A lei da Separação do Estado e da Igreja, publicada a 20 de Abril de 1911, determinou o inventário de todos os bens da Igreja.
Para se comparar o que hoje existe e o que existia em 1911, reproduzimos aqui o original desse inventário realizado em Forninhos no dia 22 de Agosto de 1911 aonde se encontravam presentes o secretário de finanças do concelho, José Augusto de Carvalho e os cidadãos José Vital de Matos e António Bernardo, o primeiro na qualidade de administrador do concelho de Aguiar da Beira e o segundo na qualidade de Presidente de Junta da Paróchia de Forninhos.
A saber:
Uma igreja matriz, contendo três altares denominados: Altar Mor - Altar da Senhora das Dores e Altar da Senhora do Rosário, bem como tem uma torre ou torrão, uma casa altos e baixos denominada de casa de residência paroquial.
No altar mor a imagem de Santa Marinha, aos lados Santo António, S.Sebastião e ao fundo um crucifixo de madeira dourada - seis castiçais da mesma madeira dourada.
No altar da Senhora das Dores há ao alto uma imagem da mesma Senhora, aos lados o Menino Jesus e S.Pedro, ao fundo um crucifixo de madeira já velho e dois castiçais de metal amarelo.
No altar da Senhora do Rosário, há ao alto uma imagem da mesma Senhora e aos lados o S.Paulo e outra imagem pequena da Senhora do Rosário, ao fundo um crucifixo de madeira já velho e dois castiçais de metal amarelo.
Na torre há dois sinos. No corpo da igreja há dois tocheiros grandes - uma lampada de metal amarelo - uma caldeirinha para água benta - quatro lanternas de latão, uma cruz processional de metal amarelo -um turibulo do mesmo metal - uma naveta do mesmo metal. Ao fundo da igreja está a pia baptismal.
Na sacristia há um armário comoda com dois gavetões para guarda dos paramentos - há três missais.
Paramentos
Duas umbelas de seda branca, uma nova e outra já velha - um baldaquino de madeira rameado a encarnado -um pálio de veludo encarnado - um pano de cobrir a estante -um frontal de veludo preto- um frontal de damasco branco e encarnado -um veo d'hombros branco rameado de damasco - uma capa de asperges de côr verde - uma dita branca - cinco abas -uma casula de renda branca toda rameada -uma casula de veludo preta com galão amarelo -uma dita de damasco encarnado -uma dita de renda branca - uma dita de damasco rosa -uma dita de damasco encarnada -uma dita de damasco verde -duas dalmáticas roxas, com acabamentos verdes - duas ditas de renda branca rameadas -as respectivas estolas e manípulos para todos estes paramentos.
Objectos de prata
Uma custódia, um relicário pequeno - um cálice com a parte interior dourada.
E não havendo mais que inventariar nesta igreja passaram à Capela de Nossa Senhora dos Verdes que é composta por três altares denominados: Altar da Senhora dos Verdes, com imagem da mesma Senhora - Altar de Santa Rita com uma imagem da mesma Santa e Altar de S.Matias, com imagem do mesmo Santo, tendo cada altar dois castiçais de metal amarelo e um crucifixo de madeira. Tem duas casulas -uma de renda branca e uma encarnada - uma aba e as estolas e manípulos respectivos.
Em seguida passaram à Capela de Santo Amaro em Valagotes.
Altar com a imagem de Santo Amaro- um crucifixo de madeira já velho e dois castiçais de metal amarelo.
→ Curiosidade, ou talvez não, voltamos a encontrar num documento do século XX a menção à capela e imagem de Santo Amaro nos Valagotes e não há sequer referência à imagem de Santo António, que no século XVIII era orago da capela.
E não havendo outros bens a inventariar se concluiu este auto, ficando pois tudo entregue ao presidente da junta da paróquia que assinou com os representantes do Concelho e Secretário das Finanças.
O pároco de Forninhos não assistiu ao despojamento dos bens, pelo menos, nesse dia 22 de Agosto de 1911.
Terá aproveitado para tirar uns dias de férias em Agosto?
+ou- 30 anos depois, em 1942, foi feito novo arrolamento ao inventário, pois tinham esquecido os seguintes bens da igreja:
- Uma terra centieira e olival, sita no lugar do Ervedal, denominada "Serrado do Senhor".
-Uma tapada com sete oliveiras sita no "Lugar"
- Uma sorte de terra centieira,com quatro oliveiras,sita no "Lugar"
Datado também de 20 de Dezembro de 1942, ainda foram acrescentados outros bens que haviam ficado de fora do arrolamento inicial:
-Uma casa da Fábrica, junto à igreja paroquial.
- O adro da Capela de Nossa Senhora dos Verdes.
Foram testemunhas presentes António de Almeida de Araujo, solteiro, maior e Artur Manuel Gomes da Silva, casado, ambos comerciantes e residentes na vila de Aguiar da Beira. → Causa-me perplexidade não serem testemunhas presentes cidadãos residentes em Forninhos!
Também assinou com os referidos o Chefe da Secção de Finanças e o Pároco da freguesia de Forninhos,o Sr. Pe. Albano Martins de Sousa.
Fonte: site do arquivo digital das Finanças.
Com a ajuda de um neto de Forninhos, João Nunes.
Obrigada João.