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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

SANTO PADRE VALDEMIRO

Dizem, quem dele se recorda, um homem alto e bem aparentado. Dócil, puro e recto e que partilhava o pouco que tinha, mesmo no fim da vida.
Um Padre Santo!


Afinal quem foi este homem,  nascido em Ribeiradio, concelho de Oliveira de Frades, última freguesia de Viseu e de seu nome Valdemiro Pereira Coelho?
Ordenado padre em 15 de Agosto de 1944, nomeado prefeito do seminário de Viseu, por ali andou cerca de 2 anos, sendo que depois foi nomeado pároco de Forninhos.
Sei que era sobrinho de um cônego (cargo que antecedia o ser bispo) e lhe daria naquele tempo importância.
Apareceu de bicicleta de roda alta numa terra de nenhures e com a qual ia aviar receitas para quem estava doente. Mais tarde teve uma mota para dar alerta aos médicos por estradas lamacentas e no dia que se seguia e depois da missa dita, ia visitar os doentes.
Por Forninhos que o não esquece, partidos quase vão seis anos, ajudou no restaurar da igreja e de mota foi para os lados de Arganil arranjar telha para o novo telhado da igreja, trazida pelo tio Zé Teodósio.
Passados cerca de 12 nos, abalou de Forninhos e foi para Oliveira do Conde, seguindo-se a Bodiosa aonde celebrou as suas bodas de 50 anos de um caminho duro e bonito da causa que abraçou.
Sei que de Forninhos, apenas faltou quem de todo não podia, na festa mais que meritória, tal como das paróquias vizinhas.
Morreu pobre por querer os pobres menos pobres,  não foi professor em Carregal do Sal, por haver casais sem emprego e declinou os convites.
A sua casa tinha o nome da igualdade e se cobrava, já velhinho uma missa, o resto ia para o monte, como ele dizia: dividam!  O dom da partilha.
Sempre dele ouvi falar, mas nunca o vi, porventura não o procurei por receios de quando nasci pois, fui baptizado por ele (como amizade à família) já corria a madrugada e no outro dia iria a enterrar e sugeriu que partisse com o nome dos meus avós...Francisco e António...
Quem diria que hoje ainda escrevo acerca dele, com carinho e reconhecimento, Santo Padre Valdemiro!

14 comentários:

  1. Nesta fotografia que me parece ter sido tirada junto à residência paroquial, a árvore será a cameleira (que ainda hoje lá está)?
    Gostei de ver o Sr. Pe. Valdemiro em foto e saber como era a sua pessoa. Pelo exposto viveu à maneira e ao jeito de Jesus Cristo.
    Bom saber que as grandes obras da igreja, subida do corpo da igreja, foram feitas no tempo deste Sr. Padre.
    Faz sentido. Atendendo às datas este padre veio paroquiar Forninhos depois do padre Albano e sei que foi depois da construção do cemitério, anos 40, que foi subido o corpo da igreja e colocados os sinos, anos 50.
    Um imenso bem-haja Padre Valdemiro.

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    1. Vá lá que nem tudo foi levado do "Passal" como era e continua a ser conhecido este espaço, outrora nobre e bem apresentado e que circundava a "casa do padre"; as cameleiras ainda existem, esta e outra mais para fora, para quem olha para a Matela, mas havia um diospereiro, cerejeira (coisas que em miúdos íamos atrevidos roubar), muitas videiras e oliveiras, coisas vivas regadas por um poço que agora junto ao centro social, a gente apostava rebuçados para ver quem tinha coragem de puxar o botão e a água jorrar!
      Isto no propósito da tua pergunta inicial. Ainda nem tudo se perdeu, mas pouco falta...
      Sei que casou os meus pais, baptizou as minhas duas irmãs e a mim embora de forma diferente pois deu-me nome e encomendou-me aos anjinhos. Era dado como morto.
      Se alguém perguntar como foi a despedida da paróquia de Santa Marinha de Forninhos, palmas de agradecimento e lágrimas de saudade.
      Tal como por onde depois andou, bom Homem!

