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domingo, 8 de maio de 2016

Forninhos - Construção da Igreja

No século XIV não existia, pois no documento do tempo de D. Dinis que enumera as igrejas em 1320, não há qualquer referência à Igreja de Forninhos (aparece, sim, a igreja de S. Pedro de Penaverde, que estava sediada no actual S. Pedro de Forninhos).
Mas a Paróquia de Forninhos já existia em 1675. Num relatório diocesano desse ano (Arquivo Distrital de Viseu, Avulsos, cx.6, doc. 2, fl. 11) refere-se o seguinte: 
“Igreja de Forninhos, invocação de Santa Marinha curato anual filial da Igreja de Penaverde tem sacrário 2 altares collateraes invocações de Jesus e de N. Sª Pessoas maiores 171, menores 44. Está suficientemente ornada com o que se proveo em visita.”
Nota: De referir que na época, Igreja era muitas vezes sinónimo de Paróquia e Forninhos era paróquia, com uma particularidade, era anexa (curato) de Penaverde e competia ao pároco de Penaverde nomear o pároco de Forninhos.
Como podem ver, a fonte de 1675 revela que à época a igreja estava suficientemente ornada e servia perfeitamente a população (constituída por 215 pessoas), uma vez que o visitador nada diz sobre a circunstância de a igreja ser pequena. No entanto, em documento de 1734,  que podem visualizar aqui, já outro visitador anotou que "He cousa pouca não convem estar ali igreja pode ir a Ornelas, ou a Matança - Dandose algua cousa pelos currãres, mas não a Ornelas por serem Abbas anexas a Pena Verde."
A população cresceu, pois em 1758, nas memórias paroquiais já se contavam 270 pessoas, e o cura de Forninhos respondia: "A paróquia está próxima ao povo. Hé orago de Santa Marinha, tem o Altar mor e dous colaterais.".
E em 1801 (censo de 1801), o número de habitantes ascendia a 356 pessoas e então percebe-se porque se tornou necessário dotar a paróquia de um templo que se adequasse à demografia da localidade. Isto foi em 1797, como se pode ler no documento de registo dos requerimentos e licença que se passou para se benzer a Igreja e a Capellamor do lugar e freguezia de Forninhos, que hoje n'O Forninhenses se publica na íntegra:


No entanto, os autores da "Monografia de Forninhos", em 2013, referem a páginas. 121-122: "A construção da Igreja deve remontar a 1731 se atendermos à inscrição patente no cocheado que compõe o portal do templo, que se define arquitetonicamente como um edifício de nobres proporções refletindo influências estilísticas de transição entre o barroco e o rococó."
A data que encima a porta é 1731 ou 1797? 
Afinal donde é que veio mais esta?
Para mim, o 1731 só pode ter vindo do folheto distribuído aquando da caminhada da natureza, de 8 de Agosto de 2010; é que nos "Pontos de Interesse" a Junta de Freguesia escreveu isto: "IGREJA MATRIZ DE SANTA MARINHA - A data provável do actual imóvel é de 1731, do estilo barroco e rococó".
É fácil confundir o 9 com o 3, basta um pouco de erosão da pedra na 'bolinha' do nove para se confundir os dois números; quanto ao 7 e ao 1, por vezes é difícil distingui-los, uma vez que apresentam formas gráficas semelhantes no séc. XVIII. 
Os de Forninhos, se quiserem, que vão lá ver ou vejam a foto inserida na pág. 123 e digam o que leram!
Mas ainda que a inscrição do concheado fosse 1731 como é que historiadores e arqueológos que dizem ser de 'alto gabarito' vão neste tipo de conversa e não se guiam pelos factos? 
Eu li com atenção a monografia de Forninhos (não a li na diagonal) e li que na página 52 até tinham a informação que em 1675 a Igreja de Forninhos já existia, tanto que escreveram que "...em 1675 se procede à instrução e relação da catedral da cidade de Viseu e mais igrejas do Bispado, para a sagrada congregação, onde Forninhos e a sua paróquia dedicada a Santa Marinha com sacrário e dois altares colaterais dedicados a Jesus e a Nossa Senhora surgem integradas no arciprestado de Penaverde (Eusébio, 2005:957).".
Como é possível que a paginas 121-122 digam que a construção da igreja de Forninhos deve remontar a 1731, se em 1675 já existia e o único documento que testemunha a construção da igreja (a actual) é este, de 1797?!
Existiu um templo em Forninhos anterior a 1797, mas não há qualquer prova que remonte a 1731.

Contributo documental importante de João Nunes.

