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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A MARMELADA, À MODA DA MINHA MÃE

Não lhe posso chamar "velha" pois só tem oitenta e sete anitos de vida, mas por vezes fica arreliada comigo aquando lhe pergunto coisas antigas sobre a vida, diz quase sempre que "isso foi há tanto tempo que nem me alembro...".  Claro que lembra e com alguma meladice da minha parte, vai soltando o rosário... 


Desta vez, veio o propósito da marmelada. Sempre tal fez de maneira soberba!
Tão bem que recordo em garoto quando vinha da escola, levantar a pontas de papel que cheirava a aguardente e ir ratando as tigelas encostadas na varanda por decima de uma tábua, como esperando a benção divina...e ela vinha envolta no pecado da gula, mas acima de tudo na magia das suas mãos.
Hoje e embora renitente, perguntei pelos marmelos e se tinha feito marmelada, pois gostaria de aqui trazer pela sua voz, os modos antigos...
" Fiz, sim senhor, ou pensas tu que já não me astrevo?!"
Tentei um pouco de calma, pois que é determinada sei eu e nada melhor que escutar e calado, o respeitinho que me ensinou, é muito bonito...
"Cada um de vós, tem aqui uma tigela para levardes quando quiserdes, pode não estar tão boa como antigamente, mas acho que ainda não envergonha a vossa mãe".
Sinto tal como um autoelogio e fico feliz pela sua valentia...Raio de mulher!
E por tal, mais afoito lhe pergunto o "segredo".
"Olha filho, sabes que as pernas já não dão tanto como gostaria, mas um casal amigo, foi aos Carregais apanhar um bom alguidar de marmelos no domingo passado e o deixaram aqui no páteo. Não eram grandes pois faltou a chuva, mas cheiravam tão bem...
Depois de bem lavadinhos, cozi-os inteiros e tirei-os do tacho com uma escumadeira e com uma faca desmanchei-os, percebes, tirei-lhes a casca?".
Ouvia cada frase caladinho com medo que me desligasse o telefone, pois calado sabia que prestava atenção e isso a deixava contente e lá continuou:
" Depois os cortei ao bocados e passei pelo, como se diz, o passe-vite, essa coisa moderna que antes a gente esmigalhava com um garfo, mas é mais rápido. Às depois ponho num tacho de alumínio o açúcar, para três quilos da massa dos marmelos, metade ou um pouco mais de açúcar e isso é que fica caro e por cada quilo de açúcar, meio quartilho de água.
Ainda me ouves? estás tão calado que se calhar ferraste no sono, pois nada dizes e nem sequer te falei no mais importante: o ponto de estrada..estás a ouvir?".
Claro, mãe, já estou no ponto, penso eu para comigo sem saber o que seria e eis que ela me diz:
"O ponto de estrada é o principal, nota, tens de pôr ao lume num tacho o açúcar e ao derreter ficar junto e está no tal ponto!
Depois botas a massa, estás a ouvir? para dentro, bem batida e volta ao lume e quando começar a levantar borboletas, está pronto! Tiras para as malgas ou tigelas, deixas arrefecer e depois com papel molhado em aguardente, tapas para não criar bolor!".
Beijinho mãe!

sábado, 14 de outubro de 2017

Do lume ao fogão de gás

Acho que todos sabemos que o fogo foi das primeiras descobertas/invenções tecnológicas da Humanidade. E das mais úteis. Mas não quero falar da origem do fogo, para tal, como se sabe, há muitos sítios na net que podem ler, quero somente falar mais um pouco do Forninhos sem eletricidade, nem gás...nem fósforos em todas as casas. Eram caros: 3 tostões uma simples caixa de fósforos. Na década de 50/60 do século passado, para acenderem o lume iam à casa da vizinha e traziam umas brasas.



