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domingo, 24 de junho de 2018

Hoje é dia de água abençoada



Hoje é dia de ir ao banho, pois o S. João tem água benzida até ao nascer do sol. 
Havia em Forninhos a tradição dos rapazes ir mergulhar à meia-noite no poço dos caniços (rio Dão) e ao que parece outras pessoas também se banhavam antes do sol nascer. Uma vez que se levantavam de madrugada para ir para as terras, para estarem lá antes do nascer do sol, antes de iniciarem as regas no campo, banhavam-se nas poças e presas, naturais ou feitas pelo Homem e só depois é que as abriam. Ficavam abençoados para o ano inteiro e abençados seriam pessoas melhores? Talvez fosse essa a razão, mas os rapazes, acho que iam tomar banho no poço dos caniços por desporto ou por brincadeira...abençoada!
Mas quem não fosse a banhos no S. João, ainda podia ir no S. Pedro, que tem água benzida todo o dia.
"E esta, hein!"
Até os santos têm as suas diferenças de estatuto!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo António,13 de Junho



Santo António é um santo muito venerado em Portugal, creio que por ter nascido em Lisboa e ser, portanto, português, embora os italianos digam que é de Pádua, a terra onde morreu. Então hoje publico uma foto da imagem existente na igreja da minha terra: Forninhos,
 que se supõe ser a mesma que ficava, em tempos recuados, no altar mor com Santa Marinha e São Sebastião. Actualmente tem honra no altar dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Vestido de franciscano, hábito castanho, Santo António quase sempre aparece de pé carregando um menino no colo, que uma tradição antiga diz lhe ter aparecido sobre um livro grosso, pouco antes da sua morte e, por acaso, é com o menino sobre o livro que se apresenta na nossa igreja matriz.
Feliz Dia de Santo António!

sábado, 9 de junho de 2018

Um lençol esburacado


O monte lembrava um lençol esburacado.
Se a neve derretera aqui, conservava-se emaçarocada além, à volta de sargaços e tojeiras e onde quer que houvesse farfalha.
O sol, às vezes, vinha uma nuvem e cobria-se.
Mas ele voltava a correr alegre e ruivo pelo mundo, mais bonito que o novilho duma vaca ratinha, ainda mamão, a pinchar o prado.
As águas desciam dos altos tagarelas como nunca, e pelas eiras os passarinhos debicavam, muito grulhas, as espigas esbanjadas pelos palheiros.
Havia nuvens e mais nuvens no céu, brancas, rebolonas, em bandos.
Tocava-as um ventinho repontão, e davam ideia de belros de ovelha, carmeados, antes de enfardar.
O mundo era como Lázaro ao atirar com a mortalha aos quintos.
Por toda a parte, caminhos, matos e árvores, a neve derretia.
Pinheiros e carvalhos, se do lado poente continuavam cabisbaixos e oprimidos pelo seu peso, à outra banda erguiam já ramos desembaraçados.
A morte branca rodara por esta vez.

AQUILINO RIBEIRO
O Malhadinhas
(1958)

Bem sabemos que a primavera já chegou e que o verão está aí mesmo à porta, mas como este ano ainda há neve na Serra da Estrela, o sol ainda está timido, escondido e com  medo de dar o ar da sua graça, lembrei-me desta passagem, já que tudo indica que finalmente na próxima semana o céu já vai ficar pouco nublado, o sol vai aparecer e as temperaturas vão começar a subir, para o meio da semana já vamos sentir calor.
A morte branca rodara por esta vez, assim escreve Aquilino nessa obra-prima que é O Malhadinhas.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Dia da criança

Hoje é o Dia Internacional da Criança. A data estabelecida não é uniforme, mas em Portugal, como em muitos outros países, o dia 1 de Junho foi o escolhido e, como este blog vive muito de recordações e memórias, aproveitamos a data para mostrar umas fotos antigas de meninos e meninas de Forninhos que cresceram em diferentes tempos e diferentes mentalidades:

Graça e irmão Luís (já falecidos)


o XicoAlmeida e irmãs: Lurdes e Lena.

o meu pai (Samuel) e irmã (Natália)

João e irmã Augusta (Joana).

Uns partiram, outros cresceram e amadureceram, mas uma certeza fica: as crianças são sempre crianças.

domingo, 27 de maio de 2018

Depois de alguns dias...

