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quinta-feira, 6 de junho de 2013

A presença dos Ciganos em Forninhos

A presença dos Ciganos em Forninhos, não estes que vendem nas feiras, mas aqueles que deambulavam de terra em terra e assentavam arraiais na nossa aldeia ...que nos visitavam com muita frequência, fazem já parte do passado. A sua chegada era um misto de medos e ansiedades, pela "fama" que tinham de ser isto ou aquilo, imagem negativa que irá perdurar até aos nosso dias. Nunca o senti, até por ser um povo pelo qual nutro especial carinho e na minha meninice, invejava a liberdade da garotada, que não necessitava de ir à escola, pareciam já ter nascido ensinados.
Em vez de etnia ou raça cigana, prefiro chamar-lhes o povo cigano, espalhado pelo mundo, orgulhoso das suas tradições e costumes enraizados e preservados. São altivos e ao mesmo tempo ladinos, como rezavam as palavras do seu baptismo "eu te baptizo com a água deste ribeiro, para que tenhas o olho fino e o pé ligeiro".
Das suas passagens por Forninhos, muitas histórias haverá para contar, desde a venda de colchas à procura de animais mortos recentemente e já enterrados, que não tinham pejo em cozinhar e comer. Parecia saberem o segredo da ressurreição!
Aquelas fogueiras grandes em que à noite, homens vestidos de preto, mulheres tendo no regaço daquelas grandes saias, os pirralhos, contavam estórias e cantavam aquelas melodias pungentes.
Vou contar uma pequena estória da nossa aldeia, pois por vezes até nos esquecemos de que atrás de cada pessoa há uma vivência digna de ser contada.
As filhas da tia Maria da Lameira, Rosa e Augusta, estavam sentadas no pátio de casa, quando são abordadas por uma cigana para lhes ler a sina. Na galhofa, anuíram, e a cigana começa a "ler" a palma da mão à Augusta: "vais casar e ter muitos filhos, trabalho e riqueza e uma felicidade infinita". Desataram as duas irmãs às gargalhadas e diz a Augusta "sai-me da frente estafermo e vai pregar para outra freguesia, já sou casada vai para três anos com o meu homem".
Magia do povo cigano, que na sua afirmação de liberdade e independência diz que a sua Nação é onde tem os pés! Talvez por isso e pelos encantos desta terra, uma mãe cigana que deu à luz em Forninhos tenha dado à sua filha o nome de Maria Forninhos!


Nota: Escolhi uma imagem na qual a família se transportava na carroça e carregava tudo e todos (pessoas e pertences) em http://armandoisaac.blogspot.pt

40 comentários:

  1. Xico, quando vi que vocês tinham novidades, vim "voando" sabê-las...
    Ah, esse assunto tá muito bom... Quando criança, vi alguns ciganos acampados no bairro em que morava... Falavam mesmo que eram pessoas perigosas e que precisávamos ter cuidado! Ficava imaginando como eles viviam daquela maneira e possuíam muitos bens/carrão, geladeira, tvs... Ficava toda assustada!
    Ainda vejo gente querendo ler as mãos nas praias... O meu marido, "seriamente", diz que quer ler a delas e, quando começa a falar em JESUS, elas se chateiam e vão embora...
    Gostei das frases: "...Para q tenhas o olho fino e o pé ligeiro." "A sua Nação é onde tem os pés!"

    Um abraço

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  2. Desde pequena por aqui, fomos ensinados a temer os ciganos, que pegariam as crianças que não se comportavam( eu sempre nessa lista,rs).

    Tinha um baita medo. E é um povo bom! Legal te ler! abração,chica

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  3. Hoje em dia, já não se ver ciganos por estas bandas do Ceará. Quando eu era menina, via muitas dessas singulares mulheres de saias coloridas, passando pelas ruas e praças, "lendo as mãos das moiçolas casadoiras". Mamãe dizia que a que leu a sua mão, quando ela era solteira, acertou "em cheio" o seu destino.
    Gostei, da interessante postagem. Gosto de ver ciganas lendo mãos!
    Um forte abraço, Xico,
    da Lúcia

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  4. Xico, voltei p comunicar que a Lúcia Bezerra fez um comentário/pergunta p vc lá no Vida & Plenitude... Talvez ela ainda não tenha percebido que vc é do Blog dos Forninhenses...

