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sábado, 11 de janeiro de 2014

Carpinteiros de Forninhos

Já aqui várias vezes falamos dos carpinteiros de Forninhos. Mas hoje resolvi falar um pouco mais destes homens, a quem a terra muito deve, sobretudo porque toda a antiga arquitectura do pormenor que ainda hoje perdura foi-nos deixada por estes profissionais. Além de janelas e portas com/sem cravelho, ainda hoje vigas de castanho e de carvalho seguram casas. Deixado por eles ainda também perduram soalhos, forros dos tectos e paredes divisórias interiores, berços, salgadeiras, pipos, pipas, dornas, bancos e mochos, ferramentas agrícolas, etc... etc...
Porque o nosso blog também pode ter os seus sentimentos, para recordação aqui ficam duas fotos do carpinteiro que há três anos nos deixou - ti António Carau.


Aqui o ti António faz um carro de bois e quanto a mim estas fotos são o melhor testemunho para transmitir às novas gerações o que foi Forninhos em tempos recuados e o que encontramos hoje em dia.


De Forninhos, merecem aqui especial atenção três nomes, todos da mesma família, o meu bisavô António Coelho, sucedeu-lhe um filho que lhe aprendeu a arte, Zé Carau e, mais tarde o neto António Carau. Além destes três, um profissional e muito bom homem que também deixou fama e obra foi o tio Zé Guerrilha. Convém também destacar o serrador tio Alexandre, que também fez a sua vida profissional no mesmo ramo.
Como já referi  há algum tempo, embora todos os artífices de todas as áreas mereçam a maior consideração, certo é que são pouco lembrados. Esta é uma opinião pessoal que não visa criticar nem atingir seja quem fôr, mas eis como o escrito sobre Forninhos a terra dos nossos avós descreve o carpinteiro de Forninhos:

O carpinteiro numa comunidade rural executa todos os trabalhos relacionados com as vivências e as necessidades do dia-a-dia. Assim, faz um pouco de tudo, desde as alfaias agrícolas aos móveis, das ferramentas aos caixões. Outrora com noções de geometria, uma panóplia de ferramentas e um enorme saber em tratar a madeira, o carpinteiro fazia todas as tarefas relacionadas com o seu ofício. Era ele que ia à mata ou à floresta e escolhia as melhores árvores. Era ele que as cortava e serrava para inúmeros fins.

Tal qual a wikipedia, enciclopédia livre, assim, sem restos de memórias de outrora, deste modo geométrico...foi pela freguesia homenageado o carpinteiro de Forninhos!!!

Nota:
Quem apreciar pode ver, clicando AQUIa exposição de ferramentas de carpintaria do ti António Carau, Post que publiquei em Maio de 2010.

32 comentários:

  1. Sobre estes artesãos que já partiram, não posso de modo algum deixar um mero comentário geométrico, pois quase todos os nomes aqui mencionados me trazem saudade embora em épocas diferentes. Daí estas simples linhas serem escritas com carinho e sentimento.
    O ti Zé Carau e filho António, eram quase vizinhos e como que de casa, nem havendo necessidade de bater à porta para entrar. O ti Guerrilha, morava ao lado de minha casa e também amigo. Todos eles grandes mestres na arte de trabalhar a madeira e boa gente. Claro que outros houve e afinal quem era o carpinteiro?
    Gente que com lápis por detrás da orelha, por vezes o que não usou na escola por lá não ter ido, riscava a madeira com a precisão de um Miguel Ângelo e lia a fita métrica quase de olhos fechados. Tudo tinha de ser feito em esquadria e nós ainda miúdos, rodeávamos o artista, admirando a obra quase do princípio ao fim; por vezes deixavam-nos pegar na serra por debaixo da burra para serrar o tronco um bocadinho, mas se era para fazer um carro de bois como aqui faz o saudoso amigo ti António, era uma festa! Era uma máquina que estava a ser construída e que quando colocadas aquelas rodas grandonas e na estreia metido às vacas, lá íamos empoleirados para o passeio inaugural. As rodas chiavam por falta de uso e tudo cheirava a madeira nova.
    Obrigado Paula por este presente que nos dás no início do ano e uma homenagem mais que justa a quem merece!

