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segunda-feira, 24 de março de 2014

A Instrução Pimária

Consta que foi em Alcobaça a primeira escola pública do país, fundada em 1269. D. Dinis, com o cognome "O Lavrador", longe de ligar apenas à rabiça do arado, imprime um forte movimento à instrução pública. 
Até onde me foi possível averiguar, neste site
http://legislacaoregia.parlamento.pt/Pesquisa/?q=Aguiar%20da%20Beira&f=geral&ts=1,
que pode ter interesse porque pode pesquisar/consultar outra legislação régia, pelo Decreto de 7 de Outubro de 1857 consta que foi presente ao Rei um requerimento da Junta de Parochia de Dornelas, districto da Guarda, pedindo que seja ali criada uma cadeira de ensino primário, alegando a necessidade da requerida cadeira, por ser mui populosa aquella localidade, e a mais central em relação às próximas freguezias de Forninhos e Cortiçada. Vista a informação o Rei concedeu a criação competindo à Junta de Parochia dar casa para a collocação da escola, e mobília para o serviço d'ella.
Tendo em conta que fiz a pesquisa por Forninhos, sem resultado,  será que noutros tempos os de Forninhos tinham de ir à escola a Dornelas (tal como hoje)? Tudo me leva a crer que sim, a não ser que a expensas particulares pagassem a algum professor de "ler e escrever", mas gostava de conhecer outras opiniões.

Decreto - Rei D. Pedro V

Sem elementos por onde possa averiguar ao certo, podemos apenas concluir que funcionou a primeira escola numa sala da casa anexa à casa principal do Sr. Amaral, que por esta altura era da família materna da Sr.ª Prazeres, esposa do Sr. Octacílio Amaral. Lá aprenderam a escrever e fazer contas os nossos avós. 
Em 1911 dos 555 habitantes, sabiam ler 21 homens e 10 mulheres!
Alguns anos mais tarde, funcionou a escola no edifício construído pelo Estado, onde é hoje a Sede da Junta de Freguesia, conhecido ainda como "a escola velha". Ainda funcionava a escola velha, já um novo edifício estava pronto. 
Começou a funcionar a escola (a nova) oficialmente em 1959. É um edifício com duas salas com recreios anexos. Foi lá que fiz a primária e era uma escola mista. Conservou-se até 2006, ano em que encerrou.

30 comentários:

  1. Bom revisitar o passado e descobrir as origens da s escolas, educação por aí!! Lindo trabalho de pesquisa! beijos,ótima semana,chica

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  2. De interesse relevante este Post que ajuda a definir um pouco a formação da sociedade forninhense.
    Do que foi escrito na "Coisa" sobre Forninhos, a Instrução ficou pelas calendas gregas, quando tanto poderia ser investigado, já que o trabalho foi pago. Houvera interesse, pois registos deve haver, a não ser que tenham sido perdidos, destruídos ou roubados.
    Aqui vim a saber o local onde funcionou a primeira escola e que em 1911 a ínfima percentagem de quem sabia ler, o dobro eram homens. Estes letrados, possivelmente eram gente de algumas posses e com meios para se deslocarem a Dornelas a quem o Rei, meio século atrás havia concedido a autorização de se instalar escola. Ironia do destino, hoje as crianças da nossa terra por lá voltam a andar para aprender a ler, escrever e contar.

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  3. Não é muito fácil encontrar escritos relacionados com a nossa freguesia, eu fiz a pesquisa por "Forninhos", sem resultado. Mas se nos interessarmos de verdade por saber um pouco da história da nossa terra, sempre encontramos através de "Penaverde" ou "Aguiar da Beira" um ou outro documento.
    O documento da Junta de Parochia de Dornelas é interessante, mais para Dornelas do que para Forninhos, mas o historiador da monografia de Forninhos até insere a notícia, não sei porquê, em "invasões e liberalismo" e não achou significante saber desde que tempo haveria actividades docentes em Forninhos, afinal fizesse o que fizesse, receberia o mesmo!
    Adiante...
    Podíamos saber algo mais se nas memórias paroquiais de 1758 o Cura sobre a demografia tivesse escrito que das duzentas pessoas mayores e quarenta menores, sabiam ler "x". Mas o pároco não se interessou muito...
    No entanto, já alguém aqui disse que possivelmente as letras do guião da Irmandade foram desenhadas pelos nossos avós. Eu acho que não o foram, mas se houvesse uma investigação séria, podiam descobrir, através da Irmandade, se havia ou não muita gente que sabia ler e escrever, pois certamente os mordomos do Santíssimo anotavam em livro a receita e despesa e escreviam os nomes de quem entrava para Irmandade.
    Em conversa com os mais antigos o que me disseram é que a primeira escola funcionou numa sala da casa referida no intróito, depois na escola velha e escola nova. A partir daqui e até hoje, as crianças vão para a escola de Dornelas.

