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terça-feira, 2 de julho de 2013

Forninhos, anos 50/60, a migração

Antes da França, já as cidades do litoral, Lisboa e Porto, mas sobretudo Lisboa, atraía muitos dos nossos conterrâneos. Lisboa foi dos primeiros destinos para muita gente. Desde que me conheço, que conheço forninhenses que um dia partiram para a capital na procura de melhor qualidade de vida e ainda hoje se mantêm na grande cidade com as suas famílias.
Hoje pergunto-vos: sabem como era o processo de deslocação para muita gente?


Recuando no tempo, às décadas de cinquenta e sessenta, era no litoral que se encontravam melhores propostas de emprego, em maior diversidade e número. E, terminada a escolaridade, para quem o conseguia, o ideal era, pois, ir para a capital já com as coisas arranjadinhas, com os cordelinhos mexidos. Por norma as famílias contactavam um familiar ou um amigo e pediam o favor de arranjarem  em Lisboa um emprego para o filho(s) dos seus doze ou treze anos (mais os rapazes, mas também muitas raparigas) e ficava-se eternamente grato, muitas vezes subserviente para toda a vida!
Esses adolescentes, não iam de carro: iam de comboio, ou seja: o caminho que seguiam era Forninhos/Fornos de Algôdres ou Estação de Fornos/comboio/Lisboa.
Chegados à cidade que caminho se seguia?
Elas servis, não esquecendo a sua condição humilde, serviam em casas abastadas, outras tomavam conta de crianças mais pequenas e por lá aprendiam a desenhar letra e saber "assinar"; eles, o que se podia arranjar: marçano, empregado numa taberna, carvoaria, etc...e assim iam vingando na vida e desbravando caminho para os que viessem a seguir, até hoje...
Recebiam uma carta da mãe, olhos marejados de lágrimas, lembrando a pequena aldeia onde tinham sido criados e tudo o que haviam deixado...
Era a saudade, claro, mas valia a pena o sacrifício pela busca de um futuro melhor para eles e depois um dia, para os filhos e netos...
Foram muitos os forninhenses que migraram e, mais tarde emigraram (para fora de fronteiras). O facto de hoje as nossas terras estarem a ficar desertas tem a ver com este factor. 

Lembrete:
Alguns leitores leram em Outubro/2012 o conteúdo do "post" sobre a emigração, mas quem tiver um tempinho pode rever outra vez aqui: Forninhos, terra de emigração.

40 comentários:

  1. Olá Xico,
    aqui se deu o mesmo processo, todos foram embora do campo para ter uma vida melhor nas grandes cidades, o campo ficou abandonado por um bom tempo. Hoje em dia os jovens estão ficando em casa e tornando produtiva as grandes área de terras. O que está levando o agricultores a falência são os altos imposto e os juros altos do dinheiro que eles tomam emprestado do banco para conseguirem plantar.
    É uma tristeza ver grandes produtores falidos e seus bens sendo tomados pelo banco. Temos um escritório de advocacia e nossa principal atividade é salvar os lavoureiros dos altos juros. Temos tido grandes vitórias. Meu pai sempre plantou pouco para não ficar refém dos bancos.
    E por ai como está o pessoal que vive no campo? Eles tem anistia do governo para plantar?
    Tenha uma semana iluminada.

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    1. São tempos diferentes de outrora em que o chiar dos carros de bois, foi substituido pelo roncar dos tractores. Perdeu-se a magia rural e as pessoas parecem não parar de correr.
      Forninhos é composto quase em geral por pequenas parcelas e a agricultura, sem ajuda do governo, que pelo contrário face à crise tudo "leva" nos impostos e custo de vida, não é sustentável e vai definhando.
      Os outrora campos cheios de vida e gentes, vão ficando ao abandono.
      Abraço, Anajá.

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  2. Ólá.
    Forninhos desde que me conheço, sempre foi terra de emigrantes, uns para o Estrageiro outros até mesmo dentro do seu País.
    Eram necessidades, pois nem todos eram ricos e para que muitos de nós podecemos ter uma vida melhor, não havia outra alternativa, era a emigração.
    As provas estão presentes em Forninhos e não só, outras terras o demonstram.
    E ainda bem, pois assim, já não existem os grandes senhorios, para quém se trabalhava a troco de uma " malga de sopa".
    Abraço

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    1. Já não existem os grandes Senhorios, mas olha que em Forninhos ainda há pessoas (assim como amigos deles...lá do burgo) que se comportam como "Senhores Feudais"...portanto há coisas que vão e que vêm...!
      Alguns desses "Srs." passaram muita fominha até...e andaram descalços!
      Abraço.

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  3. Uma mala de cartão para emigrar tambem para Lisboa, de óculos escuros.

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  4. Texto lindo, emocionante na parte em que nos colocamos no papel de mãe.


    Isso aconteceu muito antigamente. Meu marido fez o mesmo, ainda da Itália vindo pra cá( ainda bem, só assim nos achamos,rs)( e anos mais tarde, nosso filho fez o caminho inversos. Brasil pra Itália e está na Europa até hoje....