Estivemos ausentes por alguns dias, mas estamos de volta para recuperar o tempo perdido. Na verdade, nada se perde. Ganha-se.
Então...no decorrer deste período (cerca de duas semanas, em relação ao último post onde demos conta do programa de festas em louvor do Divino Espirito Santo) o XicoAlmeida colheu umas fotografias das terras agrícolas ao redor de Forninhos,


onde o agricultor colhe o suficiente para ele e família, 
em toda a roda do ano.


Além de boas árvores de fruto, como as cerejeiras, a cultura hortense principal é: 
milho, feijão, batata,

pois a cultura do centeio e trigo, já acabou. Lá aparece -muito raro- uma ou outra leira dele, mas já não é como dantes. Nem admira, o padeiro traz o pão e o trigo à porta.


 Aqui, um exemplar de casebre em granito para animais, arrumações, palhas, etc...


Estamos no fim de Maio. As cerejas começam a ter cor de amadurecimento. 
Alguma dela até já se come...


...por tal facto,  vê-se no cruto das cerejeiras caravelas para espantar a passarada, principalmente, os estorninhos, que nesta altura do ano fazem questão de "ajudar" na colheita.

À beira das casas ainda há latadas (parreiras), 
que fornecem bagos de cachos que se vão defazer no lagar


Mas a sua cultura principal é nas vinhas.

E termino com uma quadra do hino da nossa terra: "No concelho é a primeira/na produção de bom vinho/É uma terra hospitaleira/tem de tudo um bocadinho".

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Festa do Espírito Santo


A festa do Espírito Santo está a aproximar-se...
Este ano terá lugar nos dias 20 e 21 de Maio e podem desde já consultar o cartaz oficial.
Esta festa sempre foi muito importante para nós, mas também para os povos vizinhos de Forninhos, que se deslocam à Senhora dos Verdes para "cumprir o Voto" e darem a sua contribuição, para que a festa, a tradição, não acabe.
Junte-se a nós a realizar esta bonita tradição e rogar a Nossa Senhora protecção para os campos e colheitas.
Não faltará também animação. Estão confirmados os Grupos RHP e  3.ª GERAÇÃO.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Há 160 anos...

Se há coisas que não entendo, é o menosprezo pela  nossa história.
Hoje, 4 de Maio, foi um dia que devia ter sido assinalado, as fronteiras da freguesia de Forninhos continuam as mesmas que foram em 1858 delimitadas pela Câmara Municipal de Aguiar da Beira, feita através das antigas demarcações que são: 
"do Moinho da Gandra ao Leirão da Portela, daqui ao Comareiro da Horta do Clemente que é hoje da Maria Pinta, daqui à passagem das Androas, daqui à Corte do Vale Longo de António Ferreira daí à Corte das Laijeiras dos herdeiros de Francisco da Fonseca Alentejano, daí à Igreja da Senhora dos Verdes, daí às Cortes do Bartolomeu dos Lagarinhos, daí à Figueira do Fontelheiro daí à Levada da Debuinha à do Porto, daí segue estrada abaixo Perdamoira até ao cabo dos Soitos da Gandra e fecha na quelha da Vinha dos Cortiços.".
Ficava proibido entrarem cabras e bodes quer fossem soltos quer presos na Coutada. Por cada cabeça que nela fosse encontrada ainda que fosse nos caminhos por causa dos olivais, pagariam seus donos 120 réis por cada transgressão; ficavam exceptuados destas penas os donos das que fossem encontradas a pastar somente pelas canadas antigas (Cortes da Laja dos Cordeiros e Cortes da Porqueira).
Se há coisas que também não entendo, é  como nos deixamos ser  dirigidos por autarcas que desconhecem aquilo de que nos deveríamos orgulhar, as nossas raízes, a recolha do nosso espólio material e imaterial para ser perpetuado, ou então somos aquilo para que fomos fadados...
Como em muitas terras, a maioria cala-se; os mais velhos ainda por respeito a "pessoas importantes" da terra, um jugo que levam para a cova e por tal pouco ensinaram aos filhos sobre a nossa terra, dos confins de S. Pedro, os povos que há tantos séculos por ali se enfrentarem em renhidas guerras e se foram tantos, como registam as pedras de granito, testemunho vivo de onde descendemos.
E, conforme vamos ouvindo em registos da voz de quem ouviu de quem, a luta pela posse de S. Pedro com os da paróquia de Penaverde, teve registos  sangrentos ao ponto de dizerem que num dia de festa ao S. Pedro de Verona, tal eram os confrontos que o templo começou a ruir e por tal o seu declínio.
A Junta de Freguesia de Pena Verde, em Outubro de 1939, ainda reclamava acerca dos limites entre aquela e Forninhos, pelo que a Câmara resolveu ir ao local a fim de "serem resolvidas as dúvidas que existiam entre os habitantes das referidas freguesias."
Penso não estar a inventar, mas até muitos anos atrás sempre ouvi dizer que a paróquia de Dornelas também exigia a sua delimitação até à ponte do rio Dão (ponte dos Caniços). Felizmente não aconteceu.
E pronto, é o que vai sobrando da nossa história, pois datas comemorativas são as mesmas, haja pão e coza o forno, no último domingo do mês, festa no Centro, dia da freguesia (imposto), comes e bebes, etc...mesmo que sintam que persiste uma rotina nessas comemorações!
Pena que ninguém se tenha interessado pelo dia de hoje, pena que ninguém se tenha interessado pelo dia 2 de Dezembro de 2017, em que fazia 220 anos em que a nossa igreja matriz, havia sido benzida. Eu falei com o Sr. Padre e nada ligou, o bispo estava doente e depois me falaria, até hoje, devia andar a rezar missas à dúzia.
Depois dizem que tudo se acaba... 