20 comentários:

  1. Fui ver a foto inserida na pág. 123 e não consegui ler a data!
    Alguem consegue, pergunto? Nao consigo, porventura por nao ser um "Douto" visionario iluminado.
    Avançar que a construção da igreja de Forninhos deve remontar a 1731 é de loucos, se tinham a informação que em 1675 a Igreja de Forninhos já existia e há o documento de 1797, é porque a actual igreja foi construida em 1797.
    Possivelmente a nossa igreja foi construida na primeira metade do sec. XVII, pois há tambem noticia que pelos Tribunais do Santo Ofício passou um membro do Clero, Paulo Pais, Padre-Cura da Igreja de Santa Marinha de Forninhos, natural de Fornos de Algodres, mas morador em Santa Marinha de Forninhos, o qual foi acusado, em 16 de Abril de 1617!
    Quanto mim a gravidade assenta na ligeireza de estudos primarios sobre esta importante componente religiosa, denegrindo a historia de uma paroquia como querendo acima de tudo, ficarem no seu registo historico como "descobridores".
    Perante factos, faltam argumentos, basta ler...
    Parabens por este registo historico.

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    1. Ou em meados do séc. XVI.
      A data de 1731, repito: só pode ter vindo do folheto distribuído pela Junta aquando da caminhada da natureza, a 8 de Agosto de 2010, porque ninguém consegue ler que é 1731 que encima o portal da entrada.
      A actual igreja foi construída em 1797 e não 1731 (o documento publicado é a prova suficiente que foi efectivamente construída nesta data); depois no séc. XX, é que houve grandes obras, foi subido o corpo da igreja e colocados os sinos, anos 50, ainda há muitas pessoas que podem testemunhar estas obras. É só perguntar. As pedras da igreja também o dizem, basta olhar.
      Não havia necessidade de inventar nada!

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  2. Paula e Xico, o meu forte abraço...
    Gosto de ver essas construções de Igreja tão antigas e resistentes, bem construídas...
    Uma pesquisa e um estudo minuciosos!...
    Boa semana...

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    1. Obrigada Anete. O que nos foi legado pelos nossos egrégios avós merece registos fidedignos.
      Cont. boa semana.
      Beijinhos.

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  3. Parabéns por mais um ( enorme !! ) detalhe do Património de Forninhos....
    A História de Portugal deve certamente registar muitos casos destes...
    Uma mãe ( assisti eu ) há cerca de dois anos, dizia ao filho com pouco mais de seis anos, frente ao Coche de D Carlos I , em Belém ,que Portugal nunca mais foi um país"em condições ", " de sorte" por ter feito mal a um Homem Bom " Bom Rei" ..
    Achei curioso !!O certo é que atropelamos a Histôria com uma
    facilidade preocupante ?!!

    Abraço
    MG

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    1. E Forninhos merecia melhor sorte!
      O documento publicado sugere que foi construída uma igreja de raiz. No registo de 1797 refere-se que “os moradores da dita freguezia porquanto se estão servindo da capela mor velha, que fica a hum lado da nova Igreja, aonde não cabe a quarta parte da Freguezia”. Ou seja, ao invés de se requalificar o existente, foi construído um templo novo. Isto foi feito em 1797 e não 1731.
      Mas em vez de seriamente se pesquisar nos Arquivos, foi mais fácil ir na conversa de alguém que um dia se lembrou de dizer que a igreja de Forninhos remonta a 1731!
      No edifício da igreja a única data perceptível até é 1797. Enfim...

      Abraço.

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  4. O problema em Forninhos é que a maior parte das pessoas, se está marimbando para estas coisas. O livro mencionar que a igreja foi construída em 1700 ou 1800, não importa. Festas com comes e bebes de preferência à borliu, isso sim. Lamento dizer isto mas é pura verdade e não vai mudar nos próximos tempos, pelo menos enquanto a cotação do voto estiver em alta.

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    1. O problema de Forninhos é que a maior parte das pessoas é fanática com comes...ou sem bebes!
      Esclarecida a data da construção da Igreja e outras coisas mais...só por fanatismo podem continuar a dizer que "o livro" é fantástico!
      É fantástico, sim, porque feito na base da imaginação e da fantasia!
      Abraço.