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    1. P.S: Quando acima digo que não sei o porquê do historiador inserir a notícia em "invasões e liberalismo" é por descontextualizada e sobretudo porque a guerra civil entre liberais e absolutistas (1828-1834), marcou um profundo retrocesso na educação. Tal levou ao fecho de centenas de escolas primárias e inúmeros professores foram perseguidos e mortos.
      Insere a notícia só porque, diz, na sua pesquisa encontra esta informação que pelo seu relevo merece destaque. Sem mais explicações!

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  4. Nada mais normal que ainda estar a "escola velha" a funcionar, e já existir uma nova escola, para que hoje não exista nenhuma a funcionar...o que só demonstra que para tantos governantes, ao longo de tantas décadas o Ensino nunca tenha sido levado a sério, e demonstra também as voltas e reviravoltas de uma sociedade que do ponto de vista demográfico já bateu no fundo.
    Eu ainda fiz o ensino primário só na companhia de meninas; o 1º ano de Ciclo Preparatório (chamado assim nessa altura) foi o ano da revolução que alterou essa divisão entre géneros. Acho que na altura não achei nada de especial porque sempre convivi com o meu irmão e os meus primos, mas em famílias só com meninas deve ter sido um acontecimento passar a ter colegas rapazes...:-)
    De mais de quinhentas pessoas, apenas 31 saberem ler demonstra bem que saber ler era um luxo não ao alcance de todos os homens, muito menos de todas as mulheres.
    Um assunto muito importante, Paula!
    xx

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    1. Sabe Laura, saber que dos 555 só 31 sabiam ler fez-me ler documentos antigos e li que "nas freguesias rurais era imposta, aos reitores das igrejas, a obrigação de abrir escolas, começando por ensinar a ler os jovens que lhes ajudavam à missa...".
      Se calhar a primeira escola de Forninhos abriu assim, porque onde funcionou essa escola, mais tarde funcionou a JAC (Juventude de Acção Católica). Há ainda pessoas em Forninhos, que fizeram parte da JAC.
      Mas ao certo ninguém saberá responder.
      Falando das escolas "das meninas", sei que Forninhos também teve a escola feminina e a escola masculina e fiquei a saber que até havia escola aos sábados, mas neste dia a sacola dos livros não era necessária porque era o dia de limpeza da escola e de incutir na mente dos alunos os bons costumes incluindo o patriotismo. Cantavam o hino virados para a fotografia do Salazar pendurada na parede. Tudo isto é história e história das nossas terras.

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    2. Faz todo o sentido; o "Deus Pária Autoridade" como grande linha condutora do país de então.
      xx

