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domingo, 9 de dezembro de 2018

Não se deve apanhar musgo?

"Não há legislação própria e apesar de ser uma espécie protegida, o musgo é colhido às centenas de quilos na época natalícia" (é uma maneira de algumas pessoas fazerem algum dinheiro com a sua venda, tem sido vendida cada caixa com 3 "placas" de bom musgo entre € 6,00 a € 7,50). 
Conclusão: O musgo não deve ser apanhado. O ciclo agradece, o solo, os insectos e outros organismos. Há vários países que têm campanhas nesta altura para protegê-los.


Aqui fica uma informação importante acerca da apanha desenfreada do musgo, que está a pôr em perigo grande percentagem das cerca de 715 espécies que existem em Portugal e consequentemente o futuro da nossa terra, como diz o "lema".
Mas eu fico um pouco intrigada com isto, porque na minha meninice, quando se pensava em Natal, pensava-se logo no musgo. É verdade que na Galileia não devia haver muito musgo, devia ser mais areia, mas o nosso presépio sempre foi muito verde. 
O Espírito de Natal começava nos lugares mais simples, nas matas, quando iamos apanhar o musgo para o presépio da escola. Embora haja muito e em muitos lugares, havia sempre quem sabia onde havia o musgo mais fofo e verde para o presépio. 
Agora, não se deve apanhar mais o musgo?
Mas há tanto musgo em Forninhos!
Dizem os entendidos que a colheita de uns pequenos pedaços de musgo é mínimo, mas as enormes "rapadelas" para comercializar têm fortes consequências.
"O musgo pode ser substituído por pequenas searas de cevada, trigo ou centeio. As sementes demoram, uma, duas semanas a germinar e depois duram muito tempo, podendo ser transpantadas..."
Bem me lembro das searinhas de trigo, uma tradição que resultava muito bem como decoração do presépio da nossa Igreja. 

domingo, 2 de dezembro de 2018

Bolinhos de cevada

Agora mais guarnecidos, dão pelo nome de sonhos, mas para quem não teve o prazer de provar os bolinhos de cevada, sem ovos, sal, bom azeite de Forninhos e açúcar (último ingrediente a acrescentar), passo a apresentá-los:




Feitos a olho, os bolécos (maneira como também são conhecidos os ditos) eram fritos em azeite bem quente (eu já apanhei o óleo) e polvilhados com açúcar. A massa é repartida em bolinhas, com a ajuda de uma colher, antes de ser frita. Se a massa estiver mais firme, com mais farinha, acabam por ficar redondidos, se a massa estiver mais mole, ficam com alguns "fios".
À merenda eram uma delícia. E ainda são!!
A minha mãe ainda os faz, mas com ovos e farinha de trigo e um pouco de leite. Nada enjoativos, pouco doces...fofos...divinais!
Era assim...naqueles tempos difíceis havia imaginação para criar doçaria. 
Diz a minha fonte que o trigo, era fidalginho, só ia às bodas e altar sagrado e o pão (o centeio) não dava para todo o ano, então como a cevada amadurecia e era colhida primeiro, era da farinha de cevada que se fazia algum pão e em vez das filhóses de pão (centeio), faziam  com a massa levedada os bolinhos  fritos de cevada.
E com isto ainda se recorda a lenga-lenga dos cereais:
Dizia o trigo:
- Eu sou o pão alvo e ando pelas festas, comigo não queiram meças.
Aqui a exibição deste cereal para afirmar que era superior a qualquer outro, só estava na mesa dos ricos e em locais sagrados.
Intervinha a cevada:
- Eu sou a preganuda que acudo às pressas.
Referia-se ela à fomes de Maio, quando esgotadas as arcas do cereal velho.
Mas rematava o centeio:
- Eu cá não me gabo, nem deixo de me gabar, mas quem não me comer pouco forte há-de-andar.
Sim, porque o pão era o principal sustento de todas as pessoas.
Fiquei fascinada com esta lenga-lenga.
Dantes tudo falava, para além dos animais, falavam os sinos, falava o pão, falava o trigo e falava a cevada.