Cruz que delimita Forninhos e Penaverde

Marco divisório de propriedade?

Cruzeiro divisório (da Sapa) Forninhos-Dornelas

terça-feira, 1 de maio de 2018

Maio maduro Maio



Maio, maduro Maio,
Quem te pintou?
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
José Afonso, Cantigas de Maio (1971)

"Quem te quebrou o encanto/Nunca te amou" Zeca Afonso referia-se, como é óbvio, aos fundadores da Ditadura, iniciada como golpe militar de 28 de Maio de 1926, e Zeca Afonso era a favor da recuperação do encanto quebrado dum mês tão cheio de significado, pois o mês de Maio era o tempo do amor e do casamento: a Igreja recusava celebrar matrimónios durante a Quaresma e desaconselhava os crentes de praticarem relações sexuais nesse tempo de recolhimento e sacrifício, que preparava a Páscoa. Acabadas as festividades pascais e antes que viessem em força os trabalhos agrícolas, das sachas, das ceifas, das malhas, das colheitas em geral, os camponeses (que eram 85 a 90 por cento da população, lembremos) tratavam de casar. Quando fazemos a análise dos registos paroquiais verificamos, pois, que na sazonalidade dos casamentos, Maio ocupa o primeiro lugar. Isso deve-se ao que atrás fica dito e ainda, claro, à inegável predisposição primaveril de todos os seres viventes para o amor: "Sempre depois da sesta/Chamando as flores/Era o dia da festa/Maio de amores"
Hoje como ontem, Maio ainda é o mês das flores e mil odores, do verde e fresco das árvores cobertas de folhagem tenra e é também o mês em que as pessoas se sentem mais enérgicas, mais reivindicativas. O 1.º de Maio é o dia do Trabalhador. E foi neste mês em que, nas ruas de Paris, explodiu o movimento estudantil conhecido pelo nome de "Maio de 68".
Estão passados 50 anos desde o movimento estudantil, mas não faltam também hoje aos jovens estudantes de Forninhos (apesar de poucos) causas nobres por que lutar, em qualquer época do ano, mas sobretudo em Maio.
"Sempre no mês do trigo/Se cantará."
"Qu'importa a fúria do mar!/Que a voz não te esmoreça/Vamos lutar." 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Floriano, o nosso soldado

A Primeira Guerra Mundial aconteceu entre os anos de 1914 e 1918; quantos soldados das nossas aldeias foram para a Primeira Guerra? 
Pode saber-se, através do Arquivo Histórico Militar - Boletins Individuais de Militares do CEP (Corpo Expedicionário Português, 1914-1918), tal como se pode saber sobre os mortos, há memoriais.
E sobre a participação forninhense nessa guerra, o que se sabe?
Pouco ou nada, porventura por a nossa tacanhez não saber construir a sua própria história e ir em busca das memórias daqueles que honraram esta freguesia de Forninhos e homenagear os seus filhos que combateram na Primeira Grande Guerra, como o foi o caso do soldado Floriano Cardoso, filho de Agostinho Cardoso e de Maria Amália.
Mas nós não podíamos deixar passar tal em branco e fazemos questão de aqui deixar para memória futura a prova da sua existência e do que lhe aconteceu. 




