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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Comemoração do Jubileu das almas

É preciso recuar até 17 de Julho de 1927 para encontrar os primeiros registos da realização das cerimónias com mais ênfase da Irmandade de Santa Marinha - o jubileu das almas. Todavia, a hipótese destas celebrações serem mais antigas é bastante plausível, não existindo contudo documentos que o comprovem.


A Paróquia de Santa Marinha de Forninhos vai levar a feito, uma vez mais, a 17 de Julho as tradicionais cerimónias do Jubileu, que se iniciam com confissões para todos, seguindo-se a cerimónia jubilar às 19h30, com uma procissão no adro da igreja.
As comemorações continuam no dia 18 de Julho (dia de Santa Marinha), pelas 10h00 com a celebração da eucaristia em honra de Santa Marinha seguida de procissão à volta do povo. Nesta procissão, um singelo andor transporta a imagem da virgem mártir e durante este pequeno percurso, são entoados os cânticos "Salvé Nobre Padroeira" e "A Vós hoje recorremos/Ó Virgem Santa Marinha".
Dantes o dia 18 de Julho também era o dia da catequese e o dia  da Associação Recreativa e Cultural de Forninhos. E, houve a tentativa por parte de um presidente de junta, no ano de 2010, de fazer do dia 18 de Julho o dia da Junta de Freguesia, mas foi sol de pouca dura e ainda bem, pois desde 1911 que existe no nosso país a lei da separação entre a igreja e o estado e este não se deve meter na igreja, nem esta nele. 
"O seu a seu dono"! Graças a Deus esta festa é só religiosa e não festa organizada pela Junta.
Continua, assim, a Mesa da Irmandade a  organizar todos os anos, para todos os irmãos desta Instituição, a Festa de Santa Marinha e mandar celebrar anualmente o aniversário ou o jubileu das almas (artigo 18.º, pontos 6 e 7 dos Estatutos Gerais). 
Bem-Hajam.
Manter vivas as tradições, que são a nossa referência é um BEM CULTURAL.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O berço da Lameira



Fixem este casal, a Senhora Maria da Urgueira e o Senhor Luis da Coelha.
Vou tentar ter o máximo cuidado, para os descrever e aflorar um pouco da suas vidas, sofridas até quase ao extremo. Pobres,  chegaram aos treze filhos  e tais foram alimentando da forma madrasta que a vida lhes acudia mas dignamente, sem nada roubarem e aceitando o que vinha por bondade.
Talvez tenha havido algum arrojo desmesurado da minha parte em trazer aui e agora este tema.
Mas explico:
Tanto tenho escrito sobre o Largo da Lameira e suas envolvências e agora que vem uma festa grandiosa, estas Gentes não ficam no registo?
Peco por não ter estórias e quem as tiver bem-vindas serão, mas ainda me lembro de tantas vezes ver o forno dela a cozer e ouvir dizer que o tio Luis tinha apanhado mais uma lebre à pedrada ou com o sacho.
Quem enchia a Lameira de alegria, gritos e confusão?
Agora que vou perguntando por aí sobre esta família, os mais velhos recordam  gente sofrida mas nobres que deram a volta á vida sem esquecer de onde vieram.
Foi assim que Forninhos se foi construindo, a pulso no respeito!
Digam bem, digam mal, um dia gostaria imenso de contar a história desta família que tanto respeito.
Maior respeito tem para mim, quem dirimiu uma vida inteira na pobreza que o maior rico na riqueza!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Mulheres que lavam no ribeiro

Não me recordo de ver as mulheres lavar a roupa no rio do Salto (também conhecido por Poço dos Caniços), mas sei que há algumas décadas era um cenário habitual ver mulheres lavarem roupa nos diversos afluentes do rio Dão, dando um colorido engraçado às margens com as peças que ali coravam.
Nos lavadouros dos ribeiros, aí sim, recordo ver mulheres, com experiência adquirida na prática diária, a lavar a roupa à mão, de joelhos num farrapo velho ou numa tacoila para não se molharem.


Água fria da ribeira/água fria que o sol aqueceu.
Velha aldeia/traga a ideia, roupa branca que a gente estendeu.
Três corpetes/um avental/sete fronhas/um lençol/três camisas do enxoval que a freguesa deu ao rol.
Ó rio não te queixes/Ai o sabão não mata/Ai até lava os peixes/Ai põe-nos cor de prata.


Também ainda há lembrança das barrelas.
- Bem ensaboada a roupa era posta, em camadas, num canastro de vime, e tapada com panos de estopa com cinza; por cima era regada com água a ferver.
- No dia seguinte era então lavada de novo e, se por acaso alguma nódoa não saiu, lavavam-na novamente e ficava a corar nas lenteiras dos ribeiros.
Hoje esta tradicional tarefa não passa de uma memória.

