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sexta-feira, 28 de março de 2014

O encanto da Lameira!



O encanto da Lameira, permanece nas brincadeiras de jogos sempre iguais e em estórias gravadas nas pedras de granito aparelhado de casas envolventes, como as que guarda esta casa de meio século atrás em que nos baixos o tio "Pirolas" aplicava nos momentos de folga do trabalho do campo, a sua arte de barbeiro, a troco de rasas ou alqueires de cereais. Fazia sentido que assim fosse, pois sendo o barbeiro mais um habitante da aldeia, que trabalhava as suas terras como os restantes para o seu sustento, o tempo que gastava a fazer as barbas aos homens da aldeia, ou melhor, a aparar e/ou desfazer, não podia trabalhar, logo teria de ser compensado!
Depois, este largo, como porventura outros similares, reunindo o comércio de aldeia e a nossa-Forninhos- não escapou  à regra. Ao centro, a venda do Augusto Marques, desde o ancinho ao machado; um pouco acima, a taberna do Zé Matela; mais abaixo a mercearia, farmácia e correio do Zé Bernardo.
Meio século após, o Largo está mais fidalgo acompanhando o evoluir dos tempos, mas cuidado Lameira, sem glamour desprovido, mantém a tua beleza pois impagável é a riqueza que guardas dentro de ti!

Pudera voltar a ti
E ouvir o teu cantar
No arrastar dos tamancos
Com a lama das courelas
Cantando ao chiar dos carros
Das vacas, pois evidente
Tanto fervilhar de gente
Que te pintava nas telas
Desse espaço esburacado
Sempre de todas mais bela
De ti sempre enamorado
Sem outra coisa na ideia
Como é bom estar encostado
No meu Largo da Lameira.

(28 de Março de 2014
inédito - XicoAlmeida)


Espero que gostem!!!

47 comentários:

  1. Nooooossa.Xico! Que lindo poema fizeste declarando o amor ao Largo da lameira e tudo de lá! ADOREI! abraços, lindo fds! chica

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    1. Passando por ali, nesse lugar, qualquer um é poeta,
      Não precisa de escrever, basta sentir...
      Abraço.

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  2. Que dizer de tão belo poema?
    Que só poderia vir de alguém que muito ama a 'minha' Lameira!
    Quanto à barbearia do tio Pirolas, visto estar no meio da Lameira, as pessoas mais antigas, contam que era a mais frequentada, até pelos caixeiros viajantes que vinham abastecer essas tabernas que referiste. Iam lá cortar o cabelo e pagavam com dinheiro, claro está! O resto dos clientes, era uma barba por semana e um corte de cabelo por mês e o pagamento era em medidas, um alqueire de milho por ano; meio alqueire, se fosse de centeio.
    Era na Lameira, e acho que ainda é, que tudo acontecia. Este largo foi e será sempre o palco de milhentas estórias.
    Vejo nestas fotografias pormenores deliciosos, mas o curioso é que por mera sorte o piso é de terra.

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    1. Por lá passei em miúdo no tio "Pirolas", acho!
      Certeza tenho, era de ver embevecido a cadeira que rodava; uma coisa à americana. Metia medo era ver afiar a navalha numa coisa de pele e depois "cortar" a cara dos homens.
      Bonito era o púcaro com água e sabão que fazia muita espuma e cheirava bem.
      Ás vezes corriam connosco, miúdos, por causa da conversa de homens. Devia ser sobre mulheres.
      Ouvi que o tio "Pirolas" não cortava o cabelo aos miúdos que tivessem piolhos, "aquilo" pegava-se e depois o povo falava, parecendo que não havia casa que não os tivesse tido.
      Melhor, íamos jogar ao pião, mesmo a coçar a cabeça.

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    2. Faz e...não faz sentido, porque as crianças pegavam os piolhos em contacto com outras crianças, na escola, por exemplo. Mas quando se cortava o cabelo por causa de piolhos e lêndeas, como não havia cabeleireiros tinham de ir ao barbeiro cortar o cabelo! Os piolhos surgem sobretudo na infância, mas os adultos que frequentavam a barbearia podiam pegar os piolhos, pois!

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  3. Xico,que belas recordações! Esses registros são muito importantes ás futuras gerações e nos trazem grande prazer em conhecer. Adorei a poesia no final! Abraços e bom final de semana,

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    1. Obrigado Anne, o intuito é esse: registos acima de tudo para os vindouros.
      Um abraço.

