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sábado, 6 de janeiro de 2018

Falsa notícia

O Jornal "+Aguiar da Beira" na sua edição n.º 90, de 9 de Dezembro de 2017, contém um roteiro em forma de mapa com os pontos patrimoniais mais relevantes da freguesia de Penaverde e noticia, pasme-se! que "Pena Verde" é a única freguesia do Concelho de Aguiar da Beira com vestígios de presença romana!!!
Da notícia, expomos o essencial:
- O mapa foi lançado em setembro último;
- O Presidente da autarquia local, já havia adiantado, na sequência da iniciativa "Conversa com História", realizada há cerca de um ano a criação de um roteiro em forma de mapa;
-Pena Verde agora passa a estar cartografado num mapa com os mais diversos pontos de interesse patrimoniais, religiosos e históricos.
- O objectivo é despertar a comunidade local para a importância que a história e o património podem ter no desenvolvimento da freguesia e de todas as famílias, com a atração de turistas e surgimento de novas oportunidades de investimento.
Muito bem! Palmas para o Presidente da Junta de Freguesia de Penaverde, Sr. Armindo Florêncio.
Mapa publicado no Jornal "+Aguiar da Beira"

Só que do que li, ocorre-me dizer que a notícia é falsa e é pena que quem representa Forninhos não faz nem diz nada e a Aquilaris, idem!
Sim, porque se quem representa Forninhos e as pessoas que lhes deram legitimidade para tal, não se importam com o nosso património, o concelho tem uma Associação de defesa do mesmo, a Aquilaris -Património Vivo Aguiar da Beira, tem o dever de defender o que pertence à freguesia de Forninhos e sabia disto desde a "Conversa com História"a 16 de Novembro de 2016 e não fez/faz nada.
Quem estiver interessado pode ver no facebook, na página da Aquilaris -Património Vivo Aguiar da Beira as publicações dessa data e saberá quem "de Forninhos" lá anda a defender o nosso património. 
A freguesia de Penaverde, nem de perto, nem de longe, é a única do Concelho de Aguiar da Beira com vestígios de presença romana e o povoado de S. Pedro (sem os Matos) não pertence (oficialmente) há mais de 150 anos à freguesia de Penaverde. Foi a 4 de Maio de 1858 que a Câmara de Aguiar da Beira decidiu que o S. Pedro (território) é de Forninhos e não de Penaverde. A disputa não foi pacífica, mas ficou assente que o lado deles (Penaverde) a serra chama-se Gralheira e o nosso lado (Forninhos), chama-se S. Pedro sem os Matos.  Gosto de sublinhar isto porque em Penaverde é que o lugar de São Pedro é conhecido por "São Pedro dos Matos" ou "São Pedro de Matos". Já o referi aqui n' O Forninhenses vezes sem conta, mas como vozes de burro não chegam ao céu...volta e meia aparece esta designação não só nos roteiros turísticos, mas também nas monografias locais - até na de Forninhos, infelizmente!
Desde que o Director do Jornal de Aguiar da Beira Manuel de Sá faleceu (em 2009) que este Jornal nunca mais foi o mesmo e é de lamentar que se lamente o que não deveria se estar a lamentar.
Nota negativa para o "+Aguiar da Beira".
Mas pior é deixar incluir o povoado de São Pedro no mapa de Penaverde!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Novo ano de esperança para todos



Uma por entre tantas  árvores da nossa terra.
Especial por a ter visto moribunda pela seca deste ano na entrada  dos pinheirais.
Hoje passei por lá e por entre o frio e umas réstias de sol, estava carregada de pardais cantarolas e fugidios.
Pensei: " ..mais um ano já o temos..." e registei, sem os apanhar.
Certo e tal como eu, a gente olha e lembra quem por ela passou, pessoas velhas carregadas de dignidade, acoitadas no inverno e no fresco do verão.
No fundo o ciclo da vida, expresso na mãe natureza e que aqui desejamos a todos que sejam prenhes no maior dos frutos: felicidade.
Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Cêpo de Natal do meu avô