    Um abraço... Boa Tarde...

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    1. Obrigada Anete.
      A Lúcia deixou aqui um comentário sobre os ciganos.
      Um abraço.

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  5. Do povo cigano gosto especialmente da coêrencia e orgulho que têm de serem quem são. Claro que também há aspectos menos bons, mas sou suspeito por me seduzirem nos seus mistérios.
    Aqui há cerca de dois anos, tive de ir ao hospital de Elvas, no Alentejo e na entrada do mesmo estava uma multidão de ciganos, cabisbaixos e mudos os homens e as mulheres chorando no seu modo habitual, muito alto, sentido e desesperado.
    Pensei para comigo que todo o acampamente ali estivesse, mas quando chego ao exterior do hospital deparo com uma carroça de ciganos, ainda parecida com a da foto acima, puxada por um cavalo a toda a velocidade. Ainda me parece ver, um homem em pé segurando a rédeas e a seu lado um miúdo sentado. Tal era o desespero que prenderam o animal no poste da paragem de autocarro e correram para o hospital; afinal tinha sido um da comunidade que havia tido um acidente. Mas lá estavam todos unidos e solidários na dor.
    Falo neste episódio que recordo por me fazer regressar a Forninhos nas minhas memórias.
    Vestiam como eu os lembrava na minha terra, elas de saias compridas escuras, as mais novitas todas garridas e maquilhadas eles com os fatos pretos e de colete, com o habitual chapéu preto na cabeça. Falavam na sua voz cantada em que cada frase era um "ai que desgraça".
    Estavam igualzinhos a tantos anos atrás.
    Por isso do Alentejo, senti ter viajado no tempo até à minha aldeia ou eles tinham vindo de Forninhos até Elvas, de carroça.

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  6. Além desses que assentavam em Forninhos, havia outros "nómadas" que vinham com o propósito de enganar a comunidade. Já vinham de carro.
    Vou contar uma estória para todos poderem ler, que me foi contada pelo meu pai e adorei. Muita gente de Forninhos a conhece.
    Passou-se quando o meu pai veio do Ultramar e era costume os ciganos chegar a uma aldeia e pedir informação se algum combatente tinha chegado, pois como se sabe eles traziam algum dinheirito.
    E é aqui que eles chegados num carro preto...batem à porta dos meu avô Cavaca à procura do filho que veio do Ultramar (que acabará por ser o meu pai), para o fazer seguir para França legalmente, segundo disseram. Ir para a França a salto (clandestinamente) não era pêra doce e como era usual tinha-se que pagar por antecipação aos passadores e aos tais ciganos não seria preciso!!!
    Assim, os meus avós convidaram-nos para entrar e esperar.
    Bom, quando o Samuel chega, começam a falar da guerra e da Guiné e logo tentam saber nomes de amigos e companheiros de luta. E é aqui que então fala do Varela, de Tondela, enquanto eles aproveitam para dizer-lhe que o Varela também vai para França. A meio da conversa abrem uma mala e mostram umas toalhas de banho e uns retalhos, tecidos de fazenda, pois tinha de se apresentar bem vestido, em França.
    Como recusou, já que não precisava, tinha há poucos dias encomendado um fato, os meus avós já "hipnotizados" diziam que era material bom, etc, etc, e o "meu pai" abre a carteira e entrega-lhes todo o dinheiro, cerca de 2 contos e quinhentos.
    Diz ele que, como chegou mais tarde, não estava 100% "hipnotizado", caso contrário, tinha-lhes dado os 12 contos de reis que tinha guardados!
    Parece que a minha tia Júlia também quis entrar para ver o que os ciganos diziam e traziam, mas não a deixaram entrar, obviamente para não lhes estragar o negócio!
    Quando a família Cavaca se apercebeu que foi enganada, pois os tecidos eram de péssima qualidade, o meu pai ainda ligou para a Matela, da taberna do Sr. José "Matela", para alertar. E os ciganos, que ficaram de voltar, para tratar da ida para França, nunca mais apareceram!
    Forninhos e as nossas aldeias estão seguramente cheias de pessoas com memórias destas, mas claro que quem não viveu as situações nunca contará o suficiente para descrever tudo o que se passou.
    A história da Maria Forninhos se ninguém a contar, conto-a eu mais à frente...
    Boa Noite*

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    1. Parabéns Paula, não paro de rir.
      Eles faziam mal mas até parecia a brincar, daí dar vontade de rir.
      Só eles...
      Abraço.