    Os campos das cidades lá estão hoje sendo cuidados por imigrantes ... Os filhos de lá mesmo, não mais sabem fazer!

    beijos,chica

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  5. Olá amigos, ao ler este vosso “post” tive que parar, porque me emocionei muito. O meu pai foi ferroviário (está reformado e graças a Deus há muitos anos) achou por bem nos anos sessenta trazer a sua mulher e as suas três filhas para os arredores de Lisboa para estudarmos numa escola comercial. Visto à distância e tendo em conta a minha idade foi uma decisão muito importante para todas nós.
    Este acontecimento que foi um dos mais “trágicos” da minha vida haveria de me marcar para sempre, por ter sido arrancada às minhas raízes numa decisão de que tomei apenas conhecimento quase na véspera de partirmos, deixando para trás os avós, amigas de brincadeiras…Enfim, toda a aldeia que era também a nossa família.
    Se para mim foi tão difícil esta saída, imagino todos os que partiam sem os pais, para este mundo totalmente desconhecido onde tudo era tão diferente. Pessoas tão novas, crianças ainda eram atiradas às “feras”, para poderem sobreviver, mas gente corajosa e exemplar.
    Embora a minha aldeia fosse um lugar muito agradável para se viver, hoje as condições de vida não têm nada a ver com aqueles tempos, mas a escola primária que na época estava sempre cheia, neste momento tem as portas encerradas e as poucas crianças que existem são obrigadas a deslocarem-se para a sede do concelho.
    Claro, tudo isto fruto da migração daquele tempo.
    Esta era a realidade e mais uma vez agradeço tornarem público neste vosso maravilhoso espaço como as coisas se passavam antigamente em Forninhos e…em praticamente todas as aldeias do Pais.
    Um beijinho. Ailime

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  6. Alguns que por essas alturas vieram para a cidade, ainda por cá continuam, casaram e criaram famílias mas, muito menos numerosas que as suas. Outros, reformados voltaram mas, a maioria continua a ir e vir, os filhos e netos estão cá.
    A vida não o permitia, afinal tinham vindo para remediar a vida e as coisas aqui eram caras.
    Tantos no início viviam, mesmo já casados em quartos alugados.
    Havia primeiro que arranjar trabalho e conhecer a "arte", afinal vinham do campo e aqui não se viam arados, como por lá poucos carros se viam.
    E a confusão de gentes e buzinadelas por entre as ruas de prédios gigantescos, assustavam.
    Pessoas vestidas todas "pipis", que faziam sentir embaraço a quem andara descalço, ou de alpercatas e tamancos.
    Mas a nossa gente aprende depressa e rápidamente se integra no ambiente. Gente corajosa que mal descansava mas, assim também não sofriam tanta saudade da terra, embora sem a esquecer.
    Pouco tempo depois, já não temiam o barulho do mar e iam a banhos, em grupos formados pelos da terra.
    E quando iam a Forninhos, barba feita e aperaltados, já falavam à lisboeta!

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    1. Pois, a vida moderna trouxe outras palavras e "vestimentas", trazidas pelos emigrantes e por nós, os migrantes – os que passamos a vida nos centros urbanos.
      No mês de Agosto é quando mais se nota essa mistura, mas digam o que disserem, certo é que as aldeias depois da migração e emigração nunca mais foram as mesmas!

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  7. Até 1960, muitos forninhenses conseguiram um emprego em Lisboa. É facto. Eram tempos em que as famílias estavam muito depauperadas, pelo que nos anos 50 conseguir um emprego em Lisboa para si ou para os seus filhos era quase um milagre!
    A vida na capital decerto não foi/é fácil, mas continuar em Forninhos ou noutra aldeia do país, com realismo, temos de dizer que era bem pior, as aldeias até podiam estar cheias de gente hoje, mas não sei se a qualidade de vida de muita gente seria o que hoje é!
    Já houve leitores do blog dos forninhenses, sublinho leitores, só leitores, que me contaram como foi "chegar" só com uma mala de cartão e "vencer". Portanto, muitos até comentam o que lêem no nosso blog, pena que só em pensamento, em conversa, mas não o escrevem nos comentários...
    Obrigada pelo Vossos comentários (Ailime, chica, serip e Anajá).
    Xico:
    CONTINUA...mesmo que haja críticas. Porque nós servimos a nossa Terra...não nos servimos Dela...capiche?

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    1. Olá Paula,
      Obrigada pela força e claro que vou continuar!
      Pode ser modesto mas, é um contributo que se pretende dar à terra e se as criticas forem construtivas, serão benvindas, as outras não farão mossa.
      Deste trabalho cativante, ainda a procissão vai no adro.
      Abraço.

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  8. Esa gente de Pueblos que ha abastecido las grandes capitales del País. Aquí, en España, las gentes emigraban para Madrid, Barcelona o el País Vasco.
    Muy buen documento.
    Abraços.

