Seguidores

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Todos somos primos

Cá na terra, é costume dizer que somos todos primos e quando alguém o diz, nem nos passa pela cabeça pôr isso em causa, daí esta minha contribuição para provar que assim é. Recuei apenas à minha trisavó paterna, Maria Antónia, que pelo número de descendentes até à minha geração, é fácil concluir que estaremos quase todos unidos por laços familiares mais ou menos próximos.

A minha trisavó, Maria Antónia, casou com António de Almeida, conhecido por António ferreiro "velho" e tiveram nove filhos:

1-  José Augusto de Almeida, o filho mais velho, casou com Rosa Fernandes e teve 8 filhos (?):

-Etelvina
-Palmira, emigrou para o Brasil
-Maria dos Santos, emigrou para o Brasil
-Olímpia, emigrou para o Brasil
-Beatriz, emigrou para o Brasil
-Alfredo,emigrou para a América
-António, emigrou para a América
-Adelina, emigrou para a América

(deste ramo descenderão os filhos e netos da Etelvina, Palmira, Maria dos Santos, Olímpia, Beatriz, Alfredo, António e Adelina).

Maria,filha do Augusto ferreiro
Beatriz e Olímpia, filhas do Augusto
registo casamento da Adelina, filha do Augusto

José Augusto de Almeida enviuvou em 1918 e casou novamente com Apolónia Fernandes.



2 - Teresa de Jesus (minha bisavó), casou com Eduardo Albuquerque, casaram tarde, mas ainda tiveram 6 filhos:

- António Albuquerque, emigrou para o Brasil
- Maria dos Prazeres
- José dos Santos Albuquerque (meu avô Cavaca)
- Clementina Albuquerque
- Rita Albuquerque
- Ilídio Albuquerque, emigrou para o Brasil

(deste ramo descenderão os filhos e netos do António, Maria dos Prazeres, Zé Cavaca, Clementina, Rita e Ilídio)


Maria dos Prazeres,filha da Teresa


Zé Cavaca e mulher + filhos: Júlia, Margarida, António, Samuel e Natália


3 - Ana de Almeida, teve 3 flhos:

- António "brasileiro", não casou nem teve filhos
- Augusta "brasileira, não casou nem teve filhos
- Clementina "brasileira"

(deste ramo descenderão os três filhos e netos da tia Clementina: Ana, Nazaré, António Joaquim)

4- Conceição, casou na Matança e teve uma filha única, chamada Júlia, era a madrinha do meu avô Zé Cavaca. 

5- António ferreiro "novo" teve 5 (?) filhos:

- Adelino "ferreiro" 
- Maria dos Prazeres 
- Ana 
- Zé ferreiro 
-António ferreiro

(deste ramo descenderão os filhos e netos dos cinco).


Zé Cavaca e Zé ferreiro - primos direitos,
filhos da Teresa e do António ferreiro "novo"

6- Daniel Almeida, conhecido por "Daniel velho", a sua esposa chamava-se Nazaré e tiveram 3 filhos:

-Daniel "novo" 
- Francisco 
- Augusta, conhecida em Forninhos, ficou conhecida como tia Augusta "velha", não casou nem teve filhos

(deste ramo descenderão os filhos e netos do tio Daniel e do tio Francisco)

7 - Rosa, teve 2 filhos (?)

- Augusta pulica (?)
- Joaquim pulica (?)

(deste ramo descenderão os filhos e netos)

8 - Clementina, casou com  o Joaquim Moca

- Abílio Moca
- Rosa Moca
Emigraram para o Brasil

(deste ramo descenderão os filhos e netos)


9 - Francisco de Almeida (avô do XicoAlmeida), conhecido também por Chico ferreiro, casou com Ana Saraiva e teve 5  filhos:

- Augusta Saraiva, não casou nem teve filhos
- José
- António Almeida
- Alfredo Saraiva
- Teresa Saraiva
Francisco ferreiro, esposa e filha Augusta

(deste ramo descenderão os filhos e netos do Zé, Alfredo e da Teresa)

Nota: Esta pesquisa está em aberto, aguardando a contribuição de quem possa ajudar a corrigir alguma informação que não esteja corecta ou a acrescentar dados e documentos que a complementem.
-/-
Agradeço o contributo de:Aurélio Fernandes Pereira, bisneto do Augusto ferreiro; Margarida Cavaca, neta da Teresa de Jesus, Augusta Guerra, sogra do Francisco ferreiro e Ana dos Anjos, neta da Ana de Almeida.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

AMAR UMA VIDA INTEIRA

Comecei a namorar, tinha catorze anos...


