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domingo, 22 de setembro de 2024

Outono é o tempo a envelhecer

Ilustrado brilhantemente por Maria Keil, o livro "Outono é o tempo a envelhecer" de Maria Isabel César de Anjo lembra a nossa vida na aldeia durante esta bela estação.
Leiam, por favor, pois é tão bonito!


O Outono 
é uma árvore com folhas
amarelas e vermelhas e castanhas
a cair

O Outono 
é o tempo de ir pela primeira vez 
à escola

É o tempo 
dos passarinhos fazerem muito barulho
à tardinha
ao irem dormir nas árvores
que ficam sem folhas.

É o tempo das folhas das árvores caírem nas ruas
e nos parques
e nas matas
fazendo tapetes fofos
que apetece pisar.


O Outono
é o tempo das vindimas
na aldeia,

É o tempo em que as castanhas caem dos ouriços
que picam.

É o tempo
dos magustos
no dia de São Martinho

O Outono 
é o tempo
em que o Sol parece morno.

É o tempo
dos coelhos
e das perdizes
andarem aflitos nos montes 
por causa dos caçadores

O Outono
é o tempo dos crisântemos.


É o tempo
dos míscaros
que as meninas e meninos da aldeia
vão apanhar
aos pinhais
depois da chuva.

O Outono
é o tempo a envelhecer!

domingo, 25 de agosto de 2024

Boas-Noites

Antigamente quase todas as sacadas, janelas, escadas...estavam enfeitadas com vasos com craveiros, sardinheiras ou brincos de princesa...e as mulheres e raparigas esmeravam-se para que estivesse floridos durante quase todo o ano. Já falei em tempos passados das sacadas da casa típica da aldeia.
...Depois muitas casas foram ficando vazias, ainda assim as ruas encheram-se de flores de várias cores, a "Rua das Alminhas" é/foi talvez o melhor exemplo. Espreite o post "Forninhos é um jardim". Mas acho que aplicação anual de herbicidas nas ruas, já destruiu a maioria. Por tal, este ano, fiquei impressionada com a quantidade de canteiros de "Boas Noites" à porta das casas. 


Têm a particularidade de abrirem ao fim do dia, noite após noite, 



e de fecharem durante a manhã seguinte. 


Estas são rosa-purpúras, mas também há, embora mais raras, brancas e amarelas matizadas.



Um encanto!!

domingo, 4 de agosto de 2024

Divulgando e Convidando...

Mais um ano, mais um 15 de Agosto, mais uma festa em honra da Senhora dos Verdes, mais uma concentração de forninhenses para celebrarem a sua festa de eleição.

Programa Completo

A Comissão de Festas convida Todos a estar na festa desde o dia 11 para o "Passeio de Motas"  (o evento incluí pequeno almoço e almoço) e depois no arraial dia 14 com o Grupo Musical JOVISOM e com o artista Filipe Sequeira. 
O Luís Monteiro (LM) ainda animará a noite do dia 15.
Depois da Grande Noite...
...o Dia Grande, dia de Nossa Senhora dos Verdes
A festa religiosa começa por volta das 14h/14h30 acompanhada da "Banda Santar".
Com a participação da Banda ALFA MUSIC o baile começa às 22h00.
E pronto!
Venham até Forninhos
Sejam Felizes

