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domingo, 16 de fevereiro de 2014

O Candeeiro a Petróleo


Ainda hoje em Forninhos, quando faz um ventito, não há luz; se chove muito, não há luz; se troveja, não há luz; e as pessoas aceitam esta situação, como uma coisa que acontece naturalmente! Porque tenho vivido longe de Forninhos, numa zona onde se passam anos sem que tal aconteça, custa-me aceitar que os forninhenses não reclamem por direito esta situação até porque a falta de electricidade que, no mínimo, se prolonga por horas, e que volta e vai, e volta e torna a ir, acaba por pôr em risco o funcionamento de aparelhos eléctricos entre outros transtornos.
Por tal, resolvi falar do velho candeeiro a petróleo para ver se, se faz luz!
Hoje é de somenos importância, mas desempenhou numa aldeia rural sem luz eléctrica - há 55 anos - um papel de grande relevo.
Este candeeiro, constituído por um pequeno reservatório onde se colocava o petróleo, tinha por cima uma chaminé em vidro a qual se elevava com a ajuda duma patilha para assim conseguir chegar-se com um fósforo à torcida que mergulhava directamente no petróleo e incendiava-se. Descia-se a patilha e aí tínhamos uma luz, que não iluminava para além de certa distância, mas era o que tínhamos.
A torcida logicamente ia ardendo e acabava por diminuir de tamanho, havendo então uma roda pequena que se girava e subia um novo bocado da torcida para assim continuar a luz.
Em que se utilizava o candeeiro a petróleo?
Para além da iluminação doméstica, era fundamental para ir à rua de noite e à adega, ver os animais na loja ou ir de manhã muito cedo, ainda escuro, para o campo.

30 comentários:

  1. ola Paula um post muito bonito e nestes Dias Como o tempo anda tao mau deve estar a ser utilizado em algumas casas por falta de electricidade BOA SEMANA

    Manuel Dutra

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    1. Olá tio,
      Obrigada pelo comentário.
      Igual a este não sei se alguém ainda usa, mas como nas lojas dos chineses vendem-se réplicas semelhantes ao da imagem, porventura se socorrem desses "Made in China" quando falta a luz.

      Beijinhos.

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  2. É muito bom saber outros detalhes de Forninhos... Puxa, a energia vive "saindo do ar" quase sempre! Por outro lado, acho que é valioso/charmoso ter características de um lugar onde não há tanto agito do tempo tecnológico... Uma aldeia/comunidade onde conserva-se os costumes simples e não vive tantas preocupações...

    Bom Domingo! Lá vou eu dormir... Bjs



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    1. É, por vezes, até parece que a nossa terra parou no tempo, mas por outro lado apetece mudar de velocidade, mas sem acelerar muito, claro!

      Bjs**

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  3. Esse candeeiro é charmoso e lindo e lembro de alguns bem parecidos usados na nossa infância. Bem legal lembrar disso! bjs, chica

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    1. São relíquias hoje e, o mais certo, é ninguém os recordar com saudade, mas foram muito úteis e é sempre bom lembrar para não esquecer.

      Um abraço meu.

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  4. Que saudades do velhinho candeeiro a petróleo!
    Este sim, um utensílio que tantas estórias tem guardadas. Nem consigo imaginar a vida da aldeia sem ele.
    Com ele ia à noite acomodar o vivo, os pastores acompanhavam a parição das ovelhas e o lavrador quando partia de madrugada para a lavoura, lá o levava pendurado num fogueiro do carro de bois.
    O petróleo que o abastecia era comprado nas vendas, as mesmas que vendiam, açucar, bacalhau e tripas para os enchidos. E muitos copos de vinho tinto, daí se dizer, como desculpa, "vamos ao petróleo".
    E tudo isto à vista de todos e iluminado por estes belos candeeiros!

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    1. Disse à Chica que hoje o mais certo é ninguém os recordar com saudade, mas ao ler-te, claro que há pessoas que, tal como tu, recordem com saudosismo os serões "ao petróleo".

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  5. As pessoas muitas vezes se acomoda
    e os poucos que lutam nem sempre consegue
    Já tive esse candeeiro no sitio ,mas por coleção
    mesmo só era usado quando a luz caia. gostei do texto


    Tenha um bom domingo

    Abraços de sempre

    ________Rita!!

    http://cantinhovirtualdarita.blogspot.com.br/

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    1. As pessoas aceitam esta situação há anos, porque se acomodam e também, acho eu, porque não tomaram ainda consciência que pagam de electricidade o mesmo que os cidadãos de outras zonas onde não falta a luz, como falta em Forninhos.
      Volte sempre.
      Um abraço forninhense.

