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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pesos e Medidas

Como se media a bebida, os líquidos? Para a compra e venda do vinho, tanto quanto sei, era medido em almudes (cântaros). Por exemplo, no concelho de Aguiar da Beira: um almude (30 litros) e um cântaro metade disso (15 litros); e depois, havia as medidas de 1 litro, 1/2 litro, 1/4 litro e 1/8 litro. Mas nas tabernas e feiras falava-se de um quartilho ou meio quartilho de vinho. Estas medidas eram regulamentadas e uma vez por ano eram presentes às autoridades municipais para serem aferidas e seladas com um selo próprio (de estanho), como as da fotografia:

panóplia de medidas pequeninas

O funil e a cantarinha também levavam o mesmo selo.
E os sólidos como se pesavam? 
As medidas usadas para medir o centeio - o nosso pão -, milho, batata, castanha, queijo, e de que me lembro melhor, são:
- um alqueire de pão (13 quilos aproximadamente).
- uma arroba de batata: 15 quilos, que ainda hoje se fala.
Outra medida, o quarteirão (25 sardinhas ou chicharros).

Alqueire

Hoje, toda a gente para comprar ou vender já usa o quilo e o litro, mas vocês leitores terão decerto lembrança de outros indicadores de peso e de medida que hoje já não usamos e, por tal, espero contar com a vossa recolha, que sendo pessoal melhor ainda.

42 comentários:

  1. Donde nací, en el Bierzo, aún se hace la medida del vino en cántaros.
    Precioso Reportaje.
    Abraços e beijos.

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  2. Que legal rever essas coisas assim antigas.
    No velho armazém onde ía com minha avó e tuia era assim. Legal! beijos,chica

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  3. Paula,
    pra mim tudo isso é novidade... Já ouvi falar sim, mas não tive experiência com essas medidas de peso e volume... Foi bom vê-la descrevendo, contando a história...
    Há uma beleza no antigo que aprecio muito! As coisas modernas são práticas/sofesticadas, mas perdem algo que é tão natural, simples e precioso!...

    Um beijo. Boa Noite. Aí já é plena madrugada, né?!... Tchau

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  4. Paula e Xico,

    Fico admirada com os assuntos interessantes que você trazem para o blog.
    Não me lembro de nenhuma medida diferente. Só não entendo, porque uma senhora levava verduras pra minha avó, numa latinha de óleo, e dizia que era um litro. Como pode um litro de verduras? Rs Coisas da senhoria, e de uma menina, que eu era na época. Já faz algum tempo isso. Risos.

    Agradeço pelo imenso carinho de vocês para comigo, e vim deixar um abraço e desejar um lindo final de semana.

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    1. Lucinha,

      Também eu tenho uma vaga recordação de se falar em tantos litros de feijão e/ou grão. Falava-se em terem colhido tantos alqueires de feijão, mas no acto de compra e venda (nas feiras ou mercearias) falava-se em medidas de litros (copo/lata).
      Por ora, ainda não consegui confirmar com ninguém, mas tenho essa reminiscência.

      Alguém se recorda disto?

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  5. Dos termos de medida que mais saudades tenho, é sem dúvida o quarteirão.
    Na altura das escanadas de milho e até nas vindimas, quando se juntava aquele rol de gente, havia que aguar a boca e nada melhor que a sardinha e por vezes o chicharro.
    A sardinheira pousava a caixa do peixe no muro ou no balcão das casas e gabava o produto: "olhe-me que beleza, vieram esta noite da Figueira e o carapau da Nazaré.
    Vai um quarteirão ou dois? olhe como brilham os olhos delas, frequinhas, fresquinhas. Fique com dois quarteirões de sardinhas e meio de chicharro que hoje vossemecê tem cá uma arrebandada de gente. Vá e, que Deus lhe pague".
    Era assim, a sardinha contada uma a uma e regateavam-se as maiores e mais bonitas.
    Sem balanças.

