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domingo, 20 de dezembro de 2015

Boas Festas, Feliz Natal

Para complementar os meus posts sobre as 'tradições de natal' e 'tradições em extinção' trago uma foto de um grupo de cantadores de janeiras que foi cortesia do Sr. João Albuquerque, pois não estou a imaginar hoje um grupo de homens juntar-se e percorrer a aldeia de porta em porta a cantar as janeiras. 


Cantavam durante 4 ou 5 minutos e acabada a cantoria, lá vinha um copo, uma chouriça e às vezes umas fritas (ninguém falava de 'rabanadas' como agora querem impôr-nos), mas claro o principal objectivo da 'troupe' de cantadores de janeiras era desejar às pessoas da casa muito Boas Festas através dos seus cantares. Se tiver interesse pode aceder aqui e ler as cantigas desse post.
Se em Forninhos ainda cantam as janeiras? Só se fôr por conveniência da Junta de Freguesia e isso a acontecer é com espírito partidário, infelizmente as Janeiras com o tempo transformaram-se em adereço político. Só um milagre conseguia instalar novamente a tradição com o espírito de antigamente!

******BOAS FESTAS ******FELIZ NATAL ******

FELICIDADE para todos os bloguistas, pois não pode haver sentimento mais abrangente que este...Se estivermos felizes é porque tudo o resto está bem. 

Voltamos a postar em Janeiro de 2016.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

As árvores da saudade

Nesta Quadra de Natal é devido que dirija uma prenda especial a todos os nativos de Forninhos. As árvores da saudade...imagens de um Forninhos desaparecido.


Podemos ver as árvores: da fonte e da Lameira (que havia)


e uma fonte sem 'coreto' (que não havia) 

Bem-Haja, Dr. Ilídio Marques por partilhar estas relíquias.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Natal em "Terras do Demo"

Aquilino Ribeiro é um escritor que adoro, não só porque é natural da nossa região, mas porque tão bem retratou a terra que o viu nascer e exprimiu nos seus livros a verdade e a dureza regional, usando muitos termos nossos.
Deixo-vos um excerto genial sobre o presépio da aldeia (das Terras do Demo que englobavam mais ou menos os concelhos de Sernancelhe, Aguiar da Beira e Vila Nova de Paiva)...como ele amava e recordava o Natal em "O Livro do Menino Deus":


«Ia nascer o Menino Deus. Já a beata Clarinha mai'lo João Lájeas armavam a cabana, côlmo de palha, chão de musgo e uma manjedoira para a burra e para a novilha, que era mocha, salvo seja. Em guisa de paredes punham velhos chamalotes, e em tôrno do berço zagais com anhos às cavaleiras, magos de bornal farto e a rude malta dos caminhos. A Clara pernóstica todos os anos mandava cortar à Glorinhas, que tinha muito boas mãos, uma camisa nova para o Menino: cóscora de goma, colarinho à marialva, e ele que era mesmo um torrão de açúcar ria, ria, nem que lhe estivessem a fazer cócegas no umbigo. E assim fagueiro, nas sombras esvaentes, da missa do galo, à luz de vela poucos maiores que pirilampos, o dava a beijar o senhor padre, murmurando:
- Venite adoremus
Lá fora, lutando com as trevas, a fogueira enorme do adro deitava, nas colhidas do vento, labaredas que esanguentavam os muros e vinham laivar, como água-tinta duma profecia aziaga, a carne rósea do Menino. Todos tocavam com os beiços gretados pela intempérie os membros envernizados da imagem e na bandeja depunham o óbulo: um tostão novo, um vintém reluzente, melápios, uma pera morim. E rompia a cantoria estrídula, que os anjos pela certa acompanhavam no Céu em seus arrabis e sanfonas de prata:

Pastorinhos do deserto,
Levantai-vos que é dia;
Há muito que o sol é nado
No regaço de Maria.

Deixai cajado e manta,
Vinde todos a Belém
Adorar o Deus-Menino
Nos braços da Virgem-Mãe.

Leva arriba, pastorinhos
Leva arriba, maltesia,
Já lhe está a dar a mama
Sua mãe Virgem-Maria.»

sábado, 5 de dezembro de 2015

Searinhas de trigo do presépio

No dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, em Forninhos, à semelhança de outras aldeias do país, era dia de semear os canteirinhos de trigo para o presépio (= sementeiras ou searas do Menino Jesus). Era um belo trabalho feito com dedicação pelas mulheres solteiras que se dedicavam às práticas da Igreja e da Religião Católica.

presépio da igreja - ano 2011
Merece aqui especial menção a tia Augusta Saraiva e a tia Augusta 'velha', a tia Cecília e a tia Anunciação e sua irmã Luz, que durante muitos anos os colocaram no presépio da igreja.
Porque em Forninhos não se dá continuidade a este costume ou tradição? 
Durante o ano enquanto comungam até cantam tantas vezes O "meu pão sagrado". Depois existe tanto terreno no adro da igreja para receber esta sementeira que chegado o dia de Reis (6 de Janeiro) até podiam transplantar as searinhas para a terra, pois parece que nem palhinhas suficientes há para adornar a cabana onde nascera o Menino Jesus.

Meu pão sagrado

Procurei-te todo o dia
Mas não Te encontrei
Busquei-Te no irmão,
Mas não te amei.

Meu pão sagrado
Corpo de Cristo
Jesus está em mim.

Convidas teus filhos
Banquete Divino
Na mesa Teu Pão 
Na mesa Teu Vinho.

Refrão

Espiga de trigo
Unidos no amor
Seara madura
És vida, És sol.
(...)

