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domingo, 30 de dezembro de 2012

Natal 2012 em Forninhos

A tradição, em parte, ainda é o que era!
Ainda os rapazes neste Natal de 2012 foram buscar o Cepo, a tradicional fogueira natalícia, que em quase todos os lugares de Portugal se acende na noite fria do nascimento do Menino Jesus e onde todos se podem aquecer depois. 

Diferentes gerações

Algumas 'experimentam' a tradição pela primeira vez

Este ano já está, agora há que manter as tradições do ano que vem.

BOM ANO 2013 para todos, com paz, saúde, mas também com trabalho.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal (Entre Nós)


Este é um postal de Boas Festas que circulou em Portugal em Dezembro de 1942 e a imagem aqui reproduzida é de comunhão entre adultos e crianças na feitura de uma carta para o Menino Jesus a pedir presentes. 
Neste Postal está representada a comunhão, a divisão de trabalho, a colaboração e a intimidade. Gostaria de dizer que era bom em 2013 haver menos egoísmo e mais tudo isto entre nós: o novo blog dos forninhenses...os amigos...os leitores...os seus contribuidores e seguidores.
Posto isto,  com muita estima, desejo a todos os Bloguistas Conterrâneos e Amigos deste espaço e da nossa terra, espalhados por todo o mundo, em especial: Estados Unidos da América, França e Brasil, um  Natal Santo e Feliz, com muita saúde, paz, alegria e solidariedade.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Recordar é Viver

O Cepo de Natal é uma enorme fogueira que os rapazes da terra constroem normalmente no Largo da Lameira e que é acesa depois da Ceia de Natal. Diz a tradição que esta fogueira é para aquecer o Menino. Cabe, depois, a todos nós, contribuir com a presença, confraternizando, entre conhecidos, amigos e familiares.


Em Forninhos o Cepo só é cortado durante a tarde do dia 24 de Dezembro, é carregado por tractores e, por vezes, é composto no local por máquinas, mas nem sempre foi assim, dantes iam buscar a lenha aos pinhais com o carro das vacas e quando não se arranjava vacas, levava-se o carro e à força de muitos braços o carro vinha carregado na mesma, pois a lenha para o Cepo não podia faltar, já que este era o símbolo mais marcante dos jovens da época e, diga-se, o Cepo continua a ser um dos mais belos momentos da Noite de Natal nas nossas aldeias da Beira. 

Histórias contadas no passado:

Aqui há vários anos, a tradição mandava que a coberto da noite, roubássemos lenha para o Cepo. Lá íamos nós, malta unida na aventura, sorrateiramente “vandalizar” os pátios, de preferência os que não tivessem cães a guardar.
Vou recordar aqui uma história que aconteceu com o meu falecido pai e na qual colaborei e ajudei a orquestrar:
Combinamos ir ao tio Alfredo (meu pai), pedir um cântaro de vinho para animar a malta do Cepo, já que gramávamos a noite inteira, mesmo que nevasse.
Dito e feito!
O meu pai pôs o vinho à disposição da trupe e ainda pediu à minha mãe para fritar uma chouriça e trazê-la para a adega, pró pessoal beber uns canecos a ver se aqueciam.
Copo atrás de copo, uns iam entrando na adega, outros saindo, mas…outros com ele entretido na adega, carregaram uns valentes troncos de pinheiro para o Largo da Lameira.
Não se chateou, era Natal e ele era assim!

Ai CEPO, tinha tanto para contar, participei várias vezes nesses cortes de pinheiros e a carregar os cepos.
Era assim, no dia anterior, no café do Sr. Virgílio é que se combinava, mas aquilo era rápido, bebendo umas cervejolas, eram sempre os mesmos, e ao outro dia, dia 24, fim do almoço, a maltinha começava a aparecer. Lá ia o Zé Cuco meter o tractor do Sr. Virgílio a trabalhar e lá iam eles só com uma ideia na cabeça, carregar o reboque o mais rápido possível, porque não era só com uma carrada que se fazia o Cepo, mas sim com três ou quatro e claro o garrafão ía sempre connosco. Também cheguei a levar o tractor do meu pai, o Sr. Freitas também e era assim neste ambiente de festa e união que se fazia o Cepo de Natal.
Depois de se consoar com a família, era no Cepo que a malta se reunia novamente, alguns lá ficavam até de manhã, dos quais eu ainda fiz parte, mas para aguentar toda a noite tínhamos que comer e beber, então dois ou três mangas iam dar uma voltinha aos galinheiros da freguesia e a verdade é que nunca vinham com as mãos a abanar. Estou a lembrar-me que quando foi a minha vez não correu lá muito bem, éramos dois, não se via nada no galinheiro, então foi o que veio à mão, só que não era uma galinha, mas sim o que galava. A missa do galo essa não é do meu tempo, mas este foi e estava bem bom!!!

Nesta quadra e naquela altura em que a ASAE não existia, praticamente não era crime ou pecado “roubar” uma galinhita ao tio Luís Catrino que Deus tenha, ou qualquer outro (salvo muito raras excepções), como acontecia com a madeira para o Cepo.
Tenho um grande, mas grande amigo em Forninhos, o tio António Carau, e também ficou sem a burra de serrar a madeira!
Foi direitinha para o Cepo e continuamos amigos.
O que mais gostava mesmo, era já quase madrugada, juntamente com o meu primo Graciano, meu primo Zé Pego e outros, assarmos um coelhito, em casa da minha tia Laura.
Coelho roubado, claro, senão não tinha piada, mas roubado com alto nível!