Quem serão os descendentes da família do Floriano? Dificilmente o saberemos.

domingo, 8 de abril de 2018

Páscoa 2018, Procissão

O tempo de Páscoa vai até à Pascoela, noutros tempos, neste Domingo jogava-se em Forninhos à panelinha (para ver o jogo clique aqui). Hoje já não é assim, mas é sempre um bom dia para recordar a passagem da procissão pela aldeia de Forninhos, antes do início da missa, com pétalas de flores pelas ruas em locais habituais;


as flores desempenham um papel de alívio dos rigores do inverno (que este ano, por acaso, ainda continuam).

 ainda há quem, com a procissão a percorrer as ruas, atire pétalas de flores!


Continuação de tudo de bom e Boa Pascoela onde acontecer.

Peço-vos desculpa pela ausência, mas estive 10 dias em Forninhos e como lá não tenho internet foi-me impossível postar/comentar o que quer que seja.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Uma Santa e Feliz Páscoa 2018


Através da imagem do Cristo Rei -Lisboa- sempre de braços abertos para abraçar a Vida de todos nós, desejamos a todos os que nos visitam, através deste espaço, uma Santa e Feliz Páscoa 2018.

sexta-feira, 23 de março de 2018

O bens da igreja de Forninhos

A lei da Separação do Estado e da Igreja, publicada a 20 de Abril de 1911, determinou o inventário de todos os bens da Igreja.
Para se comparar o que hoje existe e o que existia em 1911, reproduzimos aqui o original desse inventário realizado em Forninhos no dia 22 de Agosto de 1911 aonde se encontravam presentes o secretário de finanças do concelho, José Augusto de Carvalho e os cidadãos José Vital de Matos e António Bernardo, o primeiro na qualidade de administrador do concelho de Aguiar da Beira e o segundo na qualidade de Presidente de Junta da Paróchia de Forninhos. 
A saber:



Uma igreja matriz, contendo três altares denominados: Altar Mor - Altar da Senhora das Dores e Altar da Senhora do Rosário, bem como tem uma torre ou torrão, uma casa altos e baixos denominada de casa de residência paroquial.
No altar mor a imagem de Santa Marinha, aos lados Santo António, S.Sebastião e ao fundo um crucifixo de madeira dourada - seis castiçais da mesma madeira dourada.
No altar da Senhora das Dores há ao alto uma imagem da mesma Senhora, aos lados o Menino Jesus e S.Pedro, ao fundo um crucifixo de madeira já velho e dois castiçais de metal amarelo.
No altar da Senhora do Rosário, há ao alto uma imagem da mesma Senhora e aos lados o S.Paulo e outra imagem pequena da Senhora do Rosário, ao fundo um crucifixo de madeira já velho e dois castiçais de metal amarelo.
Na torre há dois sinos. No corpo da igreja há dois tocheiros grandes - uma lampada de metal amarelo - uma caldeirinha para água benta - quatro lanternas de latão, uma cruz processional de metal amarelo -um turibulo do mesmo metal - uma naveta do mesmo metal. Ao fundo da igreja está a pia baptismal.
Na sacristia há um armário comoda com dois gavetões para guarda dos paramentos - há três missais.


Paramentos

Duas umbelas de seda branca, uma nova e outra já velha - um baldaquino de madeira rameado a encarnado -um pálio de veludo encarnado - um pano de cobrir a estante -um frontal de veludo preto- um frontal de damasco branco e encarnado -um veo d'hombros branco rameado de damasco - uma capa de asperges de côr verde - uma dita branca - cinco abas -uma casula de renda branca toda rameada -uma casula de veludo preta com galão amarelo -uma dita de damasco encarnado -uma dita de renda branca - uma dita de damasco rosa -uma dita de damasco encarnada -uma dita de damasco verde -duas dalmáticas roxas, com acabamentos verdes - duas ditas de renda branca rameadas -as respectivas estolas e manípulos para todos estes paramentos.

