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quarta-feira, 1 de abril de 2020

O homem sonha e a obra nasce...

Num tempo tão inesperado e incerto, vou deixar-vos a fotoreportagem dum evento  cujas palavras chave são Solidariedade, Lar, Construção, Festa, União, Amizade, Passado, Futuro e outras na mesma linha...
Vejam:

concertina, risos, cantigas ao desafio inventadas na hora...


A sala estava bem composta....após as entradas tivemos o caldo verde...que estava óptimo! 


Este evento solidário, com fado ao vivo, aconteceu já na noite de 28 de Dezembro de 2019 e foi promovido pelo CSPF (Centro Social e Paroquial de Forninhos) que está a construir uma estrutura residencial para idosos (segundo noticiado no Jornal Centro a ampliação  da instituição ronda os 500 mil euros). 
"Prognósticos" sobre o futuro da instituição só daqui uns tempos.

Por último...parte da equipa trabalhadora.

BEM-HAJAM.
Aos idosos devemos nada mais nada menos que a vida, a sabedoria e a evolução.

Fotos retiradas da pág.: Facebook.Centro-Social e Paroquial de Forninhos.

quinta-feira, 26 de março de 2020

SOLIDÃO



O tempo voltou atrás mais vazio.
Neste lugar das Alminhas havia outrora o dever de parar e rezar pelas Almas do Purgatório; na Quaresma o costume de "Cantar às Almas"; de fazer um compasso de espera da Irmandade e só depois prosseguir. Obrigação religiosa. 
Eram tempos de sentimentos, agradecimentos e penitências. 
Tempos de fé e respeitos na obrigação de cumprir com os preceitos delegados pelos mais velhos.
Estes, ao pouco foram perecendo, um ou outro, ainda por ali passavam a caminho da missa ou do Centro Social, que a fé ainda os ia ajudando no encosto da bengala e meio cansados, descansavam numa breve e fervorosa entrega, persignada com o sinal da cruz.
Depois ainda havia tempo para umas curtas conversas caseiras...
Agora e nos poucos que restam, instalou-se a solidão e medos muitos, mais pelos seus  e curiosamente dos vizinhos, que deles próprios.
A saudade mais sentida, é verem o mundo deles que foi longo, virado do avesso, estarem ali confinados, apoquentados, sem poderem espairecer, nem sequer ver uma Alminha.
E é verdade, na aldeia não se vê uma alma de gente...

Foto de Ana Constança, tirada a 26 de Dezembro de 2006.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Primavera Virulenta

Chegou a primavera! As cerejeiras já estão floridas e os malmequeres bravos, já estão em flor há mais de um mês (Fevereiro foi quente e luminoso).
Há por todo o lado flores: flores azuis, liláses ou rosadas, flores que deslumbram pelo seu cromatismo lumínico...os pássaros chilreiam sem descanso de manhã à noite...
Tudo tão bom, mas o raio do covi-19 não condiz com a época do Abraço do Homem à Natureza (ou Mãe). 
Esta situação afecta-nos a todos, nesta estação primaveril não podemos ver e sentir as cores e os cheiros da nossa primavera, não podemos viajar, nem saborear o bolo de azeite ainda morninho.
É tempo de clausura.
Flor da Oliveira

Então, com uma imagem de Longenvidade, de Luz e da Maciez da Vida, como é a da Oliveira, desejo-vos uma boa estação.

Tenhamos esperança...
Nada de medos, somente é preciso sermos cuidadosos, a fim de evitar o contágio, e isso só é possível com a quarentena por uns tempos. O vírus é mais contagioso do que virulento, a sua virulência é muito inferior a outros, mas não deixa de ser um problema.
Que cada um faça o seu melhor.
Enfim, Tudo de Bom.
Boa primavera, que ela afaste o maldito vírus.
Para os do outro lado do Atlântico, em especial do Brasil, bom outono.

domingo, 15 de março de 2020

1720- 2020- 3.º Centenário "do Milagre"

300 Anos

300 é um número bonito. É redondo. Cheio. Imponente. Grande. Importante.
Em anos representa muita vida. Muito nascimento, muita morte, muito casamento, muito trabalho. 
Muita decisão, muita indecisão. Muita lei, muita disputa, muito consenso, muita união e muito afastamento.
Representa muito, muito de bom, muito de mau, de assim-assim, de nem-por-isso.
Este 300 guarda nele muita coisa. Guarda nele muita vida. A vida da nossa região. A nossa vida.

clique na legenda para ler

Esta é uma fotografia do ex-voto que se encontra no interior da capela de Nossa Senhora dos Verdes de Forninhos, invocativo do Milagre ocorrido nas searas da nossa região, destruídas pelos bichos. Era de 1720. Uma data que deve ser um marco, por isso a destacamos, para que cada um de nós faça jus, quando chegar o momento, a este acontecimento comemorativo de valor que, nesse tempo, deram à nossa aldeia.
Se não puder ser a 3 de Maio (dia de Santa Cruz) ou 1 de Junho (dia do Espirito Santo) face ao surto de Covid-19 que seja a 15 de Agosto (Dia da Assunção de Nossa Senhora). 
A calendarização definitiva deverá sempre ser feita tendo em conta as orientações da DGS -Direcção-Geral de Saúde.