Que saudades tenho de estar presente neste dia, contribuir para arranjar essa lenha que o Cepo necessita, onde tudo é divertido.
Nos tempos em que vivi em Forninhos, sempre me lembro do Cepo, na Lameira, junto ao Café do Sr. Virgílio (mesmo em frente à casa do Sr. Paredes) ou mais ao lado, em frente à casa dos avós do Agostinho "branco".

A minha infância foi passada numa aldeia vizinha (Dornelas) onde os usos e costumes sempre foram idênticos, nem outra coisa podia ser, devido à proximidade. Aqui, havia rivalidade entre o povo e a lage grande, mas qualquer dos Cepos eram bons, quer dizer, a fogueira era grande e ía desde o dia 24 ao dia de Reis.
Eu lembro o tempo em que se acendia o Cepo na véspera de Natal e mantinha-se até aos Reis, mesmo que tivéssemos de ir roubar os pinheiros para manter a fogueira acesa. O mais difícil era acendê-la porque era tudo verde, colocávamos uns troncos resinados por baixo e a frança por cima para esquentar, por vezes tínhamos de recorrer ao petróleo porque lenha seca era difícil de arranjar.

Recordar é Viver!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Em Memória da Gente Antiga

Recuando ao ano de ...(?)
A foto foi tirada em Forninhos. Quem é capaz de identificar o lugar?


E quem são as pessoas da foto?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Lagar de Azeite do Sr. Luisinho

Em Documento do ano de 1917 é mencionado que como indústria local, tinha Forninhos "fabrico de azeite em um antigo lagar". Esse referido antigo lagar era o do Sr. José Baptista, que foi desactivado em 1938. Outro dia vamos aqui divulgá-lo. Mas é o Lagar do Sr. Luísinho, que outrora foi também importante fonte de riqueza, que está hoje nas nossas memórias. 


Trata-se de uma construção ampla com paredes construídas em granito e fica este Lagar no lugar com o mesmo nome "Lagar". Já perdeu a cobertura. Ficaram as paredes de pedra, pio e mós onde a azeitona era esmagada. A recuperação sei bem que seria muito dispendiosa e muito complexa, mas restaurado podia ser motivo de atracção turística para muitos forasteiros que visitam a freguesia de Forninhos. Muito perto deste edifício existem ainda ruínas de moínhos. 


Já não sou do tempo em que na minha terra havia lagares de azeite, nem conheci o Sr. Luísinho, mas sei que noutro tempo muitas pessoas gostavam de passar a noite no lagar quando faziam o azeite. Assavam batatas, cebolas e bacalhau que regavam com o azeite tirado directamente da pia e todos comiam à volta do borralho, onde se contavam estórias. Muitas vezes a água chegava ao meio do rodado dos carros de bois carregados com os sacos de azeitona. Hoje tudo mudou. Ainda se apanha azeitona para consumo privado, mas leva-se para algum lagar das redondezas e bem vistas as coisas Forninhos é que perdeu/perde. A economia do azeite podia e devia, se fosse esse o desejo, ser aproveitada, pois a oliveira produz muito bem na nossa região e o azeite é de muito boa qualidade. Bem sei que escrever sobre isto é fácil, tomar iniciativa e combater com acções reais é difícil, mas se quisermos que Forninhos fixe e atraia pessoas é preciso ajudar os locais, migrantes e emigrantes a criar investimento que gere emprego. 

P.S: Desta vez fiz o 'post' com a conta do meu irmão, pois ainda não criei uma outra conta minha. Obrigada David e obrigada a todos pelas dicas. O blogue é hoje uma das primeiras ligações informáticas que muitos forninhenses estabelecem quando se ligam ao computador e isto não acontece para saberem as "notícias" da terra, mas por aqui recordarem bons momentos do passado e é neste local que vêem que se discute de forma séria a história e o futuro da nossa terra.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Os doces fritos desta época

Queridos leitores(as),
Na última semana fiquei impedida de carregar fotografias no blog, tal como aconteceu a outras pessoas de outros blogues. Pois bem, eu queria fazer um ‘Post’ sobre uma riqueza bem antiga, o nosso azeite, mas como só consigo carregar fotografias através do Picasa, vou referir-me um pouco ao azeite, à tradição dos doces fritos que se confeccionam na época festiva que se aproxima. Filhós até fartar, fritas, sonhos de abóbora…
Fazendo uma pesquisa para determinar desde quando foi a introdução das filhós, fritas e similares em Portugal, e qual foi a sua origem, fiquei a saber através do blog '"D´Algodres" do nosso amigo e colaborador 'al cardoso' que investiga e divulga a 'herança judaica' no concelho D´Algodres, que os Judeus têm a tradição de a partir do dia 5 de Dezembro, durante 8 dias, comer doces fritos em azeite, dos quais derivam as filhós, as rabanadas ou fritas, os sonhos e as bolas de berlim. Só mais tarde os Cristãos, quando começaram a celebrar o Natal de Jesus em Dezembro, começaram também a utilizar os doces fritos. Que sabem sobre os doces fritos de Natal dentro da tradição judaica-cristã?