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  2. Lindo resgate e homenagem aos carpinteiros daí! Muioo oportuno! beijos praianos,chica

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  3. Bonito post em homenagem a estes carpinteiros .Conheci bem o tio Antonio Carau ,tio Guerrilha ,mas também me recordo do tio Ze Carau .Bom fim de semana .

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  4. Interessante! Será que ainda existem?
    Bom domingo!
    Beijo

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    1. Em Forninhos, já não há carpinteiros, Nina. O último, o meu tio António Carau (o Sr. das fotos publicadas) também já se foi há 3 anos.
      Beijo*

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  5. Os carpinteiros são verdadeiros artistas, admiro os seus trabalhos!
    Post cultural e que traz dados importantes da terrinha querida...
    Olha que vou por aí mesmo qualquer dia desses! Verei de perto o que tenho ouvido falar com tanta vibração!...

    Boa Noite e Um Bom Domingo... Abraços, Paula............

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  6. Grandes Profesiones Artesanales que, ahora, intentan potenciarse para no perderse en el Olvido.
    Aquí, En Asturias, Galicia y El Bierzo; sobre Todo, en los medios Rurales había gran Tradición de Carpinteiros e Ferreiros que eran verdaderos Artistas con su Manos.
    Magnífico Testimonio de estas Personas y su Gran Labor, muy similar por esta zona de España.
    Mi Equipo de Portugal es el Benfica, también era el Equipo del Abuelo de mi Esposa...Espero que ganéis.
    Lo de Eusebio nos ha dejado a Todos consternados y sorprendidos.
    Abraços y el Próximo Viernes saldrá la Poesía de Portugal...Espero os guste a ALUAP Y Ti.

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  7. É uma profissão muito bonita , acho uma arte poder fazer o que
    quiser da madeira.
    bjs
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  8. Uma reliquia estas fotos, tambem eu me lembro bem do ti Antonio Carau a fazer estes trabalhos d'arte e como dizes Xico tambem eu gostava de pegar nas ferramentas ferramentas todas , quando o ti Carau pegava na enxo aquilo era com uma precisão termenda , não falhava nada e a machadinha afiada de uma tal maneira que até dava pra cortar a barba , tambem gostava muito de o ver meter os arcos nos pipos , parece que ainda o estou a ver com aquele martelo com a bola à ponta e o o ponteiro especial para esse trabalho .

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    1. Olá David.
      Estas fotos são mesmo uma relíquia, tendo em conta os meios para fotografar dos anos 80, mas já diz a bíblia do fotografo que vale mais ter uma "pequena" foto do que nenhuma!
      Muito bom o teu comentário e eu fico sem palavras, sem saber o que dizer, tendo em conta a tua idade e aquilo de que te lembras de maneira tão viva. Obrigada e beijinhos da tua irmã,
      Paula.

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  9. Boa tarde Paula, na verdade uma homenagem bem justa a esses grandes artesãos que faziam de tudo um pouco de uma forma única!
    Tradições que se perderam o que é uma pena, porque todos ganharíamos, o País e as suas gentes!
    E o que me entristece neste momento é que tudo está a morrer e por isso louvo a sua atitude de aqui trazer e realçar como era antigamente (não tenho saudades de algumas coisas), mas estas e muitas outras deveriam ter sido perseveradas.
    Beijinhos e bom domingo.
    Ailime