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    1. Tempos um pouco distantes de nossas memorias.
      Corriam/se caminhos na necessidade, procura e aventura.
      Talvez com a mesma coragem com que neste momento, romeiro, cruzas as serranias a caminho de Santiago mas numa necessidade diferente e nao menos importante, pelo contrario, reflexao e paz interior.
      Abraco.

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  9. Tambem sou mais um desse rol de migrantes.
    Casas de familia em Forninhos, aonde nao houvesse,duvido que exista.
    Cada qual na sua epoca e necessidade. Como tudo na vida, afinal.
    Uns por mais necessidade que outros, uns mais preparados para enfrentar a grande cidade por felizmente ja terem horizontes diferentes.
    Dos da minha idade, tambem havia de tudo isto um pouco.
    O arrecadar a qualquer sacrificio o mostrar do sucesso, outros na descoberta mas, tambem com trabalho, de novas formas de vida e absorver as novidades.
    Tambem vim recomendado a determinada pessoa, por sinal conhecida da terra mas, enfim.
    Fica para mais adiante.
    Se falta a fortuna fisica, poucos ricos terao tido a riqueza que tenho tido ao longo dos anos.
    O conhecer tanta gente e participar, desde o desporto, cultura, politica e apoios.
    E acima de tudo, respeitos conquistados e retribuidos.
    Tudo demasiado caro para o dinheiro pagar.
    Fico por agora.

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  10. Xico, gostei desse post, também li FORNINHOS, TERRA DE EMIGRAÇÃO!
    Esse negócio de sair de um lugar para outro é reflexivo e quanta gente passou por isso... Saudades, mudanças de vida/cultura e outras vivências...
    Saí do meu Nordeste há quase 34 anos... Casei e vim para o Centro-Oeste, o outro lado do país... Tudo diferente, um aprendizado novo...

    Um abraço para você e Paula, amigos que nos transmitem muitos assuntos importantes!

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  11. Foram tantas as famílias que migraram que o que se viveu nesses tempos ficará perpetuado na memória que, de quando em vez, se encarregará de nos oferecer um retrospectiva desse momento.
    Também vim para Lisboa e conheci outras pessoas, outros hábitos e outros interesses, mas apesar disso nunca esqueci a terra que foi o meu berço - Forninhos.
    A vida alterou-se, mesmo na aldeia, pelo que hoje emigrar ou migrar já não terá o impacto de então. Contudo, é sempre difícil deixar a família, amigos (se ainda os há!) e a FESTA, sobretudo a festa de Agosto que continua a ser um dia especial e é quando os filhos da terra aproveitam para viver ao milímetro esse dia com os familiares e amigos. Sempre gostei deste dia e ainda hoje o vivo com intensidade e muito entusiasmo. Lembro nos primeiros tempos aquando da marcação das férias, o meu patrão dizer-me que eu marcava as minhas férias de acordo com o calendários das festas da terra :)) Era verdade lol.

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  12. Como é bom a gente ler as vossas postagens amigos, não somente a de hoje, como as anteriores. Relativamente à de hoje, minha existência nesta vida se assemelha muito e me traz boas recordações do passado. Sou natural de uma aldeiazinha, com certeza menor que Forninhos, pertencente ao concelho de Castanheira de Pêra, no distrito de Leiria. Bem novo, com 13 anos, fui para Lisboa trabalhar como marçano, onde permaneci até aos 18, quando então voltei para a terra, já que a vida como marçano era muito árdua, uma vez que a falta de gêneros alimentícios, causada pela II guerra mundial, nos obrigava a ter que perder noites nas filas (bichas), para conseguir adquirir esses produtos a serem depois vendidos na mercearia. Regressando à minha aldeia, em principio fui ajudante de pedreiro e posteriormente funcionário da Comissão Reguladora do Abastecimento, conforme já mencionei em comentário anterior. Em seguida trabalhei em escritório de uma fábrica de tecidos, na vila de Castanheira de Pêra. de onde imigrei em abril de 1953 para o Brasil, onde trabalhei e me encontro até hoje. Felizmente que tenho ido diversas vezes a Portugal visitar família, amigos e, claro, a aldeia de onde nasci. Minha esposa, que também era portuguesa, infelizmente já faleceu. Tenho um filho e uma neta.
    Tudo isto vem a propósito de vossa postagem de hoje contada de uma forma que me trás boas lembranças sobre o inicio de minha vida, assemelhando-se muito com meu passado. Aos 88 anos que brevemente completarei, é muito bom ler vossas postagens amigos Xico Almeida e Paula. Permitam-me tratá-los assim, mesmo porque com minha idade poderia ser vosso avô. Continuem, pois contando histórias verdadeiras, como vem fazendo, porque dessa forma proporcionam aos jovens conhecerem o passado.
    Parabéns amigos. Recebam meu abraço,
    Rodavlas/SALVADOR