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  6. Olhando para a foto e tema que a subscreve, talvez vá pecar pelo "descair" de alguma confidência. Sei que há pessoas resguardadas quando se fala dos "seus", eu tenho imenso orgulho em "deles" falar . Orgulho dos meus antepassados de há séculos atrás, até minha mãe, que no dia do pai (o meu), fará se Deus quiser, 84 aninhos.
    Falo dela por tantas vezes com amor e carinho, nos acompanhar nesta "luta" de preservar memórias, ela que pergunta: "foi muita gente ver...".
    Do candeeiro a petróleo, claro, perguntei e meio abespinhada (quando as coisas não lhe "quadram), respondeu: "hômessa... então não te lembras quando a porca paria e tinha uma grande ninhada e ficavas, ainda pequenito a segurar o candeeiro na loja para eu vigiar os leitões enquanto mamavam, os trocar das tetas da mãe pois uns eram mais gulosos, havia que trocar o lugar e ela cansada ao virar-se, podia esmagar algum...
    Não fosse o candeeiro!
    Ainda mais me disse. "lembraste de ouvir, não estavas lá, andavas a estudar" daquele episódio, lá vão alguns anos, de uma pessoa tua querida que tendo ido a Fornos vender o queijo,para lá de camioneta dos feirantes, aonde iam porcos, borregos, cabritos e canastros de queijo e as pessoas sentadas naquelas tábuas que serviam de banco por debaixo de um toldo de lona?
    Todos se conheciam e como "despachavam o queijo (bom) logo no início, havia de fazer tempo para o regresso; compravam um quilo de marrã e iam à tenda para a fritar . A contrapartida era consumir o pão e o vinho (bastante...).
    Praticamente todos se conheciam por aquelas aldeolas e quintas (não as tais villas romanas) , mas os "Quintaneiros".
    Tinham o hábito de onde parava a camionete, beber um copo na adega do amigo e a viagem de uma hora, durava várias e por vezes a máquina chegava vazia...tinham ficado pelo caminho agarrados ao copo, queijo e presunto.
    Calma, que já chego ao candeeiro!
    Num destes dias, um Senhor a quem mando um beijo especial, ficou na "conversa" e quando deu por si, era quase noite. Nada a fazer a não ir a pé para Forninhos, pela serra, entre pinheiros, giestas e silvas. Era ir a "eito", ou seja, sempre em frente.
    Assim foi, até já perto de Forninhos, escorregar por umas fragas e no fundo de alguns metros, se ver amparado por um silvado. "Boa" cama que talvez lhe tenha salvo a vida. Como sair dali a não ser gritar por socorro? e gritou, gritou, "venham homens".
    A esposa, preocupada, lançou o alerta, " o meu homem não chegou nem na camionete, nem a pé...".
    E aqui, reside o carinho e solidariedade da minha terra, traduzida numas quadras que o "poeta" tio Porfírio Fôrra, escreveu:

    " E o povo de Forninhos
    Reuniu-se em procissão
    À frente o Luis Catrino
    Com o candeeiro na mão...".

    Claro que houve festa!!!

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    1. Esse Senhor, era o meu querido pai Alfredo!
      Beijo, Pai.

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    2. Peripécias como a do teu pai, muito outros passaram, só que por uma ou outra razão não se conhecem, porque é tal qual dizes, há pessoas que se resguardam quando se fala dos seus, por não sentirem orgulho deles ou será por vergonha? Acho mais que é porque não admitem que os seus tiveram aventuras semelhantes.
      E, como sempre, o tio Fôrra aproveitou bem a situação, não fosse ele afinal o poeta oral da nossa terra!