Assim começa o relato desta minha amiga, que casou  neste dia do ido ano de 1961.
Por detrás ficam quase dois anos de luta, para ela, Joana e o Alfredo.
Andava na altura a aprender a costurar com a Bragança, filha do tio Carlos e mais conhecida por professora Mariana, mas as bocas do povo, tal como ainda hoje que continuam sem telhas de vidro (casa honrada tinha pelo menos uma...), teve que partir, neste caso para Lisboa.
Ficou em casada da tia Rosária juntamente com o seu irmao João e cujo tio tinha uma boa colocação.
"Aguentei cerca de mês e meio no ir aprendendo costura, mas voltei, tinha de voltar; estava farta de escrever todos os dia uma carta, tal como ele, não fazia sentido e fosse o que Deus quisesse."
As cartas na terra, não tinham selo, eram levadas pelo Júlio Grilo a cada um de nós e as minhas escondia por detrás de um quadro dependurado na sala, até que mais de um ano depois a minha mãe descobriu e ordenou: "Vão casar!"
E graças a Deus, casamos numa quinta-feira, coisa incomum neste dia de semana, mas a razão tinha a ver com a ida do irmão do noivo, o Adriano de partir no outro dia para a tropa.
Houve boda, sim senhor e como mandavam as regras, vinho a cântaros, ovelhas, arroz doce e pão-leve, fora os galos e galinhas...pela noite adentro.
E mais, perguntei, a lua de mel?
Madrugadora, às seis da matina o meu pai grita: "Vamos, temos os chícharros do tio Luís Rebelo para apanhar!
Mas, sabem, somos um casal e uma família feliz!!!
Eu sei que sim Joana e ficamos extremamente gratos por nos honrrares aqui com o teu testemunho.
Um beijo!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Escanar o milho

Era um rancho de gentes, num céu aberto por aí fora... 


Setembro o milho amadurece, primeiro o temporão das terras secas, o branco, nas terras de centeeiro, que alternava ano a ano com o semear do centeio para quem tal queria ou não tivesse outro remédio.
Para lá das misturas de farinha do pão, tinha por si só o milagre das papas do ralão e as papas doces de leite e açúcar.
Chegando meados de Setembro, era o forte da colheita do milho de regadio, forte e majestoso com várias espigas, como que dizendo que crutas cortadas para o gado e junto à última espiga, os haviam tornado mais valentes.
Na véspera e entre amigos, o dono combinava com eles irem cortar o seu milho na Ribeira e claro ao amanhecer, sem cerimónias, afinal eram os mais chegados e por tal no desdejum, uns figos secos e aguardente, o resto ficaria para a piqueta lá por volta das dez da matina.
No caso do meu pai, o tio Armando Coelho, Carlos Bragança e tio Zé Cavaca. Gentes chegadas...
Outros houveram, mas eram pagos ao dia, bebidos e não comidos...
Chiava o carro das vacas, carregadinho até ao Carvalho da Cruz, depois seria a direito, mas havia volta não volta que encostar nas sombras para o descanso e beber.
Enfim chegados, na outrora lage agora coberta de alcatrão (bem haja a ignorância), era descarregada a carga e outras que viriam a seguir pelo mesmo caminho.
Ao anoitecer ja se adivinhava a azáfama como sendo dia festivo, desciam a ladeira em direção ao ribeiro dos moncões, com acomódos pelos ombros que a noite prometia alguma frescura, coisa natural.
A promessa não seria vã. Quem vinha para trabalhar, ansiava pelas brincadeiras que depois viriam, os caretos com mantas pela cabeça, cobiçavam as raparigas, a coberto daquela capuchinha e por vezes, muitas, o toque do realejo e mais forte o da concertina. No fim uma pequena arrelia, a maçaroca de milho preto, foi uma aldrabice, foi roubada tal como ele vencedor queria um beijo.
Mas as escanadas não ficavam por aqui, iam pelos campos abaixo para quem não tinha eiras.
Pela Gândara e Romeiros e eram feitas nos campos à luz de candeeiros a petróleo cantando pela noite dentro, cantando de todo o lado.
Uma paródia!  