Objectos de prata

Uma custódia, um relicário pequeno - um cálice com a parte interior dourada. 
E não havendo mais que inventariar nesta igreja passaram à Capela de Nossa Senhora dos Verdes que é composta por três altares denominados: Altar da Senhora dos Verdes, com imagem da mesma Senhora - Altar de Santa Rita com uma imagem da mesma Santa e Altar de S.Matias, com imagem do mesmo Santo, tendo cada altar dois castiçais de metal amarelo e um crucifixo de madeira. Tem duas casulas -uma de renda branca  e uma encarnada - uma aba e as estolas e manípulos respectivos.
Em seguida passaram à Capela de Santo Amaro em Valagotes.
Altar com a imagem de Santo Amaro- um crucifixo de madeira já velho e dois castiçais de metal amarelo. 
→ Curiosidade, ou talvez não, voltamos a encontrar num documento do século XX a menção à capela e imagem de Santo Amaro nos Valagotes e não há sequer referência à imagem de Santo António, que no século XVIII era orago da capela.
E não havendo outros bens a inventariar se concluiu este auto, ficando pois tudo entregue ao presidente da junta da paróquia que assinou com os representantes do Concelho e Secretário das Finanças.
O pároco de Forninhos não assistiu ao despojamento dos bens, pelo menos, nesse dia 22 de Agosto de 1911.
Terá aproveitado para tirar uns dias de férias em Agosto?





+ou- 30 anos depois, em 1942, foi feito novo arrolamento ao inventário, pois tinham esquecido os seguintes bens da igreja:
- Uma terra centieira e olival, sita no lugar do Ervedal, denominada "Serrado do Senhor".
-Uma tapada com sete oliveiras sita no "Lugar"
- Uma sorte de terra centieira,com quatro oliveiras,sita no "Lugar"







Datado também de 20 de Dezembro de 1942, ainda foram acrescentados outros bens que haviam ficado de fora do arrolamento inicial:
-Uma casa da Fábrica, junto à igreja paroquial.
- O adro da Capela de Nossa Senhora dos Verdes.


Foram testemunhas presentes António de Almeida de Araujo, solteiro, maior e Artur Manuel Gomes da Silva, casado, ambos comerciantes e residentes na vila de Aguiar da Beira. → Causa-me perplexidade não serem testemunhas presentes cidadãos residentes em Forninhos!
Também assinou com os referidos o Chefe da Secção de Finanças e o Pároco da freguesia de Forninhos,o Sr. Pe. Albano Martins de Sousa.


Fonte: site do arquivo digital das Finanças.
Com a ajuda de um neto de Forninhos, João Nunes.
Obrigada João.

domingo, 18 de março de 2018

Ditos do Povo

Somente para avivar a memória. Que diziam os nossos pais e avós do mês e do tempo quaresmal que vivemos?


De Março:

"Se entre Março e Abril
o cuco não voltar
ou ele está morto
ou o mundo vai acabar"

"Março, marçagão
De manhã inverno
E à tarde verão"

Este ano, quem dera. Este Março é mais Fevereiro "rego cheio".




Da época pascal:

"Ramos molhados, anos abençoados"

Mas a mulher que se previna:

"Na semana dos Ramos
Lava os teus panos
Que na da Paixão
Lavarás ou não"

E pronto...

"Lázaro, Ramos e na Páscoa estamos", desde pequenos que ouvimos também este dito, bem mais longo porque popularmente existe um nome, para cada uma das semanas da quaresma ou para os seis domingos que antecedem o domingo de Páscoa: Ana, Magana, Rebeca, Susana, Lázaro, Ramos e na Páscoa estamos. 


Mas já agora, uma lenga-lenga:

"Domingo de Rebeca
armei uma rela
Domingo de Lázaro
apanhei um pássaro
Domingo de Ramos
o depenamos
Domingo de Páscoa
o papamos".

quinta-feira, 8 de março de 2018

APITO FINAL.

Houve um dia em que tivemos um terreno para de tal fazer um campo de futebol...