'fritas', 'rabanadas' ou 'fatias douradas'
As fritas, como dizem os forninhenses, pertenciam aos baptizados, mas já não é assim. Também agora na nossa aldeia são escassos, ao invés do que sucedia no passado.

Um prato de 'filhozes'  ou 'filhós'
Creio que não há mesa portuguesa que na Consoada não tenha um prato de filhós. E, feitas à lareira e fritas no nosso bom azeite têm outro sabor! Ficaram com água na boca? Era mesmo essa a intenção!

Nota final:
O blog dos forninhenses não vai ‘morrer’, mas alguém por acaso, sabe dizer-me como resolver o problema do espaço para imagens? Não quero comprar espaço. Tenho de fazer uma outra conta? Se apagar algumas fotos nos ‘Post´s’ mais antigos, consigo mais espaço, pelo menos, até ao final do ano? 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Memórias: Excursão ao Jardim Zoológico

Sempre houve em Forninhos, como em muitas outras terras, as EXCURSÕES a terras de Portugal. Os forninhenses visitavam fundamentalmente os Santuários do país, mas o post de hoje mostra uma visita ao Jardim Zoológico de Lisboa:

interior do Jardim Zoológico de Lisboa (Sete Rios)

Noutras publicações sobre este tema falamos que era obrigatório o garrafão (conhecido pelo "KodaK", máquina fotográfica dos aldeões), pois bem, acho que esta é uma daquelas imagens que confirma esse detalhe.

exterior do Jardim Zoológico de Lisboa (Sete Rios)

Recordamos também nestas fotografias (cedidas pela minha prima Darcília Gonçalves), forninhenses que já não se encontram entre nós. Há rostos que não são fáceis de identificar, mas tentem identificar quem é quem. Obrigada.

***
Veja outras publicações sobre este tema clicando aqui e aqui. Se quiser ver a visita a Braga clique aqui e as Excursões da Catequese  aqui.

sábado, 24 de novembro de 2012

Prof. Dr. Francisco António Gonçalves Ferreira

Os Amigos e Colaboradores do senhor Prof. Dr. Francisco António Gonçalves Ferreira, médico, obreiro da saúde pública em Portugal, vão cumprir um desejo que ele próprio manifestou em vida, COMEMORAR O DIA DO SEU ANIVERSÁRIO, no dia que completaria 100 anos, reunindo-se hoje, dia 24 de Novembro, em Lisboa, para a celebração do evento, e eu aproveito a oportunidade, com muito orgulho, aqui no 'blog dos forninhenses' presto-lhe homenagem.
Cada terra tem os seus motivos de vaidade e Dornelas tem alguns - e este não é um dos mais pequenos...


Quem foi?
Francisco António Gonçalves Ferreira, foi uma figura de vulto na vida política e científica nacional.
Nascido em Dornelas, a 24 de Novembro de 1912, Gonçalves Ferreira licenciou-se em Medicina, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em 1936, frequentou ainda os cursos de Tisiologia Social (1936), Doutorou-se em Medicina Sanitária e Tropical (1937) e Climatologia e Hidrologia (1942). Altamente classificado em todas as formaturas que tirou, nunca a sua humildade e modéstia  sofreu qualquer alteração. Quem quiser saber mais informação útil sobre o Dr. F.A. Gonçalves Ferreira pode clicar aqui.

Convém distinguir as suas obras "Moderna Saúde Pública" e "Vitaminas Hidrossolúveis - contribuição para o estudo da alimentação dos portugueses". 

Foto: Cortesia de uma sua colaboradora.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Uma foto com história

Vamos Recordar: 
Na década de cinquenta Forninhos teve um Retratista a trabalhar na rua, com máquina assente em tripé, com um pano escuro na parte traseira, onde colocava o rosto para tirar o retrato; e  teve afinal um pano preto de fundo, que servia para focar a atenção sobre o sujeito. Os fundos complexos distraem a atenção e retiram parte daquilo que queremos ver. Assim me disseram. 

E quem são estas crianças tão compenetradas?

O menino é o João e a menina é a sua irmãzinha 'Joana' e o já falecido tio Carlos Guerra sabia o que fazia e emoldurou bem estas lindas crianças, de mãos postas. O que seria do lindo vestido branco da menina num fundo branco?
Esta é uma foto muito interessante e com história. Foi tirada no ano de 1951, no dia que a Nossa Senhora de Fátima chegou à nossa terra, quando o povo de Forninhos foi ao encontro do povo de Penaverde receber a imagem, no ‘Alto” pertinho dos Valagotes e dia da comunhão solene de algumas crianças, algumas das quais quando lançaram as pombas brancas até afirmavam ter visto a Virgem. Fico contente por saber que o evento religioso ficou registado em foto. 
Bem haja primo João por esta partilha e bem haja ao tio Carlos Guerra que faz da nossa aldeia um passado presente.