Ainda vão a tempo de semear, nos pequenos pires ou num vaso o trigo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Filhóses de pão

Tento a meu modo transmitir aquilo que as pessoas mais velhas vão ditando carinhosamente no que ainda lhes resta de memórias, no seu genuíno modo peculiar de nos tender nos seus tempos como outrora faziam com a massa do pão (centeio) e do qual sempre sobrava um bocadito para meter na sertã com azeite, pouco, pois a vida era de carestia e afinal a massa já vinha levedada e havia que aproveitar. 

a imagem tirei-a da net, agradeço à autora do blog 'sonhos da su'

Pequenas bolas, mal amanhadas, mas que a canalha devorava derretida pela gulosa prenda que as levava a lamber os restos de açúcar. Por altura do Natal era um pouco diferente, quase toda a gente moía um pouco de trigo, mais não fosse para as morcelas da matação e as filhoses natalícias. Era afinal a celebração de tudo a que foram ensinados pelos seus ao longo de vidas. Dar, receber e agradecer as divindades que a terra lhes atrouxera e por tal pagavam mais cara a moagem do trigo nesta altura por tal ter de ser feito na mó alveira que produzia a farinha mais fina, a mesma que os fidalgos utilizavam todo o ano, até para o centeio e cujas filhoses já levavam ovos, coisas sagradas para os seus rendeiros que os guardavam para a doença ou troco de sardinha na sardinheira ou coturnos para aquecer os pés.
Curiosamente e para que conste, até a cevada semeada para o gado depois de moída servia para fazer bolos deliciosos com o mesmo método: os bolégos, a que agora mais guarnecidos, chamam de sonhos. 
Provem as filhoses de massa de pão...e imaginem a ansiedade das crianças inquietas, agarradas aos aventais das mães, pois a massa do pão nunca mais estava finta.
Eram o seu bolo rei!

domingo, 29 de novembro de 2015

Olhar mais a sério para Forninhos

Soubemos recentemente que Forninhos tem sido alvo de assaltos nocturnos. Pela calada da noite já assaltaram o cemitério e uma fonte nos Valagotes, para roubar peças de bronze e cobre que ali existiam; tentaram assaltar o Centro de Dia e, pasme-se!, os assaltos já chegaram também às máquinas e utensílios agrícolas de particulares!
Mas já em Junho passado soubemos que foram cortados os cabos de um poste de electricidade assim como todos os componentes das caixas eléctricas que alimentavam a Capela de N.S. dos Verdes.
Sou do tempo em que as portas e portões ficavam fechadas só no trinco e tinham um buraquinho por onde passava um cordel que as pessoas puxavam e abriam. Dantes quase ninguém fechava as portas à chave e eram  muito usuais as seguintes expressões "Entre, está aberta" ou "Quem é, entre", mas também sou do tempo em que a GNR a cavalo percorria todas ou quase todas as semanas a nossa aldeia. Provavelmente não esperemos vê-los de novo a cavalo, mas talvez fosse de bom tom que de vez em quando fizessem uma ronda pela aldeia, pois em Forninhos passam os dias, as semanas, meses...e nem sombras de autoridades. 
Será que não sabem que a maioria dos assaltos são preparados com vários dias de antecedência, onde os criminosos vigiam as rotinas dos moradores?


Do cemitério, possivelmente a Junta de Freguesia já participou o assalto às autoridades, mas publico na mesma uma foto em com toda a pompa e circunstância até câmaras levaram para dentro do cemitério, de modo a serem filmados, mas agora nas páginas facebookianas da "Junta", "Centro de Dia" e "Comunidade" ninguém foi capaz de fazer referência aos assaltos frequentes a Forninhos! Até dá impressão que a preocupação real dessa gente é só levar aos que vivem fora, os eventos e festas que se fazem em Forninhos, quando deviam alertá-los sobre estes assaltos e o quanto é importante avisar as autoridades para que a sua 2.ª habitação possa ser "vigiada" e já agora tentar transmitir-lhes algum sentimento de segurança, até porque não é normal registarem-se tantos assaltos e seguidos na nossa aldeia!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Forninhos no mapa da história

Clique para ampliar

Este mapa militar, feito em 1808, é da nossa região. Parece-me que o itinerário era o mesmo que fazia o Correio entre Viseu e Trancoso ao tempo das memórias paroquiais - 1758 - pois pode ver-se Sezures, Forninhos, Penaverde, Cazaes (Casaes do Monte) e Trancoso. 
O itinerário completo por nós conhecido passava pela Insua, Esmolfe, Sezures, Boco, Quinta da Ponte, Forninhos, Penaverde, Casal do Monte, Venda do Cepo, Trancoso.
Também se vê neste mapa mais umas localidades do concelho de Penalva do Castelo: Antas e Vila Cova e do concelho de Fornos (sem Algodres), além do Casal do Monte, consegue-se ver ainda Maceira e Juncais (Juncal).
Agora, para comparação, publica-se um mapa, feito em 1915, já mais de acordo com a realidade que hoje conhecemos, em que já aparece a Venda do Cepo e Fornos (com Algodres) já não aparece na margem sul do Mondego.