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  4. Muito interessante ver as mudanças depois de tantos anos,mas saber que tudo esta sendo guardado para as gerações futuras aqui neste Blog.
    Muito bem escrito o poema,deves ser um Escritor com certeza.
    Deusa
    Vasinhos Coloridos

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    1. Escritor consoante o momento em que vejo ou ouço a minha aldeia.
      Não só do passado, mas também nos ensejos do futuro
      Uma "amada" de sempre, trapalhona por vezes, mas que ainda respira.
      Apesar de plásticas de silicone e ...
      Abraço.

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  5. Eu gostei do artigo e do seu poema, tambem gostei da forma como recuperaram essa casa!

    Um abraco amigo para si e para todos os forninhenses.

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    1. Basta o carinho pelo "nosso berço"!
      Quanto à casa tão bem recuperada, tem uma singularidade, agora é pertença de um neto de um senhor que outrora por lá fez barba e cabelo, pagando ao ano com uma pequena parte dos cereais que colhia..
      Um abraço, amigo.

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  6. Importante preservar as memórias!
    Beijo

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  7. Olá!
    Adorei! Como sempre. Guardar lembranças, muito bom!
    Grande abraço

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    1. E como bem sabe guardar lembranças, destas.
      Bem-haja pela gentileza.
      Um abraço.

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  8. Oi Xico,
    gosto do seu jeito de narrar as estorias, fica tudo muito interessante e gostoso de ler, o poema fechou lindamente o artigo,adorei!!
    As duas fotos são lindas, a primeira, a casa e a moça levando água na cabeça,(imagino eu) representa uma época difícil, diferente dos dias de hoje, onde a torneira faz a água brotar, e a outra foto, casa preservada, e cheia de estorias, linda postagem !
    Beijos!

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    1. Obrigado Fátma, Quando se sente um pouco na distância o "cheiro" da nossa terra, é diferente. Parece que uma pessoa divaga em recordações numa mistura de emoções.
      E quando por lá se volta, uma vez por outra no ano, a intensidade aumenta e custa, acredite, voltar a partir.
      Mas iremos sempre continuar a preservar a história de Forninhos.
      Beijo.

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  9. Parabéns, Xico , pelo lindo poema! O amor à terrinha trouxe versos sensíveis e expressivos!...
    Salve o Encanto da Lameira!
    Abraço... Feliz Final de semana...

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    1. Bem-haja, amiga.
      Amores de amores e este da terrinha, é e será sempre o primeiro de todos, afinal, um "pedaço" de gerações ali nadas ao mundo e na continuidade de sonhos embora diferentes.
      A mãe terra, no encanto da Lameira.
      Beijo.

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  10. linda postagem, saudade da terrinha, e linda poesia. Parabéns pela postagem. bjsss

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    1. Obrigado Nal.
      Saudade do passado agora sentida no presente como lição de futuro.
      No respeito dos antepassados, que olhando, tanta sabedoria nos dão a "beber".
      Um beijo para si.

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  11. Xico Almeida revelando a sua veia poética ao descrever a Lameira. Bem merece os meus parabéns!
    Abraços, também para a Paula.
    Manuel Tomaz

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    1. Bem-haja, senhor e amigo Manuel Tomaz.
      Afinal quem resiste a encantos sem, como a Lameira, ficarmos encantados.
      Ali, entre encontros e desencontros, concertaram-se famílias, houve zangas e brincadeiras.
      Mas tem poesia de tempos ancestrais a que é difícil fugir e não resisto de maneira caseira e atabalhoada a registar no papel.
      Fica ao menos o sentimento.
      Grande abraço.

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  12. Precioso Poema y un gran Reportaje sobre esa Tierra que siempre se lleva en el Corazón.
    Abraços.

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    1. Outro abraço grande para ti, amigo e companheiro.
      Desta terra, Forninhos, que também te adoptou e espera.
      Fuerza!

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  13. Este poema retrata um cantinho muito particular da nossa aldeia. A Lameira. Vou, por isso, popôr um enigma a quem conhece bem Forninhos, que é o seguinte:
    A mulher que leva o cântaro à cabeça e o regador na mão (imagino que é água também) vêm da Fonte da Lameira ou do Oiteiro?
    Carregar cântaros de água faz parte dum tempo passado, mas vamos tentar adivinhar? É só para ver se são bons observadores e descobrem onde está a lógica de vir da fonte, pela Lameira e seguir na direcção do Porto ou Lage dos Cordeiros!