Já não sou desse tempo, para escrever sobre este assunto, tive de falar com familiares sobre a utilidade da lareira no seu tempo, fiz umas perguntas, e cada um falou-me das suas lembranças: a comida era toda preparada ao lume. Fosse inverno ou verão, o lume estava aceso quase todo o dia, se não mesmo o dia todo. Era o "fogão" da altura e a panela de ferro de três pernas em ferro fundido era a rainha da cozinha nos anos 50. Havia-as de vários tamanhos. Ao lado delas, o tacho, a sertã, a grelha, a caldeira, tudo arrumado ao lume, em cima das trempes, ou pendurados num entrelaçado de ferro. As tenazes e o abanador também estavam por ali.
Mas são os serões em família em torno do lume, os moxos baixinhos que se usavam (bancos de madeira)a lembrança mais viva. Ou então panela dos feijões ao lume e as trempes com a sertã em cima a fritar um ovo e umas batatas às rodelas em azeite ou mesmo o tacho a fritar as filhós em épocas de festa; o fumeiro e caniço por cima das cabeças, lá em cima a secar as castanhas, quando as havia, são recordados também. A morcela colocada no testo da panela de ferro é uma imagem muito presente, assim como a chouriça, a farinheira e os couros em vinha d´alhos grelhados na grelha ou o assador nas trempes que se ia sacudindo, até as castanhas ficarem no ponto e de seguida o pano a abafá-las. 
O calor confortante do borralho, o cheiro da panela do "vivo" e o quanto era bonito de ver a avó a fiar o linho e a irmã ou uma tia a fazer uma camisola de lã ou até um trabalho de renda; o púcaro com vinho quente com açúcar ou o panêlo do café e o pão torrado nas brasas; a caldeira dos torresmos a ferver que um dos mais velhos e com mais habilidade ia mexendo: tudo foi recordado.
Depois, um dia, apareceu na aldeia o primeiro fogão a gás e pronto, começou aí o princípio do fim do lume e da lareira para fazer a comida. Com a utilização do gás no preparo dos alimentos começava uma nova era para as mulheres de então, mulheres-heroínas, diga-se.
Aos poucos e poucos as panelas de ferro foram sendo substituídos por utensílios mais modernos e sendo inutilizáveis na cozinha, é-lhes imediatamente dada nova função...assumem o papel de "vasos"ostentando belas espécies de plantas e flores decorando varandas, balcões e pátios, ou como objecto decorativo no interior das casas.

domingo, 8 de outubro de 2017

Mala de Porão

Forninhos é uma terra aonde ao longo dos tempos deu muitos filhos para a emigração americana. Na família, tenho referências dessa emigração, alguns por lá foram ficando, mas não esquecem, felizmente, as suas raízes. Tia, primos direitos e segundos de vez em quando vão a Forninhos e de terceira ou quarta geração visitam-nos através do Blog - d'os Forninhenses.
Então, queria aqui deixar uma bela história, daquelas em que todos nos sentimos em alguns detalhes, pertencer, mesmo os que  migraram para estudar ou para trabalhar (como eu).
Lê-se num instante. Vai gostar.



Esta mala de porão foi uma das três que José dos Santos Albuquerque, conhecido por tio Zé Rito, trouxe em 1930/1931 dos Estados Unidos da América, onde esteve 10 anos como emigrante.
Deve ter representado a alegria feliz do seu tão desejado regresso a Forninhos, após uma ausência tremenda de 10 anos, nos USA.Uma autêntica epopeia: partira pobre como Job e voltava à sua terra rico ou endinheirado, para a mentalidade daquela época e duma região e aldeia dominadas pela pobreza.
E,nesta mala, trouxe centenas de lápis com borracha, canetas, cadernos e outros objectos escolares que distribuiu pelos alunos das escolas, de Forninhos e Matela sobretudo. E foi o conteúdo desta mala que fez pensar o seu neto, Ilídio Marques, ter sido o seu avô, provavelmente, empregado de algum colégio americano.
Mas esta mala para o Ilídio representa o contrário, representa o adeus a Forninhos, o fim desgraçado da feliz infância na aldeia, onde a sua alma de menino ficou sempre...
Na realidade, esta mala representa e significa a separação e fim cruel da felicidade de criança, na vivência simples da sua aldeia e o desterro amargurado e cruel no Seminário de  Fornos, nos seis anos tão tristes que lá passou. Esta mala de porão, sua fiel companheira, lembrou-lhe sempre a despedida chorosa e triste da sua casa, da sua querida aldeia, dos seus amigos, dos seus saudosos pais e avós, do menino tão amado que foi.
E como é triste às vezes o caminho do destino: 
"...foi o meu avô Rito, que no dia 10 de Outubro de 1953, às 6 da manhã, com os olhos marejados de lágrimas, a carregou e levou num carro de mão, desde a nossa casa da Lameira até à Fonte do Lugar, onde apanhei a carreira dos Araújos para o seminário de Fornos.
O meu avô tinha-a trazido dos USA cheio de vaidade e orgulho para a sua terra, com muitos presentes e coisas que só na América havia; vinte e tal anos depois, carregava-a cheio de tristeza, como arca do meu enxoval, para a carreira que me levaria para longe dele, de tudo e de todos. Pela minha dor e saudade, imagino a do meu avô Rito... 
No entanto, esta mala é também um verdadeiro relicário e o único objecto visível a abrir ainda mais a porta da lembrança do seu avô Rito e da saudade da sua terra, da sua casa..."ao meu Largo da Lameira, por onde ainda hoje vagueio tantas vezes...com muito amor".
Numa aldeia rural com tantos movimentos demográficos ao longo do Século XX, criam-se laços especiais e especial vontade de, quando estamos juntos, recordarmos os nossos, a infância na nossa terra. Não admira pois que a nossa mentalidade manifeste sempre, alguma saudade.