(A foto foi roubada, como podem ver pela fonte, porque vergonhosamente não tenho uma minha!)

sábado, 24 de novembro de 2018

A noite dos lobos

Naqueles invernos rigorosos, a aldeia era medonha. Não havia luz (electricidade) e toda a região ficava mergulhada em profundo silêncio e total escuridão, provocando medos e cuidados. 
Foi numa dessas noites de breu que se passou aquela história em que o ti' Miguel se viu cercado por dois lobos.


"Uma noite", contava a minha avó Maria Lameira à minha mãe, "ainda tu não tinhas nascido, o meu ti' Miguel ia morrendo de medo".
Ela contava que o ti' Miguel era carpinteiro e a sua profissão fazia-o calcorrear as aldeias vizinhas. "Naquele dia tinha andado a trabalhar em Vila Cova e já noitinha meteu a pé pelas matas da Sabugem em direcção à Moradia. Mas antes de aí chegar, apareceram-lhe dois lobos; como o ti' Miguel não era homem de se ficar sacou duma navalha que trazia no bolso das calças e que ao abrir deu um estalido o que assustou os dois bichos que recuaram uns passos, ficando um de cada lado dele.
À entrada da Moradia colocaram-se à sua frente, ao que ele exclamou, fazendo estalar novamente a navalha:
- Adiante camaradas que ainda temos muito para andar!
E, como eles saíram do caminho o ti' Miguel pensou que ao entrar no povo da Moradia estava safo e por isso não se meteu dentro do forno que ainda tinha gente. Continuou...
Ao chegar à Portela, qual raio, saltam-lhe à frente, especados e a espumar, como que dizendo-lhe que dali não passava.
Entre o estalar da navalha, caixa das ferramentas abanada, nada, apenas recuaram um pouco quando voltou a gritar e aqui já mais temeroso:
- Adiante camaradas que ainda temos muito para andar!
Mas mais abaixo, ao chegar ao ribeiro (Pontinha) já o chicoteavam com o rabo nas pernas, tendo-se especado à sua frente, ali junto à agora casa do David e do Constantino e...mais uma vez apenas desandaram ao grito de:
- Adiante camaradas que ainda temos muito para andar!
Meteram pelo Cerrado em direcção ao Picão.
O carpinteiro entrou assim em Forninhos. Na altura tinha na sua entrada um barracão de madeira que era venda e taberna do ti' Penaverde, pai do ti ' Eduardo Craveiro. Tinha o candeeiro a petróleo acesso e alguns  rapazes ainda jogavam às cartas. 
Quando o homem  viu o candeiro aceso, até ganhou uma alma nova e entrou de rompante.
Olham para ele espantados, pois o  ti' Miguel estava sobocado, sem fala, meio em transe.
- Ó homem, o que é que há?
Mas o ti' Miguel nada conseguia relatar, só passado algum tempo lá conseguiu balbuciar:
-Dois lobos. São lobos que  vieram atrás de mim. Rapazes,  ide lá acima ao Picão e vereis!
Eles foram e viram, um cenário negro, dantesco e animalesco, com os dois lobos a lutar entre si, mordidos e ensanguentados.  "Tinham perdido a presa."
O ti' Miguel nunca mais esqueceu o susto daquela noite nem o que lhe valeu para contar a estória.

domingo, 11 de novembro de 2018

A caminho das Américas...



Na Senda de outras entradas, mais uma sobre a emigração para a América, com o registo de passageiros do navio "Pátria" com saída de Lisboa; são oito os passageiros que vindos de Forninhos chegam ao porto de Nova York no dia 16 de Março de 1916:


17- António Mello, 33 anos, casado com Conceição Fernandes, com contacto estabelecido nos E.U.A., Alípio Gomes (amigo)
20- Diamantino Vaz, 37 anos, casado com Ana dos Anjos, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Esteves Vaz (sobrinho)
21- Adelino Vaz, 40 anos, casado com Virginia Pina, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Esteves Vaz (amigo)
22- Manuel Coelho, 32 anos, casado com Maria Cardoso, com contacto estabelecido nos E.U.A., Jeremias Ferreira (amigo)
23- José Coelho, 35 anos, casado com Ercanação Urbano, com contacto estabelecido nos E.U.A., Jeremias Ferreira (amigo)
26 - Francisco de Almeida, 31 anos, avô do XicoAlmeida, casado com Ana Saraiva, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Vaz (amigo)
27 - Diamantino Pires, 33 anos, solteiro, filho de Luiz Ferreira Urbano, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Esteves Vaz  (amigo)
30 - Francisco Mello, 26 anos, solteiro, filho de Maria Amália, com contacto estabelecido nos E.U.A., José Vaz (amigo)