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  14. Mas que enigma este...
    Pelo modo de vestir da senhora (de blusa), era altura de tempo quente e o sol ia alto, como se pode ver nas sombras projectadas.
    Se levasse apenas o cântaro, poder-se-ia dizer que talvez fosse vinho que andavam a tirar nalgum lagar para os lados da Quelha da Chica; mas o regador não era medida de vinho, portanto seria água e sendo assim, só podia vir da fonte da Lameira, mesmo estando mais próxima a fonte do Miguel, na Eira.
    Acontece que esta fonte no tempo quente, não corria em abundância.
    Também não me parece que seguia em direcção ao Porto ou Lage dos Cordeiros. Acho que vai no sentido da rua que vai da casa do tio Luís Piçoto ao tio Maximiano do Afonso.
    Até nisto a Lameira tem encanto!

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  15. Mais uma boa achega que desperta curiosidade. Só estando atentos aos sinais é que descobrimos coisas que podem vir a ser importantes. Eu adorava saber quem é a mulher e descobrir este mistério...
    No meu tempo já havia perto da casa da tia Adélia/Pirolas um chafariz de água canalizada, no entanto, quando chegava o Verão, e havia pouca água, fechavam a água por umas horas ou porque simplesmente acabava, então tínhamos que ir buscá-la à fonte do Miguel ou à Fonte da Lameira, porque, é verdade, só corria um pinguito na do Miguel.
    O referido chafariz acho que está lá desde 1978/1979 e a casa não estava nada degradada nessa altura, pelo contrário. Aqui até parece desabitada. Cá para mim ainda lá não vivia a tia Adélia ou o tio Manuel Pirolas. Já a casa do tio Augusto Marques devia existir, porque dá ideia que a foto antiga foi tirada de lá, do terraço.

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    1. Curioso que já nem me lembrava desse chafariz, ma tens razão, mais eram as vezes em que nem pinga deitava e quando tal acontecia, a canalha era corrida aos gritos por inocentemente e na brincadeira a desperdiçar.
      No que respeita à casa, antes de ser pertença da tia Adélia, já o havia sido da tia Assunção, casada com um irmão da tia Xoninhas, que estavam na América. Como a tia Adélia não tinha filhos, deixou a casa para as sobrinhas, as filhas do tio Manuel Sobral, de alcunha o "Pirolas" e barbeiro da nossa terra.

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    2. Depois que referiste a tia Assunção, contactei pessoas da minha família que disseram que a casa era sim, da tia Assunção, que foi casada com o tio Porfírio, que tinha a alcunha 'Orait', vindo dele a divorciar-se. Como não tinham filhos então fez a casa à tia Adélia que era sua irmã.
      O tio Manuel Pirolas nunca lá viveu, só lá tinha a barbearia por ser também irmão da tia Adélia. Vivia na casa que é hoje da tia Neves 'cuca'.
      É às herdeiras da tia Adélia que o meu irmão Luís compra a casa. Acaba, assim, a casa por ficar ainda na família, já que o pai da tia Adélia, tio Abel, era irmão da minha bisavó Emília (mãe da minha avó Coelha).

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  16. O tio "Pirolas" é um exemplo dos tempos em que nas pequenas terras um barbeiro nunca seria apenas um barbeiro porque a clientela não seria suficiente para conseguir manter-se, e de como a vida em comunidade era feita muito à base de troca de serviços e produtos.
    Gostei muito da primeira foto da casa, e do poema do Xico que, como suspeito pode não ter dotes de barbeiro, mas poeta é, e dos bons!
    Também gostei muito da descrição do largo, e como diria Manuel da Fonseca no "Largo" d'O Fogo e as Cinzas": "Antigamente o Largo era o centro do mundo". Todos os largos foram um dia o centro do mundo.
    Excelente post!
    xx

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    1. Bem-haja, Laura.
      Uma aldeia pequena e rural como esta, é para ela fácil tocar e brindar-nos com sentimentos.
      Cada canto, maior ou menor, tem o seu sortilégio, o fio de uma história, a página de um livro.
      Ou seja, cada personagem que recordamos ou nos revivem, é uma lenda, ou conto interpretado por cada um a sua maneira, da arte exercida.em épocas antigas.
      Mesmo os nossos campos e casinhas de "brincar" de tão rudimentares terem sido, equivalem à vontade, a qualquer monumento nacional e porque não, superam os mais belos jardins das cidades.l.
      Assim vejo a minha terra...
      Um abraço amigo.

