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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Outono, tempo de castanhas

Desde o Paleolítico que o castanheiro e o seu fruto, a castanha, acompanha o Homem e pode-se mesmo afirmar que na Península haveria castanhas antes da chegada do milho em 2.500 A.C.. A castanha era utilizada na alimentação dos homens e dos animais e, em muitos casos, era o pão dos mais desfavorecidos.


Tudo começa pelo plantio. Dizem os entendidos que há dois tipos de castanheiro: os bravos (produção de madeira) e os mansos (bravo enxertado para produção do fruto) e que o castanheiro começa a dar fruto aos oito anos, mas só vinte anos depois é que a frutificação passa a ser regular.
E qual a idade estimada do castanheiro?
Aquilino Ribeiro homenageou o castanheiro ao dele referir: “trezentos anos a crescer, trezentos em seu ser, outros trezentos em morrer”.
Deve haver leitores que nunca viram um castanheiro a não ser na Internet, mas o castanheiro é das árvores mais bonitas que conheço, em qualquer altura do ano, mesmo quando está totalmente despida de folhas.
De Abril a Junho floresce e os seus frutos amadurecem de Outubro a Novembro. Portanto, começa agora a apanha das castanhas [estou a escrever como se ainda houvesse apanha em Forninhos, atenção: não há]. Mas existiu. Creio que os mais velhos ainda se lembram do "castanheiro do Senhor". Uma fotografia dele era bem-vinda para publicação.
Depois do ouriço abrir, desprende-se da árvore e cai libertando as castanhas, que se comem quase de todas as maneiras, cruas, secas, assadas ou cozidas, que adoro desde miúda. A preparação, essa, é ancestral. Passam-se por água para tirar algum pó ou impurezas que tragam e secam-se num pano. Dá-se um golpe com a faca sobre a parte mais clara da castanha e cozem-se em água a ferver com sal, por cerca de meia hora. As castanhas podem ser na quantidade que quiserem e a água tem de ser a suficiente para que cubra as castanhas, o sal é a gosto.
Agora castanhas cozidas com erva doce:
Basta juntar erva doce a gosto [eu uso uma colher de sopa ou pouco maisna água a ferver, com sal. Comer ainda quentinhas. 
Mas as castanhas digerem-se melhor se forem acompanhadas de um copo de Jeropiga, de água-pé ou de um cálice de Vinho do Porto.
Já agora fica a dica que também se pode fazer chá com a erva-doce, também conhecida por “funcho”, que para além de saboroso é muito saudável.

Nota sobre o Post:
Repeti [+ou-o assunto de há um ano porque se mantém actual, o Outono continua a ser sinónimo de castanhas e outras iguarias.

26 comentários:

  1. Sabes que meu marido( é italiano e criado com essas coisas) está babando aqui ao meu lado. Ele as adora!! Adoramos ver! beijos,chica

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  2. É bom saber, obrigada.
    Hoje na cozinha moderna a castanha é utilizada de muitas maneiras e os hipermercados vendem muita variedade, mas as "quentes e boas", assadas ou cozidas na casa dos meus pais são de longe mais saborosas.
    Não sei explicar, acho que quando se vive na cidade sentimos mais os cheiros e sabor dos frutos da nossa aldeia...até as castanhas de lá são mais adocicadas, não sei se tal deve-se ao clima, à qualidade das terras ou variedade, sendo que provavelmente nem aparecem nos supermercados e hipermercados.