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  7. Também um candeeiro destes se usava no meu tempo lá na Aldeia, quando tínhamos que sair de casa. Ele era polivalente e não havia vento que o apagasse. Para dentro de casa havia um outro, com chaminé aberta em cima e que de vez em quando quebrava com o calor...E havia também a candeia de azeite, mais frágil, só para dentro de casa. E a minha avó dizia: "Candeia que vai à frente, alumia duas vezes"....
    Abraço, Paula e Xico,
    Manuel Tomaz

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    1. Eu não sou do tempo em que as candeias, lamparinas, candeeiros, para iluminar os lares de muitos povos, eram abastecidos com azeite, nem me lembro deste da foto, mas ainda apanhei uns candeeiros a petróleo, de vidro e de lata, e umas lanternas que dependuradas numa das mãos alumiavam para frente e para trás, iluminavam o caminho a quem vinha atrás, portanto!
      Razão tinha a sua avó, pois os primeiros a realizarem uma tarefa, facilitam o trabalho a quem vem depois...mas há ainda quem não queira isso ver...
      Aquele abraço,
      Paula.

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  8. Nasci no Alentejo e recordo-me perfeitamente dos candeeiros a petróleo. Uma das minhas tias tinha até uma venda onde vendia o dito petróleo e todo um conjunto de bens essenciais, porque a aldeia mais próxima era relativamente distante para lá ir-se frequentemente.
    Mas só me lembro daqueles todos em vidro; alguns deles bem bonitos.
    Quando vim para o Algarve em miúda, durante a frequência da escola primária ainda estudei à luz de um candeeiro a petróleo porque só aos doze anos é que comecei a viver numa casa no centro da cidade.
    O que mais recordo dos meus tempos de criança é mesmo o candeeiro, a água fresca nas talhas, o acontecimento que era a matança do porco, e aida à feira, claro...;-)
    Paula, adorei o post, e quanto à falta de energia, até há muito pouco tempo atrás em pleno Verão era usual ficarmos às escuras aqui em Lagos durante horas, o que acima de tudo era, como diz, um transtorno devido aos electrodomésticos, e até à comida que se estragava em noites de muito calor.
    Xico, você é um exímio contista. Parabéns!
    xx

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    1. Grata pelas suas palavras, Laura.
      Em Forninhos também tínhamos desses em vidro, que agora se transformaram num objecto de decoração, pois são bonitos.
      E sei o que é ler sem luz eléctrica, porque eu também estudei à luz do candeeiro a petróleo e, neste momento, vejo a sua ténue luz e dou comigo a recordar o cheiro do fumo libertado da chama e outro cheiro da minha infância: o ambiente odórico das Vendas.

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  9. Este da fotografia, chamavam na minha aldeia de "lampiao", por que era mais para ser usado na rua, pela protecao que tinha contra o vento.
    O candieiro de petroleo para dentro de casa, era normalmente de vidro e nao tinha essa proteccao toda!

    De facto a bem triste que ja no seculo XXI, ainda haja desses problemas que apresenta, no que respeita a electricidade!

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    1. Em algumas terras o candeeiro da fotografia também chamam de lanterna, noutras então é lampião. Regionalismos.
      E, sim, é bem triste ver que em Forninhos há falta de electricidade se chove, se vem uma trovoada ou um vento mais forte!
      Tantas vezes ouvi e ainda ouço dizer:
      "Na Matela nunca falha a luz" ou "Os da Matela têm sempre luz"!
      A electricidade em Forninhos também se paga, só que na minha terra, não sei como é, têm medo de reclamar, de protestar e, ainda por cima, acham que não lhes falta nada!

      Um abraço.

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  10. Oi Paula,
    Sim é nostálgico o lampião de gás, como se chama por aqui, faz parte de um passado, lá bem pra trás, meus avós moravam no interior, e a energia elétrica demorou à chegar por lá, então era do candeeiro que se valiam.
    Agora, já que tem eletricidade em Forninhos é muito justo que se cobre o serviço direitinho, o povo precisa fazer valer os seus direitos, assim como são cobrados os seus deveres, né mesmo?
    Beijos!!!

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    1. É isso Fátima. Com este post espero que os forninhenses tomem consciência que têm direito à indignação, que têm direito de reclamar, porque eles também pagam impostos.
      Beijos e passe uma óptima semana.

