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domingo, 30 de janeiro de 2011

Ainda os Rebanhos da nossa terra


Por aqui, embora a tradição já não seja o que era, ainda se vê alguns casos como este, em que as ovelhas fazem romaria em volta da capela tal como as pessoas.

Neste caso que vemos nas fotos, é na santa Eufémia, Santuário que pertence à Matança, concelho de Fornos de Algôdres, mas perto de Forninhos, onde quase toda a gente desta terra se desloca nos dias de romaria, mas sem gado, claro.
Noutros tempos, enfeitava-se o rebanho, lava-se o focinho do animal, aparava-se a lã na cabeça, uma espécie de corte de cabelo, enfeitava-se com borlas (bolinhas de algodão às cores espalhadas pelo lombo) campaínhas com coleira dependuradas ao pescoço e os chocalhos nas cabras, o chibo levava o chocalho maior e, por vezes, os mais vaidosos colocam pequenas campaínhas na ponta dos cornos (chifres), com tudo isto a tocar, fazia uma melodia de encantar.
As ovelhas davam a volta à capela a correr atrás do pastor e quando apanhavam a última, o pastor retirava-se e as ovelhas pegavam, isto é, ficavam às voltas sozinhas até que as parassem.

Hoje não é possível fazer isto neste Santuário porque colocaram cubos de granito no chão e as ovelhas se correrem, escorregam e caiem.

Nota: Fotos tiradas em Abril/2010

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pastores da nossa aldeia

EM TEMPOS NAO MUITO ANTIGOS, QUEM SE NAO LEMBRA DESTAS IMAGENS!
AS CAMPAINHAS NOS MONTES E OS CHOCALHOS, PARECIAM SINOS DA IGREJA QUE ANIMAVA E VIVIA A NATUREZA. O LEITE, O SORO A COALHADA, O REQUEIJAO E O QUEIJO, AS HISTORIAS DOS LOBOS, A VALENTIA DOS PASTORES, VIGILANTES DO MUNDO. JA NAO HA PASTORES, MAS VIVEM NA NOSSA MEMORIA.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Plantas e Ervas que curam

Dizem que as plantas e ervas que nascem espontaneamente, nos caminhos ou quintais, são as de que mais precisamos. Se assim fôr, na nossa localidade facilmente encontrarmos nas bermas dos caminhos, muitas plantas e ervas, no seu estado mais puro, sem pesticidas ou outros produtos tóxicos. De aromas e sabores variados, elas são simples e ao mesmo tempo grandiosas por ser grande o seu poder curativo. São aproveitadas para a fabricação de remédios, na cosmética, culinária, decoração e outras coisas mais.

Funcho (Foeniculum vulgare)

O funcho nasce nas bermas dos caminhos, perto das povoações. O seu ciclo de vida começa em Fevereiro, com as folhas muito tenras recortadas como agulhas. À medida que a planta vai crescendo, começa a ter maior elegância, podendo atingir cerca de metro e meio. As suas flores são de cor amarela inseridas na mesma altura. Contém vitamina “A” e “C”, contém potássio, cálcio e ferro, é rico em fibras e proteínas, e pobre em calorias, devido a esta particularidade, é indicado para tempero na alimentação, para perdermos peso.

Há inúmeras ervas e plantas da nossa região, cujo o seu uso ainda é muito significativo nos nossos dias. Assim sendo, resta-me pedir-vos que contribuam com o vosso saber e conhecimento sobre o uso de plantas e ervas e também sobre a sua plantação e ciclo de vida, etc. e tal...

Foto de ed santos tirada do Post “Beleza na Serra da Moura Encantada”.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Moínhos e Moleiros da Nossa Região

Hoje trago até vós, um pouco do que sei sobre os moínhos da nossa região. Não fui moleiro, mas sei como funcionavam, não porque mo dissessem, mas porque despejei alguns grãos (milho e centeio) na moega e apanhei a farinha para a taleiga. Nestes engenhos movidos a água, havia dois tipos de moínhos, os que tinham um proprietário (o moleiro) e a sua vida era percorrer as aldeias vizinhas com o burro, recolhia as taleigas, tirava a maquia, moía e levava a farinha ao seu cliente. No regresso trazia mais grão (coitado do burro, não tinha descanso). Havia os outros, de partilhas, como era, creio eu, o da Carvalheira, que tal como as águas era repartido o tempo pelos herdeiros para moerem o seu grão.
moínho da Carvalheira, para além dos restos de um rodízio, pouco mais resta do que as paredes

As sucessivas partilhas pelos herdeiros dos titulares deste espaço de tempo para moagem, ía diminuindo com o tempo em cada partilha. Hoje ainda há pessoas que dizem ser donas de uma parte deste moínho, mas o certo é que, e talvez por isso, a sua recuperação para memória futura, se torne mais difícil.
rodízio do moínho ainda com as suas penas