Mapa 1915
Mas pondo de parte o mapa de 1915, concentre-mo-nos no de 1808, visto que é provável que foi por esta estrada que nas vésperas da batalha de Aljubarrota, em Abril ou Maio de 1385, passaram as tropas espanholas, que iriam conhecer uma pesada derrota em Trancoso.
Itinerário seguido na Beira Alta, que se encontra em livros da especialidade e se refere à História Geral: Valverde, Pereiro, Pinhel, Póvoa de El-Rei, Trancoso, Venda do Cepo, Casal do Monte, Penaverde, FORNINHOS, Cesures, Esmolfe, Penalva do Castelo, Insua, Róriz, Povolide, Corvos à Nogueira, Rio de Loba, Viseu.
No regresso a Viseu teria sido a batalha de Trancoso.
Porém, não escapa à observação de muitos investigadores (no caso, aos que "investigaram" a terra dos nossos avós) que grande parte do trajecto seguido pelos soldados do Oitavo Corpo do Exército Francês, sob o comando de Junot, em Setembro de 1810, foi também o do Fronteiro castelhano em 1385.
Se há provas da passagem dos exércitos franceses por Forninhos?
Não há, simplesmente porque "todos os caminhos vão dar a Roma"!
Partindo de Trancoso podem os exércitos ter rumado a Viseu através de outro itinerário.

sábado, 21 de novembro de 2015

A raposa matreira

"...Não te esqueças de tapar bem as galinhas senão o bicho dá cabo delas. Ontem no galinheiro da tia Clementina foi uma estragação. Coitada, tem a Páscoa feita!...". Se quiser ver as galinhas, os ovos e a Páscoa, passe por aqui



Vinha a cismar comigo como as coisas haviam mudado...! Há muito tempo  que não ia para os lados das Androas. Estava quase consumida pelo abandono e sem vivalma a quem dar a salvação. Ainda passei pela pela poça acima do nosso lameirito, agora um pouco mais que restolho e do tio Zé Maria e de tantos que deitavam a água nas sortes, nada...Encostei mais abaixo junto ao caminho pois ainda estava quente o tempo e na sombra da frondosa nogueira da qual segundo recordo tinha caído o tio António quando afoito e nela encavalitado a varejava. O que restava era ouvir e que bem que sabia tal...corvos e mais corvos e um ou outro milhafre agoirento em voo.
Mas ao mesmo tempo arrepios, ali longe de todos e sons estranhos, quais trovões surgindo numa tarde calma. Eram os sentidos a renascer passados anos, penso eu! 
Ao lado do ribeirito coberto de silvas e amoras maduras e onde outrora apanhava minúsculos morangos silvestres, ainda medrava uma aveleira, mas nozes e avelãs caídas, era uma vez, estavam ocas. Os esquilos. Quem diria que um dia aqui viriam parar e tudo roer e levar antes do tempo, mas dizem que foi a Venatória que trouxe a praga. Metem cá tudo e a gente que se aguente...
No regresso da quase tardinha ao chegar ao povo, por debaixo da pequena ponte do ribeiro dos Moncões, fico embasbacado, era ela, a raposa de que tanto se falava nos últimos dias pelas vitimas causadas nos galinheiros. nem uma galinha pedrês havia escapado naquela entrada do povo. Diziam que vinha dos lados da Matela, pois de S. Pedro desciam sim, mas os  lobos. Outros que era o ginete ou sacarrabos que apenas chupavam o sangue e deixavam as galinhas estendidas, mas a arguida era por norma a raposa.   
Solitária, ardilosa e atrevida, apreciava e rondava o que ia restando dos galinheiros que ela transformara de outrora, crente e confiante que adiante na aldeia mais havia, pois por ali o que houvera para matar e levar para enterrar na "dispensa" e mais tarde sobreviver com as crias, estava o trabalhinho feito.
Descansei nas bordas da pequena ponte degustando o momento do encontro com a matreira que vi que era bonita, mais ainda naquele pelo luzidio e gostei dela, os galináceos e donos que me perdoem... 
Com as primeiras estrelas a surgir por cima da lua cheia, lembrei coisas contadas ou inventadas como em qualquer aldeia igual a Forninhos em que os sentimentos enraizados por bem se tornam verdades, tal como o caso do sr. que vivia pobre nas fraldas da serra e acolheu uma raposita que ali vagueava já há uns dias e a criou até um dia aparecer a presumível mãe e com ela partir. Dizem que quando o velhinho morreu, ela se plantou junto ao casebre e chorou . Também se presume ter sido o tio Funfas, não sei, mas sei sim do tio Venâncio, caçador nativo e furtivo, que com apenas a arte das ratoeiras, disto sobrevivia, desde lebres a texugos e...raposas, pois a pele dava dinheiro e ele tinha que comer e tal dar aos filhos.
Mas ainda hoje não me larga a lembrança de ele um dia e não sendo a primeira vez, andar ele e outro com uma raposa já morta e por ele apanhada, dependurada numa pernada de carvalho ou castanheiro, pelo povo e de casa em casa, cada qual dando o contributo, por norma em ovos ou outros géneros dos lavradores por terem liquidado a "peste" de quatro patas.
A magia terminou quando ouvi para os lados de Valongo, o que me parecia um choro, mas não, era aquele riso de escárnio e gozão da matreira da raposa.