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  11. Olá,Paula!
    Quanto tempo não apareço por aqui,amiga! Mas a verdade é que andei meio sumidinha pela blogosfera desde o final do ano passado, não por vontade própria,é claro, mas por conta do chamado "mundo real", que às vezes se impõe de uma forma tão complicada... Mas águas passadas, é sempre tão bom retornar por aqui e matar as saudades desta terra também tão preciosa pra mim! Hoje mesmo estava a recordar de nossa viagem à tua Portugal...Guardo tantas recordações lindas na memória! E este candeeiro e suas estórias, certamente nos trazem lembranças de tempos que não voltam mais, em que a simplicidade da vida reluzia à noite em luzes frágeis e flutuantes. Tempos tão diferentes dos nossos atuais,em que a presença da eletricidade é de vital importância no nosso cotidiano. Mas aqui na nossa terra brasileira, a questão era semelhante, e mesmo hoje, nos dias em que vivemos, em algumas cidadezinhas perdidas do interior, onde nem sempre a luz é constante ou se vive dependente dos chamados "geradores de eletricidade",estes mesmos candeeiros (aqui chamados de "lampiões") ainda são a realidade iluminada de muita gente. Mesmo aqui em nossa casa,ainda guardo 2 deles na varanda... hoje, acima de tudo, reluzem como uma lembrança carinhosa da vida singela,porém valente, de nossos ancestrais... Uma imagem romântica de um tempo mais rústico,mas com mais respeito e gentileza, que certamente iluminavam os corações humanos...
    Saudades de ti,amiga, e um beijo carinhoso aqui do outro lado do grande mar!
    Teresa
    ( do blog "Se essa lua fosse minha")

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    1. Concordo consigo Teresa, hoje recordamo-los com o romantismo dum tempo mais rústico e são imagens como esta que nos ajudam a contar como foi a vida dos nossos ancestrais.
      Gostei de saber que ainda guarda 2 deles e adorei vê-la, de novo, por aqui.
      Daqui para aí envio também um beijo carinhoso.

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  12. Que saudades destas lanternas.
    Nasci no Ribatejo "Coruche" e na casa dos meus avós havia candeiro a petróleo mas dos vidro,estas lanternas eram mais usadas para a rua,lembro-me bem de ir com o meu avô à noite ver os animais.
    Boas recordações de infância.
    Gostei muito do seu blog.
    Um abraço e uma ótima semana.

    Natália
    http://estrelinhaso.blogspot.pt/

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    1. Natália,
      Obrigada, e de facto estas lanternas eram fundamentais para de noite ir à rua e ver os animais.
      Há uma nostalgia quando se olha para estas antiguidades e hoje gostaríamos de ter mais coisas que foram desaparecendo, às quais só agora damos valor, pelas boas recordações que nos trazem.
      Um abraço e volte mais vezes (sempre).

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  13. Olá Paula, para quem quem como eu viveu treze anos de vida sem luz eléctrica dou bem valor a esses candeeiros que me iluminaram e aos meus na infância!
    Na minha aldeia existia o candeeiro que se usava dentro de casa que tinha uma chaminé ondeada e para ir aos currais utilizava-se a lanterna exactamente igual à que nos mostra, penso para que no caso de estar vento não se apagar! Tempos idos, mas que é sempre muito bom recordar. Um beijinho e boa semana. Ailime

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    1. Recordar é Viver!
      Dizem que hoje por poucos euros compram-se iguais candeeiros/lanternas nas lojas dos chineses, mas com certeza que não se compararam com aquilo que sentimos ao olhar para esses candeeiros que nos iluminaram na infância.
      Um beijinho e boa semana também.

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  14. Me lembro desta candeeiro , quando bem pequena , do meu avó , eu
    ficava imaginando como era usa-lo, devia ser uma tempo difícil mas com seus encantos
    que hoje em dia sem perdeu.
    bjs
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  15. Se calhar, Simone, porque viveram tempos difíceis e muito tempo sem luz, é que os de hoje aceitam a falta de electricidade por horas, mas por outro lado parece-me que não gostam de ficar às escuras e sem TV, muito menos que o volta e vai e volta e torna a ir faça estragos nos electrodomésticos.
    Será que vai ser sempre assim?

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  16. Curiosamente quase todas as pessoas que aqui deixaram um registo acerca deste tipo de candeeiro ou similar, sentem-se tocadas e deles têm recordações carinhosas.
    Um utensílio que durante muitos anos acompanhou gerações e de maneira transversal "viveu" nos vários continentes.
    Quem teve oportunidade, guardou e restaurou, tornando-se um objecto de decoração por excelência, acessível a todo o tipo de carteiras, não havendo loja chinesa que se preze que os não tenha em várias cores.

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