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    1. É muito lisonjeiro o seu comentário e ao mesmo tempo com um cariz pedagógico que o blog dos forninhenses desde Nov/2009 procurou seguir.
      Da minha parte, vou continuar a manter esta linha, porque de facto as memórias ainda são quem nos liga ao passado e eu gosto de aprender e saber como se vivia na minha terra.
      Em Forninhos muitas vezes se diz: "Quem não se sente, não é filho de boa gente." e, caro amigo Salvador, eu sinto muito que as pessoas que estão ligadas a esta terra, residentes, migrantes ou emigrantes, que podem partilhar memórias, não queiram participar num diálogo que seria, a meu ver, interessante, tanto para melhor conhecer a sua terra e gentes, como para um apertar de laços a esta aldeia que ainda é bonita, pelo menos, em património natural construído!
      Este é um meio de comunicação que está quase ao alcance de todos (pelo menos, as estatísticas do blog isso mostram) e afinal parece que os únicos que têm vergonha daquilo que já foram são os de Forninhos...e pelos vistos nada há a fazer.
      Um abraço amigo para si e bem-haja por partilhar connosco o seu passado e presente, afinal a partilha não é uma palavra vã!

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  13. É motivo de orgulho e agradecimento, os comentários em torno deste tema sobre a migração de tempos já distantes, de pessoas do lado de cá e do lado de lá do Atlântico.
    Reconforta, motiva e simultâneamente reavivam-se lembranças.
    Pessoas vieram sem serem letradas, nem o nome sabiam assinar, à semelhança da maioria dos pais e familiares que na terra ficaram.
    Na cidade, aos que tinham a felicidade de saber umas letras, era-lhes pedido que "botassem" uma carta para a família.
    A família no recebimento da mesma pedia à carteira o favor de a ler. Já era costume e depois recebia meia dúzia de ovos caseiros.
    Na ânsia de novidades, a pergunta sacra "o que é que diz aí, está tubo bem não está, meu rico filho, que saudades; ai ainda não sabe se consegue vir à Festa de Agosto? que pena, logo ele que gosta tanto, mas já é bom dizer que vem no Natal, só que ainda falta tanto...
    Obrigada Dona Maria por ler carta, já andava arreliada por falta de notícias e estava em consultas."
    E lá entrava em casa, com a carta bem apertada junto ao coração.
    E os olhos brilhavam de emoção.

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  14. Uma carta dos filhos migrantes ou emigrantes era uma prenda dos Correios para uma mãe, uma prenda muito importante!
    Já não sou do tempo em que a correspondência se lia em voz alta à porta da Venda do Sr. José Bernardo, mas lembro-me escrever e receber com alegria as cartas da minha mãe.
    Mas continuo a dizer que o sujeito maior do esquecimento da história da nossa emigração e migração é o povo forninhense.
    Esperamos que um dia Forninhos lembre a sua gente que partiu, porque os que partiram continuam a pertencer ao lugar onde nasceram.

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  15. Muito boa tarde para todos.
    Mais um bom tema para os da minha geração (69 anos).
    Sou um que passou por tudo isto.
    Apenas com 12 anos tive de partir e procurar o meu caminho, correr e trocar experiencias foi o meu lema, mas sozinho, tal como outros tantos das nossas aldeias, gente humilde que o que procurava era apenas uma vida melhor, mas á custa do nosso trabalho, sem apoios, dos nossos pais porque não tinham, e do estado não havia; talvez por isso, a nossa geração tenha conseguido um nível de vida para os nossos filhos, que possivelmente os filhos deles não poderão ter, não porque lha não queiram dar, mas pelo que vemos hoje, pode não ser possível.
    Não me vou alongar mais sobre isto, ainda há pouco tempo aqui escrevi “os passarinhos dão-nos lições de vida”. Para quem entenda.
    Sobre Forninhos, todos sabemos que, tal como muitas aldeias do nosso interior, sobretudo da nossa Beira, deixaram de ser boas para nascer, mas para viver os últimos anos de vida que nos restam, são excelentes; mas como pode acontecer se as suas gentes que debandaram ficaram por lá presas aos filhos e netos (outra vez a lição dos passarinhos) e só vêm em tempo de festas?
    Há dias parei um pouco por Dornelas e fiquei surpreendido, quase todos os companheiros de infância que partiram como eu, regressaram, e querem acabar os seus dias na sua aldeia, isto não é bonito? E Forninhos, digam-me?
    Claro, há exceções, mas poucas.

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  16. Sou mais um que veio para Lisboa, mas já a caminhar para finais dos anos setenta, claro com saudade da aldeia, mas sem grande choque.
    Estava habituado à distância de família e amigos, atendendo a que mal acabei a primária fui estudar para fora e só voltava nas férias.
    Quando chegou a altura de seguir outro rumo, optei por Lisboa, não apenas por ser a capital das oportunidades, mas também pelo conforto de alguns familiares que ajudariam na adaptação e com trabalho poder continuar os estudos.
    Comboio entre Fornos e Santa Apolónia, familiar com carro à espera e lugar em casa até me tornar independente.
    Vinha na expectativa do primeiro emprego, já que alguém o havia garantido a meus pais.
    A pessoa a quem estava "recomendado" era influente no seu meio.
    Tinha sido padre em Forninhos e bem conhecido.
    Tudo fazia prever um bom desfecho, mas não.
    Foi o primeiro choque na cidade, não me ignorou em absoluto, mas a certeza que havia dado na aldeia, traduziu-se num "talvez, vamos ver o que podemos fazer, isto está difícil".
    Foi o baptismo nesta selva citadina.
    Outros houve mas nem todos maus.
    Fica para adiante.