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  10. Bom, antes de mais: o que se passava em Forninhos antes de eu ter um mínimo de memória das coisas não sei, mas a partir dos meus 6 anos lembro-me que quase todas as pessoas trabalhavam no campo, mesmo o carpinteiro! O ti Zé Carau, o t António Carau e o ti Zé Guerrilha, que foram os últimos carpinteiros de Forninhos e são de quem eu ainda me lembro, em complemento dedicavam-se ao cultivo agrícola também.
    Então o porquê duma descrição tipo "chapa 5"?
    Porque assim, certamente para cada aldeia, podem sempre utilizar "a chapa"de igual modo, de forma fácil e repetitiva, e com o mesmo formato.
    Os carpinteiros de Forninhos mereciam mais, muuuito mais, porque a sua passagem não foi em vão...
    E, desculpem caros amigos leitores, mas de vez em quando, sinto-me tocada com as coisas que vocês (que me lêem) dizem/escrevem e é impossível não comparar o que diz o blog dos forninhenses e o que diz a freguesia sobre o carpinteiro de Forninhos.

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  11. Nos meus tempos de menino, na década de 40, existia na minha aldeia um só carpinteiro, de seu nome Ti Zé Coelho. Após a sua morte, não houve mais carpinteiros... Mas bem recordo, quando havia uma obra, eu passava uma manhã ou tarde observando a sua habilidade no trabalho das madeiras, tudo manual, com uma habilidade extraordinária.
    Foi bom ter recordado esses tempos.
    Meu abraço,
    Manuel Tomaz

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    1. Se foi bom recordar esses tempos, então já valeu a pena esta postagem, Sr. Tomaz.
      E é bom, muito bom, tê-lo aqui connosco a recordar o "seu" carpinteiro ti Zé Coelho e esses momentos. Acredite.
      Um abraço.

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  12. Como reza o texto, muito o carpinteiro construiu para o amanho caseiro de Forninhos. Tudo o que tivesse por base o maneio da madeira para as necessidades do aldeão.
    Fosse na loja ou no páteo, tinha de estar provido das ferramentas necessárias, para levar a bom termo as tarefas encomendadas.
    Por base o banco de madeira e a "burra" para a serração. A serra (armação de madeira com uma lâmina de ferro serrilhada), o esquadro para medições e o prumo para alinhar superfícies; o nível e a vara de medir, a plaina, a enxó e o machado; o torno e o macete de madeira, o torno, o serrote, o formão e claro o martelo cavilhas e pregos. E o lápis que tudo riscava, como sentença final.
    Agora digam que não foi uma profissão de relevo, digna do nosso bem-haja?
    Tão nobre que não resisto ao que dizem os Evangelhos, acerca de Jesus Cristo, em que os que O perseguiam, O "injuriavam", Lhe chamavam humilde carpinteiro.
    Ele que na Sua infância e adolescência ajudava o Seu pai adoptivo José na arte da carpintaria e na vida agrícola, pois a cidade de Nazaré, à semelhança de Forninhos à época, não comportava o trabalho único e exclusivo da profissão de carpinteiro durante todo o tempo.
    Obrigado carpinteiros da minha terra!

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  13. Claro que sim. São as coisa boas que fazem a boa história da vida e assim a profissão de carpinteiro não deve ser (ou não devia ser) menosprezada por ninguém...
    E...Obrigada pela "lição".
    A PLAINA, ENXÓ e FORMÃO , estão a um passo de irem para um "museo" para serem recordadas, mas não é em Forninhos! Sorte que temos o blog para podermos publicar e comentar sobre...

    Abraços sempre daquela cor...benfiquista. :))

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  14. Muito boa tarde, nunca cheguei a ver o meu sogro António Carau a trabalhar na sua arte, mas as ferramentas por ele deixadas deixa antever como teria sido a sua vida como carpinteiro, esses artistas da madeira muitas das vezes, senão todas, eram eles que faziam as proprias ferramentas para assim puderem executar as suas empreitadas, ajnda hoje quando olho para essas ferramentas que estão penduradas à espera que o artista lhes dê vida outra vez, fico admirado como é que eles com essas ferramentas tão rudimentares consigam verdadeiras obras de arte, o entalhe da madeira era perfeito sem qualquer defeito, já na construção de uma casa, são eles a pedra principal pois são eles que começam por fazer as confragens em madeira para que se comece a obra.
    Sempre que ouvia o meu sogro a falar da sua profissão, era com orgulho que ele lembrava algumas das obras que fizera, tempos que hoje não se voltaram a repetir, as maquinas vieram para substituir esses artistas, mas em nada se lhes compara, as maos dos mestres tinham a sabedoria de sobra, para conseguir rivalizar com as melhores máquinas.
    Aqui deixo a minha homenagem a esses bravos profissionais que tão dignamente souberam fazer chegar aos nossos dias as suas obras.
    OBRIGADO.