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    2. O Clero nem tudo levou! Os padres nunca levarão a História...as "estórias" e...as memórias.
      Pena o Pe. Valdemiro e o Pe. Albano não estarem já entre nós.
      Se em 1948 o Dr. José Coelho, de Viseu, ainda conseguiu ver as ruínas da capela de S. Pedro, com certeza que o o Pe. Albano e o Pe. Valdemiro viram muito mais que toda a catrafada de arqueólogos que visitaram Forninhos!
      É preciso não esquecer que foi só com a vinda do Pe. Virgílio Lopes (que veio depois do Pe. Valdemiro) que o S. Pedro de Verona foi levado para o Seminário de Fornos de Algodres.
      De todos os padres que passaram por Forninhos o Pe. Virgílio Lopes deve ter sido o que menos deixou saudades. Porque não só levou o Sr. Pedro, como em 1959 ainda deu sumiço aos Serafinzinhos (dois valiosos castiçais).
      Até parece que foi preciso inaugurarem a luz eléctrica para às claras, as coisas começarem a desaparecer de Forninhos.
      Ele que foi o mentor das Misericórdias Portuguesas, hoje à distância, a ideia com que eu fico é que Forninhos foi a primeira Santa Casa da Misericórdia.
      Mas passados tantos anos sobre estes acontecimentos eis que em Dezembro do ano passado a EON Indústrias Criativas expõe um retrato da vida e obra deste Sacerdote. Até fiquei contente quando o soube. Pelo que têm em comum não podiam ter escolhido melhores pessoas para o fazer.
      E muito poderia escrever sobre o que tem a EON em comum com o Pe. Virgílio, mas é do Sr. Pe. Valdemiro que falamos, um padre que na despedida deixou todo o povo a chorar e por entre soluços acenar o adeus. Por vezes dizemos que os homens são bons depois de faltarem, mas este não, era mesmo um homem bom e um santo padre.

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  2. Boa recordação e reconhecimento.....
    Boa semana
    MG

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    1. Mal de nós, o dia em que esquecemos quem nos ajudou a crescer inseridos na comunidade, pelo seu carácter de proximidade e despojado de quase tudo em prol do próximo.
      Um abraço.

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  3. Há pessoas que marcam as vidas e nas cidades...Bom poder ainda hoje nele falar...abraços,chica

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    1. Olá Chica,
      Esta pessoa marcou-me e bastante pois foi ele que me baptizou de madrugada, sugeriu o nome, pois no dia seguinte iria a ser enterrado.
      Verdade, verdadinha, sendo certo que ou por milagre ou sorte cá ando...
      Abraço grande.

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  4. São padres assim que dignificam a Igreja. No Barreiro também tivemos um. O Padre Abílio, que fundou o escutismo no Barreiro, que nas greves de 43 amparou e protegeu muitos trabalhadores da Cuf, que mandou construir casa para os mais pobres, Morreu em 53 e a população juntou-se para lhe comprar uma batina que a dele esteve em péssimo estado.
    Um abraço

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    1. Bem-haja Elvira pela partilha do seu testemunho.
      Tantos como estes cumpriram os seus propósitos, pena ficarem no esquecimento, no nosso pois eles jamais pediram louvores, andavam em missão enquanto a vida na sua forma os mantivesse e na esperança de terem caminhantes nessas veredas...
      Abraço.

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  5. Remexendo no baú das recordações que te marcaram pela positiva.

    Beijinhos.

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    1. Sou franco:
      Aquando ouço o seu nome, vejo-me num caixão branco, vestido de anjinho, e ele a "encomendar-me" a Deus.
      Acho que nao gostei desse baú e por cá ando, mas este sim e pelo que ouvi, um Homem para servir... e serviu de exemplo, de que maneira!
      Beijinho.

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  6. Boa noite Xico,
    Um homenagem linda e sentida a esse Senhor Padre.
    Assim hoje os senhores padres seguissem o seu exemplo (ao jeito de Jesus e do Papa Francisco) em que a Igreja só tinha a ganhar.
    Beijinhos,
    Ailime

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  7. Olá Ailime, boa noite.
    Vamos por aqui fazendo uma ou outra homenagem a quem nós leigos entendemos, parcas pelo que vivemos,outras procuradas e escutadas e são mais estas que nos vão valendo por estarmos como sabe, longe.
    A gente e conforme o tema, tenta "adivinhar" quem partilhe memórias, dos poucos que vão restando e que pouco ou quase do nada se lembram e na cautela, batemos a outras portas para não sermos imprecisos, sendo que nestas andanças uma éstória leva a outra numa ansiedade de contar, parece que o tempo se abre...
    Para este Post e entre vários, uma senhora me disse: "Então não me lembro do padre Valdemiro? foi ele que me levou de mota para Aguiar da Beira fazer o exame da quarta classe...".
    Que mais dizer, beijinho.

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  8. Quem tem um coração bom e amoroso sempre deixa lindas lembranças. Bonita homenagem, Xico.
    Abraços

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