Fico a pensar que este Francisco Mello é o soldado da Primeira Guerra Mundial "Francesco Mehr", de 29 anos.
Confira aqui
Curiosamente a mãe do soldado Floriano Cardoso também se chamava Maria Amália.
Acredito que o José Coelho e o Manuel Coelho eram os irmãos do meu bisavô Coelho, pois a mulher do ti Manel (guinário) chamava-se Maria Cardoso e a mulher do José Coelho era Ercanação.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

9.º Aniversário

Quanto anos tenho?
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam trocar carinhos com os dedos e as ilusões se transformam em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama louca, ansiosa para se consumir no fogo de uma paixão desejada. E em outras, uma corrente de paz, como um entardecer na praia.
Quantos anos tenho?
Não preciso de números para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver meus sonhos destruídos... 
Valem muito mais que isso...
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?
O que importa é a idade que sinto.
Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adqirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa?
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto.

Autoria desconhecida -falsa atribuição a José Saramago

Escolhi este texto para definir o percurso e o estado de maturidade a que chegou o "novo" Blog dos Forninhenses.
Durante estes nove anos muita coisa se escreveu, História local, estórias populares, tradições, poesia, vivências, divulgação de património e eventos, notícias da minha terra...boas e más...
Ao comemorar nove anos de Blog, venho lembrar a todos que para compreender o presente é preciso primeiro conhecer o passadoEntão, a prenda que vos deixo são duas fotos do antigamente, tiradas durante o período da Guerra do Ultramar.


15 de Agosto de 1969

O terço era rezado com devoção pedindo protecção de Nossa Senhora à freguesia, para que os seus soldados regressasem vivos.
Cantavam "Faz com que a guerra se acabe na terra..." "Pelos soldados que à guerra vão, Senhora escuta a nossa oração".
Quatro soldados morreram; aquando desta procissão o primeiro já tinha falecido, a 22 de Agosto de 1961.


Os homens fardados são agentes da GNR, pois nesses anos era obrigatório comunicar às autoridades todas as festas que se realizavam e assim sendo estariam presentes para evitar desacatos, controlarem o lançamento de fogo, evitando incêndios iniciados por foguetes.

2009...11-09, há datas que não se esquecem...2018

PARABÉNS A TODOS OS QUE FESTEJEM CONNOSCO

Há muita gente que me diz que lê o que aqui se escreve e mostra (até têm o blog como um livro de cabeceira), mas não colabora, nem faz comentários, simplesmente porque dizem não ter jeito para a escrita, o que é uma pena, porque fica a ideia de que tudo isto se passa entre mim e o XicoAlmeida e mais alguns/algumas colaboradores. E isto não é verdade, pois o Blog tem muito maior plateia de leitores e visitantes e sei que há muita gente de Forninhos com capacidade que poderia colaborar, mas como têm medo de represálias...
As acções ficam com quem as pratica.
Como já escrevi, encaro esta tarefa como um trabalho cívico, é a minha contribuição para um Forninhos melhor, mais genuíno, mais justo (e tenho a noção do quão reduzido é este meu contributo e do XicoAlmeida). Não inventem mais...que nada fazemos em prol da nossa terra, porque a aldeia de Forninhos não nasceu no ano 2009...nesse ano apenas nasceu um novo Blog e foi após o seu aparecimento que começaram a dar importância e alguma atenção às nossas tradições, ao nosso património, à nossa História Colectiva, ao Forninhos antigo, aquele que era a preto e branco e de que gostam tanto...agora!
Afinal valeu a pena o nosso "não fazer nada"!
Seja qual fôr o futuro "Dos Forninhenses", o que se conseguiu, ultrapassou tudo o que se pretendia no projecto inicial, até porque o Blog é feito a mais de 300 km de distância de Forninhos e a distância não ajuda a publicação dos acontecimentos "on time", mas onde quer que estejamos, é evidente para todos que esta página é uma forma de conservamos a nossa identidade.
É tudo.
Amanhã, cá estaremos no lugar do costume, com todos aqueles que gostam de viajar no tempo, recordar quem já partiu e que nos é tanto, sempre em prol da divulgação da história e da gente antiga da nossa terra.