Foto de Maria Fernanda Sousa.

sábado, 1 de setembro de 2018

Pátios

Hoje dedico estas poucas linhas aos pátios, uma zona descoberta situada no exterior das  casas de habitação.
Porquê e para quê os pátios nas nossas casas?
Coloco assim a questão porque os pátios são muito diferentes de terra para terra. 
Os pátios da minha terra são extensões das casas, por norma murados e pertencentes a uma só casa, às vezes a duas, não são pátios de rua como são os da toponímia de Lisboa; os pátios lisboetas são "um conjunto de habitações modestas dispostas à volta de um recinto descoberto comum". 




A casa do lavrador era norma ter defronte um logradouro, que em certos lugares se chama quintã, mas que usualmente dá pelo nome de pátio.
Hoje há poucos, dantes eram às dezenas!
Nos pátios que tinham uma latada, sós ou acompanhadas, debaixo da sua sombra arrepenava-se o grão, os chícharos e os feijões, ao sol secavam os figos, a seguir às vindimas nalguns faziam aguardente, no inverno era lá que se matava e limpava o porco, no pátio as galinhas e os seus pintainhos deambulavam o dia inteiro...ali as crianças aprendiam a dar os primeiros passos e a total liberdade nas brincadeiras.
No pátio ainda podia existir um coberto, onde se guardava a lenha e se resguardava o carro das vacas.
Hoje já não é assim, em poucas décadas tudo mudou, nas construções modernas já não querem pátio algum e com as reconstruções - há excepções (poucas) - também fizeram questão de acabar com os pátios e é assim que vai desaparecendo tudo o que outrora tão útil foi. Ganhou-se muito na comodidade interior, mas perdeu-se no aspecto exterior da habitação aldeã, nas ajudas mútuas, nos convívios...

sábado, 25 de agosto de 2018

Novas Culturas


Para além das árvores de frutos tradicionais (maçãs, abrunhos, cerejas, figos, castanhas, etc...) alguém descobriu que é possível cultivar em Forninhos frutos exóticos, como se documenta na foto.
Pelo aspecto parecem não se dar mal com o clima.
Nos últimos anos tem-se assistido por lá a um aumento de cultivo de alguns frutos exóticos (kiwis, mirtilos, physalis, maracujás, groselhas, limas...).
Se cá viessem hoje, o que diriam os nossos antepassados serranos?
 Diriam com toda a certeza:
- Forninhos está uma terra diferente!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Festa de Agosto à noite

Todos os anos publicamos fotos da festa religiosa, mas este ano será excepção, resolvemos mostrar a noite da festa. 
Se fechar os olhos vai ver que consegue ouvir os cumprimentos habituais: "olá, então!", "Já não nos vemos há quantos anos?" e outras frases tão familiares nestas ocasiões...




os  "colecionadores" puderam, adquirir a coleccionável T-Shirt alusiva deste ano, 
junto da Comissão de festas "Forninhos -eu estive lá!!!"


O algodão-doce não podia faltar na festa!

Nem a cerveja a metro!

O jogo do prego, todos os anos ganha adeptos nestas noites festivas!

Nem o espanto de tanta alegria, 

Numa noite ternurenta,

Atacada ao ritmo de Zumba!


Gostaríamos de ter trazido mais cedo este "relato" diferente, mas também merecíamos férias! 
Resta agradecer mais uma vez a todos os que tornaram possível mais uma animada festa de Agosto, a da Sra. dos Verdes.
Para o ano que vem, haverá mais...!

Fotos: XicoAlmeida.

domingo, 12 de agosto de 2018

Festa de Agosto 2018 - Cartaz

Divulgamos o cartaz da Festa de Forninhos,




um convite aos descententes e amigos a uma visita que já se sabe cheia de muita animação!

Venha daí!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

DIA DOS AVÓS

É já amanhã, o dia que nos toca o sentimento numa doçura de alegre nostalgia, o sentir do aconchego do colo, o apertar protetor dos abraços, o remendar de forma cúmplice e conivente as nossas pequenas asneiras, pouco mais que pardalitos agarrados às saias das avós e por debaixo da sombra amiga dos chapéus dos avôs...tal como porventura São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria  e avós do Menino Jesus.


