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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A Forca


Toda a lei há-de ter uma sanção. O pelourinho era um dos instrumentos para a respectiva aplicação. Constando de uma coluna de pedra, no cimo do qual, uma gaiola giratória servia para exposição dos delinquentes. Ali dariam várias voltas sempre de cara para o público, para maior vergonha e confusão, além do castigo que, por seus actos, houvessem a receber. Fraudes, furtos e outros crimes menores ali tinham punição A pena máxima era na forca. «O delinquente, no primeiro delito, recebia 20 açoites com baraço e pregão; pela segunda vez 50 açoites também com baraço e pregão; e pela terceira vez seria publicamente açoitado pelas ruas e travessas igualmente com baraço e pregão.» (Mons. Pinheiro Marques).
Velhos monumentos da autonomia dos concelhos medievos, os pelourinhos fossem lugares da aplicação da justiça, da publicação de leis ou somente padrões da independência local, são hoje um património histórico que pertence aos antigos, aos de agora e aos vindouros.
Forninhos não tem Pelourinho, mas poderá ter um testemunho da aplicação da justiça - a Forca que, segundo diz o povo foi ali "onde matavam os judeus" e para completar ou "decorar" a forca, teria de ser construída a trave onde levaria a corda "fatal". 
Por se assemelhar a uma lagareta, há entendidos que consideram esta pedra um lagar destinado ao fabrico do vinho, mas numa visita feita ao local, em 1931, o Sr. Arqueólogo José Coelho de Viseu no seu caderno de apontamentos desenhou e escreveu que era um "penedo de sacrifícios" e o penedo, em Forninhos, continua a chamar-se pelo nome de Forca, pela sua localização ou pela história do sítio medieval de S. Pedro - Forninhos. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Eleições Autárquicas 2013

As eleições autárquicas já lá vão há tempo suficiente para escrever algo digno sobre os resultados obtidos...e, no entanto, os resultados a nível nacional provam que, no momento de decidir o povo escolhe quem acha que tem melhores qualidades para construir um país melhor e, isto é bom, é democracia.


Joaquim Bonifácio foi o eleito para a presidência da Câmara Municipal de Aguiar da Beira, durante o acto eleitoral que decorreu anteontem.
O candidato Independente obteve 50,99% dos votos contra 44,55% do candidato do PSD, Fernando Pires. Na Assembleia Municipal os Independentes também alcançaram Vitória. E nas Assembleias de Freguesia conquistaram as Juntas de Aguiar da Beira/Coruche; Cortiçada, Dornelas, Eirado e Pinheiro. Por seu lado o Partido Social Democrata ganhou as Juntas de Carapito, Forninhos, Penaverde, Sequeiros/Gradiz e Souto/Valverde.
Um dado curioso destas eleições prende-se com a presidência da Freguesia de Forninhos passar a ser assegurada por uma mulher, o que sucede pela 1.ª vez na história da democracia forninhense. Saudamos os novos eleitos com votos que não esqueçam de concluir, para já, a obra do "Largo da Lameira"- uma promessa do programa sufragado há 4 anos e que ficou por cumprir. É o mínimo!
Parabenizando Joaquim Bonifácio, juntamente com os seus companheiros de Câmara, faço votos que não esqueçam Forninhos, porque acima de quaisquer cores partidárias, estratégicas políticas, credos ou crenças, o que nos une é o futuro desta terra. JUNTOS "Pela nossa Terra. Pela nossa Gente" vamos fazer um concelho melhor.
Esta foi a candidatura que ousou erguer a bandeira verde, de ESPERANÇA, o mais alto possível e a verdade é que o conseguiu! 

Fonte: http://expresso.sapo.pt/eleicoes-autarquicas-2013

domingo, 29 de setembro de 2013

A FIGUEIRA DA INDIA

A Figueira da India é um cato suculento, ramificado, de porte arbustivo, ramos clorofilados achatados, de coloração verde-acinzentada, mais compridos do que largos, variando de densamente espinhosos até desprovidos de espinhos. As folhas são excecionalmente pequenas, decíduas precoces. As flores são amarelo ou laranja brilhantes. Os seus frutos são suculentos e doces, sendo a sua pele não muito dura, com alguns tufos de pequenos espinhos e a polpa com muitas sementes que causam algum desconforto a quem os come, mas de sabor agradável.
Aqui ficam algumas fotos que tirei, embora a sua qualidade não seja a melhor, sempre se consegue ter uma imagem de como é a Figueira da India:
                                                              

Aspeto de uma figueira da Indía carregada de futos:
                                  

O Fruto com os seus espinhos muitos pequenos a afiados,
quando ingeridos causam dor e desconforto:


A Flor da Figueira da India:

     
 o interior de um figo:


que depois de ser descascado:


está pronto a ser consumido:


BOM APETITE
 e cuidado com os espinhos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Exploração Agrícola: Arrendamentos, S. Miguel