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  17. Olá Sr. Eduardo.

    O tema vai de modo especial ao encontro da sua geração, pela vivência, mas também com o objectivo de melhor aprofundar e transmitir a todas as outras gerações, o caminhar das nossas gentes até aos nossos dias.
    Deixou aqui bem patente o porquê de contráriamente a Dornelas, Forninhos não ver o regresso dos que partiram a não ser de modo esporádico.
    Boa pergunta!
    Pessoalmente vou conhencendo melhor a minha terra e neste espaço muito tenho aprendido e quero continuar a aprender.
    Terra bonita, ancestral, airosa, produtiva mas parece faltar ser apelativa. Será por o ar já não ser tão puro, pelo ambiente de suspeição e crispação, pelas criticas ou silêncios?
    Não sei, mas sem hipocrisia imagino que talves faça parte do problema.
    A união faz a força em todo o lado, aprendendo a dar e areceber.
    Mas por vezes apetece dizer, como cantava Zeca Afonso " já é tempo de emalar a trouxa e zarpar".
    Obrigado pelo seu comentário e receba um abraço amigo.

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  18. Muito interessante este vosso post, bem como o de Outubro passado. A emigração nas décadas de 60 e 70, sobretudo para a Europa, foi muito positiva, pois milhares de famílias garantiram o seu futuro, construindo a sua casa na aldeia, bem como criar condições para obterem uma pensão. Curiosamente, eles tomaram essa decisão por sua própria iniciativa e não por indicação dos governos...O ciclo era mais ou menos assim: 11 meses de trabalho duro lá e 1 mês cá, para matar saudades com a família. Dir-se-ia que era como um tónico, tendo no horizonte curto o prémio do seu esforço. Já a outra emigração para além do Atlântico, era bem mais dramática, porquanto em grande parte dos casos, não havia retorno. Nos dia de hoje, em Forninhos e outras aldeias, não há mais gente para emigrar, o ciclo fechou-se, infelizmente. No princípio dos anos 50 eu pertenci ao grupo dos "marçanos" em Lisboa, posteriormente também andei pelo Nordeste do Brasil, estando agora fixado em Portugal.
    Os meus cumprimentos,
    Manuel Tomaz

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  19. Como tenho dito muitas vezes, quando se quer escrever sobre o antigamente é importante o depoimento de pessoas que viveram as situações. Pessoas como o Sr. Eduardo, Manuel Tomaz e seu irmão…Ailime, Xico Almeida…sem desprimor pelos restantes, obviamente!
    O Sr. Manuel Tomaz tem razão: o ciclo fechou-se. Primeiro, foram as escolas que fecharam as suas portas por falta de crianças e o seu encerramento perpétuo contribui, ainda mais, para o esvaziamento das nossas aldeias. Paralelamente foram nascendo por quase todas as aldeias, Lares e Centros de Dia. Mas como será daqui a uma dúzia de anos? Ainda haverá idosos? Ou será que começarão a fechar, tal como aconteceu com as escolas?
    Se todos os que saíram voltassem, os já reformados, hoje as aldeias estavam cheias de gente, mas então porque não voltam a Forninhos?
    Porque é que os emigrantes e migrantes de Dornelas, depois de uma vida de trabalho, voltam e os de Forninhos não!?
    Forninhos não vai no bom caminho? Vai, mas…
    - Forninhos devia estar muito acima de qualquer cor ou credo político.
    - Há que ter respeito por todos os que construíram esta terra ao longo de séculos.
    Em resumo, o baluarte dos dornelenses se calhar é Dornelas, de Forninhos é uma sigla, daí não ficar surpreendia que os naturais de Forninhos não queiram voltar!

    * Baluarte [Figurado] Localidade onde se entrincheiram os defensores de uma ideia ou de um partido.

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    1. Olá Paula, quanto ao encerramento, daqui a alguns anos, dos Lares de Idosos, não tenhamos dúvidas, tal como as escolas, a seguir são os Lares. É um destino certo!
      Abraço,
      Manuel Tomaz.

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    2. Certíssimo. As últimas décadas ficarão na História, por uma diminuição acentuada da natalidade e do êxodo da população jovem das zonas rurais. Ou seja, já nascem poucas crianças e se as mesmas abandonam a terra natal quando atingem a idade adulta, isso faz com que os filhos desses jovens nasçam em áreas urbanas; os pais e avós, tá bem, que permanecem, mas vão envelhecendo (impedindo também novos nascimentos) e, por consequência deste ciclo, a população fica resumida a idosos e por este mesmo motivo, a taxa de mortalidade aumenta e o encerramento dos Lares e Centros de Dia também se aproxima à medida que a sua população vai desaparecendo.
      Abraço.