Bem-Haja Ilídio Marques por mais esta partilha.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

DATAS COMEMORATIVAS

Comemora-se hoje, 5 de Outubro, 107 anos da Implantação da República. Como gosto muito de história lembrei-me que neste ano da graça de 2017 e para o ano, 2018, acontecem na nossa terra, datas mais ou menos redondas, que para a história de Forninhos muito significado têm.


São os 220 anos da Igreja Matriz (actual igreja), cuja licença que se passou para benzer, foi a 2 de Dezembro de 1797.
E, como o 2 de Dezembro de 2017 calha a um Sábado e na véspera é feriado nacional (dia da Independência) ficaria contente se os dirigentes da Igreja de Forninhos celebrassem esta data.
E os 160 anos sobre os limites da nossa freguesia. Foi a 4 de Maio de 1858 que a Câmara de Aguiar da Beira decidiu, através das antigas demarcações da paróquia de Santa Marinha de Forninhos, estabelecer os limites desta freguesia.
Ficaria ainda mais contente se Câmara e Junta se lembrassem de assinalar este facto importante para a Freguesia de Forninhos.
4 de Maio de 2018 também calha a uma Sexta-Feira e dia 3 de Maio (véspera) é o dia de Santa Cruz, uma data que os forninhenses ainda preservam em respeito à sua própria memória e à dos seus antepassados. 
O que nos foi legado pelos nossos egrégios avós acho que merece!
Em 2019, 19 de Julho - na véspera é dia de Santa Marinha - completam-se 60 anos de luz eléctrica. Ainda falta, mas fica já esta anotação que é para se lembrarem de assinalar também esta data. Que não digam que ninguém avisou ou que avisaram em cima da hora ou pior ainda...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O Correio nos tempos

"Ainda sou do tempo em que em Forninhos a entrega da correspondência não se fazia de porta em porta, mas sim à porta do Sr. José Bernardo, em que os mensageiros provenientes de Fornos de Algodres, tio António correio e mulher, tia Eduarda correia e também mais tarde, proveniente de Dornelas através da tia Augusta brasileira e seu irmão António brasileiro, entregavam a mala fechada ao Sr. José Bernardo, que a abria com chave própria à frente de todos os presentes, lendo em voz alta e entregando as missivas a quem de direito". Margarida Albuquerque 21/12/2012.
Num tempo em que as mulheres não tinham profissão, excepto as professoras primárias, Forninhos teve, pelo menos, duas mulheres carteiras e tal é digno de registo e quiçá estudo. Não me perguntem se elas ganhavam ou se ganhavam muito ou pouco. Não faço ideia e, creio, que nunca ninguém lhes tenha perguntado, mas estavam a merecer esta homenagem recordatória.


Os tempos mudaram e a entrega transparente, do correio desses anos longínquos passou há história. Hoje em Forninhos a carta é posta, na calada da noite, na caixa do correio dos destinatários. E, por medo do cão que guarda a casa nem todos recebem a carta. Com isto não quero dizer que a missiva não chegue a quem de direito, porque chega. Assim, também o n/ Blog recebeu no sábado passado "a carta", uma carta aberta, sem data, dirigida aos eleitores da Freguesia de Forninhos, assinada pelos seus governantes, a tecer críticas, a explicarem provas de seriedade e a apelarem ao voto "para continuarem a trabalhar pela nossa terra". Manobras de diversão, como se a realidade não fosse, infelizmente trágica.


