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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Marrã, um prato típico das feiras



E antes que Agosto finde, lembrei-me de divulgar neste meio de comunicação um prato típico das feiras, a marrã. Para quem não sabe, o termo marrã designa a bácora que já deixou de mamar ou simplesmente a sua carne. O termo é bastante antigo, mas caiu em desuso na década de 70 do século passado e passou a ouvir-se mais o termo comer febras na feira, do que marrã. No entanto, nos dias que correm a “Feira Nova”, que se realiza na 1.ª Quarta-Feira do mês e 15 dias depois, no Mosteiro, não muito longe de Forninhos, ainda é conhecida como um bom local para comer a tradicional marrã. Esta feira chama-se nova, mas é uma das feiras mais antigas da nossa região, só como começou depois da feira anual do Mosteiro, conhecida por "Feira dos Vinte", realizada no dia 20 de Janeiro, passou a designar-se por "Feira Nova", que até 1941 era mensal. 

Ingredientes:
Carne fresca de porco (ou porca) da barriga com coiro, banha, alhos e loureiro, vinho tinto, sal e colorau.
Preparação:
Corta-se a carne em pedaços pequenos, deixando o coiro agarrado. Frita-se a carne na banha e tempera-se com sal e colorau. Junta-se alho e loureiro. Quando a carne estiver loira rega-se com vinho tinto e deixa-se ferver até apurar.

16 comentários:

  1. Aqui está um prato que ainda não tive o prazer de provar, já fui de prepósito à Feira Nova para o poder degustar, mas, naquele dia o Zé Pequeno, (assim se chama a pessoa que percorre todas as feiras e mercados da zona, que alem deste tem outros tipos de pratos ) não o fez e lá fiquei eu sem saber que prato era, mas por esta foto e pela descrição do prato, em tempos a minha mãe preparava um prato muito parecido com este.
    Marrâ na minha terra é uma porca grande, que já pariu uma ou duas vezes, já os porcos são conhecidos como barrascos, uma vez que já estiveram com uma porca, mas a carne destes animais não é saborosa, pois tem um sabor muito forte, para se poder comer a carne deste animal, o mesmo tem que ser capado e só depois de algum tempo é que ele pode ser abatido, e depois consumido.
    Ainda não perdi a esperança de um dia vir a provar a CARNE DA MARRÃ.

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    1. Obrigada João Seguro, pelos dados aqui apresentados. Segundo o Grande Dicionário da Língua Portuguesa tanto os termos barrão ou varrão e barrasco ou varrasco (do latim verres), assim como os vocábulos marrão ou marrano são sinónimos de porco, sendo que os primeiros três são usados para designar um porco novo que serve de reprodutor e marrão ou marrano refere-se a um porco já crescido, que deixou de mamar. Os termos marrã ou marrana (porca nova que deixou de mamar) são o feminino de marrão ou marrano.
      Também li que José Saramago, em “As Pequenas Memórias” escreveu a palavra barrã com o significado que nós conhecemos para marrã, ou seja, porca. O termo barrã corresponderá ao feminino de barrão. Regionalismos? Não sei. O que sei é que estes termos antigos fazem também parte da história de uma terra e devem ser registados.

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  2. Oi Aluap...

    Saudadesssssssss de ti,ando com menos tempo ainda para passear pelos blogs preferidos,mas hoje este foi logo um dos primeiros.
    Não conheço este prato,nunca tinha ouvido falar,mas parece delicioso.Estas comidas tipicas são deliciosas,aqui em Minas Gerais,temos o TUTU A MINEIRA,ando a procura de restaurantes tipicos so para experimentar.
    Beijim
    Deusa
    vasinhos coloridos

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  3. Bastante curioso o prato, grata por mostrar a sugestão culinária. Um abraço, Yayá.

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  4. Paula,

    Que delicia que deve ser o marrã, que não conhecia.
    Só pela foto e receita já posso imaginar.
    Mais uma coisa que aprendi aqui no seu blog.

    No post anterior esqueci de comentar que a Rainha ficou muito linda na cadeira da Rainha. Rs

    Beijos

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  5. Caras amigas e restantes leitores assíduos, também eu não conhecia o prato da marrã, ou seja, conhecia tão só como carne de porco frita. Há coisa de 3 anos é que comecei a ouvir em Forninhos o termo, ao tio Zé Coelho, mas com certeza ainda há quem não saiba (dos mais novos) o que é marrã, nem o significado! Da minha parte, um agradecimento ao forninhense Zé ‘Pequeno’ que ainda serve e dá a conhecer este prato típico nas feiras. Já lá a comi por duas vezes(no ano passado e este ano) e quanto a mim sabe bem melhor no tasco da feira, do que em casa. Alias a foto foi tirada este Agosto na "Feira Nova".
    Quanto à receita, alguns dados podem não estar correctos, já que a banha nos dias que correm pode estar já a ser substituída por azeite ou mesmo óleo. Mas originalmente a confecção era feita com banha.
    Caso queiram partilhar outros termos antigos e pratos típicos, enviem fotografias ou texto para o meu email e todos ficaremos mais conhecedores da nossa culinária e vocabulário típico.