Foto: Google.
Texto: XicoAlmeida.

sábado, 14 de novembro de 2015

Azeitonas curtidas


Todos os anos por esta altura se apanha a azeitona para curtir, por tal devemos saber escolher e aproveitar a melhor.
A nossa receita é muito simples:
Depois de colhida e escolhida para conserva ou curtir como se diz na nossa terra, lavam-se e metem-se num recipiente com água até Março, altura em que se acredita que já não estão amargas. A água não deve ser tratada, pois as azeitonas são incompatíveis com água tratada, assim, deve ser usada água duma nascente ou água corrente duma fonte classificada como "imprópria para consumo", portanto, sem tratamento de água com doses de cloro, que é um químico responsável pelo cozimento e amolecimento das azeitonas. 
Já agora vou aproveitar para referir algumas nascentes de Forninhos: em Valongo, que os resineiros chamavam de "fonte fria"; outra para os lados de S. Pedro, no Cordão do Abade, naquilo da tia Augusta Moreira. Mais sui generis aquela dos Cuvos, no declive e que nem no Verão mais rigoroso secava, mesmo ao pé da Barroqueira, no Vale das Galinholas. E, em Cabreira, no arreto de cima que foi dos avós do XicoAlmeida.
Nas cidades a conserva da azeitona deve ser feita com água mineral. 
A vasilha:
Não deve ser de barro, é isso mesmo! Deve-se usar uma vasilha de plástico (garrafões usados da água, por exemplo), para evitar a oxidação e amolecimento do fruto em poucos meses. "Azeitonas sapateiras" como nós lhes chamamos não prestam. Nos tempos de fome comiam-se, mas hoje é inaceitável para o paladar moderno. Também antigamente não havia plástico, diga-se! As azeitonas eram curtidas em talhas de barro preto.
Então em Abril muda-se a água e põe-se sal marinho, não leva mais nada e assim que tomar do sal estão prontas para consumir, não se muda mais a água, só se lavando conforme se tiram para ir à mesa.
Mas se quiserem mais rapidez e não esperar 6 ou 7 meses para ter azeitonas prontas a comer, podem optar por azeitonas esmagadas (britadas com o auxílio de uma pedra ou um utensílio pesado) ou azeitonas retalhadas (golpes até ao caroço, com uma faca). 
Ambas as técnicas são mais rápidas e permitem começar a consumir azeitona até ao Natal. São colocadas num balde ou garrafão de plástico e cobertas de água (já sabem a água deve ser mineral ou não tratada) que se muda pelo menos 2 vezes por dia. Quando perdem o ácido (mas não o sabor), o que demora de 15 a 30 dias, temperam-se na última água com sal  grosso.
Antigamente, dizem-me, adicionavam cinza para acelerar o processo! "E esta, hein!".

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

S. Martinho e a jeropiga

Hoje à mesa, recordamos este dia na sua simplicidade de outrora. Do modo em que se festejava com cumplicidade, coisas de união no bairro em que nascemos e crescemos, tal como o dia de São Martinho de quase trinta anos atrás, no entretanto do descascar de mais uma castanha...



- Bons e santos dias!
- Tao cedo e já andas a  cirandar, gostas mesmo daqui... 
- O que quer ti Casimiro, o dia promete calor, quem tal diria...
- Olha que o mundo virou, te digo eu. Já ontem a vaca esfolada raiava no céu para as bandas de baixo do lado de Sezures e do frio nem cheiro, quanto mais da neve, assim nem o vinho se cura. Sabe  la a gente o que vira, se calhar nem as ovelhas emprenham...Dizem que hoje e dia de S Martinho e temos que ir ao pipinho. O meu acho que esta limpo e o do teu pai? deve estar um mimo pois ele sabe tratar, aprendeu com o teu avo... mas queres provar do meu?
- Bem haja, mas mais  logo na vinda, bem haja.
- Tu o sabes, abocanhamos qualquer coisita e provamos. Não me faças a desfeita.
E na volta por la parei e por entre uma mastiga de presunto e bacalhau seco, segredou.
- Sabes que da parte do teu pai ainda somos primos, olha que coisa afinal, somos quase todos na terra entre uns e outros , mas os mais velhos, os antes deles, quanto mais nos agora, tinham um segredo falado por este dia que tenho medo em te revelar por ser restrito, sabes o que quer dizer? mistérios. Mas fica entre nos...Jeropiga. Feita em duas medidas por uma, percebes? sem manigâncias que tem sido um pecado esconjurado pelos lavadores que adoravam os seus vinhos puros e que agora um ou outro fascìnora para ganhar mais algum mistura o que quer que seja, mas a nossa, puríníha.
Surripiavam o mosto e entre umas partes de aguardente e acucar misturado, era um Deus nos acude de mixórdia! 
Mas diz-me tu que tens letras, afinal este santo o que tem de especial, pois o quanto sei tinha uma espada e acudiu a um pobre e lhe deu parte da capa para o proteger do frio e que o soldado foi enterrado neste dia e que mais tarde ficou santo A seguir veio o sol e calor tal como hoje e quase todos os anos. Estranhas estas coisas, pois afinal a gente passa tanto frio nas serras e nem um facho de palha nos acomoda...
- Não se incomode ti Casimiro, santos sao santos e ao menos este podemos festejar, va la, nao  se arrelie...
- Olha ai, não te vás, carago que és cá um apressado, espera e ouve o que te digo. Quantos sois os que cá estais, tirando os que cá estavam?
Achas bem o vinho novo, claro que ainda não limpou bem, mas já começa a ter cor, que achas?
- Já e uma grande pomada!
- Achas, de certeza?
- Claro, ate faz uns picoznhos no céu da boca...
- Mas nao respondeste, afinal quanto sois?
- Meia dúzia,  mais ou menos.
- Boa, e outro tanto daqui. Vou tratar do assunto.
 Nisto grita pela dona Maria,
- Somos quase vinte, mulher!
Por vezes ficam agastados e por tal ela remedeia a coisa,
- Contando com as galinhas, coitadas que ainda aguardam as couves que ficaste de ir buscar. Ainda hão-de esticar o pernil pela fome. Raio de homem que com vinho novo nao quer outra coisa...
- Ouve uma coisa vizinho, confidencia o ti Casimiro,tenho de navegar para a horta pois quem sabe se não irei precisar de uma canja delas um dia, mas com a minha mulher ca me entendo, ela sabe o galo que ainda tem na nossa capoeira la em casa. Quando voltar vou limpar o realejo que sabes que dou uma mão e venham as quadras  a preceito...
Então vai ser assim, dita. Tenho ali ainda no carro das vacas uma carrada de caruma que a fui arrebanhar mais a patroa ontem pelo meio da tarde. Esta sequinha. Castanhas tenho mais de uma arroba delas do lado de Trancoso, pois sabes que por aqui a maligna acabou com tudo, mas descansa que são boas, da martainha, finas mesmo.
Fazemos um belo magusto aqui na nossa rua do ribeiro e olha, se mais vierem cá caberão, mais cântaro de vinho ou requeijão, não vai acabar o mundo. Não leves a mal não gostar da agua pé, cá por coisas, com vinho tao bom que temos, saberia a agua mijona, nao achas? Agora orienta a coisa da tua parte, mas sem finuras pois um magusto quanto mais porco mais bonito. Sei que percebes e não por ti.
Neste caso e se concordares, ficamos firmados, por volta das quatro...  
Dei a volta no ir mas ele gritou
- Não vás, ainda não lambeste a gaja...
A jeropiga, divina e sensual, comprovei e fiquei rendido.
Raio do homem que ainda me goza enquanto de carrinho de mão, de madeira fugia para a horta,
-  Um magusto sem ela, era como um homem casar sem mulher.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Seis Anos