Por ser dia de reflexão, não houve logo resposta nossa, mas as eleições já lá vão, os eleitores de Forninhos reiteraram o seu apoio à actual Junta de Freguesia nos próximos quatro anos e  chegou a hora dos nossos esclarecimentos. 
I
Os autores dos comentários (nós) não estamos a ser ouvidos no processo. Na verdade, por email, fui contactada, em Novembro de 2016, pela Polícia Judiciária da Guarda para tratar de um assunto relacionado com a Freguesia de Forninhos. Curiosa "como é normal" entrei logo em contacto com a Sra. Inspectora (não foi um Sr. Inspector) para saber do que se tratava. Tratava-se, obviamente, da venda de um baldio escriturado por usucapião (artigo 2898) e parafraseando o(s) auto(res) da carta "coincidência ou não" chegaram ao "blog dos forninhenses" ao post "Uma mão lava a outra" da autoria do XicoAlmeida.
Em Novembro de 2016 a Sra. Inspectora pensava que eu morava em Forninhos e queria falar-me pessoalmente. Não estando eu a residir em Forninhos, foi-me pedido o contacto de pelo menos uma pessoa residente. O que fiz e indiquei o Henrique Lopes, porque outros que contactei recusaram-se, por medo de represálias ou para evitarem chatices, não sei. Eu o que sei é que não tenho nada a esconder, apenas colaborei com a justiça, portanto, é falso o exposto no 2.º parágrafo "da carta".
Quanto ao "primeiro esclarecimento" penso igual. Se a Junta está a ser investigada é porque houve uma queixa e se há dúvidas, certo é que passado quase um ano ainda as há!
II
Entretanto, porque a Sra. Inspectora está de atestado, o processo de inquérito passou para um colega seu, que é o Inspector referido na dita "carta".
O Sr. Inspector da PJ contacta-me também, já este ano, mas só porque a colega menciona a folhas tantas que falou telefonicamente comigo e então quis saber o que eu sabia sobre o artigo 2898, pois a Sra. Presidente da Junta de Forninhos disse-lhe que não sabe que terreno é, não foi vendido durante o seu mandato - isto porque o Sr.Inspector não o encontra mencionado em acta alguma.
artigo 2898 é o mencionado no post: UMA MÃO LAVA A OUTRA (para ver/ler clique no azul).
Os autores da carta aberta ao afirmarem "...perante o que viu, referiu claro que tínhamos cumprido a lei" mentem descaradamente ao povo. Até porque quando o Sr. Inspector esteve nas instalações da Junta, ainda não tinha falado com o Sr. Ricardo Guerra sobre a venda do baldio, sobre o montante da venda e as contas deixadas no final do seu mandato.
O Sr. Ricardo Guerra enquanto presidente da Assembleia de Freguesia pode ter pedido parecer à Anafre, pode ter recebido € 57.000 referentes a 14.000 m2 ou mais, mas enquanto Presidente de Junta ainda tem de provar como vendeu 5.873 m2 e por quanto. 
III
O "segundo esclarecimento" da "carta" não esclarece nada. Sabem porquê?
Se é verdade que os terrenos foram registados como propriedade da Junta pelo Presidente de Junta que esteve no mandato entre 2006-2009, tendo entre as testemunhas o meu pai, Samuel de Albuquerque, Sr. Virgílio Bernardo e o meu tio falecido Antonio dos Santos Andrade, conhecido por António Carau, também é verdade que todos testemunharam a favor da freguesia, dizendo somente a verdade, que os terrenos eram baldios da Junta "há séculos", já o mesmo não se pode dizer das testemunhas da família Nogueira, cujo nome não me compete a mim mencionar, que prestaram falsas declarações e hão-de responder por isso. 
E, se é verdade que pediram à Anafre parecer sobre a venda dos baldios e a mesma lhes enviou um parecer jurídico positivo, tal é só depois do post "Uma mão lava a outra" e depois da Assembleia de 28 de Dezembro de 2014. O Sr. Inspector sabe disto, através de documentos datados. Chegou a dizer-me que a Presidente de Junta podia agradecer-me o post. 
Verdade, eu não preciso inventar nada.
Mais, a Anafre dá parecer positivo para venda da parcela de terreno tendo em conta o registo da propriedade, mas também porque a Junta lhes diz que a comunidade não retira dos baldios qualquer benefício, ou seja, o povo não recolhe resina nem lenha (pinheiros secos e pinhas), dos baldios não apanham míscaros, no Natal o cepo nunca é feito com lenha dos baldios, etc...aliás, ao Sr. Inspector até lhe passaram a informação que os pinheiros pouco valor tinham, porque eram pinheiros queimados.
Adiante...
IV
Não podia terminar este post sem falar das "expressões" e da família Nogueira, que tanto têm valorizado a nossa terra, apoiando causas sociais e festas religiosas, entre várias obras...Será que isto lhes dá o direito de transgredirem as leis?
Será que não temos o direito de perguntar se as ofertas são mesmo ofertas?
Será que no século XXI quando a esmola é demais o santo já pode confiar?
Será que vender baldios entre 2009 e 2016 e deixar que se diga que foram comprados à Junta em 1980 não é "falcatrua" ou "trafulhice?
Será que não devem ser penalizados, os que mentem, quem escriturou e os que deixaram escriturar?
Ah!
Mas a Sra. Presidente disse ao Sr. Inspector que não sabia que os compradores iam fazer as escrituras por usucapião. 
Disse que:
- Se o fizeram, foi porque foram mal aconselhados. 
- Se os compradores vêm ter com ela (com a Junta presumo) podiam ter feito tudo legalmente (afinal tinham cumprido a lei).
Imaginem (só imaginem) se não fossem amigos da família Nogueira o que seria dito mais...
Permitam-me ainda que relembre o que escrevi a seguir à expressão "ficaram com o rabo preso":
"(...) Como dizer NÃO, não podemos vender, nós que até criticamos a venda de pinheiros".
Mas, claro, isto não convinha relembrar ao povo. Mas, lembram-se, que o Sr. Ricardo Guerra criticou muito, numa rede social, em 2009, o corte e venda de pinheiros?
Lembram-se, claro, que se lembram.
Esta carta, caros forninhenses espalhados por todo o mundo, teve como objectivo de "vos adormecer no canto da sereia". Ontem, foram os pinheiros dos terrenos baldios, hoje é a terra dos baldios, amanhã serão as águas dos poços que possam existir nas terras de cada um de vós.
Esta desconfiança paira já no ar...já se investiga a falta de água no verão passado em Forninhos.