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  6. Voce e mesmo mazinha, entao vem aqui mostrar-nos essa rica travessa de marra, sabendo que muitos como eu so a podemos comer com a testa!
    Deixando de brincar, muito bonita esta entrada que nos fala das nossas tradicoes e historia!
    Eu sei que voce sabe, mas ja agora queria fazer uma pergunta aos outros leitores: Quem sabe porque razao a Feira Anual de Penaverde (Mosteiro mais propriamente)se chama "Feira dos Vinte"?

    Um abraco de amizade!

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    1. A “Feira dos Vinte” é capaz de ser a mais antiga feira das redondezas, porém caro amigo, creio que podemos esperar sentados. Provavelmente os leitores que conhecem esta feira acham que se chama “dos vinte” porque se realiza no dia 20 de Janeiro. Poucos sabem que em outro tempo esta feira anual foi conhecida por feira de São Sebastião.
      Gostaria de lhe perguntar uma coisa: alguma vez ouviu na nossa zona o termo gorazil (termo que também designa o bácoro ou a sua carne)?

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  7. Eu cheguei a comer a carne da marrã quando ia às feiras com os meus pais, é um prato muito saboroso que já não como há muitos anos, quando vou a Forninhos normalmente vou sempre à feira nova, mas andamos sempre à pressa a fazer as compras por isso ainda não tive o privilégio de voltar a comer a carne da marrã, talvez para a próxima vez que for à feira volte a comer esta deliciosa carne.

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    1. Ao menos tu desde criança que conheces a carne da marrã. Eu vivi a minha infância e adolescência em Forninhos e nunca ouvi falar da marrã e nem fazia a mínima ideia de onde vinha esse nome.
      Ide lá almoçar numa Quarta-Feira de feira e já agora, podem convidar-me também;) eu gosto :)) mas com pão.

      Bom fim de semana.

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  8. Tambem eu so conheço a marrã à cerca de 2 ou 3 anos,e foi da boca do tio Zé Coelho que ouvi,depois perguntei aos meus pais para me dizerem o que era,mas para ficar a saber realmente o que é, tem que se ir à feira nova e ir logo o Zé pois é ele e a sua equipe de choque os especialistas, esta da foto foi là comida este verão e eu ajudei,agora para ti Maria quando se vai à feira nova não se pode andar com pressas,ir là e vir almoçar a casa é um pecado lol,pois a maior parte das pessoas que vai a essa feira é para isso mesmo,para passar um bom momento a comer seja a marrã, uma boa entremeada,ou até uma chouricinha assada,acompanhada daquele pão fresquinho e claro uma boa pinga, a boa disposição do Zé (pequeno)tambem contribui para esses momentos maravilhosos,bom fim de semana.

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    1. David por mim cada vez que fosse à feira nova ou a outra feira qualquer comia sempre por lá, porque eu gosto de comer nas feiras ao ar livre, mas como quando vou às feiras vou sempre acompanhada e nem todos os que vão comigo gostam de comer nas feiras, acabo sempre por ir comer a casa, para o ano temos que combinar para lá comermos a carne da marrã, que já não como há muitos anos e já tenho saudades, eu até pensava que com o passar dos anos essa carne já nem se fazia nas feiras, mas pelo que vejo esta é uma tradição que ainda não acabou. Ainda bem.

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  9. É verdade. O prato da marrã ainda resiste e o termo ainda se ouve da boca dos mais velhos. Mas é pena que daqui a algum tempo, quando essas pessoas mais velhas faltarem, os mais jovens pouco saibam do que foi a sua vida. Hoje olho para trás…e tantas que já partiram. Outras, embora presentes, devido ao avançar da idade já mal nos conhecem e mesmo à nossa observação já pouco sabem contar.
    E sabendo as novas gerações tão pouco da história local (já não falo da história pátria) será que são capazes de ajudar a memória dos mais velhos?
    É certo que saberiam muitíssimo menos da nossa história e tradições se não existisse este blog a lembrá-la!

    Bom domingo.

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  10. Curioso e me pareceu muito saboroso. Aprendo sempre que caminhos por este seu espaço, Paula. Abraços com saudades.
    Gilson.

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  11. Realmente o termo "gorazil" nao me e estranho!

    Entao quanto a pergunta que fiz, como disse nao era para si, assim ja todos sabem!!!

    Lolololololo.

    Mas se calhar ate tem razao, podia esperar sentado!

    Um abraco de amizade.

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  12. Sabe amigo Cardoso, mesmo assim estou certa que os leitores a que nos referimos pouco ou nada saibam sobre as tradições e história à volta desta feira. Têm por hábito esperar (sentados) que os comentários apareçam por obra dos outros!
    Depois, acho que em Forninhos ninguém jamais se preocupou, nem se preocupa verdadeiramente com isto, toda a gente chama de “Feira dos Vinte” à tal feira de São Sebastião. Mas nós sabemos que ambas as feiras do Mosteiro estão relacionadas com o mártir. O terreno onde é feita a Feira Nova e creio que também as carvalhas, ou, ao tempo, só o seu rendimento, foi doação de um fidalgo para a feira do mártir, dia 20 de Janeiro, o dia de São Sebastião.

    Bem-haja e um abraço amigo.

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