Os blogues (e também outras redes sociais) são excelentes meios para unir comunidades em torno de uma causa, basta para isso que as pessoas assim o queiram. Eu e o XicoAlmeida fazemos o que podemos para que os jovens forninhenses saibam um bocadinho do que eram os tempos mais recuados e tenham um sítio onde procurar informações sobre as suas raízes ou simplesmente de estudo ou trabalho (como tantas vezes nos acontece também).


2009-2015, 6 anos na net a dar a conhecer Forninhos ao mundo

Passaram seis anos desde que o 'novo blog' surgiu. A missão a que nos propusemos tem vindo a ser cumprida, não como ponto de encontro de todos forninhenses que vivem longe da sua terra, mas firme no propósito de que para compreender o presente é primeiro preciso conhecer o passado
A ideia surgiu, quando vi o desenvolvimento que estava a levar o 'Blog Forninhos Virtual' - um blog já desactivado, com pena minha, pois tinha lá artigos e comentários agora bem interessantes para comparação, como um em que 'eles' falavam na instalação de um snack-bar no Parque das Merendas (Alto dos Valagotes) e até da possibilidade de um Parque de Campismo nos terrenos baldios da Freguesia (já vendidos entre 2013-2015).
Eu que acompanhei tudo ao milímetro, para meu bem e para meu mal, só posso rir-me com as garotadas especialmente infantis de há 6...7...anos!
Mas hoje, antes de preparar este artigo, fui percorrer a Internet e buscar (procurar, pesquisar) as referências a Forninhos para além d' O Forninhenses e encontrei até mais do que pensava, pois não imaginava que houvesse tantas páginas dedicadas a Forninhos! A quem não é de Forninhos, isto não deve interessar muito, mas a quem é de Forninhos, peço que abra as páginas. É só clicar no vermelho e depois de ver clicar na seta lá em cima à esquerda e voltar outra vez para aqui.
Desde logo, na wikipédia algumas informações úteis. Aqui.
No YouTube uns vídeos sobre Forninhos e algumas das suas festas e gentes. Aqui.
No Facebook desde Janeiro de 2010,  uma página criada inicialmente, acho, pela Ana Guerra para apoiar a Junta de Freguesia, depois transformou-se num meio de divulgação de fotos e temas (de há uns anos) d´O forninhenses. Aparentemente quem passou a tomar conta do sítio é o Eduardo Santos, de Viseu. Se este senhor mostra outras coisas, não me apercebi. Aqui.
Mas da nossa terra há outras presenças no 'facebook':
Freguesia de Forninhos, negócio local, uma página que veio substituir o portal da Junta de Freguesia, mas nela só encontro cartazes e fotos de eventos e festas e quando precisamos encontrar um acta da assembleia de freguesia para o nosso trabalho, os orçamentos ou anúncios de candidaturas «nada». Aqui.
ForninhosTerra dos Nossos Avós - Um Projecto em Construção, com imensos erros. Se não acredita adquira por € 10,00 o projecto concluído. Já que a página ainda existe, bem podiam continuar pesquisar algo sobre Forninhos e divulgar ao mundo o que vão descobrindo...mas compreendo... já não há 'interesses'.
Centro Social e Paroquial de Forninhos, organização sem fins lucrativos. Aqui. Sabemos que não são os idosos locais, nada dados às novas tecnologias, que nos dão a visão da realidade que os circunda, por isso seria bom sabermos quem publica.
Forninhos Transparente uma página administrada pelo Henrique Lopes (filho e neto de Forninhos) e recentemente o Forninhos Irritante, uma página anónima ou de cobardia (como queiram) que mostram o cada um vê na 'sua' terra.
Se fôr para aproximar aqueles que, por qualquer motivo, estão mais longe e de intervir numa causa comum, que nasçam outras páginas, mas não é que vejo precisamente o contrário? Cada vez há mais divisionismo e medo de falar.
Preparei este artigo porque quando vivia em Forninhos sempre lembro de as pessoas serem muito bairristas, por isso todos pensávamos que éramos melhores do que os nossos vizinhos. Basta darmos atenção à quadra que sempre se dizia: "Cortiçada é terra boa, para dar as melancias/Dornelas para as cebolas/Forninhos para as raparigas". Desculpem as pessoas da Cortiçada e Dornelas, mas era assim mesmo que se dizia. Sem maldade, apenas como forma de manifestar o bairrismo, o orgulho da terra.
Ao olhar para essas páginas facebokianas (se a palavra existe) é que vejo que o bairrismo 'foi-se' e afinal Forninhos não é a melhor terra de todas.
Assim, por tudo o que hoje li, entendi ilustrar o artigo do 6.º aniversário com uma foto de duas boas mulheres, tia Raquel e tia Augusta 'Velha', moradoras que foram no meu bairro - 'O Ribeiro', pois conhecer o passado é uma boa maneira de viver bem o presente e esperar o melhor do futuro