Veja outra publicação sobre este tema clicando no post O Retratista

sábado, 17 de novembro de 2012

Forninhos continua a ser freguesia de Aguiar da Beira

Foi agora conhecida a proposta da Unidade Técnica criada para a Reorganização Administrativa do Território, que aponta para que o concelho de Aguiar da Beira passe a ter 10 freguesias, menos 3 que as actuais. 
Fazendo as contas, segundo a Lei 22/2012, o concelho de Aguiar, podia perder entre duas a três freguesias, com a benesse de a decisão partir das assembleias municipais, que indicariam as freguesias a extinguir/agregar. Mas como a Assembleia Municipal de Aguiar da Beira não se pronunciou nos termos e para os efeitos do art.º 11.º, da Lei 22/2012, colocou a decisão nas mãos da UTRAT e AGB em vez de duas, perde três freguesias: CorucheGradiz e Valverde.
Em Aguiar da Beira, os autarcas, com uma ou duas excepções honrosas, do Sr. Presidente da Junta de Gradiz e do Sr. Presidente da  Câmara Municipal, todos assobiaram para o lado e utilizaram as sessões para discussões inócuas e sem sentido sobre o que era isto de agregar/extinguir freguesias, limitaram-se a criticar a proposta e a dizer que tudo deveria ser feito de forma diferente e que faltava explicar as vantagens desta reforma, que não conseguiam ver vantagens nas alterações propostas!!! 




Se fosse eu a decidir tinha apresentado proposta de fusão, no âmbito da pronúncia prevista no artigo 11.º, para além de, havendo acordo, propôr a alteração dos respectivos limites territoriais da freguesia de Forninhos, incluindo a transferência da totalidade do território para o município de Penalva do Castelo (artigos 16.º e 17.º). Mas o que fica gravado para a posteridade é que desde o dia que soou o primeiro sinal de alarme, os autarcas de Forninhos utilizaram as sessões para discutir apenas a não extinção da freguesia de Forninhos e não perceberam, ou não quiseram perceber, que se abria a oportunidade para discutir, com a população, a alteração do seu território.
-/-
Já o município de Penalva do Castelo considerando que a Assembleia Municipal se pronunciou nos termos e para os efeitos do artigo 11.º a UTRAT propôs a União das Freguesias de Vila Cova do Covelo/Mareco e Sezures/Matela (artigo 7.º, n.º 1) e vai passar a contar com 11 freguesias, menos 2 que as actuais. 
Olhando para a agregação das freguesias de Sezures e Matela, não percebo como é que a Matela surge agregada a Sezures! 
Quem se lembra dos limites propostos pela Freguesia de Forninhos, no ofício datado de 17/10/2011?
"Gostaríamos também, que fosse tida a possibilidade de agregar ou fundir localidades de concelhos diferentes, que se tenham uma identidade comum, que estejam mais próximos em termos de acessos e que tenham interesse nessa mudança, dando voz a essas localidades.".
Foi esta a discussão que ninguém teve coragem de fazer em Forninhos, como na maior parte das freguesias vizinhas dos municípios, inclusivé, Matela.

Quem quiser ler o post de Junho último clique aqui.

Fontes: www.parlamento.pt; acta de 29 de Junho, disponível no sítio da Câmara Municipal  de Aguiar da Beira; Ofício da Junta de Freguesia de Forninhos datado de 17/10/2011.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Para Quem Gosta de Requeijão

Hoje vamos falar de REQUEIJÃO.
Já alguma vez provou o requeijão caseiro que se faz nas nossas aldeias?
Os supermercados vendem o requeijão e queijo fresco em embalagens plastificadas, mas o que nunca vão lá encontrar é o requeijão artesanal, branco, macio e frio como a neve e com um aroma e sabor láctico agradável, feito pelas mulheres das nossas aldeias. 
Merece aqui especial menção os requeijões da tia Maria dos Santos, que nunca teve dificuldade em vendê-los. 
E quem é que se lembra dos requeijões da tia Micas?

Queijo da Serra e Requeijão 

É costume dizer-se que sem queijo não há requeijão. Faz-se por isso o requeijão da nossa região a partir do soro do queijo, que é coagulado por acção do calor. A coalhada que se forma é, então coada e comprimida para libertar o restante soro e colocada num recipiente, uns pequeninos cestos de verga,  que facilitam o escoamento do requeijão. 
A propósito de requeijões consoante as tradições de cada terra, em Forninhos, nos magustos, para além de se comer castanhas assadas é de tradição comer requeijão.

Se quiser ver a publicação sobre o queijo clique aqui.

Nota sobre a imagem:
A foto foi enviada dos EUA pela nossa conterrânea Natália e os três requeijões que se vêem foi ela que os fez. Faz-se por isso hoje requeijão em qualquer sítio.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Procissão, Ano 1966-AGO-15

E já lá vão 3 anos a levar a todos os filhos e amigos de Forninhos as notícias, a história, as tradições e as curiosidades da terra que me viu nascer. Fazendo uma retrospectiva parece-me que o balanço é mais que positivo, o blog tem arquivado muito boas memórias, história e estórias do tempo de antigamente; o ponto menos forte do projecto, a meu ver, é a divulgação das notícias que fazem parte do quotidiano da nossa aldeia, assumo alguma falha da minha parte, contudo, é um aspecto que poderá ser melhorado com a intervenção dos residentes que passam por aqui diariamente, pois a colaboração, activa/ou/passiva, cabe a todos nós filhos e amigos de Forninhos. 
E...todo este arrazoado para vos deixar aqui hoje, 09-NOV-2012, como não podia deixar de ser, mais umas relíquias que fazem a história da nossa terra e que são a confirmação que dantes a maioria das imagens da igreja não faziam parte da procissão e é um facto que os tractores é coisa de ultimamente. Sempre ouvi falar da época que levavam três...depois quatro.  Mas hoje sei que houve um tempo em que não havia andores na procissão de N.S. dos Verdes. 
Como para compreendermos o presente é preciso primeiro conhecer o passado, é bom reparar/ou/recordar o que foi durante anos o lugar do Porto, a procissão em honra de N.S. dos Verdes e aquilo que fomos no passado e o que somos hoje:

