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domingo, 1 de dezembro de 2013

Casamentos


Tínhamos há uns tempos dedicado aqui um post às noivas, seus vestidos e acessórios e, assim termos memória de um dia especial e como a noiva se vestiu, nesse tempo.
Chegam-nos novas, neste 'capítulo', e hoje deixamos aqui um casório da década de setenta do século passado, para ver se reconhecem os noivos e os seus convidados, o que terá mudado até agora, o que recordamos dos casamentos de outros tempos...
Olhando para esta fotografia e tempos que lá vão, eu recordo uma tradição bonita e divertida, mas que como tantas outras, só perdura hoje na memória dos forninhenses que têm mais de 40 anos de idade - a tranqueira - uma  fita de seda que impedia o seguimento ou o andamento em ritmo normal dos convidados. 
Depois da cerimónia acabar, no portão e portal da igreja as crianças, principalmente as que não eram convidadas, colocavam a tranqueira e só deixavam passar os convidados depois deles receberem moedas.
Este era um momento entusiástico nos antigos casamentos da nossa terra!

24 comentários:

  1. A foto que enquadra este Post, deixou-me sem fôlego por motivos vários, não apenas pelo modo de vestir, principalmente das crianças e jovens, já no limiar do moderno mas também pelas pessoas contidas nesta moldura. Que surpresa tão boa...
    Todos ou quase todos, velhos e novos, parecem ter sido transpostos na minha memória para este dia de hoje, afinal não fosse o casamento do meu primo direito Tónio "Pego" e Lena, cuja boda decorreu em casa da minha Tia Rosa, farta e animada. Família de ambas as partes e amigos mais próximos de igual modo.
    Pena o que fomos crescendo ao ponto de cerca de duas dezenas já não se encontrarem entre nós, como o caso de meu pai que abre a última fila do lado esquerdo e eu fecho na mesma fila no lado direito. Minha mãe, meus irmãos,tios e tias, primos e primas e tantos amigos. .
    Grupo bonito que enfeita a entrada da nossa Igreja de Forninhos. E claro as tranqueiras a que antigamente diziam ser feitas de gravatas. Os convidados não participavam, apenas as outras crianças da aldeia para quem também era dia de festa e sempre se arrebanhavam umas moedas para os rebuçados.
    Giro também quando o noivo e padrinhos, atiravam moedas para a pequenada "intrusa" e na cata da sua apanha nos envolvíamos na terra, por vezes bulhando, acabando em sopapos e roupa rasgada. Era parte da festa e cumpria-se a tradição.
    Era bonito, parabéns!

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  2. Adorei ler o texto e os comentários do Xico que o completaram. Momentos legais de rever por lá,não? beijos,linda semana,chica

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    1. É mesmo! É sempre agradável rever momentos de outros tempos, já que por lá a vida fervilhava e sabia-se que quando alguém casava, a vida renovava-se.

      Boa Semana.

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  3. Boa noite.
    Esta bela foto tanto me deixou sem fôlego, que me tirou o discernimento ao ponto de cometer um erro crasso, mas hilariante...
    Não é que "dei" a noiva ao padrinho e o noivo à madrinha?
    Que confusão, afinal a noiva a Céu, é irmã da madrinha e o Luís é o noivo.
    Ou seja os noivos eram padrinhos e os padrinhos eram os noivos, mas as pessoas da foto são as mesmas, valha-nos isso! A boda foi noutro sítio, mas também farta e divertida.
    Afinal Forninhos sempre foi terra de primos e primas!
    Eles que me perdõem...

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  4. Não sei se o Tónio "Pego" e Lena eram os padrinhos, mas é capaz, já que os noivos no meio do casal se encontram.
    Depois da foto do grupo os sinos da igreja tocavam e lá seguiam então para o almoço/boda, mas também eu não sei em que sítio foi.
    Gosto muito deste retrato porque conheço todas (ou quase todas) as pessoas retratadas.
    E obrigada Xico pelos detalhes da tranqueira aqui trazidos que só enriquecem o nosso conhecimento sobre um passado comum.
    A minha memória (tenho quase 43 anos) já não me transporta ao tempo em que as tranqueiras se faziam com gravatas.

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  5. Paula, da "tranqueira" nunca tinha ouvido falar, mas quanto à fotografia, está espetacular!
    Boa semana!
    beijo

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    1. Boa Semana, Nina.
      A fotografia retrata belas recordações...da tranqueira (e não só).
      Bjo.