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  6. Há uma medida que nem a modernidade do quilo e do litro não conseguiram destronar, a dúzia!
    Desde uma dúzia de ovos, até por vezes meia dúzia de figos.
    Nas tradicionais feiras ainda se encontram as cestas, com aqueles ovos caseiros, vendidos desde a meia dúzia até às dúzias.
    Da mercearia da aldeia até às grandes superfícies comerciais, lá estão eles embalados e vendidos da mesma forma, mas mais limpos e asseados, mas de longe não tão saborosos.
    A dúzia é e sempre será a dúzia.
    Não precisa de balanças!

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  7. Ao que me foi dado apurar, uma outra unidade de peso seria a onça.
    É mais conhecida actualmente pelo uso de pesar ouro e o seu peo equivale a cerca de trinta gramas.
    Em Forninhos era mais conhecido o termo por uma onça de tabaco e era o tabaco mais barato, para enrolar em mortalhas fazendo cigarros, vendido em embalagens com o peso de uma onça, o que terá levado a que a própria embalagem ficasse conhecida por esse nome.
    Presumo que fosse vendido na taberna do Antoninho Bernardo e Augusto Marques.
    Curiosamente face á crise, está profundamente disseminada entre a juventude.
    Quem se chegava a alguém para cravar tabaco, seria portanto, mais amigo da onça do que da pessoa.
    Daí a expressão, amigo da onça!

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  8. Boa! A dúzia, que ainda hoje é muito referida. Já a onça, essa, sim, passou-me completamente!
    Quanto aos líquidos:
    Como era medido o azeite? Em cântaros?
    Mas como sempre ouvi o termo "pote de azeite", pergunto-vos se o "pote" foi/é também um objecto-medida.

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    1. Presumo que o azeite fosse medido em cântaros, tal como o vinho.
      Quanto ao pote de azeite, este seria simultâneamente vasilha para guardar o líquido mas com medida estabelecida, idêntica ao cântaro.
      Cada pote levaria cerca de sete "canadas" e meia.
      Cada "canada" era composta por quatro "quartilhos".
      Cada "quartilho" equivalia a cerca meio litro.
      Contas feitas e se não estou enganado o pote levava cerca de quinze litros, tal como o cântaro.

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  9. Poderá à primeira vista não se enquadrar no tema mas isso deixo ao critério e interpretação dos leitores.
    Falo do centeio e do processo anterior a ir parar à arca.
    O centeio era "ceifado", atado e de seguida posto na terra em molhos com a espiga para cima, numa espécie de pequeno palheiro de molhos.
    Passados alguns dias, quando já seco, era "acarretado" pelos animais para a eira e posto numa "meda" para ser malhado.
    Cada "carreto" de vacas transportava para a eira entre quinze a vinte "pousadas", conforme a força dos animais, sendo que cada "pousada" era constituída por cinco molhos.
    Depois de malhada, a "pousada" dava por norma um alqueire de centeio.
    Poderão não ser valores medíveis mas era assim que estava instituido em Forninhos.

    Bom fim de semana a todos.

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    1. Muito bem lembrado, pois os agricultores da nossa infância, em determinadas situações, usavam essa forma menos rigorosa de medir.
      Através dos molhos/fachos de centeio sabiam, mais ou menos, os alqueires colhidos, e mesmo pelas sementeiras dum cesto ou cesta de batatas de semente calculavam as arrobas que iam colher. Pelas vindimas, quando se colhiam os cachos para as dornas, até sabiam dizer quantos litros de vinho dava uma dorna. Embora hoje não haja dornas, os agricultores têm noção, sobretudo no lagar, quantos litros de vinho vão ter.
      Para o vinho há, a meu ver, muitas medidas desde as de copo ao cântaro e até aos pipos e pipas. O pipo, pelo que me lembro, era mais pequeno, já as pipas havia algumas "gigantescas" no armazém do Sr. Amaral, por exemplo.
      Quantos almudes levariam?

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  10. Interessante seu post, menina!
    Sempre bom ler essas curiosidades.
    Bjs, querida.