Na casa dos meus avós maternos, o meu avô Antoninho todos os anos na véspera de Natal fazia um cêpo na sua lareira. Não ficava a arder até ao Dia de Reis, mas deveria ficar incandescente durante a noite...e ele, explicava pacientemente e de modo ternurento que tal era um costume antigo para aquecer o Menino que nascera no frio.
Este ano lembrei-me do cêpo que o meu avô zelava com tanto carinho e trouxe o calor das brasas e a luz e cores do lume para que a beleza das tradições e conhecimentos dos antigos seja preservada e nos sirva para nos tornarmos melhores pessoas.
E, como no ano anterior e no outro antes desse...Desejo-vos um BOM NATAL!!!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Postal de Natal

"Até ao noitecer era um dia igual aos outros, vinha a gente enregelada da apanha da azeitona durante o dia e pela frente havia que ordenhar as vacas, acomodar o porco e só depois de tudo isto, começar a preparar a ceia - especial pois claro - era o dia antes do Natal e havia que cumprir com a tradição: couves, batatas e bacalhau, mas este para quem o tinha...!".

Contado de viva voz  de quem ainda era criança ao tempo 
(por volta dos anos quarenta)


Quem me fez tal narrativa, que agradeço, tem ainda a memória da escassez do bacalhau no pós guerra e do tempo da candonga em que houve por parentesco e amizade ir à estação de Fornos buscar as peixotas de bacalhau e o mais que podia compor uma boa consoada. Tinha um bom cargo no depósito de fardamento da Boa Hora em Lisboa e que não esquecia os seus, correndo os riscos inerentes. 
Louvo esse senhor cujo nome fica comigo.
Mas havia quem bem se aviasse no racionamento da guerra, não fossem eles orientados em parte pela igreja, especialmente um padre de má memória para a terra, através de senhas, de manhã para os pobres e da parte da tarde para os ricos e seus familiares...comer, fechar os olhos e calar!
Voltando à ceia...
"A gente tinha guardado um pouco de leite de ovelha (que valia dinheiro, mas dias não eram dias) e fazíamos as fritas e arroz doce e claro, as filhoses de pão e depois quem quisesse ia pela meia noite à missa do galo. Das coisas mais bonitas o cantar ao Menino".
E à minha pergunta: os sinos tocavam? 
"Pouco, um bocadito, pois os padres viviam ao lado e não queriam ser incomodados...".
Dia a seguir, o Natal!
Borrego temperado de véspera, tudo o que a matança do porco havia dado, frutos secos do que a terra dava e se partilhavam por quem não tinha, tal como o que quase parece um conto real que me fizeram chegar por no dia anterior lhe faltar a pequenez da abundância. 
"Na noite de consoada fui ver como estava aquela senhora idosa cujo nome já te disse. Estava em volta à fogueira com uma panela de ferro a ferver batatas e couves, mas bacalhau, nem vê-lo. Arranjei três rações de bacalhau e consoei com ela, trazendo na volta uma malga de figos secos, foi um belo Natal".
Assim o espero para todos vós!  

domingo, 10 de dezembro de 2017

O barrete

A figura do Pai Natal levou-me há meia hora atrás, neste domingo de vento muito frio a uma pesquisa no Google para as palavras "gorro/carapuço/barrete".
E eis que dou comigo a lembrar o barrete, uma peça de vestuário muito utilizada em Forninhos pelos homens de antigamente: tio Mosca, tio Alberto Janela, tio Francisco Ferreiro, tio Luís Pego, tio Figueiró, tio Joaquim Moca, etc...



Feito de pano grosso, geralmente de cor preta (não estou a falar do dos campinos ou dos do Pai Natal), possuía uma virola que circundava toda a abertura e terminava numa borla.
Enterrado até às orelhas e muitas vezes enfiando-as dentro dele, o barrete tanto caía sobre o ombro, como poderia pura e simplesmente estar colocado para trás. Era ao gosto de cada um.
Agora o que eu não sabia!
Tinha um forro solto e no fundo "do saco" aglomeravam-se as mais diversas utilidades que a cada homem diziam respeito...era uma "algibeira" onde se juntava uma ou outra parca moeda para remediar algum imprevisto, a onça do tabaco, o caderno das mortalhas para o enrolar,  por vezes o próprio lenço de assoar e sei lá mais o quê...!
Cabia "tudo" no barrete bem guardado e sempre à mão, para além de preservar o frio!
Falando em "algibeira", não posso deixar de me referir também ao avental e lenço da cabeça que as mulheres de Forninhos usavam; o avental também servia de mala e porta-moedas: possuía duas algibeiras, uma de cada lado e que serviam para meter o lenço de assoar, o dinheiro para os gastos, os rebuçados...
O avental e o lenço de cote usados no dia-a-dia, também serviam de cesto para apanhar cachos e outra fruta, tal como vaiginhas e feijões, etc...
Esta forma prática e sem complicações de se viver, penso que acabou por terminar talvez no início dos anos 90.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Cantar o Natal