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  5. Vida dura, a rural nas aldeias do interior, tal como a nossa, não dando espaço para aprender as letras. Havia a labuta do campo e os meninos, ovelhas e cabras para guardar e as meninas os irmãozitos mais novos para cuidar, feijões para depenar e casa para varrer, enquanto os mais velhos, tinham as arcas de boca aberta à espera do cereal e a salgadeira para provir.
    A caneta não dava pão, a enxada sim, não escrevia na ardósia mas fazia regos no chão cujo resultado tinha nome: comida!
    Ainda me lembro da minha mãe ensinar em casa algumas pessoas a fazer o nome, poucas por vaidade e vontade em aprender, mais por necessidade.
    Tinham futuros pessoais mais ambiciosos,
    Uns por terem o futuro traçado para o seminário, mas a maioria por ter a teimosia de concretizar o sonho de partir para a cidade ou Américas e ficavam em vantagem: "eu sei assinar o nome..."!
    Eu apanhei a escola nova na sala de baixo, a dos rapazes e recordo que muitos dos que faltavam, não eram "baldas", apenas a vida tal não permitia, afinal a escola mais real, a da vida.
    E esta por onde tantos de nós passaram,, nem a igreja vizinha a salvou, está votada ao abandono e com certeza triste e revoltada, afinal ensinou mal as gentes da aldeia, senão já estaria aproveitada e bonita como foi outrora.
    Quem diria que um dia seria calada por uma cambada de "analfabetos" repetentes!

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    1. Uma análise muito bem escrita!
      xx

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  6. "A escola deveria ensinar a ouvir" - José Saramago.
    Há umas dezenas de anos, às pessoas que não entendiam "à primeira" o que se lhes dizia, ouvi muitas vezes dizer: "vê-se logo que não fizeste a 4.ª Classe em Forninhos". Parece que havia diferença! Havia?
    Isto aliado ao Decreto de 1857 deu-me mais certeza que lá bem atrás houve quem fizesse a 4.ª Classe noutra escola; a mim, isso faz-me olhar para trás e achar piada àquela expressão.

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  7. Acho que tanto as velhas com as novas deveria igualmente funcionar , a educação não deve ser deixada de lado.
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  8. É de facto preocupante o fecho de tantas escolas, mas ainda é mais preocupante a redução do número de crianças, que foi o que originou a partir de 2006 o encerramento de muitas escolas (novas e velhas ) no início desse ano lectivo.
    As escolas, ano após ano, foram fechando as suas portas, por falta de crianças e os espaços de recreio silenciaram. Paralelamente foram nascendo por quase todas as aldeias dos concelhos do interior "Centros de Dia", muitas vezes a paredes meias com as escolas desertas!
    Mas como estarão as nossas aldeias daqui por 10/12 anos? Haverá idosos? Ou será que os Centros de Dia começarão a fechar, tal como as escolas?

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  9. O ensino, a educação são fundamentais sempre! Gostei do seu artigo, bastante importante saber de coisas passadas e como foram sendo modificadas...
    É saudável ver mudanças de maneira crescente e aperfeiçoadoras, não é mesmo?!
    Agora já estou de volta e retornando à rotina passo a passo...
    Abraços p você e o Xico... Boa 3ª Feira...

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    1. Sim, pelo menos da vida escolar de há 50 e tal anos onde se educava com violência. Talvez houvesse excepções, mas poucas!
      Em Forninhos é sabido que o mestre-professor afirmava-se sobre os seus alunos através da violência, pensando ele que era uma forma de educação, então havia na escola um artefacto chamado palmatória para castigar os alunos; eu apenas conheci uma vulgar régua, mas de tanto ouvir falar da palmatória, ela fazia parte do meu imaginário.
      Não é fácil educar os miúdos de hoje, mas não há necessidade de educar com violência.

      Um abraço e cont. de boa semana.

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    2. Ah, Paula, gosto da expressão bíblica, "não por força nem por violência..."! Na escola fui traumatizada por professores insensíveis/sem tato que me forçavam a falar ou me expunham indevidamente e isso me trouxe grandes prejuízos... MAS, graças a Deus fui vencendo os estragos e trabalhando no emocional de uma maneira saudável... Hoje, ajudo pessoas a superarem situações parecidas/cura interior!
      Gostei deste complemento do seu artigo!! Acrescentou muito...

      Um abraço carinhoso... Agora já estou na minha rotina/de volta das férias...