Este engenho, tinha como rolamento, um seixo (quartzo) reboludo no fundo e a lubrificação era a própria água.
rodízio em movimento, movido pela força da água ejectada pela caleira

mó de cima, mó de baixo, moeja, calha e trambelo
O movimento da de cima fazia vibrar o trambelo, esta a calha, e o grão caía conforme o regulamento que se lhe dava, e como se vê pela disposição das mós, a farinha vinha cair na frente.
Nota: algumas imagens são de um moínho da freguesia de Dornelas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O que a História diz de Forninhos

Porque é importante sabermos a história que a nossa aldeia teve ao longo dos tempos, aqui deixo alguns escritos que alguns conhecem, mas muitos desconhecerão, mas que agora todos podem ficar a conhecer:

História

No cadastro da População do Reino lê-se “Fornos” entre as “aldeolas de Penaverde”. O “concillium” de Penaverde, como consta das inquirições de 1258, abrangia as aldeias de “Fornos et Dornelas et Casalia de Moreyra e Monasterium et Finis de Moreira et Queiriz que sunt aldeole de Penna-Verde.”. O Pe. Luís Ferreira de Lemos coloca a hipótese de: “Como para outras terras homónimas e homófonas, vem-lhe o nome, certamente por lá ter havido algum forno ou fornos de cal, telha ou trigo. Assim rezam livros de História, lendas e tradições de outros lugares com o mesmo nome.”

Como diminuiu o nome para Forninhos?

Uma Lenda

A respeito do lugar de S. Pedro conta-se que em tempos antigos habitava aquela região um povo mouro. Os Cristãos que habitavam em Forninhos, desejando expulsá-los para ocupar as suas terras, declararam-lhe guerra. Como não tivessem homens suficientes, juntaram todos os rebanhos, puseram em cada chifre de cada animal uma vela, levando os homens grandes archotes na mão. Tal viram sentinelas e Rei, que, julgando ser um numeroso exército, decidiram fugir. Os Cristãos quando viram a povoação deserta, destruíram-lhe as coisas e foram-lhes no encalço. Os mouros tinham muito ouro e enterraram-no. Em Forninhos diz-se que “Desde o penedinho do ouro ao alto do Molião, está uma grade e um cambão, que hão-de só ser achados por pata de ovelha, ponta de relha ou menina em guedelha”.

A Senhora dos Verdes

A Senhora dos Verdes é a advogada dos frutos e sementeiras e tem muitos devotos em todas as freguesias à volta; e duas romarias no ano: Segunda-Feira do Espírito Santo e 15 de Agosto. Leite de Vasconcelos publicou em “De Terra em Terra” umas quadras populares em honra da Senhora dos Verdes, quadras que de boca em boca e que de geração em geração, têm chegado até aos nossos dias:

Nossa Senhora dos Verdes
Dizei-me onde morais
Moro em Santa Maria
No meio dos pinheirais

Património Artístico

O tecto da Capela de N. Senhora dos Verdes é preenchido por uma profusão de Arte Sacra, obras pintadas em madeira que retratam a vida de Jesus e de vários Santos da Corte Celestial. São vários os temas que os trabalhos representam, mas todos de influência bíblica.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Os Cravelhos

Muitas vezes nem reparamos em simples pormenores e particularidades que existem em Forninhos, mas que fazem parte do espólio rural e da memória colectiva da nossa aldeia, como os cravelhos, fechaduras em madeira, que antigamente eram muito comuns nas portas das palheiras e lojas do gado: 


Os cravelhos podem localizar-se no lado esquerdo, 
ou no lado direito da porta,

sensivelmente a meia altura, mas sempre no exterior da porta

Esta, além do cravelho, tem um buraco 
para que os gatos pudessem passar

As portas com cravelhos eram apenas fechadas pelo exterior; outras portas e portões, ficavam fechadas só no trinco e tinham um buraquinho por onde passava um cordel que as pessoas puxavam e abriam. Quase ninguém fechava as portas à chave antigamente, porque era um tempo em que havia respeito pelos valores da confiança, do espírito comunitário, da partilha e da amizade entre vizinhos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tio António Carau (12.02.1927 - 11.01.2011)


OBRIGADO POR TUDO, TIO ANTÓNIO CARAU.

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Como "recordar é viver", é sempre bom recordar, pessoas que fizeram parte das nossas vidas, e que foram de extrema importância, não só para a nossa aldeia, mas também para cada família, vizinhos e amigos. Devemos pois recordar sempre os bons momentos e deles valorizar as recordações que nos fazem sentir saudade. Substitui a foto publicada pelo Xico por esta que tinha guardada desde Agosto de 2010 para publicar um dia destes, como forma de o homenagear por tudo o que me ensinou, transmitiu e pelas muitas dúvidas que me tirou, por isso, tantas vezes o referi nos meus post´s e comentários. Continuará sempre a fazer parte da história deste blog. Não o vou esquecer. OBRIGADA POR TUDO TI ANTÓNIO.