Agora algumas curiosidades sobre pessoas do passado, que se calhar estiveram presentes a cumprir o Voto a Nossa Senhora dos Verdes. Nestes campos...no meio de gentes, de vontades:
22-09- 1718 foi dia de festa na aldeia. O pároco, Manuel Ribeiro celebrava o casamento de Manuel Pais e Maria da Ascensão. Com uma particularidade: o noivo era filho do Revº Padre Francisco Pais Velho, falecido (e de Maria João, falecida).
A noiva era filha de Manuel Vaz, falecido e Maria Afonso, falecida.
Testemunhas: Geraldo de Aguiar, Manuel Fernandes, Jerónimo e João Aguiar.
Do Livro de registos mistos (1699/1761).
PT-ADLSB-PRQ-PAGB07-004-M2_m0076.tif
Em "dia e mês" de 1736 foi um dia triste na aldeia. Falecia uma filha da terra Bernarda Fernandes (nascida em Forninhos com o apelido Luís), filha de Manuel Luís (nascido na vila de Pena Verde) e Maria Luís (nascida em Forninhos com o apelido Nunes).
Tinha uma irmã, Maria Dias (nascida com o apelido Luís) e um outro irmão...
Bernarda casou-se com António Fernandes.

Dessa época, quem conhecer outros nomes, outras pessoas, por favor, deixo-nos aqui em comentário esse contributo. Agradecemos todos.

Nota final: Estamos  a caminho do 1.º centenário da fundação da Irmandade de Santa Marinha, 2026 é já ali... 1 de Outubro de 1926.....1 de Outubro de 2026.
No passado existiram confrarias, mas devido ao seu progressivo declínio, tem-se por certa essa data. Vamos continuar a destacar esta data também, pois valorizamos o património legado pelos nossos egrégios avós.

domingo, 8 de março de 2020

Homenagem a todas as Mulheres


Eis uma imagem, de algumas mulheres de Forninhos, nos anos 60. 
Para elas e para todas as outras neste Dia 08.Março.2020 vai o nosso Obrigada, por tudo, o que com grandes sacrifícios fizeram por Forninhos, enquanto Mulheres, Mães, Companheiras, Amigas, Pessoas importantes no desenvolvimento e progresso da sociedade actual, quer como catequistas ou noutras actividadades ligadas à igreja ou à comunidade.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!

sábado, 29 de fevereiro de 2020

O milho está na moda

Felizmente, há modas que vêm por bem e a das receitas com farinha de milho é um bom exemplo. Este vegetal é dos alimentos mais ricos e nutritivos, parece. Para homens e para animais. Mas presentemente, ainda é pouco usado na alimentação humana, embora não se diga que não a um pão de milho e a umas papas doces de ralão (se é que há alguém que ainda coma um prato de papas depois duma refeição)!


O ralão, para quem não souber, é a farinha de milho moída grosseiramente de modo artesanal, é indicado para papas e é sem glúten.
De certeza que já ouviu alguém referir que é intolerante ao glúten, um conjunto de proteínas insolúveis que encontramos frequentemente em cereais como a aveia, trigo, centeio e cevada.
Então, apreciadora de milho, lembrei-me que no Forninhos antigo, já confecionavam receitas sem glúten, mesmo para quem não era celíaco. Além das papas-laberças feitas com farinha de milho e couve galega, também se faziam umas papas de ralão com carne e com chouriça dos boches (a palavra correcta é bofes), enchido feito à base de bofe e cebola, que lhe dava um sabor especial, não é das receitas mais apetitosas, mas sabendo que é isenta de glúten, talvez tente experimentá-la.

Ingredientes:
ralão
água q.b.
carne de porco da salgadeira
chouriça dos bofes

Modo de Preparação:
- Lave bem o ralão e deixe-o de molho 1/2 horas e retire as cascas mais grossas;
- Coza previamente as carnes de porco e chouriça com água e sal (se necessário);
- Coza o ralão, em lume médio, para ficar tenro, na água da cozedura da carne até ganhar a consistência desejada (estará bem cozido quando a colher de pau ficar segura no meio da panela sem cair),
-Acompanhe o preparado (as papas) com a carne e a chouriça cortada aos pedaços.

No entanto, pode adaptar a receita:
-Pique uma cebola, um dente de alho e um tomate com peles e tudo, sem chorar!
- Deixe refogar em azeite e junte o ralão e água quente, mexendo sempre, para não se colar ao fundo, acrescentando aos poucos a água necessária e sal e retire do lume quando achar que está cozido.
-Acompanhe com febras de porco grelhadas, peito de frango ou peixe frito e uma salada.

Bom apetite!

Nota: No Algarve fazem o xarém ou xerém, papas de milho com o molho do guisado de bacalhau, guisado de lulas, etc...na Ilha da Madeira não há prato mais madeirense que milho cozido (ou frito), a polenta é um alimento típico da cozinha italiana.