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    2. "Hoje é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta..."
      Na monografia da freguesia de Forninhos, editada recentemente e que é um documento que ficará para os vindouros, nem sequer é referido o nosso Largo da Lameira!
      É com muita pena que vejo tanta foto de lanternas, santos e alminhas e do largo da aldeia que era o local de encontro para fazer comércio, para conviver e para brincar, nem uma foto!
      Não é fácil aferir quando ou onde começou este povoado, se nas casas do Lugar ou da Lameira, mas certeza temos que este largo e as casas de pedra em volta guardam história, muitas estórias da terra dos nossos avós.

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  17. Aqui encontro amor à terra, nesse cantar e contar de toda uma vivência, mostrando as profundas e belas raízes. É bonito e comovente, tanto amor assim, Xico!
    Carinhosos abraços, pro Xico e Paula,
    da Lúcia

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    1. Abraços daqui, Lúcia.
      O mesmo amor que você coloca semanalmente nos belos e históricos escritos, na paixão do que se gosta. Do seu Brasil.
      Muito carinho para si!

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  18. Com certeza é impagavel a riqueza que se projeta
    nas memórias que tem do largo .
    tenham um bom fim de semana.
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  19. ღღ¸╭•⊰✿¸.•*ღ ღ¸╭•⊰✿¸.•* ღ¸╭•⊰✿¸.•*ღ ღ¸╭•⊰✿

    “Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.”

    ― Cora Coralina...

    Com essa frase tão bonita deixo meu abraço de bom final de semana
    elogiando mais uma vez seu belo post, tenha um bom domingo

    ___________Rita!!!!

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  20. Xico, lindo este poema que nos deixaste aqui com estas lindas fotografias da nossa lameira.
    A mulher que está na fotografia com o cântaro à cabeça, dá ideia que vem da fonte da lameira e parece que seja a tia Antoninha Piçota porque vai na direção da casa dela, como há lá mais casas não seu se é ou não.
    Na minha infância o largo da lameira era o centro das nossas brincadeiras, também me lembro de lá serem feitos alguns bailes nos dias da festa da Nossa Senhora dos Verdes, o ano em que os meus pais foram mordomos a festa foi feita lá.

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    1. Olá Maria, em cada comentário teu, fico contente por seres genuína.
      A mulher, quem será? em Forninhos está, mas não teria ali ter vindo casar?
      Pelo sol, sombra e direcção, no calor, vinda da fonte da Lameira, deve ter vindo pela sombra, encostada ao armazém do Amaral e descansar entre dois dedos de conversa. Ou não?
      Acho que normalmente descansavam pousando o cântaro da cabeça nos degraus de um balcão...
      Os bailes na Lameira, quem se não lembra?
      Também os jogos da péla, do cântaro e da bola, que sem balizas duas pedrs de cada lado e vamos lá: Lameira contra o Lugar!
      E os jogos da malha ao domingo?
      Claro que com três tabernas quase juntas e por ser domingo, ao fim de tantos copos, virava em arraial de "porrada" sem motivos de maior.
      Sobrava por norma para a Moradia e Matela, mas os da terra entre si, raro era o domingo em que as mulheres não gritassem:
      - Acudam, anda um "barulho" na Lameira!
      E lá corriam desesperadas a desapertar os seus homens, filhos ou namorados.
      Com o tempo voltava a paz à Lameira.

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  21. Tambem não vos posso ajudar a identificar essa mulher , mas cà pra mim tambem vai na direção da rua do tio Luis piçoto. Quando penso no largo da lameira vem me tanta coisa à cabeça que tenho que escrever um pouco do que eu là passei , toda a malta se là divertiu, aqueles jogos de futebol feitos à pressão , meia duzia pra cada lado, o pà vai là buscar aquelas duas pedras e faz jà baliza de cima que eu faço esta , era assim , recordo tambem o excelente guarda redes que era o Beto cuco, era até anoitecer, às vezes acabava mais cedo, quando a bola batia na porteira do tio Augusto Marques , era uma vez uma bola héhé. Tambem me lembro bem da tia Adelia sempre a varrer ali a porta de casa.

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    1. Se calhar por a tia Adélia andar sempre a varrer, é que na primeira foto o largo aparece mais escuro...
      A baliza de pedras era "lixada", medida a passos que com o jogo, o guarda- redes ia apertando e claro, confusão. Batoteiros, mais os outros...lá de baixo!
      E os rapazes maiores no jogo da malha que iam buscar atrás da porta da venda do tio Augusto Marques, mais os pinos e se jogava ao quartilho de vinho?
      E as pessoas encostadas à sombra do armazém ou à barbearia, puxavam por quem era mais amigo.
      A Lameira sempre foi outra coisa!