sábado, 3 de novembro de 2018

Padre Pina - A Homenagem

Quem foi?
O Pe. José António Tavares de Pina paroquiou as freguesias de Forninhos e Dornelas. Foi quem em 10 de Dezembro de 1916 escreveu que a Capela dos Valagotes é de invocação a Santo António ou a Santo Amaro (?) e que a de Nossa Senhora dos Verdes estava em bom estado e com paramentos regulares.


assinatura do Pe.Pina

A propósito das comemorações dos 100 anos do Armistício.
Ofereceu-se como capelão militar voluntário da Grande Guerra em 29/01/1917 e meses depois, em Junho de 1917, seguiu para França para substituir o capelão Martim Pinto da Rocha por não apresentar saúde que lhe permitisse aguentar o esforço físico do serviço nas trincheiras, ficou, assim, o nosso padre Pina na linha da frente.
Por decisão do Comandante do quartel general do C.E.P., este pároco ficou adido à tripulação de navios que evacuavam doentes. Acaba por voltar a Portugal sofrendo de bronquite crónica. 
Foi condecorado com a Cruz de Guerra "pelo modo distinto como soube conciliar as suas funções religiosas com as de bom português, catequizando cívica ou patrioticamente os soldados, socorrendo-os debaixo dos maiores perigos e não tendo descanso a proporcionar-lhes distracções".
Em Merville, a 6 de Fevereiro de 1918, um grupo de párocos deixa uma fotografia para a posteridade:

Corpo de Capelães Voluntários

De pé da esquerda para a direita, os Padres: António Rebelo dos Anjos, Jacinto de Almeida Motta, Luís Lopes de Melo, Ângelo Pereira Ramalheira, Cónego Álvaro Augusto Santos e finalmente o Pe. José António Tavares de Pina (Forninhos).
Sentados, da esquerda para a direita: o Pe. José Manuel Souza, o Cónego da Sé da Guarda, José Patrocínio Dias (chefe do corpo de Capelões Voluntários do C.E.P.) e Pe. Avelino Simões de Figueiredo.
Fotógrafo: Desconhecido

Pelos serviços prestados, todos estes capelães foram condecorados, todavia o que me impeliu a escrever este post foi o contributo valioso para a história de Portugal e dos portugueses na Primeira Grande Guerra dum Senhor que paroquiou a freguesia de Forninhos.
Nem só os capelães da Guerra do Ultramar merecem homenagens!

domingo, 21 de outubro de 2018

Em busca do Eldorado

Esta história que hoje vos trago é de um aldeão que quis emigrar para a Argentina, deixando mulher e filhos para trás, provavelmente com a promessa de uns tempos depois "os mandar ir", mas não foi assim. Não pretendo identificar as personagens. Quem conhece, conhece, quem não conhece fique apenas a saber a história.



Deve ter sido na altura em que na Argentina a classe média chega ao poder que esse jovem tomou a decisão de deixar Forninhos em busca de melhor vida, de um sonho de "riqueza", afinal, uma partida às cegas para uma terra de "promessas".
Casado e com dois filhos, veio a ordem: havia autorização para ele partir para a Argentina.
Mas por razões que nunca ninguém entendeu - e menos ainda, certamente, a sua mulher - nunca mais cá veio, nem deu notícias, nunca mais não, passaram-se cerca de 30 ou mais anos. Os golpes de estado rebentaram com a Argentina daqueles dias e um dia, quem é que aparece na aldeia? O argentino que fora à procura do Eldorado, mas não o encontrara. Por isso, nada mais podia fazer: voltou para a aldeia pobre e de mãos a abanar, onde levou uma vida de boémio, nas tabernas falando com sotaque espanhol abertamente das jovens de Buenos Aires com que eventualmente se relacionava nas "boîtes".
E julgam que a mulher o rejeitou?
Não Sr!
A senhora, já entradora na altura, pois os filhos que criara e educara sozinha haviam ido estudar para Viseu e já estavam formados quando o pai voltou, recebeu-o como se tivesse abalado ontem..."aceitou-o", era assim que se dizia.
Dizem que viveu envergonhada até morrer, pois tinha as preocupações e mentalidade de qualquer mulher de uma aldeia amodorrada e não a mentalidade das jovens de Buenos Aires de "soutiens" bem empinados, cuecas super-sexy e outros apetrechos...
Jaz numa campa no cemitério de Forninhos - campa digna dos cemitérios dos Prazeres ou do Alto de São João - onde está gravado o seu nome completo.

