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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

As morcelas – primeiro enchido da matação

As primeiras peças do enchido a irem ao fumeiro são as morcelas, que são feitas no próprio dia da matação, por mãos sabedoras, respeitando a receita antiga. E… parece que é no tempero da tripa que reside o segredo deste enchido ;-)

Aqui as mulheres munidas das enchedeiras a encher as tripas com a massa que, quando enchidas, irão passar as morcelas para uma caldeira, para uma boa fervura.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Rua da Igreja: Ontem & Hoje

Em 1971, não havia alcatrão, qualquer placa toponímica com a designação do nome da rua, postes de iluminação, casas na zona e, pelo que apurei, a primeira casa foi construída depois do ano de 1974 e foram precisos alguns anos para que outras construções fossem edificadas e assim a aldeia cresceu. Curioso é o portão ser o mesmo!
A mim agora custa-me ver fotografias antigas da nossa aldeia e verificar que desapareceu o “velho casco” de algumas calçadas da aldeia, estou a lembrar-me da Rua do Lugar.
Das duas, uma, ou são saudades ou estou a ficar velha. Fico-me pela primeira :))

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feijão com massa

feijão com massa
Nos meados do século passado, a maioria da população alimentava-se com o que a terra produzia e de acordo com as estações do ano. As hortas, que quase toda a gente possuía, forneciam quase tudo o que se comia, no dia-a-dia: batatas, cebolas, feijão, nabos, couves, alhos, favas, ervilhas e frutas, ou seja, na alimentação do dia-a-dia dos forninhenses predominavam os produtos cultivados e colhidos nas hortas, por cada uma das famílias, salientando-se, entre eles, o feijão.
O feijão seco, branco, catarino, encarnado, os chicharros, era guardado dentro de bolsas de pano, colocadas nas arcas de cereais, de castanho ou pinho, com duas ou três divisões, conforme as quantidades de cereais colhidos e em cada uma delas se armazenava um cereal. Havia arcas que levavam 100 alqueires!
Um dos meus pratos favoritos, principalmente no Inverno ou nos dias mais frios, é feijão com massa, acompanhado com carne de porco conservada na salgadeira. Acho que é daqueles pratos que conforta a alma!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Queijos da nossa Região


Os queijos foram durante vários seculos, a principal fonte de receita da nossa região. Basta recordar, que já Columero (oficial romano nascido na península ibérica) se referia a este produto. Também na idade média, Gil Vicente lhe prestou homenagem.

Há vários tipos de queijo artesanal, mas o mais famoso e chamado queijo da serra, agora "queijo serra da estrela," é o queijo feito exclusivamente com leite de ovelha de raça bordaleira.

Na década de 90, por imposição comunitária, procedeu-se a alterações no seu fabrico e manuseamento, e lá se foi a tradição que lhe deu fama, e com isso a principal fonte de receita das gentes das aldeias.

Note-se que não era só quem tinha rebanhos que ganhava, normalmente, os pequenos rendeiros que no verão cultivavam as suas terras e a maior parte da colheita era entregue ao senhorio, restava-lhe o arrendamento dos pastos aos pastores.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Memórias: as alfaias agrícolas


As minhas memórias de infância estão povoadas de imagens de ruralidade. Mais nos outros do que em mim. Dos carros de bois, das enxadas ao ombro, molhos de erva ou de couves às costas ou à cabeça (mulheres), ancinhos, forquilhas, foices, seitouras, de espantalhos deixados no campo para as aves não comerem as sementes acabadas de atirar à terra, dos “molhinhos” de cebolinho que seriam “dispostos” na terra para virar cebolas, dos machados de rachar lenha, das tesouras da poda e da piteira, ráfia. Dos foles de enxofre para deitar nos rebentos das videiras. Das ceifas, do mangual, da palha...tradições que se vão perdendo com as modernidades...utensílios antigos que enquanto ainda existem ninguém lhes dá valor, vêem-se nas feiras de artesanato e exposições e sorte a dos que nascem "agora" e ainda os conhecem! Daqui a uns tempos dizem-nos os que nascem, que são invenções nossas, lendas, coisa de velhos (nós)!