-/-
O Sr. Inspector terá conhecimento da "carta" e deste post, sim, porque tenho permissão do mesmo, para publicar o que entender depois das eleições autárquicas a 1 de Outubro, em que o Partido Socialista foi o grande vencedor a nível nacional e o Movimento Independente "Unidos pela Nossa Terra" ganhou Aguiar da Beira. Joaquim Bonifácio foi o grande vencedor. Parabéns à sua equipa. Mãos à obra.
Quem verdadeiramente perdeu foi a freguesia de Forninhos, cada vez mais isolada na conjuntura concelhia. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

RENASCER

Se às vezes digo que as flores sorriem/E se eu disser que os rios cantam/Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores/E cantos no correr dos rios...

Imagem de 2011
Olhamos esta foto e estremecemos de raiva, face à impotência de alterar rumos e destinos que nos escapam, de querer fazer algo que não está nas nossas mãos, de querer mudar e não ter ferramentas, nem poder para as mudar.
Afinal uma carroça pode despoletar sentimentos tão contraditórios como beleza e raiva.

Imagem de 2017
Tirei esta fotografia no passado dia 26 e pensei que afinal a aldeia que os nossos antepassados construíram com suor de sol a sol, pode renascer no riso colorido das flores.

-/-
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...

É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...

Alberto Caeiro, in "O Guardados de Rebanhos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

domingo, 24 de setembro de 2017

E se as ofertas não são ofertas?

Entre 2013 e 2016 vimos a freguesia de Forninhos a cometer erros de palmatória, a vender baldios e pior ainda a permitir o seu registo por usucapião, o que é ilegal, isto quer dizer, que os "compradores" entraram na posse do bem ou direito a passagem há mais de vinte anos, o que é mentira.
Ao longo dos séculos, os baldios foram objecto de cobiça dos mais poderosos, sendo muitos os episódios e todos estes episódios enfrentaram a contestação das populações, originando revoltas, algumas das quais bem próximas, no período do Estado Novo, tão bem relatadas por Aquilino Ribeiro em "Quando os lobos uivam". Não se estranha por isso que, Forninhos  também conteste no século XXI a sua privatização.

FACTOS

Artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 39/76, de 19 de Janeiro:

"Os terrenos baldios encontram-se fora do comércio jurídico, não podendo, no todo ou em parte, ser objecto de apropriação privada por qualquer forma ou título, incluída a usucapião."

1.º baldio - artigo 2898 - 5.873m2 
Não se conhece a Acta que aprovou por unanimidade a venda destes 5.873m2, sabe-se apenas que foi vendido no mandato de 2009/2013 a € 4,00 o m2 o que dá = € 23.492 e foi escriturado por usucapião.


Curiosamente os "compradores":
- oferecem uma capela ao cemitério
- uma churrasqueira c/ telheiro e balneários para o parque de merendas
- há placas beneméritas a prová-lo.

2.º baldio - artigo 2900 - 3.878m2 a € 4,00 = € 15.512,00 e foi escriturado por usucapião.
Conhece-se a Acta.