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  22. Boa noite Xico, que momento precioso! PARABÉNS grande poeta! Excelente poema através do qual se sente o pulsar da vossa aldeia e a saudade de tempos idos através dos sentimentos que a sua alma de forma sublime expressa! Um beijinho e muito obrigada por este belo momento.Ailime

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  23. Simplesmente...obrigado eu amiga Ailime pelo carinho que nutre pela nossa terra e que tantos sentimentos transmite.
    Um beijo.

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  24. Pelo que a foto antiga mostra, a tia Adélia não podia ali viver. Reparem nas paredes, janelas e patim. No tempo da tia Adélia, do que eu me lembro, quando decidíamos jogar à macaca ía sempre uma à frente espreitar para ver se a tia Adélia estava, porque se ela nos visse enxotava-nos de imediato com a vassoura.
    Os rapazes também jogavam ali à bola. Tanto a tia Adélia como o tio Augusto Marques não gostavam, por isso o meu irmão David diz que caso o tio Augusto a apanhasse, era uma vez uma bola!
    Acho que a tia Adélia enxotava-nos porque tinha a mania das limpezas, por isso não gostava que ali jogássemos, para não levantar pó. Não tínhamos medo, nem a achávamos assustadora, a tia Adélia apenas impunha respeito.
    Tinha no patim e balcão (escadas) da casa muitos vasos de flores e plantas, qual deles o mais bonito! Tudo um brinco!
    Fui buscar algumas vezes água ao chafariz com o regador para regar os vasos. Era divertido :-) E nós (crianças) ajudávamos tbm as mulheres, como a tia Augusta ‘do Adriano” e tia Raquel, a levar os cântaros e regadores de água do chafariz da Lameira para suas casas. Aprendíamos em casa, na escola e na catequese a ajudar o próximo.
    A foto é mais antiga do que o chafariz da Lameira e dentro das habitações ao tempo não havia torneiras. Do Outeiro a mulher da foto não deve vir, pois lá não havia fontes.Portanto, deve vir da Fonte da Lameira pela sombra e até pode ser a tia Antoninha.
    Mas é preciso que se perceba que as avós do século passado tinham sempre que fazer e só se ia à fonte nos ‘intervalos’ do campo e acho que eram as filhas que iam à fonte?!!
    Por tal, pode não ser a tia Antoninha...

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    1. É verdade Paula, o David tem razão, adeus bola se o tio Augusto Marques a apanhasse...era uma vez!
      Gostava de ver a colecção delas, se calhar algumas ainda de trapos retalhadas, pois dizia que tinha a navalha à mão. Se calhar queriam que fossemos jogar para os Cuvos...ou com os calhaus em S. Pedro.
      Tesos ou não, ganhava a garotada que para pedir a bola de volta, "mandava" sempre o mais "santinho" a tocar o coração.
      Quanto à senhora, inclino-me para a tia Antoninha, afinal a casa era logo ao lado e vinha bem carregada, não esquecendo que a água também tinha de dar para a vianda do porco.
      Repara no pormenor por detrás das escadas: uma sebe do carro de bois do tio Luís Piçoto que ali costumava também deixar a grade para aplanar a terra lavrada.
      A Lameira deve ter sido um dos primeiros condomínios privados e daí ter tido o primeiro fontenário de água canalizada.
      Falta de "democracia", ainda o Lugar tinha a fonte de chafurdo e a Lameira, gaiteira, água de torneira.
      Se calhar foi por isso que mudaram a fonte de "lugar".

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    2. Também reparei na sebe do carro de bois. As sebes eram usadas para acartar o estrume curtido para as terras.
      Lá está também a porta larga do pátio coberto da tia Maria do Melo, tua bisavó, que era onde se albergavam os ciganos que passavam por Forninhos.
      Já me disseram que havia ali, entre a casa da tia Adélia e tua bisavó, também uma argola para prenderem os burros ou cavalos!
      Não sei de que ano é esta foto, mas hoje está lá um poste de iluminação, se calhar para lembrar o jogo da reza, neste período de Quaresma.

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  25. Olá,
    Xico que poema belíssimo, conseguiste passar para o verso a beleza do tempo passado. Parabéns. Alfredo falou que colocas poesia em tudo que escreves. Adorei osa apelido do moradores de Forninhos. E esta casa um encanto.
    Bjos tenham uma ótima semana.

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    1. Olá Anajá.
      Forninhos tem o seu encanto tal como tantas aldeias, mas quem não gosta de sua mãe, a mais bela de todas?
      Quiçá um dia não vou cantar à desgarrada com o Alfredo numa pescaria.
      Que se cuide!
      Abraço para vós.

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