sábado, 13 de outubro de 2018

Origens da Família "Coelho" de Forninhos

De tanto ouvir "Forninhos a terra dos nossos avós" e acredito que a maioria de nós descendemos de pessoas nascidas numa aldeia chamada Forninhos, pois temos muitos costados familiares, fui pesquisar sobre a origem da minha avó paterna, Maria de Andrade Coelho (ficou conhecida por Maria Coelha) que falava muito da sua avó Dulce, com quem ela foi criada, que era de Sernancelhe.
Então, a minha trisavó, que se chamava Dulce do Carmo, nasceu no dia 24 de Janeiro de 1855, em Sernancelhe, mas foi criada desde os 18 meses em Aguiar da Beira, era filha de Constantino de Sobral, de Sernancelhe e de Dona Maria Leopoldina, da cidade de Viseu.
Portanto, os meus tetravós (ou tataravós), Constantino de Sobral e Maria Leopoldina não eram de Forninhos, Aguiar da Beira, e se de lá não eram, com toda certeza, os seus pais, meus pentavós (5.ºs avós), também não eram.

- Os pais do avô Constantino eram ambos de Sernancelhe e chamavam-se: 
António Caetano 
Maria de Santana

- Os pais da avó Leopoldina, eram ambos de Viseu e chamavam-se: 
Francisco de Assis Marinho de Moura 
Teresa de Sá Costa (o registo indica Dona Teresa de Sá Costa)

Isto quer dizer que os pais dos meus 5.ºs avós também não deviam ser de Forninhos, como  de facto não eram.

- Os pais do avô António Caetano e da avó Maria Santana, meus heptavós (6.ºs avós), eram do Granjal, Sernancelhe e chamavam-se: 
António José Dias 
Teresa de Jesus

A avó Maria Santana era filha de pai desconhecido (pelo menos no registo não indicam o nome) e a mãe chamava-se Maria do Carmo e Sobral (minha 6.ª avó) e era do Granjal, Sernancelhe.

Isto é uma bola de neve e  os meus  quatro 7.ºs avós também eram do Granjal, Sernancelhe:

- Os pais do avô António José Dias chamavam-se:
João Dias Coelho  
Luísa Maria

- Os pais da avó Teresa de Jesus chamavam-se:
Luís Ferreira 
Maria Rodrigues

Sem mais consultas, desconhecemos qual a origem genealógica dos pais de Francisco de Assis Marinho e Moura e Dona Teresa de Sá Costa. A partir da nascença dos filhos podemos concluir que seriam da cidade de Viseu. Mas há margem de erro!

O que descobri é que na cidade de Aveiro, na esquina das ruas Combatentes da Grande Guerra (Rua Direita) e Nascimento Leitão (antiga Travessa das Laranjeiras), datado do século XIX existiu um edifício brasonado e que Artur Jorge Almeida escreveu no Boletim n.º 2 da ADERAV, publicado em Maio de 1980, isto:

"...Foi mandado construir no início do século passado por Manuel de Moura Marinho. Nele funcionou o Governo Civil aquando da criação do Distrito. Foi comprado pelo então brigadeiro Pedro António Rebocho Freire de Andrade e Albuquerque, em 10 de Julho de 1842, pela quantia de 1700$00, a Francisco de Assis Marinho de Moura e a seu irmão José António de Moura Marinho, de Viseu, filhos do referido Manuel de Moura Marinho". A fachada da Rua Direita ostenta o brasão do Visconde de Santo António, do qual está uma réplica sobre o portão lateral (na Rua Nascimento Leitão). "No interior do edifício, encontra-se uma capela, que chegou a ser considerada o mais importante oratório existente na cidade.".
Manuel de Moura Marinho também mandou construir um palheiro na Costa Nova, posteriormente comprado pelo famoso aveirense José Estevão, que ainda hoje se ergue na entrada norte daquela praia.
Eça de Queiroz, que considerava a Costa Nova "um dos mais deliciosos pontos do globo", chegou a ser aqui recebido por Luís Magalhães, filho de José Estêvão. Numa carta a Oliveira Martins, datada de 1884 refere este palheiro. 

