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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Nomes de Família

Hoje é assim: "A escolha do nome próprio e dos apelidos do filho menor pertence aos pais; na falta de acordo decidirá o juíz, de harmonia com o interesse do filho" - artigo 1875.º, n.º 2, do Código Civil".
Mas noutros tempos como era?


Forninhos: meu baptismo

Ao que apurei, outra gente se metia nesse assunto, pelo menos os padrinhos de baptismo, o pároco e o delegado da Conservatória do Registo Civil. Por exemplo, o delegado chegava a impor que o filho mais velho levava o nome próprio igual ao do pai. Dou um exemplo bem real da minha família, pela via materna:

Pai
António Rodrigues
Filho mais velho
António Augusto Rodrigues (o nome real do meu avô era António Augusto Rodrigues, mas desde pequeno que era conhecido por "Antoninho Matela").
Mãe
Maria dos Santos

Os filhos por vezes só levavam o apelido do pai e não tinham direito a qualquer apelido por parte da mãe. 

Pela via paterna:
Pai
Eduardo Albuquerque
Mãe 
Teresa de Jesus
Filhos:
António Albuquerque
Maria dos Prazeres (uma pessoa podia receber apenas dois nomes próprios comuns e nenhum nome de família).
José dos Santos Albuquerque
Clementina Albuquerque
Rita Albuquerque
Ilídio Albuquerque

Eu também herdei o "Rodrigues" pela linha materna e o "Albuquerque" pela via paterna, mas gostava de ter herdado o nome de família da minha avó paterna, que já vem desde pelo menos os meus trisavós: "José Dias de Andrade" e "Carolina de Andrade". 
Gosto da combinação "de Andrade Albuquerque", que o meu pai, José Samuel, herdou. Mas o meu pai podia ter-se chamado "José Samuel Coelho Albuquerque" pois "Coelho" era o último nome de família da minha avó Maria, que não aparece no nome de ninguém lá de casa...Neste caso a minha avó Maria, Maria de Andrade Coelho, conhecida por "Maria Coelha" não herdou o Albuquerque do pai "António Coelho de Albuquerque" e note-se que à excepção do tio Zé Carau, todos os seus irmãos tiveram direito ao "Albuquerque". Mas a geração dos meus avós não foi a última "marcada" por estas anomalias. Acho que só a partir da minha geração as coisas entraram mais nos eixos.




Outra disparidade e irregularidade, que podiam bem ter-se evitado, se o tal delegado não se metesse no assunto, é o do registo da data do nascimento. O meu registo é um bom exemplo. O meu documento oficial diz que nasci a 4 de Janeiro, embora tenha nascido a 29 de Dezembro e não foi porque houve atraso no meu registo de nascimento. Contam-me os meus familiares que o Sr. da Conservatória do Registo Civil achou que a menina (eu) devia ficar registada no ano novo novo e assim foi. Fiquei registada num dia, mês e ano diferentes!
Sempre festejei o meu aniversário a 29 de Dezembro e só uso o nome próprio e o último apelido, que é o Albuquerque que herdei por via paterna, mas o meu avô paterno, José dos Santos Albuquerque, o meu pai e o seus irmãos nunca foram conhecidos pelo apelido Albuquerque, mas sim pelo apelido que a aldeia os rotulou - "Cavaca", sem que eles se importassem com isso. Isto é igual em todas as aldeias...as pessoas são conhecidas pelas alcunhas...
Curioso é que o nome de família do avô e bisavô maternos do meu pai era também Albuquerque.



Nota: as fotos que publicam são do meu baptizado, porque antes do delegado da Conservatória do Registo Civil, eram os padres quem registava os nomes.

terça-feira, 25 de abril de 2017

1974-2017 - 43 Anos de Liberdade

«Um abraço para todos neste dia ESPECIAL.
Sobretudo para todos os que usam a Liberdade com Saber e muita Coragem, com inteligência e Respeito.
Um abraço para todos os que nos últimos 43 anos perceberam que a Liberdade é um bem adquirido e que tem regras, limites e fronteiras. A Liberdade não foi criada para roubar, para ultrajar o outro.O vizinho, o familiar ou o amigo.
O empregado ou a empregada, o assalariado.
O pai, a mãe, o avô ou o filho.
A Liberdade chegou há 43 anos e que para tal acontecesse muitos sofreram nas mãos do Absolutismo e da Ditadura.
Muitos morreram e nem o corpo(s) foi encontrado(s)...
Um abraço Especial para este Espaço que permite que uma Terra e um Povo sejam recordados na sua História e Raízes.
Onde também se contam estórias de arrepiar de pobreza e miséria, muita resistência!!
Pena que o 25 de Abril de HOJE não honre muitas vezes os nossos antepassados e muitos prefiram mandar pedras e esconder as mãos. Daí os muros que todos os dias nascem.
Dai as ameaças bélicas e os navios de guerra a cruzarem os Oceanos.
Para quem não sabe usar a Liberdade o sono de logo à noite vai ser muito pesado.
Para quem respeitou e quis a Liberdade sem sofrimento eis um sono leve que se aproxima.»