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  7. Adoro seus posts, pois nos possibilitam conhecer mais sobre outras culturas, costumes e tradições, que muitas vezes estão esquecidas.
    Abraços.Sandra

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  8. Os ciganos antigamente tinham arte e mestria em iludir as pessoas, quantas histórias sobre ciganos ouvi, mas nenhuma boa, todas relatam às suas aventuras em praticar o mal, eu mesmo fui vítima,mas que no final acabou bem para o meu lado.
    Como diz o Xico são um povo unido, pois só assim mostram a sua força, quantas vezes é que se viu um isolado?
    Quanto ao trajarem quase sempre de preto, o que em regra geral são os mais velhos, é por uma questão de luto, pois quase sempre têm um familiar que lhes faleceu, assim é a forma de o mostrar.
    Os ciganos é um povo oriundo da Roménia o que também explica o seu modo de trajar, as mulheres usam grandes saias para nelas interiormente poderem esconder as suas carteiras e não só, já viram uma cigana com mala ou saco de mão?
    Mas mesmo assim ainda se encontra um ou outro que se vai destacando dos outros, que quase não se dá por eles.

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  9. Pequenos apontamentos do povo cigano...

    SAUDAÇÕES
    - Que você seja abençoado com o sal, com o pão e com o ouro.
    - Que os teus cavalos durem muito tempo.

    PROVÉRBIOS
    - Um olho no burro, outro no cigano.
    - À conta dos ciganos, todos roubamos.
    - Dinheiro na mão, noiva na garupa.
    - Escolha a nora com os ouvidos, não com os olhos.
    - Não se pode ir a recto, quando a estrada é curva.
    - Ter é dor, criar é amor.
    - A terra é minha pátria, o céu é meu tecto e a liberdade minha religião.

    SUPERSTIÇÕES
    -Todos os povos têm as suas superstições. Os ciganos tinham medo e pavor pelos sapos, mesmo que fossem feitos de porcelana baratucha.
    Sendo o sapo usado em feitiçarias e bruxarias no passado, os ciganos rezavam para não ver nenhum e ainda assim, hoje por xenofobia, nas montras e entradas de alguns estabelecimentos se colocam sapos para evitar que os ciganos não entrem na loja.
    Caso para perguntar, então e os outros "ciganos" que nos entram diáriamente na algibeira, são corridos" como?

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    1. Achei bem interessante o que trouxe aqui! Até anotei algumas frases pra mim... Aprendi com as saudações, provérbios e superstições...

      O BLOG DE VOCÊS TEM UM PERFIL DIFERENCIADO... Gosto desse debate/acréscimos entre vocês...

      Abraços... Bom Final de Semana p vc e Paula...

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  10. Se todos os forninhenses que aqui entram, residentes ou a viver fora, fossem ao baú das memórias, encontravam de certeza alguma estória lá guardada, pois os ciganos e suas histórias também fizeram parte do quotidiano forninhense.
    É assim tão difícil pôr num "post" aquilo que foi o quotidiano forninhense?
    Afinal não há autodidactas em Forninhos?
    Li esta passagem na monografia do nosso concelho:
    "No aspecto cultural, Forninhos e a sua juventude estão sempre mais à frente, graças a um bairrismo salutar e ao dinamismo dos seus naturais.".
    Podem rir-se à vontade looolool
    Com este bom exemplo de bairrismo salutar até eu vou dizer com voz cantada como as ciganas «ai que desgraça»!!!!
    De facto têm de ser os de fora a escrever a história de "Forninhos - Terra dos nossos avós" porque quem - principalmente é de cá - tem uma vivência diferente.

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    1. Paula, não são os de fora a melhor comentar, mas sim alguns, quase todos os que comentão são naturais de Forninhos, só que vivem fora e longe, o que queres dizer os naturais que vivem em Forninhos e que espreitam mas não comentão, isso é que não é bom, pois ficamos a saber quem é, eles é que pensão que ninguém sabe, pois esses não tenham vergonha de escrever, porque a escrita inteligente corrige os vossos erros, mas acima de todo errar é humano, por isso vamos lá deixar um comentário.