Esta fotografia ilustra à data de 1983 os netos da tia Maria da Urgueira e tio Luís da CoelhaUm rio de gente que agora deve ser um oceano de marés de felicidade. Um mundo! Mundo que não precisa do modo comercial com que agora se usa e abusa dos nossos avós, por falta de educação, penso, pois de outro modo bastaria sentir o bem-haja por terem feito parte das nossas vidas e ensinamentos.
Dos meus, infelizmente não conheci o meu avô materno de nome António que "partiu" tinha por volta de nove anos a minha mãe, mas era com toda a certeza homem de bem, pois vejo nos olhos de minha mãe aquando dele fala, um misto de tristeza que se mistura numa saudade infinita mas tranquila.
Da sua parte, tive todo o carinho da minha avó Maria, austera mas dócil e prestável para todos os que a ela recorriam para um conselho ou uma reza por necessidade, fosse ela pessoal ou de animais perdidos. Nasci no colinho dela e com ela dormi até morrer; tinha sete anitos de idade e rezámos os dois ao deitar e levantar.
Mais acima da ladeira que separava as duas casas, a minha avó paterna, Ana do seu nome e o meu avô Francisco.
Dela e já rapazote, sempre recebi o prazer do seu sorriso e mimos e aos domingos, uma moeda para gastar nas festas. Não queria que ficasse "mal-visto".
Dele, é difícil falar por ser um  senhor respeitado e mais que avô, amigo e ídolo, queria ser como ele e como éramos companheiros solidários, ia aprendendo aos poucos o que me ensinava sobre o campo, pouco aprendi por culpa própria, mas jamais esqueci a honradez e partilha...
Tinha orgulho no seu neto e no Domingo de Ramos, o meu ramo  por ele enfeitado, tudo fazia para ser o melhor.
No dia em que nasci, dizem, foi plantar uma pereira num terreno em Cabreira e quando esta começou a dar frutos, no dia dos meus anos, íamos os dois apanhar o fruto, ainda levado pela mão.
Ainda pequenino fui dado como quase morto e baptizado à pressa e de noite, levado ao colo da minha avó Maria e sem nome defenido, foi o padre que sugeriu, já que ia para debaixo da terra, o nome dos meus avós, em sua homenagem: Francisco António.
Comigo carrego com orgulho, o nome dos meus avós! 

Foto de Adelino Coelho

sábado, 21 de julho de 2018

Forninhos vai ter um Ecomuseu!

Segundo a wikipédia o ecomuseu é um conceito de museus colocado em prática na década de 1971, na França. Neste tipo de museu, membros de uma comunidade tornam-se actores do processo de formulação, execução e manutenção do mesmo...

Forninhos, Corgas: sacha do milho, a foto já tem uns bons anos,
mas o método mais utilizado para sachar o milho continua o mesmo

É dentro deste espírito que irá nascer no território de Forninhos um museu vivo ao ar livre, que procura mostrar como se vestia, vivia e trabalhava noutros tempos já um pouco distantes dos meus...dos teus...
O percurso pedonal deste ecomuseu será composto por várias "pontos" correspondentes a vários locais de tradição rural como são exemplos a primeira fonte de abastecimento da população, os lavadouros onde lavavam a roupa, sítios onde se tratava o linho (no Linha'do do Ribeiro), assim como os artefactos usados na sua produção e até os moinhos de água onde eram moídos os grãos de milho, centeio e trigo, onde se encontravam os grandes lavradores de Forninhos, voltarão a fazer farinha...quem diria!
Nas alminhas haverá "devotas" a orar pelas almas dos seus familiares...
A ideia é que as pessoas não façam de figurantes, mas sejam actores principais da sua própria cultura.
O percurso, segundo se ouve, terminará no largo da aldeia, numa construção de granito, que partilhava a função de habitação com a de venda e taberna.
Vão agendando uma visita a Forninhos, embora sem acesso à acta da Assembleia, atrevo-me a dizer que ideal será inscreverem-se na Junta de Freguesia para fazerem a visita guiada, pois marcando com antecedência poderá ser possível assistirem à moagem dos cereais e /ou feitura e prova do pão no forno cumunitário com a ajuda de gente que o fez por décadas e décadas; e se assim fôr, parabéns à Junta por esta opção, pois investindo-se no passado, vão criar alguns postos de trabalho.
Eu estou super admirada (confesso), pois sobre "museus" sempre o porta-voz da Junta de Forninhos disse que "os custos para preservar o património local são elevados para uma autarquia com poucos recursos e poucas probalidades de muitas visitas".
Mas com pouco ou muito dinheiro certo é que o projecto já foi apresentado à população e a obra começará em breve. Parabéns uma vez mais à Junta, pois finalmente perceberam que o Forninhos com futuro não é outro senão o passado dinamicamente actualizado!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Comemoração do Jubileu das almas