Em que havia sempre tanta gente

Santa Marinha e a Senhora dos Verdes caminham juntas

A Cruzada e o Menino Jesus

Hoje esta paisagem diluiu-se ou quase...mas de certeza que muitos leitores recordarão os rolheiros e palheiros do centeio e as festas deste tempo que foram intensamente vividas.
E, porque o blog está hoje de Parabéns, quero dizer-vos que  estes últimos 3 anos foram para mim um enriquecimento e também um investimento, por isso, o objectivo é o da continuidade. Sempre por amor à minha terra, Forninhos! 
Quero ainda felicitar os participantes activos que apoiam o blog e agradecer-vos por não se importarem de partilhar na página dos forninhenses as vossas fotografias.
E, se fôr um seguidor ou um visitante anónimo, bem-haja por me ler, pela visita e por me seguir. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

IX Passeio Micologico!

Como somos vizinhos e amigos e já que a amiga Paula me pediu, vou divulgar para os interessados, o IX Passeio Micológico, no Município de Fornos de Algodres.
Para alem da sã convivência natural, haverá provas de várias variedades de cogumelos, e bem assim palestras sobre a propriedades e sobre a segurança do uso desses fungos!
Será no dia 24 de Novembro!


domingo, 4 de novembro de 2012

Chegaram os míscaros

Os míscaros são uns cogumelos amarelos, comestíveis, que nascem nesta altura nos pinhais de Forninhos (e arredores), criam-se dentro da terra nas zonas húmidas de musgos e por baixo da caruma dos pinheiros e são denunciados pelas “gretas” reveladas no local onde eles estão. Deve-se, no caso, remover com cuidado a terra à superfície, pois onde está um, pode lá estar outro, ou vários.





Depois arrancam-se inteiros com um pau afiado. 





De certeza que se recordam que nascem sempre aos pares



Regalem-se com a visão destas fotografias tiradas hoje de manhã nas androas e quem puder vá para as matas que é lá que está a promessa de um simples guisado, uma açorda ou um delicioso arroz de míscaros. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Celebração dos Dias 1 e 2 de Novembro

No Dia 1 de Novembro, Dia de Todos os Santos, festejamos todos aqueles e aquelas que a misericórdia de Deus admitiu na sua presença, na entrada do seu Reino. Mas em Portugal este Dia não acontecerá mais, pois o feriado religioso foi retirado e as pessoas já não terão este dia disponível para recordar os seus mortos mais queridos e muito se deve, diga-se, às inacreditáveis negociações da Igreja com o Estado Português.


No dia 2 de Novembro, Dia de Recordação de Todos os Fiéis Defuntos, é o tempo da oração, por todos aqueles que partem com a necessidade de algumas purificações além-túmulo. E este dia, o “Dia dos Finados”, foi criado devido a Igreja Católica ter declarado o “Dogma do Purgatório” depois do concílio de Trento no Século XVI, em oposição à Reforma Protestante, denominado por isso também de "Concílio da Contra-Reforma" passando a haver, assim, um estado intermédio para as almas das pessoas falecidas. Em vez do céu para os bons e o inferno para os impuros, aparece um local aonde durante algum tempo as almas ficariam a “purificar”. Surge, então, entre o povo cristão a crença no Purgatório e surgem no nosso país monumentos, marcas de religiosidade popular, à beira de caminhos e principalmente nos cruzamentos destes – "as alminhas", a suplicar esmolas e rezas. Ó VÓS QUE IDES PASSANDO/LEMBRAI-VOS DE NÓS/QUE ESTAMOS PENANDO.
Entraram em declínio estes monumentos nos princípios do Século XX. Ainda há três exemplares em Forninhos, nenhuma se encontra datada, mas sou de opinião que duas já foram mandadas construir no Séc. XX. Já esta que vos apresento, embora não conheça nenhum facto relacionado com a sua construção, suponho eu que deve ser a "alminha" mais antiga de Forninhos e que talvez por causa da construção da parede da casa onde está hoje incorporada, pode ter sido deslocada do lugar original.

Ó MORTAL QUE ME VÊS,
REPARA BEM COMO ESTOU
EU JÁ FUI COMO TU ÉS,
E TU SERÁS O QUE EU SOU.

Este post é em memória de todos os falecidos, que especialmente são lembrados nos dois primeiros dias de Novembro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Outono, tempo de castanhas

Desde o Paleolítico que o castanheiro e o seu fruto, a castanha, acompanha o Homem e pode-se mesmo afirmar que na Península haveria castanhas antes da chegada do milho em 2.500 A.C.. A castanha era utilizada na alimentação dos homens e dos animais e, em muitos casos, era o pão dos mais desfavorecidos.