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  3. Anónimo10/26/2012

    Castanheiros e Castanhas – símbolo de magustos que tanta alegria dão, sobretudo à pequenada da escola e catequese. Também quando alguém tem castanheiros e oferece castanhas a outrem, diz:
    - Toma lá um magusto.
    E quem recebe costuma dizer a outros:
    - Já recebi um magusto.
    Para quem não conhece a castanha, esta gera-se dentro de um ouriço densamente espinhoso e quando a castanha fica madura, da cor do seu nome, o ouriço arreganha e deixa cair os frutos para o chão para que sejam apanhados e aproveitados na alimentação. O ouriço é muito ingrato para quem apanha a castanha. Não tem dó nem piedade, ferrando os seus picos nas mãos desprotegidas.
    Sei que há muitas variedades de castanhas, mas para mim as que mais aprecio são as martainhas e longais, são mais saborosas e docinhas e ainda se descascam muito bem Experimentem!
    Hoje é certo que na cozinha moderna a castanha é utilizada nos mais variados pratos de carne e doces,mas para mim, meu gosto pessoal, também não há como as castanhas assadas e cozidas como antigamente.
    Os castanheiros, estes têm vindo a diminuir a passo de gigante, sendo a sua principal causa de morte a doença da tinta e as alterações climáticas.
    Sobre o castanheiro do Senhor, Paula, era um ponto de encontro de namorados e de passeios e como ficava à beira da estrada íamos apanhando as castanhas que caíam para a estrada. Esse castanheiro ficava no terreno da Igreja e pertencia à Fábrica da Igreja.
    Em honra do castanheiro, árvore de grande porte e durabilidade, deixo-vos uma Quadra:

    A sombra do castanheiro
    É bem fresquinha no Verão
    Se me mandarem para ela
    Eu não vos direi que não.

    Margarida.

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  4. Castanhas! Que coisa boa, sejam elas confeccionadas de qualquer modo, para mim são sempre bem-vindas, todos se lembram delas cozidas ou assadas, porque é deste modo que a sua maioria é consumida, Fritas! Quem já as provou? São mesmo muito boas, o seu modo de preparação é em tudo igual, dá-se-lhe um golpe e vai a fritar no óleo bem quente, não leva sal, depois é só tirar colocar em papel absorvente, descascar e comer, como diz a Paula acompanhada de preferência por água-pé ou jeropiga.
    Algumas vezes também as como cruas, mas assim dá algum trabalho em retirar a pele interior, para mim é desta maneira que se sente na sua plenitude o seu sabor.
    Castanha assada num minuto, um golpe e depois no micro ondas, nada de sal, experimentem e depois digam os que lhes parece.

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  5. Imagino que delícia.
    Adoro esse fruto.

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  6. Castanhas assadas ,cozidas e cruas sao muito boas mas fritas nao conhecia ,mas vou experimentar .Eu já apanhei castanhas este ano e asseias mas o gosto nao e o mesmo que as castanhas do nosso Portugal .

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  7. Castanhas. Quem quer quentes e boas quentinhas.
    Gosto de comer castanhas de qualquer maneira, mas como gosto mais delas é fritas, como diz o meu cunhado João, são deliciosas, assadas no forno com carne de porco também ficam muito boas.
    Este ano ainda não as provei, talvez as prove este fim-de-semana cozidas com erva-doce.
    Podemos comer as castanhas que quisermos, dão muita energia e têm poucas calorias o que é muito bom.

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  8. Como se diz as castanhas são boas de qualquer forma; Mas para mim pessoalmente, gosto mais delas assadas no meio de um monte de caruma, tem um sabor especial. Cruas também gosto, uma vez na boca e depois de mastigadas, absorver o seu sumo...que maravilha, é o seu gosto próprio.
    Quém ainda não provou as castanhas este ano? Eu, quando fui a Forninhos, foi das primeiras coisas que fiz, dei uma volta e ao passar por um castanheiro não resisti, ainda estavam um pouco "verdes" mas que bem me souberam.
    Só é desagradável estas grandes e centenárias árvores estarem a desaparecer na nossa terra.