O blog dos forninhenses escolheu esta música do Pedro Abrunhosa para acompanhar esta passagem do amigo António Gouveia que dá assim este belo contributo para a nossa etiqueta de "Escritos".

sábado, 8 de abril de 2017

O interior das casas antigas

As pessoas com mais de 50 anos, de certeza que todas se lembram do interior das nossas casas. É óbvio que todos estão agora mesmo à espera que eu fale da típica casa beirã, de altos e baixos, em cantaria, com sótão para arrumos, sacada e balcão exterior e com lojas para animais e para a lenha, despensa para produtos agrícolas, vinho, etc..., no rés-do-chão e alçapão, quando o havia, para abreviar caminho entre um piso e outro. Mas não...não vou falar do interior da casa dos abastados, o texto que vai ler, é sobre a casinha rasteira e encontrei-o no Livro de Penaverde, do Sr. Pe. Luís Ferreira de Lemos.



«A casinha rasteira, geralmente de pequenas dimensões no comprimento e largura, não ultrapassa, talvez não atinja, os três metros de altura. Tem uma só porta, é sem janelas, tem, quando muito; um janêlo, na cozinha, para dar luz e deixar sair o fumo, raramente terá outro que não se abre, ali junto da cama, porque está calafetado de farrapos velhos, e, onde a par de percevejos, se guarda o cordão de ouro e umas escassas moedas. Também pode servir de guarda-jóias e mealheiro um buraco da parede muito bem disfarçado com uma pedra movediça.
Estas casinhas costumam ser de telha vã; e divisões se as há são para separar as gentes dos animais que vivem frontal a meio. Por isso, ao lado da cama ou por baixo dela, quando esta é de bancos, o monte das batatas; junto das paredes a arca do centeio, dos feijões e do bragal, braços de cebolas, alfaias agrícolas, e atrás do banco da lareira, o montículo da lenha. Tem para dizer o ditado "casa em que caibas e terra que não saibas"».
A este encontro foi também o melhor interpretador beirão da vida rural dessa geração, Aquilino Ribeiro sobre a casa beirã escreveu: "A aldeia, mal o sol pula detrás dos montes, esvazia-se para os campos. É lá que estão os tesouros".
Desta vez nem perguntei nada a ninguém, mas  penso que o texto do Pe. Lemos está um pouco exagerado. Aquilo que baila dentro de mim desde a meninice, é que quando se vivia nestas casinhas os animais estavam afastados. 
Eram residências pequenas, é certo, tinham uma salinha, com mesa e armário para guardar o pão e o queijo, por via dos ratos; cozinha, com lareira abaixo do nível do soalho com pilheira, mas sem chaminé; quarto próprio com a cama apoiada em barras de ferro, dividido da sala e cozinha por um taipal de falheira ou tábuas lisas. 
Para arrumar as coisas de mais valor, acho que, havia uma prateleira e a roupa domingueira era dependurada num prego ou numa sovina pregado nas tábuas. 

Dias de limpeza geral
Nas casas, era sagrado, na semana antes da Páscoa, era feita uma limpeza geral. Tudo bem lavado, tudo bem sacudido. Roupas que estavam na arca do bragal eram retiradas e arejadas nessa semana. No tanque ou no ribeiro, a roupa era lavada e posta a corar.  
Na igreja também era tudo lavado, para depois, no sábado de Aleluia, tudo se encher de flores e de vida. Pode ler como era seguindo por aqui.
Espero que passem bem a Páscoa.
Boa Semana Santa para si e sua família.

Foto de Henrique Lopes que também usa Santos Lopes

sábado, 1 de abril de 2017

Em Abril, águas mil...

Saudamos o mês de Abril que hoje começa...


Mês da chuva, de "águas mil...". 
Mas isto não garante que este ano vá chover no mês de Abril, garante que já aconteceu muitas vezes.