Éramos muitos os pequenotes que jogávamos à bola no Largo da Lameira. os mesmos que na altura do recreio na escola se desafiavam num Lameira contra o Lugar e que por norma, acabava à bulha.
Coitada da professora para nos manter em sentido na lição, pior as reguadas de castigo, sempre nos mesmos. Afinal os coitados éramos nós.
Aqueles que já haviam ido às sortes para a tropa, eram homens e apenas eles podiam jogar pela nossa terra na outras circundantes, volta e meia num domingo, pois os jogos não tinham calendário, era mais para acertar desaforos nem que fosse por uma palavra mal dada na terra vizinha ou roubar a namorada de outrem no arraial e  ficava o desaforo.
Os outros mais velhos, gajos que iam para o ultramar, não gostavam de ser gozados por receberem os jogos da bola  no adro da Senhora dos Verdes com ciprestes pelo meio.
Mas era o que havia, sendo que pelas redondezas, a coisa pouco era diferente.
E a gente, os putos, fomos crescendo com o correr dos anos, mas de uma forma rápida, por vezes dura, por termos a notícia de que um da nossa equipa, havia morrido na guerra; era verdade.
Até que chegou um dia de Abril (já lá vão quarenta e tais anos).
Tal como os gajos do ultramar, também havíamos ido às sortes e os apurados ficavam à espera do que viria a seguir.
Era domingo, recordo como se hoje fosse. 
Antes e durante tempos, a gente vinha falando num modo de arremedeio para não sermos gozados por nao ter onde jogar e, naquele dia, depois da missa, olhamos uns para os outros e dissemos: É hoje!
Certo é que uma cambada de gajos novos, entraram nos domínios do sr. Amaral e verdade seja dita, depois de nos ouvir, cedeu o terreno do Picão para o nosso campo da bola.
Houve a correria da aldeia para festejar e foguetes pelo ar, mandados pelo tio Zé Carau.
E nada mais até agora...
Sabem, eu que participei nesta demanda, lamento sinceramente os devaneios de quem não teve e jamais terá, a capacidade do sentir de uma aldeia e tal reconhecer.
Sinto-me filho desta terra, mas jamais de um deus menor que a entrega ao ostracismo.
Um campo vazio do muito que poderia ter.

quinta-feira, 1 de março de 2018

AINDA POR AQUI HÁ PASTORES...



Toda a vida fui pastor
Toda a vida guardei gado
Tenho uma nódoa no peito 
De me encostar ao cajado 


Mais que uma festa, uma homenagem a estas gentes que labutam e por tal têm de enfrentar medos, aqueles que a sorte tantas vezes madrasta, lhes tolhe os sonhos. 
A chuva que não vem, os fogos constantes de agora, o frio que num repente traz  os lobos esfaimados a rondar as suas corriças, os lameiros transformados em terra ressequida de gafanhotos...
Coçam a cabeça ao deitar (quase ao tempo de madrugar), sem saberem o amanhã...
A festa não tem a cobertura televisiva de meia dúzia de horas, mas e acreditem, tem a autenticidade das nossas gentes no modo mais natural e genuíno de se expressarem e conviverem.
Tal como os produtos que mostram e os abraços que se dão, afinal quase todos se conhecem.
Apareça com um abraço!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Os sinais da Primavera chegam quando é o tempo

Embora nós aprendêssemos a ver as estações do ano com as datas dos Homens, a Natureza uns anos brinda-nos mais cedo com as suas magias sanzonais. Este ano, quando passeamos pelos campos somos logo chamados a ver as flores do trevo-amarelo,


mas logo outras flores, as das malvas, de repente nos chamam também a atenção. 


E as campaínhas também já estão aí; a floração ocorre de Fevereiro a Abril.


Todos os anos são iguais, eu sei, mas todos os anos fazem a magia de nos espantar e pensar que, se a natureza faz o seu melhor, o mundo vale a pena...


E assim a Primavera antecipadamente se vai anunciando...em tons amarelos, azuis, lilases, brancos...


...vai ser assim durante semanas...

Fotos: XicoAlmeida
Texto: aluaP

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O dia do ciclone

No dia 15 de Fevereiro de 1941, Portugal foi assolado por um ciclone que deixou um rasto de destruição por todo o pais. Além de um elevado número de mortos, feridos e desaparecidos. 
Em Forninhos não houve vítimas mortais, mas ali ao lado e nesse dia, no pequeno lugar da Moradia havia um casamento, em que no regresso da boda, dois convidados morreram apanhados pelo ciclone.
O Sr. José Cardoso da Quinta da Ponte, recorda em verso a tragédia da morte desses dois homens da freguesia de Valverde, assim:

Idos da Moradia
Talvez até já sem sede
Morreram na estrada
Já próximo do seu Valverde.

O ciclone os levantou
Como se fosse pergaminho
Deixando-os caídos mortos
Onde hoje está um cruzeirinho.


queda da árvore do terreiro da N.S.dos Verdes, para recordar

O escritor e poeta, deixou-nos mais estes versos inéditos:

Trágica noite de sábado
Fevereiro 15, 1941
Houve um grande ciclone
Nunca assim visto algum.