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    2. João,
      Primeiro de tudo, quero cumprimentar-te por servires Forninhos. Tu, para mim, não és de fora, aliás, és mais forninhense do que alguns naturais de Forninhos que entram neste blog e partem sem nada dizer.
      Será que receiam mesmo os erros de português?
      Para mim, não comentam, porque como não são quem promovem Forninhos, por tal não gostam que seja eu, tu e outros mais a pensar como nós, a fazê-lo?
      Nós, naturais e amigos de Forninhos a residir longe, sabemos que fazemos um bom trabalho e isso é o mais importante!
      Do estrangeiro e doutras regiões de Portugal, também comentam muitíssimo bem.
      Esses "Srs." e "Sras." que...só andam por aqui... sem mais...passem os olhos por este "post" e talvez aprendam o significado de palavras como "QUALIDADE" e "PARTILHA".

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  11. Do que consta na memória de alguns forninhenses,
    ou vistas ou ouvidos de outros mais antigos, os ciganos acampavam junto ao local aonde originalmente estava a fonte do Lugar ou junto à escola velha, debaixo das oliveiras. A minha avó, indo a caminho dos Cuvos, chegou a vê-los acampados junto ao Castelo, com os seu burros, mulas e cavalos.
    Chegavam a ficar semanas e semanas, sobrevivendo do que lhes davam, ciganitos sujos e mulheres a pedir pelas portas e tentando vender algumas roupitas ou então ler a sina.
    Perguntavam se tinham algum animal doente ou que tivesse morrido há pouco tempo.
    Conta-se que para os lados dos Olivais, desenterraram um porco que já lá estava ia para oito dias e que depois de bem lavado e cozido, fez uma festa de arromba
    Não há lembrança de que os ciganos fossem "falados" por roubos a não ser alguns produtos agrícolas de somenos importância.
    Eram sim, muito ardilosos e matreiros.
    Recordo de ouvir contar ao meu avô paterno que um dia mandou um cunhado, irmão da minha avó Ana Saraiva, à feira anual de S. Francisco, na Guarda, para fazer uns negócios de gado.
    E lá foi ele de Forninhos até à Guarda, montado numa bela mula possante.
    Já na Guarda, foi abordado por uns ciganos que admiravam a bela estampa do animal. Estavam interessados em fazer negócio e pediram se podiam dar uma volta com o animal, para melhor o apreciar enquanto isso ela ficava a segurar pela rédea a mula deles.
    Este concordou e esperou, esperou, até hoje!
    Grave foi quando se deu conta de que a mula dos ciganos era cega...

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    1. “No meu tempo” os ciganos acampavam junto ao Forno da tia Maria da Urgueira e Luís da Coelha. Mas os antigos dizem-me que usavam muito um pátio na Lameira ali ao pé da casa do meu irmão Luís e esse terreno de oliveiras que referes ali onde é o “Paga-Pouco”, certamente a festa foi aí.

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  12. Este blog tem inscrito na sua bandeira o seguinte lema:
    "HISTÓRIA, ESTÓRIAS E MEMÓRIAS DE UMA ALDEIA CHAMADA FORNINHOS."
    Visualizado diáriamente por centenas de pessoas das mais diversas partes do mundo, desde Forninhos até por exemplo Nova Zelândia, sendo que muitos deixam aqui os seus comentários.
    É sem dúvida alguma o maior promotor e impulsionador na divulgação das tradições, usos e costumes de Forninhos.
    Desde Novembro de 1909, já aqui foram colocados 380 temas (post's), sobre o quotidiano da nossa terra.
    É obra!
    Apenas que esta obra, é fruto do trabalho, sacrifício, amor e orgulho de muito poucos e ainda por cima aí não residentes.
    Parece que a distância cria mais amor à terra ou então dá mais clarividência, para não dizer independência.
    Por exemplo este post sobre o povo cigano, para não falar das centenas de outros, não fez parte do nosso quotidiano, de nossos pais e avós?
    Não faz parte de memórias de Forninhos?
    Então qual a razão pela qual não partilham o que sabem ou podem vir a saber. Eu, muitas não sei e pergunto a diversas pessoas mais antigas.
    Claro que não é necessário ser muito inteligente para saber o motivo dessa pouca (nenhuma) participação dos residentes de Forninhos.
    - O blog é crítico - Para o bem de Forninhos.
    - O blog é incómodo - Para o bem de Forninhos.
    - O blog é do "contra" - Para o bem de Forninhos.
    E agora digo eu, é tudo isso e mais alguma coisa, para o bem de Forninhos, na tentativa da salvaguarda da sua identidade, do quebrar o marasmo das suas gentes, na tentativa de "meter" na cabeça das pessoas, novos horizontes, sem medos nem lavagens cerebrais.
    Este espaço INCOMODA, mas tem "tomates" para não temer nada nem ninguém.
    E para terminar, este baú único de factos históricos e culturais, por mais estranho que pareça, É FEITO POR GENTE DA TERRA.
    Claro que esta frase pressupõe uma referência ao livro a publicar pela Junta, mas sinceramente que pouca expectativa me cria ao ser compilado por gente "contratada", sem o vibrar dos verdadeiros autóctenes de Forninhos.
    Claro que ainda há autodidactas em Forninhos ou pelo menos que lá nasceram, mas se calhar "em casa de ferreiro, espeto de pau"!
    Agora forninhenses, o futuro está em vocês e vossas consciências.
    O deste blog, está mais que garantido, sedimentado e pode dizer com orgulho: "antes de vocês nascerem, já eu comia códeas".
    Já caminha muito bem sem vacilar e sabe o seu caminho.