É preciso recuar até 17 de Julho de 1927 para encontrar os primeiros registos da realização das cerimónias com mais ênfase da Irmandade de Santa Marinha - o jubileu das almas. Todavia, a hipótese destas celebrações serem mais antigas é bastante plausível, não existindo contudo documentos que o comprovem.


A Paróquia de Santa Marinha de Forninhos vai levar a feito, uma vez mais, a 17 de Julho as tradicionais cerimónias do Jubileu, que se iniciam com confissões para todos, seguindo-se a cerimónia jubilar às 19h30, com uma procissão no adro da igreja.
As comemorações continuam no dia 18 de Julho (dia de Santa Marinha), pelas 10h00 com a celebração da eucaristia em honra de Santa Marinha seguida de procissão à volta do povo. Nesta procissão, um singelo andor transporta a imagem da virgem mártir e durante este pequeno percurso, são entoados os cânticos "Salvé Nobre Padroeira" e "A Vós hoje recorremos/Ó Virgem Santa Marinha".
Dantes o dia 18 de Julho também era o dia da catequese e o dia  da Associação Recreativa e Cultural de Forninhos. E, houve a tentativa por parte de um presidente de junta, no ano de 2010, de fazer do dia 18 de Julho o dia da Junta de Freguesia, mas foi sol de pouca dura e ainda bem, pois desde 1911 que existe no nosso país a lei da separação entre a igreja e o estado e este não se deve meter na igreja, nem esta nele. 
"O seu a seu dono"! Graças a Deus esta festa é só religiosa e não festa organizada pela Junta.
Continua, assim, a Mesa da Irmandade a  organizar todos os anos, para todos os irmãos desta Instituição, a Festa de Santa Marinha e mandar celebrar anualmente o aniversário ou o jubileu das almas (artigo 18.º, pontos 6 e 7 dos Estatutos Gerais). 
Bem-Hajam.
Manter vivas as tradições, que são a nossa referência é um BEM CULTURAL.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O berço da Lameira



Fixem este casal, a Senhora Maria da Urgueira e o Senhor Luis da Coelha.
Vou tentar ter o máximo cuidado, para os descrever e aflorar um pouco da suas vidas, sofridas até quase ao extremo. Pobres,  chegaram aos treze filhos  e tais foram alimentando da forma madrasta que a vida lhes acudia mas dignamente, sem nada roubarem e aceitando o que vinha por bondade.
Talvez tenha havido algum arrojo desmesurado da minha parte em trazer aqui e agora este tema.
Mas explico:
Tanto tenho escrito sobre o Largo da Lameira e suas envolvências e agora que vem uma festa grandiosa, estas Gentes não ficam no registo?
Peco por não ter estórias e quem as tiver bem-vindas serão, mas ainda me lembro de tantas vezes ver o forno dela a cozer e ouvir dizer que o tio Luis tinha apanhado mais uma lebre à pedrada ou com o sacho.
Quem enchia a Lameira de alegria, gritos e confusão?
Agora que vou perguntando por aí sobre esta família, os mais velhos recordam  gente sofrida mas nobres que deram a volta á vida sem esquecer de onde vieram.
Foi assim que Forninhos se foi construindo, a pulso no respeito!
Digam bem, digam mal, um dia gostaria imenso de contar a história desta família que tanto respeito.
Maior respeito tem para mim, quem dirimiu uma vida inteira na pobreza que o maior rico na riqueza!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Mulheres que lavam no ribeiro

Não me recordo de ver as mulheres lavar a roupa no rio do Salto (também conhecido por Poço dos Caniços), mas sei que há algumas décadas era um cenário habitual ver mulheres lavarem roupa nos diversos afluentes do rio Dão, dando um colorido engraçado às margens com as peças que ali coravam.
Nos lavadouros dos ribeiros, aí sim, recordo ver mulheres, com experiência adquirida na prática diária, a lavar a roupa à mão, de joelhos num farrapo velho ou numa tacoila para não se molharem.