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  10. Acerca da Instrução, se metermos (") aspas na Primária, esta já nos meados da década de setenta e por aí adiante, não se ficava por aqui.
    As mentalidades estavam mais abertas até pela força da emigração e o assimilar de novos horizontes e uma abertura do Portugal ex-colonialista aos saberes do mundo, era imperativa, mais não fosse para lavar a cara do miserando estado-novo obscurantista.
    Quantos não partiam de carreira para Aguiar, o colégio que tipo albergue, acolhia quem pudesse e a tal fosse obrigado. Sem este estabelecimento, que louvo e sem tal pretender denegrir, bem pelo contrário, pois de certo modo foi de importância relevante dado o facto de alguns pais não "quererem ficar atrás" no ensinamento dos filhos, foi um trampolim de vida..
    E por entre estradas esburacadas, tanta vez no inverno bloqueadas pela neve até chegar às mais próximas da vila, alcatroadas, assim se ia de madrugada ensonados, tal como no regresso já carregados de sono.
    Do alfabetizar antigo, agora era outro tempo, o da escolaridade obrigatória, mas que deixa saudades, deixa! Aassim como o nosso modo de linguajar, à "Biseu" - falávamos "axim"...
    Votos de uma educação cada vez melhor, axim seja se Deus quixer

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  11. Que importante matéria, Paula! Saber da história da educação de Forninhos, fez-me relembrar de minha primeira escola primária, que era numa casa próxima de casa. Fui alfabetizada na cartilha do ABC, tendo sobre o alfabeto um papel vazado com apenas um círculo, que a professora, Dona Mundoca, ia afastando, letra a letra. Era final da década de 1940...Depois surgiram tantos métodos e, no entanto, meu país ainda tem um imenso número de analfabetos. É inacreditável, o pouco valor que se dá à educação. Fui professora de História da Educação no Brasil, por 18 anos, quando morei no Rio de Janeiro. O tema, é apaixonante!
    Gostei, do que li aqui hoje! Obrigada, Paulo e Xico.
    Beijos,
    da Lúcia

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  12. Paula,além de ser um assunto interessante para nós,seus leitores, vc presta um serviço á comunidade tb! Gostei muito do seu post! bjs,

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  13. Foi nas escolas primárias que todos nós demos os nossos primeiros passos na aprendizagem de saberes, por tal com este blog tento apenas saber da história de um povo antigo. E como até há um dito popular que diz que "o saber não ocupa lugar" fiz este post para também motivar outras pessoas, de outros concelhos, a procurar a legislação dessa época. Com a ajuda do link acima todos podem fazer uma pesquisa simples e/ou avançada e aí podem encontrar boas surpresas para a história das suas localidades.
    Pela televisão é frequentemente abordado o encerramento das escolas, através de reportagens e essas mesmas reportagens tendem a intensificar a grandiosidade do problema e a necessidade de solução. É bom, porque muitas vezes nos dão a conhecer um pouco desta realidade que não podemos analisar com os próprios olhos, mas reparem que poucas vezes (ou nenhumas) a história desta ou daquela escola é referenciada na comunicação social. Eu, pelo menos, nunca vi nenhuma e até me lembro duma reportagem feita pela SIC junto à escola de Dornelas. Esta escola foi notícia no Jornal da Noite em 02.Jun.2010, por ter menos de 20 alunos e estar em risco de encerrar portas, mas da sua história, desde quando ali se ensina as primeiras letras «nada».

    Obrigada Lúcia e Anne. Um grande abraço.

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  14. A, E, I, O, U.
    Em maiúsculas...assim se começava, com letra tipo desenho em que o "A" tinha as pontas reviradas para cima, penteadas a giz na pedra de ardósia com caixilhos de madeira, a maior parte das vezes já rombos ou partidos pelos tombos dentro da sacola ou numa bulha qualquer.
    Depois o contar até dez! E a tabuada?
    Juntavam-se pedrinhas, grãos de milho, ou pedaços de qualquer coisa e "um mais um, dois..".
    A um colega de carteira ouvia a "Mestra" perguntar:
    - Luís, quanto é dois mais três?
    - Cinco, senhora professora.
    - Muito bem, e quanto é três mais dois?
    - Ora senhora professora, também quer que saiba tudo?!
    Somar, subtrair e dividir por obrigação, senão, "saltava" a régua na palma da mão ao compasso da conta errada. Por isso muitos fugiam, não de querer aprender, mas do medo que já levavam de casa pelo castigo provável.
    Iam para o cadafalso e tal eram os nervos que mesmo o giz novo comprado para substituir os cotos guardados no bolso, riscavam a "pedra", arrombando os ouvidos.
    Ir ao quadro, na frente de todos fazer um exercício, dava logo vontade de pedir para ir ao recreio fazer as "necessidades", tantas vezes proibidas.
    Redacções, era uma lástima. Queriam Aquilinos ou Torgas de quem mal sabia segurar os suspensórios, quanto mais jogar com vogais e consoantes.
    Afinal que raio de ensino era este que ao entrar numa escola nos punham em sentido a cantar "Heróis do Mar" e ao mínimo erro nos punham de castigo com orelhas de burro e mãos inchadas:::
    E ainda há quem defenda que assim é que estava certo...