Acredito que Manuel de Moura Marinho era meu 6.º avô,  pai do meu 5.º avô Francisco de Assis Marinho de Moura.

Réplica do brasão na fachada da casa

Fonte:http://sites.ecclesia.pt/cv/tres-casas-brasonadas-a-venda-em-zonas-historicas-da-cidade/
http://ww3.aeje.pt/avcultur/HJCO/Aderav/Pg003020.htm

No dia 21 de Novembro de 1873,  Dulce do Carmo, com 18 anos casa em Forninhos com José Dias de Andrade, de 28 anos, filho de Inocêncio Dias Maria Coelho (que vieram a ser os meus tetravós).

meias de noiva século XIX (1872)

Desse casamento nasceram três filhos:

1- Emília de Andrade (minha bisavó), casou com António Coelho de Albuquerque (meu bisavó) e tiveram 6 filhos:

- Maria "Coelha" (minha avó) 
- Arminda Albuquerque
- Armando de Albuquerque
- Abel de Albuquerque
- Álvaro de Albuquerque
- José "Carau"


Arminda e Maria "Coelha", filhas da Emília

Zé Carau e 3 filhos: Arminda, António e Aida
Da direita para a esquerda Armando, filhos e esposa

filhos de Arminda, Armando e Maria, em 1966

2- Abel Dias Sobral, casou com Leopoldina e tiveram 6 ? filhos:

- Hermínia Sobral
- António Sobral 
- Ascensão Sobral
- Manuel Sobral, mais conhecido por ti Pirolas.
- Adélia Dias Sobral, nascida a 07/08/1908
- José Sobral (ainda está vivo)

Nota 1: Este ramo recebeu o sobrenome "Dias Sobral" por influência do professor Coelho, de Dornelas que se interessou por esta família.
Nota 2: Nos registos de baptismo, Albel Dias Sobral aparece casado também com Ermelinda Cardoso, mas Ermelinda Cardoso também aparece casada com Manuel Dias Sobral!?!
Nota 3: Não esquecer que desde o princípio da nacionalidade e até à 1.ª República fora apenas a igreja a fazer o registo dos baptizados, casamentos e óbitos e pode haver alguns erros.

3- Maria da Conceição, mas conhecida apenas por Maria, casou com João de Figueiredo da Moradia e deste casamento teve 2 filhas: 

-Felisbela Figueiredo, naseu a 25 de Dezembro de...
-Aida, emigrou para o Brasil
Felisbela, filha de Maria da Conceição

Enviuvou e voltou a casar em Fornos de Algodres; do 2.º casamento teve 2 filhos, naturais de Fornos de Algodres:
- Manuel
- Alberto
-/-
A família "Albuquerque Coelho" ou "Andrade Coelho" é mais humilde e o que vos deixo são só umas pontas:

José Coelho de Albuquerque, era filho de pai incógnito e de Maria de Albuquerque, solteira; casou com Carolina de Andrade, da Matela, Antas, filha de António Ferreira, da Matela, Antas e de Isabel de Andrade, de Forninhos e  tiveram 6  ou mais filhos:

- António Coelho de Albuquerque (meu bisavô), que casou com Emília de Andrade, filha de Dulce do Carmo e José Dias Andrade
- José Coelho de Albuquerque
- Manuel Coelho de Albuquerque (conhecido como ti Manel guinário)
- Artur Coelho (pai do tio Raul)
-Felismina
- Ascenção de Andrade Coelho, faleceu com 25 anos, era casada com Teotónio Fernandes
- Eduardo Coelho de Albuquerque
- Não sei se houve outros filhos, a partir do nome dos nossos tetravós podemos completar esta listagem e chegar também aos nossos 7.ºs avós.

José Coelho de Albuquerque, morreu com 70 anos, a 04/05/1908. Ficamos a desconhecer qual a origem do seu pai.