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  20. Num comentario a este tema disse que continuaria mais adiante.
    E vou continuar, tomara que outras gentes de Forninhos, aqui deixassem testemunhos, pois cada um na sua maneira, devera ter tido vicissitudes, reversos e coisas boas.
    Afinal, o aprender da vida.
    Depois da traicao do padre, haveria que procurar oportunidade de trabalho e eu tive a sorte da Gulbenkian que me permitiu continuar a estudar e ao mesmo tempo trabalhar.
    Mas tive de ir lutar!
    Tres a quatro anos depois, o congelamento dos acessos aos quadros, sendo de referir que ainda fervilhavam os excessos posteriores da nossa bela, apesar de tudo, Revolucao dos Cravos, a ler anuncios de jornais, entrevistas quase todos os dias, expectativas positivas e por ter em termos profissionais e academicos, enriquecido o Curriculum.
    Passado mais de meio ano, por ironia e citando o ditado de que nao ha fome que nao de em fartura, recebo quase em simultaneo duas propostas de trabalho, com cargos muito semelhantes e regalias. Optei pela Banca, na qual sem presuncao, sobi nesses anos varios escaloes.
    Para a tal chegar, muito sofri nesse doloroso meio ano, nao por falta de habilitacoes, mas por na altura a prioridade de emprego ser atribuida aos retornados, com todo o respeito que por eles sempre tive.
    O recomecar a vida, mas isso eu tambem.
    Nao me sentia culpado.
    Como nao sinto.
    Adiante continuarei, na esperanca da vossa partilha.

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    1. Pois é amigo Xico, será que pode considerar traição do padre por lhe não ter arranjado emprego? Porque não ver esta atitude como uma lição de vida?
      Eu hoje sinto orgulho por ter tido muito emprego, que aliás, só me enriqueceram, e nunca ter sido demitido, mas sobretudo por nunca ter entrado por cunha, seja ela de que modo, e para onde quer que seja, ainda hoje alimenta o meu ego.
      Se o tal padre lhe arranja-se emprego, de certeza que ainda hoje lhe estava grato, não seria assim?
      Também fui retornado, fiquei em Cabinda depois de lá ter cumprido o serviço militar, esta terra era Portugal, e quando vim, nas circunstâncias bem conhecidas, não pedi apoio do estado nem de quem quer que seja, procurei trabalho como era meu dever, nunca pensei em tirar emprego a ninguém apenas queria trabalhar no meu país, independentemente do que os políticos tinham feito com a minha vida.
      Arranjei trabalho, que respeitei muito, progredi com dignidade e, como sabe, não herdei, mas comprei uma casinha em forninhos onde queria morrer, o mesmo podiam e deviam fazer, os naturais desta terra, porque as pessoas vão e vêm, mas o bem-estar, o sossego continua a ser forninhos.
      Um abraço para todos, mas especial para o chico.

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    2. Tem razão caríssimo amigo, ainda bem que o padre não ajudou, acomodava-me possivelmente, dele ficaria "refém" no agradecer e assim arribei caminho.
      E ao saber a história dos Serafinzinhos, se é que me entende...ainda hoje teria remorsos.
      Há males que vêm por bem!
      Forte e sincero abraço.

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  21. Fiquei viajando sobre essa história das chegadas das pessoas em Lisboa.
    Abraços.Sandra

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  22. Gosto da tua história Xico. Ainda tens de dizer-nos o nome do tal padre bem conhecido ;) que quase te ignorou quando chegaste a Lisboa.
    Outra gente gente simples e boa, veio trabalhar para a capital, novitos, deixando um vale de lágrimas no rosto das mães e irmãos. Ainda hoje há pessoas que têm gravada na memória essas partidas, e é difícil acreditar que a nossa gente não goste de partilhar...mas é o que temos!
    Um amigo nosso que veio para Lisboa nessas circunstâncias foi o Zé António Guerilha. O Zé António até foi um dos que voltou à sua terra, e depois Deus leva gente tão boa e gente tão nova. É difícil acreditar!

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    1. Obrigada, mas vai no princípio.
      Outras cenas haverá mas tenho que me resguardar. Se calhar sem efeito, pois tanto de mim já inventaram. Se disser que não fiz, dizem que fiz e ainda acrescentam.
      Invejosos, cuja migração vai ter como destino as profundas dos infernos.

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  23. Xico e Paula,

    Confesso que fico emocionada ao ler posts como esse. Só quem já saiu de sua terra, deixou tudo pra trás, pra entender a profundidade disso tudo.
    E, não só pra quem deixa o país, mas para aqueles que vão para as cidades maiores, em busca de mais oportunidades.
    Meu pai fez o mesmo. Saiu de uma cidade pequena, e foi pra cidade grande.
    Eu gosto demais de viver aqui na NZ, como vocês sabem. Mas, vocês acham que eu ficaria longe dos que amo, se tivesse as mesmas oportunidades por lá? Claro que não. Um dia, vou abrir meu coração por inteiro lá no blog, e falar muito mais sobre essa minha decisão.
    Lembro-me do outro post sim. Foi um dos mais lindos que já li por aqui.