- oferecem uma estátua ao emigrante (está no parque de merendas)
- dá-se um almoço à população
- oferecem portas e janelas para a sede da Junta (mas agora assumiram no comício do psd que não foram oferta) - também não há placas beneméritas a provar esta oferta.

E se as ofertas não são ofertas? 

Vou levantar um pouco do véu: a Polícia Judiciária, investiga a freguesia de Forninhos porque a minha terra esqueceu a sua história, não respeita as leis existentes e porque afinal de contas "não bate a bota com a perdigota". Simples.



Em 1979 a Junta de Freguesia de Forninhos passava guias de pagamento, o normal seria em 1980 existir também prova igual e há, há pelo menos guias de receitas (feitas em computador) dos baldios vendidos no mandato 2013/2017. Do 1.º baldio, vendido entre 2009/20013, é que não se conhece «nada». Por enquanto...

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Unidos por Forninhos

As terras do interior, todos sabemos, debatem-se com muitas dificuldades, cada vez mais as pessoas procuram o litoral e ainda o estrangeiro, mas verdade seja dita, nada ou pouco tem sido feito para inverter esta situação. A desertificação do interior condena, desde que não se acomodem. Ninguém está condenado ao insucesso desde que lute com afinco e hajam apoios sérios, que embora transversais, sejam transparentes. Mas claro, os forninhenses não podem esperar algo diferente quando se faz o que sempre se fez. É por isso importante fazer diferente, identificar essas diferenças e potenciá-las. Na diferenciação está a possibilidade de despertar curiosidade e atrair atenções. Acima de tudo, é preciso potenciar Forninhos. Basta mais do mesmo!


Este é o nosso propósito, que no ponto de partida se reclamasse  por um Forninhos Unido  e é por isso que deste modo simples vimos dar a cara lavada pela nossa terra, sem apontamentos maldizentes. O que nos poderão criticar, será apenas a nossa honradez uma palavra esquecida... por outrém. 

Por aqui, bem...
Um ou outro amigo no termo condigno, uns conhecidos ao engano por culpa própria e o "anjo" do costume que onde cola não larga...
Tiro o chapéu a alguns termos, tais como "Juntos" e "Futuro".
Pensava que essas premissas tinham ficado na gaveta há 8 anos. 
"Considero" que gosto do cartaz, tipo a modo empresarial: um vinhateiro, uma empresária e um vendedor de sonhos, o resto e com respeito, enche o painel.
Mas pergunto e por serem responsáveis (presumo), afinal como estão as contas da freguesia, será que amanhã as vão tornar públicas?
Será que amanhã vão esclarecer o povo de Forninhos do porquê de andarem a ser investigados pela PJ?

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Um Forninhos fidalgo


Há ano e meio atrás, soube que Forninhos passou a dispôr de mais uma unidade de alojamento, a "Casa de Campo Fidalgos do Dão", na Quinta de Santa Maria, herdade privada de produção vinícola e frutícola, sob a gerência de Fernando Pires.
Congratulei-me naturalmente, com o facto da nossa terra estar tão apetecível para o turismo, ao ponto de ter agora três Casas: "Casa das Camélias da Beira", "Casa da Fonte da Lameira" e "Casa Fidalgos do Dão", inserida numa quinta com um vinhedo muito bem tratado e de que gosto muito e que pode agora turisticamente promover a vindima e o pisar das uvas.
Lê-se ainda por aí que "podíamos ter outra, que só não está a funcionar por culpa da Câmara". Será verdade? 
Arrefeceu contudo o meu entusiasmo, quando soube que esse novo espaço não tem a menor utilização turística e que a pessoa que a gere sequer reside em Forninhos, mas em Lisboa, deslocando-se de quando em vez a Aguiar da Beira para participar nas Sessões da Assembleia Municipal. Será também verdade?
Sei que a estória do turismo rural já é velha e todos sabemos que pelo país rural inteiro alguns proprietários apenas apostaram neste tipo de turismo para justificarem os fundos públicos que receberam para a construção ou remodelação das casas antigas e solares, porque na prática, algumas apenas foram aproveitadas para sua habitação permanente e nunca receberam hóspedes.
Não sei se a "Casa Fidalgos do Dão" foi ou não construída ou remodelada com dinheiros públicos, ainda assim custa-me a aceitar que nos dias de hoje se aprovem licenças e projectos desta natureza e, depois, quem por lá passa encontra a casa fechada, quando cheia traria receita fiscal ao Estado. Só assim se justificaria mais uma casa de turismo em Forninhos. Ou não?
Há muito que digo que muita gente apareceu endireinhada desde a década de noventa não se sabe como, mas como não existe ninguém para fiscalizar anda tudo por lá ao "Deus dará"...
Dizem que alguns até se serviam dos fundos públicos para comprarem uma "bomba" de 4 rodas.