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  15. Xico... por momentos estive naquela época e nessa sala de aula! Gostei das tuas palavras... e essas histórias de tempos vividos são tesouros!!! A tua terra que tem orgulho na escrita dos 'académicos', se tivesse olhos para ver, devia antes ter orgulho dos seus "frutos"...mas 'olha' pelo menos permitem-nos conhecer o que é hoje Forninhos, Freguesia!
    Obrigada por mais um excelente comentário!
    Da extinta escola de Forninhos, que é uma matriz para quatro ou cinco gerações, muito mais há para relevar, por enquanto, guardado e ocultado,outros já perdidos. Por exemplo,...ainda te lembras dos bancos/carteiras da escola?
    Sabes qual foi o seu destino?
    Estão amontoadas e a degradar-se no barracão do Picão!!
    O barracão do Picão é já um espaço museológico para 'proteger' objectos e avivar as memórias...de quem lá entra claro!
    Mas...e os outros objectos escolares, manuais, mapas, carimbos e alfabetos em madeira, figuras geométricas, globo terrestre, instrumentos de trabalho de professores e alunos e inúmera documentação?
    Não estarei muito errada se disser que alguns papeis e objectos que contam a história da tua e minha escola primária e de outras escolas do século XX encontram-se nos armários das salas, cheios de pó e teias de aranha!

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    1. Olha Paula, o que escreves dá que pensar...
      Afinal um pouco à semelhança do país real, mas no seu pior.
      O ser humano nasce, cresce e morre, é a lei da vida que uns viveram melhor que outros e cada vez mais com "sem-abrigo". Infelizmente.
      Em Forninhos, os "sem-abrigo" são de outra natureza: Memórias!
      Memórias votadas ao abandono em "caixotes de lixo" como se incomodassem, quiçá porventura classificadas como dejectos.
      Qualquer dia a placa indicativa de Forninhos ainda virá a ter os dizeres:
      Aqui é proibido pensar, recordar e honrar os nossos antepassados. E ser feliz se não forem do contra.
      Mas é permitido chorar à vontade, nos barracões das vossas memórias.

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  16. Lurdes sou a tua mae, espero que leias esta mensagem.
    Gosto muito de vós todos soís a razão do meu víver

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  17. Comovido, fez-me lembrar Manuel Freire:

    "Não há machado que corte a raiz ao pensamento
    Não há morte para o vento
    Não há morte

    Se ao morrer o coração
    Morresse a luz que lhe é querida
    Sem razão seria a vida
    Sem razão

    Nada apaga a luz que vive
    No amor num pensamento
    Porque é livre como o vento
    Porque é livre.".

    E no post "Lameira, Lugar e Errata" deixou novo comentário, que diz:

    "ola chico
    sou a tua mae já li os teus comentários e gostei muíto".

    Quem diria!!
    Que dizer a não ser um grande Bem-Haja, minha Senhora Mãe!
    Ainda há dias cantamos nos seus parcos oitenta anitos e hoje é a Senhora que dá o presente ao vir aqui, neste espaço que tanto colabora, dar uma excelente aula de instrução primária de coragem e beleza, você que tinha o sonho de ser professora, mas o avô António, partiu antes do tempo. Lavoura pela frente...
    Passado tantos anos de filhos e netos criados, "dá" aulas de informática em que transmite sentimentos de coragem e mensagens para os novaços da terra..
    Grande Mulher, que honra!!!
    Daqui a quinze, cá a esperamos.
    Vá trazendo estórias, mãe...
    Beijito.