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  6. Já que os filhos da terra parecem ter vergonha das suas origens, como que escondendo a fome, trabalho e sacrifícios dos seus antepassados, cá vamos nós,muito poucos, no trabalho diário de procurar laços que fizeram história. Autêntica e genuína!
    ESTÓRIAS DE CASAMENTOS EM FORNINHOS.
    Contou-me ontem uma octogenária, que a mãe dela lhe contava à noite ao serão, uma história autêntica que contas feitas remonta pelo menos ao início ou meados do século dezoito.
    Havia um casal de namorados que por motivos familiares e possivelmente de estatuto social não tinham a benção, conseguiram com a conivência do Sr. Padre e de testemunhas, casar durante a noite. O acto ficou no segredo dos deuses e "eles" embora casados pela igreja, apenas se encontravam "clandestinamente" durante a noite, imaginem, marido e mulher, lá teriam os motivos e nem quero imaginar a agonia que sentiam.
    Claro que com o tempo, alguns percalços foram acontecendo ao ponto de a aldeia começar a falar que estavam amantizados, tão cruel era (e é) a língua do povo.
    O constante zum-zum, chegou aos ouvidos do Sr.Padre que chamou o casal e embora eles relutantes, anuíram no revelar do segredo por demais doloroso, passado que ia um ano.
    Devem ter vivido felizes para sempre e bem o mereciam...
    Outras aqui traremos sobre este tema para vos revelar.


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    1. Xico!
      Sem dúvida que os teus comentários são uma mais-valia para o ‘blog dos forninhenses’ assim como para todos aqueles que abrem a janelas de comentários para os ler e deles falar por aí...
      Como contribuidor percebo que a tua finalidade é deixar coisas escritas, pois daqui a uma dúzia de anos já não há quem se lembre deste casamento feito à noite ou do outro em que a sua boda foi só de “pão e chouriça”.
      Não leves a mal, mas “não jogues pérolas a porcos” – Jesus Cristo.
      Faz tal qual outros 'contribuidores'.
      Abraço.

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  7. Não resisto a deixar outra, com receio de me esquecer daquilo que me contaram.
    Era a minha mãe pequenita, e infelizmente para todos, cedo ficou orfã de pai, o único avô que não conheci.
    Mas a minha avó Lameira, já aqui postada, na necessidade valia por dois e ajudava, por isso tantos afilhados que teve.
    Madrinha de baptismo, madrinha de casamento, como hoje.
    Estes noivos tinham muita necessidade, mas nem por isso ficavam sem madrinha nem por casar. A minha mãe, ainda moçita, ficava na expectativa do seu regresso e na esperança de que lhe haveria de trazer uma fatia de pão-leve.
    Regressada a minha avó, salta-lhe para o colo e pede "o bolo, o bolo, o bolo".
    Olha filha, responde a minha avó, quem me o dera. Viemos da igreja, comemos um bocado de trigo e uma chouriças assadas. Foi a boda, agora bolo, nem vê-lo!

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  8. Achei legal a foto, Paula! Interessante saber da fita e das moedas que você se referiu... Casei-me na década de 70/79!

    Uma Boa semana... Com carinho

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  9. Vim ver o teu blogue por ter achado curioso escreveres Paula ao contràrio.
    Và-se là saber porquê?
    Passarei mais vezes.

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    1. Cara amiga da onça.
      Sem se aperceber (assim julgo) abre o tema ‘aluaPaula’, um nome que em Forninhos – minha terra natal – é sinónimo de tola. Estou a brincar...ou talvez não... já que antigamente diziam que ‘as paulas’ eram as tolas.
      Volta sempre que quiseres.

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  10. Paula,

    Quanto tempo não vinha visitar Forninhos!
    Gosto demais de ler tudo sobre esse lugar.
    Acho lindas as fotos de casamentos antigos. Acho que as noivas brilhavam mais. Não sei o que mudou, sei que era mais bonito.
    Um abraço cheio de saudade!

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  11. E como as tradiçoes vão mudado com
    o passar do tempo.
    bjs
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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  12. Tempos de vida, vividos, nos quais a azáfama do dia a dia, era mais importante que uma cerimónia.
    Nem que fosse casamento, esse seria na hora em que houvesse tempo e os convidados para aí virados. Primeiro a terra, a obrigação e depois a "devoção"!
    Não houve um. que até está na foto que na manhã do casamento ainda foi tirar a cabaço um poço para a rega?
    Pessoa mais à frente, que além do dever, ainda vestiu o fato com banho tomado.
    Singularidades beirãs...