Foto do exterior retirada daqui:http://www.fidalgosdodao.pt/index.php/casa

sábado, 9 de setembro de 2017

Em 1939 o Porto (Forninhos) era assim


Para sabermos mais um pouco dum local que todos nós conhecemos, deixamos uma foto tirada há muito tempo atrás, por António Marques, ao seu sobrinho Virgilinho, a quem pertence esta magnífica fotografia (Obrigada Sr. Virgílio mais uma vez pela colaboração), onde se pode ver o ainda existente Cruzeiro do Porto, mas adorava ver esta fotografia com maior resolução, porque talvez alguém pudesse identificar os adultos.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vinho, vinho meu...

"Sei bem como se podem mandar amostras para concursos. Às vezes o que lá está dentro não é exatamente igual ao que vai para o mercado"
João Portugal Ramos, Enólogo e produtor de vinhos

1.º concurso de vinhos de Forninhos - 18/07/2010

Sobre a prova de vinhos, naquele dia encontravam-se a conversar na Lameira, o António com o Alberto, mais o Fernando que vive em Lisboa. A determinada altura diz o António:
- Quase não era necessário haver provadores, já todos sabem quem vai ganhar...
- Felizmente que o concurso vale o que vale... Mas se houvesse gente para enfrentar o poder instalado e exigir transparência, outro galo cantaria retorquiu o Fernando.
- Tens razão, diz o  António,  por vezes, é mais fácil estar no nosso cantinho e nada fazer  para mudar as situações.
-Mudar o que está mal, queres tu dizer - retorquiu o Alberto.
- Sim, mas é muito difícil...todos se calam. (silêncio).
Resignados, os três amigos dali abalaram sem mais demoras, pois chover no molhado estragaria a pinga!
Mais à frente, nova paragem, e diz ainda o António para o Alberto:
- Olha lá, achas que o que ganhou outra vez, é de cá?
- Outra vez essa pergunta, responde o Alberto, sabes bem que eles é que percebem da poda. Seja branco ou tinto, está tudo controlado...
Já farto da conversa e a leste destas artimanhas e já com a garganta seca o de Lisboa, o Fernando, quase suplica:
- Afinal, bebemos ou não um bom tinto da terra?
- Nem é tarde, nem é cedo, vamos à minha adega. Dizem ao mesmo tempo os dois.
Foram e demoraram, mas ainda hoje o lisboeta diz que eles mereciam ganhar o prémio de melhor vinho de Forninhos.

sábado, 26 de agosto de 2017

E Forninhos lá no Vale

Tiradas do Alto da Matela antes e depois do fogo de 2013 que devorou parte da floresta de aldeias tão próximas de Forninhos, resolvi publicar neste post duas fotos que retirei do facebook

- de Henrique Lopes

Forninhos lá no vale...ao longe Dornelas e matas e mais matas...

- de Maria José Bernardo

Passados quatro anos...ao longe Dornelas e o queimado...

Nota - Se desejarem que retire as vossas fotos deste post, basta avisarem, mas achei que mereciam ficar no nosso arquivo. Bem-hajam.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Os andores na Festa da Senhora dos Verdes, 2017-AGO-15

Partindo da Igreja Matriz, a ordem é a que segue:

Sagrado Coração de Jesus
 Tem já lugar marcado na abertura da procissão

Nossa Senhora de Fátima
 Uma presença obrigatória
Santa Rita
 Tendo em conta que pertenceu à Capela, sai também nesta dia

São Mártir Sebastião
Uma presença também habitual
Santa Marinha, Padroeira de Forninhos
 também integra esta procissão

Menino Jesus
 Há imagens que têm sempre lugar, é o caso do Menino Jesus

Nossa Senhora dos Verdes
A anfitriã é a última a sair

Através destas 7 fotografias podemos comprovar que houve esmero. Parabéns e um agradecimento à Comissão de Festas 2017/2018. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

EM HONRA DA SENHORA DOS VERDES

Nossa Senhora dos Verdes
Sois por tantos venerada
Vamos todos ter contigo
Não tarda daqui a nada

E o cartaz tal promete
Vão ser dias de folia
Que todos os anos promete
Entre a fé e alegria

Temos os braços abertos
Para todos receber
E no bailarico entre apertos
Vamos comer e beber


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sábado, 5 de agosto de 2017

A festa era outra?