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  13. Nós sabemos a urticária que causa a essa gentinha o blog dos forninhenses!...
    Por estes dias, têm assistido a um desenrolar de actos e factos relacionados com S. Pedro, Cortejos Etnográficos que não lhes deve ter passado “ao lado”.
    Depois também os lembramos que o povo cigano, espalhado pelo mundo, é um povo unido e orgulhoso das suas tradições e costumes enraizados e preservados! Então, somos o oposto do povo cigano!
    Sim, os forninhenses não são unidos!
    Desculpem a minha franqueza, mas é o que sinto.
    O blog dos forninhenses divulga a história, estórias e memórias de uma aldeia chamada Forninhos, quem não quiser colaborar, por favor, passe adiante…procurem melhor informação no face...lolol
    Pouca expectativa me cria também o projecto “livro” que, em vez de o adequarem à realidade de Forninhos, querem que seja a realidade “deles”.
    Mas, se assim é, porquê a referência à terra dos nossos avós?
    Ah! E ainda vão dizer, no seu tom pulpital que foi a Junta a escrever história da terra dos nossos avós!!!
    Então, e o que nós escrevemos? Sei que até dizem que o blog dos forninhenses é só política. Não ponho aspas em política, de propósito.
    - Enfim, Serafim! [como dizem na minha terra - Forninhos].

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  14. Lembro-me a minha madrinha, Natália, falar num dia de excursão muito divertida, em que a malta do Outeiro e Ribeiro foi quase toda. Todos tinham histórias engraçadas para contar. Disse a Natália.
    Por exemplo:
    O tio Armando Castanheira contou que foi à feira de Trancoso vender um burro e um cigano que também tinha um, disse-lhe: - Quanto quer pelo burrinho?
    E o tio Armando lá lhe disse.
    Resposta do cigano:
    - Fique aqui com o meu, enquanto vou dar uma voltinha com o seu...
    Esperou, esperou, mas o cigano nunca mais voltou…arreliado levou para casa o burro do cigano. No dia seguinte deu conta que o burro era cego e pensou “quem quer não se meta com ciganos”.
    Esta história é muito parecida com a do irmão da tia Ana Saraiva. A expressão “com um olho no burro e outro no cigano” deve estar relacionada com estas histórias populares que faziam parte do dia a dia da nossa aldeia e semelhantes às de qualquer aldeia de há 50 e tal anos. Depois, conforme as realidades de cada terra, as pessoas contam-na à sua maneira!

    Bom fim de semana.