Água fria da ribeira/água fria que o sol aqueceu.
Velha aldeia/traga a ideia, roupa branca que a gente estendeu.
Três corpetes/um avental/sete fronhas/um lençol/três camisas do enxoval que a freguesa deu ao rol.
Ó rio não te queixes/Ai o sabão não mata/Ai até lava os peixes/Ai põe-nos cor de prata.


Também ainda há lembrança das barrelas.
- Bem ensaboada a roupa era posta, em camadas, num canastro de vime, e tapada com panos de estopa com cinza; por cima era regada com água a ferver.
- No dia seguinte era então lavada de novo e, se por acaso alguma nódoa não saiu, lavavam-na novamente e ficava a corar nas lenteiras dos ribeiros.
Hoje esta tradicional tarefa não passa de uma memória.

Fotos: lavadouro do ribeiro dos Moncões, Forninhos, 2011.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Hoje não há Festa de S. Pedro

Em Forninhos o dia 29 de Junho já foi "dia santo de guarda", se calhar porque estava ainda na lembrança do povo que S. Pedro foi o nosso primitivo padroeiro. Pelo menos o catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros do reino de Portugal e Algarves dá-nos conta que em 1320-21 todas as igrejas que tinham S. Pedro por padroeiro estavam sob o patrocínio do Apóstolo.
Mas outra informação, memórias paroquiais de 1758, dá-nos conta que a festa era no dia S. Pedro de Verona e no dia da Ascensão.
Seja como fôr, sempre se diz que entre santos de nome popular nem sempre o povo sabe distinguir-lhes a identidade; há casos em que os fiéis celebram a festa de S. João Baptista em capelas cujo titular é, segundo a imagem, o Evangelista. Por exemplo.


A capela de S. Pedro ruiu, mas no século XX no dia 29 de Junho, da parte da manhã, ainda havia missa em honra de S. Pedro e durante a tarde a  mocidade montava o pinheiro para arder à noite no largo da Lameira ali junto ao café do Sr. Virgílio. E havia bailarico, claro, pois havia um altifalante por cima da porta da entrada do café, que se ligava ao rádio e, mais tarde, a um gira-discos.
Hoje não há festa de S. Pedro.

domingo, 24 de junho de 2018

Hoje é dia de água abençoada



Hoje é dia de ir ao banho, pois o S. João tem água benzida até ao nascer do sol. 
Havia em Forninhos a tradição dos rapazes ir mergulhar à meia-noite no poço dos caniços (rio Dão) e ao que parece outras pessoas também se banhavam antes do sol nascer. Uma vez que se levantavam de madrugada para ir para as terras, para estarem lá antes do nascer do sol, antes de iniciarem as regas no campo, banhavam-se nas poças e presas, naturais ou feitas pelo Homem e só depois é que as abriam. Ficavam abençoados para o ano inteiro e abençados seriam pessoas melhores? Talvez fosse essa a razão, mas os rapazes, acho que iam tomar banho no poço dos caniços por desporto ou por brincadeira...abençoada!
Mas quem não fosse a banhos no S. João, ainda podia ir no S. Pedro, que tem água benzida todo o dia.
"E esta, hein!"
Até os santos têm as suas diferenças de estatuto!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo António,13 de Junho



Santo António é um santo muito venerado em Portugal, creio que por ter nascido em Lisboa e ser, portanto, português, embora os italianos digam que é de Pádua, a terra onde morreu. Então hoje publico uma foto da imagem existente na igreja da minha terra: Forninhos,
 que se supõe ser a mesma que ficava, em tempos recuados, no altar mor com Santa Marinha e São Sebastião. Actualmente tem honra no altar dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Vestido de franciscano, hábito castanho, Santo António quase sempre aparece de pé carregando um menino no colo, que uma tradição antiga diz lhe ter aparecido sobre um livro grosso, pouco antes da sua morte e, por acaso, é com o menino sobre o livro que se apresenta na nossa igreja matriz.
Feliz Dia de Santo António!