Como a festa está quase aí, para os forninhenses repararem/recordarem o que foi durante anos a procissão de Nossa Senhora dos Verdes, o que fomos no passado e o que somos hoje, deixou-vos, umas fotos tiradas no dia 15 de Agosto de 1966, pelo meu primo João Albuquerque:

Havia tanta gente!

Andores de Santa Marinha e de Nossa Senhora dos Verdes 

A cruzada com o andor do Menino Jesus

Na página facebokiana da chaminé, foi legendada uma fotografia que diz "Forninhos - Caminhos da Fé - Procissão do Espírito Santo". Um erro lamentável; todos nós somos livres de publicar e legendar, mas se não respeitarmos a nossa vivência colectiva, estamos a defraudar a nossa história.
De assinalar ainda que apesar da  Festa do Espírito Santo ser uma demonstração de fé, nenhum andor alguma vez fez parte dessa romaria que se faz sempre na sétima Segunda-Feira a contar da Páscoa.
A foto de que falo é esta:


Quem a legendou é de Forninhos, ou é de fora e foi mal informado?

sábado, 29 de julho de 2017

Ainda a tempo

Aconteceu no passado domingo, dia 23, o "dia da freguesia". Pela 1.ª vez este dia de celebração, ocorreu depois do dia 18 de Julho (apetece-me dizer que quando querem até fazem as coisas direito).
Relembrar o que comiam os trabalhadores do campo foi o mote. Destaco, assim, a mesa cheia de acepipes confeccionados pelos locais, porque de tudo o que vi foi do que mais gostei. 






Note-se que o "dia da freguesia" é dia 18 de Julho, foi "instituído" pela Junta de Freguesia há poucos anos e teve a ver com a "Santa Marinha", não teve a ver com os nossos antepassados e sua obra, e devia, mas afinal até o reconhecem, caso contrário, não se valiam do seu trabalho...!

Fotos: XicoAlmeida.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Pedras bulideiras



Não sabemos ao certo se as pedras bulideiras ou baloiçantes (havendo também outras denominações regionais) são um fenómeno natural - esculpidas pela acção da chuva, sol e ventos - ou se por cima desses elementos houve mão humana (escavando-as e limando-as para que baloicem, mas não mudem de lugar). Certo é que tendo ou não tendo o homem contribuído directamente para a sua formação, estão espalhadas um pouco por todo o país. Devem conhecer alguma, pois são relativamente frequentes no norte granítico de Portugal, destacando-se entre elas as de Alijó, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Montalegre, Candoso (Vila Flor) e Sezures (esta última bem perto de nós, serve de suporte ao marco geodésico).




Já as "pedras bulideiras" de Forninhos não são conhecidas de ninguém, porque ninguém liga patavina, é pena. Como dizia não sei quem "ninguém explora esta riqueza, com que generosamente a natureza brindou esta linda terra.". "Tudo isto daria bom cartaz, mas já duvido se alguém é capaz...".

Fotos do meu irmão David.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Santa Marinha esculpida em granito


Fundada no dia 1 de Outubro de 1926, de acordo com os registos que existem, a Irmandade de Santa Marinha é a associação mais antiga de Forninhos. Já falamos aqui.
Como ontem, 18 de Julho de 2017, foi inaugurada a estátua de Santa Marinha, localizada no adro, do lado esquerdo de quem entra, parabenizo os seus mentores, que creio foram os três membros da Irmandade, pela iniciativa e, por não mandarem o artista Laijinhas colocar este monumento num lugar público, como inúmeras freguesias o têm feito. Os santos são para estar nas igrejas, ou para virem em procissão pelas ruas, não há necessidade de dedicar-lhes monumentos em lugares públicos!
BEM-HAJA Senhores Mordomos que agora terminaram o mandato.

sábado, 15 de julho de 2017

Telhados


Na aldeia de Forninhos a maior parte dos telhados eram cobertos por esta telha, "canudo, bica, vã, lusa, portuguesa" (não tenho a certeza do nome), pois eles vão sendo cada vez mais raros. Como as casas eram baixinhas e não havia electricidade, para permitir que houvesse mais entrada de luz, colocavam-se algumas telhas de vidro (muito mais caras) entre as telhas de barro.
Dedico, assim, estas poucas linhas a uma reminiscência que já mal se encontra e que só subsiste nalguma casa velha ainda não recuperada.