Seguidores

domingo, 31 de agosto de 2014

Cruciformes em Forninhos?

No seguimento dum post anterior "Motivos Cruciformes em Forninhosquero mostrar umas fotos recentemente tiradas em Forninhos, junto à Travessa do Lagar. Na altura, em comentário, escrevi "Acho que sei onde se encontra esculpida uma cruz também associada a alguns cruciformes". Por pura sorte descobri essa cruz (em negrito) e que alegria senti! (O XicoAlmeida é testemunha).
Trata-se duma casa ancestral, classificada na linguagem autóctone de "casinha rasteira" de pequena dimensão no comprimento e largura. Tem uma só porta e conserva, a meu ver, as pedras originais, mas pode não remeter para a presença de cristãos-novos porque a cruz gravada pode estar simplesmente associada a funções de invocação divina para protecção daquela casa (?). Não sei...o que sei é que história de Forninhos sente-se nas ruas e pedras das casas ainda de pé e que só os cristãos-novos tinham necessidade de assim provar a fé imposta, pois os que sempre foram cristãos (cristãos-velhos) não precisavam deste tipo de prova!



1 ou 2 cruzes?

Esta última foto não é a melhor, mas parece evidente que a pedra na parede não foi reutilizada, como por vezes os arqueólogos de formação nos querem fazer crer!
-/-
Uns dias antes dos "Motivos Cruciformes em Forninhos", tinha publicado um outro post que intitulei "A Forca" e como se lê o povo diz foi ali que matavam os judeus (para aceder siga por aqui).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O ZÉ PEQUENO

 

Chama-se Zé, estatura mediana, mas forte que nem um toiro na sua bravura e moiro de trabalho, não fora Forninhos deles descendentes.
Há muito que merecia um obrigado público e perguntarão, porquê?
Por ser talvez dos forninhenses mais ilustres e que atrás de si acarreta autênticas romarias de gentes nos dias de feiras, festas e romarias nas redondezas dos concelhos vizinhos.
Tal vi por estes dias de Agosto em que a ida a uma feira (Nova, Penalva e outras tantas...), era para comer o bom frango do Zé, a entremeada, a marrã e matar saudades de gentes que muitas vezes apenas  por cá passam uma vez por ano. 
Lembro de ir à feira de Fornos com o meu saudoso pai e os feirantes comprarem a carne para assar nestes espaços, pagando o vinho e o trigo. O Zé, ainda tal faz, o assador está à disposição e não fora ele, talvez uma ou outra feira, aonde já iria...
Pedi-lhe na festa da Senhora dos Verdes se podia falar dele e na feira de Penalva do Castelo disse que tal em breve iria fazer. Apenas disse "obrigado, estás à vontade..." e bebemos uma jeropiga fresca.
Portanto, este é o nosso grande amigo Zé Pequeno que não perde uma festa de Forninhos para tal inundar de cheiros gulosos, boa pinga e animação, em detrimento de feiras mais "gulosas".
E lá esteve nos 15 de Agosto, "barraca" montada no adro da capela. Afinal, a festa sem o Zé não seria festa, porque acarreta tamanha alegria e desafios...


Que importa a idade, já pagou a "promessa" e a Senhora dos Verdes já "mora" no chapéu.
Agora prepara a concertina, vai haver desgarrada.


Quase não se dá "vazão"aos pedidos...


Como está cheia a "tenda" do Zé! Ao fundo, um exímio tocador vai prendendo a atenção em desafio


A quem não se faz rogado...

As coisas que este Grande Zé Pequeno nos dá...
Bem hajas Zé!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Festa de Forninhos


Vamos ver aqui momentos da procissão do dia de Nossa Senhora que se realiza a cada 15 de Agosto que é o Dia da Assunção e é nesse dia que se celebram em muitos lugares do nosso país as festas em honra de Santa Maria, mãe de Jesus, sendo que na nossa terra é venerada desde tempos imemoriais com o título de Senhora dos Verdes.



As pessoas vão-se posicionando à sombra nos lugares de ver ou de participar













Acabada a procissão, segue-se as fotos do costume nestas situações, tal como eu com a minha madrinha. Depois as pessoas vão-se posicionando para participar na missa solene que celebra a Nossa Senhora dos Verdes...mas se viram com atenção repararam que Nossa Senhora de Fátima também faz parte desta procissão, assim como alguns santos da devoção (ou não) do povo de Forninhos.
...Continua...

Fotos: Xicoalmeida.

domingo, 24 de agosto de 2014

A "MALDIÇÃO" DE SÃO BARTOLOMEU

Dia 24 de Agosto é dia de S. Bartolomeu, menina fuja ao seu pai, que eu também fujo ao meu...