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    1. Obrigada Rose pelo apreço.

      Bjs e boa semana.

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  11. Muito boa tarde.
    Passo hoje por aqui para dar os parabéns á Paula pelo excelente trabalho que continua a prestar na divulgação da sua terra, muito bem acompanhada pelo Chico.
    Sabiam que o almude e o alqueire variam de concelho para concelho? Por exemplo o almude em Mangualde é de 27 litros meio, enquanto que em Viseu é de 25.
    Já agora queria fazer uma pequena correção: o chicharro não era vendido ao quarteirão, como sabem, este peixe é grande, e um quarteirão quase despejava a canastra, era vendido a dez tostões cada um e três vinte e cinco tostões, lembram-se?
    Ed santos.

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    1. Bem-vindo Ed Santos. Gostamos muito de o ter connosco e contar com as suas palavras, sempre!
      Quanto ao carapau, tem razão: 25 chicharros quase despejava a canastra. Obrigada. Foi falha minha.
      Já agora, por favor, se souber : a arroba é igual a 15 quilos. Mas recolhi de uma monografia local que os compradores de queijo (ou castanha),como arroba, exigiam 15 quilos e meio. A este meio chamavam-lhe o “meio quilo verde”.
      Era assim nas nossas aldeias? Seria bom sabermos isso.
      Obrigada ainda pelos parabéns e pelas suas precisões.

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    2. Senhor Eduardo, apenas lhe envio um abraço sincero.
      Fico feliz pelo seu regresso.
      É bom para todos e enriquece Forninhos.

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  12. Muito boa noite, é verdade os alqueires e almodes não são iguais em todas as terras, quanto feijão e grão serem vendidos ao litro isso era comum nas lojas em Lisboa e em outras terras, era medido numa caixa em madeira que levava 1 litro certo, era cheio e depois passava-se com um pequeno pau para acertar, ainda me lembro de na minha escola existir as medidas desde o litro até ao mililitro litro e do kilo ao grama. Hoje ver essas medidas hoje é um reviver o passado.

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    1. Em Forninhos, confirmei que o cereal era medido por litros, mas o que me disseram é que usavam um copo-medida constituído por dois litros.
      Quanto ao alqueire, até me foi dito que na mesma terra (não era o caso de Forninhos), tinha de senhorio para senhorio pequenas variantes.
      Não sei se era bem assim, mas estou a vender “a coisa” tal como a comprei!
      Devo também lembrar que na escola de Forninhos havia alguns pesos e medidas, mas o mais certo é tudo ter desaparecido.
      Infelizmente!

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  13. No tempo da tenra infância as medidas de funil eram usadas em Curitiba, onde se comprava a granel a quantidade necessária. As medidas divisórias do litro também eram usadas para se comprar manteiga e nata. Hoje usam-se as medidas litro e quilo e o funil não vale como medida para a compra de cereais na capital. Um abraço, Yayá.

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    1. Interessante Yayá.
      Fez-me lembrar a palavra "nata" as medidas usadas nas receitas de bolos. Usava-se um recipiente: a chávena almoçadeira (xícara, no Brasil) para medir a farinha, açúcar, leite e até o óleo.
      Abraço.

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  14. Nos anos 50, quando fui para Lisboa, "enviado" das Beiras, com um endereço de alguém conhecido dos meus Pais, trabalhei como marçano numa mercearia e bem me recordo de vender feijão e grão ao litro, numa medida feita de madeira, que era finalizada com uma régua, rasando o cereal. Curiosamente, lembro que o patrão executava esse serviço bem melhor do que eu, pois medida feita por ele continha, com certeza, menos quantidade do produto... Enfim, lembranças de um passado longínquo.

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    1. Em Forninhos também houve bastante migração e Lisboa foi o principal destino para muita gente. Alguns ainda hoje se mantém com os seus descendentes na grande cidade.
      Mas obrigada pelo esclarecimento dessa medida de litro para os cereais, pois muitos de nós temos presente é o feijão e grão já ser medido ao quilo.
      Até a moeda que circulava era outra, o escudo, mas disso ainda quase todos se lembram. E eu ainda me lembro falar-se em tostões - de 25 tostões (2$50).
      Tem algum blog?