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  15. Um carpinteiro é um especialista, obreiro muito valorizado por aqui, o que muitas vezes, nas cidades menores, os fazem bastante bem remunerados e elogiados pelas mãos habilidosas e precisas. Estou feliz também em te ler ALUAP. Um abraço, Yayá.

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  16. Na minha família os carpinteiros passaram de geração em geração, as ferramentas que se encontram penduradas algumas passaram do meu bisavô Coelho que faleceu antes de eu nascer, para o meu avô Carau do meu avô passaram para o meu pai que é esse Sr. Que se vê nas fotografias do meu pai não passaram para mais ninguém visto que os meus pais só tiveram raparigas, tiveram dois genros carpinteiros mas são carpinteiros mecânicos já não é nada como os carpinteiros de antigamente. Lembro-me do meu avô Carau ainda fazer alguns trabalhos de carpintaria, lembro-me de o meu pai andar um dia inteiro a serrar madeira em cima da burra de madeira, na nossa casa o madeiramento do telhado, o forro, o soalhos, as portas todo o trabalho de madeira foi o meu pai que fez.
    Eu e a minha irmã Rosa chegávamos a ir muitas vezes com a Ceu e a Alzira filhas do tio Guerrilha levar o almoço à Moradia, Valagotes e à Ponte.

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    1. Também eu, Maria, lembro-me ir a pé à Moradia com a tua irmã Cila levar o almoço ao teu pai. Lembro-me perfeitamente...
      Também já calculava que algumas das ferramentas do post de Maio de 2010 pertenceram ao nosso bisavô e ao teu avô.
      O avô Coelho, o seu filho (teu avô Carau) e o teu pai, merecem aqui especial menção por fazerem parte da mesma família, mas como todos são merecedores das melhores homenagens, claro que englobo nesta homenagem também o ti Zé Guerrilha e o Serrador ti Alexandre (pai da tia Olívia) e outros que porventura houve, assim como os carpinteiros de outros lugares do país, que trabalharam e ainda trabalham a madeira, mesmo com as modernas maquinarias.
      Beijos**

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  17. Que linda profissão, espero que ele tenha deixado seguidores, desta maravilhosa arte de moldar a madeira. Eles não usavam as ferramentas que há hoje e faziam belas construções. Os de hoje em dia fazem coisas tão retas sem nenhuma arte.
    Que lindo o vilarejo de vocês, meu sonho é ter uma casa assim numa rua estreita com uma bela casa de pedra. Será que ai em Forninho tem uma casa pra mim assim.
    Tenham uma ótima semana.

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    1. São de facto casas lindas, que adaptadas a vida moderna muita gente não se importaria de ter.
      Há por lá algumas à venda. Quando eu voltar a Forninhos, aproveito e tiro umas fotos e talvez faça com elas um novo post sobre as 'Casas de Forninhos'.
      Beijinhos.

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    2. Que legal, vou esperar ansiosa para ver as maravilhosas casas. Bjos e tenha uma ótima semana.