    Ah.. e demorei tanto pra chegar aqui, que vocês devem estar pensando que essa amiga expatriada esqueceu de vocês. Rs Que nada, eu demoro, mas venho.Rs

    Abraços

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  24. Aqui deixo algumas memórias como migrante.
    Nasci e vivi em Forninhos até fazer o exame da 4ª classe; seguidamente fui estudar 3 anos para Fornos. Em 1956 vim para Lisboa, indo morar para casa dum primo em Alfama; trabalhava na Rua Jardim do Tabaco a fazer cadernos escolares de 50 e 100 folhas da marca "Pronto" e, estudava à noite no Instituto Lusitano do Comércio, situado na Rua da Palma ao lado do Teatro Apolo, que entretanto foram demolidos para reformular o Martim Moniz.
    Passado pouco tempo fui trabalhar para um escritório na Rua dos Bacalhoeiros, estudar para a Escola Comercial Dª Maria II, que funcionava no Liceu Passos Manuel e, morar para casa dum tio na Rua da Escola Politécnica, em frente ao Palácio dos Duques de Palmela, onde o meu tio era porteiro; atualmente funciona lá a Procuradoria Geral da República.
    Aos domingos à tarde, juntavam-se em casa do meu tio muitas pessoas de Forninhos, principalmente empregadas domésticas, na altura chamadas de "criadas de servir" e também apelidadas de "sopeiras", que só folgavam ao domingo depois do almoço até à hora de jantar; algumas só folgavam essas 4 a 5 horas de 15 em 15 dias. Dávamos alguns passeios até Monsanto e fazíamos algumas visitas a conterrâneos. Fomos algumas vezes ao Colégio das Freiras no Campo Grande onde trabalhavam vário rapazes da terra,ao Jardim Zoológico e, à Feira Popular que inicialmente funcionava nas atuais instalações da Gulbenkian, seguidamente passou para o Jardim da Estrela, vindo a morrer no Campo Grande; há uma promessa eleitoral para ressuscitar a feira nas antigas instalações do Aqua Park, no Restelo.
    Recordo com tristeza a morte no Aqueduto Duarte Pacheco, da Augusta do Tio Maximiano, com quem tinha convivido no domingo anterior.
    Ia frequentemente ao Clube Nacional de Natação, situado na Rua de S. Bento, ao lado da casa da Amália Rodrigues.
    Quando vim para Lisboa de comboio Fornos/Santa Apolónia, só fui a Forninhos passados 2 anos, embora os meus Pai me tivessem visitado uma ou duas vezes aproveitando as excursões que na altura faziam anualmente a Lisboa.
    Fui para o serviço militar, tendo sido mobilizado para Moçambique onde permaneci 3 anos, tendo passado pelo Funchal, S. Tomé, Luanda, Lobito, Moçâmedes, Cidade do Cabo, Lourenço Marques, Beira, Nampula, Nacala, Mueda, Porto Amélia, etc.
    Em Moçambique convivi com alguns conterrâneos.
    A viagem de regresso de Porto Amélia a Lisboa demorou 25 dias.
    Regressei no dia 6 de Agosto de 1966, pouco tempo antes da inauguração da Ponte Sobre o Tejo; assisti à sua inauguração no Cais de Alcântara; à noite fui assistir ao fogo de artifício com alguns amigos, em Montes Claros.
    Após a tropa fui trabalhar para a Rua de Dª Estefânia, nos escritórios de uma fábrica de mobiliário de casa, escritório, escolar e hoteleiro, onde permaneci cerca de 30 anos até à sua falência.
    Morei 5 anos na Lapa, 5 anos em Cascais e, em finais de 1976, voltei para Lisboa, Alto do Restelo, em frente ao Parque dos Moinhos de Sant´Ana, onde ainda vivo.
    Gosto muito desta zona onde não há dificuldades em estacionar, tenho os transportes públicos à porta, a farmácia ao lado de casa, a piscina municipal e o Hospital S. Francisco Xavier a poucos metros de casa. As ruas e avenidas são muito largas de todas com árvores; estou perto dos hipermercados e dos acessos a vias rápidas e auto-estradas para todo o País, etc.
    Não conto ir morar para Forninhos, pois além de cá ter e filhos e oito netas, lá os Invernos são muito frios e, para se tratar de qualquer assunto tem que se fazer vários quilómetros.
    Penso continuar a ir a Forninhos várias vezes, principalmente no Carnaval, Páscoa, cerejas, Agosto, vindimas e míscaros; Em Agosto costumo lá ir passar as 3 primeiras semanas, mas este ano tenho que ir mais tarde. devido a ir festejar o primeiro aniversário da minha neta Laura. Até Agosto com um grande abraço.

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    1. Obrigado por este testemunho.
      Uma vida exposta. Bonita e ainda bem.
      Vale a pena por aqui andar e receber prendas como esta.
      Afinal, no fundo, todos somos familia.
      Um grande abraco.