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    2. Olá Aluap,
      Obrigada pelo seu comentário ao meu em referencia. Respondendo à sua pergunta, se tenho algum blogue, não tenho nenhum. Limito-me a visitar alguns, como o seu, onde sempre se aprende alguma coisa. Já agora, convido-a dar uma olhada no blogue http://sarzedasdovasco.blogs.sapo.pt/, cujo nome é o da minha aldeia, onde nasci há 76 anos. O seu autor é o meu amigo Armando Eiras, natural da mesma aldeia.
      Os meus cumprimentos.
      Manuel Tomaz.

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    3. Incentiva-me muito as suas palavras. Espero que tenha tanto prazer como eu, em aqui escrever e ler esta página, já que para certas pessoas de Forninhos ele (blog) é antigo demais.
      Vou visitar esse blog do seu amigo. Obrigada.

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  15. Lembro-me muito bem destas medidas aqui representadas, ainda temos em Forninhos um copo de metal e um funil para tirar o azeite do pote e por na almotolia, não sei se esse copo é alguma medida.
    Lembro-me de quando ia às vendas comprar colorau, canela e açúcar os porem num cartucho de papel, não me lembro se eram pesados ou se eram por medida.
    Também me lembro de a minha mãe ir à venda da Senhora Emília comprar pano a metro que era medido com um pau de um metro cheio de riscos para marcar os centímetros, ainda à pouco tempo fui a uma loja comprar meio metro de uma fita, quando vi que a Senhora mediu a fita com um pau desses, a venda da Senhora Emília veio-me logo à memória.

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  16. Também tenho recordação desse metro e "tracinhos" e de na Venda dos meus avós, a minha avó Jesus medir o colorau e cominhos em cartuchos de papel. Penso que esses cartuchos não eram uma medida exacta, mas pelo que me consta, nesse tempo, as pessoas tinham já a medida certa na mão.
    Das medidas de comprimento, temos outras que derivam do metro: fita métrica (das costureiras e alfaiates), a régua e esquadro (dos pedreiros), etc...
    Mas outra medida utilizada em Portugal, no Brasil e em outros países, mas de comprimentos longos, de itinerários, era a légua. Hoje, em geral, fala-se em kilómetros.

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  17. Os cartuchos já feitos, de 1/2 kilo e kilo, serviam para o açucar, arroz, grao de bico, feijão e massa, o café e colorau era vendido em cartuchinhos que o taberneiro fazia de uma folha maior ou menor, conforme a quantidade pedida pelo cliente e, normalmente era enchido com uma colher e pesado em gramas,tambem se pedia normalmente, não em gramas mas: dez tostões, (1$00) ou 2$50 de café ou colorau.
    Quanto á distancia, utilizava-se a légua, (5 kilometros) que levava uma hora em passo normal.
    Eu fiz algumas.

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  18. Sempre então é verdade que na nossa região 5 Km era 1 légua!

    No post «1758 - Memórias Paroquiais de Forninhos», quando entendi que o Cura diz que de Forninhos a Lisboa são cerca de «sessenta legoas» e a Viseu «cinco legoas» discutimos essa medida.

    Um abraço de amizade.