Paula

sábado, 8 de janeiro de 2011

Lagar de Azeite de Dornelas

Passei por Dornelas, localidade vizinha de Forninhos, onde há um lagar de azeite em funcionamento, embora não funcione com os métodos ancestrais, funciona, pode dizer-se, à moda antiga, onde se vê ao vivo, os caminhos que a azeitona segue até sair o azeite. Segundo me disse a sua proprietária, só não se modernizou ainda, porque os seus clientes habituais lhe pediram para o não fazer, o povo lá tem as suas razões que só ele entende. Eu não faço azeite, mas dizem-me as pessoas com quem tenho conversado, que a azeitona aqui rende mais, ou seja, em cada 100 kg de azeitona, é normal dar entre 15 e 20 litros de azeite, por vezes passa, mas nos modernos, o rendimento é inferior, e o azeite não sai tão saboroso, talvez pela pressa e pressão a que a azeitona é submetida nas máquinas modernas. As fotos não ficaram como eu gostaria, mas dá para ver as voltas que o azeite dá:
A azeitona entra no tanque onde é submetida a lavagem e segue para o moinho

Depois de moída, sai por um dispositivo que a espalha em camadas sobre as seiras
que são sobreposta umas às outras
São depois colocadas na prensa, que funciona com um sistema hidráulico
e vai espremendo a massa muito lentamente

O azeite saído desta massa escorre para os tanques que estão com, mais ou menos,
dois terço da capacidade com água quente onde o azeite fica a flutuar
Depois a massa passa pela centrifugadora para filtrar o azeite e daí sai para as vasilhas.
Só falta pagar a maquia, que é de 15% a 20% conforme os lagares.
Em breve iremos deixar de ver também estes lagares, e é pena, porque o azeite saído daqui, não tem comparação.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Desmancha

Um ou dois dias depois da matação, mãos hábeis hão-de desfazer o porco em pedaços... É a "desmancha". Para este trabalho usavam facas bem afiadas e a machada para cortar os ossos da cabeça e costelas. A carne era separada, a gorda para um lado, a magra para outro, as costelas para outro. Alguma ía para o fumeiro, outra ía para a arca salgadeira, onde era bem acondicionada com sal. Nada ficava sem sal e assim se mantinha branca e saborosa durante todo o ano. Por isso, na linguagem do povo das aldeias se dizia que “a salgadeira era o governo da casa”.


A minha família teve desde sempre uma grande relação com a matação do porco, este acto doméstico sempre foi praticado em casa e na família sempre houve um matador. Tanto o meu avô materno, Antoninho Matela, como o meu avô paterno, Zé Cavaca, eram bons matadores. Nestas 2 fotografias envelhecidas, Dezembro de 1971, o trabalho de desmanchar o porco foi feito pelas mãos do meu avô Cavaca, e o aprendiz é o meu pai. O meu avô Cavava, adoeceu ainda novo e acabou por deixar a família pouco tempo depois destas fotos terem sido tiradas. Faleceu no dia 20 de Novembro de 1973. Não me lembro dele, mas tenho muitos registos fotográficos do meu avô, por isso, é como sempre o tivesse conhecido.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Matação do Porco de Ceva

Aquilino Ribeiro e Miguel Torga são, entre outros, grandes escritores portugueses com vínculos profundos ao mundo rural e nas suas obras espelham isso. Sobre a matança do porco, Miguel Torga, escreveu: «Por alturas do Natal, começa a matança. Ao romper da manhã, a paz de cada povoado é subitamente alarmada. Um grito esfaqueado irrompe o silêncio. Dias depois desmancha-se a bizarma e um pálio de fumeiro cobre a lareira.».
O

«O porco, criado e cevado com desvelos de que gozam poucos humanos, lá está a sangrar no banco do sacrifício. Berra que espanta a penumbra da madrugada, mas o seu sofrimento não encontra eco nos ouvidos de ninguém. Quanto mais barulhenta for a agonia, mais escoado ficará o seu corpo no chambaril.».
Apesar do sofrimento do animal, a matação noutros tempos era um dos acontecimentos com mais entreajuda e espírito de grupo na vida das gentes forninhenses. No dia da matação convidava-se a família e amigos para todo o dia, trabalhava-se, comia-se, bebia-se, pelo meio havia uns joguitos de sueca e xincalhão, podemos até afirmar que o dia da Matação era um dia de festa.
Recordamos aqui uma matação feita no pátio da família Guerrilha, não sei o ano, mas dá para ver que já passaram uns anitos sobre este dia. Os homens deitaram mãos à obra como convém, não deixando escapar os dois porcos e cumprindo as etapas próprias deste ritual...esta tarefa, como sabem, tem rotinas muito precisas e é feita com muito empenho e só por quem sabe. Aproveito este post para uma homenagem aos bons “matadores” de Forninhos.

Depois segue-se a desmancha, de onde virão os torresmos (como já aqui publicamos), as chouriças dos bofes e da carne e mais tarde as pás e os presuntos, tudo uma delícia, com um sabor de tradição.


Nota:
Coloquei O (bolinha) para as pessoas mais sensíveis.