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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cruzeiro dos Centenários

São fotografias antigas como esta que ajudam a contar a nossa história colectiva e local. Nesta encontram-se familiares meus: o meu pai e primos Tónio 'chispas' e João Albuquerque, que me cedeu a fotografia a preto e branco, tirada em Forninhos, junto ao Cruzeiro, no dia 15 de Agosto de 1966. Bem-haja primo João.
aspecto do Cruzeiro e local em 1966...ao fundo uma palheira e cerdeira 

Em 1940 o Estado Novo Português decidiu comemorar os centenários nacionais e uma das formas dessas comemorações foi a edificação de Cruzeiros por este país fora. Não é de admirar a construção de Cruzeiros nessa altura, pois a Igreja Católica como bem sabemos, sempre andou de mãos dadas com o Estado, aliás, ainda hoje na 'santa terrinha', anda abraçada ao 'poder' em quase tudo. Mas adiante...também foi erguido um em Forninhos, de linhas mais ou menos modernas, onde se pode ver as datas de 1140 (Fundação do Reino de Portugal), 1640 (Restauração da Independência) e 1940 (ano dos Centenários: VIII Século da Independência e III da Restauração) e dentro do nicho uma imagem de N. Sra. da Conceição, Padroeira de Portugal. 
Ao cimo da ladeira/palheira havia um outro com uma cruz numa pedra tosca. Desapareceu quando foi edificado o cruzeiro dos centenários construído em granito (tipo de pedra predominante em toda a Beira Alta), no entanto, nota-se neste 'instantâneo' que a nossa gente decidiu tapar a pedra com tinta branca ou cal, todavia foi tirado o branco algures pelo final da década de 70, do século passado. Desculpem não fazer uma descrição mais pormenorizada, mas podem observá-lo melhor na fotografia  abaixo:


aspecto actual do Cruzeiro


Cruz de Cristo
Cruz das Velas
Das antigas Caravelas
Contra as ondas sobre o mar
Cruz das Batalhas sangrentas
Sinal de Paz nas tormentas
Astro da noite sem luar.


Segundo informação, terá sido inaugurado e benzido pelo Sr. Pe. Albano, no dia 1 de Dezembro, feriado civil, que no ano de 1940 calhou a um domingo ou no dia 8 de Dezembro, feriado religioso na altura do Sr. Pe. Albano, pois nesse tempo davam muita importância à religiosidade. Foi uma festa solene, com missa no local, sermão e recitação de poesias de índole patriótica, por crianças que nesse tempo frequentavam a "escola velha" (1.ª até à 4.ª classes) como "Cruz de Cristo, Cruz das Velas, Das antigas caravelas...". 
É neste Cruzeiro onde, anualmente, no Domingo de Ramos é feita a bênção dos ramos.

12 comentários:

  1. Felizmente retiraram-lhe a pintura!

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    1. Felizmente, felizmente mesmo!
      Outrora era costume tapar as pedras com cal, mesmo algumas casas eram rebocadas a cal, o que dava um toque de mais claridade às ruas, no entanto, hoje a nossa gente já deixa a pedra à mostra, ainda bem.
      Mas são mesmo as fotos antigas que nos podem levar ao passado, este local é hoje conhecido por “Largo do Poder Local” e é composto pela Sede da Junta de Freguesia (antiga escola primária), Fonte Velha (ou Fonte da Lameira) e Cruzeiro dos Centenários. A paisagem ao fundo hoje é diferente, mas tanto a rua, como o largo são os mesmos, embora melhorados. O Cruzeiro também é o mesmo, mas melhorado também. A fonte é que mudou para pior, mas isto digo eu!
      Quanto à história deste monumento, como pode ver escrevi «1140 (Fundação do Reino de Portugal)». Diga-me uma coisa: segundo reza a história, D. Afonso Henriques não começou a assinar “Rex” (Rei) em 1139? E não foi em 1143 que o Rei de Leão e Castela nos reconheceu independência?
      Espero a sua ajuda para melhor entender o porquê de constar o ano de 1140. Será por semelhança? Proximidade?

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  2. Paula,

    As fotografias são relíquias. Pena que nos dias de hoje, perdemos o costume de revelar devido a era digital.

    Essa foto é muito preciosa. Que ela seja guardada para que muitos saibam mais sobre o cruzeiro.