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  19. Sobre os pesos e as medidas que se praticavam em Forninhos na minha infância, recordo-me que e sardinha era vendida à 1/2 dúzia, à dúzia (13 unidades) ou ao quarteirão (25); nos cereais utilizava-se o alqueire que também lhe chamavam rasa (quando estava cheio passavam-lhe com uma régua ou resoiro por cima para nivelar); havia oliveiras que pertenciam a várias pessoas e na divisão utilizava-se primeiro o alqueire, seguidamente o meio e no fim a quarta; normalmente o meio e a quarta eram feitas de uma só peça tipo alqueire; dum lado ficava o meio e na costa ficava a quarta.Nos líquidos utilizavam-se os copos redondos com uma asa nas várias medidas.Como não havia pronto e vestir vendiam-se muitos tecidos que eram medidos com um metro feito em madeira quadrada, que ainda hoje se utiliza. Nessa altura quase toda a gente fabricava queijo, que vendiam normalmente todos os quinze dias nas feiras de Fornos, Penalva ou Feira-nova; normalmente levavam uma arroba, deixando ficar em casa um ou dois com pior aspecto para consumo;eram pesados numa balança decimal feita em madeira; na feira quem vendesse o queijo pelo preço mais alto diziam que fulano de tal tinha posto o ramo.Havia também uma balança muito antiga de pendurar que de um lado tinha uma grande pedra e do outro um gancho para pendurar a carga (tipo braço das gruas utilizadas nas obras). Sobre o preços recordo-me comprar 2 rebuçados por 1/2 tostão e 5 serpentinas no Carnaval por 1 escudos; 2 chicharros grandes custavam 2$50, uma dúzia de ovos 1$00 e uma galinha 6$00.
    Em Lisboa havia balanças nas ruas para pesar as pessoas; metia-se uma moeda e saia um cartão com o peso e um signo ou artista de cinema. As bananas eram vendidas à dúzia;no arroz, açúcar, sal e restantes cereais utizavam-se medidas de madeira,sendo também niveladas com uma régua. As batatas e cebolas eram vendidos ao quilo e eram pesadas numa balança que ficava em cima do balcão; num lado colocam-se os pesos e no outro a mercadoria; quando o merceeiro ia dar a volta ao balcão tirava uma batata ou cebola, antes de entregar a mercadoria ao cliente. O azeite e o petróleo eram vendidos ao litro; havia bombas em cima do balcão parecidas com as usadas nos postos de abastecimentos de combustíveis para fazerem a mistura para os motociclos. Nessa altura não havia nada empacotado; era quase tudo vendido a granel; como não havia gás engarrafado, utilizavam-se muito as máquinas a petróleo.Os vendedores ambulantes utilizavam uma balança de pendurar com 2 pratos; por mais que fiscalizássemos a pesagem, éramos quase sempre enganados; quando chegávamos a casa e íamos confirmar o peso, o quilo não tinha mais que 850 gramas.
    Sobre as restantes balanças, não me pronuncio, pois a conversa já vai longa.
    Um grande abraço a todos,

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  20. Caro amigo e primo João Albuquerque:
    Que comentário fantástico! Tenho de o ler, pelo menos, mais 3 ou 4 vezes e mais devagar, porque estas coisas não combinam com pressas e stresses. Mas tendo em conta que refere que para dividir a azeitona utilizavam o alqueire, o meio e a quarta, tenho também uma vaga ideia de na minha meninice referirem essa medida. Já hoje, soa estranho se alguém disser que colheu meia dúzia de alqueires de azeitona! Por exemplo.

    Bjos

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  21. Boa tarde Paula!
    Aos domingos os moleiros iam a Forninhos com as mulas carregar os cereais para moerem nos seus moinhos. Normalmente, de 15 em 15 dias, as pessoas mandavam moer, 2 alqueires de milho no Inverno e 2 alqueires de centeio no Verão, para cozerem o pão que dava para 2 semanas; de vez em quando,também mandavam moer trigo e cevada.
    Na praça do Cais do Sodré, os barcos descarregavam peixe, de maneira que, os carregadores iam tirando um peixe de uma caixa aqui e noutra acolá, até formarem um monte a que davam o nome de "teca", que vendiam por baixo preço.
    De vez em quando os comerciantes iam a Forninhos vender loiça de barro; como não havia dinheiro, as pessoas enchiam de cereal a vasilha que queriam levar e a troca era imediata. Bjs.

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    1. E esses moleiros utilizavam no transporte as taleigas, (sacos com farinha).
      Sobre essa troca, do tempo em que quase não havia moeda, entre os comerciantes e os habitantes de Forninhos, não conhecia. Obrigada.