sábado, 9 de junho de 2018

Um lençol esburacado


O monte lembrava um lençol esburacado.
Se a neve derretera aqui, conservava-se emaçarocada além, à volta de sargaços e tojeiras e onde quer que houvesse farfalha.
O sol, às vezes, vinha uma nuvem e cobria-se.
Mas ele voltava a correr alegre e ruivo pelo mundo, mais bonito que o novilho duma vaca ratinha, ainda mamão, a pinchar o prado.
As águas desciam dos altos tagarelas como nunca, e pelas eiras os passarinhos debicavam, muito grulhas, as espigas esbanjadas pelos palheiros.
Havia nuvens e mais nuvens no céu, brancas, rebolonas, em bandos.
Tocava-as um ventinho repontão, e davam ideia de belros de ovelha, carmeados, antes de enfardar.
O mundo era como Lázaro ao atirar com a mortalha aos quintos.
Por toda a parte, caminhos, matos e árvores, a neve derretia.
Pinheiros e carvalhos, se do lado poente continuavam cabisbaixos e oprimidos pelo seu peso, à outra banda erguiam já ramos desembaraçados.
A morte branca rodara por esta vez.

AQUILINO RIBEIRO
O Malhadinhas
(1958)

Bem sabemos que a primavera já chegou e que o verão está aí mesmo à porta, mas como este ano ainda há neve na Serra da Estrela, o sol ainda está timido, escondido e com  medo de dar o ar da sua graça, lembrei-me desta passagem, já que tudo indica que finalmente na próxima semana o céu já vai ficar pouco nublado, o sol vai aparecer e as temperaturas vão começar a subir, para o meio da semana já vamos sentir calor.
A morte branca rodara por esta vez, assim escreve Aquilino nessa obra-prima que é O Malhadinhas.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Dia da criança

Hoje é o Dia Internacional da Criança. A data estabelecida não é uniforme, mas em Portugal, como em muitos outros países, o dia 1 de Junho foi o escolhido e, como este blog vive muito de recordações e memórias, aproveitamos a data para mostrar umas fotos antigas de meninos e meninas de Forninhos que cresceram em diferentes tempos e diferentes mentalidades:

Graça e irmão Luís (já falecidos)


o XicoAlmeida e irmãs: Lurdes e Lena.

o meu pai (Samuel) e irmã (Natália)

João e irmã Augusta (Joana).

Uns partiram, outros cresceram e amadureceram, mas uma certeza fica: as crianças são sempre crianças.

domingo, 27 de maio de 2018

Depois de alguns dias...

Estivemos ausentes por alguns dias, mas estamos de volta para recuperar o tempo perdido. Na verdade, nada se perde. Ganha-se.
Então...no decorrer deste período (cerca de duas semanas, em relação ao último post onde demos conta do programa de festas em louvor do Divino Espirito Santo) o XicoAlmeida colheu umas fotografias das terras agrícolas ao redor de Forninhos,


onde o agricultor colhe o suficiente para ele e família, 
em toda a roda do ano.


Além de boas árvores de fruto, como as cerejeiras, a cultura hortense principal é: 
milho, feijão, batata,

pois a cultura do centeio e trigo, já acabou. Lá aparece -muito raro- uma ou outra leira dele, mas já não é como dantes. Nem admira, o padeiro traz o pão e o trigo à porta.


 Aqui, um exemplar de casebre em granito para animais, arrumações, palhas, etc...


Estamos no fim de Maio. As cerejas começam a ter cor de amadurecimento. 
Alguma dela até já se come...


...por tal facto,  vê-se no cruto das cerejeiras caravelas para espantar a passarada, principalmente, os estorninhos, que nesta altura do ano fazem questão de "ajudar" na colheita.

À beira das casas ainda há latadas (parreiras), 
que fornecem bagos de cachos que se vão defazer no lagar


Mas a sua cultura principal é nas vinhas.

E termino com uma quadra do hino da nossa terra: "No concelho é a primeira/na produção de bom vinho/É uma terra hospitaleira/tem de tudo um bocadinho".