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    2. .......
      Houve um tempo em que me dediquei a tentar descobrir
      a origem de certos nomes de ruas e travessas da (s) minha( s) cidade(s) !! Isto depois de participar num programa da RR do Oscar Daniel ,entre as 00h/02 h em 2009/2011 .
      Travessa da Carne Azeda , Beco do Pao Duro , Travessa do Forno, Etc. Pessoas com 70/80 anos com morada há
      60 nesses lugares e cantinhos ,desconheciam a origem dos nomes ! Diziam-me que já assim se chamava,quando
      para lá foram viver! Pouca pouca gente se interessa
      verdadeiramente por essas questões.Não é só Forninhos
      a"padecer"desse mal.Nos comes/bebes idem/aspas/aspas.
      Á borla temos o expoente máximo : A feijoada na Ponte
      Vasco da Gama . Quando a comida não deu para todos !
      Sobre a nossa "Verdadeira História" a " batalha" está
      perdida ( ?), comer á borla não faço ideia como será dentro de 30/50 anos ??
      A Campanha do prof Marcelo abriu um ciclo diferente !
      Nada de " festa" , fogo , bandeiras ou música .Sinal
      de que as coisas podem mudar.Os nossos filhos e netos já não irão atrás de romarias para o engodo do voto ? Chegará ao Poder Local ?

      Abr
      MG

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    3. A sabedoria política dos Romanos é que inventou a fórmula: para manter o povo calmo, amorfo, bastava dar-lhe diariamente panem et circenses.
      Mas a minha pergunta é: será isto suficiente dentro de meia dúzia de anos?
      Há gente em Forninhos que são de olhão e em troca de votos podem querer daqui a 1, 2, 3...anos também hectares e hectares de terra que são da freguesia!
      Carradas de pinheiros já alguns levaram!
      Abr/Paula.

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  5. Permitam a minha opiniao.
    A historia de uma "terra" assenta em si propria e nas suas cavadas memorias, boas e mas.
    Porventura por muito antigas, mais seculo ou menos seculo, pouco importa, dizem.
    Cem anos corre muito tempo por entre paridos e mortos, fome e guerra, estados de vida. Iguais como agora, de modos diferentes, claro.
    Nao me admira o tempo da "Outra Senhora", do Sr. Amaral e o seu compadre, Ministro da Defesa, Santos Costa, tenha deixado sementes.
    Os comes e bebes, sempre foram adorados em Forninhos, pelos pobres e pelos ricos, uns por necessidade, outros pela ganancia e nao adianta fugir ao facto. Davam metade do que recebiam, toda a gente sabe.
    Agora o que me custa, ou nao, por sentir que fui fazendo coisas bonitas pela minha terra, esta, ficar reduzida num almanaque, num monte de folhas. Para quem tiver sentimentos, bom proveito.

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    1. Davam metade do que recebiam, é verdade, mas nesses tempos idos, as pessoas mais ricas não davam pão e circo ao povo, davam era trabalho aos que andavam a dia e ainda fizeram alguma coisa para o desenvolvimento de Forninhos. Vale a pena recordar que existiram, pelo menos, dois lagares de azeite, que de ainda há ruínas.
      Talvez o problema das pessoas de Forninhos se estar a marimbar para o ano da construção da igreja é porque nunca foram pedir pão para a porta da nossa igreja, mas para a porta do fornos e porta de casa dos que coziam!

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  6. Boa tarde Paula,
    Mais um valioso contributo para que a verdade dos factos seja resposta!
    Talvez o desgaste de que fala possa ter contribuído para que certas informações estejam deturpadas.
    No entanto como refere há notícia de que a Igreja de Forninhos já existia em 1675.
    Que o seu artigo resultante de uma investigação persistente dê bons frutos.
    Beijinhos e continuação de boa semana.
    Ailime

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    1. Sim, com o desgaste facilmente se confunde o 3 com o 9 e o 1 um com o 7, mas se há um relatório diocesano que prova que igreja de Forninhos já existia em 1675 e um documento que prova que o ano da construção da actual igreja é 1797, como aparece o 1731?
      Para a edificação de uma igreja ou capela tinha de ser concedida licença e só gente utópica é que acha que os de Forninhos construíam uma igreja em 1731 e outra em 1797!
      1731 foi só mais uma invenção!
      Beijinhos/bom fds.

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  7. Uma vez mais os documentos antigos e os nodernos, não estão de acordo.
    Um abraço

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    1. Mas, no caso, só por falta de capacidade de pesquisa!

      Um abraço tb.

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  8. Penso que em muitas freguesias acontece o mesmo.
    Grandes interesses abafam a realidade.

    Beijinhos.

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    1. "Grandes interesses abafam a realidade", por tal, os forninhenses têm que estar mais atentos e unirem-se contra os aproveitamentos e oportunistas.

      Beijinhos, bom domingo!

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  9. O vosso interesse é fascinante!
    Qualquer dia vou fazer pesquisas sobre a aldeia que me viu nascer...cujas histórias parecem perdidas na memória dos mais velhos da aldeia!
    Bj amigo e obrigada pela visita

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    1. Faça isso Graça. Para os mais novos poderá não dizer muito, pois não o viveram, mas sempre ficam a saber como era.
      Beijinhos.

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