Tudo começa pelo plantio. Dizem os entendidos que há dois tipos de castanheiro: os bravos (produção de madeira) e os mansos (bravo enxertado para produção do fruto) e que o castanheiro começa a dar fruto aos oito anos, mas só vinte anos depois é que a frutificação passa a ser regular.
E qual a idade estimada do castanheiro?
Aquilino Ribeiro homenageou o castanheiro ao dele referir: “trezentos anos a crescer, trezentos em seu ser, outros trezentos em morrer”.
Deve haver leitores que nunca viram um castanheiro a não ser na Internet, mas o castanheiro é das árvores mais bonitas que conheço, em qualquer altura do ano, mesmo quando está totalmente despida de folhas.
De Abril a Junho floresce e os seus frutos amadurecem de Outubro a Novembro. Portanto, começa agora a apanha das castanhas [estou a escrever como se ainda houvesse apanha em Forninhos, atenção: não há]. Mas existiu. Creio que os mais velhos ainda se lembram do "castanheiro do Senhor". Uma fotografia dele era bem-vinda para publicação.
Depois do ouriço abrir, desprende-se da árvore e cai libertando as castanhas, que se comem quase de todas as maneiras, cruas, secas, assadas ou cozidas, que adoro desde miúda. A preparação, essa, é ancestral. Passam-se por água para tirar algum pó ou impurezas que tragam e secam-se num pano. Dá-se um golpe com a faca sobre a parte mais clara da castanha e cozem-se em água a ferver com sal, por cerca de meia hora. As castanhas podem ser na quantidade que quiserem e a água tem de ser a suficiente para que cubra as castanhas, o sal é a gosto.
Agora castanhas cozidas com erva doce:
Basta juntar erva doce a gosto [eu uso uma colher de sopa ou pouco maisna água a ferver, com sal. Comer ainda quentinhas. 
Mas as castanhas digerem-se melhor se forem acompanhadas de um copo de Jeropiga, de água-pé ou de um cálice de Vinho do Porto.
Já agora fica a dica que também se pode fazer chá com a erva-doce, também conhecida por “funcho”, que para além de saboroso é muito saudável.

Nota sobre o Post:
Repeti [+ou-o assunto de há um ano porque se mantém actual, o Outono continua a ser sinónimo de castanhas e outras iguarias.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Forninhos, terra de emigração

O maior movimento populacional da História de Portugal deu-se entre 1961 e 1974, quando um milhão e meio de portugueses partiu para o estrangeiro à procura de um melhor nível de vida. Mas já antes, entre 1920 e 1960, da minha aldeia, partiram para o Brasil famílias inteiras que criaram raízes até à 4.ª geração. O Brasil foi dos primeiros destinos para muita gente, muito antes de França. Nos anos 2o, dois irmãos da minha bisavó Casimira foram para o Brasil e infelizmente por  circunstâncias da vida não tiveram oportunidade de um dia voltar; e nos anos 30 foram dois filhos dos meus bisavós Teresa e Eduardo, o primeiro a lançar-se na aventura da emigração foi o meu tio António, que depois no ano de 1936 'chamou' o meu tio Ilídio, que parte e deixa com os meus avós paternos a sua única filha, Alice, de 6 meses de idade. Estes tios e prima Alice não os conheci, julgo que porque nunca cá vieram. Mas este "post" eu dedico a todos os emigrantes que rumaram a uma nova vida num país estranho e que já mereciam um monumento simbólico.

Corria o ano de 1958 o Albano, a Céu e a Aldina chegam ao Brasil no dia 5 de Julho, e deixam para trás os seus pais, Ana Gonçalves e José 'do Albano' e irmãos mais novos, Emília, Semerina, Rosária, Rosa e Armando, mas levam-nos no seu coração, assim como levam gravada na memória as ceifas e as malhas, o sol escaldante de Julho, as ruas e casas de pedra, amigos, familiares e a Senhora dos Verdes, de Forninhos. Para os que partiram, como para os que ficaram, não foi fácil, as saudades da família são mais que muitas, dias e noites a chorar, se tivessem dinheiro para de imediato voltar, com certeza teriam regressado à sua querida terra natal. 
Quantos pais viram os filhos partir em busca de regalias que a aldeia nega? Eram tempos difíceis como já tenho mostrado. Havia produtos da agricultura para a sobrevivência, mas não havia moeda. 


Mas o Albano, a Aldina e a Céu não vêem a hora de ter junto de si os pais e irmãos mais novos, que 'mandam ir'. Quantos adultos naquela altura partiram com os seus filhos pequenos com o desejo de melhorar de vida? As famílias sabiam que a continuar aquela linha de vida o destino dos filhos era repetir o próprio destino.
Mas sete meses após a chegada ao Brasil falece o pai, o tio José 'do Albano'. A dor da família é a dor de toda a nossa comunidade, pois nessa altura os valores da amizade eram muito fortes na nossa aldeia. Dos filhos, também já faleceu a Aldina, Rosária e o Armando.
Publico estas fotografias que recordam como era duro e dramático emigrar e foram muitas as centenas de beirões (e não só) que emigraram.
Fotografias: Cortesia da Darcília Gonçalves.
Aproveito a oportunidade para agradecer ao Sr. Albano, Brasil, pois sem saber, cada vez que me dizia que lia o blog e me falava da saudade e das 'coisas' que eu publicava, eu cada vez mais ficava com vontade de saber como foi deixar Forninhos. O meu abraço forninhense para si, Sr. Albano!