Fotos: lavadouro do ribeiro dos Moncões, Forninhos, 2011.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Hoje não há Festa de S. Pedro

Em Forninhos o dia 29 de Junho já foi "dia santo de guarda", se calhar porque estava ainda na lembrança do povo que S. Pedro foi o nosso primitivo padroeiro. Pelo menos o catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros do reino de Portugal e Algarves dá-nos conta que em 1320-21 todas as igrejas que tinham S. Pedro por padroeiro estavam sob o patrocínio do Apóstolo.
Mas outra informação, memórias paroquiais de 1758, dá-nos conta que a festa era no dia S. Pedro de Verona e no dia da Ascensão.
Seja como fôr, sempre se diz que entre santos de nome popular nem sempre o povo sabe distinguir-lhes a identidade; há casos em que os fiéis celebram a festa de S. João Baptista em capelas cujo titular é, segundo a imagem, o Evangelista. Por exemplo.


A capela de S. Pedro ruiu, mas no século XX no dia 29 de Junho, da parte da manhã, ainda havia missa em honra de S. Pedro e durante a tarde a  mocidade montava o pinheiro para arder à noite no largo da Lameira ali junto ao café do Sr. Virgílio. E havia bailarico, claro, pois havia um altifalante por cima da porta da entrada do café, que se ligava ao rádio e, mais tarde, a um gira-discos.
Hoje não há festa de S. Pedro.

domingo, 24 de junho de 2018

Hoje é dia de água abençoada



Hoje é dia de ir ao banho, pois o S. João tem água benzida até ao nascer do sol. 
Havia em Forninhos a tradição dos rapazes ir mergulhar à meia-noite no poço dos caniços (rio Dão) e ao que parece outras pessoas também se banhavam antes do sol nascer. Uma vez que se levantavam de madrugada para ir para as terras, para estarem lá antes do nascer do sol, antes de iniciarem as regas no campo, banhavam-se nas poças e presas, naturais ou feitas pelo Homem e só depois é que as abriam. Ficavam abençoados para o ano inteiro e abençados seriam pessoas melhores? Talvez fosse essa a razão, mas os rapazes, acho que iam tomar banho no poço dos caniços por desporto ou por brincadeira...abençoada!
Mas quem não fosse a banhos no S. João, ainda podia ir no S. Pedro, que tem água benzida todo o dia.
"E esta, hein!"
Até os santos têm as suas diferenças de estatuto!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo António,13 de Junho



Santo António é um santo muito venerado em Portugal, creio que por ter nascido em Lisboa e ser, portanto, português, embora os italianos digam que é de Pádua, a terra onde morreu. Então hoje publico uma foto da imagem existente na igreja da minha terra: Forninhos,
 que se supõe ser a mesma que ficava, em tempos recuados, no altar mor com Santa Marinha e São Sebastião. Actualmente tem honra no altar dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Vestido de franciscano, hábito castanho, Santo António quase sempre aparece de pé carregando um menino no colo, que uma tradição antiga diz lhe ter aparecido sobre um livro grosso, pouco antes da sua morte e, por acaso, é com o menino sobre o livro que se apresenta na nossa igreja matriz.
Feliz Dia de Santo António!

sábado, 9 de junho de 2018

Um lençol esburacado


O monte lembrava um lençol esburacado.
Se a neve derretera aqui, conservava-se emaçarocada além, à volta de sargaços e tojeiras e onde quer que houvesse farfalha.
O sol, às vezes, vinha uma nuvem e cobria-se.
Mas ele voltava a correr alegre e ruivo pelo mundo, mais bonito que o novilho duma vaca ratinha, ainda mamão, a pinchar o prado.
As águas desciam dos altos tagarelas como nunca, e pelas eiras os passarinhos debicavam, muito grulhas, as espigas esbanjadas pelos palheiros.
Havia nuvens e mais nuvens no céu, brancas, rebolonas, em bandos.
Tocava-as um ventinho repontão, e davam ideia de belros de ovelha, carmeados, antes de enfardar.
O mundo era como Lázaro ao atirar com a mortalha aos quintos.
Por toda a parte, caminhos, matos e árvores, a neve derretia.
Pinheiros e carvalhos, se do lado poente continuavam cabisbaixos e oprimidos pelo seu peso, à outra banda erguiam já ramos desembaraçados.
A morte branca rodara por esta vez.

AQUILINO RIBEIRO
O Malhadinhas
(1958)

Bem sabemos que a primavera já chegou e que o verão está aí mesmo à porta, mas como este ano ainda há neve na Serra da Estrela, o sol ainda está timido, escondido e com  medo de dar o ar da sua graça, lembrei-me desta passagem, já que tudo indica que finalmente na próxima semana o céu já vai ficar pouco nublado, o sol vai aparecer e as temperaturas vão começar a subir, para o meio da semana já vamos sentir calor.
A morte branca rodara por esta vez, assim escreve Aquilino nessa obra-prima que é O Malhadinhas.