O Advento é o tempo de  "gestação", em que se prepara a vinda de Jesus, por isso, se diz nesse tempo na Igreja: "Maranatha!" Vem, Senhor Jesus! E, tendo em conta que o Natal é celebrado sempre no dia 25 de Dezembro, começa exactamente quatro domingos antes do Natal. 
É no início deste tempo que tradicionalmente se montam os presépios e as árvores de natal e porque não escolher e preparar também os cânticos próprios para a missa natalina, inspirados nos textos bíblicos que falam da vinda do Salvador? 

Forninhos - 8/1/2017 -7.ª edição do "Cantar ao Menino"


Podia escolher o "Gloria in Excelsis Deo", mas começo com uma que é antiga e sempre nova, "Cristãos, Alegria!"

Cristãos, alegria que nasceu Jesus;
A Virgem Maria no-lo deu a luz.
Jesus! Jesus! Saudemos Jesus.
Jesus! Jesus! Saudemos Jesus.

1. Que meiga alegria/Nos traz este dia/De Jesus Natal!
Não há neste mundo/Prazer tão jocundo/que lhe seja igual.

2. Os Anjos nos ares/em ledos cantares/Anunciam paz!
Oh, que dom divino!/E um Deus Menino/É quem no-la traz.

3. De todo o rebanho/O mais lindo anho/Lhe leva o pastor
A mais rica prenda/Que Jesus pretenda/É o nosso amor!

4. Lá nos altos Céus/Honra e glória a Deus/Que nos deu Jesus!
Paz na terra à alma/Que serena e calma/Vive unida à cruz!

Para ouvir é só clicar no link: https://www.youtube.com/watch?v=GWZwlIOycY0

sábado, 25 de novembro de 2017

Os serradores

Forninhos, já o dissemos, é rodeado de pinhais, predominando o pinheiro bravo. Não admira, portanto, que tenha havido pelas nossas bandas serradores de madeiras. Não era um prolongamento do Pinhal de Leiria, mas serradores de região de Leiria que se dedicavam à comercialização de madeira estiveram ligados a Forninhos e aos forninhenses e alguns deixaram descendentes: tio Zé Teodósio e irmão Diamantino e cunhado Silvestre; tio Joaquim "Buchas".

painel de azulejos que representa os serradores braçais

A imagem acima encontrei-a algures e mostra-nos um trabalho que envolvia um tremendo esforço. 
Depois de abatida a árvore com o machado, esta era cortada com a serra de punhos em toros nas medidas exigidas pela futura aplicação que teriam. Para o efeito, transportavam até à floresta os seus pontais para fazer a burra (uma espécie de cavalete), o fio e a tinta para marcar os cortes, os machados e a sua grande serra, não esquecendo a saca das ferramentas e lá no local de corte/abate de árvores iniciava-se então a serragem com um serrador em pé em cima e o outro no solo. À custa de grande esforço físico, repito, os dois serradores faziam uso da grande serra braçal, puxando-a para cima e para baixo.
Dali saíam barrotes, caibros, cumieiras, falheiras, falheira é a primeira tábua que se separa de um toro ou tronco, quando se serra longitudinalmente em várias tábuas, e que é sempre falha "arredondada" na face externa, ripas, etc...
Posso estar a abrir as tábuas do meu caixão era a sina do Serrador.
Serravam e transportavam a madeira até à Estação do Caminho de Ferro mais próxima. Muita madeira proveniente de Forninhos foi despachada na Estação de Fornos de Algodres. Hoje só os nossos velhotes se lembram disto, apesar desta profissão artesanal ter resistido até à segunda década do século vinte.
Mais tarde ainda vinham os "homens dos burros", que aproveitavam raízes e toda a lenha sobrante, pois dantes tudo era aproveitado, nada ficava no mato como hoje se vê e depois os incêndios acontecem.