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  15. Que belo relato, lembro de quando era criança em Solidão, também recebíamos ciganos, minha mãe tinha muitas jóias de ouro comprada deles. Para nós era uma festa recebê-los com sua magia e trazendo na bagagem sonhos para nós de uma terra muito distante da civilização. Alguns deles são nosso amigos até hoje e nos visitam.
    Tenho um encantamento neste povo e sua cultura, não sei de onde vem esse apego a eles. Já passei por muitas situações que em confundiram com uma cigana e foram muito agressivos, fiquei muito revoltada, pelo tamanho preconceito. Também tive pelos ciganos o mesmo preconceitos eles não acreditaram quando disse que não era cigana, acharam que eu tinha abandonado minhas raízes. As vezes nem sei o que sou, mas sou filha de portugueses, alemães e negros, por isso que ficou essa mistura de raças que ninguém me define.
    Xico, gostei muito do seu comentário sobre as jazidas de areias, estamos nessa luta há muitos anos e não vamos abandonar, é revoltante ver que quem devia nos proteger, venda seus serviços por quem paga mais, aqui estamos mostrando e denunciando os favoritismo por parte de fiscais federais e políticos. A briga ta feia mas vamos continuar peleando.
    Tenha um ótimo fim de semana.

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  16. Anajá, obrigada por tão bom comentário.
    Sendo Forninhos uma terra essencialmente rural, também era uma festa recebê-los, sobretudo as crianças. Os seus pertences e apetrechos para cozinhar reluziam…há também leitores forninhenses que brincaram com crianças ciganas…e os adultos aceitavam bem a sua presença.
    Grande abraço…e obrigada mais uma vez.

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  17. Xico,

    Lá no interior do Brasil, onde meus pais nasceram e viveram por muito anos, eles costumavam acampar por lá. Quando ia passar férias, adorava saber que eles estavam por perto. Os adultos temiam um pouco, mas logo faziam amizades. A fama deles não era muito boa por lá também.
    Na minha opinião é um povo alegre e livre.
    Na minha cidade, as ciganas costumavam ficar na Quinta da Boa Vista, um lugar turístico, onde pediam pra ler as mãos.
    Nunca acreditei muito nas previsões delas, mas respeitava.

    Não imaginava que eles também fizeram parte do passado de Forninhos, e gostei demais dessa postagem.

    Na minha opinião, esse blog é cultural. Aprendo muito com vocês.

    Xico,
    Obrigada pelo seu comentário no meu último post! E, se desejar pegue meu endereço de e-mail com a Paula, para conversarmos mais sobre o assunto.

    Paula,
    Fiquei muito feliz com o seu comentário também. Sua amizade é muito importante pra mim. Obrigada de coração!

    Lindo final de semana pra todos! Beijos

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    1. Sim! Este blog é cultural e fazendo sempre "finca-pé" aos temas da junta local foi possível seguir o rumo traçado, onde defini, em Novembro de 2009, a história, estórias e memórias da minha terra.
      Fomos agora ao baú de memórias buscar a presença dos ciganos em Forninhos, por sabermos que os jovens forninhenses não se lembrarão de vê-los por lá...pois nas últimas décadas deixaram de aparecer...é um passado que já não desejam!
      Está a interrogar-se:
      Já não existem por lá ciganos?
      Existem ciganos, mas não têm a ver com os que chegavam em carroças, carregadas com as mulheres, crianças, mantas, caldeiros, apetrechos para cozinhar, um cão...etc...
      O progresso tudo muda...até o modo de vida e de pensar dos descendentes do povo de Forninhos se alterou!

      Beijos e Feliz Aniversário!

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  18. Gostei da postagem, parabéns!
    Bom final de semana =)

    Visita lá? ;3
    http://himi-tsu.blogspot.com/

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  19. Gostei de ler sua crônica, Xico. Beijos e bom domingo!

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  20. Vim aqui à liça com o tema dos ciganos .
    Parte das nossas memórias, ou estou enganado?
    Tanto apoio e carinho de gente de "fora", ás quais agradecemos pela força que nos dão.
    Não cito nomes dos vários continentes sob pena de "menosprezar" alguém.
    Não pensem que Forninhos é uma cidade ou vila
    É apenas uma aldeiazinha, para aí com 200 habitantes
    Mas, quem vier, será recebida nos sonhos de algo, já pensado e esquecido.
    Lembranças e encontros, no mistério de nós próprios.
    Forninhos não dá valor ao que tem. Os residentes que se vergam perante a subserviência, está nas suas entranhas .
    Por isso é tão bem vindo o vosso apoio e a curiosidade desta terra de mistérios.
    Apenas a tentamos manter viva.,
    E que não deixe de se orgulhar dos "SEUS".
    Os bons ciganos, "deirxaram" a herança da ciganice.
    Apenas um apelo:: honrem asw memórias de Forninhos.