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  25. Amigas e amigos,
    Um grande, mesmo grande obrigado pelos testemunhos aqui deixados.
    A Paula empurrou/me para este tema.
    E tinha razao, despertamos sentimentos e todos fomos e seremos migrantes.
    Temos aqui historias de vida, pessoais e familiares.
    Que orgulho tenho em por aqui andar e pouco a pouco, dando o pouco que tenho, colaborar na historia da nossa terra.
    Quase quatro anos aqui guardados.
    Talvez um livro, se quem comentou, tal autorizar!
    Porque tudo o que aqui esta, nao foi inventado.
    Estao as fotos e nomes.
    E um grande amor pela terra...

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  26. Grata pelas suas palavras primo João. É difícil termos comentários de quem é forninhense, pelo que eu fico contente por receber um testemunho destes e perceber que afinal há sempre alguém que aprecia este blog.
    A ideia do “post migração” surgiu durante o “post emigração” e a nossa ideia é conseguir que quem “nos lê” possam perceber que manter a história da nossa aldeia viva é algo que só se consegue quando Forninhos está de facto cá dentro.
    Hoje, os forninhenses têm uma má relação com o blog dos forninhenses e não lhe dá senão uma importância “passageira”, mas é bom escrever sobre estas temáticas para que percebam que a migração e emigração foi a causa da diminuição da população, mas também a causa de uma melhor qualidade de vida para todos.
    E, é como diz, para atrair a população idosa, ou mesmo impedir a sua migração, é fulcral ter rede de transportes públicos à porta, farmácia e assistência médica. A divulgação das festas, lendas são formas de reafirmação da identidade local; a recuperação do património histórico; o aproveitamento dos espaços naturais de modo a promover percursos pedestres, etc., são iniciativas que podem ser adoptadas para fixar as pessoas, mas estas atracções deverão ser criadas depois da resolução de outras problemáticas que são a causa da migração e emigração.
    Um beijinho e muito obrigada pela partilha.

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  27. A minha historia poderia continuar sem medos e com honradez. Dos poucos que sempre deram a cara.
    E aprendi a ler e escrever, sem necessidade de pegar no carro, para mostrar que tinha comprado a carta. Para andar cem metros ate ao cafe.
    Alguns houve, outros por aqui vi na capitTl, nos arranjinhos.
    Com gente da terra.
    Talvez um dia aqui traga momentos vividos por alguem que saiu de Forninhos.
    Tive a sorte de nao ser rico nem barao, como alguns que conheco.
    Sem ter de fugir do nosso Portugal, como o hommenageado Dias Loureiro, por exemplo.
    Tenho conhecido muita gente, dos mais variados quadrantes e muita, mesmo muita vivencia.
    Talvez por isso, na surdina me afrontem.
    Tomaram...
    Apenas um exemplo, anos atras, o meu irmao Joao ligou que vinha com os Lopes e um filho do Ze Coelho.
    O Benfica tinha um jogo, penso dos quartos de final da liga dos campeoes.
    Os malandros nao tinham bilhete e penduraram no Xico.
    Eu tinha sempre o meu convite.
    Alias, sempre fiz parte da familia do Benfica.
    Na altura e durante anos, tinha na banca a equipa do Benfica.
    Fazia a gestao do seu patrimonio financeiro.
    Era e sou da casa.
    Trabalho deram Yuran e Kolkov, os russos, mas boa gente.
    Veloso, Paneira, Neno, o Sheu ja director, o Bento, grande guarda redes.
    Mais tarde o meu actual patrao Rui Costa. Depois o meu Nunito, Nuno Gomes, que choramos juntos quando intermediei a ida dele para a Fiorentina.
    Mas os malandros vinham de mao a abanar e pouco faltava para comecar o jogo.
    Eles sabem e testemunham.
    Estadio lotado, barreiras e como os enfiar la dentro...
    O meu amigo Eusebio viu/me e disse quando lhe contei que aqueles gajos queriam bola, que ia ver.
    Por mim a tribuna estava certa, mas eles vindos de Forninhos...
    O Benfica ja estava em aquecimento dentro do campo e quase a comecar o jogo, sai do balneario o capitao Antonio Veloso, com quatro convites.
    Nem recordo o resultado.
    Mas viram o jogo.

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  28. Da politica, senhores pseudos, tambem por la passei um bocadinho.
    Direcao da Juventude Socialista.
    Durante dois anos, estive lado a lado, diariamente com o actual Presidente da Republica, Cavaco Silva, depois ministro das financas, primeiro ministro e adiante.
    Todos os dias, cinco a almocar no palacio Marques de Pombal.
    Compravamos eu e ele o Diario de Noticias, alternando a semana.
    Eu o puto mais noivo da GulbenKian, cabelo pelas costas...
    E o teatro, e tanta coisa.
    Por isso ter recordacoes e uma vida a quem um milhao de anos nao dariam uma parte infima.
    Por trabalharem apenas pelo dinheiro, no obscurantismo.

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