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  18. Quem conhece a casa dos meus pais, no extremo da povoação e na abençoada Rua do Ribeiro, vê uma casa grande e comprida, toda de exterior de granito ao longo das suas fachadas.
    Em frente, o ribeiro, algumas velgas e lameiros. Depois os pinhais. Por dentro tem muita história, por isso esta introdução que não pretende fugir ao tema, pelo contrário. Os seus alicerces fortes e talhados por pedreiros, dos de antigamente e de Forninhos, conservam em parte,além da pedra talhada, os fôrros encaixados de madeira que fazem os tectos, as divisões da sala da cozinha e quartos, tudo em madeira que já vem na mínima certeza, das mãos do bisavô da Paula. Centenários e com aquela cor clara pintada e com tantos retoques ao longo dos anos, para preservar e manter, tal como a maior modernice mantém o quentinho e ameniza o frio. Parte da casa assim continua, graças a estes obreiros aqui retratados.
    Por falar em retratar, fico sempre emocionado pelo ti António Carau, sem dúvida das pessoas mais queridas para mim e à época a pessoa mais clarividente, culta e de espírito aberto, ele que até já tinha carta de condução, tirada na tropa: ligeiros e pesados!
    Ele e meu pai eram como irmãos, sempre ao longo da vida assim foi; um mais lavrador, outro mais carpinteiro. O meu pai Alfredo não o chamava pelo nomepróprio, simplesmente "Júlio", por ser o marido da tia Júlia. Eram uns brincalhões...
    Na altura de tirar o vinho do lagar, já o meu amigo ti António tinha preparado as pipas que meu pai pedia para consertar. A umas a falta de aduelas, outras arcos e nas mais velhas, mudar uma leiva, seja, uma tábua dobrada para o vinho novo não verter.
    Não era um Kit, era preciso ter sabido escolher a madeira, serrar e depois...o que me intrigava, ele fazia uma fogueira e com as tábuas ainda verdes cortadas e meticulosamente esquentando no fogo a madeira, esta ganhava forma de modo a ficar ajustada ao milímetro. O vinho estava salvo e com garantia do Mestre.
    Ciência pura e genuína!

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    1. Olá Xico, fiquei curiosa para conhecer a casa de teus pais. Deve ser linda e cheia de maravilhosas histórias. Adorei saber como se faz o barril de vinho. Queria um para decorar minha casa, mas vazio, se não meu lindo marido ia beber tudo e ficar muito alegre hahahah. Obrigada por compartilhar preciosos momentos de Forninhos.
      Tenha um ótima semana. Essa semana estamos numa fartura de peixe, Alfredo está no céu de tanta felicidade pela grande pescaria que teve.

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  19. Maravilha!
    Partilhar memórias, conhecimentos, cultura e promover Forninhos, não custa mesmo nada!
    O que custa é ver a descrição do carpinteiro de Forninhos copiada da Wikipédia, enciclopédia livre. Vão ao site http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpintaria e vejam se o que digo não é verdade!
    Introduziram apenas pequenas modificações, sinónimos, circunlóquios, e mais nada...
    Com o 'papel' que lhes pagaram, tinham por obrigação, fazer muito mais e melhor as coisas, e muitas menos 'asneiras' do que fizeram!
    Amigos leitores vou ao almoço que o meu estômago já está revolto...
    Um abraço e até depois.

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  20. Parabéns Paula por te lembrares dos que tiveram a arte de carpintaria. Estamos na época e maré de homenagear os grandes homens que de alguma forma se destacaram e destacam no mundo pelos seus feitos.
    O meu avô materno, António Coelho, teu bisavô, do David e da Maria, na sua época foi um carpinteiro de mão-cheia, muito completo, tinha habilidade para tudo, desde uma simples gamela e uma colher de pau, um baú para guardar a roupa, uma arca para armazenar os cereais, à masseira de amassar o pão e à salgadeira onde se salgava e guardavam as carnes de porco enterradas em sal para todo o ano, assoalhar e forrar casas, assim como fazer as portas e janelas, armações para o telhado, carros para carga puxados por bovinos, assim como arados e outros utensílios para a agricultura, até fazer camas, berços e caixões para meter os falecidos, às simples cruzes de madeira para sinalização das sepulturas, sabia e fazia tudo com muita classe!
    Deixou como seguidores da sua arte o filho José Carau e neto António Carau, filho de José Carau, que tal como o seu progenitor davam saída a tudo de carpintaria. Não mereciam uma descrição tão ligeira até porque hoje em Forninhos, depois da morte destes e de outros, não existe lá ninguém que exerça e saiba desta arte, portanto, o carpinteiro numa comunidade rural como é Forninhos já não executa, nem faz os trabalhos relacionados com as vivências e as necessidades do dia-a-dia.
    Há que ter cuidado com as alterações no tempo e modo dos verbos.