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  21. Sabe Xico,
    O seu blog é cativante. Tanto pelos costumes dos nossos cantos mas muito pela forma viva como encanta com as suas histórias.
    Muito obrigada pelos "bocadinhos" deliciosos que nos proporciona.
    E quanto a povo cigano, realmente a minha serrania não os atraía...Não tenho recordações meninas com eles.
    Gostei da Ladainha do batismo...
    Beijinho grande

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  22. Forninhos recebia bem toda a gente que vinham de fora. Os ciganos sentiam-se ali muito bem. Acampavam num terreno dos avos da Paula onde e hoje o café do primo. Gostavam de ficar perto da fonte para terem agua com abundance. Cozinhavam bastante porque numa altura que eles la apareceram tinham morrido alguns porcos, ja estavam enterrados, eles souberem disso foram ao local tiraram-nos trouxeram-nos para junto da fonte todos de volta dos porcos lavaram-nos muito bem lavados e mais tarde ja cheirava a torresmos . Para acompanhar iam pelo povo ler a cina em troco de batatas, feijao e outras coisas , depois de barriga cheia lavavam a louca e tudo cantava e dancava . Enquanto havia carne nao saiam dali. Para nos garotada e nesse tempo eramos muitos era festa todos os dias. Agora tudo faz mal mas naquele tempo comerem quanto quizerem e ninguem morreu. Obrigada Xico tras mais coisas que se passaram nos nossos Forninhos.

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    1. Natália, era uma festança!
      Forninhos sofria e eles cantavam e dançavam.
      A aldeia trabalhava e eles recebiam o seu quinhão do trabalho.
      Nunca foram parvos.
      Pediam e em troca vendiam sonhos.
      Hoje já nem nos fazem sonhar...
      Beijinho grande e um abraço ao Manel.

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  23. Lembro quando os ciganos acampavam perto de minha casa aqui em Salvador, tinha uma visão, que foi repassada naquela época para mim, não muito favorável em relação à eles...hoje nem vejo mais e nem sei onde se encontram aqui na Bahia.
    Abraços.Sandra

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  24. Olá amigos, recuei no tempo e sorri ao lembrar-me de que eram exatamente assim os sentimentos que na minha aldeia se nutriam pelo povo cigano. Como criança admirava-os e não me lembro de ter qualquer receio! Pelo contrário interrogava-me de como era possível viver assim ao relento e deambulando por todo o lado, sem poiso certo. Apreciava-os e ainda hoje gosto da música tão característica deste povo. Beijinhos Ailime

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  25. Também me lembro de os ciganos acamparem em Forninhos, ouvi falar da história da Maria Forninhos, mas não a sei contar como deve ser contada, por isso deixo para a Paula a contar.
    Como não sei nenhuma história deixo aqui uma canção que a minha madrinha Natália costumava cantar.
    Cigano lindo cigano, cigano lindo meu bem.
    Lá vai o cigano preso sem roubar nada a ninguém.
    Sem roubar nada a ninguém, sem roubar coisa nenhuma.
    Foi por achar uma corda na ponta tinha uma mula.
    Na ponta tinha uma mula, e mula puxava o trem.
    Lá vai o cigano preso sem roubar nada a ninguém.


    Costuma-se dizer que quem não é cigano é burro.

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  26. Tem sido aqui comentado por quem sabe ou ouviu, peripécias de ciganos que por aqui andaram,
    Pediam, vendam sonhos, cantavam e dançava.
    Até se diz que uma criança em Forninhos nascida, foi baptizada com o nome da nossa aldeia.
    Episódio comovente.
    Mas, alguém poderá contar coisas desconhecidas no geral, como por exemplo, os casamentos ciganos que segundo consta, levavam dias e dias de festa?
    Os casamentos eram anotados no Registo Civil?
    Os padres da paróquia de Forninhos, à época, também intervinham nos casamentos ciganos e benziam as alianças?
    Ou não, por serem casamentos civis e a Igreja não o permitir?
    Houve em Forninhos acontecimentos desta natureza?
    Duvido, a Igreja na altura era ainda mais fechada que agora.
    Agora está mais moderna, aperaltada; e usa computador e máquina de calcular.
    Antigamente pagava-se a bula pelo perdão de Deus.
    Agora basta a fotografia e todos ficam felizes.
    Os ciganos sempre tiveram fama de terem muitos filhos, mas simpatizantes e admiradores, muitos por cá deixaram...