Fizeram-me chegar também um escrito de autorização e responsabilidade. "Eu António dos Santos de Andrade dou a minha autorização que a minha filha Felisbela dos Santos...Durante o tempo que ela esta nos Estados Unidos da América, dou a responsabilidade dela a Ernesto Saraiva."Doc. Autorização e Responsabilidade: Cortesia da família 'Carau'.
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Há ainda gente que pode contar histórias reais, de como foi o início de uma vida nova no longínquo Brasil ou na América e cujas lembranças deste pedaço de chão ficaram para sempre no coração. Mas sem dúvida, foi a emigração para França que mais marcou os anos 60 e 70 das nossas aldeias, não esquecendo a África e a Guerra Colonial que também determinou algumas partidas dramáticas de jovens em fuga da tropa.
Presentemente em pleno Século XXI, Portugal volta a revelar que não apresenta condições para manter uma grande parte da sua mão-de-obra no nosso território, como não oferece condições de regresso aqueles que foram obrigados a partir um dia. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Moínhos: Património Popular

moínho do Salto
Eram raras as aldeias da nossa Beira, que não tinham moinhos de rodízio, mas porque nunca se olhou para este património popular com olhos de ver, temos perdido esses testemunhos deixados pelo povo simples e anónimo, eregidos à medida das suas necessidades, em sítios isolados, mas mui pitorescos. Um desses exemplos é o moinho da Carvalheira, que já aqui foi referido mais que uma vez, mas existem outros moinhos na aldeia de Forninhos, ao redor dos cursos de água, em Cabreira e junto ao lagar de azeite do Sr. Luísinho e no Salto, abaixo da ponte da Carriça, que foram também importantes para o povo de antigamente. Apresento, assim, aos que não conhecem, esses moínhos construídos junto ao rio e ribeira, aproveitando as águas das levadas ou açudes, só que até a água foi-se também perdendo, sem ninguém com isso se importar ou indagar as causas!!!


moínho da família Bragança



moínho de Cabreira



moínho da Carvalheira


O único que ainda lembro funcionar é o moinho da Carvalheira e se calhar porque foi o último a ser desactivado ainda lhe resta o rodízio. Para além destes moinhos, sei que houve também uns moinhos nas Caldeirinhas e outros junto ao lagar de azeite da Eira, ao tempo pertença do Sr. José Baptista, que se desmoronaram pela força da corrente. Mesmo que deles não existam ruínas, acho justo lembrá-los, assim como acho necessário fazer-se um levantamento e registo deste nosso património popular de reconhecido valor no tempo em que a cultura e colheita do nosso pão era feita pelas mãos dos homens e mulheres e o pão cozido nos nossos fornos, que podem ver aqui e aqui
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O Moinho da Carvalheira, faz parte real da minha meninice, qual território sagrado dos Incas, onde a natureza se agitava naquele local recôndito, impregnado de lobos, corujas, raposas e aves de rapina, procurando o alimento para as crias, tal qual íamos esmagar o grão para o pão-nosso de cada dia. Adiante, os Cuvos, que mal produzia um raquítico milho, mas saborosos chicharros. Subindo a encosta para o lado direito, lá estava o imponente Castelo e do outro lado o Castro.No meio da encostava havia uma nascente que não secava, de dia para o homem de noite para os bichos.
Junto ao moinho, as Dornas e a sua gruta de água cristalina, aonde se sentia o mundo na sua perfeição absoluta! Chegava com o meu pai, as vacas arrastando o carro, chiando sobre o peso do grão e o difícil trilho.Teria seis anos de idade, mas a expectativa de passar o dia e a noite neste local mágico, acelerava o coração. Carro descarregado e vacas a pastar na orla da ribeira com o coaxar das rãs e o bailado das libelinhas, era hora de ir roubar umas ameixas ao Sr. Daniel, cá mais abaixo, encher os bolsos e a boina.
A seguir, uma vara de amieiro, um fio de nylon mais um anzol ferrugento com gafanhoto a servir de isco, sempre se apanhavam umas bogas tontas que se viam a olho nu; numa água que era brilhante. As maiorzitas serviam para grelhar e ajudar a bucha da noite, na fogueira acesa no canto esquerdo interior da moinho, enquanto a mó carrasca, esmagava o grão, chiava, esmagava, acompanhada pelo piar do mocho ali ao perto.
Enquanto o meu pai vigiava toda a noite a tarefa, eu aconchegava-me junto a fogueira, enrolado numa manta trazida de casa, e adormecia a sonhar com as mouras encantas ali tão perto.
Manhã cedo o meu pai acorda-me, carro já carregado com as taleigas da farinha, vacas junguidas, prontos para abalar, apenas faltava o caldeiro de lata que pendurou num fogueiro. O chiar do carro sobre as pedras na subida, faziam levantar as perdizes matinais, acordar os melros na ribeira e alvoroçar os tajasnos. Já em cima, um coelhito atarantado, apenas se desviou das vacas, pois eu ia sentado na frente do carro e o meu pai nas traseiras. Se tivesse uns custilos e tempo, aqueles tajasnos e mais que fora, não escapavam.
Mais a frente cruzamo-nos com outro carro de bois, que vinha para a moagem, era o dia que lhe pertencia em sortes (não me recordo quem era). 
XICOALMEIDA
Ainda bem que há quem nos dê tão belos contributos. Bem haja amigo Xico.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Tribunal do Santo Ofício actuou em Forninhos