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    1. Note-se que os castanheiros já são raros em Forninhos, portanto, quando dizes que ao dar uma volta apanhaste umas ainda verdes, julgo que foi de um castanheiro com pouca idade, certo? Tenho fotos de alguns que por lá há. Agora os castanheiros antigos que faziam parte da paisagem da nossa terra, esses hoje não passam de uma recordação dos mais velhos, que são quem me fazem notar que existiram dois grandes castanheiros à beira da estrada que forneciam grande quantidade de castanhas e eram a alegria da rapaziada. Nos dias de vento a estrada ficava coberta de ouriços e além dos que caíam para a estrada, deitavam outros abaixo com paus, davam-lhe uma tanganhada, como se dizia. O do “Senhor” ficava no terreno da Igreja em frente à cerejeira preta do tio Abel (onde muitos de nós ainda roubamos umas cerejas). O da tia Olímpia ficava em frente à casa, hoje, da Santa e Zé Carlos e disse-me o meu pai que nos dias de calor quando com o meu avô vinham dos Romeiros paravam sempre à sombra deste castanheiro, assim como paravam lá outras pessoas. Como estavam ocos, em dias de chuva também davam para abrigar várias pessoas ao mesmo tempo.
      Também me falaram da existência do grande castanheiro das “Ratas” e da tia “Passarinha” e que os mais antigos falavam de outro grande castanheiro junto à Igreja, mas que foi destruído por um raio num dia de trovoada.
      Deixo aqui, uma vez mais, um apelo aos que possam e queiram contribuir com o blog que o façam via comentários, pois só assim conseguiremos pôr os nossos leitores a par das histórias da nossa terra.Obrigada.

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  9. Boas lembranças, quando na escola se faziam os nossos magustos, era um dia para não esquecer, a tarde era passada a brincar, comendo castanhas claro e no meio dessas brincadeiras lá ia uma enfarruscadela, bons tempos.

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  10. Agora os magustos:
    Todas as gerações tiveram o magusto da escola e catequese, magustos de convívios sadios, mas esses tradicionais magustos da catequese e escola já acabaram; a escola fechou e depois a ver pelo ‘andar da carruagem’ pouco há-de faltar para acabar a catequese!
    Disseram-me que o último magusto feito num monte de caruma, foi na Senhora dos Verdes, no ano de 2008. Note-se que estou a escrever sobre os magustos tradicionais. Mas acho que ainda se faz, um magusto em Forninhos, o magusto da Junta de Freguesia/Catequese, só que não é ao ar livre, nem as castanhas são assadas na caruma (ou assador), mas sim no forno. Portanto, nesse tipo de magusto já não deve haver enfarruscadelas, serip.

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  11. Castanhas fritas nunca comi, mas como aceito bem a novidade e já que a Maria e o João as gabam quero um dia destes comê-las cá em casa, pois agradou-me a receita. Só pergunto: Descascam-se bem?
    Por falar em descascar. Não acham que em Forninhos dá-se um corte diferente quando cozidas?
    Por cá aprendi a cozê-las com erva doce e a cortá-las sobre a parte mais clara, para ficarem “sorridentes”. Dizem. Mas em Forninhos quando cozidas, acho que tiram quase a casca toda e não se usa a erva doce. E foi por cá que conheci algumas variedades de castanha. Longal eu ouvia falar em Forninhos, aliás, as castanhas do “Senhor” eram longais, mas não me lembro ouvir falar da castanha martainha, mas sim da “machia”, que é uma castanha pequena que ninguém queria. Comprei há dias uma dúzia no “Homem das Castanhas” que eram tão pequenas e sem sabor que deu para lembrar das “machias”.
    Assadas na caruma, já nem me lembro bem que gosto têm.

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    1. Paulas as castanhas fritas descascam-se bem, ficas é com os dedos um pouco gordurosos por causa do óleo.
      Também me lembro de a minha mãe tirar um bom bocado da casca das castanhas antes de as por no assador para assarem na lareira, nunca me lembro de comer castanhas cozidas em Forninhos, a minha mãe fazia as castanhas sempre assadas, só comecei a comer castanhas cozidas depois de vir para Sintra. Ontem fiz e comi castanhas cozidas com erva- doce, estavam muito boas.

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    2. Não é possível Maria! Só podes estar a fazer confusão com as castanhas cozidas, já que para assá-las põe-se as castanhas inteiras no assador, sem corte/golpe e até sem sal. Depois levantava-se o assador das trempes e sacode-se para as castanhas mudarem de posição. Desta maneira é que se assavam as castanhas na cozinha de cada casa. Hoje para assá-las a maioria já põe as castanhas devidamente preparadas num tabuleiro e espalha-se por cima uma mão cheia de sal grosso.
      Já as castanhas cozidas desde sempre vi a minha mãe prepará-las e cozê-las, não juntava a erva doce na água, só juntava sal.
      Outra coisa que aprendi é que as castanhas cozidas comem-se ainda quentinhas, enquanto as assadas podem comer-se mais tarde. É tão bom meter num bolso meia dúzia delas e comê-las depois!