Pequena, mas bela esta cidade de Trancoso, recheada de história antiga, nobreza e bravura, ainda preservadas por dentro das suas soberanas Portas de El Rey, testemunho imensurável de um passado histórico, tal como idêntica dimensaão conquistou o famoso e eterno Profeta Bandarra, o Sapateiro, qual Nostradamus portugues, nascido em 1500 e que através das suas profecias e escritos do agrado dos judeus, esteve por Ordem do Santo Oficio para ser queimado na fogueira.
Por detrás da capela da imagem, outrora era um fervilhar de gente no dia de feira, sendo que a principal era neste dia em que escrevo, a Feira de São Bartolomeu, famosa pela compra, venda e troca de animais, com especial referencia a troca de burros.
Neste dia partiam de Forninhos calcorreando a pe mais de uma dezena de quilómetros, um rebanho de gente, tocando os animais para negociar na feira, desde as vacas, ovelhas e porcos, serra acima, mas com o credo na boca por ser o dia em que por ironia do destino ardia uma casa, como que o fogo partisse do nada.
Quem ficava, não acendia a lareira por medo, preferia comer de seco e quem voltava da feira, suspirava de alivio por nada de ruim ter acontecido, ficando mesmo assim em alerta até o dia acabar.
Era a maldição do dia de São Bartolomeu que também acometeu a nossa aldeia meio século atrás, reduzindo a cinzas a casa do ti António Melo.
Enquanto tal escrevo, meia dúzia de mulheres de idade conversam na sombra de um balcão de pedra, tão perto que as escuto, revivendo histórias antigas deste dia, quase sempre abafado de calor, tal como hoje.
Tudo parece calmo e nada melhor que ir escutar...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Do baú das memórias: um dia de festa

Vamos de férias, mas antes quero ainda partilhar convosco 7 fotos (talvez com mais de 30 anos) cedidas pelo Sr. João Albuquerque, do tempo em que os andores eram bem conseguidos e fazê-los era um acto criativo e de convívio, pois nesse tempo todos ajudavam. Já escrevi sobre o primeiro ano em que os andores passaram a ser transportados por tractores (2.ª postagem que fiz). Ver aqui: 1977-AGO-15 - A Mudança:

N.S. de Fátima

Santa Rita
S. Mártir Sebastião
Sagrado Coração de Jesus
N.S. dos Verdes


Estaremos de regresso assim que as férias terminem com as foto-reportagens que forem possíveis e outras novidades.
Até à volta...

sábado, 26 de julho de 2014

Curiosidades ligadas aos nossos rios


Em todos estes rios, a água era aproveitada, mediante represas (açudes ou levadas), para regar, tanto de verão como de inverno.
Anda na tradição que este rio (ou ribeira) tem ali junto aos moínhos (do Bombo) um grande açude e neste uma "recolhenta" (termo que não achei no dicionário) a que chamam "Poço do Carro". Contavam-me que um lavrador se deixou afogar no pego, para onde os bois, junguidos ao carro, se precipitaram, levados pela sede e picados da mosca, desaparecendo tudo no turbilhão das águas. 
Desde os meus mais tenros anos, que a caminho da Santa Eufémia ouvia contar a história do afogamento dos bois com o carro, que tem a sua origem na fronteira da Matança, freguesia vizinha de Forninhos.
No entanto, o Sr. Pe. Luís Lemos evocando a imagem que se venera na capela de Santa Eufémia, no lugar da Fonte Fria, freguesia da Matança, concelho de Fornos de Algodres, transcreve no seu Livro "Penaverde - Sua Vila e Termo" que "...o Bombo, arquiavô do actual moleiro, correu em auxílio do naúfrago, de nada valendo os seus abnegados esforços. Apesar de bom nadador, sumiu-se também no mistério das águas. Que acontecera? Tendo-se metido na gruta, encontrou pé seco, mas perdeu a saída. Ali esperou horas sem fim aguardando a morte, sepultado como estava já em vida. Recorreu então à Milagrosa Santa Eufémia e viu, muito tempo depois, um raio de sol iluminar a profundeza das águas, podendo assim vencer a sepultura."
Como muitos de vós sabereis existem documentadas várias santas Eufémias, sendo que a mais conhecida é a de Braga ou Ourense. Segundo a lenda, esta santa Eufémia foi uma das nove gémeas santas (Basília, Eufémia, Germana, Genebra, Liberata, também conhecida como Vilgeforte, Marciana, Marinha, Quitéria e Vitória), mas com isto já me ia a esquecer dos rios.
Enquanto houvesse água no açude, também os moínhos não descansavam, nem eles nem o ti Bombo. Com o burro ajoujado transportava as sacas de centeio, milho e algum trigo . Depois, grão a grão...as mós faziam o resto.
De volta transportava as taleigas com farinha para as mães de Forninhos, cujos filhos haveria de ajudar a sustentar com os saborosos pães de centeio e de milho saídos, a escaldar, dos fornos comunitários.
E a roda só parava nos meses quentes e secos de verão, quando o açude esgotava a força que alimentava os velhos moínhos do Bombo. Mas tal como a roda do moínho, também a roda da vida, quando caíssem as primeiras chuvas invernosas, haveria de ditar o início de um novo clico: da semente, ao fruto...à mesa.

mós do tempo