A TODOS OS BLOGUISTAS, SEGUIDORES D´O FORNINHENSES UM MUITO BEM-HAJA POR COMENTAREM O TRABALHO QUE AQUI APRESENTAMOS. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

MIMOS...

Porventura pinceladas de Outono e trazidas da terra por um "almocreve" moderno, mas com o mesmo espirito de quando alguem visitava os seus na cidade e as gentes, quase de maos postas, como que suplicavam se podiam levar uma encomendazinha...
Longe, muito longe, de imaginarem a trabalheira de acarregar estas "peitas" no comboio.  


A Rainha Santa Isabel , replicava ao esposo "são rosas, senhor...", as nossas gentes dizem na sua simplicidade que "são apenas uns miminhos...'.
Mimos de Outono e porventura os mais dourados e duradouros. Este pão de centeio que aguenta dias seguidos, esta marmelada caseira que no rasto ainda deixa a geleia para todo o ano, esta castanha da terra, sim, sem marca, apenas a nossa castanha e sem "porventuras" a melhor...
Coitados dos míscaros que pouco aguentam, mal chegaram e já se foram...mas deixam a ansiedade de um ano depois. Fidalgos e caros, mas pronto, escondidas tantas personagens deste Outono lindo que poderia melhor preencher o quadro, o simples lamento de se não sentir o cheiro da terra.
Da nossa terra. Porventura o melhor e genuíno cheiro do mundo!

sábado, 31 de outubro de 2015

Juventude longe de Forninhos

Há uns anos atrás era este o retrato da juventude de Forninhos.
E hoje, qual é o retrato?
grupo de teatro amador
Sinceramente, não foram coisas que deixassem muitos frutos para muitos anos, mas do nosso arquivo sai hoje esta fotografia para que os jovens de Forninhos, pelo menos os que nasceram depois da minha geração, fiquem com a noção de que com base na música e na ligação religiosa entre as pessoas, nCentro havia animação, com algumas representações de peças de teatro, onde até havia um palco, magustos, festas de Natal, Cursos onde se aprendia um pouco de tudo: cozinhar, costurar, bordar, enfermagem, tratar de recém-nascidos, aulas de religião, etc...
Ainda hoje as pessoas da época se lembrarão desses momentos.

Casa/Capela Mortuária
Mas Forninhos despovoou-se e este imóvel pertença da igreja foi reconvertido para outra finalidade: Casa/Capela Mortuária. Isto deu a polémica do costume com uns a favor e outros contra, mas prevaleceu a pior solução e só depois de benzida em 2009 e inaugurada é que "os projectistas" chegaram à conclusão que as escadas são a pique e difíceis de subir pelos idosos e não só. Assim, passou-se à fase seguinte que foi, em 2011, a Câmara ou Junta (Igreja e Poder Local sempre de mãos dadas) aumentar e arranjar as escadas, ainda assim...

carreta-fúnebre
Há uns anos atrás, jazia no rés-do-chão do Centro, hoje Casa Mortuária, a carreta fúnebre utilizada nos anos 80 no transporte dos mortos, principalmente dos Valagotes (anexa de Forninhos). Perguntam porque não fizeram a Mortuária no rés-do-chão? Devido à humidade, água que escorre com facilidade da lage da Poupeira ali ao lado. Isto é que o dizem as pessoas com quem tenho falado. 
Às vezes a crítica ou polémica existe porque a população não tem conhecimento dos projectos. Mas em Forninhos é sempre assim: Primeiro fazem. Justificam depois!

domingo, 25 de outubro de 2015

Património Popular

Abrigo semi-natural
O troglodita alapardava-se em cavernas, grutas e até árvores ocas, mas com o tempo o Homem aprendeu a dominar o meio, começando a edificar toscos abrigos, de muito precárias condições. A construção de alguns desses abrigos perdurou ao longo dos tempos e, em Forninhos, ainda há memória de estarem ligados à actividade campestre, fosse pastoreio, vigia de terrenos, caça. Em muitos casos o aproveitamento da forma de um penedo dava lugar a uma construção semi-natural. Bastava o levantamento de uma parede encostada a um penedo para se criar uma casita. 

Casa Rural
Para além dessa construção, junto a linhas de água havia (à frente falaremos das fontes) construções melhor arquitectadas, ainda que igualmente rudimentares. Algumas não eram a residência da noite, mas era onde as famílias passavam a maior parte dos dias, desde o nascer do sol até as estrelas aparecerem no céu. Ainda hoje há espalhadas ao redor da povoação de Forninhos imensas casas dessas, aguardando a inevitável derrocada. 
Mas neste 'post' não deverá ficar sem alusão a casinha rasteira de pequenas dimensões, que foi a "moradia" de muitas crianças (hoje homens e mulheres). 