      Um beijinho para ti ;-)

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    3. Paula posso estar a fazer confusão, mas tenho uma ideia que era assim, até me lembro que quando aminha mãe abanava o assador para mexer as castanhas, o sal saltava para fora do assador.

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    4. Sim, descascam-se ás mil maravilhas, melhor do que as assadas.

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  12. Paula,

    Nunca vi uma árvore de castanha. Nem mesmo pela internet. Aliás, vou procurar assim que sair daqui.
    Lá no Brasil é vendida perto do Natal. Não sei no momento, mas não era barato. Eu gosto muito. Minha mãe fazia cozida com uma pitadinha de sal...muito bom!
    Vivendo e aprendendo. Comi tanta castanha e só sabia de onde elas vinham porque lá nos supermercados sempre estava escrito "CASTANHAS PORTUGUESAS".
    Um lindo e abençoado Domingo! Beijos

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  13. Paula,

    Fui procurar a árvore de castanheira no google. Realmente uma belíssima árvore.
    Achei interessante como ela sai do ouriço. Eu imaginava que ela já nascia lisa do jeito que compramos no mercado. Santa ignorância minha. Risos
    Beijos

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  14. Aluap, bem vinda você foi e sempre o será no meu blog! Adorei seu post sobre a castanheira e eu a fazia no almoço ou na ceia de Natal. Com diz a Lucinha, só a compramos no Natal, pois é só nessa época que elas aparecem aqui no Brasil! Aprendi e agora só as farei com erva doce na água! Grande abraço, beijos e linda semana para você!

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  15. Oi Lucinha e Maria Luiza.
    Pois é, nós que crescemos a ver castanheiros, nem nos apercebemos que vocês aí nunca viram um ouriço, nem as comem com requeijão e jeropiga pelo S. Martinho (11 de Novembro). Tenho de preparar uma mesa para que venham passar esse dia connosco;-) podem é trazer daí a castanha caju, que eu A-D-O-R-O.

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  16. Anónimo10/28/2012

    Festejei neste último Domingo de Outubro, a mudança da hora de Verão para a de Inverno, com castanhas e licor KAHLUA, que me ofereceu uma grande amiga dos USA. Mas comentando um pouco mais sobre castanhas e castanheiros apraz-me dizer alguma coisa que sei mais para quem não sabe deste assunto.
    A castanheiros aglomerados dá-se o nome de souto. Os meus pais tinham um souto, herança dos meus avós, num terreno denominado MORADIA, onde fui muitas vezes apanhar as castanhas logo pela manhã ainda com o terreno orvalhado da noite, pois quando as castanhas estão na sua força de cair tinham e têm de ser apanhadas 2 ou 3 vezes ao dia para que mãos alheias não se aproveitem delas.
    Os antigos já classificavam o castanheiro de bravo e manso. O bravo para produzir castanhas deve ser enxertado, que consiste em introduzir uma parte viva de outro castanheiro de casta enxertado. O castanheiro não enxertado produz alguns ouriços chochos, que os antigos davam o tal nome de machios. Estes castanheiros não dão bom fruto, mas dão boa madeira.
    Conheço a região de Sernancelhe e Penedono, onde vi soutos bem cuidados produzindo aquelas que se intitulam quentes e boas sempre a assar! Em Forninhos os maiores castanheiros que conheci pertenciam à Igreja (o do Senhor), à Srª D. Olímpia, à tia Passarinha, tia Ana Rata, um no Castiçal (cultivava o terreno a tia Natividade) e um da tia Maria Clara e tio Malanga. O dos seus troncos talocos – cavernosos – abrigavam muita gente da chuva, sobretudo os nossos pastores.
    Bem hajas tu castanheiro por seres tão útil e virtuoso.