Fotografia, Cortesia da Família Lopes.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Memórias de outros tempos: As Excursões

A fotografia que hoje aqui publicamos, e que não conseguimos precisar no tempo, é de uma excursão. No entanto, é notório que o tempo estava de feição (pelo vestuário e calçado dos fotografados) e que seria hora do almoço/pic-nic. Também podemos imaginar do que falariam... se a conversa era interessante ou não muito relevante. Mas relevantes são alguns pormenores nesta imagem: O farnel, as alcofas em palhinha ou vime que nesses tempos de antigamente eram muito usadas pelas donas de casa quando estas íam à feira, mercado e a excursões. E… lá está também …o garrafão do vinho, com toda a certeza de colheita caseira…eu quase aposto que pertence ao Tio Zé Coelho! Recordarmos também nesta fotografia (cedida pela família Lopes), forninhenses que já não se encontram entre nós.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

BTL 2010

O Município de Aguiar da Beira marca presença na edição da Bolsa de Turismo de Lisboa [BTL] 2010, que decorrerá de 13 até 17 de Janeiro de 2010, no Parque das Nações, nas instalações da FIL – Feira Internacional de Lisboa, a qual conta com a participação dos principais operadores turísticos nacionais e internacionais, agências de viagens, entidades oficiais, entre outros.

O Município de Aguiar da Beira marca a sua presença com a maçã golden, uma das referências da sua economia local.

Hoje, Quinta-Feira, dia 14, entre as 19 e as 20 horas será o momento de Aguiar da Beira no stand do Turismo do Centro. Serão distribuídos, aos visitantes, 300 quilos de maçã e informações sobre o Concelho.

Para além desta iniciativa, Aguiar da Beira marca também a sua presença na BTL com o stand das Caldas da Cavaca.

Quem estiver por Lisboa, visite a BTL, a maior feira de turismo realizada anualmente em Portugal, lugar privilegiado para divulgar o turismo do nosso Concelho.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os Torresmos

Há simples petiscos, fruto da tradição popular, que são verdadeiras iguarias. Temos o exemplo no aproveitamento da chamada carne gorda, que hoje tanto se despreza e se envia para o lixo, por se considerar susceptível de criar ou agravar doenças. Mas nos tempos da miséria, não havia lugar a essas preocupações...
Após a matação do porco, agarrado sobre o banco pelo matador e seus ajudantes, o animal era limpo e pendurado, ficando então a carne a "enxugar". A seguir era a desmancha, tendo cada pedaço de carne o seu destino: os quadris e as pás destinavam-se à salgadeira para presuntos; a fêvera e alguma gordura eram para o enchimento das chouriças; o toucinho, agarrado ao couro, era salgado, etc...Tudo tinha um destino definido, porque o porquito havia de dar para todo o ano.
Também toda a gordura tinha aproveitamento. Os pedaços de gordura eram colocados numa caldeira de ferro, que se aproximava do lume, assente na trempe, onde derretiam, a nadar em gordura, havendo apenas que lhe adicionar uma pitada de sal. Quando prontos, os torresmos saíam para fora da caldeira, colocando-se numa travessa e indo assim à mesa. Acompanhavam com pão centeio e vinho tinto, ou então com alguma farinhenta batata cozida. Estes eram os torresmos da matação, sendo muitíssimo apreciados.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Umbilicus Rupestris


Umbilicus Rupestris (designação científica) – é uma planta abundante na nossa terra, principalmente nos períodos mais chuvosos e húmidos, aparecendo aos molhos em paredes de granito pouco ensolaradas, muitas vezes em associação com outras plantas e líquenes, como o musgo.
Após uma breve pesquisa na internet fiquei a saber que em algumas regiões do país esta planta designa-se de cócilho, coucilho, concilho, umbigo-de-vénus. E, em Forninhos como se designa?
Também fiquei a saber que o “cócilho” tem propriedades medicinais, no tratamento de queimaduras, frieiras e feridas!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Frio e Neve em Forninhos (vídeo com som)

video

A neve brindou os forninhenses... e o Instituto de Meteorologia adiantou já que o estado do tempo vai continuar com temperaturas abaixo da média, em especial da mínima, para valores que em vários locais podem ser negativos, o que associado à presença de humidade poderá originar em vários locais a formação de gelo ou geada.
Ontem esteve a nevar praticamente no distrito todo da Guarda...e a nossa aldeia não foi excepção.

Um muito obrigada ao meu primo Pedro, por me ter enviado este vídeo de sua exclusiva autoria.Continua Pedro, pois, tens muito jeito :))

Não se esqueçam de ligar o som, pois a música tá muito fixe :))

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pedras no Caminho? Guardo-as todas...


«Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...».

Se existe alguém que deve ser imortalizado, esse ser é sem dúvida Fernando Pessoa...É este soneto, intenso, que muitas vezes me faz pensar no verdadeiro sentido da vida...!!!
Adoro Pessoa!!! :D
Bom fim-de-semana!
Beijinhos *.*

Memórias - JAN-1971

Antonio Lopes1/08/2010
Olhando para a foto (lado esquerdo para o direito): ZÉ MATELA , ANTONINHO MATELA, LUIS MUDO, ANTONIO CARAU, JOSÉ CAVACA . Dois avós e três tios da PAULA.
-/-
Esta fotografia tem 39 anos…Ano de 1971…foi tirada no dia do meu baptizado. Numa primeira “olhadela” não sei se conseguem reconhecer a Rua, mas trata-te da casa de morada de família dos meus avós paternos. Foi lá onde nasci. Reparem no traje da época...curioso é ainda hoje o tio António Carau manter o seu próprio estilo, o que revela, sem dúvida, um gosto próprio e característico, pois ainda hoje é possível vê-lo com a sua boina "à espanhola".
Houve uma época que todos os rapazes tinham uma boina preta, à medida da cabeça, tinha um atilhozinho no coruto e andava meio de lado. Assim como vemos nas fotos de posteridade do Che Guevara.