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  21. Muito obrigada tia Margarida, por recordar aqui o avô Coelho. As suas palavras são importantes para o nosso arquivo cultural, social, etnográfico e emocional sobre Forninhos, a sua história, costumes e população.
    Sublinho: "...dos que tiveram a arte de carpintaria.", pois os nossos carpinteiros eram lavradores/agricultores e tiveram a arte de carpintaria. E também sublinho: "Há que ter cuidado com as alterações no tempo e modo dos verbos.". Para bom entendedor...

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  22. Esta é uma bela homenagem aos carpinteiros de Forninhos.
    O meu avô paterno António Coelho que me dava os bancos de meia lua, quando estava a construir os carros dos bois, o meu Tio José "Carau" que não me deixava ir para Lisboa sem um queijo da serra, o meu primo António "Carau", sempre alegre e bem disposto e apreciador da aguardente e da tigela da marmelada que a minha mulher lhe oferecia; o Tio Alexandre que construiu os primeiros bancos de madeira para a nossa igreja.
    Deus os tenha lá em paz e descanso.

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  23. Já nem me lembrava dos bancos de meia lua! Obrigada pela partilha.
    Homenagear os nossos carpinteiros é, como digo, uma forma de os mais novos terem uma vivência de como era antigamente Forninhos e é também a homenagem possível ao trabalho de todos os que nesta aldeia fizeram o seu mundo!
    Temos, aqui, duas fotos dum carpinteiro. Não sei se os que estão mais por longe têm noção que Forninhos muito deve aos que tiveram a arte de carpintaria, mas espero, pelos menos, que quem nasceu em Forninhos possa dizer bem alto "aqui revejo a minha terra e aqui recordo pessoas que ainda tive o prazer de conhecer".
    Abraço e Votos de boa estadia por Forninhos.

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  24. E a rapidez com que estas mãos únicas que tão bem conheci, tratavam dum rodado novo ou a consertar. Nem que fosse outra coisa, houvesse madeira, pregos e martelo, tudo tinha remédio!
    De boa madeira, um eixo novo que suportaria dornas de vinho e carradas de centeio e milho. Umas sebes num ápice, que iriam segurar a caruma e o estrume para os campos a aguardar a sementeira das batatas. Até as vacas se julgavam fidalgas por terem o prazer de puxar carro tão bom e bem feito.
    Sim, porque o lavrador tinha extremo orgulho no "vivo" e suas alfaias. Para isso nada melhor que o mestre da carpintaria, tal como o Tio António, que ainda madrugada, manga arregaçada, uma bucha e um copo "dela" e já o dia prometia, aquilo que nunca deixou de cumprir.
    Ser um dos melhores carpinteiros da nossa terra.
    Sempre feliz e contente. E muito, muito amigo!

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  25. Esta postagem leva-nos a pensar como tanta coisa importante, na época, se perdeu, como as profissões/oficios (acho que só nos falta postar sobre os latoeiros e os Cesteiros de Forninhos).
    Por acaso, a gente amiga de Forninhos que me tem ajudado a construir o arquivo do nosso blog, não se lembra na nossa aldeia haver artesãos destes ofícios (cesteiros e latoeiros...nem almocreve). Dizem-me que o que se lembram bem é virem d´outras terras a Forninhos. Só. Pelo que desafiamos a enviarem fotos, se as houver, do tempo dessa Gente, para recordarmos e homenagearmos as artes e ofícios desaparecidos...esquecidos!

    Bom Domingo!

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