    Uma lindo e abençoado dia. Beijos

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  3. É verdade. Tanta coisa mudou em pouco tempo na vida das pessoas! Ainda há quem revele fotografias, mas isto comparado com há 10 anos é uma gota de água.
    Sobre a história e memória de Forninhos não existe nenhum escrito (por enquanto), por isso, é sempre muito interessante para mim a ginástica histórica que faço ao observar uma fotografia antiga, porque é este tipo de ‘memória’ que me permite apresentar factos que marcaram a vida da minha querida terra natal ao longo das últimas décadas.
    Se as gerações mais novas pouco sabem da história deste monumento, tal deve-se ao desinteresse demonstrado desde sempre pela nossa história. Espero, contudo, que ao abordá-la aqui, os jovens (e menos jovens também), percebam o porquê da construção deste Cruzeiro, em Forninhos.

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  4. Nunca cheguei a conhecer o cruzeiro de outra forma, sempre o conheci tal como ele é, ainda bem que as fotos existem para nos mostrar, como a terra em que vivemos e conhecemos nem sempre foi como é, mesmo os mais antigos só se recordam depois de ver a fotos, as datas de 1140 e 1640 sei a que se referem, mas agora já sei o porquê a data 1940, aprender até morrer.

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    1. João,
      Eu sempre digo que as fotografias antigas são documentos valiosos, que nos ajudam a contar a nossa história local, mas no caso, estes cruzeiros edificados no ano de 1940 também nos lembram a história da nossa pátria, só que por incrível, são as gerações mais velhas quem melhor conhecem o significado do Cruzeiro dos Centenários! O teu sogro (e meu tio) era uma dessas pessoas. No dia 01 de Agosto de 2010 contou-me tim-tim por tim-tim a história dos centenários nacionais e foi o primeiro a falar-me do cruzeiro desaparecido.
      Ultimamente como se fala bastante do feriado de 1 de Dezembro (feriado nacional, por enquanto), sou de parecer que os mais novos já melhor entendem a data de 1640.

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  5. Cara Paula:
    Estes cruzeiros dos centenarios foram construidos por todo o lado em 1940, para celebrar a restauracao da independencia de Portugal, que como sabemos aconteceu no dia 1 de Dezembro de 1640. Foi entao que o governo de Salazar, decidiu colocar tambem ai a data de 1140, talvez por aproximacao, porque realmente D. Afonso Henriques, comecou a assinar como rei desde 1139, como bem diz!
    Na serra de Infias existe um tambem um muito interessante e bastante maior! (hoje incorporado num parque, onde existe tambem, um novel monumento a Santa Luzia! A igreja e o poder local sempre em conjunto!)Nesse cruzeiro de Infias para alem das datas de 1140, 1640 e 1940, encontram-se gravados todos os continentes; Europa, Africa, America, Asia e Oceania!
    Se nao conhece e um sitio que recomendo!

    Um abraco de amizade.

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    1. Bem-Haja.
      O da freguesia de Penaverde acho que também tem gravados todos esses continentes e a inscrição: “1940 - VIII Século da Independência e III da Restauração” e assemelha-se mais com o de Infias, do que com o de Forninhos.
      Quanto à união Igreja Católica/Poder Local, se soubesse o que se passa por Forninhos “até se passava”! Só visto, contado, ninguém acredita, como se diz geralmente.

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  6. Ao ver esta fotografia vejo como Forninhos mudou, não me lembro da palheira nem da cerdeira mas lembro-me desse terreno sem a casa que agora lá existe. Do cruzeiro também só me lembro dele como é agora. Como lá dentro está a imagem da Nossa Senhora da Conceição, será que este cruzeiro foi inaugurado no dia 8 de Dezembro? Que é o dia da Nossa Senhora da Conceição e antigamente era o dia da mãe?

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  7. Boa noite .Eu so me lembro do cruzeiro como esta agora, mas nao sabia que era Nossa senhora da Conceição que estava la dentro fico agora a saber .As coisas mudaram para melhor. Gosto muito da primeira fotografia .

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  8. Olá Paula. Os cruzeiros dos centenários são do mesmo ano em que em Lisboa se realizou a Exposição do Mundo Português, pensada por Salazar para sublimar as ideias imperialistas que naquele tempo dominavam. Podemos comparar esta exposição à mais actual Expo 98, só que aconteceu enquanto o resto da europa se matava mutuamente. Por isso os cruzeiros foram também uma forma de se festejar o facto de que, com uma história tão rica, nos bastávamos a nós mesmos, costas voltadas, numa humilde casinha onde um pai severo mas atento nos queria pobres, honrados e orgulhosamente sós. Para mim os cruzeiros não significam grande coisa, mas gosto que se guarde uma parte do que testemunha a nossa identidade coletiva, seja ela qual for. Obrigado pela partilha Paula.

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  9. Fico muito satisfeita com o seu comentário António. Para mim este cruzeiro também pouco significa, mas neste meu trabalho tento acima de tudo relembrar a história dos forninhenses. Mas gosto muito de 'post´s históricos' e enche-me de orgulho este trabalhito :)))

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