sábado, 13 de julho de 2024

Forninhenses em todas as frentes

OBlogDosForninhenses tem a honra e o o orgulho de mostrar, abaixo, mais um cartão de pré-alistamento americano nchamada Primeira Guerra Mundial, também conhecida como Grande Guerra, o do Francisco Almeidafilho mais novo de Maria Antónia e de António de Almeida ou António de Almeida "ferreiro".
Diz o cartão que era casado, com Ana Saraiva de Almeida residente em Forninhos. 
- Como terá dado a notícia à esposa?
Nasceu a 17 de Março de 1884. Mas o seu registo de batismo refere que nasceu a 17 de Março de 1883. Já escrevi que o ano de nascimento era muitas vezes estimado e na hora do alistamento mentiam sobre a idade e as autoridades responsáveis pelo recrutamento deixavam-se "enganar".
Tinha  31 anos quando fez o caminho das Américas em 1916, como pode ver aqui
As idades de Cartões de registro de alistamento nos Estados Unidos da América, matriculados no Sistema de Serviço Seletivo em 1917 e 1918  podiam ir de 18 a 45 anos. O do Francisco ferreiro, corresponde ao terceiro e último alistamento, a 12 de Setembro de 1918, que foi para todos os homens de 18 a 45 anos não alistados anteriormente.
O primeiro alistamento foi para todos os homens entre as idades de 21 a 31 anos, a 5 de Junho de 1917.
O segundo alistamento foi  a 5 de Junho de 1918, para aqueles que tinham completado 21 anos depois de 5 de Junho de 1917 e um alistamento suplementar incluído no segundo alistamento ocorreu a 24 de Agosto de 1918, para aqueles que tinham completado 21 anos depois de 5 de Junho de 1918.
Cada registrante preencheu um cartão dupla face onde gravou o seu nome, endereço de residência atual, data de nascimento, lugar de nascimento, idade, estado civil, raça, profissão, emprego, status de cidadania e outras informações sobre os seus parentes.


Tanto quanto sei o Poder Político da época, não terá tratado brilhantemente esta geração combatente, julgo que tinham pouca sensibilidade para...
- E se nós, forninhenses de hoje, tratássemos de honrar e homenagear essa gente, com um simples memorial comemorativo?

sábado, 15 de junho de 2024

Os eleitores de 1906-1908

Senhoras e Senhores:
Apresento-vos os 72 eleitores da freguesia de Forninhos, a fim de votarem na eleição legislativa 1906-1908 (quem quiser saber mais sobre esta legislatura, o Google conta como foi...), apenas relembro que naquele tempo...o direito de votar e ser eleito baseava-se nas posses do chefe de família, nas contribuições prediais e industriais que pagavam. Os remediados podiam votar e os mais ricos podiam votar e ser eleitos. Os pobres não tinham direitos políticos, assim como as mulheres.




Feliz por ver o nome dos meus bisavôs e trisavôs neste Caderno de Recenseamento e, ainda mais, por esta achega para a História de Forninhos e da Grande Família Forninhense.

Curiosidades:

1- É curiosa a abundância de homens chamados António e José
2- O professor da freguesia era o Rogério Augusto de Sacadura que foi transferido da freguesia das Quatro Ribeiras, concelho da Praia da Vitória (na Ilha Terceira, nos Açores) para Forninhos, em 1901; o pároco chamava-se António Augusto Almeida Coelho
3- Designavam pessoas pela profissão: António D´Almeida Ferreiro e aos filhos com o mesmo nome acrescentava-se "Junior": António D´Almeida Ferreiro Junior.
4- Um ano antes, em 1905, a Comissão Paroquial de Benificiência pelo Círculo Escolar de Trancoso, no concelho de Aguiar da Beira, Freguesia de Forninhos, era composta pelo párocho e professor da freguesia e ainda pelos seguintes membros:
José Maria Alvares Moreira, proprietário
Thomás da Encarnação Silva, proprietário
Luiz Baptista, proprietário
José Ferreira Saraiva, cultivador
João Esteves, cultivador
5- Anos depois, Junta da Paróquia da 1.ª República integrava os seguintes membros:
Presidente: António Rodrigues Ferreira
Regedor: Manuel Ferreira Urbano
Vice-Presidente: António Bernardo
Tesoureiro: António Gonçalves
Vogal: José dos Santos Marques
Vogal: José Baptista

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Os nossos primeiros professores

Por estes dias tenho andado a ler os Diários do Governo, onde encontrei os nomes dos primeiros professores colocados em Forninhos. O primeiro foi o Senhor Varela, como era conhecido.
Gosto destas surpresas históricas, sobretudo, quando são de coisas, história ou pessoas de Forninhos.