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  22. Paula!
    A légua antiga é uma unidade de medida itinerária que equivalia a 5 quilómetros.
    Bjs.

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  23. Ainda hoje, aqui e acolá se ouvem frases soltas tais como:
    - Com peso e medida.
    - Portas-te mal e apanhas pela medida certa.
    - Não bate a bota com a perdigota.
    - Ele é um homem de peso (físico e em estatuto).

    E na escola, volta e meia apanhávamos com a régua....

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  24. Deve haver leitores que já viram no "Post: O Linho" a nomenclatura das medidas do linho, como a "estriga" que era nada menos do que a medida/quantidade de linho ainda em rolo.
    E na produção de resina, apanhada e incubada em barris?
    O preço de cada bica variava de ano para ano, mas qual era a quantidade de um barril?
    Usavam pesos, quilos?

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  25. Um pinheiro bravo de tamanho médio, produzia três a quatro quilos de resina por ano.
    A resina na colha era tranportada em latas à cabeça e o seu peso rondava os quinze quilos, sendo depois deitada nos barris de madeira, estratégicamente colocados nos caminhos para mais fácil acesso aos carros de bois.
    A capacidade de cada barril, rondava os duzentos quilos.
    Há quarenta e tal anos atrás, no auge de resina, o meu pai e o Tio Elísio, faziam a campanha da resina com as suas vacas, que consistia na recolha e transporte da resina desde as matas até à aldeia para dali ir para a fábrica.
    Por cada barril transportado, recebiam cerca de oito escudos.
    Do que recordo, o último preço da bica paga aos proprietários eram cinco escudos.
    Poderá haver aqui imprecisões, mas as coisas variam de lugar para lugar.
    Um abraço a todos.

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  26. Agora que atravessamos um período de grave crise e todos os dias são anunciadas medidas de peso, deixem-me recordar uma que era uma aberração, a licença para o uso de isqueiro.
    Essa licença que só servia para o próprio, vigorou até 1970 e quem a não tivesse era multado severamente, quarenta escudos de imposto do documento e dez escudos em selagem.
    Em Forninhos acho que o Ti Raúl foi apanhado no café do Sr. Vírgilio com um isqueiro espanhol, de torcida.
    Ia apanhar pela medida grande, mas dizem que fugiu à Guarda!

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    1. Na lei que dava suporte à licença de isqueiro dizia mais ou menos assim:" a utilização de isqueiro, sem licença, só é permitida em locais debaixo de telha", queriam dizer dentro de casa. Conta-se que certo escritor em lisboa, grande fumador, sempre trazia consigo uma telha, que cobria a cabeça, sempre que queria acender o seu cigarro, escapando assim à multa...Será que escapava?

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    2. Obrigado Sr. Manuel Tomaz pelo seu contributo.
      Permita que acrescente outro caso em que a lei era severa.
      Se o aguilhão com que picavam as vacas era mais comprido do que a lei estabelecia, lá vinha multa e pesada dadas as poucos posses dos lavradores.
      Um abraço.

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  27. Olá Xico, obrigada por sua visita, às "páginas" Da Cadeirinha de Arruar. Hoje, aqui no Forninhenses, li algumas postagens e parei nessa, para comentar, pelo seguinte motivo: copiei várias receitas de minha sogra, que era de Goa. Como as receitas são bem antigas, as medidas são como as que aí estão. Ao lado das medidas, pedi a ela para me dizer a que medidas correspondiam, nos dias atuais.
    Estou me deliciando, com o que vocês escrevem.

    Demoro a vir, mas volto quando o tempo "permite".
    Um abraço

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    1. Lúcia, eu é que fico grato pela beleza do seu post e pelo seu interesse por esta pequena aldeia, mas rica em tradições e beleza natural.
      Espero que possa partilhar connosco algumas dessas receitas de sua sogra.
      Eu pessoalmente gosto de comida indiana, sobretudo de Goa.
      Um abraço e bom fim de semana.

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