A inquisição foi estabelecida em Portugal, em 23 de Maio de 1536, a pedido do Rei D. João III, em principio destinada a combater a heresia no seio da Igreja Católica. Com este post pretendo melhor conhecer a História e o papel desempenhado pelo Santo Ofício e a mentalidade social da época, bem assim a problemática das divisões então existentes entre cristãos-novos e cristãos-velhos.
Capa do Processo da Inquisição de Lisboa do  Sol. Manuel Nunes


Pelos Tribunais do Santo Ofício passou um membro do  Clero, Paulo Pais, Padre-Cura da Igreja de Santa Marinha de Forninhos, natural de Fornos de Algodres, mas morador  em Santa Marinha de Forninhos, o qual foi acusado, em 16 de Abril de 1617, da prática de concubinato, de que se livrou com castigo não averbado no processo em Dezembro do mesmo ano e um soldado, natural do lugar de Forninhos, freguesia da Villa de Penaverde, bispado de Viseu, mas morador na cidade de Lisboa, de seu nome Manuel Nunes, acusado de ter contactos forçados com herejes quando foi feito prisioneiro pelos holandeses e de cujo processo consta apenas a confissão de suas culpas e informações com especial interesse para a sua carreira militar. 
Manuel Nunes era cristão velho,  solteiro, sabia ler e escrever e era filho de Pedro Gonçalves, lavrador, e de sua mulher Maria Nunes, naturais e moradores em Forninhos. No processo, constituído por 32 folhas, não menciona os nomes dos avós paternos, por os desconhecer, embora diga que eram lavradores, naturais e moradores em Forninhos. Quanto aos avós maternos, também lavradores, refere que só sabe o nome do avô materno, António Nunes, natural das Antas, concelho de Penalva, bispado de Viseu.
O soldado Manuel Nunes tinha 26 anos de idade a 10.10.1658, quando se apresentou voluntariamente na Inquisição de Lisboa, perante o Inquisidor Rodrigo de Miranda Henriques, para confessar as suas culpas. Da sua confissão constam as seguintes informações com especial interesse para a sua carreira militar: treze anos atrás (1645), embarcara em Lisboa com destino ao Estado da Índia. Chegando à cidade de Goa, quatro meses depois mandaram-no para a ilha de Ceilão para servir como soldado, onde permaneceu cerca de doze anos. Nessa altura, os holandeses acabaram de tomar o que faltava por conquistar da dita ilha e acharam a ele réu na fortaleza de Caleturé (?), aonde foi cativo e levado à cidade de Jacataria (?) aonde residiu onze meses, e por o meterem logo em prisão apertada enquanto não havia embarcações para o passarem à Holanda, foi obrigado dos trabalhos em que se via para melhor ter liberdade a assentar praça de soldado dos ditos holandeses, como com efeito assentou, e recebeu seu soldo nos ditos onze meses acudindo as sentinelas e às mais obrigações como os mais soldados holandeses. Manuel Nunes declarou também “que por alguns meses no dito tempo fez saídas ao campo a pelejar com os mouros, porém nunca pelejou com católicos, nem o determinava fazer, porque logo quando assentou a dita praça declarou que era com condição de não ser obrigado a pelejar com católicos cristãos.”.
Declarou ainda que sendo forçado a conviver diariamente com os soldados holandeses no baluarte da cidade onde viviam, assistia todas as noites às “suas rezas e orações”, embora não as entendesse nem participasse delas. Disse também que nesse tempo “comeu carne nos dias proibidos, porque não tinha outra coisa para comer”, etc...
Finalmente, informou que antes de regressar à cidade de Lisboa esteve na Holanda, onde conviveu com todo o tipo de pessoas. Ao longo da sua confissão, refere que nesses anos teve como companheiros outros 11 militares portugueses, igualmente presos pelos holandeses e a quem também serviram como soldados, os quais eram naturais de outras terras portuguesas.
Declarou ser católico praticante, baptizado na igreja de Santa Marinha, do lugar de Forninhos, pelo Padre António Nunes, Cura do dito lugar e já defunto, sendo seu padrinho Jácome de Almeida, do lugar das Antas. Disse mais que foi crismado na igreja de Santa Justa, em Lisboa, pelo Arcebispo de Lisboa.
Considerando que a confissão foi voluntária, estava arrependido e pedia perdão. Linitou-se a sentença de 12.10.1658 a adverti-lo a não reincidir nas culpas confessadas e a manter-se um fiel católico, cabendo-lhe pagar as custas do processo. 

Custas Finais do Processo
À excepção destes dois processos que decorreram na Inquisição de Lisboa e de Coimbra, não passou pelo Santo Ofício nenhum forninhense acusado da prática de judaísmo, mas aproveito para lembrar que a comunidade judaica também teve uma assinalável presença em Forninhos, pois já vi algures escrito que a freguesia de Forninhos possui marcas cruciformes em ombreiras de portas, só que creio que foram destruídas aquando de alguma reconstrução, pois já percorri Forninhos "de ponta-a-ponta" e não encontrei quaisquer gravações. Mas não digo que não haja, digo que acredito mais que já não há.

Fonte: Torre do Tombo.