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  13. Olá Paula, estou como a Lucinha! Os casamentos de tempos idos eram uma festa e tinham um brilho especial! Era um acontecimento que fazia deslocar toda agente para o adro da igreja para ver a Noiva! Havia um hábito na minha aldeia em que as madrinhas levavam rebuçados e outros doces para atirar a quem estava presente e também quando o cortejo saía iam atirando para as casas em que a porta estava aberta"! Velhos tempos em que a chave estava na porta ou estas abertas de par em par! E neste caso todos participavam da boda;)), principalmente a criançada que de uma vez se via ali rodeada de tantos doces como que caídos do céu))!! Beijinhos Ailime

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  14. Muito bonita a tradição da sua aldeia, Ailime. Com certeza era um momento entusiástico nas vossas antigas festas matrimoniais, tal qual para mim foi a tranqueira.
    Os casamentos eram – até finais dos anos 70 – bem diferentes dos actuais. Em Forninhos as pessoas também deslocavam-se a pé para a igreja e muitas mulheres saiam de casa para ver os noivos, principalmente a noiva, se ia bonita ou não. Dos homens o único comentário que lembro ouvir era "lá vai mais um enforcar-se".
    Depois da cerimónia iam a pé da igreja para o local da boda.
    No decorrer desses percursos pedestres não havia o hábito de atirar rebuçados e outros doces, acho eu, mas à entrada da porta/ou portão onde se ia celebrar a boda colocava-se para as crianças uma mesa e uma bandeja com guloseimas, ao que sei, guloseimas, como rebuçados, bolachas, doces e a guloseima mais tradicional das nossas festas de casamentos: fatias de pão-leve.
    Depois acontecia o almoço à base de carne assada e guisada. Matavam-se galinhas, cabras, ovelhas e conforme as posses das pessoas, lá se matava uma vitela
    Hoje tudo isso acabou.
    Destes momentos especiais, ficam as fotos e as próprias memórias de cada um.

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  15. Muito boa tarde, cá estou uma vez mais para tentar dar o meu contributo, a este blog que muito deu e está a dar por uma terra chamada Forninhos, fotos destas são um regalo para a vista e um avivar de memórias para quem a viveu, muitos já partiram para outra vida outros estão bem mais velhos, quase a atingir a idade dos que na altura eram os mais velhos, isto quer dizer que o tempo passa e não volta nem olha para trás, para trás olhamos nós que vamos ficando mais velhos e vivendo das recordações que estas fotos nos trazem.

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  16. Olá Paula,
    Gostei imenso deste seu post,, com aquela fotografia "para mais tarde recordar". Foi também, no início da década de 70, que ocorreu o meu casamento, porem em Lisboa, felizmente que perdura até hoje.
    Bjs
    Manuel Tomaz

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  17. Lembro-me bem de por as tranqueiras nos casamentos, não havia um que eu e as minhas amigas não estivéssemos lá com a nossa tranqueira, lembro-me que no casamento da minha irmã Zita tínhamos a tranqueira e uma mesinha posta com cigarros para os homens e uns docinhos para as mulheres e um pratinho para porem as moedas. Além da tranqueira também alguns homens em cima desse muro que se vê na fotografia deitavam umas moedas e uns rebuçados ao ar para as crianças os apanhar, nos dias dos casamentos era uma alegria para as crianças porque com as moedas que conseguíamos ganhar podíamos comprar as guloseimas que tanto gostávamos.

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    1. Agora que falas, a minha memória também me diz, que do muro de pedra, no patamar, os homens deitavam-nos moedas ao ar.
      Sobre a mesa bate certo. O que me disseram é que eram os familiares da noiva ou noivo que punham as mesinhas.

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  18. Também eu aqui estou nesta foto, Maria Carau!
    Não podia colocar tranqueiras por estar no casamento e já ser um homenzito.
    Mas no casamento da tua irmã Zita, grande amiga e maria-rapaz, sempre andamos juntos nas aventuras de criança, da mesma idade, nas vésperas do casamento dela fiz-lhe uma patifaria, aqueles alguidares grandes, cheios de bifes de vitela levaram uma razia, juntei meia dúzia de "malandros" e eles, os bifes, voaram para as lajes, suculentos sobre as brasas. Não era por mal...
    O teu pai, meu querido tio António, foi das poucas pessoas convidadas para o meu casamento em Lisboa. Era mais que família...
    A "boda" foi num restaurante em Lisboa e não é que no dia a seguir ele voltou ao restaurante para voltar a almoçar?
    Pensava que estava em Forninhos em que a festa durava mais que um dia.
    Foi engraçado e recordo com saudade como ele me contou este episódio.
    Beijo.

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