PS (Post Scriptum):Não sou entendida em digitalização e formatação de fotos(ainda), mas quem quiser ver a fotografia em detalhes basta clicar em cima da mesma e penso que aí conseguem vê-la melhor.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Convívio: Cabidela (Coelho Caseiro)

É um delicioso prato!

Foi o nosso almoço de 02.JAN.2010,cozinhado a preceito pela D. Iracema e D. Lurdes. Um muito obrigada a estas excelentes cozinheiras :))

Estava mesmo óptimo!

A conversa à mesa versou os mais variados temas: o tempo, a “blogmania”, um cheirinho de política, o falecimento e a grande perda para o nosso concelho do Director do Jornal de Aguiar da Beira: Manuel De Sá, a liberdade de expressão, as alterações na sociedade portuguesa a nível de comportamento, a pobreza, onde o poder era exercido pelos ricos, aproveitando-se para subjugar e também explorar a própria miséria, hoje exercido pelos políticos – a violência psicológica e o assédio moral, o vinho, etc. e tal.
Foi pena outros forninhenses não terem participado:(( pois estes convívios de amigos, em especial, com a presença de várias gerações são muito enriquecedores e fundamentais para manter a cabeça no sítio (entre as orelhas) ;))))

Em Resumo: Bons momentos da vida!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cemitério Antigo


Em Forninhos faziam-se os enterramentos como, aliás, em todo o país, no adro da Igreja Paroquial. Mas uma lei liberal de 1834 proibiu os enterramentos dentro das localidades. As razões da aplicação desta lei tinham a ver com epidemias e cheiros da situação dos cemitérios próximo das casas de habitação. Esta lei levou cerca de 56 anos para ser aplicada, porque em algumas aldeias se recusavam a enterrar os mortos no “meio do mato". Outros, zelosos da saúde pública (podemos sorrir...seriam tantos os cheiros na aldeia, será que achavam estranhos os do cemitérios?) não podiam tolerar os cemitérios ao pé do povo. Bem ou mal acabou-se por transferir o cemitério para fora da aldeia. No caso da aldeia de Forninhos só o foi nos anos 40 do Séc. XX, no tempo do Sr. Pe. Albano, mas sem que todos os corpos fossem trasladados e no local e volvido todo este tempo, lamentavelmente, não existe qualquer menção ao cemitério antigo. O cemitério público foi então criado no local onde hoje se encontra, de acordo com a lei em vigor que proibiu, assim, terminantemente o enterramento nas igrejas, a bem da higiene, exigindo que o cemitério ficasse, pelo menos, a 143 m (200 passos) de distância das habitações mais próximas, tendo de ser um sítio amplo, arejado, se possível, com ventos a soprarem de norte e nordeste. Isto porque o cemitério era considerado como estabelecimento insalubre de primeira ordem (opinião já hoje modificada), mas que ainda hoje tem algum “peso” na escolha da localização e alargamento dos cemitérios públicos, sendo que o Ministério do Ambiente tem de intervir e, a meu ver, ainda bem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Igreja Matriz


As obras, os arranjos, melhoramentos, realizados em 2009 na Igreja Matriz são elogiados pelos forninhenses. Mas...Bem sabemos que nunca é bom o corte de árvores e ao que julgo saber, neste caso, não será assim tão grave o corte da árvore que plantaram em frente à entrada principal da nossa Igreja, pois a mesma (como podem ver) retira visibilidade e esconde a beleza da Igreja. Além disso, com o crescimento desta árvore, as raízes da mesma poderão danificar o chão e o muro existente. Esta é a opinião de algumas pessoas com quem me tenho cruzado.

S.M.O. (salvo melhor opinião), qual é o Vosso Parecer?

sábado, 2 de janeiro de 2010

Janeiras 2010






Ainda agora aqui cheguei
Logo pus o pé na escada
Logo o meu coração disse
Que aqui mora gente honrada.

Muito boas festas nos viemos dar a este senhor se nos aceitar-bis

Levante-se lá minha senhora
Desse banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou de pão ou de chouriça

Muito boas festas nós viemos dar a este senhor se nos aceitar-bis