Casas de Habitação
Dormiam muitas vezes pais e filhos na mesma cama, uns virados para a cabeceira e outros para os pés. Isto não foi na antiguidade, foi neste tempo, por tal devíamos ter autoridades autárquicas que se interessassem por as preservar, mas não temos, antes temos  gente que prefere descaracterizar e destruir importantes vestígios da arquitectura popular.
Vejamos:
A partir de certa altura da história do Homem, surgiram nas povoações as fontes de chafurdo. Forninhos também teve uma, à porta do Chico da Palmira. Mais tarde foi a água encanada para o sítio do Lugar, daí o nome "Fonte do Lugar", que ali por 2005-2006 foi transferida para uma rotunda!!! Digamos que é uma fonte viajada e que deve ser uma obra única/original, pois não creio que haja outra igual. Um fontanário no meio de uma rotunda, com bancos e quatro passadeiras a convergirem para o seu centro e ainda por companhia um poste de electricidade! 
Fonte do Lugar/Rotunda
No Portugal de Salazar construiu-se também em Forninhos uma fonte ou fontanário e lavadouro, ao  estilo que o Governo definiu na época. 

Fonte da Lameira/Estilo Salazar
Mas na década de 80, a Junta de Freguesia resolveu edificar uma cobertura para abrigar as lavadeiras e servir de palco duas ou três vezes por ano. Aparentemente sem qualquer finalidade prática, em 2009 e 2011 apelamos à sua demolição, mas como há sempre alguém que diz que não podemos (nós) exigir a um autarca que acaba de chegar que proceda a demolições de obras que outros autarcas erigiram, ou seja, não se pode desfazer o que outros da mesma cor política fizeram, o fontanário lá continua enclausurado. 

Fonte da Lameira enclausurada
Estamos em 2015!
Para mim, devido à sua localização, devido à importância que teve para as gentes da terra onde nasci e sobretudo devido ao seu estilo arquitectónico, não consigo perceber porque aquando da requalificação/obras do largo da Lameira - principal largo de referência de Forninhos - o autor do projecto não estendeu a obra até à fonte/fontanário da Lameira!
Não diziam que para que haja uma mudança, tal não passa simplesmente pela demolição, mas sim por um plano mais abrangente?
Então?
Foi preferível levar a obra para o lado oposto, isto, é, edificando um parque infantil, sem método, nem crianças, que está a ser feito para servir no mês de Agosto?

Futuro parque infantil de Forninhos
Ainda sobre o largo da Lameira, não gostei da aplicação do betão junto às oliveiras. 

Obra da Lameira
Em termos comparativos, infelizmente prefiro de longe o estilo "Estado Novo" do que isto!

domingo, 18 de outubro de 2015

Património Rupestre de Forninhos

penedo das pocinhas
Seguindo para norte, em direcção ao castro, encontramos uma caverna que desde sempre se ouviu falar que foi habitada, mas que agora 'as novas pessoas' dizem-nos que não. Para melhor perceberem, até ao final do mês irá permanecer em destaque, no lado direito da página, uma imagem da caverna.
Frente à caverna, fica um penedo com pocinhas. Sobre ele têm-se debruçado historiadores, entendidos de arqueologia e curiosos, mas até hoje ninguém soube dar uma explicação definitiva, nem mesmo os autores do 'famoso livro' sobre Forninhos que, além de repetirem o que outros autores locais disseram, limitaram-se a medi-lo e dizer que "a atravessá-lo longitudinalmente, é também possível observar um largo e fundo sulco gravado com 10 cm de largura e 10 cm de profundidade". Afinal passou por aqui gente tão sábia e não se deu conta de que noutros penedos se encontram sulcos iguais!?! Enfim...Mas antes isso do que dizer que foram as crianças que enquanto pastoreavam os seus rebanhos passavam os seus tempos sentados em cima do penedo a inventar arte rupestre!

penedo nos Cuvos também com sulco gravado 
Olhando, fica a tristeza de não termos muitas mais hipóteses de sabermos o significado das pocinhas e sulcos gravados.

Da Barroqueira à Ribeira de Cabreira

corredor das loijas



Já outras cavernas, por nós conhecidas como 'as loijas', atendendo ao local onde se situam, parecem-me impróprias para habitação permanente, podem é ter servido de abrigo sazonal quando o homem ia de um lugar para outro caçar para se alimentar, mas atendendo à ventilação natural já me parece possível de serem habitadas por homens primitivos...não sei e também acho que nunca o iremos saber.
O acesso não é fácil, a menos que ganhemos alguma coragem, peguemos nuns engenhos próprios para roçar o mato e boa sorte...nunca lá fui, digo isto porque é bem evidente a quem passa pelo caminho que pela altura a que se encontram 'as loijas', pedras, mato e silvas são um obstáculo.



Nas margens do ribeiro ou ribeira o desleixo não é menor. Mato e silvas começam a impedir o acesso 'às Caldeirinhas' e 'às Dornas' e a autarquia nada faz para tornar este belo local visitável.


