conseguiu balbuciar:
-Dois lobos. São lobos que vieram atrás de mim. Rapazes, ide lá acima ao Picão e vereis!
Eles foram e viram, um cenário negro, dantesco e animalesco, com os dois lobos a lutar entre si, mordidos e ensanguentados. "Tinham perdido a presa."
O ti' Miguel nunca mais esqueceu o susto daquela noite nem o que lhe valeu para contar a estória.
domingo, 11 de novembro de 2018
A caminho das Américas...
Na senda de outras entradas, mais uma sobre a emigração para a América, com o registo de passageiros do navio "Pátria" com saída de Lisboa; são oito os passageiros que vindos de Forninhos chegam ao porto de Nova York no dia 16 de Março de 1916:
17- António Mello, 33 anos, casado com Conceição Fernandes, com contacto estabelecido nos E.U.A., Alípio Gomes (amigo)
17- António Mello, 33 anos, casado com Conceição Fernandes, com contacto estabelecido nos E.U.A., Alípio Gomes (amigo)
20- Diamantino Vaz, 37 anos, casado com Ana dos Anjos, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Esteves Vaz (sobrinho)
21- Adelino Vaz, 40 anos, casado com Virginia Pina, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Esteves Vaz (amigo)
22- Manuel Coelho, 32 anos, casado com Maria Cardoso, com contacto estabelecido nos E.U.A., Jeremias Ferreira (amigo)
23- José Coelho, 35 anos, casado com Ercanação Urbano, com contacto estabelecido nos E.U.A., Jeremias Ferreira (amigo)
22- Manuel Coelho, 32 anos, casado com Maria Cardoso, com contacto estabelecido nos E.U.A., Jeremias Ferreira (amigo)
23- José Coelho, 35 anos, casado com Ercanação Urbano, com contacto estabelecido nos E.U.A., Jeremias Ferreira (amigo)
26 - Francisco de Almeida, 31 anos, avô do XicoAlmeida, casado com Ana Saraiva, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Vaz (amigo)
27 - Diamantino Pires, 33 anos, solteiro, filho de Luiz Ferreira Urbano, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Esteves Vaz (amigo)
30 - Francisco Mello, 26 anos, solteiro, filho de Maria Amália, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Vaz (amigo)
Fico a pensar que este Francisco Mello é o soldado da Primeira Guerra Mundial "Francesco Mehr", de 29 anos.
Confira aqui
Curiosamente a mãe do soldado Floriano Cardoso também se chamava Maria Amália.
Acredito que o José Coelho e o Manuel Coelho eram os irmãos do meu bisavô Coelho, pois a mulher do Manuel Coelho (pai do ti Manel guinário) chamava-se Maria Cardoso e a mulher do José Coelho era Ercanação.
Acredito que o José Coelho e o Manuel Coelho eram os irmãos do meu bisavô Coelho, pois a mulher do Manuel Coelho (pai do ti Manel guinário) chamava-se Maria Cardoso e a mulher do José Coelho era Ercanação.
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