Depois da noite trágica
Veio Domingo de bonança
Com árvores e pinhais derrotados
E por muitos anos sem esperança.

Parecia que uma enorme foice
Tinha os pinhais ceifado
Pois a força da natureza
Tombou tudo p´ró mesmo lado.

Passaram muitos anos
Mais d' uma geração
Para que se notasse
Parcial recuperação.

in memórias do meu querido torrão natal "Quinta da Ponte".

domingo, 28 de janeiro de 2018

Carnaval de há décadas


Em Forninhos desde sempre se brincou ao Carnaval e cada um manifestava-se da forma que entendia, se alguns tinham um espírito mais inventivo, mais à vontade, "fabricando" máscaras, caricaturando figuras e criando situações hilariantes, outros havia que apenas se preocupavam em não deixar passar a quadra, bastava-lhes vestir uns trapos velhos e um farrapo ou pano de renda para tapar a cara. Era até o que acontecia com a maioria das pessoas e era assim o nosso entrudo genuíno, bruto, chocalheiro, trogalheiro...
As mulheres essas, vestiam-se de forma diferente...mais fina, primavam por mostrar os seus fatos religiosamente guardados para esta quadra e aprimoravam o seu visual para se movimentarem na quadra carnavalesca. 
E digam lá, se não se nota nelas o orgulho de mostrar o "feito por nós"?
-/-
Quem quiser conhecer mais o nosso entrudo/carnaval peço-lhe que clique neste link:
http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.pt/2014/02/carnaval-em-forninhos.html

Cortesia da D. Maria José Saraiva.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O tio Venâncio, caçador lendário...

Merecia um rua com o seu nome, na mesma onde morou e enfrentou a vida.  Acomodou filharada sem jamais fugir às necessidades do sustento dos seus. Bom homem o tio Venâncio, figura real de Forninhos; um marco!


Afinal quem foi o tio Venâncio?
Para tal devemos recuar aos primórdios de Forninhos e da sua constituição como povo até aos dias de agora. Num lugar bendito como o nosso e apetecível, muitos povos por aqui passaram e o possuíram, desde a mouraria aos romanos, ou vice-versa, pois tantos outros aqui se regalaram... 
Os tempos, foram-se perdendo na memória deles mesmos por desmérito nosso, o que lá ia...lá ia.
Não está certo, temos obrigações, temos testemunhos vivos e não temos vontade de trazer por medos, as nossas raízes, aquilo que nos honra, como se fosse vergonha.
Homem simples e trabalhador, o tio Venâncio. Parecia ter sido companheiro de Viriato nos montes hermínios, tal a sua audácia.
Uma prol que não era pequena, carecia de um sustento e por tal ele madrugava para a sua faina de resineiro ao mesmo tempo que visualizava as "covas"  de onde porventura poderia advir acrescento, tal como uma várzea para os lados da ribeira.
Vamos ao que interessa pra o tema: O Raposeiro!
No seu dia-a-dia como resineiro, melhor que ninguém, conhecia pelas serranias os penhascos, desde a Portela, Cova da Raposa, até ao limite de Dornelas.
Sabia melhor que ninguém armadilhar, Eram lages que podiam pesar cinquenta quilos, armadas sobre três paus, o chamado triângulo e chincavam a presa.
Ele, o tio Venâcio, tinha a sabedoria de caçar as presas, sabia o que podia caçar e por tal na toca, melhor, na sua entrada, deitava fetos e se estes eram recolhidos, sinal de que era texugo, ao contrário da raposa.
Dinheiro valiam as peles os bichos caçados por necessidade. Esfolados, eram pregados com a pele contra as portas, antes esticadas e passadas com sal grosso e cinza. Um prego no focinho e outros nas patas e ficavam a curtir mais de oito dias, até Janeiro.
Podem dizer que barbaridades, mas tal ainda hoje nao entendem as nossas gentes, para elas galinhas e ovos, era uma benção que este senhor ajudava e por tal e quando apanhava uma raposa e a mostrava na aldeia, as pessoas reconhecidas davam o que entendiam por bem, ovos, batatas, cebolas...
A pele bem curtida, podia valer por cima na Feira Nova, 10 escudos...
Saudades, ti Venâncio!

Foto: cortesia da sua filha Fernanda.