Mais adiante encontramos num baldio de Cabreira um outro abrigo cuja pedra da cobertura parece a cobertura de uma anta. Não sabemos se é ou não é, mas primeira constatação: o baldio não está limpo; segunda: seria interessante a autarquia encomendar uma escavação, pois é muito provável existirem ali ainda restos arqueológicos, que poderia provar a sua utilização em tempos muito antigos!
Foi tão fácil concluir que numa terra fértil, haveria uma quinta agrícola romana e é tão difícil fazer todo um trabalho de investigação e limpeza no campo?!?

domingo, 11 de outubro de 2015

O almejado "filão" do turismo

Forninhos tem duas casas de turismo rural e estas casas de turismo de aldeia surgiram com o apoio das autarquias, por serem uma mais valia, mas não sei porquê os autarcas não apostaram na atractividade da freguesia, de modo a torná-la visitável. Não é matéria nova, porque já escrevi estas linhas noutras ocasiões, mas já dizia Vergílio Ferreira «Não te coíbas de repetir o que já disseste, porque és pequeno e só assim talvez será possível que te ouçam».
Em cada semana, ao domingo, vamos trazer um pouco dos "atentados" ao património deste nosso recanto beirão.


Então, temos um Castro que não é nada mais, nada menos que o antepassado do Castelo, correspondendo a uma comunidade/aldeia rodeada de muralhas defensivas. 
Embora difíceis de identificar por se tratar de simples amontoados de pedra, temos ainda em S. Pedro, vestígios de casas da antiga aldeia, construídas antes da chegada dos romanos: eram casas redondas, feitas em granito, sem argamassa; vestígios de um cemitério paleo-cristão e há ainda a memória de um "templozinho medieval" que chegou quase aos nossos dias. 
Mas ao longo dos anos, este local tem vindo a ser alvo das mais diversas delapidações, desde a destruição da capela e das casas que dizem foram sendo destruídas pelas crianças que pastoreavam os rebanhos e que brincando se entretinham a estragar essas habitações (??), à abertura de um caminho rural por parte da Junta de Freguesia que destruiu parte do cemitério, plantação de eucaliptos por parte de particulares, "ataques" de pedreiros e de "caçadores de tesouros"...
Desde o início  d' O Forninhenses que alertamos as entidades competentes da importância deste sítio para a identidade de Forninhos. Há muito, registamos, situações anómalas como desaparecimento dos sarcófagos e recolha de pedras. Até hoje, acho que não estou enganada, não ligaram importância.
Dado tudo o que já aconteceu e de modo a evitar mais destruição, está mais que na hora de a Junta de Freguesia de Forninhos proteger "O Castelo" começando pelo levantamento do cadastro dos proprietários para levar a efeito, se necessário fôr, um processo de expropriação das parcelas das respectivas áreas a serem expropriadas.
Afinal nos tempos mais recentes, a Junta de Forninhos, tirou ao povo o que a este pertencia, ou seja, vendeu ilegalmente a particulares uma grande área de baldio e recebeu uns milhares de euros que acho podiam ser investidos pelos seus representantes na aquisição dos terrenos particulares. É que agora não há a desculpa de falta de dinheiro ou há?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Outras histórias da aldeia

Melhor, estórias do demo. O borborinho!


Veste vários nomes conforme a região, sendo que muito parecidos e por tal aqui impera na nossa aldeia de Forninhos o "bolobrinho".
Afinal o que é? Um normal redemoinho de vento que pelo seu misticismo convém recordar, por fazer parte da cultura ancestral.
Levava com ele as almas penadas dos que haviam feito mal nos campos a outros agricultores e agora sem modo de se redimirem. Outros, acreditam que anda no ar o diabo ou as bruxas ou qualquer coisa ruim, sendo que quando ele se levanta, vai um diabo em cada folha...
E depois do Credo e Abrenúncio, o alívio do dizer de ...lá vai o bolobrinho!
Se quiserem "escutar", relato aquilo que ouvi dos poucos que procurei, pois falar de coisas de medos, ainda por cima quase segredos...mas cá vai o relato fiel.
Uma vez nas fraldas da serra de S. Pedro, a ceifa do centeio havia terminado. Mulheres e garotada rumaram para a aldeia ficando apenas os homens a fazer a meda do centeio depois dos molhos atados. Eis senão quando...vê-se um bolobrinho a formar e um dos homens disse "qualquer palavra mal dita" do que os outros não gostaram e por tal lhe taparam a boca - porventura o que lhes valeu - pois o bolobrinho ergueu pelos ares um molho de centeio e como que por magia o assentou direitinho no mesmo lugar!
Outra vez e esta mais pessoal, andava o meu pai na várzea da Ribeira, encostada ao rio Dão e esta parcela tinha dois poços de água, sendo que eram tirados a balde através do picanco, para o regadio, isto antes dos motores de rega. O outro que estava com meu pai, era o ti Luís, filho do ti Eduardo Bento. No entretanto, do outro lado do rio, na estrada que vem de Dornelas, surge um bolobrinho e o meu pai aflito grita para o outro que lá vinha o diabo e "este" arremeteu direitinho a ele sendo que o que o salvou foi ficar bem agarrado na vara do picanço, senão teria voado...
Também uma vez, andava um grupo nas lides do campo e eis que na hora da piqueta por ali passa um pouco ao lado, o bolobrinho. O dono da safra, pouco incomodado, atira para o meio do redemoinho de vento a faca com que cortava o pão e o conduto e trabalho feito foram para casa.
Dias passados, o compadre dele que ali tinha andado foi a sua casa e convidado para uma mastiga, vê em cima da mesa a faca que havia sido atirada. Estranhou e comentou que não se deve meter com quem lá vai. Quem lá vai, lá vai... e durante anos cismou no que se havia passado pois porventura o compadre podia fazer parte daqueles mistérios e medos.
Quem dizia que os bolobrinhos se formavam nas encruzilhadas dos caminhos, com certeza estaria a confundir tal com o lobisomem, este sim, outrora passava frente a casa da tia Adelina, onde foram criados os Pulhas, batendo fortemente os cascos...dizem que era da Matela, mas fica para outro dia...