Capela antiga de S. Miguel - Quinta da Ponte, datada de 1833

Como muitos de vós sabereis, S. Miguel, segundo a tradição, foi quem derrotou Lúcifer, que nos dias de hoje chamam Diabo, e está muito ligado com as uvas e, nesta região, também com a exploração agrícola. Eu explico: quando as terras patrimoniais não chegavam, o chefe da família tomava outras de renda. O senhorio entregava então a terra ao arrendatário, mediante uma renda estipulada em dinheiro ou medidas, que se pagava pelo São Miguel, a 29 de Setembro. Geralmente o proprietário/senhorio não marcava o tempo, mas quando era estipulado prazo, o arrendamento terminava com ele; quando não, a época de as deixar era, em regra, também pelo S. Miguel; ao sair, deixava a propriedade conforme a encontrara. 
Antes da emigração era assim. Presentemente, há muitas terras "de poiso".
Também se dizia que a partir do S. Miguel acabava a sesta e deixava de ser obrigatória a merenda, pois com a passagem recente do equinócio e entrada no Outono, o dia solar fica cada vez mais pequeno. 
E quem não se lembra da festa de S. Miguel na vizinha povoação da Quinta da Ponte há uns anos atrás festejada no último domingo de Setembro? 
Esta festa, como outras, passou a ser feita no verão, mas parece, assim ouvi, que no dia 29 de Setembro...todos os anos... é celebrada uma missa e o povo da Quinta da Ponte, ainda bem, guarda dia santo!

Notas
1- Esclareço que em Forninhos a merenda se suprimia a partir do dia 7 de Setembro, há até um dito que diz que ao caminhar para o Outono a Senhora leva a merenda e traz o Diabo os serões. E, no vinte e cinco de Março vêm as merendas e abalam os serões. Mas podem conhecer melhor o costume das merendas aqui.
2- Aproveitei uma foto do Livro «Memórias do Meu Querido Torrão Natal "Quinta da Ponte"» do amigo José da Costa Cardoso, para evidenciar a festa deste Santo que a Igreja Católica celebra no próximo Domingo, dia 29 de Setembro, este ano também dia de eleições autárquicas, na nossa terra muito relacionadas com a "fé cristã".
3- Esta era a antiga Capela da Quinta da Ponte, datada de 1833, vide pilar direito; tinha um alpendre com gradeamento à volta. Com a reconstrução eliminou-se o alpendre e o interior da Capela ficou mais espaçoso.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Outono


"Vai tomando a terra novas cambiantes: - despidos os agros da flora dos meses quentes, vinhedos e pomares, de seus frutos, sobre eles a entornar-se um sol mortiço de outono, reveste o ar de mãe que deu luz e a quem roubaram a cria. É o verão que foge e se desfaz com o despir das árvores, a caírem uma a uma as folhas amarelentas.
Também as aves já se foram. "Pelo S. Mateus, deixa os pássaros que não são teus". Além dos pardais, fiéis amigos de todo o ano, quer chova quer neve, só se vê um ou outro taralhão esquecido e sorumbático, ou um bando de estorninhos a fazer as malas. Se ainda cá andam, é a picar a bolota ou à espera da castanha que não tarda aí com os ouriços arreganhados, alguns já derrubados, pelo garotio, à taganhada.
Por esse tempo, já os porcos - "com sua licença" - estão na ceva. As batatas miúdas que não se comem, as abóboras, os figos - passante dos Finados já ninguém os quer, "porque foram lambidos pelos defuntos" - e nas casas ricas, "arregaçadas" de centeio cozido, viandas bem enfarinhadas, tudo serve para engordar o bacorinho".

Do livro "Penaverde Sua Vila e Termo" do Padre Luís Ferreira de Lemos - escrito há vários anos. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

As Dornas

Contei aqui há uns três meses, a lenda da moura encantada que uma só vez em cada ano estende suas roupas finas numa nascente na Barroqueira (fonte da moura). Entretanto, comentário puxa comentário, a imaginação levou-nos a outras "paragens": às Dornas, um lugar encantador, que logo à entrada, como que a anunciar tão belo lugar, encontramos este arranjo de flores naturais e de rara beleza:


Depois...de passar os labirínticos meandros dos rochedos graníticos e por vezes apocalípticos, sobre os nossos pés e alguns muito procurar o sítio, 


  eis que vale a pena olhar e sentir a serenidade e frescura do lugar,


não digo que parece estarmos no paraíso, tão distante nos fica o céu, 
mas sentimos que estamos noutro mundo!


Diz a lenda que a bela moura encantada vinha aqui banhar-se 


neste pequeno lago de água cristalina 


E...talvez por isso ainda hoje podemos ver restos da ornamentação


É pois o sítio perfeito para esperar pelo amado e namorar, só que ao pressentir a sua aproximação entre os rochedos deste seu refúgio, a mourinha encantou-o para sempre. Claro que ninguém o vê, só mesmo a objectiva o descobre...e com o passar dos séculos este apaixonado, não correspondido, continua encantado, neste sítio que veio a chamar-se Dornas

Fotos "As Dornas" de Ed Santos que me apraz divulgar. Tenho pena que as caminhadas não passem mais vezes por este lado da Serra. Os mais velhos já têm dificuldade em descer às Dornas e se os mais novos não passeiam por aqui, com o passar dos anos ficará esquecido este "paraíso".