Caros tios/as e primos/as: Esta minha pesquisa permitiu apenas deixar-vos alguns dados genealógicos da familia da avó Emília e avô Coelho, o carpinteiro que fazia caixões, cuja importância vai para além das meras curiosidades e vaidades. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Francisco Mehr, o soldado desconhecido


Em Abril passado abordei a Grande Guerra e a participação de um soldado forninhense, Floriano Cardoso, nesse conflito armado.
Existem dados de outro registo no projecto da Primeira Guerra Mundial, embora o cartão esteja datado de 6 de Maio de 1919 e o conflito terminou em Novembro de 1918, porém o tratado de Versalhes foi assinado em Julho de 1919 e os documentos podem ser distintos: um de embarque e outro de retorno, sendo assim e pensando nestas datas, acreditamos ser um cartão de alistamento de mais um forninhense: Francisco Mehr, de 29 anos; não existem dados sobre o dia e mês de nascimento, mas no campo 5 podemos ler que o local de nascimento é Forninhos, Guarda, Portugal. E, na pergunta sobre se ele é estrangeiro ele responde "No", mas depois risca e escreve estrangeiro (talvez tenha saído de Portugal muito jovem). No intem 9 ele declara a mãe como dependente (talvez quisesse se livrar de ser alistado) e podemos ver no 11 que ele não tinha experiência militar e no item 12 ele solicita suporte da sua mãe. 
Note-se ainda a informação do canto inferior esquerdo "if person e of African descent torn off his corner" /"Se a pessoa é de ascendência africana, corte esse canto" (isto seria para não se misturar com o cartões dos brancos?).


Contributo de Aurélio Fernandes.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Todos somos primos

Cá na terra, é costume dizer que somos todos primos e quando alguém o diz, nem nos passa pela cabeça pôr isso em causa, daí esta minha contribuição para provar que assim é. Recuei apenas à minha trisavó paterna, Maria Antónia, que pelo número de descendentes até à minha geração, é fácil concluir que estaremos quase todos unidos por laços familiares mais ou menos próximos.

A minha trisavó Maria Antónia era  filha de Manuel Fernandes Coelho (filho de Luís Coelho e Antónia da Fonseca, de Forninhos) e de Florência de Andrade  (filha de João Lopes, da Moradia e  de Micaela de Andrade, de Forninhos) e casou com António de Almeida (filho de João de Almeida e Maria José), que eram da Matança, Fornos de Algodres e ficou conhecido por António ferreiro "velho"  pois a sua profissão era ferreiro e tiveram nove filhos:

1-  José Augusto de Almeida, o filho mais velho, casou com Rosa Fernandes e teve 8 filhos (?):

-Etelvina
-Palmira, emigrou para o Brasil
-Maria dos Santos, emigrou para o Brasil
-Olímpia, emigrou para o Brasil
-Beatriz, emigrou para o Brasil
-Alfredo,emigrou para a América
-António, emigrou para a América
-Adelina, emigrou para a América ou Inglaterra (??)

(deste ramo descenderão os filhos e netos da Etelvina, Palmira, Maria dos Santos, Olímpia, Beatriz, Alfredo, António e Adelina).

Maria,filha do Augusto ferreiro
Beatriz e Olímpia, filhas do Augusto
registo casamento da Adelina, filha do Augusto

José Augusto de Almeida enviuvou em 1918 e casou novamente com Apolónia Fernandes.



2 - Teresa de Jesus (minha bisavó), casou com Eduardo Albuquerque, casaram tarde, ele com 37 anos e ela com 33,  mas ainda tiveram 6 filhos:

- António Albuquerque, emigrou para o Brasil
- Maria dos Prazeres
- José dos Santos Albuquerque (meu avô Cavaca)
- Clementina Albuquerque
- Rita Albuquerque
- Ilídio Albuquerque, emigrou para o Brasil

(deste ramo descenderão os filhos e netos do António, Maria dos Prazeres, Zé Cavaca, Clementina, Rita e Ilídio)


Maria dos Prazeres,filha da Teresa


Zé Cavaca e mulher + filhos: Júlia, Margarida, António, Samuel e Natália


3 - Ana de Almeida, casou com Casemiro Lopes, viúvo de Olinda de Andrade, natural da Moradia, Antas, e teve 3 flhos:

- António "brasileiro", não casou nem teve filhos
- Augusta "brasileira, não casou nem teve filhos
- Clementina "brasileira"

(deste ramo descenderão os três filhos e netos da tia Clementina: Ana, Nazaré, António Joaquim)

Ana Almeida faleceu no Brasil.