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Festa do Espírito Santo


A festa do Espírito Santo está a aproximar-se...
Este ano terá lugar nos dias 20 e 21 de Maio e podem desde já consultar o cartaz oficial.
Esta festa sempre foi muito importante para nós, mas também para os povos vizinhos de Forninhos, que se deslocam à Senhora dos Verdes para "cumprir o Voto" e darem a sua contribuição, para que a festa, a tradição, não acabe.
Junte-se a nós a realizar esta bonita tradição e rogar a Nossa Senhora protecção para os campos e colheitas.
Não faltará também animação. Estão confirmados os Grupos RHP e  3.ª GERAÇÃO.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Há 160 anos...

Se há coisas que não entendo, é o menosprezo pela  nossa história.
Hoje, 4 de Maio, foi um dia que devia ter sido assinalado, as fronteiras da freguesia de Forninhos continuam as mesmas que foram em 1858 delimitadas pela Câmara Municipal de Aguiar da Beira, feita através das antigas demarcações que são: 
"do Moinho da Gandra ao Leirão da Portela, daqui ao Comareiro da Horta do Clemente que é hoje da Maria Pinta, daqui à passagem das Androas, daqui à Corte do Vale Longo de António Ferreira daí à Corte das Laijeiras dos herdeiros de Francisco da Fonseca Alentejano, daí à Igreja da Senhora dos Verdes, daí às Cortes do Bartolomeu dos Lagarinhos, daí à Figueira do Fontelheiro daí à Levada da Debuinha à do Porto, daí segue estrada abaixo Perdamoira até ao cabo dos Soitos da Gandra e fecha na quelha da Vinha dos Cortiços.".
Ficava proibido entrarem cabras e bodes quer fossem soltos quer presos na Coutada. Por cada cabeça que nela fosse encontrada ainda que fosse nos caminhos por causa dos olivais, pagariam seus donos 120 réis por cada transgressão; ficavam exceptuados destas penas os donos das que fossem encontradas a pastar somente pelas canadas antigas (Cortes da Laja dos Cordeiros e Cortes da Porqueira).
Se há coisas que também não entendo, é  como nos deixamos ser  dirigidos por autarcas que desconhecem aquilo de que nos deveríamos orgulhar, as nossas raízes, a recolha do nosso espólio material e imaterial para ser perpetuado, ou então somos aquilo para que fomos fadados...
Como em muitas terras, a maioria cala-se; os mais velhos ainda por respeito a "pessoas importantes" da terra, um jugo que levam para a cova e por tal pouco ensinaram aos filhos sobre a nossa terra, dos confins de S. Pedro, os povos que há tantos séculos por ali se enfrentarem em renhidas guerras e se foram tantos, como registam as pedras de granito, testemunho vivo de onde descendemos.
E, conforme vamos ouvindo em registos da voz de quem ouviu de quem, a luta pela posse de S. Pedro com os da paróquia de Penaverde, teve registos  sangrentos ao ponto de dizerem que num dia de festa ao S. Pedro de Verona, tal eram os confrontos que o templo começou a ruir e por tal o seu declínio.
A Junta de Freguesia de Pena Verde, em Outubro de 1939, ainda reclamava acerca dos limites entre aquela e Forninhos, pelo que a Câmara resolveu ir ao local a fim de "serem resolvidas as dúvidas que existiam entre os habitantes das referidas freguesias."
Penso não estar a inventar, mas até muitos anos atrás sempre ouvi dizer que a paróquia de Dornelas também exigia a sua delimitação até à ponte do rio Dão (ponte dos Caniços). Felizmente não aconteceu.
E pronto, é o que vai sobrando da nossa história, pois datas comemorativas são as mesmas, haja pão e coza o forno, no último domingo do mês, festa no Centro, dia da freguesia (imposto), comes e bebes, etc...mesmo que sintam que persiste uma rotina nessas comemorações!
Pena que ninguém se tenha interessado pelo dia de hoje, pena que ninguém se tenha interessado pelo dia 2 de Dezembro de 2017, em que fazia 220 anos em que a nossa igreja matriz, havia sido benzida. Eu falei com o Sr. Padre e nada ligou, o bispo estava doente e depois me falaria, até hoje, devia andar a rezar missas à dúzia.
Depois dizem que tudo se acaba... 

Cruz que delimita Forninhos e Penaverde

Marco divisório de propriedade?

Cruzeiro divisório (da Sapa) Forninhos-Dornelas