Segundo o Diário do Governo N.º 252, do Anno de 1878, Quinta-Feira, 07 de Novembro, António Varella de Jesus foi provido, por tres annos, na cadeira de Forninhos, concelho de Aguiar da Beira, Districto da Guarda.


A seguir ao Senhor Varela, cf. despacho de 11 de Julho de 1895, veio o professor de ensino elementar Francisco Varella de Almeida Pimentel, de Dornelas (Diário do Governo N.º 153, do Anno de 1895, Sexta-Feira, 12 de Julho).
Por motivo de doença foi-lhe concedida licença por sessenta dias (Diário do Governo N.º 98, Sábado, 2 de Maio, Anno 1896).


Solteiro, faleceu a 02-09-1896, tinha 33 anos. A 27 de Outubro desse ano, Maria de Jesus Fernandes, requer o pagamento dos vencimentos que ficarem em dívida a seu fallecido filho, Francisco Varella, na qualidade de professor, que foi, de ensino primário, na freguesia de Forninhos, concelho de Trancoso...


Veio o professor temporário, António de Almeida Albuquerque, que em 1898 foi transferido com os seu actual vencimento, da escola de Forninhos para a do sexo masculino de Sezures, concelho de Penalva do Castelo.


1899, Quinta-Feira, 12 de Janeiro (Diário do Governo N.º 9), a escola masculina de Forninhos é retirada do concurso anunciado no Diário do Governo n.º 286, de 21 de Dezembro de 1898:


1901, Diário do Governo N.º 29, 06 de Fevereiro, Quarta-Feira, é transferido do concelho da Praia da Victoria, para a de Forninhos, concelho de Aguiar da Beira, o professor Rogério de Sacadura.



1902 (Diário do Governo N.º 11, 15 de Janeiro, Quarta Feira) por despacho de 14 de Janeiro foi  concedida licença de trinta dias, ao professor Rogério Augusto de Sacadurapor motivo de doença comprovada.


1905 - foi criada a escola primária para o sexo feminino na freguesia de Forninhos, concelho de Aguiar da Beira, districto da Guarda (Diário do Governo N.º 201, Quinta-Feira, 7 de Setembro):


Pelo Diário do Gverno N.º 257, Anno 1905, Segunda-Feira, 13 de Novembro, é conferida posse à professora Casimira da Costa Cabral, na escola para o sexo feminino da freguesia de Forninhos.


Em 1906 é concedida nova licença de trinta dias ao professor de Forninhos Rogério Augusto de Sacadura (Diário do Governo N.º 103, 09 de Maio, Quarta-Feira).


Por despacho de 28 de Dezembro de 1907, os professores primários João da Costa Lima e Rogério de Sacadura, são autorizados a permutar o seu lugar (Diário do Governo N.º 4, de 5 de Janeiro, Sábado).


Diário do Governo, N.º 10, Ano 1911, Sexta-Feira, 13 de Janeiro, é concedida aposentação extraordinária ao professor João da Costa Lima.



1911, Diário do Governo N.º 18, de 23 de Janeiro, foi criada a escola para o sexo masculino.


10 de Março de 1911, Diário do Governo N.º56, Antonio Barreiros Cardoso, diplomado pela escola de Coimbra, é colocado na escola da freguesia de Forninhos.



1913, é concedida uma licença por trinta dias à professora de Forninhos Casimira da Costa Cabral (Diário do Governo N.º 131, 6 de Junho, Sexta-Feira) por motivo de doença.



Nesta altura, início do século XX o analfabetismo era muito elevado em todo o país, principalmente nas regiões do interior, note-se que em 1911, dos 555 habitantes de Forninhos, só sabiam ler 21 homens e 10 mulheres. 524 eram analfabetos!