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  27. Forninhos é uma terra bonita e recebia bem os forasteiros, incluindo, os ciganos. Os ciganos não roubavam, pediam. Pediam até comer (feno) para os seus burros e toda a gente os ajudava.
    Num recente comentário/resposta escrevi que as pessoas mais antigas referem que os ciganos usavam muito um pátio na Lameira e esse terreno dos meus avós, lugar hoje do Café "Paga-Pouco". De propósito, não referi que também acampavam no Lugar...pois o que me incomoda (e não me agrada mesmo nada) é ver por aqui uma "raça" que só anda a surripiar informação, mas como prometi falar da história da Maria Forninhos, vamos a ela.
    A Maria Forninhos nasceu numa loja, palheira, do tio Joaquim Grilo, ali ao pé das Alminhas, quem vai para a Igreja.
    Normalmente, depois de dar à luz, para recuperar do parto, as mulheres comiam uma canja de galinha, mas naquela época nem todas as famílias podiam fazer uma canja e fazia-se também o caldo de unto - um caldo bem gorduroso. E foi o que fez a minha avó Jesus e levou à cigana um caldinho de unto. Então, por causa deste seu gesto, foi convidada para ser a madrinha da menina, a quem disseram que iam lhe pôr o nome de Maria Forninhos e, assim foi. Entretanto, descobri que também foi baptizada em Forninhos à maneira deles (ciganos).
    Tenho por isso dito, que Forninhos é uma terra bonita. Pena as "novas pessoas" fazerem "as coisas" no sentido do individualismo e, sobretudo, do partidarismo!
    O tema casamento, bem esmiuçado, também dá pano para mangas.
    Mas, por ora basta...

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  28. Vida de Cigano.
    No tempo em que eu era miúda lembro-me que os ciganos apareciam em Forninhos frequentemente.Vinham em caravana e aparcavam em lugares amplos, perto de onde houvesse água.
    Quando havia epidemia de porcos e galinhas, os ciganos apareciam em Forninhos como que advinhos! Davam volta ao povo para saberem onde os animais tinham sido enterrados e depressa procediam ao desenterro para aproveitarem as partes da carne dos animais que lhe convinha.
    Cozinhavam a carne em panelas de alumínio, que depois as lavavam e areavam, deixando-as reluzentas.
    Hoje os ciganos dedicam-se ao negócio das feiras, mas no tempo das minhas lembranças andavam de porta em porta, os homens a ver se vendiam gato por lebre e as mulheres a lerem a sina a troco de dinheiro ou géneros alimentícios.
    Em dada altura, houve um Inverno muito duro e longo. Uma família de ciganos albergou-se no sítio da Lameira, perto da minha casa, no pátio coberto da tia Maria do Melo, bisavó do Xico.
    Havia um jovem cigano que ganhou a confiança do meu pai e ía a nossa casa pedir lenha, oferecendo-se ao mesmo tempo para a rachar, para ele e para nós e o meu pai deixava que isso acontecesse.
    Chegava-se ao pé do meu pai e dizia-lhe:
    - Ó Sr. José tome lá um cigarro. Olhe que se algum dia o encontrar numa feira a si, pago-lhe um almoço. Agora ao outro que me roubou a corda só se não lhe puder dar umas cacetadas. Referindo-se a um homem da nossa terra, cujo nome não vale a pena mencionar, que havia roubado uma corda aos ciganos.
    Proveniente da longa duração desse Inverno, gerou-se uma tal confiança entre a pequenada da rua, com a pequenada dos ciganos, que as brincadeiras de crianças se tornaram mútuas.
    Tal como cantou a Amália eu hoje digo: Estranha forma de vida...!

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    1. Olá Margarida.
      Agora percebo porque gosto tanto dos ciganos, está-me no sangue.
      Se já a minha bisavó lhes dava guarida...
      Pena foi o cigano não ter dado umas valentes cacetadas a esse salafrário.
      A história do teu pai ainda ficava mais bonita.
      Beijo.

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  29. E depois ainda vai o cigano preso por ter achado uma corda (como diz a cantiga)!

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    1. Se calhar o "outro" também pensou que na ponta tinha uma mula...

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  30. GOSTEI DOS DOCUMENTÁRIOS

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