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  18. Que bom que no Centro de Dia de Forninhos alguém já nos lê, pois fazer recordar e manter vivo aquilo que é tão nosso só fará bem às antigas gerações!
    Pode ser que, depois da tia Agostinha outras pessoas deixem também uma palavrinha, já que por aqui passam também!
    Um grande bem-haja tia Agostinha e até dia 10 de Abril se Deus quiser! Beijinhos**

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  19. Na altura que andava na escola as raparigas e os rapazes estavam juntos na mesma sala, a primeira e segunda classe aprendia na sala de cima, a terceira e quarta classe aprendia na sala de baixo, no recreio lá nos juntávamos todos para a brincadeira.
    O dia mais importante que tenho memória da escola, foi o dia do meu exame da quarta classe, no final tivemos direito a um banquete e foguetes.
    Que saudades que tenho dos meus tempos de escola.

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  20. Na educação (como em outros sectores) após a revolução de 25 de Abril de 1974 modificou-se muita coisa e eu como entrei para a escola depois de 1974 já não apanhei o exame da 4.ª Classe, mas recordo é muito bem o meu primeiro dia de escola. Tinha uma bata branca com as minhas iniciais “PM” (Paula Maria) bordadas a azul e uma mala cor de laranja com o Sandokan e a catana. Quando lá andei também a 1ª e 2ª classes era na Escola de Cima, com a Professora Lurdes e a 3.ª e 4.ª classes era na Escola de Baixo, com o Professor Rocha.
    Não chego ao ponto de dizer que o professor permanece na nossa memória até à morte (como se lê por aí...), mas que a escola primária e os/as professor(as) das primárias, são um dos marcos importantes nas nossas vidas, por isso devemos mantê-los vivos na nossa memória.

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    1. Lembro ainda bem a Senhora Professora (assim dizíamos) da Mata, aldeia não muito distante.
      De cantarmos e rezarmos e copiarmos uns dos outros. Às vezes valia uns pêssegos ou umas maçãs, ajudar" o parceiro, ou uma carica reforçada, mais um berlinde.
      Mas claro, por algum tempo os "mestres" eram os nossos pais e mães pois a uma réguada mesmo não podendo fugir, sempre doía menos que umas vergastadas ou uns belos cachaços, fora o castigo de ir apanhar feijões.
      Mas quem não tem saudades da escola e brincadeiras, afinal a nossa casa de infância?
      Por isso, como bem dizes, devemos mantê-los vivos na nossa memória.

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  21. Boa noite Paula, excelente trabalho de pesquisa sobre o inicio da escola publica aí na vossa aldeia! Era assim um pouco por todo o País!
    E essas memorias são sempre de recordar. Um beijinho. Ailime

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  22. Obrigada Ailime.
    Tantas vezes falamos aqui do passado e sequer pensamos no país analfabeto.
    Neste decreto o monarca concede a criação da escola primária à Junta de Paróchia de Dornelas, localidade vizinha de Forninhos. Estamos a falar de 1857.
    Não temos provas documentais da criação da primeira escola em Forninhos, o que é pena :-( mas temos o registo de que em 1911 dos 555 habitantes, sabiam ler 21 homens e 10 mulheres. Tendo em conta que a educação era uma das bandeiras da República, assim como a separação do Estado e da Igreja, se calhar essas 31 pessoas já aprenderam as primeiras letras depois da revolução republicana...não sei...o que sei é que os nossos antepassados eram pobres, analfabetos e católicos e mesmo as pessoas que defendiam o laicismo depois participavam em romarias e iam à missa e, nesta parte, tenho a sensação de que em Forninhos muita coisa não mudou.
    A monografia da freguesia editada recentemente, por exemplo, sobre a instrução primária e usos «nada diz», mas começa por mostrar, na Capa, as letras dum guião, que pasme-se! diz-se agora foram possivelmente desenhadas pelos nossos avós.
    Há coisas que em Forninhos não começam, nem acabam por decreto!

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