4- Maria dos Prazeres Almeida, casou com António de Figueiredo Pacheco, natural das Antas, viúvo de Maria Joaquina Travassos, e tiveram uma filha única, chamada Júlia, era a madrinha do meu avô Zé Cavaca e do Daniel "novo" e viviam na Matança.

5- António ferreiro "novo" teve 5 (?) filhos:

- Adelino "ferreiro" 
- Maria dos Prazeres 
- Ana 
- Zé ferreiro 
-António ferreiro

(deste ramo descenderão os filhos e netos dos cinco).


Zé Cavaca e Zé ferreiro - primos direitos,
filhos da Teresa e do António ferreiro "novo"

6- Daniel Almeida, conhecido por "Daniel velho", a sua esposa chamava-se Nazaré e tiveram 3 filhos:

-Daniel "novo" 
- Francisco 
- Augusta, que ficou conhecida como tia Augusta "velha", não casou nem teve filhos

(deste ramo descenderão os filhos e netos do tio Daniel e do tio Francisco)

7 - Rosa, teve 2 ou 3 filhos (?)

- Augusta pulica (?)
- Joaquim pulica (?)
- ?

(deste ramo descenderão os filhos e netos)

8 - Clementina, casou com  o Joaquim Moca

- Abílio Moca
- Rosa Moca
Emigraram para o Brasil

(deste ramo descenderão os filhos e netos)


9 - Francisco de Almeida (avô do XicoAlmeida), conhecido também por Chico ferreiro, casou com Ana Saraiva e teve 5  filhos:

- Augusta Saraiva, não casou nem teve filhos
- José
- António Almeida
- Alfredo Saraiva
- Teresa Saraiva
Francisco ferreiro, esposa e filha Augusta

(deste ramo descenderão os filhos e netos do Zé, Alfredo e da Teresa)

Nota: Esta pesquisa está em aberto, aguardando a contribuição de quem possa ajudar a corrigir alguma informação que não esteja correcta ou a acrescentar dados e documentos que a complementem.
-/-
Agradeço o contributo de:Aurélio Fernandes Pereira, bisneto do Augusto ferreiro; Margarida Cavaca, neta da Teresa de Jesus, Augusta Guerra, sogra do Francisco ferreiro e Ana dos Anjos, neta da Ana de Almeida.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

AMAR UMA VIDA INTEIRA

Comecei a namorar, tinha catorze anos...


Assim começa o relato desta minha amiga, que casou  neste dia do ido ano de 1961.
Por detrás ficam quase dois anos de luta, para ela, Joana e o Alfredo.
Andava na altura a aprender a costurar com a Bragança, filha do tio Carlos e mais conhecida por professora Mariana, mas as bocas do povo, tal como ainda hoje que continuam sem telhas de vidro (casa honrada tinha pelo menos uma...), teve que partir, neste caso para Lisboa.
Ficou em casada da tia Rosária juntamente com o seu irmao João e cujo tio tinha uma boa colocação.
"Aguentei cerca de mês e meio no ir aprendendo costura, mas voltei, tinha de voltar; estava farta de escrever todos os dia uma carta, tal como ele, não fazia sentido e fosse o que Deus quisesse."
As cartas na terra, não tinham selo, eram levadas pelo Júlio Grilo a cada um de nós e as minhas escondia por detrás de um quadro dependurado na sala, até que mais de um ano depois a minha mãe descobriu e ordenou: "Vão casar!"
E graças a Deus, casamos numa quinta-feira, coisa incomum neste dia de semana, mas a razão tinha a ver com a ida do irmão do noivo, o Adriano de partir no outro dia para a tropa.
Houve boda, sim senhor e como mandavam as regras, vinho a cântaros, ovelhas, arroz doce e pão-leve, fora os galos e galinhas...pela noite adentro.
E mais, perguntei, a lua de mel?
Madrugadora, às seis da matina o meu pai grita: "Vamos, temos os chícharros do tio Luís Rebelo para apanhar!
Mas, sabem, somos um casal e uma família feliz!!!
Eu sei que sim Joana e ficamos extremamente gratos por nos honrrares aqui com o teu testemunho.
Um beijo!