    Margarida.

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  17. Anónimo10/28/2012

    Hoje já se conservam castanhas pelo processo de congelação, mas no tempo dos meus pais, as castanhas boas e sãs iam às arrobas para o caniço que ficava por cima da lareira para secarem, que depois de secas se pilavam e assim se conservavam para depois de demolhadas se utilizarem na alimentação, cozidas ou em caldo (sopa).
    Também as gaias (pássaros) faziam provisões de castanhas que enterravam e quando nós andávamos aos míscaros as encontrávamos. As que ninguém achava e as gaias lhes perdiam o sítio começavam a nascer castanheiros.

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  18. A minha tia diz-nos que os antigos davam o nome de machios aos ouriços chochos e sabem uma coisa? É por estas e outras parecidas que eu cada vez mais admiro a gente antiga da nossa aldeia, pois hoje nós (os que interessamos por estas coisas, lógico!), sabemos que o castanheiro tem em cada pé tanto flores masculinas, como femininas e são as fêmeas que se agrupam em duas ou três no interior do ouriço que dão origem às castanhas. As flores macho geram os ouriços chochos ou só com uma castanha, a chamada na nossa terra "castanha machia" ou "ouriços machios".
    Houve, como aqui fica descrito, soutos na nossa terra e os proprietários colhiam muita castanha, mas no Forninhos de hoje há mais castanheiros bravos do que mansos, dizem que não os enxertam por causa da doença e do clima de secura. É possível. O castanheiro gosta de viver em zonas abrigadas e frescas no Verão e com baixas temperaturas no Inverno. Já os antigos também diziam que para a castanha ser melhor tinha de chover em Agosto. Mas se até a água se foi perdendo, sem ninguém se importar com as causas, é normal que no Verão nem sequer haja água para regar um castanheiro quanto mais um souto!!!

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  19. Estou com um pacote de castanhas portuguesas descascadas e prontas para o consumo em uma embalagem do tipo longa vida e estão deliciosas, impossível não compartilhar a delícia importada e à preço bom. Um abraço, Yayá.

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  20. As castanhas portuguesas são muito saborosas. Na minha terra não, mas para muita gente acabam por ser uma fonte de rendimento adicional por esta altura. Um abraço, Paula.

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  21. Olá Paula,
    Nunca fui a Forninhos, mas de certeza que já estive lá perto. Como amante de castanhas, plantei um souto (ao qual dei o nome do meu filho) e quis fazer um site (www.filipe.com) só sobre castanhas. Acabei por encontrar no vosso blog este tópico e não resisti a ler os comentários. Infelizmente o pão feito de farinha de castanhas é agora com certeza um pão "gourmet" ( só para alguns). Nunca o provei e nem sei onde o comprar. Até a farinha de castanhas é uma raridade em Portugal. Ainda bem que os espanhóis, franceses, italianos e até chineses, parecem conhecer e saber o valor acrescido a dar à castanha. Mesmo Camões, e segundo sei, apenas retratou ao de leve o tema num soneto:
    A fermosura desta fresca serra
    E a sombra dos verdes castanheiros,
    O manso caminhar destes ribeiros,
    Donde toda a tristeza se desterra;

    e se calhar de alguma memória longíqua que lhe ficou da infância, mas eu acho que foi apenas porque a rima tinha de rimar. O triste é sabermos que apesar de produzirmos tanta castanha, exportamos quase toda sem acrescentar quase valor nenhum e não fossem tantos pequenos produtores e alguns outros que adoram castanhas e acreditam no seu potencial, então já nem soutos haveriam em Portugal. Mesmo sabendo que as maleitas do castanheiro dizimam por ano milhares deles, continuo ano após ano a plantá-los, pois não quero prescindir enquanto viver, do sabor da castanha crua e doce, da castanha assada, da castanha cozida, dos tantos doces que já provei e de tantos que ainda quero provar, dos imponentes e velhos castanheiros que ninguem na aldeia sabe quando nasceram, da moldura que emprestam à paisagem e que ainda me deslumbra, seja verão, primavera, outono ou inverno.
    carlos

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